Capítulo 12 — Revelações ll

John levou o bebê ao berçário ajudado pela enfermeira-demônio que abriu caminho para que ninguém descobrisse o que faziam.

Sabia que o pequeno tinha duas semanas de vida e que nascera na Irlanda. No entanto, não fazia ideia de que o ser tinha mãe e o quanto ela sofreria nos anos seguintes à procura dele.

Quando Mary acordou a primeira coisa que perguntou foi pelo filho. O pequeno viera minutos depois, com outra enfermeira e fora entregue ela. A mulher não se aguentava de emoção. Suas lágrimas eram sinceras e tudo o que queria a partir daquele momento era seguir em paz com sua vida ao lado do marido e dos dois filhos. John e ela desistiriam da vida de caçador pelo bem da família. Foi isso o que propôs antes do esposo lhe contar a verdade sobre o acontecido com o verdadeiro caçula Winchester enquanto Dean aguardava com Bob do lado de fora do leito. O homem não aguentou esconder a verdade dela. A mentira era um preço alto demais a ser pago.

O que você está me dizendo? Quer dizer que esse bebê não é nosso filho? Olhava espantada para o marido enquanto segurava o pequeno ser.

Querida! Eu sinto muito! Não queria mentir para você, mas também não queria te dá a má notícia que sobre o que aconteceu ao nosso filho. Perdoe-me Mary, por favor!

O homem vertia um pranto dolorido dividido entre o arrependimento e a tristeza pela morte do caçula. Mary olhou para o pequeno ser em seus braços que lentamente acordava e dava sinais de irritação. Sabia que em alguns segundos a choradeira começaria.

Não chora, anjinho! Shhh, não chora!

Ela mesma chorava com o que ouvira do marido e o fato de saber que um demônio havia lhes trazido aquele ser inocente não lhe confortava nem um pouco. Pelo contrário; era sinal de que algo estava errado.

Onde está o nosso filho, John? Aquele que nasceu morto. Alternava entre a ação de acalentar o bebezinho e conter as próprias lágrimas.

Eu o levei para o Impala, querida! Ele está envolto a um cobertor guardado no porta malas do carro.

Aquelas simples palavras lhe partiu os fragmentos que restavam de sua alma machucada. Seu pequeno anjo resumia-se a um amontoado de carne que se não fosse enterrado em pouco tempo, exalaria o odor fétido de podridão. Que mal fizera para sua família merecer esse castigo? Pensava e chorava, depositando leves beijos naquele que surgiu em seu caminho com a tarefa de substituir alguém que amava. Ledo engano. Não se substitui um amor. Apenas se ganha outro e o lugar esvaziado por quem se foi sempre fica intocado, inalterado. Venha o amor que vier. Quem ama sabe muito bem sobre isso. Era o que pensava quando a porta de seu quarto abriu e certo garotinho com olhos cor de esmeraldas entrou correndo e preocupado. Bob não conseguiu conter a impaciência do pequeno furacão loiro chamado Dean.

O que há com o meu irmãozinho? Por que ele está chorando tanto?

Perguntou assustado com as mãozinhas na cama da mãe, olhando-a com seus olhinhos pidões.

Acho que ele está sentindo a sua falta, amor! Por que não senta na poltrona para que o papai o coloque em seus braços? O garoto sorria em expectativa.

Mamãe, por que você também está chorando?

Perguntou curioso ao ver as lágrimas abundantes que encharcavam o rosto da sua mãe.

Só estou feliz, meu amor! Agora tenho dois anjinhos para cuidar.

Nesse momento, John depositou o bebê nos braços do pequeno Dean. O loirinho o olhava maravilhado.

Não chore, bebê! Quer brincar comigo?

Perguntou com sua típica voz infantil enquanto segurava o pequeno ajudado pelo pai. Ergueu uma de suas mãos e começou a passar bem devagar os dedinhos nas lágrimas do outro.

Pronto! Você vai melhorar!

E como se compreendesse o significado daquele gesto, o bebê foi se acalmando. Suas duas mãozinhas seguraram firmes na mão do garotinho. Seus olhinhos pequenos encararam-no estáticos.

Meu amor! Ele gostou de você. Dean sorriu mais ainda.

Mamãe, meu irmãozinho é lindo! Posso brincar com ele?

Que tal você esperar ele crescer, hein campeão? Acho que o Sammuel ainda não sabe jogar bola. John falou mais calmo. As lágrimas completamente secas em seu rosto.

