Capítulo 7 – O primeiro encontro com o passado

"Eis que descerá sobre a terra um bebê cujo sangue será maldito pelas mãos do primeiro demônio. Mas, ele nascerá de uma mulher receptáculo da luz."

Há uma semana, os irmãos Winchester saíram do motel Elegance e seguiram pela interestadual. Vinte e dois quilômetros depois se hospedaram no The Flowers passando em seguida a localização de onde estavam para os caçadores que os ajudariam.

No dia seguinte, saíram da cidade de Chicago, Illinóis, acompanhados por Hellen e Jô Harvelle. Tinham o esquema montado para se infiltrarem no grande evento em Los Angeles. Salvariam a mulher que há duas semanas, povoava as visões de Sam.

Rúffus os aguardava em uma casa abandonada na zona rural da cidade de Los Angeles. Não podiam levantar suspeitas sobre o sequestro do músico no qual Dean tomaria o seu lugar.

Los Angeles, quinta-feira, cinco e quarenta e cinco da tarde.

– Bob, você tem certeza que não fomos seguidos? - Dean perguntou preocupado.

– Garoto! Você quer se acalmar? É a quinta vez que você me pergunta isso desde que saímos do aeroporto!

Há mais de duas horas, Dean, Ruffus e Jô aguardaram no Millenio International airport a chegada de Bob. O velho caçador e mais três homens, foram encarregados de cuidar da segurança do Pianista Francês Richard Clayderman. Quando o jatinho particular do músico pousou em um local de acesso privado e a porta se abriu, avistaram a figura do mais velho. Ele dopara a todos durante o voo.

Vinte minutos depois, Dean dirigia uma van velha e desbotada, cortesia do felho velho de Bob. Pretendiam não chamar atenção enquanto transitavam entre a zona urbana e rural de Los Angeles.

Ao chegarem, acomodaram os homens na velha casa tendo antes o cuidado de perceber se não eram observados ou não foram seguidos. O músico e seus seguranças seriam mantidos dopados até o resgate da mulher. Hellen e Jo cuidariam dos hóspedes até o momento do plano de resgate enquanto Sam, Dean, Bob e Rúffus seguiriam para o luxuoso hotel cinco estrelas The stars, onde se hospedaria o verdadeiro pianista Francês Richard Clayderman.

Universal American Academy, vinte uma e quarenta e cinco da noite de sexta-feira, dia do evento.

O imponente prédio da Universal american Academy se destacava entre outros prédios não tão glamorosos da Avenue Independence, a principal avenida de Manhrattan.

Suas paredes erguidas milimetricamente em colunas laterais de sustentação ostentavam a sutileza e delicadeza do branco gelo, cuja coloração era possível graças ao requinte das cerâmicas moldadas de forma rústica.

As quatro portas que davam acesso ao seu interior eram de um vidro resistente e ultratransparente, contornadas por molduras finas em ferro e trancadas por feixes reversos em aço puro.

Os letreiros luminosos fixados em frente ao prédio ofuscavam o vermelho vivo e à noite brilhavam como chamas em neon, caracterizando sua importância para "os escolhidos", pois todos os anos, sempre na primeira semana de abril, O prêmio Warnner era um show a parte, emprestando sofisticação e requinte à noite que se seguia com um ensejo comemorativo.

Eram os pensamentos de Sammuel Winchester enquanto a limusine em que estava avançava lentamente atrás de outras, esperando pela vez do suposto Richard Clayderman ser recepcionado até a porta de entrada. Sam olhava fixamente pela escura janela do veículo, ainda perdido em sua contemplação.

– Terra para Sammy! Ainda existe alguém nesse corpo? – Dean ao seu lado perguntou irônico. Era a primeira vez que brincava com o irmão após a discursão que tiveram há uma semana.

– Eu estou bem, Dean. Apenas maravilhado pela beleza desse lugar. – Respondeu tentando disfarçar sua tristeza.

– Nós vamos salvá-la, Sammy! Eu não lhe prometi! – Sua voz soava arrogante. Arrependeu-se de ter puxado conversa com o irmão.

