Atenção! A guerra entre Lúcifer e Miguel com a ajuda da deusa Athena, não tem nada de bíblico ou fazendo referência a alguma religião. Basiei-me em um episódio dos cavaleiros do zodíaco que assiste muito em minha infância, no qual falava do ódio de Lúcifer pela deusa. No entanto, tudo o que escrevi é pura ficção e foi criado por mim mesma, sendo que qualquer semelhança é mera coincidência. Não tenho intenção de ferir a educação religiosa de ninguém ou copiar algo de alguém.
20 — A batalha do bem contra o mal
"Quando os receptáculos, enviados pelo céu, aceitarem sua missão, a espada da justiça e o escudo da sabedoria voltarão a se unir para que mais uma vez o príncipe das trevas seja aprisionado. E dessa vez, não haverá mais fuga de sua prisão infernal".
Los Angeles, Califórnia, vinte e duas e vinte e cinco da noite.
O jatinho roubado por Dean diminuiu a distância até o cemitério Eternal Home, mas não o suficiente, não o quanto precisavam. Enquanto sobrevoavam o céu escuro do território americano, mantinham-se conectados às notícias por meio de rádios com frequência da polícia dos estados unidos incluindo o FBI e elas não eram nada animadoras: tornados em toda a Flórida, queda de temperatura em quase todas as cidades da Europa, sem falar nos terremotos de proporções 5.2 no continente asiático. Os caçadores sabiam que as coisas podiam ficar piores, pois se antes da meia noite Lúcifer não fosse aprisionado novamente, ele libertaria os quatro cavaleiros do apocalipse, pois, segundo a profecia, à meia do dia da libertação do arcanjo da prisão infernal, ele recuperaria completamente sua glória angelical libertando assim seus servos fieis aprisionados nos quatros confins do inferno.
— Bob, quanto tempo ainda temos de voo? — Dean que era o copiloto do mais velho, perguntou preocupado chamando a atenção dos outros caçadores que os acompanhavam.
— Acalme-se, garoto! Em cinco minutos estaremos no Cemitery Eternal Home.
— Bob, que porra de demora é essa? Não é a primeira vez que você disse que faltavam cinco minutos para chegarmos. — Falou irritado.
— E essa é a décima vez que você me pergunta desde que entramos no estado da Califórnia. Calma, rapaz! Vai dá tudo certo!
— Diga-me uma coisa: se o amor de sua vida estivesse entre a vida e a morte, o que você faria? — Perguntou olhando friamente para o amigo.
O velho caçador se resignou diante do que ouviu. Dean estava abalado pelo fato de quem amava está nas mãos do anjo das trevas.
— Eu te entendo rapaz, mas...
— Bob, olhe o radar! Chegamos a Los Angeles! — A voz de Hellen interrompeu a conversa dos caçadores.
— Sammy! Já estou indo te salvar! — Dean falou aliviado. Finalmente tinham chegado.
S&D
Cemitery Eternal Home, Los Angeles, Califórnia, vinte e duas e quarenta da noite.
Acompanhado pelo senhor Singer, Ruffus, Jo e Hellen, Dean Winchester adentrava as imediações do cemitério, cauteloso. Ambos os caçadores empunhavam suas armas e tinham proteção contra possessão. À medida que entravam, sentiam o sangue gelar devido a visão de horror que era aquele lugar. Ele ficou ainda mais destruído depois da ascensão de Lúcifer.
Sombras escuras se amontoavam sobre as lápides, cruzes em ruínas, risadas ao longe, choros coletivos e pedidos por socorro ecoavam em um sussurro agoniado e contínuo. Não sabiam se aquele cemitério era mal assombrado, mas pelos sons que surgiam a cada passo que davam, deduziram que sim.
— Vocês estão ouvindo isso? — Jo perguntou temerosa.
— Deve ser um cemitério amaldiçoado ou mal assombrado, por isso os barulhos. — Helen respondeu indiferente.
— Nossa, mãe! Você diz isso com tanta naturalidade! — Antes que a mulher pudesse responder algo à frente chamou a atenção não só delas, mas dos outros caçadores que ali estavam: as pessoas outrora mortas que repousavam naquele cemitério, formavam filas à frente deles bloqueando o caminho que levava à igreja que Dean viu em sua visão depois de Sam ser possuído pelo arcanjo.
— Meu Deus! Agora entendo o porquê dos barulhos que escutávamos! — Jo falou em um misto de surpresa e medo.
