Capítulo 14 — Amores em conflito

Quando fugiram do General Hospital of Independence, Sam Dean e Enya seguiram para o portão principal onde deixaram o Impala estacionado próximo à calçada, sob uma árvore. Pegaram a estrada rumo a Chicago, Illinois. Lá encontrariam Hellen, Jô e Ruffus. Ambos aguardavam os jovens na casa de Bob.

Pretendiam viajar por toda a noite, no entanto estavam cansados devido as recentes perturbações que os três enfrentaram, sem falar que Enya ainda estava se recuperando dos seus ferimentos. Resolveram parar para descansar no Motel Tailand quase cinco km depois de cruzarem o estado do Colorado.

Então, ainda se passando por médico, usando mais uma vez um de seus cartões de crédito falso e ignorando a curiosidade da atendente pela suposta doutora usar um protetor em seu rosto, Dean pediu dois quartos, ambos com cama de casal. Esse detalhe não passou despercebido por Enya, mas ela nada comentou.

Sam e Dean queriam se revezar e vigiar por dentro o quarto da cantora, mas a mulher foi imperativa ao negar. Precisava de um pouco de privacidade para descansar, precisava de um tempo sozinha para pensar e entender melhor a reviravolta em sua vida. Além disso, algo lhe dizia que aqueles dois também precisavam de privacidade.

Sendo assim, após os winchesters riscarem todo o chão do quarto dela com símbolos contra demônios e selarem portas e janelas com sal grosso, foram para o próprio quarto. Lá, combinaram entre si: Sam dormiria primeiro e depois de cinco horas, seria a vez de Dean. Temiam que quem tentou matá-la a estivesse caçando.

Uma hora depois...

Após um banho relaxante e vestir uma roupa limpa e confortável, Dean saiu do banheiro pronto para seguir adiante com o que ele e o irmão combinaram. Pegou de sua mochila uma pistola automática com balas de prata e um rifle com munições extras de balas de sal grosso seguindo para a cadeira que deixara próximo a janela.

Tentou se concentrar no clarão do brilho da lua que resplandecia lá fora, mas foi impossível. Olhou para o irmão. A visão de Sam dormindo lhe encheu os olhos despertando em si todo o desejo que o amor que sentia gritava. Como queria possui-lo! Como queria mais uma vez tê-lo gemendo em seus braços! Amava-o e por mais que demonstrasse isso não entendia o que o fazia ter tanto medo de se entregar novamente a ele.

Lembrou-se de quando assumiram seus sentimentos, a noite perfeita e romântica que tiveram. A entrega, o carinho e o amor exalando pelos seus poros. Fora realmente uma noite mágica, pois há oito anos, não foi apenas o corpo que o seu Sammy lhe entregou, mas todo o seu ser.

Sam...

Sussurrou em meio aos seus pensamentos.

Como eu te amo, Sammy...

Aproximou-se devagar da cama em que o outro dormia sentando ao seu lado.

Fica comigo!

Sussurrava observando o rosto de feições infantis que tanto amava: os lábios pequenos e delineados, as maçãs do rosto avermelhadas, os cílios curtos e cheios, os longos cabelos escuros...

Você é tão lindo, meu amor!

Como se ganhasse vida própria, suas mãos desceram pelo rosto do jovem em uma caricia lenta e contínua. Isso fez Sammuel acordar aos poucos e ao fitar os olhos verde-esmeralda que o observavam avidamente, sorriu, recebendo como resposta um beijo calmo, compassado, mas que se aprofundou ao passar dos segundos.

Dean pôs-se sobre o corpo do caçula, que sentia a excitação dele sob o moletom que vestia.

Sam se entregava às sensações permitindo que a hábil mão do loiro percorresse cada pedacinho do seu corpo, isso até seu cérebro dá o sinal de alerta e o jovem lembrar-se das palavras de John e a ligação que elas tinham com a história de Enya.

Deus! O que estou fazendo? Eu não posso ceder! Dean precisa primeiro saber a verdade!

Não podia fazer isso com o irmão. Precisava confirmar suas suspeitas primeiro e depois Dean saberia por seus próprios lábios. Então, num ímpeto de medo, Sam empurrou-o para longe levantando abruptamente da cama.

— Por que você fez isso Sammy? – A frustação e a raiva estavam estampadas no semblante do mais velho.

— Por favor, Dean! Entenda que não podemos!

