Capítulo 2 – Sonhos ou premonições?
Após fechar a janela do quarto de motel, Sam deitou em sua cama e apesar dela não ser macia, relaxou o seu corpo cansado. O quarto estava na penumbra iluminado apenas pela luz do abajur sobre o pequeno criado mudo. Virou sua cabeça para o lado direito e viu que Dean dormia tranquilo envolto ao lençol. Sorriu com a imagem. Apagou a luz e voltou seu campo de visão para o teto. A sensação de tristeza ainda se fazendo presente em seu coração. Adormeceu minutos depois vencido por esses pensamentos.
"Ela era bonita, tinha pele branca e olhos azuis-esverdeados semelhante aos seus. Trajando um elegante vestido vermelho-vinho, a mulher saiu de uma limusine negra e acenava para a multidão que clamava o seu nome. Havia outras limusines e ambas aguardavam a vez para que outros famosos fossem recepcionados às portas da Universal American Academy.
De repente ela corria por um beco escuro pedindo socorro. Segurava com a mão direita o vestido para não tropeçar e com a mão esquerda segurava seus sapatos de salto. Antes que conseguisse ajuda, uma escura mancha negra a envolvia a levando a um lugar de dor e desespero".
- Não! Deixem-na em paz!
Sam acordou assustado, suava frio e seus batimentos cardíacos estavam descompassados. Sentia que aquele não era um sonho, mas outra de suas premonições. Dean que estava na cama ao lado, sobressaltou-se ao ouvir o grito do irmão.
- Sammy! O que aconteceu? O que você tem? – Perguntou assustado, segurando o caçula pelos ombros.
- Dean, ela vai morrer se não a ajudarmos! - Sua cabeça doía com as lembranças do sonho.
- De quem você está falando? Só estamos nós dois aqui, cara!
- Não! Você não entende! Ela precisa de nossa ajuda!
O jovem se desvencilhou das mãos do irmão e foi até janela do quarto. Mesmo não conhecendo a mulher do seu sonho, sentia que ela deveria ser salva e uma forte tristeza tomava conta de si quando a imaginava morta. Como a encontraria? Quem era ela? Acordou de seus pensamentos, quando sentiu braços fortes o envolverem pela cintura e virá-lo com carinho. Dean o olhava e cariciava o seu rosto.
O Winchester mais velho estava preocupado com o caçula. Apesar dele está de costas, sentia a sua tristeza e sabia que seus olhos estavam marejados. Entendeu a dimensão de seus medos, quando a instantes atrás ele se desvencilhou de suas mãos. Precisava ajudá-lo. Levantou calmamente da cama e foi ao encontro dele. Abraçou-o e o virou de encontro a si. Quando seus olhos se encontraram, acariciou o seu rosto triste, pronunciando palavras de conforto:
- Vamos salvá-la, Sammy! Eu prometo!
- Dean, ela vai estar em algum grande evento. Não é em Illinóis, eu tenho certeza! – Uma lágrima rolou de seus olhos tristes.
- Não fique assim! Eu estou aqui.
Passou o polegar em seu rosto para enxugar a lágrima, enquanto o olhava com sua expressão cheia de significados.
O loiro apertou mais os braços na cintura do moreno e o trouxe para mais perto, colando os seus corpos. Seus lábios estavam próximos e ambos viram em seus olhos, as amarras de um amor que gritava para ser libertado.
- Dean... Não podemos!
Sussurrou o moreno com os olhos fechados para sentir o contato tão próximo com o dono dos seus sentimentos.
- Você precisa falar com mais convicção, Sammy! – Falou baixo em seu ouvido.
As mãos do mais velho circulavam pelas costas de Sam enquanto seus lábios sensuais beijavam-lhe o pescoço lentamente, em uma tortura silenciosa, levando o outro a ofegos e gemidos rasteiros, abafados por selinhos durante as carícias.
- Você lembra da nossa primeira vez, em uma noite de Natal? Você tinha apenas quinze anos... – Suas palavras eram sussurros luxuriosos.
- Sim... Eu lembro! Como poderia esquecer! – Sussurrava completamente rendido ao mais velho.
- Seu corpo era completamente virgem e... Eu fui o primeiro a te tocar, antes mesmo daquela sua namoradinha que eu tanto odiava. Lembra, meu Sammy? – Conversavam aos sussurros.
