Capítulo 21

Quando Lúcifer foi preso novamente na jaula do abismo de fogo junto com Lúcifer, Sam Winchester que ajudara internamente a Miguel estava enfraquecido pela força exercida de dentro para fora do seu corpo. O jovem permitira a ativação de seus sete chacras pelo arcanjo da justiça. Então, quando a espada dele adentrou seu peito lhe ferindo o coração, perdeu-se em meio à dor e o esforço físico excessivo entrando em um profundo estado de inconsciência, sendo amparado pelos braços de Miguel que junto com a deusa Athena e seus irmãos Rafael e Gabriel evitaram que a reação em cadeia de tanto poder superior explodisse o planeta. A explosão foi resumida apenas àquela velha igreja. Ela queimava arduamente e quando o fogo apagasse apenas o pó restaria em meio àquele tenebroso lugar.

Em meio à explosão, o arcanjo abandonou o corpo de Dean. Um pouco desnorteado, o jovem sentiu seus braços pesarem e ao olhar observou preocupado o semblante frágil e indefeso de seu irmão caçula inconsciente.

Dean Winchester, não se preocupe com Sammuel Winchester. Lutar contra meu irmão dentro de seu corpo minou suas. Ele precisa apenas de cuidados. — sussurrou o arcanjo Miguel no ouvido do jovem caçador.

— E esse fogo? Como saiu sem que ele machuque meu Sammy e a mim? — perguntou em voz alta por conta do barulho da velha igreja em chamas.

— Não se preocupe! Continuarei a envolver você e seu irmão junto com a deusa Athena. O fogo não os atingirá. Vá! E seja feliz ao fazer quem ama feliz.

O rapaz agradeceu mentalmente a ajuda das divindades. Retirou-se do lugar observando as colunas e objetos a sua volta sendo consumidos pelas chamas. Seus passos eram rápidos e precisos. Não via a hora de sair daquele dali e recomeçar a vida ao lado de quem mais amava.

E enquanto Rafael, Gabriel, Miguel e Palas Athenas controlavam o fogo, o jovem caçador alcançava a saída fitando os rostos abismados de Hellen, Jo e Ruffus que ao vê-los avisaram para Enya e Bob que choravam abraçados. O loiro sorriu diante da expressão de felicidade dos dois mais velhos depois que eles o viram junto com Sam em seus braços.

— MEU FILHO! — O grito de Enya se fez ouvir apesar do barulho.

— Calma, Enya! Ele vai ficar bem! Precisa apenas de cuidados médicos. — disse Dean à mulher quando ela correu em sua direção junto com Bob.

— Garoto! Você está bem? Feriu-se? Precisa de algo? — Preocupado, o mais velho não parava de fazer perguntas.

— Não seja um velho chato, Singer! Não está vendo que o rapaz está bem? Vamos logo sair daqui! Este lugar é muito doido para meu gosto!

As palavras de Ruffus arrancaram algumas risadas dos presentes menos do Winchester mais velho que olhava preocupado para o rosto cada vez mais pálido de seu caçula.

— Querido, ele vai ficar bem! Acredite! — olhou para a voz gentil que lhe falava. Era Hellen.

Os três seguiram em direção à saída e lá, escondida em uma clareira próxima ao Cemitery Eternal Home, estava o jatinho particular roubado por Dean.

— Para onde vamos levar o Sam? Não podemos simplesmente chegar e invadir um hospital para que o garoto seja cuidado por um médico.

As palavras do homem lhe acordaram lembranças de alguém que demonstrou simpatia por seu irmão desde a primeira vez que o viu. Sorriu com a lembrança, pois o jeitinho doce de Sam realmente encantava as pessoas.

Flash back on...

Por favor, rapazes! Deixe-me ajudá-los! Prometo que não vou contar nada a ninguém! Sam, deixe-me ajudá-los!

Pediu ao garoto gentil que sentia prazer em ter conhecido e poder ajudar.

Eu sinto muito, mas isso não será possível! — Dean nem se quer deixou o irmão responder ao pedido do médico.

O doutor sabia que não tinha como argumentar com o mais velho dos irmãos.

Tudo bem! Deixe-me pelo menos etiquetar o material coletado?

O loiro concordou.