O loiro perdeu o pouco de paciência que tinha e puxou o caçula pelo braço, jogando-o novamente na cama e o segurando pelos pulsos. Estava a um passo de cometer um ato irracional.

— Eu te amo e sei que você também me ama. Sinto muito Sammy, mas se você não quer facilitar as coisas, vai ser do jeito difícil.

Após suas duras palavras, prendeu os pulsos dele com um de seus braços, enquanto o outro buscou descer o short do pijama que o garoto vestia. Ele tentava se libertar porém, o irmão mais velho era mais forte.

— Solte-me Dean! – Sua voz demonstrava o seu desespero.

— Depois que eu o tiver, eu o soltarei. – Respondeu frio.

— DEAN! EU PENSEI QUE VOCÊ ME AMASSE! – Aos prantos, Sam gritou. Tinha os olhos fechados e o rosto voltado para o lado. Estava ofegante.

Então, o loiro parou. O grito do caçula devolveu-lhe a sanidade. Olhava perplexo para o rosto banhado em lágrimas do irmão caçula.

— O que eu estou fazendo?

Recuperado do seu surto, Dean falou assustado ainda fitando o rosto daquele que tanto amava.

— Perdoe-me, amor! Eu jamais te machucaria. Eu juro!

Saiu de cima dele ao proferir suas sinceras desculpas, mas o garoto nada respondeu. Chorava e abraçava o próprio corpo encolhido como uma conchinha.

— Não aguento mais essa situação, Sammy! Não dá! Eu sinto muito.

Saiu noite a fora depois de pegar a carteira e as chaves do Impala.

— DEAN!

Gritou na tentativa de que isso fizesse o irmão voltar. Ledo engano. Refugiou-se novamente em seu abraço acolhedor tendo apenas lágrimas como único amparo naquele momento.

— Sam!

A voz de Enya lhe chamou atenção. Abriu os olhos e a viu em pé, com a porta fechada atrás de si.

— Senhora Bhraonáin!

Tentou falar, mas as lágrimas o faziam soluçar.

— Shhh! Não precisa me explicar nada, querido! Eu ouvi sua discursão com Dean. Ouvi cada palavra do que disseram.

O garoto continuava chorando, mas se encolheu ainda mais diante do que ouviu. Percebendo isso, Enya buscou acalmá-lo. Estava ali para acalentá-lo, não para julgá-lo.

— Calma, menino! Não estou aqui para julgá-lo. Por favor, criança, deixe-me cuidar de você!

Sentia um calor brotando dentro de si. Uma crescente vontade de embalar aquele lindo menino e lhe secar as lágrimas, niná-lo até que adormecesse em seu colo. Assim como faria se seu amado filho estivesse sofrendo como aquele garoto sofria.

— Você deve ter a idade do meu filho!

Falava enquanto apoiava a cabeça do caçula Winchester em seu colo.

— Não chore mais! Vai ficar tudo bem!

Acariciava seus fartos cabelos lisos, repetindo frases positivas como um mantra.

— Tenha paciência com Dean! E não se preocupe! Se ele realmente te amar, vai voltar. Dê-lhe apenas tempo para esfriar a cabeça.

Mais calmo, o choro de Sam foi cessando. Enxugou seu rosto com as costas das mãos e limpou o nariz com lenços de papel acomodados em uma pequena caixa sobre o criado mudo. Nunca soube o que era sentir um carinho materno e agora, embalado pelos carinhos e cuidados daquela bela senhora, uma emoção diferente crescia em si, aquecendo sua alma, sarando suas feridas. Feito esse que só seu irmão conseguira até antes de Enya aparecer.

Naquele momento, mesmo temendo a verdade ser revelada, desejou de todo o coração que algum dia pudesse ser feliz ao lado do amor de sua vida e tendo aquela senhora como mãe. Desejou de todo o coração que suas suspeitas virassem realidade, então teria pela primeira vez na vida uma família de verdade.

— Eu o amo como um irmão não deve amar outro. – Já recuperado das lágrimas, falou o que lhe veio ao coração.

— Eu sei! – A mulher apenas confirmou.

— Quando eu tinha quinze anos eu me entreguei a ele após termos uma conversa sobre o que realmente sentíamos um pelo outro.

— Desde quando você o ama assim, Sam?

— Desde sempre, eu acho, mas não podemos ficar juntos. Não ainda.

— Por que você diz isso, querido? Foi por isso que brigaram agora a pouco? Você guarda algo que seu irmão não pode saber? – Perguntou preocupada.

