King's Cross.

Todo fim de ano, um lugar de reencontros. Famílias indo buscar seus filhos, primos, irmãos. Amigos se despedindo, outros matando as saudades. Sadie se sentia estranhíssima sabendo que aquela era a última vez que estaria descendo daquele trem tão conhecido, e que agora era hora de entrar para o Mundo Real; o assustador terreno de adultos ao qual ela não tinha muita certeza de que pertencia.

A mãe não viria buscá-la - estava em uma reunião do trabalho, para variar. Tinha que arrumar carona de outra maneira.

Ao longe, avistou Rayvenne. Parecia feliz; Fred viera buscá-la e ela estava abraçada fortemente com o garoto enquanto conversava, muito animada, com George e Kia. Sadie acenou para a pequena, que viu o gesto, mas não retribuiu - provavelmente por pura preguiça de tirar as mãos dos bolsos de Fred.

Um pouco mais adiante, Olivia e alguns galinheirenses faziam promessas de se reverem logo. Devon sorriu para a loira e até fez um gesto para que ela se juntasse a eles, mas aquele grupinho praticamente vivia de piadas internas e Sadie não estava a fim de se sentir por fora.

Uma mão gentil em seu ombro fez com que ela virasse para trás e encontrasse Satine. Ao lado dela, Karin lhe sorria também.

"Quer ir com a gente?" Perguntou Satine. Sadie concordou de imediato, retribuindo o belo sorriso da amiga. Estavam prestes a sair quando ouviram uma voz simpática:

"Calma, gente!"

Não precisavam ver o dono da voz para saberem que era Charlie, sempre atrasado mas sempre tranquilo. Entreolharam-se e riram, enquanto esperavam o moreno se juntar a elas.

Sadie refletiu. Muito havia mudado nos últimos anos; de todas as pessoas com quem ela se imaginara saindo de King's Cross pela última vez, aquelas certamente não estavam na lista inicial. Agora, porém, a loira mal conseguia imaginar uma vida sem a parceria incondicional de Satine, os surtos com Karin, ou a eterna paciência de Charlie.

Os outros ela encontraria em algumas ocasiões; ainda gostava muito da grande maioria do Galinheiro. A experiência dos amigos mais velhos e familiares que adoravam dar palpites já a informava de que essas pessoas lentamente se tornariam apenas memórias. Uma foto em sua caixinha de lembranças, um cartão de aniversário, uma história que ela escreveu e guardou. Lembranças que ela guardaria consigo onde fosse, mas que não passavam de símbolos de um tempo muito bom que já passara, a não ser por um ou outro reencontro e a festa anual de Halloween.

Não deixara quase nenhuma inimizade. Um belo histórico. Não queria se afastar dos amigos, mas sabia que isso inevitavelmente acabaria acontecendo. Enquanto tivesse com quem contar - enquanto não estivesse tão sozinha quanto se sentia na maior parte do tempo - estaria tudo bem.

Os quatro caminharam juntos até a porta da estação, depois foram a um canto mais isolado onde nenhum trouxa poderia vê-los.

Sadie estendeu a mão para Satine, que ainda não tinha idade para aparatar. A morena entrelaçou os dedos com os dela e apertou de leve sua mão.

Juntos, os amigos aparataram em direção à vida adulta.

Tudo estava bem.


A/N: Não queria deixar sem um final bonitinho, mas também ficou bem claro que essa história não vai terminar como a gente achou que ia. Sejamos honestos: eu estou no primeiro ano de Medicina, e a Rayvenne, no segundo de Arquitetura. Nenhuma das duas tem mais muito tempo pra histórias.

Se vocês acompanharam a fic até aqui, ficam meus sinceros agradecimentos. Foi muito divertido!

Um abraço da Sadie Cottonwealth.