Oi!

Aqui vai mais um capítulo!

As ruas que indico são próprias da malha urbana da cidade em que moro.

Reviews! Kisses


Capitulo III

Já havia passado uma semana e Inai não parava de o chatear. Sai já estava a dar em louco com aqueles ataques de sedução dela. Por vezes deixavam-no em situações um pouco incómodas, sendo quase apanhados duas vezes por Ino.

Naquele momento tinha que desabafar com alguém. Já não podia aguentar mais aquela situação só para ele.

Resolveu, então, sair de casa e ir ter com o Sasuke, o seu melhor amigo, ao café da esquina da casa dele. Chegado lá, Sasuke já lá estava, sentado e com aquele humor que lhe era tão característico.

- Oi, Sasuke! Tudo bem? – sentou-se ao lado dele – Estou a ver que acordaste maldisposto!

- E como não haveria de estar! O meu melhor amigo resolve telefonar-me às 8 da manhã de um Sábado para combinarmos um encontro! – Sasuke estava bastante irónico.

- Desculpa! Não foi com intenção! Mas é que eu precisava desabafar com alguém…

- E deixa-me adivinhar. O assunto é Inai, a gémea que seduz o namorado da irmã! – exclamou Sasuke como se tivesse a fazer um slogan.

- Não gozes com a situação, Sasuke! Não tem piada nenhuma!

- Eu sei que não, mas a maneira como reages a ela é muito hilariante!

- Ah, ah,ah… Que piada!

- Mas diz lá… - olhou para o amigo – O que é que foi que ela aprontou desta vez?

Sai bufou desesperado. Ele nem sabia por onde começar.

- O que é que ela aprontou desta vez? Bem…para começar…o facto de ela durante esta última semana não me ter parado de andar a atirar-se a mim, mesmo à frente da Ino, não te diz nada?

Sasuke ouvia o que amigo lhe dizia, embora parecesse um pouco distante.

- Eu bem que te avisei quanto a ela!

- Eu sei, eu sei! – Sai soltou um pequeno suspiro – Mas nunca pensei que ela fosse assim tão…persistente!

Suspirando, Sasuke remexia nos bolsos do seu casaco de couro castanho a ver onde tinha posto o tabaco. Quando finalmente encontrou o maço no bolso esquerdo, ele abriu-o e, ao retirar um, perguntou a Sai se também queria, ao que este lhe respondeu que não.

- Eu não sei como é que consegues estar tão calmo, quando eu estou uma pilha de nervos a tentar falar-te de um assunto sério!

Sasuke pôs o cigarro à boca e acendeu-o com um pequeno isqueiro vermelho, lançando em seguida uma baforada de fumo.

- Já me devias conhecer melhor, Sai. – virou-se para o amigo – E que eu saiba, tu só estás nervoso com este assunto porque queres. Se eu fosse a ti, já teria desistido de ir contra a maré e deixar as coisas levarem o seu rumo.

Sai parecia confuso.

- Como assim? O que queres dizer exactamente com isso?

Sasuke deu mais uma passa no cigarro, para depois estar a apagá-lo no cinzeiro prateado que estava colocado sobre a mesa. Ia a dizer qualquer coisa, quando o telemóvel do Sai tocou. Era a Ino, ou assim o pensava.

- Olá, Ino? – cumprimentou Sai todo jovial – Passasse alguma coisa?

- Olá, Sai querido! É claro que se passa alguma coisa. Estou a morrer de saudades tuas!

Era Inai quem estava do outro lado da linha, toda assanhada e a falar-lhe de forma atrevida e sedutora.

Ela e a irmã estavam no quarto e, enquanto Ino tomava um duche, ela pegara no telemóvel dela, que estava à vista, e aproveitou-se desse facto para falar com o Sai, fazendo com que este pensasse que era a irmã quem estava a telefonar-lhe e não ela.

Já Sai, este parecia que ia ter um ataque cardíaco. Sasuke só pela sua expressão apercebeu-se logo que não era a Ino quem deveria estar do outro lado da linha. «Aquela rapariga é mais esperta e astuta do que pensava!», pensou.

- O que é que queres garota? Não te enxergas que eu não estou na tua?

- Não é preciso ficares bravo comigo! – disse-o, fazendo beicinho – Se quiseres que eu saia do teu caminho, eu saio! – Sai, do outro lado da linha, parecia estar aliviado – Mas não sem antes marcarmos um encontro. Só nós os dois!

Sai nem queria acreditar no que estava a ouvir. Ela queria deixá-lo em paz, mas em troca de um encontro? Ali havia gato…mas se era a única hipótese de se livrar dela, faria o que quer que fosse.

