Capítulo 22 — O despertar

Dean observava o rosto adormecido de seu irmão. Como o amava! Como almejava tê-lo novamente em seus braços ouvindo seus gritos de puro prazer enquanto o possuía vorazmente!

Olhava-o e em seu íntimo temia que o arcanjo da justiça não cumprisse com sua palavra. O que faria sem aquele garoto desengonçado em sua vida? Saberia viver sem o calor de sua existência perto de si? Mesmo quando o jovem se afastou poucos dias após se amarem, sabia que o tinha por perto são e salvo, isso lhe dava força e esperança para seguir em frente na vida de caçador; força para lutar contra tanto mal que havia no mundo, esperança de um dia seu amado deixar de lado o medo que sentia e entregar-se novamente a ele de corpo e alma.

— Sammy... Eu te amo tanto! Volta para mim!

Apoiou os cotovelos na cama aproximando-se mais do garoto. Segurou as mãos dele entre as suas.

— Por que essa demora, meu amor? Por que você não volta?

As horas se arrastavam, mas para Dean às cinco horas em que seu Sammy estava em coma era como se o garoto estivesse cada vez mais próximo da morte.

— Perdoe-me por tê-lo deixado sozinho! Eu precisava pensar com clareza em tudo que ouvi de Lilith! Precisava entender! Eu nunca te abandonaria, Sammy! Por favor, irmão, perdoe-me se foi isso que você pensou.

Miguel prometera trazer o caçula Winchester de volta, disse também que ele estava bem, só precisava de alguns cuidados. Então, por que o garoto não acordava? Será que era seu desejo? Cumprira sua parte no acordo, no entanto existia algo chamado livre-arbítrio e se Sam não quisesse voltar certamente nenhuma entidade do céu o forçaria. Jamais!

— Sammy... Lembra-se do que você me disse antes de Lilith aparecer na casa de Bob? Você disse que resolveríamos o mais rápido possível o caso sobre o filho de Enya, pois havia um casamento nos esperando: o nosso. Espero que não tenha mudado de ideia quanto a isso.

Soltou gentilmente as mãos do amado repousando-as ao lado do seu corpo. Depois, retirou do bolso da jaqueta em couro que vestia uma pequena caixinha preta. E como se o jovem pudesse ver, retirou um par de aliança em ouro ligtítimo expondo-o em sua mão próximo ao rosto dele e falando com todo o amor que rasgava sua alma, um amor puro, arrebatador, antigo. Um amor mais que enraizado em seu coração, enraizado em sua alma.

— Eu, Dean Campbel Winchester, prometo te amar para todo o sempre, pois o que sinto nem mesmo a morte será capaz de apagar. Far-te-ei feliz, Sammuel Campbel Winchester, ser-te-ei fiel e cuidarei de você na saúde ou na doença, na alegria ou na tristeza até que partamos juntos dessa vida para a outra. E mesmo lá, seguirei te amando porque a imortalidade será nosso limite. Eu te amo!

Pôs um dos delicados anéis no dedo do jovem. Depois, segurou seu próprio anel em uma das mãos dele, colocando-o também em seu dedo.

— Estamos oficialmente casados, meu amor! Não pelas leis dos homens, mas por leis divinas como deve ser.

Beijou os lábios do amado demoradamente e ao encerrar o beijo falou sem conter a tristeza que o dominava. Sim! Tristeza. Talvez seu Sammy não quisesse voltar.

— Se a caso você partir... Se... Se eu não puder impedir — segurava as lágrimas — Saiba que eu escolhi ser um homem viúvo esperando se unir na outra vida à pessoa que mais ama.

Não conseguiu mais se segurar. Chorava todo o medo, toda dor que sentia e toda culpa que o consumia. Acreditava que Sam estava no limiar entre a vida e a morte por ter sido um fraco e como consequência, sua fraqueza levou o garoto a tomar uma decisão e quem sabe como recompensa ele não escolheu ficar para sempre em um lugar melhor onde não houvesse choro, os medos de um pai desalmado e um irmão confuso? Chorava enquanto seus pensamentos o assombravam. Conviveria com a culpa por toda a vida. Esse seria seu castigo por ter feito quem mais amava sofrer. Viveria "nas trevas" até o resto dos seus dias. Merecia isso.

Na inconsciência de Sam Winchester.

— Adam, eu não quero que ele sofra! Não o odeio eu o amo mais do que tudo! Sempre vou amá-lo!