— Vocês humanos e essa velha mania de chamar por Deus. — A voz de Lilith fez-se ouvir enquanto ela caminhava por entre os mortos em direção aos caçadores.
— Olá, Dean! Olá para vocês também, otários amigos de Dean! Esperávamos por vocês! Por isso reuni um especial comitê de boas vindas! — O demônio apontou para os zumbis às suas costas.
— ONDE ESTÁ O SAM, VAGABUNDA? RESPONDA! — O Winchester mais velho pôs-se à frente dos amigos empunhando com a mão esquerda uma espingarda repetidora e com a direita uma estaca de ferro puro.
— Tenha modos, querido! Afinal, temos algo em comum: o Sammy!
— MALDITA! MALDITA DOS INFERNOS!
Ao gritar sua fúria, o jovem foi em direção ao demônio, mas foi interrompido pelo braço ágil de Ruffus.
— Garoto... Calma! Já pensou que o que ela quer pode ser realmente isso? Você de cabeça quente atirando às cegas? Assim estará desprotegido e acabará morto e se isso acontecer, como ficará o Sam depois que o salvarmos? — As palavras do amigo o acalmaram. Ele estava certo. Quem cuidaria de Sam se ele morresse? Quem o protegeria com a vida se fosse preciso? Respirou profundamente três vezes mantendo o contado visual com o demônio maior. Ela o encarava com um sorriso debochado.
— Bob, tem alguma ideia do que vamos fazer? — Sussurrou a pergunta ao olhar friamente para o exército de zumbis que lhes vedava a passagem. Porém, o homem nada respondeu.
— Qual é Bob! Isso não é hora de fazer suspense. — Estava nervoso.
— Use mais o cérebro, garoto! Será que você não percebeu por que eles estão impedindo nossa passagem? Se não querem que passemos é porque algo de muito valioso está naquela igreja. O mestre deles, talvez?
Dean olhou para a visão horripilante que eram os zumbis. Quer dizer que estavam entre ele e a chance de salvar seu Sammy? Precisava passar por eles para seu amado ser salvo? Sim! Era isso que devia fazer e que Deus o perdoasse, mas para si, mais importante do que salvar o mundo era salvar seu amor, sua alma gêmea.
— Eu não sei quanto a vocês, caçadores, mas eu escolho lutar e se para salvarmos meu irmão, tivermos que passar por todos esses monstros, eu não vou recuar.
— Estamos com você nessa, rapaz! Abriremos caminho para que possa avançar e adentrar a igreja. — Ruffus olhou para os amigos recebendo deles a confirmação por meio de seus olhares.
— Então vamos agora!
E avançaram. Hellen ergueu seu fuzil portátil atirando contra a fronte de dois zumbis ao lado de Lilith, derrubando-os em definitivo.
— MATEM TODOS E TRAGAM-ME A CABEÇA DE DEAN WINCHESTER! — A ordem de Lilith ecoou pelo cemitério criando uma marcha de mortos-vivos contra os cinco caçadores.
A estaca de Dean cortou o ar golpeando internamente o cadáver de uma senhora idosa que tentara estrangulá-lo. Ruffus, fazendo uso de um facão ultrafino em ferro lapidado, cortou o pescoço de dois jovens que o atacaram enquanto Jo e Hellen alternavam os disparos de balas de prata mantendo-se próximas e de costas uma para a outra. Bob tomou para si a difícil tarefa de enxotar uma fileira de mortos-vivos que vinham contra ele usando uma lança de duas pontas.
— AVANCEM CAÇADORES! AVANCEM! — O grito de Singer fez os outros caçadores avançarem cobrindo simultaneamente a retaguarda de Dean.
— Não vai cruzar o paredão formado pelos mortos-vivos, Winchester! Conforme-se em ter pedido seu Sammy para sempre. — Havia fúria na voz do demônio.
— Vamos ver quem fica com ele, demônia vadia! Seu mestre com complexo de superioridade ou eu. — Tirou da mochila seu arco pondo as flechas prateadas no bolso interno da sua jaqueta. Corria em direção aos inimigos disparando de forma certeira e acertando-os. Alternava flechadas no coração e na fronte.
