A/N: Dá pra perceber que eu me empolguei com a história? xD Chama-se "férias"!
Sadie estava tão acostumada ao silêncio quase absoluto do porão – salvo sua própria respiração, o crepitar do fogo nas tochas e um ocasional guincho da família de ratinhos – que tomou um enorme susto quando a porta se abriu e ela ouviu o barulho inconfundível de passos descendo a escada. Seu coração parou por um instante. Artemis à frente, com a cara mais satisfeita do mundo, Draco em seu encalço sem nenhuma expressão visível.
É agora, pensou, engolindo em seco. Resistir seria inútil – resistir como, se ela estava toda amarrada por feitiços? – e era melhor não dizer nada naquele momento. Mas sabia que ia morrer agora.
Meu Deus, por favor, cuide bem da minha mãe, da Haley, da Ellie e do Ben. E faça com que o Hagrid cuide muito bem da Muffin e da Brownie. E se não for pedir demais, que eu reencarne bonita como essa Artemis, só que sem ser uma completa vaca.
O casal de primos chegou ao fim da escada e foi até a garota.
Cuide dos meus amigos do galinheiro também.
Foi Artemis quem falou primeiro, já com a varinha na mão e sem chegar muito perto de Sadie. Só a encarou do alto de seus saltos e sorriu.
— Sadie Cottonwealth. Você realmente achou que podia sair entrando numa família tradicional e puro-sangue como a nossa sem ter conseqüências?
— Sair entrando, Malfoy? — A loira deu uma risadinha. Já que estava para morrer mesmo...
O comentário lhe rendeu um tapa ardido no rosto.
— Cala a boca, sua nojentinha. Isso só vai te render um cruciatus daqui a pouco. Como eu ia dizendo, de certo modo, podemos dizer que o nosso plano não foi tão bem-sucedido assim.
Sadie ficou quieta. Queria manter o rosto razoavelmente apresentável para o enterro, pelo menos. Draco falou em seguida:
— Achamos que o seu desaparecimento fosse trazer alguém do tal Galinheiro pra cá, e a gente já poderia acabar com mais de um. Pelo menos a Goldenwing, a Cloverfield ou o Dugford. Mas não deu certo, deu? Provavelmente ninguém nem percebeu que você sumiu.
Artemis tomou a palavra.
— Bem, paciência. Pra mim basta aniquilar a sirigaita gorda que me fez brigar com o meu primo.
Brigou porque quis, pensou a loira, mas novamente ficou calada.
Foi aí que uma sirene estridente começou a tocar e as três pessoas no porão tomaram um tremendo susto.
— O que raios...? — E sem completar a frase, a morena correu escada acima e foi tentar ver o que estava acontecendo, não antes de gesticular para que Draco ficasse. O menino obedeceu e apontou uma varinha para Sadie.
Por alguns segundos, ficaram quietos. Sadie ouviu uma série de vozes, mas muito distantes – ou talvez só abafadas pela porta do porão – e olhou para Draco automaticamente; ele também parecia não fazer idéia do que estava acontecendo.
E de repente a porta se abriu com um estrondo, e Artemis gritou:
— DRACO, MANDA VER!
Os dois loiros se entreolharam mais um momento, e Draco hesitou por apenas um segundo. Foi mesmo um segundo, porque logo em seguida ele já estava fazendo um movimento com a varinha e apontando-a para o rosto da garota.
— Avada...
— NEM PENSA NISSO, CAMARADA! — Gritou a voz de Sarah Copperclock, ao mesmo tempo em que a vara saía voando da mão do menino e ia parar em um canto.
Foi aí que Sadie sentiu seu coração derreter de alívio ao ver várias coisas ao mesmo tempo. Sarah estava parada no topo da escada com um sorriso esperto; provavelmente era ela quem tinha desarmado Draco. Rayvenne havia imobilizado Artemis, e agora a pequena loira e Edward Awgrin estavam fazendo o mesmo feitiço antes lançado em Sadie para ter certeza de que ela não se soltaria. Hannah Crossbound – e essa foi a maior surpresa – erguera sua varinha e Sadie não sabia o que ela fizera, mas antes que Draco pudesse reagir, estava desacordado em um canto. Enquanto isso, Phillip Aisledoor e Olivia Cloverfield vinham na direção da loira e tentavam desenfeitiçá-la.
Enquanto ela desfazia o feitiço nos tornozelos e Phillip desatava os pulsos da loira, Olivia disse:
— Sadie, eu não sei quanto dura o feitiço da Hannah, então no três a gente corre! Dá pra você correr, né?
— Eu espero! — Respondeu a mais alta, sentindo as mãos se soltarem e finalmente podendo separar as pernas. Não usava os pés havia alguns dias, então teve que se segurar em Phillip e Olivia para conseguir levantar.
— Um, dois, TRÊS! — E os galinheirenses saíram correndo escada acima, deixando para trás uma Artemis amarrada e sob ação do Petrificus Totalus, e um Draco que Sadie teve a impressão de que já estava acordando.
