Trata-se de uma obra fictícia. Todos os seus personagens e seus direitos autorais não me pertencem. Eu não ganho dinheiro escrevendo isso. É apenas para o entretenimento meu e dos leitores.

Caso você não curta Wincest, vá procurar outra coisa para ler, mas não me venha com desaforos.


Capítulo 1 – O declínio de uma família

17 de Abril de 1982...

- Vamos senhorita! Só mais um pouco de força, vamos! – Pedia o doutor Maison, com nítida preocupação em suas palavras.

- Doutor, a criança deve estar presa no cordão umbilical! – Embora houvesse sussurrado as palavras, a jovem mãe as ouviu.

- Não! Por favor! Salvem a vida do meu filho! Salvem o meu bebê.

A jovem falava enquanto chorava compulsivamente. Temia pela vida do filho antes mesmo da sua. Já havia perdido, para a morte, alguém que amava. Não suportaria outra perda.

Na tentativa de acalmá-la, o médico falou que ela precisava relaxar. Isso evitaria a rigidez dos seus músculos e consequentemente ajudaria no trabalho de parto.

Diante das palavras confiantes do doutor, ela começou a respirar e inspirar profundamente, fazendo mais força para que seu rebento finalmente viesse ao mundo.

- Joe... Joe...

Desde o início do trabalho de parto, a futura mãe chamava pelo homem que amava em meio às dores que sentia. Com certeza ele estaria ao seu lado lhe protegendo, mas infelizmente não podia contar com sua presença. Precisava ser forte por ela mesma, por Joe, por seu filho.

- Vamos! Só mais um pouco, aguente firme!

Doutor Maison estava esperançoso que mãe e filho sobrevivessem. Duas almas que lutavam pela vida. Um buscava o ar de um mundo desconhecido, enquanto a outra buscava a força para sobreviver e cuidar do único amor que lhe restou.

- Joe!

A mulher gritou alto o nome do amado e relaxou o corpo, antes inclinado pela força que exercia. Ela respirava com dificuldade e em meio a sua fraqueza, sentiu quando a criança foi colocada ao seu lado. Abriu os olhos devagar e olhou para o seu pequeno anjo agora mais calmo, sem a choradeira de minutos atrás. Alisou com carinho o seu pequeno rostinho e lhe deu um beijo na testa.

- Oi, meu pequeno! Eu sou a sua mamãe, sabia? Não esqueça que eu te amo. Falou a frase sorrindo, antes das suas forças se esvaírem e desfalecer sob o olhar curioso do pequeno ser.

Atrás da janela de vidro da sala de parto, um homem observava a cena. Dez minutos depois do seu neto vir ao mundo, ele o recebeu das mãos do mesmo médico que havia ajudado mãe e filho a lutar por suas vidas. O homem olhou para o bebê com o rosto impassível. O pequenino dormia tranquilamente sem imaginar o que estava acontecendo.

- Obrigado pela sua ajuda doutor Maison. Tem certeza que não quer a quantia em dinheiro que lhe ofereci?

- Não é necessário. Quando o senhor me falou sobre o seu problema, apenas tomei as dores de um pai desesperado. Por isso lhe ofereci a minha ajuda. Agora saia rápido pela porta dos fundos! Ela está aberta e sem seguranças.

- Não tenho como agradecer a sua ajuda, doutor! Fique em paz.

E dizendo isso, o homem deixou o hospital carregando o recém-nascido, enquanto sua filha dormia profundamente sob efeito do sedativo lhe aplicado após o desmaio. Não notara o cordão preto, com pingente de metal fosco que o médico usava, pertencente antes a sua filha. Muito menos viu quando a cor dos seus olhos deixaram de ser azuis e se tornaram brancos, enquanto suas palavras eram proferidas em baixo tom, mas com escárnio:

- Daqui há dez anos eu cobrarei o meu preço, não se preocupe.

17 de Abril de 1992

- Doutor Ariston, eu posso vê-lo agora? – Perguntou Enya com o semblante preocupado.