O moreno chorava e falava desesperado observando Dean com o rosto sobre seu peito também chorando como criança. Ele presenciava as ações do loiro em tempo real. Ouviu até mesmo os pensamentos de culpa dele e a punição que imporia a si mesmo.

— Há mais a ser mostrado, Sam.

Então Adam fez mudar a imagem para algumas horas atrás, mostrando ao jovem o que Dean fazia e onde estava quando pediu um tempo a ele para ficar só depois que o demônio Lilith invadiu a casa daquele que consideravam um pai.

Viu o loiro sentado no Impala, sozinho, perdido em suas reflexões, pensando em como queria um irmão e como amava sua mãe, mas também pensando em como a vida que ao mesmo tempo era traiçoeira também era justiceira, pois Dean perdera dois membros de sua família, mas ganhou algo muito mais grandioso; o amor de sua vida, sua outra metade, sua alma gêmea.

— Era isso o que ele pensava Adam? — Perguntou confuso, pois ainda achava que o Winchester mais velho lhe tinha mágoa apesar do visível medo em perdê-lo.

— Sam, não para por ai. Veja.

Adam mostrou a Sam o momento em que Dean pressentiu que algo de ruim acontecia com ele e segundos depois a visão do perigo na figura do demônio Lilith. Viu sua pressa em voltar para a casa de Bob na tentativa de impedir que o moreno saísse, o desespero que o levou a roubar um jato para o resgate, o sim que ele deu a Miguel quando o arcanjo prometeu que se o aceitasse em seu corpo traria o amor de sua vida de volta a vida. Por último, viu-o saindo da igreja abandonada em chamas trazendo-o em seus braços.

— Dean! Você sempre me salva!

Sam olhava as cenas enquanto as lágrimas continuavam molhando sua face. Havia um misto de alegria e alívio se apossando dos seus sentimentos. Achava que não tinha mais porque voltar a Terra. Enganara-se.

— Ele nunca te odiou querido Sam! Mesmo que você fosse diretamente responsável pela morte de seus familiares, não duvide do perdão sincero que receberia. Meu irmão te ama mais do que tudo, mais do que a mim e a nossa mãe, mais do que a si mesmo.

Desolado o garoto levou as mãos ao rosto abafando o barulho do choro que lhe inflamava a alma. Como podera pensar em ficar naquele lugar sem Dean? Por que achara que ele não o perdoaria se toda a sua vida foi dedicada a amá-lo? Sim! Desde a tenra idade o loiro pensava, agia e sentia tendo como prioridade o caçula dos Winchesters.

— Shhh! Calma irmão! Não te mostrei isso para que sofresse, mas para que pudesse fazer sua escolha. Aqui no céu, viverá feliz e em paz ao lado dos seus entes queridos, mas lá na Terra, terá felicidade e paz ainda mais completas porque nosso irmão mais velho é sua alma gêmea, sem falar que sua mãe biológica, Enya, é uma antiga amiga de muitas idas e vindas suas em outras vidas. Ela também está ligada a você pelos laços invisíveis do espírito.

Adam falava abraçado ao garoto. Apesar de terem a mesma idade e do garoto loiro ser mais baixo do que Sam abraçava-o retendo-o em seu ombro, alisando seus cabelos, esperando pacientemente que o moreno se acalmasse, algo que levou alguns minutos.

— Sentisse melhor, meu irmão? — Adam perguntou carinhoso.

— Sim! Obrigado! Eu me sinto péssimo por fazer o Dean sofrer! — respondeu ainda choroso.

— Não se sinta! Você precisava vir para essa dimensão e fazer sua escolha, precisava falar com todos que te amam e já tinham partido para depois ver o mais importante: Dean!

— Adam, eu quero voltar para Terra. Quero envelhecer ao lado do homem que amo. Quero viver intensamente esse amor que sentimos e juntos compartilharmos as alegrias e dificuldades de uma vida a dois. Sei que nosso amor é mais forte do que qualquer obstáculo que a vida ofereça. Juntos ele e eu somos mais fortes!

— Claro que são Sam! Principalmente agora que estão casados.

Ao dizer a frase o garoto loiro sorriu, pois o rosto do moreno adquirira a tonalidade vermelho-tomate. Havia aceitado casar com Dean antes do problema com Lilith. Porém, isso ser compartilhado com outra pessoa além do seu cônjuge era constrangedor.

