A/N: Povo! Quem acompanha SBB e SDH viu que tem umas discrepâncias na saída dos gêmeos em cada história. Bom, acontece que eu escrevi o meu antes de a Ray postar o dela, que ela tinha planejado mais ou menos desde que começou a fic, e aí eu fiquei com uma preguiça danada de corrigir a minha... OK? Voltamos à programação normal.
Kia Rosepawn estava deitada na cama, naquele estado gostoso em que não se sabe muito bem se está dormindo ou não. Tinha sido a última a ir deitar; quando chegou ao quarto, Sadie, Sarah e a outra menina do dormitório estavam dormindo profundamente.
Não tinha demorado muito para ela deitar; só enfiou o pijama, desfez a maria-chiquinha e se jogou na cama. Estava tão cansada que entrou num torpor de quase-sono instantaneamente, ficando assim por bastante tempo.
Por isso mesmo ela não sabia se estava sonhando ou não quando ouviu um grunhido baixo vindo da cama ao seu lado, que pertencia a Sadie, mas a voz que grunhiu certamente não era a dela.
Também não era de Sadie a voz que comentou em seguida:
— Falei? Metade desse peso é bunda.
Kia quis rir, mas descobriu que não mexia o rosto. OK, então talvez estivesse mesmo sonhando. Quando abriu os olhos – pelo menos no sonho – deu de cara com um garoto que reconheceu como Draco Malfoy, parado ao lado da cama de Sadie, e um outro (Crabbe ou Goyle? Ela nunca soubera quem era quem) levando no colo a loira inconsciente, com algum esforço. Sadie realmente parecia estar desacordada – ou enfeitiçada, ou dormindo mesmo – porque o pescoço estava dobrado por sobre o braço do garoto de um modo muito desconfortável, os cabelos curtos balançando vigorosamente enquanto Crabbe (ou Goyle) tentava ajeitá-la da melhor maneira possível para que conseguisse carregá-la sem cãibras.
Antes de Draco colocar sobre o amigo e Sadie uma capa da invisibilidade descartável – que parecia com as vendidas pelos gêmeos na loja deles, diga-se de passagem – Kia sentiu o corpo amolecer. Definitivamente, era só um sonho. A mestiça riu de leve e virou de lado, adormecendo profundamente em poucos segundos.
Sadie acordou mas não abriu os olhos. Mesmo no completo escuro, ela já percebeu que havia algo muito errado. Estava deitada em algo duro que não era o piso lisinho do dormitório; já caíra dormindo uma vez e sabia a diferença. Era um chão mais áspero, onde Sadie estava retorcida em uma posição desconfortável. Tentou se ajeitar, ainda de olhos fechados, e conseguiu pelo menos desentortar o corpo, mas percebeu que as mãos e os pés estavam amarrados – não com nada material, mas com algum tipo de feitiço.
Na hora, seu coração disparou. O que raios estava acontecendo? Como é que ela tinha ido dormir em sua cama em Hogwarts e acordado... Sabe Deus onde? Quem a tinha levado, e como?
Ela abriu primeiro um olho, depois o outro, e foi como se não os tivesse aberto. O lugar estava tomado por uma escuridão completa. Onde quer que estivesse, estava claro que ela não tinha como saber o que estava acontecendo ao redor.
E se o seqüestrador estiver aqui agora?
E se eu morrer?
Todos os livros de crime que Sadie lera – e eram muitos – começaram a passar por sua cabeça, metade deles envolvendo seqüestros. Em um, a vítima era torturada. No outro, estuprada. No outro, os dois. Em vários a vítima morria no fim. Será que ela ia morrer?
O pânico estava instalado. Ela se lembrou daquela tarde em Hogsmeade, havia uns dois anos, quando fora quase estuprada pelo dono de uma lojinha questionável. Quem a salvara no último segundo? Draco.
Meu Deus, será que foi o Draco que me trouxe aqui?
O lugar era abafado e Sadie estava suando de calor e medo. Cenário após cenário se passava em sua mente, por um bom tempo – podiam ser duas horas ou cinco minutos; ela não fazia idéia. Tentou gritar, mas logo descobriu que fora incapacitada de falar por outro feitiço, provavelmente o mesmo que McBone usara nela em Hogsmeade. Esperou, o coração batendo com tanta força que doía, o corpo completamente imóvel... E deu um pulo quando uma mão gelada encostou-se em seu braço.
— Mestre quer falar com você, Cottonwealth. — Era a voz do elfo doméstico dos Malfoy; ela se lembrava. Então foi ele mesmo! Filho da...
O medo e a raiva estavam empatados agora, e ela sentia que o coração ia pular pela garganta.
— Promete que vai ficar quieta?
