Capítulo 6 – Verdades ou mentiras?
Sam e Dean olhavam assustados para a porta. O mais velho ainda segurava os pulsos do irmão ao lado de sua cabeça.
– O que está acontecendo ai? Respondam? – A voz feminina se fez ouvir novamente.
– Vou abrir a porta. Só um instante! – O loiro respondeu compassado disfarçando o nervosismo em sua voz.
– Sammy, vai para o banheiro e se tranca lá, agora!
O mais novo o olhou sem entender o que o irmão planejava.
– Anda garoto! Liga o chuveiro e finge estar tomando banho!
Falou Dean exasperado. Ele havia soltado o irmão e rapidamente ligado à televisão. Estava em pé próximo a porta do quarto. Esperou Sammy trancar-se no banheiro para então atender a tal mulher, era a dona do motel.
– Bom dia! Algum problema? – Perguntou com descaso depois de abrir um pouco a porta.
– Eu ouvi vozes exaltadas e alguém pedindo para parar. Achei que estivesse havendo uma briga aqui. Meu filho está aguardando na recepção para que possamos chamar a polícia.
O loiro estava assustado, mas não demonstrou. Com seu típico sorriso de lado, falou brincalhão para a mulher:
– Bem, só se assistir a filmes de terror em alto volume for proibido por lei. – Abriu mais a porta do quarto deixando que a senhora visse a televisão ligada.
– E onde está o seu irmão? Não está assistindo com você? – Havia malícia na pergunta da mulher ao referir-se a eles como irmãos.
– Ora, acabamos de acordar e ele está tomando banho! Então resolvi assistir um pouco. Sabe como é, tenho que esperar ele sair para poder entrar.
– Claro! Eu entendo. Caso precisem de alguma coisa, eu estarei na recepção. Com licença. – E dizendo isso saiu, arrancando do jovem um suspiro de alívio. Mas, agora teriam que procurar outro motel. Quando os outros caçadores se juntassem a eles, não queria que percebessem o clima que se instalou com a proprietária do lugar.
– Droga, Sam! Por que você faz isso comigo? – Pensou enquanto deitava novamente na cama aguardando a saída do irmão.
S&D
Sam chorava compulsivamente encostado a cerâmica fria do banheiro desde que se trancara nele. Estava inconsolável. Amava o seu irmão, mas temia sua reação quando ele descobrisse a verdade sobre si.
Enquanto ouvia vagamente o diálogo entre Dean e a dona do motel, pôs sua toalha de rosto na boca, abafando assim os sons dos soluços que escapavam de seus lábios motivados pelo pranto que derramava. Permaneceu assim até ouvir o barulho da porta do quarto fechar-se novamente e alguém se deitando pesadamente sobre a cama.
Resolveu sair. Queria saber como estavam os ânimos do irmão.
– Dean, olha! Você não sabe... – O mais velho o cortou.
– Agora não, Sam. Preciso de um banho. Temos que tomar o café da manhã e procurar outro motel antes de nos reunirmos aos outros caçadores. – Falou secamente enquanto juntava de sua mochila toalha e roupas limpas.
– Desculpe-me! Por favor! – O caçula demonstrava em sua voz toda tristeza que sentia. No entanto, o mais velho permaneceu de costas e sem olhar para ele, trancou-se no banheiro para cuidar de sua higiene pessoal. Evitou o olhar triste daquele que amava. Não resistiria se olhasse para aqueles olhinhos de filhotinho abandonado. Nunca resistiu.
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Há quase duas horas, Enya chegara de sua viagem à Prisão Estadualde Gweedore, Irlanda do Sul, decidida a averiguar a história dosenhor Maison. Tinha suas dúvidas quanto à veracidade do que ouvira, mas não descartaria qualquer possibilidade, pois em seu íntimo, algo dizia para levar adiante o que foi ouvido. Assim ela faria.
Ligou para o detetive Jesuel Stailys Fargor sendo informada da presença dele em meia hora. Apesar de ainda ser cedo, planejava começar pelo melhor amigo do seu falecido pai. Levaria consigo o senhor Fargor. Tinha esperanças que passaria a história a limpo antes de viajar para a cidade de Los Angeles no qual se realizaria o evento de entrega do prêmio Wanners.