Papai, posso chamá-lo de Sammy?

Mary, John e Bob que observavam a cena, riram com gosto do apelido carinhoso que a criança inventara para seu irmãozinho.

Claro, amigão! E quer saber, ele vai adorar ser chamado assim. O patriarca falou ainda sorrindo com a inocência de Dean.

E foi assim! Naquele mesmo dia, Mary recebeu alta e junto com o marido sepultaram o filho sanguíneo enquanto Bob cuidava do pequeno Sammuel e seu irmãozinho Dean, porém o casal de caçadores se comprometeram daquele dia em diante de procurar a verdadeira família do pequeno Sam, pois não acreditaram na ajuda vinda de um demônio. No entanto, a busca de ambos não durou mais do que seis meses. Descobriram o paradeiro da verdadeira mãe da criança e não só isso; descobriram que Mary fora envenenada e por isso quase morreu no parto e o motivo para tal ato? Para que recebessem o pequeno Sam cujo sangue de demônio pertencia ao seu corpo e pudessem criá-lo como membro de sua família até a plena ascensão de seus poderes. A única coisa que não descobriram era que Sammuel foi colocado entre os Winchesters porque precisava crescer ao lado de seu complemento, sua alma gêmea para que juntos cumprissem a profecia quando chegasse a hora traçando assim o caminho para a humanidade quando fizessem sua escolha. Não fora o plano dos céus que a família sofresse a dor de uma perda, mas um ataque inicial das trevas comandado por uma líder que almejava mais do que tudo o retorno de lúcifer a quem ela escolheu como mestre antes mesmo do início dos tempos.

Infelizmente para o casal Winchester as notícias ruins não pararam por ai. Uma semana após a descoberta do real plano do demônio Lilith e sua falsa boa ação, Mary descobriu onde morava a verdadeira mãe de Sam. Naquele mesmo dia, combinou com o marido que contariam tudo para Dean na manhã seguinte e seguiriam para a Irlanda no qual devolveriam o bebê e reuniriam caçadores para defender a mulher e o bebê até encontrarem uma forma de matar o demônio maior. Mas, aquela foi a última noite em que John viu a esposa viva. O demônio incendiara o quarto do casal quando o patriarca saíra com os bebês e Bob para um passeio na praça pública a três quarteirões de onde moravam. Mary ficou porque queria descansar. Esse foi seu erro. Sua casa, do nada, pegou fogo enquanto a mulher dormia profundamente. Ela nem sequer teve tempo de fugir.

NÃO! MARY! John gritou desesperado ao ver a casa coberta pelas chamas. Em poucos minutos tudo foi consumido pelo fogo não sobrando nem sequer as cinzas daquela que dizia amar.

14 de abril de mil novecentos e noventa e três

SAM! COMO PODE FAZER ISSO! — John gritava com o adolescente. Estava fora de si.

Papai, por favor! Não fique bravo comigo! Eu amo o Dean mais do que um irmão deve amar outro. — Tentava se justificar.

Você não merece o meu filho! Nunca mereceu.

CHEGA, JOHN WINCHESTER! — Gritou enfrentando o pai, pondo-se em sua frente.

Você sempre me odiou, sempre me tratou com indiferença. Até mesmo quando nos treinava você era diferente comigo. Por que pai? Por que me odeia tanto?

Deixe-me em paz, moleque!

Foi em direção à porta. Abriu-a. Preferia sair a continuar aquela discursão com Sammuel. Dean logo chegaria com Bob e ele nunca admitia as desavenças entre os dois, repreendendo-os severamente. O patriarca e seu caçula não discutiam mais porque Dean era firme em não aceitar essa situação.

NÃO! PRIMEIRO VAI ME DIZER POR QUE ME ODEIA TANTO. NÃO VAI SAIR ASSIM.

Jogou suas costas contra a porta fechando-a novamente em um baque. O mais velho perdeu a paciência e quando segurou o adolescente pela gola da camisa ele lhe falou compassado e ameaçador.

Vai, covarde! Bate no próprio filho se isso vai te fazer mais macho.

VOCÊ NÃO É MEU FILHO!

Gritou soltando o garoto com força, fazendo-o tombar ainda mais contra a porta fechada. Mas, não foi isso que realmente doeu e machucou seus sentimentos.

Papai, o que está dizendo? Eu sou...

Você não é nada meu. Não tem uma gota do meu sangue e não pertence a essa família.