- Ok! – suspirou – Quando e a que horas queres que nos encontremos?

- Hoje e daqui a meia hora no cruzamento entre as ruas 23 e 18. Vamos até ao parque.

- Daqui a meia hora lá estarei. E espero bem que não me estejas a enganar!

- Então até já! Beijos! – exclamou Inai com uma voz rouca.

- Até já! – despediu-se Sai de forma seca.

- Agora é que ela te pegou! – Sasuke tinha que admitir que sentia uma profunda pena do amigo.

- Nem digas nada! – Sai começava a ficar zangado – Só espero que tudo isto seja verdade e que ela me pare de chatear!

[…]

Inai, quando terminou a chamada, sorria triunfante. Finalmente iria ter um encontro com o Sai! Para isso ela teve que lhe mentir. Ela nunca iria desistir dele assim do nada. Desde que se apaixonara por ele, fez de tudo para que ele reparasse nela. Mas sem efeito. Ele continuava a preferir a Ino. Ela não compreendia o que ela tinha de especial. Para ela não passava de um pãozinho sem sal, ao passo que ela era mais cheia de personalidade e que, sem dúvida, se encaixava perfeitamente no perfil do Sai.

Algo no seu interior lhe dizia que ele não ficava indiferente às suas investidas, embora ele não o quisesse admitir, e por isso não ia desistir dele tão facilmente! Isso foi o que lhe deu a entender, só para que ele aceitasse sair com ela. Aquele encontro seria um marco importante na sua vida. A partir dali, Sai seria dela e só dela!

Entretanto, Ino estava a sair da casa de banho, anexa ao quarto, apenas com uma toalha que lhe cobria o corpo. Enquanto se preparava para sair com os amigos, Ino perguntou a Inai com quem é que ela estava a falar. Inai, conseguindo pôr o telemóvel dela no sítio sem que esta se apercebesse, disse-lhe que era uma pessoa especial, por quem sentia um grande afecto. Ino ficou logo toda contente pela irmã. «Já não era sem tempo!», dizia para si própria.

Passado um bocado, já vestida, Ino queria saber mais pormenores sobre esta relação da irmã, só que esta fechava-se em copas, o que a deixava ainda mais curiosa. Mas não deu para saber muito mais, pois Tsunade acabava de abrir a porta e entrar no quarto com um recado para ela.

- Desculpa, querida…mas era só para avisar que os teus amigos, a Hinata, o Neji e a Ten Ten, já chegaram e estão lá em baixo à tua espera.

- Ok, mãe! É só lavar os dentes e me pentear e já lá vou ter!

Tsunade acenou afirmativamente com a cabeça, sorrindo, enquanto saia do quarto.

Neste quarto, duas gémeas estavam contentes, mas por razões diferentes. Ino ia dar um passeio com os amigos há muito tempo desejado. Já Inai, esta ia ter o tão esperado encontro com o Sai, o seu grande amor. Finalmente as duas se encontravam em sintonia. Nada poderia estragar a felicidade das duas naquele momento!

[…]

Sai já se encontrava no sítio combinado. Agora só faltava esperar que a Inai chegasse.

Haviam combinado encontrarem-se dentro de meia hora naquele cruzamento, mas ela nunca mais aparecia! Já começava a ficar um bocadinho impaciente. Se não fosse pela promessa de que ela nunca mais o chatearia…

Estava tão preocupado com este seu pequeno problema, que, quando avistou a Ino e os amigos a virem na sua direcção, todos divertidos a rirem-se, no final da rua, ia tendo quase um treco. Ela não poderia vê-lo ali! Começaria a fazer perguntas e a única coisa que ele não queria era preocupá-la, ainda por cima com uma coisa que daqui a pouco daria por finalizada.

Portanto, Sai resolveu esconder-se atrás do muro da rua que era paralela à que Ino e os amigos se encontravam, pensando que estes não o veriam.

Assim que passaram por ele, sem o verem, Sai resolveu sair do esconderijo e respirou de alívio. «Foi por um triz!», pensou, soltando um longo suspiro. Nesse instante apareceu-lhe à frente, vindo do nada, o Gaara, pregando-lhe assim um grande susto. «Este tipo é mesmo esquisito!», pensou Sai um pouco amedrontado. Ele tinha um certo receio pelos góticos que estudavam na mesma escola que ele, principalmente deste em particular. Aquele ruivo tinha qualquer coisa que intrigava. Para ele parecia uma alma que não era deste mundo. E isso era de assustar.