E assim ele fez. Etiquetou sigilosamente as amostras sanguíneas de Sam e Enya colocando-as em um lugar reservado no armazenamento. Quando passasse o efeito do sedativo, terminaria o que começara antes de ir para casa.

Depois de organizar seu laboratório e ligar para a esposa, Jonh entregou um cartão ao jovem winchester antes de tomar o remédio.

Se eu poder ajudar de alguma forma, qualquer forma, não exite em me procurar, garoto. Eu o ajudarei. Até mesmo a você.

Dean revirou os olhos quando o doutor se referiu a ele.

Obrigado, doutor John. — Após agradecer pelo cartão, guardou-o na carteira.

Flash back off...

— O que faremos? Vamos invadir um hospital e pedir que algum médico atenda imediatamente o Sam? — Ruffus perguntou sarcástico.

— É justamente o que vamos fazer Ruffus. — Dean respondeu sério à pergunta do velho caçador, pois se tinha algo com que não brincava era com o bem-estar daquele que amava.

— Como assim! Seremos presos. E se ainda formos procurados pela acusação de sequestro à senhora Bhraonáin? E se o empresário que teve esse jatinho furtado prestou queixas à polícia? Por acaso ficou louco, garoto? — perguntava aflito enquanto os outros caçadores, em silencio, observavam a conversa dos dois.

— Sinceramente, Ruffus, a minha única preocupação é com o meu irmão.

General Hospital of Independence, meia noite cinquenta e cinco.

Eithan Jonh Hernant era médico chefe no General Hospital of Independence há mais de vinte anos.

Há alguns dias o doutor fora abordado no estacionamento do hospital por Dean Winchester quando saia do seu horário de plantão. Fora ameaçado de morte se não salvasse a vida de Enya Bhraonáin, a cantora irlandesa mundialmente famosa que ferida e inconsciente recebera cuidados de Sam, cuja doçura, educação e meiguice despertaram um total sentimento paternal no homem em relação ao garoto. Até mesmo Dean, mesmo o tratando de maneira arrogante caiu nas graças de Eithan, pois ele reconheceu o cuidado e o carinho que o mais velho dos irmãos dedicava ao caçula.

Então, quando o loiro adentrou aflito o hospital carregando o garoto Sam, inconsciente em seus braços, correu em direção ao médico assustado, apesar do que dissera o arcanjo Miguel.

— Por favor, doutor! Meu irmão, minha vida, meu amor... — jogava as palavras. Falava rápido completamente dominado pelo medo de que algo pior acontecesse ao amor de sua vida.

— Enfermeiros, tragam uma maca! Elise prepare a sala de exames e a de cirurgia, agora!

— Cirurgia? — o loiro perguntou temeroso.

— Calma, Dean! É para o caso de precisarmos.

Em segundos os dois enfermeiros chegaram com a maca acomodando o jovem inconsciente. Eles seguiram rapidamente para a sala de exames acompanhados pelo doutor. Elise já estava lá à espera de ambos.

— Não Dean! Você não pode entrar! — foi firme ao barrar o jovem.

— É o amor da minha vida que está ai! Não pode me impedir de ficar ao lado dele. — pouco se importava com o que os outros pensassem ao declarar abertamente sua preocupação com o amado. No entanto, surpreendeu-se com o que ouviu do mais velho. Esperava ser tratado com grosseria.

— Acredite! Eu sei o quanto você o ama e é correspondido. E em nome desse amor, apenas peço que espere. Sam precisa de cuidados e o quanto mais rápido melhor!

Ao ouvir as palavras gentis e sinceras do doutor, sentiu também uma mão pousar gentilmente em seu ombro. Olhou para trás encontrando o rosto compreensivo de Bob.

— Ele tem razão, filho! Tudo o que podemos fazer é esperar. Tenha fé!

Mesmo relutante o loiro aceitou, afastando-se da porta da sala de exames.

— Vou cuidar dele, Dean! Dou-lhe a minha palavra de que cuidarei dele como se fosse meu próprio filho.

O loiro assentiu sorrindo timidamente. E quando as portas da sala em que seu irmão estava fecharam, encaminhou-se à sala de espera sentando em uma cadeira próxima a janela e encostando os cotovelos nas pernas, baixou a cabeça.

Miguel, espero que cumpra com o que me prometeu.