Sem esperar a resposta, Dean deslizou seus lábios aos do irmão e iniciou um beijo intenso, molhado, apaixonado... Enquanto uma de suas mãos apertava o jovem contra o seu corpo, a outra segurava firme em sua nuca como se temesse a separação de ambos. Beijava e se esfregava nele com ardor, sua ereção já formada ansiava por alívio. Seu corpo clamava pelo de Sam.
Rendido e entregue às vontades do outro, o moreno permitira os avanços do irmão antes da sua mente gritar o alerta vermelho e ele afastar-se repentinamente do loiro, o deixando confuso, espantado e excitado.
- Nós não podemos! Por favor! – Falou com o rosto baixo sem conseguir encará-lo.
- Por que? Por que você tem tanto medo? – A voz do mais velho era puro desespero.
- Isso é errado Dean! Nós somos irmãos!
- Eu te amo, droga! – Você sempre foi tudo para mim. O que pode haver de errado, nisso? – Gritou sem se importar com a hora avançada.
- Eu também te amo, mas eu não quero te prejudicar, eu não quero nos prejudicar.
E ao dizer tais palavras correu para o banheiro, trancando-se lá. Chorava alto. Era como se a dor que sentia fosse incrustada em sua alma, sugando-lhe o ar e arrancando-lhe o chão. No entanto, Dean não sabia que Sam não temia o fato deles serem irmãos, mas as duras palavras que ouvira do próprio pai dias após eles terem se amado pela primeira vez.
"A paisagem entorpecia. Pontinhos brancos caiam do céu enfeitando a imensidão daquele lugar. A grama antes verde, coberta por neve maciça, emprestava glamour ás árvores naturalmente enfileiradas.
Ao longe, a figura dele se fazia presente e ao avistá-la, mesmo distante, ele correu em sua direção. Estava feliz. Mesmo vendo seu rosto apenas como um borrão, sentia a felicidade do garoto e sabia que era seu filho. Ele acenava com as mãos e gritava por ela sem se importar com que os outros pensassem a seu respeito:
- Mamãe!"
Abriu os olhos devagar e reconhecendo o seu quarto, chegou a uma triste conclusão: novamente era apenas um sonho.
Há dois anos, Enya sonhava com seu filho perdido. Tinha sempre o mesmo sonho, sempre o mesmo local e quando acordava era como se as sensações e a alegria que sentia fossem reais esquecendo da ilusão daquela realidade alternativa. E mais uma vez, as lágrimas teimosas banhavam o seu belo rosto materno, até o choro ser vencido pelo cansaço e ela adormecer.
SeD
Quase meia hora depois Sam saiu do banheiro. O quarto estava em total escuridão, pois o mais velho apagara a luz do abajur. O jovem estava mais calmo, já não chorava e sentia o sono novamente adentrar os seus sentidos. A única coisa que ainda permanecia era aquela dor insuportável unido ao sentimento de vazio. Ele não tinha ao seu lado o amor de sua vida. A pessoa mais importante para si. Tinha-o como amigo, conselheiro e irmão, mas não o tinha como homem.
Sentou-se devagar em sua cama e ficou olhando Dean. Ele estava com os olhos fechados e provavelmente dormia. Enganou-se.
- Por que não se deita e dorme? Amanhã pegaremos cedo a estrada.
A voz do loiro irrompeu a escuridão fazendo o caçula baixar a cabeça e sentir o nó em sua garganta diante da frieza de tais palavras. Arrependido, tratou de desfazer a sua atitude. Era de seu feitio sofrer em prol da felicidade do outro.
- Desculpe-me! Eu não quis te magoar.
- Tudo bem! Eu mereci isso! – Retrucou com um sorriso triste.
- Não, Sammy! Não são essas lágrimas em seus olhos que você merece.
Abriu espaço em sua cama e esticou a mão em um convite mudo ao irmão. Sam aceitou sem exitar sorrindo com alegria por saber que o mais velho não estava chateado com ele. Deitou dando-lhe as costas. Dean o abraçou por trás abrindo um pequeno espaço entre os seus corpos, mas passando segurança suficiente ao outro. Amava-o, mas não havia malícia naquele gesto. Desde criança dormiam naquela posição quando os medos de seu protegido vinham em seu encalço. Adormeceram envolvidos pelo calor um do outro.
Antes das sete da manhã, os Winchesters estavam acordados. Esperavam e aguardavam a ligação de Bob. O homem já estava ciente da mediunidade do caçula e sempre que ele tinha uma premonição o velho caçador os auxiliava em suas pesquisas. Tentavam conectar os acontecimentos do sonho de Sam para chegar a uma pista da mulher misteriosa.