O adolescente tinha o rosto banhado pelas lágrimas.

É MENTIRA! ESTÁ MENTINDO PORQUE ME ODEIA.

EU NÃO ESTOU MENTINDO, DROGA! — Os dois se encaravam nos olhos. — Você é filho de um maldito demônio que reencarnou nesse mundo para destruí-lo.

Não pai! Não diga isso! — Seu mundo desabava em lágrimas.

Eu não sou seu pai, Mary não era sua mãe e Dean não é seu irmão. Você é filho de um maldito demônio com uma humana que quem sabe não seja uma vagabunda como você! O que sei é que esses estranhos poderes que você tem são provenientes do seu verdadeiro pai.

NÃO!

Sim! E tem mais; por sua causa o meu verdadeiro filho morreu antes mesmo de nascer. Sabe por quê? Porque você devia ser criado perto do lugar onde seu pai seria liberto do abismo infernal. Eu perdi quase tudo, Sam! Minha esposa e meu filho estão mortos por sua culpa e agora você quer tirar o Dean de mim também? ISSO EU NÃO VOU PERMITIR NUNCA!

Meu Deus!

E não para por ai, Sammy! Minha Mary querida morreu porque tentou devolvê-lo a vadia da sua verdadeira mãe, sabia?. Ela convenceu a mim e ao Bob a ajudá-la a procurá-la e quando a encontrássemos, protegeríamos junto com você, então depois seguiríamos com a nossa vida esperando o momento certo para Dean saber o que aconteceu com seu verdadeiro irmão e aquele a quem considerava irmão. Ela nem sequer teve tempo de curtir sua ilusão. Foi morta por querer mudar o rumo do filho do demônio, foi morta porque quis ajudar.

Sammy caíra de joelhos aos prantos. A dor do que ouvira fazia não somente sua alma, mas seu corpo pesar.

É por isso que o senhor me odeia. É por isso que nunca me tratou igual ao Dean. Apesar de nunca ter levando a mão para mim ou me humilhado, nunca me amou, nunca foi carinhosos comigo. Sempre foi o Dean que me deu todo o amor que uma criança precisa para crecer.

O homem o olhava e apesar da fragilidade e sofrimento do garoto, seu rancor e raiva se mantiveram inalterados.

Saber o motivo da morte do meu filho, foi um golpe que só aguentei por causa de Mary e do meu verdadeiro filho. Mas, ela morrer, principalmente porque tentou ajudar o filho das trevas... Isso é algo que eu nunca vou perdoar. A culpa é sua, Sam. Como acha que Dean vai reagir quando souber que o irmão que ele tanto queria morreu para dá lugar ao filho do mal? Como acha que ele vai reagir quando souber que sua amada mãe morreu porque tentou ajudar a você e a sua mãe vadia, sendo você quem é?

O adolescente deitou completamente no chão abraçando o próprio corpo e chorando copiosamente. John o deixou sozinho à luz de sua dor e saiu porta a fora.

Meia hora depois, Dean chegou e estranhou a luz do quarto de motel ainda apagada. Ao entrar assustou-se com a imagem de seu irmão caído e sem sentidos. Tentou reanimá-lo, percebeu que havia chorado. Cuidou dele junto com Bob.

Durante uma semana Sam teve febre e não tinha vontade para nada. Seu irmão mais velho não saiu do seu lado e seu amor e carinho o reergueram fazendo-o reagir para a vontade de viver. No entanto, nada entre os dois foi igual. Amavam-se e Dean continuava o mesmo jovem apaixonado que o possuíra ele completou quinze anos, mas a partir daquele momento o mais novo passou a temer perder aquele que mais amava. As coisas entre os dois nunca mais foram iguais.

O clarão branco reluzente que apresentara as imagens do passado se apagou revelando o rosto de Jesuel Stailys Fargor, o detetive contratado por Enya cuja missão era encontrar seu filho perdido. O que ela não sabia é que ele seguia as ordens do alto e trabalhar para ela fazia parte do plano para que o bem triunfasse quando a profecia se cumprisse.

— Sim! Agora entendo porque ela não pode reencontrar o filho. Mas, quanto a Dean Winchester? — Fargor olhava para o céu escuro. Conversava com o arcanjo Miguel. O primeiro no comando depois de Deus.

— Entendo, senhor! Farei com que os receptáculos aceitem seus destinos e destruam lúcifer.