Enya e os outros caçadores seguiram-no sentando ao seu lado. Todos estavam silenciosos. Sabiam e respeitavam a preocupação do mais velho.

Três horas depois...

Após vários exames, doutor Eithan constatou que o caçula Winchester não tinha nada quebrado no corpo, nem mesmo uma luxação, no entanto ele entrara em um estado de inconsciência profunda sem causa nem motivo aparente. Isso levou o médico a questionar o que acontecia com o garoto, pois em todos os anos de profissão que carregava como experiência nunca vira algo assim. O coma em que ele se encontrava era algo incomum.

Ao cruzar as portas da sala de exames encontrando a expressão aflita dos familiares e dos amigos do moreno, mediu as palavras antes de falar:

— Dean, Senhora Bhraonáin,Sam Winchester passou por vários exames em partes do corpo específicas e não foram encontradas nenhuma sequela, nenhum osso quebrado ou ferimento interno.

— Mas... — Dean entendeu o raciocínio do médico.

— Mas ele está em coma e sinceramente eu não sei como ajudar. Aparentemente Sam não tem motivos para está assim. Seu corpo está perfeitamente saudável.

— Como não sabe como ajudar? Meu filho está em coma e o senhor simplesmente diz que não sabe como ajudar? — Enya esbravejou.

— Senhora, eu o encaminhei ao melhor quarto de repouso que temos nesse hospital. Ele receberá por via venosa, uma bolsa de soro a cada duas horas para mantê-lo hidratado. Também será alimentado por líquidos caso demore mais a acordar. É só o que se pode ser feito no momento além de aguardar.

— O senhor tem certeza disso ou está querendo deixar o meu filho na mão? — aumentou o volume da voz.

— Senhora Bhraonáin,acalme-se! — o doutor pediu gentil.

— Como posso me acalmar? É do meu filho que estamos falando! Depois de todos esses anos procurando-o! — Esforçava-se para não chorar.

A discursão entre Enya, com os nervos à flor da pele e o doutor rendeu mais alguns minutos. No entanto Dean não fazia ideia do que falavam, muito menos o que os outros caçadores diziam na tentativa de apaziguar a situação. Em sua mente apenas o nome de seu Sammy gritava com urgência e a promessa que Miguel lhe fizera se o ajudasse a enviar novamente Lúcifer para o inferno. De repente falou com segurança chamando a atenção dos presentes:

— Eu quero ficar ao lado do meu irmão até ele acordar.

— Dean... Sei como está preocupado, mas não será possível!

— Por favor, doutor! Sei que o Sammy vai acordar e quando isso acontecer eu quero está ao seu lado. Eu imploro! Em momento algum lhe ameaçarei ou permitirei que alguns dos presentes nessa sala o ameasse. Só quero ficar ao lado do meu irmão. Não posso deixá-lo sozinho, principalmente nesse momento quando ele mais precisa de mim!

Olhou paternal para o rapaz que um dia julgou ser bandido. Ali estava o verdadeiro Dean Winchester, um rapaz forte, corajoso e valente, mas muito sentimental e dedicado quando se tratava do irmão caçula. Concluiu para si mesmo enquanto analisava o pedido dele. Sabia das regras do hospital e do fato de ninguém poder está ao lado de um paciente em coma. Porém, abriria uma exceção e deixá-lo-ia entrar e velar o sono de quem mais amava. Quem sabe isso não ajudaria mesmo o garoto a acordar?

— Tudo bem Dean! Vou abrir uma exceção para você porque acredito que sua presença ao lado de Sam vai ajudá-lo a se recuperar.

— Obrigado, doutor! Obrigado mesmo! — olhou para Enya, que mais calma devido aos conselhos de Bob, sorriu sincera para o loiro ao mesmo tempo em que com um aceno de cabeça lhe deu uma muda confirmação. Ela entendia o quanto os dois se amavam, o quanto precisavam um do outro. Esperaria. Quando Sam se resolvesse com o homem que amava, então poderia conversar com ele, explicar-lhe o que realmente aconteceu.

Doutor Heithan levou Dean ao irmão. Era hora de cobrar a Miguel o que ele prometera.

Sam Winchester em sua inconsciência.

