Capítulo 8 – Enfrentando o mal
A mulher a sua frente sorria. Seu sorriso se alargava ao passo que se aproximava cada vez mais de Enya que involuntariamente recuou ficando entre ela e a pia do banheiro.
– Quem é você? - Repetiu a pergunta.
– Sabe, Enya! Estou decepcionada que não me reconheça. – Falou sarcástica.
– Nunca me esqueço de um amigo, colega de trabalho ou um fan e você não é nenhum deles! Fale! QUEM É VOCÊ? – Gritou, arrancando um fecho pontudo ao lado da tampa de metal da torneira e expondo a ponta afiada contra a invasora.
– Calma! Olhe a pressão! – Falou recuando alguns passos com as mãos estendidas em um falso sinal de rendição.
– Eu posso ter muitos nomes se você quer saber. Brigit Jones, Andrew Eliot Maison, James Óregon e atualmente estou no corpo de Celina Braitmai.
A cantora a olhou assustada! Dois dos nomes que ela falou eram de pessoas ligadas ao seu passado, ligadas a uma parte dolorosa que jamais podia esquece e a pequena Brigit Jones era a criança que o doutor Maison viu "despertar" dos mortos.
– Não! Não pode ser! Isso não existe! Você não pode ser um...
– Espírito? - A loira gargalhou antes de olhá-la com repúdio. – Tem razão. Eu não sou! Sou muito mais do que isso. Sou um demônio e me chamo Lilith.
Seu coração falhou em uma batida e sem perceber soltou o fecho afiado que segurava. Demônio? Mas por quê? O que queria? Ouviu muitas histórias sobre eles contadas por sua avó paterna em seu tempo de criança, porém nunca acreditou que eles fossem reais. E enquanto os seus amiguinhos pediam aos pais que ficassem com eles até dormir por medo das mesmas histórias que ouviam, ela sempre fora destemida.
– Minha Nossa! – Tentava entender a confusão de pensamentos que a assolava.
– Sabe querida! Você nunca se perguntou por que o seu filho foi sequestrado?
Enya a olhou não contendo as lágrimas que correram livres de seus belos olhos.
– O que você sabe sob o sequestro de meu filho? Foi você? Você mandou alguém tirá-lo de mim?
A estranha sorriu e em seu rosto brincava a mesma expressão de repúdio misturada a uma expressão perturbadora.
– Não! Claro que não! Eu mesma o tirei de seus braços a vinte e dois anos. E sinta-se honrada, pois desde tempos imemoriáveis eu não saia do lugar ao qual pertenço, lugar esse para onde pretendo levá-la para atormentar sua pobre alma para todo sempre! – E dizendo isso se aproximou determinada a cumprir com o prometido.
– MEU DEUS! AJUDE-ME! – Gritou encolheu-se contra seu próprio corpo aguardando o fim. No entanto, ao notar que nada aconteceu, levantou lentamente e observou a estranha. Ela estava paralisada e algo brilhava e esfumaçava em seu pescoço. Então Enya percebeu. Era o seu colar roubado.
– Esse colar! Ele é meu!
– Maldita! – O demônio havia esquecido que a mulher a sua frente não era exatamente frágil. Embora ela não soubesse disso.
– DEUS! SOMENTE A TI PERTENÇO!
Ao gritar as palavras o estranho colar brilhou mais forte no pescoço de Lilith escurecendo a fumaça que emanava de sua pele.
– Você recua perante o nome de Deus! Irá me responder algumas perguntas Lilith ou eu vou evocar o Senhor até você virar pó!
Ela a olhou com seus olhos brancos e esbravejou:
– Quando eu me libertar, vou matá-la lentamente como se fosse um inseto, mas o pior vai ser o que te espera após a morte. – Falou lentamente, grunhindo e se retorcendo. Enya a ignorou.
– Diga-me por quê? Por que você sequestrou o meu filho?
Uma risada alta ecoou pelo banheiro e de repente uma rajada de vento entrou por uma das janelas próxima a última pia. A cantora foi jogada com força contra o chão e o colar rompeu do pescoço do demônio caindo a seus pés. Ela se abaixou e segurou a outra pelo pescoço.
– Minha querida! Nunca vai encontrar o seu precioso filho! Precisamos dele, sabia? Ele nos pertence, por isso foi escolhido.