– Não é só por isso que estou triste, Dean! – Seus olhos encontraram o do mais velho aproveitando o momento em que os outros caçadores estavam distraídos conversando sobre o resgate da cantora.

– Olhe, Sam, desculpe-me! Eu não quis me afastar de você, apenas dá um tempo para...

– DEAN! É ELA!

– O grito do jovem assustou o loiro e chamou a atenção de seus amigos.

- Aquela é a mulher das suas visões, Sam? – Bob perguntou voltando seu campo de visão para a janela esquerda ao lado do banco da frente.

– Sim, Bob! Aquela é a mulher das minhas visões. Enya... – Havia um estranho fascínio em seu tom de voz ao pronunciar o nome da mulher que não passou despercebido por Dean.

Ela era bonita. Tinha a pele branca e olhos azul-esverdeado semelhante aos seus. Trajando um elegante vestido vermelho-vinho a mulher saiu de uma limusine negra e acenava para a multidão que clamava o seu nome. Havia outras limusines. A dos Winchesters após a dela. Ambas aguardavam a vez para que outros famosos fossem recepcionados às portas da Universal American Academy.

– Mantenha o foco, caçador! Seremos os próximos. – A voz de Rúffus soou preocupada.

– Você tem razão, Rúffus! Desculpe-me pessoal. – Sam falava visivelmente envergonhado.

Quando a limusine foi aberta, Bob desceu primeiro, seguido por Sam que segurou a porta de trás para Dean descer. O loiro usava um elegante traje de gala na cor preta e o cabelo penteado para frente acentuando uma curta franja. Sentia-se como idiota.

Rúffus desceu em seguida cobrindo a retaguarda do loiro junto com Hellen, enquanto Sam e Bob se posicionaram ao lado dele. Entraram e apesar dos acenos de Dean para a multidão, evitava olhar para os flashes das câmaras que o fotografava a todo o momento.

Após todos desembarcarem do veículo, Jô seguiu para o estacionamento. Esperaria a ligação de sua mãe para seguir pela ala dos empregados a leste do prédio levando os armamentos necessários para o resgate.

Universal American Academy, salão Imperium ao lado do auditório do evento.

Mais de duas horas depois da cerimônia de entrega, todos os cantores e instrumentistas convidados, acompanhados por seus seguranças, celebravam mais uma cerimônia de entrega. Dean ficou em um lugar reservado e evitou o contato com as outras celebridades. Os seus "seguranças" barravam qualquer um que tentasse cumprimentá-lo. Agia como um ricaço esnobe e prepotente. Era parte do disfarce para evitar reconhecimento.

Ao longe, Sam a avistou ao lado de uma grande janela em vidro trabalhado. Seu rosto estava voltado para frente em direção ao jovem. Ela conversava animadamente com o Instrumentista Kenny G. Ambos vencedores do prêmio Warnner.

Apesar do seu sorriso, seus belos olhos azuis não tinham brilho e guardavam uma tristeza incontida. Desejou saber o que a fazia sofrer e se pudesse extinguir os possíveis motivos para seu sofrimento.

Sentia um crescente carinho e tal qual sentia por Dean, um desejo de buscar proteção e paz nos braços dela. Talvez ela fosse mãe de alguém e talvez esse alguém fosse uma das pessoas mais sortudas do mundo. Pensou e um sentimento de nostalgia o envolveu mesmo sem ter sentido antes o carinho de uma mãe.

"Mantenha o foco, Sammuel Winchester." – Repreendeu-se.

Absorto em seus pensamentos, não percebeu quando Enya se aproximou e o cumprimentou. Olhou-a visivelmente assustado.

– Você está bem meu jovem? – Ela sorria animada em meio a pergunta.

S&E

Enya conversava animadamente com seu companheiro de profissão e amigo. Kenny G e ela tinham ganhado mais um prêmio Warnner, cada um em sua categoria.

Enquanto conversava, observou o jovem segurança a menos de cinco metros a sua frente. Apesar do jovem olhar em sua direção concluiu que algum pensamento o distraia, pois ele se mantinha inerte enquanto os outros seguranças conversavam próximos. Observou também os traços finos de seu belo rosto e apesar da altura concluiu que ainda se tratava de um garoto.