Vinte minutos após a ligação, o detetive chegou à residência da mulher, sendo recebido por ela com grande expectativa. Mandou-o sentar e foi direto ao assunto:
– Falei com o doutor Maison na prisão. Ele me disse algo que o senhor talvez ache loucura, porém estou disposta a investigar. Mas, preciso de sua ajuda. – O homem nada respondeu e permaneceu olhando-a com seriedade.
– O melhor amigo do meu pai, James Óregonparticipou também do sequestro do meu bebê, como o senhor já sabe. Ele morava no interior da Irlanda quando dei a luz. – O homem se mantinha estático.
– Enquanto conversava com o doutor Maison, recebi umas instruções... Bem, nenhum pouco convencionais. – Fez uma pausa esperando que o detetive dissesse algo. Vendo seu silêncio, continuou:
– E por meio dessas informações, minha ideia é que possamos ir até onde o senhor Óregon mora atualmente, com um pequeno grupo policial, posso providenciar isso. Afinal, caso as informações que colhi procedam, existe a possibilidade de encontrarmos meu filho em poucos dias. – Falou decidida.
– O que o senhor me diz? Não parece acreditar em minhas palavras. Por acaso é ceticismo ou pura falta de interesse em continuar com um caso no qual julga perdido? – Foi direta em sua pergunta.
– Perdoe-me a indiferença, apenas não entendo como pode ouvir as palavras de tamanho farsante. – Disse com desdém.
– Escute aqui senhor! – O homem estendeu suas duas mãos em um sinal de rendição.
– Diga-me, o seu pai antes de morrer falou que seu filho havia saído da Irlanda e seguido para os Estados Unidos no estado do Kansas, não foi isso? – Enya confirmou com um aceno de cabeça.
– Mas, ele morreu antes de revelar que a cidade ao qual levara o bebê foi Lawrence, correto?
Ela o olhou com olhos estupefatos e apreensivos. Será que tinha escutado direto? Finalmente se reencontraria com seu filho após vinte e dois anos de espera? Seria possível?
O homem lendo a expressão facial dela decidiu falar novamente e dessa vez sem jogar as palavras:
– É isso mesmo senhora Bhraonáin. Eu encontrei o seu filho.
S&D
Os Winchesters saíram do motel meia hora após o ocorrido com a proprietária, parando apenas em uma lanchonete para fazer o desjejum.
Seguiram vinte quilômetros de viagem até encontrar outro motel de beira de estrada. Registraram-se. E, enquanto Sam organizava a bolsa com armas, o loiro discou o número de Bob. Precisava avisar o mais velho onde estavam para que ele pudesse localizar Ruffus, Jô e Hellen, preparando um novo ponto de encontro antes de se juntarem aos irmãos nessa missão de salvamento.
Conversar com Bob passando o novo endereço e coordenadas do lugar seria fácil. O difícil seria estar ao lado de seu irmão em meio a tristeza que o inundou devido a atitude do caçula logo cedo.
– É, Dean Winchester! Você parece que não nasceu para o amor... – Pensava, enquanto discava o número do amigo.
Continua...
Respondendo aos rewies:
Patrícia Rodrigues: Calma, Patty! Aproxima-se o dia do encontro entre mãe e filho. Espero que esteja gostando da história. Beijos!
Tsuka Miyuco: Primeiramente muito obrigada por comentar essa história e a one shot Eu também te amo. Adorei seus comentários e fico feliz que esteja gostando dessa. Espero que continue acompanhando e comentando. Beijos!
Casammy: I agree with you, Casamy! Dean Sam loves unconditionally. The kid has to trust this love so beautiful and tell the truth, for the pain he carries is doing both suffer.
Kisses!
Olá!
Ai está mais um capítulo de Almas acorrentadas. Espero que gostem e que comentem. Vocês já sabem a importância dos rewies, não é mesmo?
Segunda-feira postarei O amor venceu a dor e mais um capítulo de Sweet August.
Beijos a todos e um excelente fim de semana.