Sam caminhava tranquilo por um vasto jardim pontuado por belas e coloridas flores, desde os modelos mais simples aos mais sofisticados. O sol que aquecia o lugar não lhe queimava a pele, o vento frio que soprava errante lhe bagunçavam os cabelos, os pássaros voando em bando saudavam a beleza daquela manhã entoando uma linda melodia.

Há mais de três horas o jovem estava em um profundo estado de inconsciência, mas no lugar em que se encontrava o tempo não existia, muito menos o vazio e a escuridão. Lá, as manhãs eram contínuas e a beleza apenas crescia além daquele lugar.

O moreno caminhava maravilhado admirando as belezas naturais, pois nunca vira tamanha harmonia e colorido pelos lugares que passara e olha que passara por muitos, já que por vezes precisou sair dos Estados Unidos junto com o irmão indo até onde o perigo se encontrava.

Dean!

O nome do amado foi sussurrado tristemente. Acreditava que ele o odiava. Acreditava que jamais o perdoaria pelo que foi feito contra sua família pelo fato dele ser o escolhido de Lúcifer desde antes do seu nascimento.

Que saudades eu senti de você minha criança! Às suas costas ouviu a voz calma e doce de uma mulher. Ao virar-se, reconheceu-a das fotos que Dean sempre lhe mostrava.

Mamãe?

Sim, querido! Sou eu, sua mãe!

Mary aproximou-se mais do filho e o envolveu em um abraço. O garoto se refugiou em seus braços. Chorava de tristeza pelo passado da família Winchester e de alegria por conhecer pessoalmente aquela que o amava como filho.

Perdoe-me, mamãe! O John me contou tudo. Você morreu por minha causa, por tentar me devolver para minha mãe biológica, por eu ter sido o escolhido de Lúcifer, por... A mulher afastou-o de seu abraço e ergueu gentilmente uma das mãos pondo-a sobre os lábios dele.

Menino... Nada disso é verdade! O John deixou a raiva lhe subir a cabeça, procurou alguém para descontar a frustração que sentia, então escolheu você. Mas saiba meu menino, que o fato de na Terra não termos o mesmo sangue nunca influenciou no fato de você ser meu filho, meu anjinho lindo! olhava-o com ternura acariciando seu rosto.

Na noite em que eu dei a luz à criança cujo sangue dos Winchesters corria nas veias, também recebi uma nova luz em minha vida. Você, meu menino lindo!

Sam sorriu mais calmo diante daquelas palavras sinceras. Conhecera Enya e a bondade que ela carregava consigo e agora estava conhecendo sua outra mãe, aquela que os demônios envenenaram seu bebê antes dele nascer, a mesma que os demônios tiraram a vida por tentar devolvê-lo a sua mãe biológica.

Eu te amo, Sammy! Estamos ligados por um vínculo ainda mais profundo que o de sangue; o vínculo de alma. Sei que você entende, pois como caçador deve ter lido sobre isso. O jovem confirmou o que ouvira.

Estamos ligados, Sammy! Sempre estaremos!

Quer dizer que a senhora não me odeia? Eu tenho o seu perdão?

Mary sorriu e acariciou ainda mais o rosto do moreno, antes de responder:

Eu não tenho o que te perdoar minha criança! O que aconteceu comigo eu passaria novamente se fosse preciso. Morreria por você, por Dean ou pelo meu outro filho que se foi antes de mim. Faria isso sem pensar duas vezes. Vocês e John são o que de mais importante a vida me deu. Eu os amo!

Dessa vez foi o garoto que a abraçou e as lágrimas que rolaram de seus olhos azuis foram lágrimas que continham a mais pura felicidade, a mais pura alegria. Mary Winchester não o odiava, pelo contrário, ela o amava tanto quanto amava seus dois outros filhos e seu marido John.

Mamãe estou no céu? Estou morto? queria entender o que se passava. Desde que chegara àquele lugar sentia-se alheio às lembranças, com exceção do seu imenso amor por Dean. Lembrava-se de todos os momentos felizes que passara ao lado do loiro principalmente do dia em que se entregara a ele. No entanto, ao ver Mary, as lembranças de tudo o que viveu de bom e de ruim na Terra ao lado de John e dos amigos, surgiram rapidamente em sua mente e a velha angústia que sentia desde que o patriarca Winchester lhe esfregara a verdade na cara, apossou-se de si.