— Bem, é uma longa história. Desculpe-me por não lhe contar, senhora Bhraonáin. É que eu...

— Shhh! Antes de continuar, posso te pedir duas coisas? – Interrompeu o garoto que acenou afirmativamente ainda deitado em seu colo.

— Em primeiro lugar quero que me chame de Enya, pois ficaria muito feliz se me trata-se como uma amiga. E, em segundo lugar, quando se sentir apto a desabafar seu segredo com alguém, pode confiar em mim. Garanto que farei de tudo para ajudá-lo. É o mínimo que posso fazer por você e também por seu irmão. Afinal, salvaram minha vida.

— Tudo bem, Enya. Obrigado por seu apoio.

Sam não comentou que ele e Dean investigariam sobre o filho dela. Também não falou sobre a verdade que John lhe esfregou na cara, mas principalmente, não falou sobre suas suspeitas de ser seu filho perdido. Essas eram questões a serem resolvidas depois que ela estivesse em segurança. No momento, isso era prioridade para o ele e o irmão mais velho.

Uma hora depois.

Dean caminhava pelas mediações do motel Tailand desde que deixou o irmão sozinho. Sua intenção não era ir embora. Apesar de ter deixado isso claro para Sam. Queria apenas magoá-lo, feri-lo, assim como se sentia ferido, assim como estava desde que ele deu chilique uma semana após a noite de amor que tiveram.

Não entendia o que se passava na cabeça dele. Havia algo que ele não sabia? Um segredo? Por que durante esses sete anos, o garoto falava que apesar de se amarem não podiam ficar juntos? Era sempre a mesma história, sempre o mesmo dilema. Por Deus! Quando esse tormento teria fim?

No entanto, pensava preocupado no que quase fizera com seu Sammy. Por acaso ia violentá-lo?

— Não me deixe nunca machucar aquele que amo!

Olhou para o céu e pela primeira vez em sua vida pediu algo a um ser que nem mesmo tinha certeza se existia. Mas, que se dane! Os demônios não existem? Por que Deus também não existia?

— Meu dever é amá-lo e protegê-lo até de mim mesmo.

Continuava a olhar para o céu manchado pelo clarão da lua. Estava decidido a voltar e conversar com o caçula. Não tentaria forçá-lo a falar. Queria apenas voltar para ele, amá-lo mesmo ao longe como sempre fez, como faria por toda a vida se assim fosse necessário.

S&D

Enya olhou para a porta que abria lentamente arrastando o sal grosso em frente a ela. Era Dean.

Após fechá-la novamente, o loiro arrastou com os pés o condimento selando novamente a proteção contra o mal. Depois, olhou para Sam. Ele dormia profundamente no colo de Enya e abraçado ao próprio corpo.

— Que bom que você chegou! Seu irmão precisa de você.

Assustou-se com a voz firme e o olhar decidido da mulher.

— Eu sei, Dean! Sei que você e o Sam são mais do que irmãos. E também sei porque brigaram.

O loiro respirou fundo antes de falar:

— Enya, eu não quero lhe faltar com respeito, mas isso... – Ela o cortou.

— O quê? Não é da minha conta? Acha que não? Sabe, senhor caçador, seu irmão deve ter a mesma idade do meu filho e se fosse ele que estivesse nessa situação, eu juro que lhe daria um soco.

Mais uma vez o rapaz olhou assustado para aquela mulher que aparentemente frágil, tinha muita força para lutar por quem amava.

— Não quero ser grossa, nem metida, Dean Winchester, mas o Sam precisa do seu amor, seu carinho. Confie nele! Seja o que for que ele esteja escondendo, acredito que não é o momento certo para você saber.

Não tinha que contestá-la. Enya estava certa. Sam precisava dele e seja o que fosse que ele guardasse, fazia-o sofrer e se tinha algo que Dean não admitia sob hipótese alguma era ver o sofrimento presente na vida do seu irmãozinho. Isso não. Sammy era sua vida. Continuaria a cuidar de sua vida como sempre fez.

— Obrigado por cuidar dele. A senhora veio assim que eu sai? – Ela confirmou com um aceno.

Dean se aproximou de Sam. Era tarde. O início da madrugada trouxe consigo o frio daquela época. A cama em que o garoto dormia estava emaranhada e levemente molhada. Provavelmente pelas lágrimas dele. Sentiu-se mal por deixá-lo sozinho e chorando. Sentiu-se um porco sem sentimentos.