— Não! Você não vai... — Uma flecha especial foi lançada contra a serva de Lúcifer atingindo, em cheio, o meio de seu ventre. Era uma flecha de ferro bruto traçado com vários símbolos Salomão. Lilith foi ao chão gemendo e se contorcendo, imobilizada, sem conseguir morrer, sofrendo com a energia dos símbolos queimando seu espírito demoníaco. Era poderosa, mas levaria uns bons minutos para livrar-se do instrumento.
— BOB! — Olhou para o amigo em um sinal mudo de que adentraria a igreja.
— NÃO PERCA TEMPO! SALVE O SAM!
O rapaz derrubou mais dois zumbis que vinham em sua direção e antes de entrar na igreja olhou mais uma vez para os amigos constatando que apesar de estarem em desvantagem por serem quatro contra cem, estavam vencendo. Depois, seguiu seu caminho.
S&D
Ao adentrar a igreja, o loiro viu a sua frente a mesma fonte no qual Sam estivera a algumas horas atrás. Viu manchas de sangue. Abaixou-se passando o dedo pelo líquido escarlate, constatando que estava seco. Com certeza era do seu irmão. Pensava.
— Sammy! Espero que esteja bem.
Um ruído distante chamou sua atenção. Levantou abruptamente empunhando a arma, deixando também o arco e as flechas ao seu alcance. Pegou a lanterna inclinando junto com a arma. Avançou a passos largos e silenciosos, o corredor escuro da igreja. Dobrou o lado esquerdo, ao fim do corredor, avistando um feixe de luz clara que saia de uma grande porta de madeira à frente.
— Lúcifer!
Sussurrou atravessando a pequena distância que o separava da grande porta. Estava destrancada. O jovem caçador não precisou fazer esforço algum para empurrá-la. De repente, ela se abriu sozinha.
— Eu sabia que viria, Dean Winchester! — A voz do arcanjo era compassada e despreocupada.
— Sammy! Você pode me ouvir?
— Sinto muito, garoto! Seu Sammy está inconsciente dentro do próprio corpo.
Dean olhou para as mãos do irmão. Não havia o corte que vira na visão.
— Não se preocupe! Ele está bem! Mas, infelizmente, nunca vai acordar.
O Winchester mais velho se arrepiou diante daquela confissão. O ser das trevas estava disposto a tomar o corpo de seu irmão para sempre e para piorar, ele era apenas um caçador, um ser humano como outro qualquer, alguém que lutava contra monstros e agora contra um possível apocalipse. Ele ainda não sabia que era o receptáculo daquele que aprisionaria para sempre a serpente no abismo infernal.
— Não vai ficar com o meu irmão, entendeu? Não vai ficar com ele, seu maldito! — Esbravejou as palavras pouco se importando com o grau de poder daquele a sua frente.
— Verme insignificante! Quem você pensa que é para falar comigo assim?
Lúcifer nem sequer esboçou reação. Ao esbravejar sua raiva contra o jovem a quem julgava um mero caçador, ergueu-o do chão com a força do seu pensamento e o jogou contra um altar antigo. Dean tentou levantar e não conseguiu. E para piorar, a consciência ameaçava lhe faltar devido a força usada contra si.
— Sammy! Preciso te salvar! — Sussurrou inerte, imóvel no chão esburacado da velha igreja.
— Não adianta chamar pelo seu Sammy! À meia noite, todo o meu poder e glória angelical estarão restaurados. Ele será meu para sempre e você... Você partirá dessa para melhor. Eu mesmo vou me encarregar disso. — Enquanto falava, Lúcifer caminhava calmamente em direção ao caçador que apenas o observava sem conseguir se mexer.
— Amor! Perdão! Isso tudo é culpa minha.— Fixava o olhar naquele que outrora fora um garoto doce e sensível, mas que por culpa de uma falsa premonição, agora não passava da criatura mais desprezível de toda a criação.
— Eu te amo!— Sem desviar o olhar do arcanjo no corpo de seu irmão, parado em sua frente, o loiro balbuciou pela última vez antes de perder os sentidos enquanto o outro apenas o olhava com desdém.
— Sem receptáculo, sem meu irmão Miguel para que eu possa me vingar. Não era isso o que eu planejava, no entanto, é desta forma que vai ser.
O ser ergueu a mão esquerda e fechou os olhos concentrando sua força nos sete pontos vitais do corpo do jovem Winchester, os chamados chacras. Em poucos segundos, um tridente de aproximadamente dois metros de altura apareceu em sua mão. Era o tridente de Origon. A arma de Lúcifer forjada com a força do universo pelo criador, no momento em que a estrela foi criada com o nascimento de Lúcifer. Ela foi presenteada a ele como símbolo de sua luz e beleza interior ao qual deixou corromper pela vaidade. O arcanjo corrompido deveria ser o "tridente" da paz se não tivesse se voltado contra as forças do próprio pai.