Querido, por hora só posso dizer que você terá a chance de escolher o caminho a seguir e que será muito feliz seja ele qual for.

Mãe, não entendo! Quando cheguei aqui só me lembrava do Dean, do quanto eu o amo, de tudo que passamos juntos! Mas ao vê-la, as lembranças de tudo o que passei em companhia com outras pessoas na vida de caçador, inclusive com John, vieram à tona. Por quê?

Querido, você e Dean São almas gêmeas, mas acho que você já sabe disso.

Sim! Eu sei!

Então Sammy é impossível esquecer àquele que faz parte de sua alma, que o completa, que lhe dá verdadeiramente a felicidade que o nosso criador permite existir para aqueles que realmente se amam! Entendeu? explicou-lhe pacientemente.

Ele sente a sua falta, mamãe! Nós dois sentimos.

A mulher nada respondeu. Pôs novamente suas duas mãos no rosto dele e o puxou, beijando-lhe a testa. Olhou-o nos olhos e falou emocionada:

Querido, preciso ir! Meu encontro com você foi para matar a saudade que sentia de ti e para restaurar suas lembranças da Terra, já que você esquecera-se delas porque era isso o que queria. Mas agora é hora de partir. soltou-se do moreno caminhando lentamente de costas, desaparecendo aos poucos.

Mamãe! Por favor, não vá! Eu te amo! era impossível não chorar com a visão de sua mãe o deixando.

Querido, você terá uma escolha a fazer e seja qual for nos veremos novamente. Eu prometo! e sumiu deixando Sam tristonho e chorando de cabeça baixa.

Dean, você sempre sabe o que fazer em situações como essa. Ajude-me irmão!

General Hospital of Independence, quatro e trinta da manhã.

Sentado em uma cadeira ao lado da cama de Sam, Dean segurava sua mão observando seu rosto adormecido e indefeso. Sentia-se culpado pela dor que causara a quem mais amava e repudiava a mera lembrança do pai por ter sido injusto e egoísta com o garoto.

Algo em seu interior se entristecia algo dentro de si remexia-se negativamente. Era como se Sam precisasse de sua ajuda, seu apoio e incomunicável, não tinha como pedir. Isso o preocupava ainda mais. Não admitia o sofrimento de seu caçula, muito menos que o fizessem sofre.

— Espero que esteja bem, Sammy! Espero que esteja apenas dormindo à espera do momento para então voltar para os meus braços.

O mais velho dos Winchesters não podia está mais enganado.

Sam Winchester em sua inconsciência.

Sam continuava caminhando pelo vasto jardim. Sentia um misto de tristeza e alegria. Tristeza por está longe do amor de sua vida e de sua mãe, alegria por tê-la visto e saber que o amor que sentia pelo loiro era mais forte que o véu invisível do esquecimento. Dean foi a única que Mary não precisou fazê-lo lembrar.

Sammy, perdoe-me!

Parou e girou o corpo observando a paisagem a sua volta. Não havia ninguém consigo.

Olá? Silêncio. Continuou a andar.

Sammy...

Por favor, tem alguém aqui comigo? Estava assustado.

Sammy, eu imploro o seu perdão!

Um arrepio lhe percorreu o corpo. Não tinha medo de fantasmas, mas aquela voz, aquela tão desprezível voz era algo que desejava nunca mais escutar.

John? John Winchester? Apareça agora! Eu não tenho medo de você!

Então, como se invocasse o outro de onde estava, uma mancha cinza-escura surgiu a sua frente e foi se abrindo adquirindo proporções semelhantes a uma grande janela. Do outro lado, pessoas rastejavam em lodo sem forças para levantar, outras caminhavam errantes chorando e pedindo ajuda, havia até mesmo aquelas que perseguiam umas as outras e as machucava quando as alcançava, recomeçando a ação sempre que a anterior terminava. Porém, um homem encolhido embaixo de uma grande rocha, sujo e maltrapilho, chorava copiosamente e ao ver os olhos do rapaz que o observava assustado saiu do lugar em que se escondia indo em direção ao que parecia um portal. As lágrimas abundantes que dos seus olhos rolavam perdiam-se em sua barba exageradamente crescida.