Ela fez que sim. Não tinha escolha. Por fim, uma luz acima de Sadie deixou entrever a silhueta de Draco, que desceu as escadas para o porãozinho e deixou que a porta lá em cima se fechasse.
A escuridão voltou a tomar o porão. O elfo parecia ter desaparecido. Eram só Draco e Sadie num lugar quieto, sem iluminação, sem muito ar, sem nenhum barulho que não fosse a respiração apressada de Sadie.
— OK, Cottonwealth, é assim que vai funcionar. Eu vou desfazer esse feitiço — ele colocou um dedo sobre os lábios da menina — e você saiba que gritar não vai adiantar nada. Ninguém vai te ouvir e você sabe muito bem que eu odeio gritos, o que é péssimo pra você, sendo que eu poderia fazer qualquer coisa com você aqui e ninguém ia ficar sabendo. Fui claro?
Sadie fez que sim novamente, com raiva. Ainda com o dedo sobre os lábios dela, Draco sentiu seu movimento e desfez a magia, mas imediatamente deu um suave puxão na mandíbula da garota e pingou algumas gotas de uma poção sem gosto nem cheiro em sua boca.
Veritaserum.
— Muito bem. Agora você vai me responder. Onde está o Black?
— Não faço idéia. — Ela respondeu honestamente. Rayvenne e Hannah tinham passado o verão com Sirius e até poderiam saber, mas Sadie realmente não fazia idéia do paradeiro do padrinho de Harry.
Sadie ouviu o menino suspirar e murmurar um "valeu a tentativa".
— Draco, por que eu?
Nem deu tempo de ela se preparar para o tapa ardido que levou no rosto, mal havia acabado de perguntar. A voz de Draco era dura quando ele disse:
— Você fala quando eu deixo, ou então eu refaço o feitiço. Fui claro?
A loira assentiu, com o coração desembestado novamente, de medo e de raiva. Percebeu naquela hora que provavelmente não iria embora tão cedo; Draco parecia estar se divertindo um bocado com aquilo.
— E só pro seu governo, é porque você não é daquela tal AD. Eu conheço as suas habilidades em feitiços e nenhuma delas é particularmente impressionante. Também não é sabichona como a Granger ou a Cloverfield. E com aquelas merdas todas que têm acontecido com os seus amiguinhos, é capaz de ninguém estranhar muito se você não der as caras no tal Galinheiro.
Ela engoliu em seco. Então o filho-da-mãe tinha pensado em tudo, ainda por cima. Que inferno. E nesse meio-tempo eu faço o quê? O que acontece comigo?
— E eu precisava de uma isca pra atrair bastante gente do Galinheiro.
Sadie ia dizer alguma coisa, mas se segurou.
— Aliás!
E desferiu outro tapa forte no rosto da menina, que deu um gritinho instintivo e recebeu de volta um chute na bacia.
— O tapa foi por ter me feito de bobo pros seus amiguinhos escaparem. O chute foi porque gritou.
Só gritei porque você me deu um maldito tapa na cara, seu veado. Isso ela só pensou, engolindo a raiva o suficiente para não reagir – senão apanharia de novo. O lugar onde Draco a chutara estava latejando; fora bem em cima do osso.
— Se ficar boazinha, mais tarde eu mando o elfo descer e acender a luz.
Dizendo isso, ele se retirou, subiu as escadas e fechou a porta ruidosamente atrás de si, deixando Sadie imobilizada no chão. Estava dolorida e as mãos e pés formigavam, provavelmente por causa do encantamento.
Sem a mínima idéia do que fazer, com uma irritação e um medo crescendo exponencialmente e bloqueando sua garganta, Sadie começou a chorar.
Era a primeira aula de História de Rayvenne depois que os gêmeos saíram. Antes de começar a lição, ela estranhou a ausência de mais uma pessoa na sala comunal.
— Aconteceu alguma coisa com a Sadie? — Perguntou. — Não vi ela em nenhuma das refeições e parece que ela matou as duas aulas que a gente tem juntas hoje... E agora a menina não tá aqui também?
— Acho que ficou magoadinha com o que o Malfoy disse outro dia e resolveu evitar o Galinheiro — Respondeu Hannah. Sadie havia contado à pequena loira a história com Draco, e de algum modo Hannah entreouvira e achara muita graça.
Kia parecia estranha quando disse, devagar:
— Hmm, Hannah... Talvez não seja esse o caso.
A/N: Clima de suspense de novo. Acontece que eu estou lendo A Menina que Brincava com Fogo, do Stieg Larsson, e é bem legal – tipo os da Tess Gerritsen, mas dá menos medo. Hoje tirei uma soneca à tarde depois de ler o livro, e sonhei com aquela primeira parte do capítulo... Por isso me inspirei tanto. Bom, reviews!
