Capítulo 13 —A verdade
Quando Enya emitiu um som baixo, os irmãos se afastaram e puseram-se a observá-la. Seu rosto retorcia-se um pouco, certamente estava sentindo dor.
Sam se aproximou mais quando a viu tentar abrir os olhos, observava seus movimentos. Estava preocupado. Enya piscou várias vezes ajustando-se à claridade da sala que apesar de tenra lhe machucava a visão. Seus olhares se encontraram quando ela finalmente despertou completamente da escuridão. Olhava para o jovem a sua frente com admiração.
— Você é um anjo?
Foram as palavras da mulher quando se deparou com a figura bela e de feições doces que a olhava preocupado. O jovem sorriu sem graça.
— Como a senhora se sente? — Dean também estava preocupado.
— Bem, eu acho. Onde estou? Que lugar é esse?
Mesmo deitada olhou para a sala em que estava sem conseguir entender como viera parar ali. Estava em um hospital? Na casa de alguém? Tentava lembrar, entender o que tinha acontecido e como escapara daquele ser que destruiu sua vida. Sim! Mesmo inconsciente, os pensamentos sobre o que ouviu fluíam em sua mente como um sonho e enquanto voltava a si, revivia toda a dor do passado através das palavras daquela maldita. Precisava sair dali. Precisava encontrar novamente aquela estranha e tentar arrancar dela uma pista sobre o paradeiro do seu filho. Falhara na primeira tentativa, mas isso não quer dizer que falharia novamente. Pensava decidida.
— A senhora lembra do que aconteceu no Universal American Academy?
Enya parou novamente seu olhar no jovem encantador. Como ele era lindo! Devia ter a mesma idade do seu filho e...
— Esperem! Conheço vocês! Eu os vi na cerimônia de entrega do prêmio Warnner! Você é o segurança do meu amigo Richard e... — Olhou confusa para Dean. — Ele é o Richard?
Pegos de surpresa pelas lembranças repentinas da mulher, os Winchesters viam-se num beco sem saída. Não queriam continuar mentindo, mas tinham medo que ela interpretasse mal o seu salvamento, pois como se não bastasse eram acusados de terrorismo e tinham quase certeza de que os seguranças sequestrados os reconheceriam depois de libertos do cativeiro.
— Nós podemos explicar. Se a senhora nos ouvir... — Sam tentou justificar.
— Deixem-me em paz! O que está acontecendo? Quem são vocês?
Levantou abruptamente da maca, gemendo de dor. Seu gemido chamou a atenção do doutor John que estava no laboratório reservado dentro da sala operatória.
— Precisa se acalmar ou teremos que amarrá-la.
— DEAN!
O caçula chamou a atenção do irmão que se pôs em frente à mulher, segurando-a firmemente pelos braços antes de falar de maneira ameaçadora. Sam o afastou de perto dela. Enya saiu abruptamente de perto dos dois e quase caiu devido a tontura que sentiu.
— Está tudo bem! Acredite em mim, senhora Bhraranaim! Só queremos ajudá-la!
O garoto se aproximava dela aos poucos. Dean olhava a cena de frente para os dois, enquanto o doutor parou perto da cama em que a mulher antes repousava. Ela estava confusa. Aquele era o mesmo jovem que a tratou friamente no salão de recepção, mas ao mesmo tempo, o mesmo que a fazia lembrar seu amado filho.
— Fique longe de mim!
Embora exasperada não conseguia gritar. O lado esquerdo do seu corpo doía. Sam estava cada vez mais perto dela, encurralando-a na parede da pequena sala de laboratório.
— Não!
Ao encostar-se à parede, abraçou o próprio corpo e se abaixou. O garoto também se abaixou para vê-la melhor.
— Está tudo bem! Só queremos ajudá-la. Prometo que vou levá-la novamente para sua família. Eles vão ficar muito felizes em saber que está bem.
Ela o olhou completamente arrasada. Sua família tinha sido destruída por um demônio.
— Oi, meu pequeno! Eu sou a sua mamãe, sabia? Não esqueça que eu te amo. — As palavras de Sam a fizeram lembrar-se do dia em que deu a luz.
— Você precisava ver! Tive tanta dó dele! E olha que sou um demônio, hein! Mas... O jeito como ele se engasgava no próprio sangue quando o carro despencou do abismo, o pensamento dele voltado para você, o seu nome sendo pronunciado como um mantra... Ai, ai... O amor! Seu amado Joe desejou tanto te ver uma última vez! Desejou tanto está ao seu lado quando o filho de vocês nascesse... Saiba que ele faria qualquer coisa pelo seu amor? E eu te tirei isso, querida! Que delícia! — E finalmente, a lembrança tão dolorosa quanto perder seu filho; a perda do homem que amava.