Meu filho! Sammy! Perdoe-me! Você não sabe o quanto me arrependo de lhe ter privado de ser feliz ao lado de Dean. o homem soluçava em quanto falava. Sam o observava.

Você não é e nunca foi o filho do demônio. Eu falei aquilo, há sete anos porque quando descobri o que houve entre você e Dean, a mágoa por ter perdido minha mulher e meu filho me segaram e eu só queria fazê-lo sentir como eu estava me sentindo.

O mais velho simplesmente jogava o que sentia. Desesperado, aflito, ansioso por perdão. O jovem, no entanto nada respondia e seu olhar permanecia fixo naquele que um dia chamou de pai.

Eu errei Sammy! Tive medo de devolvê-lo a sua verdadeira mãe quando Mary morreu. Dean podia ser o próximo da lista e eu não podia perdê-lo também. Por favor, entenda! Eu já havia perdido meu caçula, o amor da minha vida e se perdesse também o Dean eu não ia suportar!

Por que está me dizendo isso, John? Por que está me dando uma explicação? Nunca se importou comigo, nunca me amou! resolveu falar. Era impossível esconder a mágoa. Então, de onde estava John se aproximou mais e tentou passar a mão pelo portal que separava o lugar de agonia para o local de paz em que o moreno se encontrava. Não conseguiu. Era como se houvesse uma camada impenetrável, algo que não permitia o contato entre os dois mundos.

Eu também o amo, Sam! Aprendi a amá-lo, a querer seu bem, a desejar sua felicidade. No entanto eu estava ferido demais e deixei o orgulho me segar, refrear a vontade que eu sentia de te abraçar, de envolvê-lo em meus carinhos paternos. Só Deus sabe o quanto me arrependo por ter sido injusto com você.

Acredito! O lugar em que está é realmente pavoroso.

Era difícil perdoar alguém que lhe fizera tanto mal. Não o odiava, mas magoado, não conseguia ver nele a figura de pai, amigo e companheiro, não conseguia enxergar nada além do homem frio e insensível que foi capaz de agir duramente com uma criança que só buscou seu amor, sua paternidade e ao revê-lo, descobrira que isso doía mais do que pensava.

Filho realmente te amo! Você não imagina o quanto dói ver meus erros constantemente passarem diante dos meus olhos e não poder fazer nada para consertá-los. Não imagina o quanto dói saber que fui injusto e não te tenho mais ao meu lado para fazer o certo; ser realmente seu pai!

John é um pouco tarde para dizer que me ama. Enquanto você estava preocupado em me julgar, afastando-me cada vez mais, Bob fazia o seu papel de pai e cuidava de mim. Ele realmente me amou.

Sammy, entenda...

Eu ainda não terminei! Cortou-o.

Infelizmente é tarde para você me assumir como filho, mas não para sair desse lugar. Quero que seja liberto e prometo que farei tudo que estiver ao meu alcance para que seja levado para o lugar onde minha mãe Mary está. Dou a minha palavra.

De repente uma luz branca e intensa surgiu às costas de John iluminando o local no qual antes só se via escuridão e trevas. O mais velho o olhou pela última vez. Sorriu emocionado, pois esperava por isso desde que morreu.

John o que está acontecendo? Sam perguntou assustado.

John?

Sua preocupação aumentou quando a forte luz envolveu o Winchester mais velho levando-o aos poucos daquele lugar. O homem sumia à medida que o clarão aumentava sua intensidade.

Ainda vamos nos reencontrar filho!

JOHN? O QUE ESTÁ ACONTECENDO? Gritava esmurrando o portal que dividia os dois mundos.

Eu o procurarei e da próxima vez serei o pai que você merece. Eu prometo. Sumiu partindo junto com a luz branca, deixando para trás a culpa e o tormento.

Meu Deus! O que vou dizer ao Dean? Ajoelhou-se sentando sobre os calcanhares. Achava que a alma do mais velho havia sido destruída.

Ele vai ficar bem! Não se preocupe Sammuel.

Ao levantar a cabeça encontrou o belo rosto de um homem moreno com incríveis olhos azuis. Seu cabelo castanho emoldurava seu rosto maduro. Ele lhe estendia a mão para ajudar a levantá-lo.

Nossa! Você é alto! o garoto falou ao perceber a altura do desconhecido.