– Escolhido para quê? O que querem com ele? – Falou agoniada em meio a pressão em seu pescoço.
– O retorno do mestre depende dele. Por isso, infiltrei-me em sua vida e matei quem foi preciso: primeiro sua doce mamãe quando você tinha apenas três aninhos, depois o seu papai, mas... Você não imagina o quanto me diverti quando matei o seu precioso, Joe!
Ao ouvir aquilo parou de se debater e olhou horrorizada para o ser a sua frente.
– Nã-Não! É mentira! Não acredito em você!
– Não! Não é mentira, não! E eu sabia o quanto ele a amava, o quanto ele queria estar ao seu lado para cuidar de você e do seu filho.
– MENTIRA! DEUS ME...
Lilith a interrompeu jogando-a contra a parede às suas costas. Atordoada, Enya não tinha forças para levantar. Via as imagens borradas. Temia desmaiar.
– Desculpe-me. Mas, eu não estou mais usando o colar. – Falava aos risos, ainda abaixada olhando sua oponente. Acabaria com a vida dela depois de lhe torturar com a cruel verdade.
– Você precisava ver! Tive tanta dó dele! E olha que sou um demônio, hein! Mas... O jeito como ele se engasgava no próprio sangue quando o carro despencou do abismo, o pensamento dele voltado para você, o seu nome sendo pronunciado como um mantra... Ai, ai... O amor! Seu amado Joe desejou tanto te ver uma última vez, desejou tanto estar ao seu lado quando o filho de vocês nascesse... Saiba que ele faria qualquer coisa pelo seu amor e eu te tirei isso, querida! Que delícia!
– DESGRAÇADA! AMALDIÇOADA! Volte para o buraco imundo de onde saiu! VOLTE PARA O INFERNO! – Buscava as poucas forças que tinha. Precisava sobreviver agora mais do que nunca.
– Ah! Mais eu vou voltar! E vou levar você junto comigo. Eu teria te matado antes se você não fosse protegida por "uns certos intrometidos". Mas, felizmente, consegui despistar seu rastro e eles não vão poder fazer nada para me impedir.
Então, em um lance rápido, pegou o colar aos pés de Lilith e o encostando na região do coração, gritou com toda a força que conseguiu:
– MEU DEUS! LIVRE-ME DESSE DEMÔNIO!
Um feixe de luz branca jorrou pelo ambiente fazendo o demônio gritar e se retorcer em agonia, caindo para trás com um baque. Ainda fraca, Enya se levantou e mesmo tremendo destrancou a porta de entrada correndo pelo corredor, tropeçando nos próprios pés, apoiando-se nas paredes e ao chegar na porta dos fundos, abriu-a. Desceu o mais rápido que conseguiu os vinte degraus seguindo para a saída do prédio.
SED
– Sammy! Espera! – Dean gritava tentando chamar a atenção do seu irmão. Inútil. O Winchester caçula disparara na frente empunhando a arma com sal grosso.
– Não se preocupe, Dean! Nós vamos alcançá-lo. – Bob tentava alcançar o Winchester mais velho enquanto corria ao seu lado.
Quando saíram do salão de festas do Universal American Academy, Jô já os aguardava no estacionamento. As armas preparadas e os amuletos contra possessão separados. Pegaram tudo que conseguiram carregar e com os pingentes no pescoço, seguiram a leste do estacionamento em direção ao beco escuro ao qual a cantora seria atacada de acordo com as visões de Sam.
Cinco minutos depois...
De repente ela corria por um beco escuro pedindo socorro. Segurava com a mão direita o vestido para não tropeçar e com a mão esquerda segurava seus sapatos de salto. Antes que conseguisse ajuda uma escura mancha negra a envolveu e no momento em que seria tragada para um lugar de dor e desespero, uma figura jovem e esguia apareceu para socorrê-la.
– Não! Deixe-a em paz!
Ao gritar, Sam Disparou dois tiros contra Lilith que segurava fortemente a mulher. A arma estava carregada com sal grosso e bento. Enya foi ao chão e o véu escuro que a cobria se esvaiu. O demônio o olhou com ódio e tentou jogá-lo contra a parede oposta não obtendo sucesso.