"Ele deve ter a idade do meu filho!" – Pensou com tristeza.

Olhava-o e um sentimento de carinho a inundava. Não imaginava como um jovem com feições doces e olhar infantil podia agir como um bruto quando necessário, pois para ela os seguranças eram pessoas brutas e sem emoção. Pensava assim, mas os respeitava. Ela mesma precisava dos serviços dos seus.

Pediu licença a seu amigo e foi cumprimentar o outro colega de trabalho guardado por aquele garoto intrigante. Usaria esse pretexto para se aproximar dele. Esse pensamento não a assustava apesar de não entender a necessidade de se aproximar do garoto.

– Você está bem meu jovem? – Ela sorriu animada em meio a pergunta.

Quando Sam percebeu Enya a sua frente, sentiu-se corar e amaldiçoou-se por olhá-la por tanto tempo perdendo-se em seus pensamentos. Buscou com o olhar a ajuda dos seus amigos. Eles estavam distraídos conversando com Dean.

– Bem, obrigado! Posso ajudá-la, senhora? – Com muito esforço, falou engolindo o nervosismo.

– Bem, Richard é um colega de trabalho. Gostaria de cumprimentá-lo pelo prêmio de melhor instrumentista estrangeiro. – Ela também estava nervosa principalmente quando ouviu o timbre grosso da voz do garoto a sua frente. Será que era apenas mais um segurança que usava a força como ofício? Por Deus! Estava idealizando qualidades nele pela proximidade com a idade atual do seu filho?

– Perdoe-me, mas não será possível. O senhor Clayderman não quer ser incomodado. – Falou de modo frio. Não podia demonstrar que estava preocupado com ela.

Olhava-o sem conseguir entender o que acontecia consigo. As palavras frias daquele menino a desnorteou. Sentiu-se triste e não entendia porque, mas no momento tudo o que queria era conquistar sua amizade, sua afeição. Estava vendo seu filho nele? Pensava em meio aos pensamentos tortuosos e seus sentimentos bagunçados.

– Claro! Eu entendo! Com licença. – E saiu, sem entender porque a dor da solidão preenchia o seu peito e ela era igual a que sempre sentiu desde o sequestro do seu unigênito.

"Sua idiota! Ele não é seu filho! Ele não é"! – E saiu correndo para o banheiro depois de atravessar o salão de festas.

– Sammy! Você está bem! – A voz de Dean o chamou de volta. Sam acompanhava a saída da mulher com os pela maneira que a tratara.

– Dean! Eu fui frio com ela!

– Calma, meu amor! Era preciso. Mantenha o foco. Sei como se sente. Você acha que é responsável pela vida dela por causa de suas visões. Mas, não é! Além do mais eu prometi que a salvaríamos, esqueceu?

– Dean! Como eu queria te abraçar agora... – Falou com carinho encarando o verde límpido que eram os olhos do irmão.

Apesar de ambos conversarem baixo, Bob notou algo estranho e se aproximou dos dois jovens.

– algum problema, garotos?

– Não senhor! Apenas...

Sua cabeça doeu. Segurava-a e sentia uma dor aguda perfurando o cérebro. De repente, tudo escureceu. Ele viu o perigo que a espreitava.

"Ela corria por um beco escuro pedindo socorro. Segurava com a mão direita o vestido para não tropeçar e com a mão esquerda segurava seus sapatos de salto. Antes que conseguisse ajuda uma escura mancha negra a envolvia a levando a um lugar de dor e desespero".

– Sammy! Sammy! Acorda!

Ouviu ao longe a voz preocupada do irmão. Ele o trouxe de volta. Toda vez que essa visão se repetia era como se ele entrasse em um abismo sem saída, um mundo alternativo onde o mal predominava. Até ouvir a voz de Dean. Ele era sua saída, sua entrada, seu mundo realizado.

– De-Dean... O demônio, ele está aqui... Va-vai matá-la! – Sussurrava enquanto era retirado do local, amparado por Bob e Dean sob o olhar dos curiosos que balbuciavam e gesticulavam provavelmente se perguntando o que havia acontecido com aquele segurança.