Inai estava a subir a rua para ir ter ao encontro de Sai como o haviam combinado. Sabia que estava atrasada, pois fê-lo de propósito. Só queria que Sai sofresse um bocadinho de ansiedade e também que a Ino não suspeitasse de nada. Dera tempo ao tempo…e naquele momento, o tempo era o seu melhor aliado!

Com um sorriso na cara, Inai cruzou-se com Gaara, que passava pela mesma rua que ela, só que no sentido contrário. Ambos olharam-se nos olhos rapidamente, pois passado nem um segundo já os haviam desviado e seguido as suas respectivas direcções.

Gaara, intrigado, havia olhado para trás. Pressentia que alguma coisa se passava com aqueles dois. Mas a vida era deles. Ele não tinha nada a ver com isso. Isto fez com que ele seguisse o seu caminho sem voltar a olhar para trás.

[…]

- Até que enfim! Estava a ver que nunca mais chegavas!

- Desculpa, Sai! – Inai mostrava o seu lado mais inocente – Mas é que a Ino dificultou um bocadinho as coisas… - olhou para ele matreira – E tu por acaso também não querias que ela soubesse deste nosso encontro, pois não?

Aquela miúda começava mesmo a tirá-lo do sério! Não via a hora de tudo aquilo terminar!

- Vamos? É que tenho mais o que fazer!

- Claro! – disse Inai toda sorridente, seguindo Sai.

[…]

Ino, Hinata, Neji e Ten Ten há já algum tempo que andavam a passear.

Enquanto Neji e Ten Ten andavam o caminho todo muito apaixonados, Ino e Hinata resolveram deixar o casal em paz e falarem entre si.

- Ino? Posso te fazer uma pergunta?

- Huh? – Ino estava distraída – Sim, claro que podes, Hinata!

- Porque é que não estás com o Sai? Afinal de contas ele é o teu namorado!

- Porque tinha este encontro com vocês. – Hinata olhava para ela com cara de incrédula – Olha, Hinata…tu sabes como é o Sai…ele não se iria sentir bem. Primeiro, ele mal conhece o casal maravilha ali à frente – disse, apontando com um dedo na direcção do Neji e da Ten Ten -, depois ele conhece-te, mas acha-te um bocadinho esquisita – Hinata pôs uma cara de indignação – e, por último, eu não sei… - suspirou – parece que a nossa relação está a esfriar-se um bocadinho…

- Tou a ver… - Hinata queria mudar de assunto – E a Inai? Pelos vistos ela não quis vir contigo! - começou a sussurrar – Não me levas a mal, mas a tua irmã conseguia sempre estragar as nossas saídas! Ainda bem que ela não veio!

- Não sejas tão má, Hinata! A Inai pode ter todos os defeitos, mas ao menos merece ser feliz, não?

- Isso quer dizer…

- Quer dizer que ela não pôde vir connosco, porque foi-se encontrar com uma pessoa muito especial para ela.

Hinata parecia não querer acreditar.

- A sério? A Inai gosta de um rapaz? Mas quem?

- Isso, minha amiga, já não sei. Eu bem que tentei, mas ela não se descaiu!

- Bom…talvez o consigas logo! – Hinata olhou para o casal que estava à sua frente para depois se virar para a Ino com um sorriso matreiro – E se fossemos estragar-lhes o momento romântico?

Ino olhou para ela incrédula. Sem alternativa acabou por abanar a cabeça.

- Só mesmo tu, Hinata, para me tentares!

As duas desataram-se a rir e foram ter com o Neji e a Ten Ten para os arreliar um bocadinho. Aquele passeio entre amigos estava a ser bastante divertido para Ino.

[…]

Sai e Inai estavam a ter um passeio ameno pelo parque.

Sai nem a reconhecia. Inai parecia outra pessoa. Estava mais tranquila e serena, sem tentar seduzi-lo como nas outras vezes.

Inai estava feliz. Parecia que o seu plano estava a dar frutos. Sai parecia espantado com a sua mudança de atitude. «Que mal faz mudar um pouco a nossa personalidade de vez em quando? Se for por grandes causas…até que vale a pena!», pensou.

O clima entre os dois estava a melhorar de tal maneira que, quando se sentaram num banco de jardim e se olharam nos olhos, não puderam resistir àquela tentação que pairava no ar, acabando por se beijarem intensamente. «Agora é que isto está a aquecer!», foi tudo o que Inai pôde pensar, antes de se perder na paixão que a unia a Sai.

[…]

Entretanto, Ino e os amigos decidem também ir ao parque. Queriam relaxar, espairecer as ideias, já que a semana deles havia sido bastante intensa.