— Venha, amor!

Falou baixo quando o colocou nos braços ouvindo-o resmungar algo. Calmamente o deitou na cama em que ia dormir. Ela estava seca e arrumada. Puxou um lençol fino e depois um edredom, cobrindo-o até o pescoço. Observou seu rosto adormecido por alguns instantes, antes de se voltar para a mulher e pedir que ela também fosse descansar. Cuidaria de ambos àquela noite.

— Acho melhor você dormir, Dean! Eu dormi muito enquanto estava sedada, sem falar que antes, fiquei algum tempo sem sentidos.

— A senhora ainda está se recuperando dos ferimentos! – Tentava convencê-la do contrário.

— Querido, como pretende proteger alguém estando tão cansado?

— A senhora é minha responsabilidade. Se algo lhe acontecer, Sam vai se sentir culpado pelo resto da vida. Eu conheço o meu irmão. Quando cisma que tem que salvar alguém, ele precisa conseguir.

A mulher sorriu levemente com a doçura do rapaz. Por mais que estivesse chateado, o amor que sentia pelo garoto falava mais alto. Esse pensamento o fez lembrar Joe, o pai de seu filho. Ele também agia assim em relação a ela.

— Façamos o seguinte: eu fico nesse quarto, acomodada naquele sofá enquanto você e o Sam descansam. Qualquer problema ou qualquer suspeita que eu tenha, eu os chamarei. Afinal, vocês são rápidos. Sei que acordarão a tempo. O que me diz?

Dean sorriu simpático pela maneira que a mulher resolveu o impasse. Ela o fazia lembrar Sam e seu jeito persuasivo em conversar com as pessoas usando seu olhar doce e sua voz suave, cheia de argumentos.

— Temos um acordo, então.

O loiro foi dormir na cama que antes Sam estava enquanto Enya, deitada no sofá, pensava em uma maneira de chegar até o demônio Lilith. Ainda tinha em sua mente a ideia de interrogá-la.

Continua...


Boa noite!

Como prometi, Almas acorrentadas vai ter continuidade toda semana, duas vezes por semana. Então, o capítulo 15 sairá nessa sexta-feira junto com o capítulo 35 de Sweet august. Peço desculpas por não ter postado ontem, mas eu ainda não tinha terminado o capítulo.

Quero agradecer a todos vocês que comentam minhas fics, principalmente aos meus leitores do outro site que estão marcando presença aqui também. Obrigada, gente! Essa assiduidade e apoio de vocês ajuda tanto na inspiração! Desejo a todos uma excelente noite de terça-feira e me deixem saber o que acharam do capítulo por meio de seus rewies, ok?

Beijos!


Respondendo aos rewies:

PadacklesRoques - O Dean nem imagina que seu amado irmão é receptáculo do mal, mas quando souber que é o Sammy... Sim! Terá o arcanjo Miguel e mais algumas coisinhas que não posso revelar. kkkkkkkkkkk Beijos, amigo!

Jade - Concordo com você. Dá uma certa preocupação sim, porque os dois se amam, mas não se sabe até que ponto o passado de Sam vai influenciar. No entanto, esses dois se amam. Obrigada pelos elogios, querida. Apoios como o seu ajudam e muito a um fic writer. Beijos!

Elisete - e eu fico deveras feliz por saber que você ama essa fic. Sério! Eu sei o que é isso. Espero não decepcioná-la como já aconteceu comigo com duas fics que eu também amava. Não tema por eles, linda. Acredite no amor. Beijos!

soniama livejournal - Minha linda! Os seus pilots são maravilhosos. O problema é que comigo não rola M-preg ou fic com crianças, independentes de Wincest ou Padackles, mas eu gostei muito do segundo pilot, a fic espirita. Façamos assim: vou adaptar o seu segundo pilot bem de acordo com a doutrina Kardecista e você quando me mandar rewie para essa história, pode me passar seu endereço de e-mail. Podes me mandar MP quando tiver dúvidas ou sugestões, ok? quanto a fic, adoro saber que estão gostando de minha história. Preciso desse icentivo. kkkkkkkkkkkkkk Sou mimada. Beijos, linda!

Patrícia Rodrigues - Calma, mulher! kkkkkkk A Enya é uma mulher gentil e educada, daí o Sammy ser essa fofura que ele é. Tal mãe, tal filho. Você ainda vai vê-la em ação lutando pelo amor do Sammy. Beijos, amiga!