– Hellen, por favor, ligue para a Jô. Temos um salvamento a fazer. – lutava para recuperava as forças. Estava decidido a salvar aquela mulher.

xxx

Depois de sua ligeira conversa com Sam, Enya seguiu para o banheiro, trancando-o por dentro. Sabia não ter direito, mas ele permaneceria assim até se acalmar e voltar para a festa.

Não entendia porque fazia questão da gentileza daquele rapaz. Seu jeito, sua meiguice, sua juventude, contrastes perfeitos com a arrogância que ele demonstrou.

Era uma mulher centrada, POR DEUS! O que estava acontecendo agora?

Nunca fora de ver seu filho no rosto de estranhos. Também não delirava ou achava que supostamente qualquer família que conhecia criava seu menino. No entanto, aquele jovem misterioso a deixou desnorteada. E aqueles olhos... Só agora percebeu que eram semelhantes aos seus.

Seria inteiramente sincera consigo mesma e por mais louca que pudesse parecer a ideia, escolheria aquele jovem para ser seu filho perdido se assim fosse possível.

Pensava sobre isso abaixada sobre uma das lustrosas pias de cerâmica lavando copiosamente seu rosto em busca de alívio, tampouco se preocupando com a maquiagem que se esvaia com o ato.

– Prazer em revê-la, senhora Bhraonáin!

Olhou para a porta fechada de onde vinha a voz. Assustou-se com a figura feminina em pé, próxima a ela. Era uma mulher loira com cabelos longos e ondulados. Aparentemente tinha a mesma estatura que a sua e a firmeza de seus ombros demonstrava toda sua arrogância. A leveza do longo vestido branco que usava contrastava com a frieza de seu rosto e a rudez em sua voz. Parecia um ser sem alma.

– Quem é você? – Perguntou exasperada, apesar do medo que sentia.

Continua...


Boa noite!

Perdoem-me pela demora na postagem dessa fic, mas eu prometo que agora ela irá seguir seu curso. O capítulo 8 sairá na próxima sexta-feira e Sweet august nessa próxima segunda-feira.

Eu estava sem net e com alguns problemas que não vem ao caso e isso interrompeu minha criatividade. Mas, ela voltou e a partir desse capítulo as coisas vão esquentar nas duas fics que escrevo. Aguardem a nova fic que vem por ai. (Essa é sua Victorinha!)

Espero que não a tenham abandonado e que possam deixar rewies. Sabe, receber notificações que sua fic é destacada entre as favoritas de alguém é o máximo, mas por que nunca deixaram rewie ou se deixaram por que não continuam? Não dói, não faz mal a saúde e ainda motiva o autor a escrever mais, pois rewies fazem a criatividade aumentar. Pensem nisso!

Um grande beijo a todos e um excelente fim de semana.


Respondendo aos rewies:

Patrícia Rodrigues - Um sentimento de nostalgia se apossou de mim e sem querer eu lembrei de quando respondia aos rewies de sua história. Mas estamos nós aqui para mais uma fic, não é amiga! Apartir desse capítulo deu para sentir que os acontecimentos vão se desenrolar. Vamos ver se Sam vai salvar Enya. Beijos!

- Olá! Espero te ver mais vezes entre os rewies! Eu também adoro quando o Dean cede a sua muralha de proteção em prol do seu doce Sammy e cá entre nós, mesmo na série ele faz isso, né? No próximo capítulo saberemos se a Enya será salva pelos caçadores. Beijos!

Victoria Winchester - Oi, Victorinha! Eu também estava com saudades de Almas acorrentadas. Não se preocupe que é contra os meus princípios algo separar os meninos. Quanto ao segredo, vamos ver como o Sam vai resolver essa situação. Beijos!

Pérola Fics - Primeiramente, meus parabéns pelo sucesso de suas fics. Logo, logo voltarei a lê-las novamente. Está próximo o dia da tão famosa revelação sobre o que foi dito ao Sam e quanto a Enya, bem, vamos ver se ela é mesmo mãe do Sam. Beijos, querida!

Casammy - Hello, Casammy! Long time, huh?
Truth! Sammy is really sweet and gentle, but his indecision is the lack of trust in the love between them, because I think Dean loves above everything and everyone. This has been proven even in the series. Calm that they will still get right.