— Eu poderia muito bem estalar os dedos e quebrar o seu pescoço, mas como você é o receptáculo de meu irmão dar-te-ei uma morte honrosa. — Ao erguer o instrumento, uma luz dourada cobriu o Lugar arrancando de imediato a arma do arcanjo, jogando-a contra a parede oposta. A deusa Palas Athena salvara a vida de Dean.
— Não acredito! Minha ex-amiga e grande inimiga! Há quanto tempo Athena! — A deusa no corpo de Enya estava parada frente ao corpo de Dean, próximo aos seus pés.
— Não permitirei que machuque esse rapaz. Lúcifer, estou aqui não só para proteger os winchesters, mas para mandar você de volta para o inferno.
O ser a olhou com desdém sorrindo quando ouviu o que ela disse.
— Não me faça rir, Athena! Você é apenas uma deusa menor! Seus poderes não são nada se comparados aos meus. Além do mais, se eu me lembro bem, da última vez que nos confrontamos, você apenas ajudou o meu irmão, mas não foi responsável por minha prisão.
A divindade não se intimidou com as palavras do arcanjo das trevas.
— Quem disse que sou eu que vou selá-lo em definitivo no inferno?
De repente, uma luz cintilante, mesclada entre o dourado e o branco surgiu, preenchendo não só a igreja, mas fazendo-se notar em todas as imediações do cemitério, assustando os caçadores amigos de Dean que continuavam matando zumbis.
Lúcifer fechara os olhos devido ao brilho ofuscante daquela luz e ao abri-los novamente, seu irmão, o arcanjo Miguel estava parado a sua frente. Ele possuíra o corpo de Dean Winchester.
— Como vai, irmão! — O arcanjo da justiça o cumprimentou impassível.
S&D
Quando o mais velho dos Winchesters perdeu os sentidos, sentiu seu espírito flutuar por um lugar calmo, em paz e muito acolhedor. Abriu os olhos enxergando acima e abaixo de si, um lugar adornado por uma luz branca penetrante, uma mistura de branco puro e dourado. Pensava ter morrido.
— Dean Campbel Winchester! Está me ouvindo? — A voz tinha o timbre suave e piedoso.
— Você é um ceifador? Estou morto? — Imaginava que Lúcifer tinha ceifado sua vida.
— Não! Mas você quer está ou quer voltar?
Não entendia o que estava acontecendo. A única coisa que lembrava era que o arcanjo das trevas tinha levado a melhor contra ele, mas precisava voltar e salvar seu Sammy.
— Seja você quem for, eu preciso voltar! Preciso salvar quem mais amo, preciso salvar a vida do Sam!
— Façamos um trato, então! Se você me deixar adentrar o seu corpo para que eu possa lutar contra Lúcifer no corpo do seu irmão, eu prometo que seu Sammy será palpado. Meu único objetivo é trancafiar para sempre meu irmão gêmeo na jaula do abismo infernal, lacrá-lo junto com os quatro cavaleiros do apocalipse que estão aprisionados nos quatro cantos infernais, mas serão libertados à meia noite se meu inimigo vencer.
— Por que você me ajudaria? Por que quer prender seu próprio irmão? — Era natural de Dean não acreditar em ajuda de forças superiores.
— Você é o meu receptáculo. Nascido sobre a estrela Atila. A mesma criada pelo meu pai quando eu nasci. Assim como o Sam é sua alma gêmea, Lúcifer também é a minha, mas apesar de amá-lo com todo meu entendimento angelical, não podemos ficar juntos. Ele escolheu o lado negro dos sentimentos.
— Então, você e Lúcifer, assim como Sammy e eu...
— Sim! Assim como você e seu irmão. Ambos nasceram sob nossas estrelas. Eu sou aquele a quem chamam de "espada da justiça" e simbolizando toda minha glória, minha espada da justiça forjada com a força do universo no momento da minha criação, ressurgirá novamente para que aconteça o confronto definitivo entre meu irmão e eu.
— E por que você está me contando isso? — Perguntou desconfiado.
— Porque sei o que você mais ama e o que mais quer: o seu irmão caçula. Eu posso dá-lo para você e ainda me ajudará a salvar a humanidade que está sendo atacada pela fúria de Lúcifer.