Seu choro compulsivo entristeceu ainda mais o jovem que lentamente a puxou para si e a abraçou.
Encostada em seu peito, Enya soluçava de tanto chorar. Punha para fora toda a dor em forma de lágrimas. Amava Joe. Sempre o amaria. Mesmo um demônio maldito tendo tirado a sua vida, acreditava que um dia se reencontrariam e então, ninguém mais os separaria. Mas, enquanto esse dia não chegava, precisava encontrar seu filho e lhe dar todo amor de mãe que a vida negou a ambos. Ele era seu pequeno, um presente de Joe para si. Havia perdido para a eternidade um dos amores de sua vida. Evitaria que perdesse o outro.
— Shhh! Vai ficar tudo bem!
Sam a levantou pondo-a em seus braços, levando-a de volta para a cama. O doutor John aproximou-se trazendo um copo com água e um comprimido.
— Eu não quero dormir!
Relutou em ingerir o remédio achando que seria dopada.
— É apenas um calmante. Não é um sedativo, senhora. Vai ajudá-la a se sentir melhor. — Dean o olhou desconfiado.
— Não está mentindo, está doutor?
— Acredite, meu rapaz! Quero ajudá-la assim como vocês a estão ajudando.
Dez minutos após tomar o remédio, a mulher já não tinha vontade de chorar. Sentia-se mais calma e apta a conversar. Soltou-se do abraço acolhedor do jovem Winchester acomodando-se no encosto da cama.
— Então, eu devo minha vida a vocês? A vocês três? — Falou olhando para cada um dos homens.
— Não nos deve nada. Acredite! Ficamos felizes que esteja bem. Meu irmão e eu quase não chegamos a tempo de impedir que os demônios a matasse. — Sam justificou.
— O quê? Demônios? Como assim, demônios? — O doutor perguntou exasperado ao ouvir o que Enya dissera.
— ISSO NÃO É DA SUA CONTA. E EU ACHO MELHOR VOLTAR A FAZER O QUE ESTAVA FAZENDO ANTES.
Dean estava nervoso devido a sua preocupação com Sam e o bem estar da mulher, pois sabia que se algo acontecesse com ela, seu irmão que já andava triste devido a algo que ele não sabia, poderia ficar pior. No entanto, sua atitude não assustou somente o bondoso doutor que se afastou dele na mesma hora, mas a Enya, que ao ouvir seus gritos, lembrou-se da violência física e psicológica que fora tratada a algumas horas.
— Doutor John, desculpe-me pelo meu irmão, mas estamos todos nervosos. Por favor, pode nos deixar a sós? Precisamos conversar com a senhora Bhraranaim.
O doutor deu um sorriso tranquilo para ambos os jovens e saiu voltando para a sala reservada. Continuaria a analisar a amostra sanguínea tirada de Enya.
— Não tenha medo! Ele não vai machucá-la. — Falou para a mulher que abraçava o próprio corpo e olhava para Dean da mesma maneira que olhara para Lilith quando ela a encurralou no banheiro.
— Desculpe-me, Enya. Posso chamá-la assim? — Dean recobrou sua velha e conhecida postura profissional. — Sim! Pode me chamar assim. — A mulher respondeu mais confiante.
— Enya, eu me chamo Dean Winchester e este é meu irmão Sammuel Winchester. Nós somos caçadores e antes que pergunte o que seja isso, nós caçamos todo tipo de criatura maligna, inclusive demônios, como aquele que a atacou no Universal American Academy. Não temos tempo para explicar muita coisa, só peço que confie em nós. Pode fazer isso?
A mulher acenou afirmativamente, atenta a tudo o que Dean dizia.
— O que Lilith queria com a senhora? Por que ela a atacou?
— E... Ela... Matou o meu marido e sequestrou meu filho.
Ao responder à pergunta do loiro, mesmo estando sedada, o choro foi inevitável.
— Meu Deus!
Os irmãos falaram em uníssono.
— Por favor, Enya! Por mais que seja doloroso, precisamos saber o que eles queriam! Só assim poderemos ajudá-la.
Dean entendia seu estado de espírito, mas se fazia necessário o depoimento dela.
