A/N: Estou em semi-férias novamente. O que significa que novos capítulos virão! Ah, e pros fãs de AVPM e AVPS: sim, o cachecol é referência ao musical! Que cachecol? Bem, vocês vão entender quando lerem.


— Depois do almoço eu vou comprar meu material de Hogwarts! E você vai comigo! E a Ellie e o Ben não vão pra Hogwarts, só eu e você! Lalalalalalalalá...

— Haley, pelo amor de Deus. — Sadie perdeu a paciência, levantando a cabeça do livro que estava lendo. Era mais ou menos a octogésima vez que esse diálogo se repetia, e ela realmente não agüentava mais. — Se você falar isso de novo, juro que vou chutando essa sua mini-bunda branca daqui até o Beco Diagonal.

— Não vai não!

E saiu correndo. Sadie suspirou alto, voltou a deitar na rede e tentou se concentrar no terceiro capítulo de seu mais novo livro de crime, presente de Olivia.

Desde que Haley recebera sua carta de Hogwarts, só o que fazia era esfregar esse fato na cara dos mais novos, dançar pela casa cantando "vou pra Hogwarts", perguntar a Sadie sobre cada detalhe da escola – incluindo quais dos amigos da prima corvinal iam gostar dela – e contar os dias e até as horas para a chegada do dia de ir a King's Cross. Um comportamento que fora bonitinho nos primeiros dias, mas se tornara irritante com muita rapidez.

Depois de um almoço apressado, a mãe de Haley deu algum dinheiro para a pequena guardar em sua bolsa junto à lista de material e recomendou a Sadie que ajudasse a administrar os gastos, porque a prima Cottonwealth do meio era uma das criaturinhas mais consumistas que elas conheciam. Com mais uns galeões para os livros da mais velha e cinco ou seis "tomem cuidado!" vindos da mãe de Sadie, as duas primas partiram para o Beco Diagonal via pó de flu.

— Ai, Sadie, que legal! Eu quero uma coruja. E uma varinha nova, porque a minha é de brinquedo e eu tenho desde os oito anos. E vestes. E olha só os livros que tem que comprar!

— Calma lá, pequeno gafanhoto. — A mais velha sorriu, apertando a mão da prima. Não importava a idade que tivessem, Sadie e Haley gostavam de andar de mãos dadas por aí. — Vamos na ordem da sua lista, pra não esquecer nada. O que fala aí mesmo?

— Primeiro são as vestes, mas demora pra provar e fazer os ajustes. E eu quero minha coruja agora.

Sadie suspirou e conduziu a prima até a loja de animais.

— Hay, uma coisa que você tem que saber: não é bom comprar uma coruja muito pequenininha. Você precisa ver as brigas que elas arranjam no corujal... Ah, e depois vamos direto ver sua varinha.

Mas a pequena não estava nem escutando, tamanha era sua distração com as corujas, sapos, gatos e répteis pela loja.

Sadie não sabia bem como, mas quando saíram da loja da Madame Malkin com as sacolas nas mãos, Haley tinha conseguido uma quantidade surpreendente de itens customizados. A varinha era branca, com uma pedrinha arroxeada bem na ponta do cabo negro. O caldeirão, os tubos de ensaio e a balança para ingredientes de poções eram todos padronizados, mas todo o resto – kit de penas, pergaminhos, o telescópio, a mochila e até a gaiola da coruja – era em tons de roxo e rosa, quando não tinha estampa de estrelinhas. O material da loira corvinal era quase todo padronizado, e mesmo sua mochila não tinha nada de especial; era só preta com um ou outro detalhe verde aqui e ali... Mas Haley sempre prezara muito mais o estilo do que qualquer outra coisa.

— Temos só mais uma parada, pequena Hay. — Comentou a mais velha casualmente, conduzindo sua prima pelas ruas do Beco até chegar aonde queria.

— Onde? Não falta mais nada na lista...

— Falta sim, senhora.

E pararam em frente a uma loja de grande destaque, cujas prateleiras na vitrine estavam cheias de coisas que brilhavam, pulavam e explodiam em frente aos olhos espantados das crianças que se amontoavam na frente do vidro.

— Não acredito, eles têm mesmo uma loja!

— Achou que eu tinha inventado?

— Não, achei que era só tipo uma vendinha no quintal.

— Vou encontrar eles no fundão e você aparece lá depois, tá?

Sem responder, Haley largou com a prima as sacolas que estava carregando e se perdeu, com a gaiola em mãos, no meio das pessoas que amontoavam a loja. Sadie não ligou muito; tinha pedido para entregarem os livros na casa de verão, então o único peso incômodo era o do caldeirão e do telescópio da prima. Sorrindo, ela entrou e foi direto até os fundos da loja, à procura dos Weasley.

Não se surpreendeu ao ouvir risadas do outro lado da porta que levava ao lugar onde estavam os gêmeos. Era costume eles se revezarem atendendo os clientes na loja e batendo papo com algum amigo nos fundos.

Só espero que não seja a Hannah, pensou Sadie, mas ela nem precisava ter se preocupado. Quando abriu devagar a porta, lá estavam Rayvenne e Fred, se matando de rir sabe Deus do quê.

Completamente ignorando o fato de que estava segurando uma gigante vela, Sadie entrou e sorriu para os amigos.

— Sadie! — Exclamou a loira sonserina, que levantou para dar um abraço na amiga. A mais alta estranhou, já que Rayvenne costumava ser praticamente alérgica a abraços, mas não disse nada e foi cumprimentar Fred também.