- Sim, mas não sei se conseguirá conversar com seu pai. Ele acordou a menos de dez minutos e seu corpo ainda está sob o efeito dos sedativos.

- Tudo bem doutor. Agradeço pelo aviso.

Ela tocou a maçaneta da porta e a girou devagar. Há dez anos não via e não falava com o pai, depois do dia fatídico que foi o sequestrou o seu filho. Adentrou a sala e o viu inerte, respirando com a ajuda de um tubo de oxigênio e envolto a remédios injetados em sua veia, em uma tentativa inútil de não deixar que sua vida se fosse.

Leo Ó Bhraonáin, um empresário bem sucedido. Dono das redes de restaurantes Millennium na Irlanda, na região sul, veio de uma família de origem Celta, adepta a agricultura. Há dez anos, um inesperado câncer maligno deu sinal de vida em seu abdômen. Apesar do seu dinheiro, nenhum tratamento surtiu efeito. E então, no limiar entre a vida e a morte, mandara chamar Enya, a única filha que tinha e que roubara dela o seu filho querido, seu próprio neto.

- O senhor quer falar comigo? A mulher perguntou próxima a cama, mas mantendo distância do doente.

Ele abriu os olhos com dificuldade e virou a cabeça em sua direção. Ao rever a filha a quem fizera tanto mal, as lágrimas caíram livres de seus olhos azuis.

- Aproxime-se, querida! Por favor! – Sua voz era apenas um sussurro.

Ao se aproximar do pai, ele esticou a mão em sua direção. Enya a olhou e pensou alguns segundos antes de tocá-la e segurá-las entre as suas.

- Há dez anos, eu retirei seu bebê dos seus braços e o dei para que ele fosse levado para longe de você. – Tossiu um pouco. Mesmo sua voz saindo aos sussurros, era difícil falar.

- Papai, não precisa continuar. Eu lembro bem o que o senhor fez, mas eu nunca desisti de encontrá-lo. – Ela era uma mulher forte e determinada. Apesar das dores que trazia em sua alma, não desistia de lutar pelos seus objetivos.

- Filha, eu posso ajudá-la a encontrar o seu filho!

O som daquelas palavras ecoou com força em sua mente. Finalmente uma luz no fim do túnel vinda daquele que lhe mostrou as trevas. No dia em que seu pai sequestrou o seu bebê, tentou várias maneiras de sensibilizá-lo, na esperança de que ele se arrependesse, mas o homem se mantinha firme em sua posição. Então ela o deixou para trás e partiu tornando uma meta daquele dia em diante, encontrar o seu filho querido.

- Papai! Por Deus! Fale bem devagar e me diga onde ele está!

- Eu não sei... – Mais uma crise de tosse. Ela se desesperava. Finalmente em dez anos, teria uma pista concreta sobre o paradeiro da criança.

- Respire devagar e sussurre mais baixo! Eu conseguirei ouvir.

Ela apertava mais forte as mãos do pai entre as suas e com o olhar tentava lhe passar confiança para que continuasse o desabafo.

- Não sei onde ele está morando... mas... – Mais uma pausa – Naquela noite, depois que e-eu o recebi do doutor Maison, o meu melhor amigo James Óregon, levou o menino... – Veio a crise de tosse novamente e com isso o doutor Ariston que passava pelo corredor, ouviu-o e resolveu entrar, pedindo a jovem que deixasse seu pai descansar.

- Só mais dois minutos doutor, eu imploro! – As lágrimas molhavam sua bela face.

- Deixe-a! Eu preciso falar... – Sussurrou mais alto o doente, chamando a atenção do médico e de Enya.

- Filha... seu filho passou uma semana na pensão Teaghlaigh, a um quilômetro da maternidade em que você deu a luz. Depois – Respirou com dificuldade – Ele foi levado para outro país.

- Que país papai? Por favor, fale! – Ela pressentia que a morte estava próxima àquele que lhe fizera tanto mal. De caçador, ele seria a caça e não sabia que o pequeno favor recebido, teria seu preço cobrado nesse momento.