– Ora, ora… Se não é o pequeno Sam Winchester! Você me atrapalhou, garoto! Ela estava quase do outro lado. – Sua voz era firme e raivosa.
– Sinto muito! Demônio maldito! Você não vai levá-la a nenhum lugar.
Lilith fechou o senho e olhou para a mulher no chão. Ela ainda respirava com dificuldade e tinha os olhos fechados.
– Ah!
Um grito se fez ouvir no beco escuro. O demônio usara as unhas para cortar a lateral esquerda do corpo da mulher subindo lentamente, intencionando atingir-lhe o coração.
– Morra, senhora Bhraonáin! Finalmente eu...
Seis tiros foram disparados. Dean que chegara no momento em que ela feria a cantora, disparou os tiros junto com o caçula enquanto Bob, Ruffus, Helen e Jô se posicionaram ao lado dela, cada um carregando um garrafão com água benta, molhando-a, ferindo-a com o líquido sagrado.
– NÃO! – Lilith gritou e então saiu do corpo que habitava mergulhando em um esgoto próximo a parede direita do beco. – Sam, cuide da senhora! Pessoal, mantenham a atenção. – Foram as ordens de Dean!
Silêncio! Sim, de repente o lugar mergulhara em um silêncio sepulcral e enquanto Sam rasgava as mangas de seu terno escuro e usava como faixa compressora no abdômen da cantora, os outros cinco caçadores formaram uma espécie de pentagrama humano, no qual o jovem estava no centro com Enya desfalecida e apoiada em seus braços.
– Vou acabar com todos vocês! – Um homem aparentando sessenta anos e vestindo trapos, surgiu do nada em meio a escuridão. Provavelmente era um morador de rua e o demônio se apropriara de seu corpo.
– Eu acho que não, vadia! – Vociferou Dean.
Quando Lilith avançou sobre eles, Sam usou de seu poder psíquico a prendendo por questão de segundos onde estava. Tempo suficiente para que ele recitasse o exorcismo.
"Spiritus Immundi qui habitat in terra. Back to foramen atrae quae pertinent. Sit animas famularum Christi in pace. Adiuro vos, et vos repudiare et qui maledicti in ignem serpere back to your home. Nemo magis quam Dei. Nullo modo tibi damnationem evadere."
– NÃO PODEM ME MANDAR DE VOLTAAAAAAAAAAAA!
O demônio gritou e em seguida saiu do corpo que possuía sendo tragado por um buraco escuro que se abriu no meio da rua. A jovem antes possuída e o morador de rua levantaram cambaleando e sem lembrar de nada que tinha acontecido.
– Senhora Bhraonáin! Por favor! Acorde! Bhraonáin! – Temia ter falhado em sua missão de salvar mais uma vida.
Continua...
Obs: O ritual descrito foi criado por mim com base no da série de TV. Portanto não tem nada haver com a realidade.
Boa noite!
Aqui está mais um capítulo de Almas acorrentadas. Hoje a noite mesmo eu respondo os rewies do capítulo anterior, ok? a fic não vai mais demorar a ser postada. O capítulo 9 sairá na próxima segunda-feira e o capítulo 24 de Sweet August nessa sexta-feira.
E já sabem! Seus rewies me animam muito e são os responsáveis pela melhora em minha inspiração. Conto com eles.
Beijos e uma excelente noite para todos os meus leitores.
Respondendo aos rewies:
Patrícia Rodrigues - Patty, também adoro quando o Sam fica fragilizado e o Dean demonstra todo o seu lado "manteiga derretida" pelo irmão. Também adoro isso na série. Também senti saudades suas, amiga! Afinal só nos falamos por rewies. Beijos!
Elisete - Fico feliz que esteja acompanhando. E, a tal mulher parece que quer fazer mal a Enya. Esperamos que os nossos meninos a salvem. E cá entre nós: os irmãos certamente ficaram lindos em suas roupas de festa. Ai, ai... Beijos!
Casammy - Dear Casammy! I promise you that nothing will hinder the love of the Winchesters.
Thank you for your vote of confidence and ask that you continue going strong with my fic. I question your rewie.
Wait for the chapters, because I assure you: love is one of the Winchesters. They are soulmates.
Kisses, sweetheart!