Não tinha mais o que entender ou decidir. Agora sabia sua importância para o arcanjo Miguel e o porquê dele e Sam serem os escolhidos. Eram almas gêmeas assim como Miguel e Lúcifer. E, como ambos nasceram sobre as estrelas anunciadoras dos dois arcanjos, capitando suas essências no momento de seus nascimentos, eram os escolhidos para deixar que os irmãos angelicais os adentrassem decidindo assim o destino do mundo.
— Miguel, eu o aceito em meu corpo. Por favor, salve meu Sammy!
De repente, uma luz cintilante, mesclada entre o dourado e o branco, surgiu, preenchendo não só a igreja, mas fazendo-se notar em todas as imediações do cemitério, assustando os caçadores amigos de Dean que continuavam matando zumbis.
Mesmo sendo um arcanjo, Lúcifer fechara os olhos devido ao brilho ofuscante daquela luz, pois ela era superior a sua. Ao abri-los novamente, seu irmão, o arcanjo Miguel estava parado a sua frente. Ele possuíra o corpo de Dean Winchester.
— Como vai, irmão! — O arcanjo da justiça o cumprimentara impassível.
— Miguel! — Os dois olhavam-se profundamente.
— Permita-me demonstrar minha gratidão, irmão. — O ser desferiu um golpe de seu tridente a uma velocidade vertiginosa, mas o arcanjo da justiça era mais ágil e o interceptou. Miguel segurava sua espada, símbolo de sua justiça e benevolência para com os arrependidos.
— Desde o início dos tempos, você me trancafiou em um abismo de fogo e solidão. Você e essa entidade inferior me trancafiaram no inferno, mas agora eu voltei, maninho! Voltei para me vingar e quando acabar com vocês dois será a vez dos humanos que você e o papai tanto defendem. — Suas palavras continham ira, apesar da maneira sutil que as falava.
— Lúcifer, eu te amo e sempre vou amá-lo, mas essa sua raiva pelos humanos e agora por nós, sua família, está te afastando cada vez mais da luz. Nós somos irmãos e juntos seremos completos! Eu imploro, desista de... — Um novo golpe contra o arcanjo da justiça foi desferido, mas dessa vez foi a deusa da sabedoria que o interceptou. Até então, ela tinha preferido se omitir da conversa deles. Sabia o quanto se amavam, mas não se perdoavam.
— Concentre-se Miguel! Sei que ele é seu irmão. Porém, Lúcifer não hesitará em nos destruir. E se falharmos, a humanidade também será destruída. — A deusa ainda se mantinha em frente ao arcanjo e amigo, protegendo-o com seu escudo.
— Que discurso adorável! Sinceramente me comove a amizade de vocês. Vocês são patéticos! — Bradou o ser das trevas.
De repente, uma rajada de vento cortou o lugar e o odor podre dos corpos jazidos naquele cemitério, misturados ao odor de enxofre, aumentava gradativamente.
— O que significa isso, Lúcifer?
— Desculpe-me irmãozinho! Você esqueceu que aqui na Terra os humanos são monitorados pelo tempo e o espaço? Simplesmente faltam apenas cinco minutos para que minhas forças voltem totalmente. Teve sua chance para me destruir, mas como sempre, preferiu jogar conversa fora.
Miguel e a deusa Athena estavam estáticos. Esqueceram-se desse detalhe. Há milênios não pisavam sobre a Terra.
— Palas, se falharmos...
— Eu sei Miguel.
Em uma compreensão mútua, as duas divindades se posicionaram: Palas Athenas em frente a Miguel, empunhando seu escudo e este segurando a espada, cruzou-a sobre a arma da deusa. Ambos evocaram os chacras dos corpos que habitavam. Eles eram um meio para expandir seus poderes na Terra sem que ela fosse destruída por serem seres superiores.
— Jura? Vão usar o mesmo golpe que me trancafiou no inferno da última vez que brigamos? Sinto muito decepcioná-los, mas não vão conseguir me aprisionar novamente.
— Não subestime o humano que está possuindo, irmão. Não é mesmo, Sam winchester?
— O quê? Do que você está falando?
— Da última vez que nós lutamos, estávamos no céu e não tínhamos necessidade de corpos físicos. No entanto, devido a sua expulsão do paraíso, você perdeu sua forma angelical, obrigando-nos a abdicar da nossa, temporariamente, para lutarmos contra você. — Explicou Athena.