Ela secou as lágrimas com os lenços de papel oferecidos por Sam, respirou fundo e falou. Falou tudo. Desde o sequestro do seu filho pelo próprio pai, a morte do mesmo dez anos depois, a confissão do doutor Maison sobre sua possessão demoníaca e o que Lilith lhe falou antes de tentar matá-la. Falou também sobre o nome de Deus evocado por ela e que desestabilizou o ser por alguns instantes.
Sam ouviu a tudo com atenção. Juntava os pedaços, conectava tudo e em sua mente chegava a uma terrível conclusão.
— Não pode ser! — Sam falou alto sem perceber.
— Sammy, está tudo bem?
Dean perguntou confuso. Eram profissionais e não demonstravam pena ou raiva na frente de quem ajudavam.
— Estou bem, sim! Pode continuar irmão.
— Não pode ser! Não! Seria muita coincidência. — Pensava.
— E onde está o cordão que a senhora puxou do pescoço de Lilith?
Dean perguntou esperançoso. Provavelmente esse cordão era uma pista para ajudá-la a encontrar seu primogênito.
A mulher pôs a mão no pequeno bolso do vestido e retirou o cordão preto com o pingente em metal fosco cuja imagem se assemelhava a um anjo. Mostrou aos jovens caçadores.
— Eu puxei do pescoço de Lilith antes de fugir. Não entendo o que ela queria com ele.
Os Winchesters se entreolharam ao olhar para o cordão. Era semelhante ao de Dean. Era apenas uma coincidência? Por que uma mulher tão rica usaria algo tão simples, tão sem valor? No entanto, não revelaram isso a Enya. O garoto nem mesmo comentou como conseguira o seu quando criança.
— Enya, onde conseguiu esse cordão? — Sam perguntou curioso. Queria saber se ela o conseguira da mesma forma que ele.
— Esse pequeno cordão pertence a minha família a várias gerações. Desde tempos imemoriáveis, eu diria. Não entendo porque foi roubado de mim. Ele não tem valor algum. — Era o que ela pensava.
— A senhora, pode nos dá licença? Preciso falar a sós com o meu irmão.
Após falar com a mulher, o loiro puxou o caçula para perto da porta de entrada.
— Agora tudo faz sentido, Sammy! O filho que essa mulher procura é o receptáculo do anjo expulso depois da briga no céu. Lembra-se do que o Bob disse ao nosso pai quando ainda caçavam juntos? As pessoas desaparecidas, as quedas de pressão do ar, descargas elétricas violentas em vários continentes, todos presságios do demônio. Eles estavam agindo esse tempo todo entre nós. Estavam preparando terreno.
— Para a vinda de Lúcifer? Para quando o bebê da profecia estivesse pronto para assumi-lo em seu corpo? Você sabe que o papai não acreditou nisso, Dean. — Sam tentava esconder o nervosismo.
— Sam ... Foco cara! Tenho quase certeza que é isso.
— Mas, quase certeza não é certeza absoluta. Precisamos pedir ajuda ao Bob, investigar o que ela falou... — Dean o interrompeu.
— Certo, certo! Já entendi! Vamos atrás de mais detalhes, mas que fique claro que o filho dessa senhora, certamente é um dos jovens médiuns como você.
— Ok, mas não vamos agir sem ter certeza. Essa senhora já sofreu demais com a perda do namorado e o sequestro do filho. Caso essas histórias sobre receptáculo, Lúcifer e tudo mais sejam verdadeiras, o que pensa em fazer? Matar o garoto?
O mais velho o olhou sério antes de responder:
— Sinto muito, Sam. É isso mesmo que vou fazer se essa loucura toda se confirmar.
E dizendo isso saiu, deixando o irmão caçula perdido em seus medos.
— Meu Deus! Imploro que eu esteja errado. Por favor! Que eu esteja enganado. — Fazia uma prece silenciosa.
Dean continua conversando com Enya enquanto Sam, sem ser percebido, entrou no pequeno laboratório onde o doutor John estava terminando sua análise.
— Doutor John, se eu lhe pedir um favor, pode manter só entre nós dois? Promete?
O médico parou o que estava fazendo voltando toda a atenção para o rapaz.
— Do que se trata?
— Quero que tire uma amostra do meu sangue e... Bem, parece estranho o que vou lhe pedir, mas vai tirar um peso das minhas costas.
O doutor falou calmo tentando lhe passar confiança.
— Pode confiar, filho! Manterei sigilo médico. Eu prometo!
O garoto assentiu com um aceno de cabeça.