- Ele foi levado para os Estados Unidos. Foi deixado em uma maternidade no estado do Kansas. Na cidade de... – Sussurrou em um só fôlego, mas seu tempo de vida havia se esgotado.

Os aparelhos conectados ao senhor Bhraonáin, apitaram e piscaram em vermelho. O doutor deu sinal pelo pequeno controle sobre o criado mudo e três enfermeiras adentraram rapidamente o pequeno quarto, retirando a jovem de lá. As massagens cardíacas foram iniciadas e o aparelho ressuscitador ligado.

Do lado de fora, a jovem ainda chorava e observava pela janela de vidro, toda a movimentação entre médico e enfermeiras. Como uma reversão ao passado, assistiu seu pai lentamente fechar os olhos, mas ele não estava desfalecendo. A morte viera buscá-lo para que pagasse a dívida contraída há dez anos ao receber ajuda para separar uma mãe de seu filho.

A hora do óbito foi registrada às três e trinta da manhã.

Apesar daquele cenário de morte, daquele dia em diante, Enya teria um ponto de referência e um novo caminho a trilhar a procura de seu rebento.

- Meu filho, eu vou te encontrar, eu prometo! Joe, meu amor! Ajude-me...

17 de Abril de 2004...

Ela olhava atentamente para o céu. Mergulhada em sua tristeza, contemplava a noite escura, enfeitada por pequenas estrelas. Há vinte e dois anos, nesse mesmo dia, tiraram-lhe uma parte de si. Eithne Patricia Ní Bhraonáin, conhecida como Enya perante a mídia mundial, era uma mulher de gestos simples, apesar de ostentar uma vida de fama e riqueza. Orfã de mãe desde os três anos de idade, deixara de falar com o pai desde o sequestro do seu bebê. Há vinte e cinco anos, iniciara a carreira de cantora. Deixou a administração dos negócios da família e foi morar com o namorado, o empresário musical Joe Ferguson. Ele administrava sua carreira como cantora, mas acima disso, ele a amara da forma como muitos sonhavam em ser amados.

Aos quarenta e três anos de idade, morava no castelo Manderley, na cidade de Killiney, na Irlanda. Comprara-o há oito anos, quando decidira recomeçar a vida longe de sua cidade natal.

Apesar de ter herdado a fortuna do pai e ter feito a sua própria por méritos do seu talento musical, apenas algo lhe traria paz e a faria realmente feliz: encontrar o seu filho perdido.

Olhou mais uma vez para o céu. Respirou fundo e permitiu que uma lágrima solitária deslizasse de seus olhos. Enxugou-as. E com a esperança de que o vento frio daquela noite, levasse consigo a mensagem de uma mãe aflita, sorriu mesmo triste, pronunciando para si mesma, palavras de carinho para o seu unigênito:

- Boa noite, meu filho. Que Deus te proteja.

Cidade de Chicago, Illinóis, vinte e duas e quarenta e cinco da noite...

Sam observava a noite estrelada da janela de mais um quarto de motel. Junto com Dean, às vezes gostava de adimirar as belezas do céu, na tentativa de esquecer um pouco a loucura que era a vida de um caçador.

Haviam chegado de mais uma caçada. O caçula resolveu ficar um pouco em contemplação, enquanto seu irmão tomava um banho. Não ia pesquisar. Não essa noite. Estava triste. Em partes sabia o motivo, mas por outro lado sentia uma angústia alheia a sua personalidade, como se algo mais o incomodasse.

Resolveu afugentar tais pensamentos. Aos vinte e dois anos, tinha problemas demais para um garoto de sua idade. Não criaria mais um. Porém, antes de fechar a janela do quarto, olhou mais uma vez para o céu e mesmo sem saber o porquê, desejou em voz alta e com todo o seu coração:

- Boa noite!


Olá, pessoal! Aqui estou eu com uma nova fic. Espero que gostem e já sabem: rewies tornam a vida dos escritores mais feliz e se você for anônimo, clique no balãozinho no fim da história que eu responderei no próximo capítulo.

Beijos!