— Por favor! Sem comentários sobre isso Adam!

— Desculpe-me querido Sam!

Adam o abraçou mais uma vez. Permaneceram assim por longos minutos.

— Agora você vai voltar. Feche os olhos! Alinharei seus chacras espirituais aos chacras físicos e quando chegar a Terra acordará se lembrando de tudo que vivenciou aqui no céu.

Adam soltou-se do abraço do outro falando com a voz embargada. Era hora de dizer "até logo" àquele que também amava tanto quanto amava Dean, pois ambos eram seus irmãos queridos.

— Obrigado por tudo! Algum dia nos encontraremos novamente. Só que da próxima vez partirei trazendo meu "tesouro" comigo.

Ambos os rapazes sorriram cúmplices em uma mútua compreensão sobre Dean ser o "tesouro" do moreno.

— Feche os olhos, Sammuel!

O garoto obedeceu ao outro e de seu interior uma luz branca fluiu inundando seu ser de paz e tranquilidade. Voltaria ao mundo dos vivos para continuar sua jornada espiritual, voltaria para o lado do amor de sua vida.

General Hospital of Independence, seis e vinte e cinco da manhã.

Os tenros raios de sol que entravam pela janela do quarto do hospital aqueciam seu corpo. Sentia-se leve, a respiração tranquila e os pensamentos ordenados. Estava em paz. Lembrava-se de tudo que vivenciara no céu.

— Dean? Dean?

Chamou pelo irmão antes mesmo de abrir os olhos sentindo um leve peso no braço direito.

— Droga! Que luz forte!

Afoito, abriu os olhos de repente sentindo a claridade ferir suas retinas. Fechou-os. Levou uma das mãos até a testa protegendo-se da luz do dia. Fez em uma nova tentativa: voltou a abrir os olhos e desta vez não houve o desconforto de segundos atrás.

— Dean... Acorda amor!

Falou carinhoso observando o amado. Afastou gentilmente o braço que apoiava a cabeça dele deslizando seus dedos pelos fios lisos e curtos dos cabelos do loiro. Ele se remexeu.

— Acorda dorminhoco! Vai dormir o dia todo?

Intensificou o cafuné nos cabelos de Dean sorrindo ao vê-lo erguer o rosto espreguiçando-se lentamente. E quando ele abriu os olhos...

— Sammy...

Continua...


Boa noite!

Amores, resolvi terminar a fic Almas acorrentadas no próxmo capítulo. Vou postá-lo somente sexta-feira da semana que vem, ok?

Na próxima semana postarei também os capítulos finais de Sweet August e o capítulo 4 de Erros do passado. Espero vocês.

Uma excelente noite de quinta-feira.

Beijos!


Respondendo aos rewies:

Tanny Padackles – Obrigada querida! Espero que possa acompanhar minhas outras fics e comentar. Beijos!

Patrícia Rodrigues – Quem sabe eu não faço uma one-shot com o John sendo um paizão para os meninos? Quem sabe ela não será a sua e a da Pérola que eu ainda estou devendo como presente de aniversário? Devo confessar que não gosto do John, principalmente pela maneira que ele tratava a esposa e os filhos depois que ela morreu. Mas o Sam tinha que ajudá-lo a ir para um lugar melhor, apesar do garoto ainda sentir mágoa dele. Espero que tenhas gostado do capítulo final. Beijos querida!

Soniama livejournal – Minha querida, apesar de não gostar do John eu queria que o nosso lindo Sammy o ajudasse a ir para um lugar melhor, até porque o homem se arrependeu de coração. Pena que ele magoou de mais o menino, não é? O Sammy vai voltar sim! Sua alma gêmea e mãe esperam por ele. Beijos fofa!

RicardoSN – Obrigada pelo seu carinho Ricardo! Que bom que minha fic é um mundo alternativo em sua imaginação! Beijos querido!

Elisete – Sim! O Sam foi para uma das partes do céu e seus entes queridos souberam e receberam a permissão para visitá-lo. Ele vai voltar com certeza, pois sua alma gêmea e sua mãe precisam dele e ele também precisa receber todo o amor que lhe foi negado pela interferência dos demônios. Espero que tenha gostado do capítulo final. Beijos amiga!

PadacklesRocks – Obrigada pelo seu rewie apesar de estás tão atarefada. Pena que você só pode comentar esse, mas o importante é que gostou da fic e espero que goste do capítulo final. Beijos amigo!