Os últimos dias foram um caos completo.
Naquela mesma reunião, Malfoy e seus comparsas ajudaram a diretora a invadir a Sala Precisa, estourando uma parede e acabando com a AD de forma definitiva. Foi pedaço de parede, poeira e feitiço voando para tudo que era lado, Fredinho fugindo o mais rápido que pôde, os invasores levando cada membro da AD para interrogatório e detenção...
Não foi legal, nem um pouco. Só para reforçar esse conceito, agora as costas da mão de Sadie tinham uma cicatriz dolorida que lia mentir é errado, para combinar com a marca da mordida de Brownie que ainda estava em seu pulso. Somando os dois ou três roxos que sempre havia por lá, já que a menina era uma desastrada, aquele braço já estava virando uma galeria.
Todos os ex-membros da AD tinham a mesma cicatriz nas costas da mão, para lembrá-los da detenção. Era mais ou menos como uma tatuagem dolorida unindo o grupo, que não voltara a se reunir oficialmente desde a invasão.
A cara de Draco quando pegou o grupo no flagra era um detalhe à parte.
Na noite seguinte à invasão, Sadie resolveu ir novamente à casa de Hagrid para visitar as cobras. Não vinha tendo muito sucesso em procurar o feitiço que usara em Brownie quando a adotou, e o animal se mostrara bastante agressivo nas poucas vezes que ela tentara visitar... Então ia tentar um método novo.
Por isso mesmo que ela e Rayvenne estavam esperando que Hagrid abrisse a porta, e a pequena tinha um bichinho de pelúcia em suas mãos – um que lembrava muito um dragão anão.
— Sadie! Rayvenne! — Cumprimentou a voz rouca do guarda-caça quando ele abriu a porta para as duas meninas, que entraram rapidamente. Assim que elas entraram, Hagrid apontou para um vivário em um canto mais escuro da cabana.
Sadie arregalou os olhos. Algo negro e lustroso se retorcia atrás do vidro.
— Brownie! O que aconteceu?
— Ela estava muito hostil, Sadie. Parece que o feitiço que você fez para ela não morder você nem a sua família também fez ela ficar mais dócil... Depois da bichinha quase me morder duas vezes, resolvi tratar ela como uma naja normal e botar num vivário pra não ter acidentes.
A loira mais alta colocou uma mão no vidro. Brownie se ergueu e encarou a dona com interesse.
— Ray... Pode soltar o Fredinho agora, né?
Rayvenne fez que sim com a cabeça e desfez o encantamento do dragãozinho, que se transformou de um bicho de pelúcia em um réptil voador em poucos segundos. Ela própria não havia dito nada ainda. Morria de medo das serpentes – agora por um bom motivo.
Ao sentir a presença da dona e de Fredinho, a cornsnake entrou rapidamente na sala. Pendurou-se no pescoço de Sadie e olhou alegremente para o dragão – ele sibilou algo em retorno, mas largou a amiga cobra e foi se empoleirar na borda do vivário de Brownie.
— Mãe, me ajuda? O que eu falo? — Perguntou Fredinho, olhando para Brownie de modo um pouco nervoso. Nunca fora tão próximo da naja quanto era de Muffin, e agora não sabia o quanto a serpente havia mudado.
— Tenta perguntar o que ela lembra de antes do feitiço do Draco. Vê se ela lembra da Muffin, da Sadie, do Hagrid e toda essa coisa. E pelo amor de Deus, não deixa ela vir perto de mim, OK?
Hagrid se adiantou e abriu a tampa do vivário. Brownie não se alterou; Fredinho enfiou a cabeça pela abertura, e as duas loiras – juntamente com Muffin e Hagrid – observaram com curiosidade.
Fredinho e Brownie ficaram um bom tempo sibilando entre si. Enquanto isso, Sadie brincava nervosamente com Muffin, olhando fixamente para o par de répteis. O dragão parecia concentrado.
— Bom, acho que temos um diagnóstico, Sadie. — Fredinho anunciou, surpreendendo a loira. Tinha passado um bom tempo ouvindo ele falar em linguagem de cobra, e de repente a mudança para inglês pegou-a de surpresa. Assim que entendeu, porém, ela segurou mais fortemente a cauda de Muffin e focou-se no dragão, que ergueu a cabecinha e fechou com o pé a tampa do vivário.
— Pode falar, escamoso.
— Bom, ela se lembra perfeitamente da Muffin, tudo bem. Agora, de resto... Acho que o feitiço do Malfoy apagou um teco da memória dela também. Ela gosta do Hagrid porque é ele quem cuida dela, mas não tem nenhum laço afetivo com você e não te reconhece mais como mãe – e antes ela reconhecia, mais ou menos como eu e a Ray.