Obrigado! Você também é e pelo que vejo é mais parecido comigo do que com sua mãe, embora tenha herdado a beleza dela.

Estranhou o comentário. Quem era aquele desconhecido? O que ele sabia sobre sua mãe? Apesar de está do outro lado, Sam era um caçador, mas antes que usasse seus reflexos para uma possível defesa...

Não precisa ter medo de mim, Sam! Eu sou seu pai. Seu verdadeiro pai.

Era demais para sua cabeça. Primeiro vira sua mãe, falecida quando ele tinha apenas seis meses de idade, depois John Winchester, pai de Dean e agora aquele desconhecido aparecia de repente e dizia ser seu pai? Os pensamentos giravam em torno da cabeça do jovem que tonto com tantas surpresas sentou na grama verde olhando para suas pernas cruzadas.

Minha criança! Eu entendo que se sinta assim! Quando eu falei sobre sua mãe, eu me referia a Enya Bhraonáin não a Mary Winchester. Eu sou Joe Ferguson.

Sam levantou o rosto. Sim! Ele realmente se parecia muito com aquele a sua frente. Talvez o homem estivesse dizendo a verdade.

Meu filho! Sinto tanta falta de sua mãe! Sinto muito por não ter tido a oportunidade de criá-lo ao lado dela. Enya sempre foi e sempre será a mulher que amo.

Então é verdade! Você realmente a amava! As poucas vezes que ela falou sobre você eu sentia tanto carinho, tanto amor! o garoto falou emocionado.

Sam, ela e eu temos o mesmo sentimento que você e Dean têm um pelo outro. Somos almas gêmeas, assim como você e ele são.

Então o senhor sabe? Sabe que Dean é outro homem como eu?

Querido, não existe essa história de homem e mulher. As almas gêmeas apenas precisam se reencontrar e viverem o amor que sentem. Sua mãe e eu fomos abençoados, pois além do imenso amor que temos ganhamos como presente um filho lindo e que também merece toda a felicidade do mundo.

Aquele que lhe falava docemente, que sentou-se sobre a grama em sua frente conversando consigo, olhando-o nos olhos era mesmo uma boa pessoa e apesar de não conhecê-lo profundamente, sentia algo bom emanando dele.

Joe, pode me dá licença? É hora de Sam fazer sua escolha.

Sammuel olhou em direção a voz e contemplou a figura de um jovem loiro, de profundos olhos azuis, cabelos curtos e arrepiados. Devia ter sua idade. Ele se parecia muito com Dean. O moreno também observou que o garoto vestia uma túnica branca igual a de Joe e agora puxando pelas lembranças recentes, Mary também vestia um longo vestido branco.

Quem é você? E por que todos neste lugar vestem branco?

Arrancou risadas dos dois pela inocência em sua pergunta. Apesar da experiência que Sam tinha na Terra como caçador sua curiosidade se assemelhava a de uma criança que descobre as coisas a cada dia.

Sam, sou Adam Winchester, o bebê de Mary e John que nasceu morto.

Ao ouvir aquilo o jovem levantou de supetão pondo-se em frente a Joe na intensão de protegê-lo. Olhou desafiadoramente para o outro.

Não se preocupe irmão! Ferguson é meu amigo desde que chegou aqui no céu após sua morte.

O quê? Como assim? sua expressão era de pura dúvida ao se voltar para o pai.

Querido, ele vai explicar tudo o que você tem que saber. Vá! E se decidir voltar para o mundo dos vivos dê um recado por mim a sua mãe, diga a ela que eu a amo e que estarei esperando-a. Sempre vou esperá-la.

Ferguson abraçou o filho passando suas duas mães nas lágrimas quentes que banhavam seu rosto. Beijou sua face direita e sumiu.

Não se preocupe Sam! Ele está aqui no céu e agora, graças ao seu perdão, meu pai também está. Joe e eu cuidaremos pessoalmente da reabilitação de sua alma. Não tema e venha comigo. Vou explicar-lhe tudo o que aconteceu.