- Sam, tente lembrar algum detalhe que denuncie o lugar em que ela estava! – Pediu preocupado.
Estavam sentados em suas camas, um em frente ao outro. O jovem não lembrava com nitidez o sonho que tivera. Em sua mente havia apenas flashes que lhe causavam dor de cabeça ao serem acionados.
- Dean, tinha um letreiro em um grande prédio, mas não consigo me lembrar o que dizia. – Olhava preocupado para o irmão.
- Vamos, Sammy! Esforce-se!
- Mas como eu posso... – Não completou a frase.
Flashes a todo momento acionavam suas lembranças. Era como se elas voltassem mostrando somente as ações mais importantes. Então, ele a viu novamente: Primeiramente sorrindo para as pessoas, em frente ao imponente prédio com letreiros luminosos, depois correndo em direção ao vazio, observou suas lágrima e o pânico em sua expressão até o mal se sobrepor e levá-la para sempre.
- Não! Por favor. – Gritou Sam, ajoelhado no chão devido a insuportável dor em sua cabeça.
- Calma, meu amor! Eu estou aqui! – Abraçou o caçula em uma tentativa de conter o seu mal estar.
Mais calmo, o moreno ergue-se dos seus braços, falando exasperado pela lembrança do sonho:
- Eu lembrei Dean, Universal American Academy é o nome do lugar.
Após sentar novamente o irmão na cama, o mais velho foi em direção à mesa do quarto e trouxe o notebook para pesquisar ao lado do outro sobre o local. Esperava que as lembranças do caçula fossem o suficiente para descobrirem dia e hora que haveria o suposto evento.
Fazia frio em sua cidade. O dia nublado era um convite a mais para a tristeza de um triste coração materno. Em seu espaçoso escritório acústico, Enya compunha mais uma música para o repertório musical de seu novo CD, quando o senhor James, seu mordomo, adentrou a sala antes de conferir a disponibilidade da mulher por batidas sutis na porta.
- Senhora Bharaonaim, chegou um telegrama de Los Angeles.
Ela o olhou simpática e com um sorriso miúdo, estendeu a mão pedindo o papel. O mordomo se retirou para que ela tivesse privacidade.
"Cara senhora Bhraranaim,
A sua ilustre presença foi solicita à entrega do prêmio Wanners deste corrente ano de 2004. Seu nome foi cotado entre os quatro finalistas na categoria de melhor músico internacional do ano de 2003. Contamos com a sua presença. Atenciosamente,
Universal american Academy".
Sorriu após ler o telegrama. O prêmio Wanners era o prêmio mundial que reconhecia os valores da música moderna. Almejado por todos, dedicado a alguns. No entanto, em seus quase vinte anos de carreira, ganhara três deles, esperava ter sorte e ganhar o quarto este ano, pois o dedicaria a seu filho. Sorriu com o pensamento.
- Daqui a duas semanas, eu estarei em Los Angeles. – Falou com um sorriso no rosto.
SeD
- Achei Sammy! Veja só:
"The Universal American Academi, em Los Angeles realizará mais um evento com o intuito de homenagear os mais renomados artistas da música mundial. O Evento acontecerá no dia dois de abril, às dez horas".
- Dean, porque você parou de ler? – Perguntou o caçula sem entender.
- Sam, você disse que a viu fugindo de alguém. Então a tal mulher foi ameaçada.
O jovem olhava para o mais velho ainda sem entender o sentido de suas palavras.
- Então, teremos que entrar no local devidamente trajados e nos misturarmos àqueles ricaços sem graça. – Concluiu diante do olhar perdido do outro.
- Quanto a isso não se preocupe. Eu tenho um plano irmão e se o seguirmos a risca, encontraremos a mulher antes que o mal a encontre.
Respondendo aos rewies:
Sol Padackles: Sim, Sol. Que maldade desse pai, não é? Esperamos que no fim tudo se resolva. Calma que com o decorrer da história, as coisas serão esclarecidas. Beijos, amiga!
Malukita: Oi, amada! Sim, eles se amam e nada vai separá-los. Tenha certeza. Fico feliz que tenha gostado do segundo capítulo. Beijos!
Rewies são preciosos e fazem bem a auto-estima dos autores. Após ler essa história, clique no balão abaixo e comente sobre ela, ok?
Muitos beijos e obrigada pela atenção.