— A forma que você escolheu, quando deu início a profecia, é de um dos humanos que você tanto odeia. Porém, esqueceu que eles são guardados por sete pontos luminosos que nós não temos: os chacras.
— NÃO! ISSO QUER DIZER QUÊ... — Gritou desesperado.
— Sim, irmão! Eu acordei Sam Winchester dentro de você e ele me deixou invocar seus pontos de luz.
Uma onda de luzes coloridas crescia em todo o corpo do caçula Winchester, envolvendo-o. E, embora Sam ainda não tivesse assumido o controle do próprio corpo, em sua mente apenas um nome era proferido repetidamente: Dean Winchester.
— NÃO! VOCÊ É UM MERO HUMANO, GAROTO! EU VOU TE DESTRUIR!
— Acho que não, Lúcifer.
Como Tinham permissão dos corpos que habitavam, Palas e Lúcifer alinharam energeticamente os chacras de seus receptáculos, unindo-os ao de Sam, direcionando toda essa força para a espada de Miguel. A lâmina forjada pela força do universo era a única que podia derrotar outra força também forjada pelo universo: o tridente do ex-arcanjo de Deus.
— Não!
— Ι, θεά της σοφίας, να κατευθύνει τις προσπάθειές μου για λογαριασμό της δικαιοσύνης γι 'αυτό μαζί με τη σοφία, τελικά απαλλαγή της ανθρωπότητας από το κακό. — As palavras da deusa grega invocaram suas defesas.
Ego, Archangeli Michael, gladio iustitiae, redirect operam ad hoc gladium significat iustitiam caeli et misericordiam cum compunctus entia. Hostis generis humani fata signavit. — O arcanjo da justiça finalizou a invocação dos seus poderes de ataque.
— MALDITOS!
Lúcifer tentou explodir o receptáculo intencionando fugir das divindades, escondendo-se em uma das infinitas células do corpo de Sam, caso ele fosse morto, mas a deusa grega da sabedoria, imobilizou-o com a luz dourada de seu escudo, aprisionando o ser no corpo do garoto.
Tamanho esforço do receptáculo enfraquecera o corpo físico de Enya e a deusa para não prejudicá-la deixou-a de imediato. A cantora caiu no chão. Estava consciente, embora não enxergasse bem devido a grande quantidade de luz do lugar. Olhou rapidamente para Miguel no corpo de Dean fechando os olhos em seguida.
— Mantenha os olhos fechados e corra sem olhar para trás. Athena ainda está aqui. Ela a guiará até a saída.— As palavras de Miguel ecoaram em sua mente. Ela fez o que lhe foi mandado, apesar de tropeçar pelo caminho e mal se aguentar em pé.
— Enya! Você está bem? — Bob veio a seu encontro quando a viu sair da igreja. Ele acabara de matar três zumbis quando a avistou.
— Segure-se em mim e feche os olhos. Vou protegê-la enquanto luto.
A mulher o abraçou por trás, baixando a cabeça e fechando firmemente os olhos. Os barulhos que os mortos vivos faziam não eram nada impressionantes.
Enquanto isso, no interior da igreja, Miguel havia quebrado o tridente de Lúcifer com sua espada e depois cravara-a no coração do jovem Winchester. Athena, que saíra do corpo de Enya, envolveu o garoto evitando sua morte. O gesto serviu apenas para arrancar o ser das trevas do receptáculo. Ele foi sugado pelo mesmo lugar que saiu. A velha fonte desativada.
— NÃÃÃÃÃÃO!
Com um estrondo, o ex-arcanjo de Deus adentrou o abismo infernal caindo até sua cela. Miguel e Athena se encarregaram de que o servo mais fiel dele fosse arrastado também. Lilith, ainda imobilizada pela flecha de Dean, fora sugada do meio do exército de mortos-vivos que comandava caindo junto com seu mestre no inferno, para sempre. Selando assim qualquer possibilidade da volta de ambos a Terra.
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Jo, Hellen, Ruffus e Bob lutavam duramente. O chão era um amontoado de corpos dos mortos abatidos ou parte deles. Embora fossem maioria, as criaturas não eram páreo para a agilidade e força dos caçadores.
Enya, que há minutos atrás se juntara ao grupo, soltou-se do caçador recebendo dele um rifle que atirava balas de prata e sob sua proteção, ajudou-o a derrubar alguns mortos-vivos.