Assim que saíram da casa, cada um pegou sua vassoura o mais rápido que pôde – menos a própria Sadie, que pegou carona com Phillip – e decolaram em alta velocidade.
— Gente, muito obrigada mesmo! Como é que vocês...
— Sadie, guarda isso pra depois e se segura!
Ela obedeceu e abraçou fortemente a cintura de Phillip, enquanto as vassouras aceleravam ainda mais e zuniam pelo ar gelado da noite até o castelo de Hogwarts.
Quando a equipe de resgate chegou ao Galinheiro, os sete alunos se depararam com uma cena bem diferente do que imaginaram. Não havia uma alma viva sequer no lugar.
— Eles foram pegos! — Exclamou Olivia.
— Eles quem? — Sadie perguntou, assim que desceu da vassoura.
— O bando de gente que ficou aqui esperando nós irmos catar você naquele porãozinho nojento, Cottonwealth!
Isso foi Hannah quem falou. Mas nem deu tempo de dizer mais nada, porque uma voz de garoto vinda do topo da figueira sobressaltou os sete galinheirenses:
— Olha, a coisa foi tensa.
Era Brendan quem estava empoleirado na árvore, de onde podia ter uma visão ampla dos arredores do Galinheiro, e parecia não estar nem um pouco preocupado. Enquanto falava, o menino desceu da árvore e foi encontrar o grupo.
— Assim que vocês saíram, não passaram dois minutos até a turma do Malfoy chegar e começar uma briga épica. Vocês precisavam ver como a gente fez bonito, mas no fim aquele povinho acabou saindo daqui com um ou dois galinheirenses cada um, e o resto conseguiu fugir... Mas o único motivo de eles terem conseguido levar aquela gente toda foi que a maior parte do pessoal que ficou por aqui estava sem varinha, então eram poucos armados e muita gente pra defender. Foi tenso.
— Quem conseguiu fugir? — Perguntou Edward, ainda segurando sua vassoura, como se tivesse o pressentimento de que ia ter de usá-la de novo.
— Olha, a Karin, o Gary, a Satine, o Mihael, o Devon, o Johnathan e a Yuna foram pegos. O resto escapou.
— Pra onde? — Olivia perguntou.
— Abriram a passagem secreta pra Hogsmeade e se enfiaram em algum lugar por lá. Aliás, já era hora de chamar eles de volta... Espera um pouco.
Então Brendan abriu a passagem para Hogsmeade, logo abaixo do muro cheio de folhas, e em alguns instantes uma grande corrente de alunos de Hogwarts estava aparecendo pela passagem.
E foi só então que deu para dar uma respirada. Sadie agradeceu os amigos que foram buscá-la e deu um grande abraço neles – exceto por Hannah, com quem fez um high-five e já estava de bom tamanho – e alguns dos galinheirenses que haviam se refugiado em Hogsmeade também a abraçaram, felizes pela missão ter dado certo e ninguém ter se machucado muito.
Kia olhou para Sadie com a mesma cara inexpressiva de sempre e só disse:
— Você não morreu.
— Ah, vá! — Retrucou Sadie, mas estava sorrindo. Se uma pessoa passa qualquer período de tempo num porão nojento sem contato com ninguém além de animais, um elfo doméstico e os filhos-da-mãe que a seqüestraram, não dá para ficar irritada com muita coisa quando volta para casa.
Sarah, depois de dar um abraço de urso na amiga que resgatara, perguntou para Brendan se não deviam ir tentar salvar os amigos que haviam sido pegos pela Brigada Inquisitorial. O menino riu:
— Brincou? Estão quase todos com varinhas; as antas resolveram pegar quem estava armado... Chego quase a ter pena dos asseclas do Malfoy, cara. E falando no Malfoy, o que vocês fizeram com ele?
— Eu mandei um stupefy muito bem mandado. E a Ray e o Ed imobilizaram a prima dele e amarraram ela do mesmo jeito que os dois tinham amarrado a Cottonwealth. Mas foi tudo meio às pressas, então eu não duvidaria se o Malfoy já tivesse voltado... — Respondeu Hannah.
— Bem, então está tudo mais ou menos sob controle. Pelo menos até onde nós podemos resolver. E agora eu vou dormir, porque ficar empoleirado numa figueira por tanto tempo realmente acaba com qualquer um!
Depois de discutir brevemente o assunto, todos chegaram à conclusão de que não tinha mais nada que pudessem fazer. Sendo assim, despediram-se e foram em grupos até seus respectivos dormitórios, depois de um dos dias mais longos e cheios de ação que o Galinheiro já tivera.
A/N: Esse foi mais agitado, né? Pelo menos isso. Bem, como vocês sabem, agora que a minha fic emparelhou com SBB – talvez esteja até um pouquinho adiantada – fica meio difícil escrever os capítulos de forma independente; foi mais ou menos por isso que eu tranquei a Sadie num porão por um tempo. Agora que ela voltou a Hogwarts, peço mais uma vez que os (dois únicos) leitores da fic tenham paciência, porque a gente tem que planejar tudo pra que as histórias se encaixem, e isso leva tempo! :)