— Quando colher a amostra do meu sangue quero que faça um exame de DNA com o sangue dessa senhora que salvamos. Pode fazer isso?
O homem formulou em seus pensamentos o que estava acontecendo. O jovem a sua frente pedira ajuda ao outro jovem para salvar aquela mulher. Ele desconfiava que fosse mãe deles e só contaria ao irmão a verdade quando tivesse certeza.
— Então, você acha que ela pode ser a mãe de vocês? Por isso a salvaram?
— De vocês? Como assim de vocês?
— Você e seu irmão. Aquele rapaz mais velho não é seu irmão?
Sam se tocou. O doutor formara uma teoria errada sobre o que acontecia. Isso era ótimo! Dar-lhe-ia mais tempo para investigar sobre suas suspeitas e pensar em como falaria para Dean. Ele precisava saber. Tinha direito.
— Sammy! Traga o doutor Maison! — a voz do mais velho chamou a atenção dos dois.
— Doutor, preciso de soníferos. Algum que faça alguém dormir por pelo menos quatro horas. Traga também um copo com água.
O homem rapidamente fez o que lhe foi pedido.
— Dean, quem você planeja apagar?
— Sammy, Enya se sente melhor e já pode andar normalmente. Então é hora de pegar a estrada. Deixaremos o doutor Maison dormindo nessa sala, mas antes ele vai ligar para a esposa e dizer que precisou substituir algum médico ou coisa parecida. Isso nos dará tempo de fugir e ir para onde tínhamos combinado.
— Por favor, rapazes! Deixe-me ajudá-los! Prometo que não vou contar nada a ninguém! Sam, deixe-me ajudá-los!
Pediu ao garoto gentil que sentia prazer em ter conhecido e poder ajudar.
— Eu sinto muito, mas isso não será possível! — Dean nem se quer deixou o irmão responder ao pedido do médico.
O doutor sabia que não tinha como argumentar com o mais velho dos irmãos.
— Tudo bem! Deixe-me pelo menos etiquetar o material coletado?
O loiro concordou.
E assim ele fez. Etiquetou sigilosamente as amostras sanguíneas de Sam e Enya colocando-as em um lugar reservado no armazenamento. Quando passasse o efeito do sedativo, terminaria o que começara antes de ir para casa.
Depois de organizar seu laboratório e ligar para a esposa, Jonh entregou um cartão ao jovem winchester antes de tomar o remédio.
— Se eu poder ajudar de alguma forma, qualquer forma, não exite em me procurar, garoto. Eu o ajudarei. Até mesmo a você.
Dean revirou os olhos quando o doutor se referiu a ele.
— Obrigado, doutor John. — Após agradecer pelo cartão, guardou-o na carteira.
Quinze minutos depois o doutor John caiu em sono profundo. Sam, Dean e Enya saíram pela frente. Ambos vestidos com roupas médicas, mas Dean usava também uma máscara para não ser reconhecido pelo segurança que o perseguiu.
Os médicos e enfermeiras de plantão não suspeitaram de nada. Afinal, estavam em um hospital. Pensavam apenas que eram seus colegas de trabalho.
Continua...
Boa noite!
Agora Almas acorrentadas será atualizada toda semana até seu final, ok? Toda quinta-feira vou postar um novo capí próxima semana postarei o capítulo 14. Espero que leiam e comentem.
Sweet August nesta quinta-feira, ok?
Beijos e uma excelente noite se segunda-feira.
Responmdendo aos rewies:
Patrícia Rodrigues - Concordo com você, Patty! Que culpa o garoto teve de Mary ser uma mulher generosa e querer devolvê-lo a sua verdadeira mãe? E não se preoculpe, querida! Ela acordou nesse capítulo e foi o momento certo, pois o nosso Sammy vai ter que contar a verdade antes que os demônios façam. Beijos, linda!
Jade - Gostou mesmo? Que bom! Compará-la à série, ai que honra! Sim! O John como sempre egoísta e só pensando em si. Ele feriu os sentimentos do garoto e ele nunca mereceu isso. Vamos ver no que esse rolo vai dá. Não se preocupe! Vou atualizar essa história toda semana a partir de hoje. Beijos, querida!
Soniama livejournal - Concordo com você, amore! Enquanto Lilith estiver na cola dos dois eles não serão felizes. Vamos ver como as coisas entre os dois ficam. E sobre o seu pilot, vou responder quinta-feira quando eu postar Sweet August, ok? Beijos, linda!