Adam falou sobre sua morte. Ela não fora premeditada, mas o céu se apropriou da maldade dos demônios transformando a tragédia em bondade, permitindo o reencontro entre duas almas gêmeas; ele e Dean winchester. Falou também sobre a proteção angelical a Enya logo depois que ele fora sequestrado por seu avô paterno. Se o céu também não agisse a mulher estaria morta, impossibilitando o futuro confronto da deusa Athena ao lado de Miguel contra Lúcifer. Por último mostrou a imagem do colar que Sam ganhara quando tinha dez anos de idade, o mesmo que com carinho deu ao irmão. Ele fora presente de uma senhora aparentemente idosa e muito gentil. Ela nada mais era do que Lilith disfarçada. O demônio possuiu a anciã apenas para que a bijuteria fosse dada ao garoto selando assim o seu vínculo com o sangue maldito. O que os demônios não esperavam era que o menino daria como presente a joia que a senhora tanto insistiu que ele usasse.

Eu não sabia que ela era um demônio. Se eu soubesse jamais teria dado ao meu irmão. Justificou-se envergonhado.

Eu sei e graças ao seu gesto altruísta, os anjos puderam te rastrear e te proteger, embora eles fizessem de tudo para manter você e Enya afastados. Nunca deixariam você, Dean ou sua mãe morrer, mas temiam que quando chegasse o momento de cumprir a profecia, os laços que une vocês três o fizessem dizer não aos seus receptáculos. Na verdade vocês só deviam saber a verdade após o confronto final, mas os demônios como pode perceber, usaram de muita trapaça para que o "pai" deles vencesse, felizmente não deu certo.

E agora? O que vai acontecer?

Primeiro, quero que você veja algo. Depois, como disse, terá uma escolha a fazer.

Continua...


Boa noite, meus amores!

Finalmente estou postando uma fic depois de dias de atraso. É que a inspiração não bateu por isso que oo capítulo não saiu antes.

Então, aproveitando os "bons ventos" resolvi terminar a fic em mais uma capítulo. O próximo capítulo vai ser 90% dedicado ao amor entre Sam e Dean. Afinal, eles merecem.

Sexta-feira, posto sem falta o capítulo 22 e o capítulo 43 de Sweet August. Quanto a fic Erros do passado, teremos atualização segunda-feira.

Conto com seus comentários e muiot obrigada pela participação de vocês que tem crescido muito. Agradeço aos antigos leitores que sempre comentaram e aos leitores que estão saindo do anonimato e comentando.

Beijos a todos e uma ótima noite de quarta-feira.


Respondendo aos rewies:

Elo Czelusniak - Desculpe-me pela demora em postar esse capítulo. Prometo que nessa sexta-feira sairá o capítulo final. Beijos e adorei que tenha comentado o capítulo 20 duas vezes. kkkkkkkkkk Espero te ver mais nos comentários.

Ricardo - Oi, querido! Desculpe-me pela demora. Espero que goste do capítulo e decide terminar a fic apenas no capítulo 22. Beijos querido e obrigada por ter comentado. Espero-te mais vezes.

Patrícia Rodrigues - Obrigada por sempre me dá o prazer de suas palavras de apoio e incentivo. Você é uma pessoa muito legal e tenho muito carinho por você. Quanto a fic, decide terminar somente no capítulo 22, pois agora o Sam tem mãe e pode ser feliz ao lado do homem que ama. Beijos, linda!

Perola - Aquele burro é mesmo muito engraçado, não é? Ele sempre dá um fora, mas é um amigão. E sim! Achei bem legal escrever a cena em que o Dean sai do fogo carregando seu amado nos braços. O lindinho do SAmmy, apesar de caçador, é tão indefeso... Mas ainda bem que ele tem aquele loirão para amá-lo e protegê-lo. kkkkkkkkkk. E realmente, Bob e Enya mereciam a felicidade por verem seus filhos sãos e salvos, sem dúvidas. Obrigada por seu carinho sempre! Beijos querida!

Casammy - Querida, agora eles vão ser felizes juntos e nada nem ninguém vai atrapalhar ou se intrometer nessa felicidade. Fique tranquila! Espero qe tenha gostado do capítulo, pois ele era preciso para explicar alguns porquês. Beijos, linda!

Elisete - Que bom que gostou! Às vezes acontece isso comigo também. Visualiso a roupa do personagem em quanto estou lendo. Agora, esses dois são mesmo lindos juntos, não é? Quanto ao Cd, sou fan da Enya e acho ela o máximo. Uma verdadeira expressão artística. Beijos, linda!