S&E

Ouvia o barulho de pessoas conversando sem conseguir distinguir suas vozes. Sentia o corpo sob uma superfície macia e uma luz tenra sobre seu rosto. Onde estava? O que tinha acontecido? As lembranças lhe fugiam impossibilitando saber o que realmente se passara. Tinha a sensação de que dormira por algumas horas. Seu corpo estava cansado e o lado esquerdo de suas costelas doía como se alguém a tivesse ferido.

Foi então que lembrou. A dor em seu lado lhe despertou para lembranças pavorosas, lembranças tristes pela qual se pudesse escolher, escolheria esquecer.

Um suposto demônio chamado Lilith Matou seus pais, sequestrou seu filho e matou o amor de sua vida. Sim! Começava a lembrar.

Flash back on...

Sabe querida! Você nunca se perguntou por que o seu filho foi sequestrado?

Enya a olhou não contendo as lágrimas que correram livres de seus belos olhos.

O que você sabe sob o sequestro de meu filho? Foi você? Você mandou alguém tirá-lo de mim?

A estranha sorriu e em seu rosto brincava a mesma expressão de repúdio misturada a uma expressão perturbadora.

Não! Claro que não! Eu mesma o tirei de seus braços a vinte e dois anos. E sinta-se honrada, pois desde tempos imemoriáveis eu não saia do lugar ao qual pertenço, lugar esse para onde pretendo levá-la para atormentar sua pobre alma para todo sempre!

000

Uma risada alta ecoou pelo banheiro e de repente uma rajada de vento entrou por uma das janelas próxima a última pia. A cantora foi jogada com força contra o chão e o colar rompeu do pescoço do demônio caindo a seus pés. Ela se abaixou e segurou a outra pelo pescoço.

Minha querida! Nunca vai encontrar o seu precioso filho! Precisamos dele, sabia? Ele nos pertence, por isso foi escolhido.

Escolhido para quê? O que querem com ele? – Falou agoniada em meio à pressão em seu pescoço.

O retorno do mestre depende dele. Por isso, infiltrei-me em sua vida e matei quem foi preciso: primeiro sua doce mamãe quando você tinha apenas três aninhos, depois o seu papai, mas... Você não imagina o quanto me diverti quando matei o seu precioso, Joe!

Ao ouvir aquilo parou de se debater e olhou horrorizada para o ser a sua frente.

Nã-Não! É mentira! Não acredito em você!

Não! Não é mentira, não! E eu sabia o quanto ele a amava, o quanto ele queria estar ao seu lado para cuidar de você e do seu filho.

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As lembranças vinham em flashes mostrando-lhe o que se passara. Lembrava-se do Universal American Academy e do encontro inesperado no banheiro feminino. Uma mulher que se dizia um demônio e que falara sobre fatos de sua vida que somente alguns empregados e o detetive que contratara sabiam.

A tristeza a consumia e à medida que as lembranças voltavam, mergulhava na agonia de saber por respostas, uma luz no fim do túnel. Precisava agir. Precisava levantar e seguir adiante. Descobrir quem era aquela mulher e se de fato ela dissera a verdade. Mesmo assim, afastava de sua mente as coisas inexplicáveis que presenciou. Buscava justificativas sólidas sem querer acreditar no que seus olhos presenciaram de sobrenatural feito pela tal de Lilith.

Decidida, tentou se mover, mas sentiu uma fisgada no lado que doía. Gemeu baixo. Forçou o corpo mais uma vez e tentou abrir os olhos. Piscou várias vezes até ajustar-se à tenra claridade. Encontrou um par de olhos azul-esverdeado semelhante ao seu. Observou que se tratava de um garoto. Ele o olhava preocupado.

Continua...


Boa noite!

Desculpem-me o atraso, gente! Espero que gostem desse capítulo. Aguardo rewies.
Uma santa e abençoada noite.
Beijos!


Patrícia Rodrigues - Eu te entendo, minha linda e agradeço a consideração em explicar. Mas, eu estava tão acostumada a me corresponder com você por MP qua até estranhei sua falta de respostas. Espero que você tenha férias e que possa relaxar, pois eu sei o que é está cansada precisando de férias. (Preciso urgentemente).

Casammy - Do not worry, dear! I think that man is beautiful as the mother of Sam, she will support the love between these two souls which one belongs. The question is how Dean will react when they discover the secret. But let us trust the love he feels for Sammy, is not it?
Kisses, friend!