— O que te traz aqui com esse monte de sacolas, mulher? — Perguntou o ruivo, levantando uma sobrancelha para a bagagem da amiga.

— Vim pro Beco Diagonal comprar os meus livros e o material da Haley...

— Sua priminha-monstro?

— A própria. — Sadie riu. — Que está explorando sua loja inteira e já, já vem nos encontrar aqui. Ou pelo menos é o que eu mandei fazer.

— Você contou pra ela sobre... O que aconteceu? — Isso quem indagou foi Rayvenne, que recebeu em resposta a típica expressão da amiga de não acredito que você perguntou isso.

— Tá doida? Se eu contasse, ela ia morrer de medo de vir. E contar pra minha família inteira, o que é desnecessário em muitos níveis.

— Contar o quê? — Perguntou uma vozinha fina vinda da porta, acompanhada de um pio de coruja. Sorte que Rayvenne não tinha falado nada que a incriminasse, e que inventar histórias para aplacar a curiosidade da prima era algo em que Sadie era mestre...

— Que o Chapéu Seletor tem um caso com o Cachecol da Opção Sexual.

Isso fez com que Fred e Rayvenne começassem a rir. O Cachecol era uma antiga brincadeira feita anualmente pelos alunos – mais os da Lufa-Lufa do que quaisquer outros – que enfeitiçavam um cachecol colorido para que gritasse palavras como "gay", "hétero", "indeciso" e outras parecidas cada vez que fosse colocado no pescoço de alguém. Algo que foi muito engraçado quando resolveram dar, alguns anos atrás, uma réplica desse acessório para o professor Lockhart, e o pobre cachecol não conseguira parar de rir.

— Em que casa não é pra eu cair mesmo? — Era a milionésima vez que Haley perguntava isso, mas não custava repetir. E isso era meio que importante.

— Sonserina. — Ecoaram Fred e Sadie, o que fez Rayvenne abrir a boca com uma expressão confusa e ligeiramente ofendida. Sadie esclareceu:

— Por causa do pessoal que tem lá, Ray. Salvo alguns.

— Mas o seu namorado não era da Sonserina?

— Até aí, Haley, minha melhor amiga em Hogwarts – com a possível exceção da Sarah – também é. O negócio é que tem uma gente muito do mal lá e eu quero você o mais longe possível deles. Incluindo o Draco, diga-se de passagem!

A pequena não sabia de boa parte das histórias, nem saberia. Mas depois de tudo o que tinha acontecido, Sadie tinha o pressentimento de que, qualquer que fosse a casa em que a prima caísse, ela acabaria passando várias noites no dormitório ao lado dela.

Se Draco ousasse chegar perto de Haley, a mais velha faria tudo em seu poder para se certificar de que aquela seria a última coisa que ele fizesse em vida.


O último fim-de-semana de férias foi passado em ótima companhia. Demi Chienbeau convidara Sadie, Olivia, Faith, Sarah e Karin para uma de suas famosas festas do pijama, passadas na grande casa da garota em Chamonix.

Com as unhas pintadas uma de cada cor, um copo de cerveja amanteigada na mão e uma taça de sorvete com marshmallows na outra, Olivia ergueu seu copo animadamente.

— Um brinde, galinheirenses! E Demi, só porque você mora longe não significa que não esteja incluída.

— Um brinde! — Repetiu Sadie. — A quê?

As meninas riram.

— Ao nosso sétimo ano em Hogwarts!

— Viva! — Ecoaram todas, erguendo os copos de cerveja amanteigada mais ou menos juntas antes de voltarem ao que estavam fazendo. Sadie e Karin estavam vendo fotos de jogadores de quadribol seminus na Witch Weeklymuito lindos, de acordo com a oriental, e uma delícia, de acordo com a loira. Olivia terminava seu sorvete com marshmallows e tentava pintar as unhas de Demi de roxo ao mesmo tempo. Faith tocava o piano da francesinha e Sarah tentava cantar no ritmo certo, mas acabava desviando para algum tipo de semi-rock no meio da música.

— Então, gente. Vocês souberam que o Snape é nosso novo professor de Defesa? Tipo, finalmente ele conseguiu o cargo... — Faith comentou, acidentalmente errando a melodia.

— Achei que já tivesse desistido. Mas ele não é ex-comensal?

— Liv, isso só quer dizer que ele tem conhecimento de dentro também...

— MEU DEUS, GENTE. — Exclamou Karin, com os olhos arregalados. — Olha o que apareceu aqui...

Karin havia virado a página da revista e caído na seção chamada "Matando a Saudade", na qual a Witch Weekly republicava o modelo mais votado de exatamente vinte anos atrás.

E qual não foi a surpresa delas ao verem um rapaz até que bonito, com peito e abdome muito bem esculpidos, e... Um nariz longo... E cabelos compridos, puxados para trás num rabo-de-cavalo improvisado, dando a impressão de que não eram lavados havia tempo...

O pitéu dessa semana quer ser conhecido apenas como S. Não tem problema, enquanto a gente puder continuar olhando pra essa tatuagem de serpente no peito, tem?

As seis meninas tiveram um ataque de riso conjunto.

Talvez ter aulas com Snape não fosse ser tão difícil naquele ano, no fim das contas.


A/N: Desculpem, mas eu tinha que botar o Sevvy na Witch Weekly. Isso tudo porque eu andei olhando umas fanarts bem bacanas, e tinha uns Snapes por ali que... Bem. De qualquer forma, reviews ou o Draco seqüestra vocês.