No entanto, pararam quando Lilith fora arrancada do corpo da mulher que possuíra. Ficaram abismados ao ver a fumaça negra escapar pela boca da senhora usada pelo demônio maior. Todos os zumbis caíram ao chão completamente inertes, mortos pela segunda vez. Não havia mais o feitiço que lhes dava vida e os incitava a lutar.
Mas, o que parecia uma ajuda vinda do alto, tornou-se um pesadelo para Enya ao ver a igreja em que Sam e Dean estavam explodir. Lançaram-se ao chão buscando se protegerem das labaredas de fogo atrás dos amontoados de corpos.
— MEU DEUS, NÃO! MEU FILHO! NÃO!
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Uma reação em cadeia, devido à junção de poderes das divindades formou-se como uma bomba relógios que em segundos explodiria tomando proporções catastróficas para o mundo.
Os arcanjos Miguel e Rafael, após a passagem de Lúcifer ser selada em definitivo, desceram à igreja mesmo em seus corpos celestes e, junto com a deusa Athena, os dois arcanjos não conseguiram evitar a reação em cadeia, mas ela se deu apenas nas imediações da igreja enquanto Miguel protegia os Winchesters. A explosão aconteceu no exato momento em que o relógio dos homens marcava meia noite.
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Enya chorava abraçada a Bob. Estava inconsolável. Acreditava que seu filho Sam e o irmão Dean estavam mortos.
— Eu o perdi, Bob. Perdi o único amor que me restou nessa vida!
Os outros caçadores estavam de cabeça baixa. Resumiam-se apenas a escutar o criptar alto do fogo que consumia a igreja e os lamentos chorosos de alguém que tanto lutou por quem amava, assim como Dean lutara até o fim.
— Não está sozinha nessa perda. Você perdeu um filho e eu perdi dois.
O homem também chorava. Aqueles garotos eram amados por ele como filhos. Eles foram o motivo de uma vez quase meter uma bala na cabeça de John Winchester, pois Bob o considerava um mal pai.
— Bob, Enya, olhem!
Os dois, que até então estavam abraçados, apoiando-se um no outro, olharam em direção à voz de Hellen. Ela apontava para o que antes era a entrada da igreja. A cena presenciada era impressionante.
Dean caminhava devagar em direção a eles carregando Sam inconsciente em seus braços. Apesar de ter sido desperto pelo arcanjo Miguel quando Lúcifer ainda o possuía, a luta interna que travou para se livrar do maligno dominou suas forças, levando-o a um profundo estado de inconsciência, apesar de está vivo.
Uma luz, mesclando o branco puro e o dourado, envolvia os jovens. Dean cruzara o fogo carregando Sam, desde o interior da igreja, local da explosão, envolvido pelo poder do arcanjo. Em sua mente uma máxima gritava com urgência: lutar pela recuperação do seu Sammy para que quando acordasse, o loiro pudesse mostrar para ele o que era a felicidade.
Continua...
Boa noite!
Aqui está o penúltimo capítulo de Almas acorrentadas, como prometido. Sexta-feira dessa semana, postarei o último capítulo. Aguardo os comentários de vocês.
Ainda hoje, às 20:00 horas, postarei o capítulo 38 de Sweet August. O capítulo 38, dependendo dos rewies, será postado nessa quarta-feira.
Amanhã, postarei o capítulo 2 de Erros do passado.
Conto com o apoio de vocês.
Beijos e um excelente início de semana.
Respondendo aos rewies:
Patrícia Rodrigues - Obrigada, pelas suas palavras, Patty! Fico feliz que tenha gostado. confesso que também gostei mais da minha fic quando exaltei o amor tão forte que os irmãos sentem um pelo outro. Beijos, amiga! Leu minha MP?
Elisete - Obrigada pelos rewies duplos. Você é uma das leitoras que muito me apoia. Sim! A fic já está acabando. Acho que ela já rendeu o que tinha que render, contei nela tudo o que tinha para contar, entende? Mas, fico muito feliz que tenha gostado. É bom escrever algo que toque o leitor. Beijos, querida!
Jade - Oi! Que bom que não abandonou as histórias e que pena que não deu para comentar os capítulos passados. Obrigada por suas palavras, sério mesmo. Puxa! Querer que o capítulo passado fosse um capítulo da série, isso é muito legal. Obrigada querida! Espero que goste do penúltimo capítulo. Muitos beijos.