Sadie encarou o réptil sem expressão alguma.
— E por que ela anda mais agressiva... E lembra tão bem da Muffin?
— Ela lembra bem da Muffin porque elas têm tipo uma conexão de réptil. Aliás, é por isso que a Brownie me reconhece também. Quanto à agressividade, é óbvio... Você acorda num ambiente que não reconhece e a primeira coisa que vê é um humano maníaco apontando a varinha pra você. Próxima coisa que você sabe, tem uma criatura igualmente humana te segurando, e depois de morder ela pra se defender, você vai morar em uma cabana que também não reconhece, mas que tem o seu cheiro. Então você devia reconhecer. A coitada tá em crise.
Terminando de dizer isso, Fredinho voou de volta para o colo de Rayvenne, aninhou-se junto à dona e começou a bater papo com Muffin. Sadie manteve o olhar no vidro atrás do qual Brownie encarava os dois répteis.
Coitadinha da minha Brownie... A serpente estava passando por algo bem ruim, e tudo por causa daquele idiota do Draco. Que também sabia sobre a AD, e não falava nada por sabe-Deus-qual-motivo. E que tinha traído Sadie com a prima bonitinha e perfeitinha. Por causa dessa traição, ele tinha demorado tanto para devolver a gravata, e ido entregá-la quando Sadie estava com a cobra. Por causa dessa traição, as cobras sabiam que Sadie estava chateada com ele e foram defendê-la. E foi por isso que Brownie perdeu a memória, não via mais a dona como mãe e quase atacara Hagrid, e no fim estava presa em um vivário.
A menina suspirou e ouviu um suspiro igualmente pesaroso ao seu lado. Fredinho, encorujado no colo de Rayvenne, parecia triste.
— O que aconteceu, escamoso? — Perguntou Sadie, colocando uma mão sobre a patinha do dragão.
— Nada... Mãe, explica pra ela.
Rayvenne também tinha uma cara meio triste quando baixou a voz para contar à amiga:
— É que os gêmeos vão embora de Hogwarts daqui a uma semana, e vão levar ele junto. Ou seja, essa é a última semana do Fredinho comigo. E minha com o Fred, aliás.
A loirinha e o dragão se entreolharam por um instante.
— Pôxa. — Foi só o que Sadie respondeu.
— Mas eles pretendem sair em grande estilo... E vão precisar de toda a ajuda possível.
Elas sorriram. Tanto os répteis quanto suas mães ficaram em silêncio.
Quarta à noite, fim da aula de História de Rayvenne. Tinha mudado as aulas para a sala comunal da Corvinal, já que os sonserinos implicariam com qualquer grupo – de estudos ou não – reunido em seu território. A Grifinória já era a casa mais perseguida pela Brigada Inquisitorial de qualquer forma, e quem ligava para a Lufa-Lufa? Era melhor na sala da Corvinal.
Naquele momento, estavam Sadie, Faith, Satine, Kia, Fred e George sentados em volta da professora, que terminava uma explicação sobre motins de duendes. O rendimento do grupo já estava bem baixo. Faith, deitada no colo de Sadie, estava quase pegando no sono. Satine, Fred e George debatiam alguma coisa aleatória, só parando para prestar atenção em um detalhe ou outro. Kia rabiscava alguma coisa em japonês no caderno, e Sadie voava com freqüência, voltando para perceber que perdera boa parte da explicação.
— Ninguém tá muito a fim de prestar atenção, né? — Riu Rayvenne, notando a cara dos colegas. Sadie viu que havia brisado de novo.
— Desculpa, Ray... É que hoje foi um dia bem cansativo.
— Daqui a pouco eu não tenho mais mão. — Reclamou Kia, ao que se seguiram vários murmúrios concordando. Depois de mais uma sessão de tortura – opa, detenção – com a diretora, as cicatrizes nas mãos dos alunos doíam um bocado.
Resolveram parar. Rayvenne foi sentar com os amigos, recostada junto a Fred, e suspirou alto quando o garoto a abraçou.
A saída dos gêmeos era dali a poucos dias.
— Aliás! — George exclamou, pois acabara de lembrar a mesma coisa. — Sadie, a gente precisa da sua ajuda.
Sadie assentiu.
— Seguinte. — Começou Fred, em voz baixa. — Você sabe que dessa semana não passa. O problema é que pra isso, certas pessoas têm que ser distraídas por um momento... Você me entendeu?
Entender ela entendeu.
Só não fazia idéia de como conseguiria.
A/N: Sábado e domingo tem ENEM, e é só o que eu tenho a dizer. PQP. Reviews, por favor! E me desejem sorte :D
AH! Só pra constar, primeiro eu escrevi o meio do capítulo, depois o começo, depois o fim. Pois é xD