Quando estavam a chegar à entrada do parque, Ino avistou ao longe o seu colega gótico, o Gaara. Este vinha na direcção contrária. Tudo o que pensou foi que nunca iria conseguir relaxar, pois quer onde fosse, aquele ruivo mal-educado vinha sempre junto! Parecia bruxedo!

Eles olharam-se, olhos nos olhos, quando passaram rente um outro, enquanto que os amigos dlea seguiam sempre adiante. Mas ele aproveitou esta proximidade para lhe sussurrar algo ao ouvido:

- Um aviso, tem cuidado!

Dito isto, Gaara continuou o seu caminho.

Ino não compreendia o que ele quereria dizer com aquilo. "Tem cuidado!". Primeiro ofende-a e agora está preocupado com ela? Armando-se em protector? Tinha que tirar isso a limpo! Portanto resolveu que iria dar meia volta e ir ter com ele para tirar satisfações. Mas, nesse momento, a Hinata chamou por ela. Pelos vistos, havia se afastado um pouco do grupo. Ino, sem alternativa, deixou de lado a ideia de ir atrás dele e foi ter com a Hinata, para juntas irem, a correr, ter com o Neji e a Ten Ten ao banco de jardim onde estavam.

[…]

- Isto não está certo! – disse Sai, interrompendo o beijo – Lamento…mas não dá! Eu namoro com a tua irmã!

- Tem calma, Sai… - Inai tentava tranquilizá-lo – A Ino nunca vai saber disto…

Vendo que Sai, mesmo com as suas palavras, não conseguia se acalmar, Inai resolveu levá-lo até a um espaço do parque, onde havia pouco movimento. Aí, ela começou a obrigá-lo a encostar as costas a uma árvore, para depois poder se encostar a ele e beijá-lo, deixando-o à sua mercê!

Sai já não conseguia resistir. Aquilo já não tinha volta a dar. Estava perdido e a culpa era dela e das circunstâncias para onde ela o tinha levado.

[…]

Ino já estava mais satisfeita, mais tranquila. Aquele passeio estava a fazer maravilhas com o seu estado de espírito. Sem dúvida que aqueles três eram os seus grandes amigos! Podia sempre contar com eles, principalmente com a Hinata!

Estavam tão entretidos a caminhar pelo parque, que quando passaram pela parte mais vazia deste, isto é, onde não passava muita gente, Ino parecia ter visto Inai. Tendo este pressentimento, ela resolveu ir ter com a pessoa que achava ser a irmã, pois também morria de curiosidade em saber quem era o rapaz misterioso…

Mas, quando lá chegou, Ino viu o seu mundo a desmoronar-se… Inai estava aos beijos com nada mais nada menos que o Sai, o seu namorado! «É o Sai a pessoa especial? Não pode ser! Não pode ser!», repetia Ino para si na sua cabeça.

As lágrimas tendiam a verterem-se dos seus olhos. Sabia que a sua relação não estava bem com o Sai, mas dai ele vir a trai-la? Ainda por cima com a Inai, a sua irmã gémea? Aquela que ele nem podia ver à sua frente pintado de ouro?

Sai estava entretido a beijar Inai, mas quando abriu os olhos, reparou que a Ino estava a observá-los. Chocado, parou de beijá-la e afastou-se dela.

- Ino! Não é nada do que estás a pensar! Eu apenas…

- Mas a quem estás a tentar enganar, Sai? – perguntou Inai, interrompendo-o – Foi isso mesmo que tu viste, Ino. – disse, virando-se para a irmã - Eu e o Sai estávamos a beijar! E pelos vistos ele beija muito bem!

Foi a gota de água. Ino perdeu a pouca paciência que tinha, acabando por dar uma valente chapada na cara da irmã.

Inai olha para ela incrédula. Aquela com certeza que não era a Ino que conhecia…

Sai, preocupado, decidiu meter-se ao barulho com o objectivo de acalmar os ânimos. Mas pelos vistos não deu em nada, já que Ino estava mesmo furiosa, sem paciência para ouvir justificações inúteis. Em todos os anos de namoro, Sai nunca tinha a visto assim…mas, no fundo, a compreendia. Se fosse ao contrário, ele também reagiria da mesma forma, se não pior…

Neji e Ten Tem, que juntamente com Hinata foram atrás de Ino, olhavam para aquela cena com ar de reprovação. Como é que a Inai podia descer tão baixo por um rapaz…sendo capaz de trair a própria irmã? Era uma coisa muito desumana! Quando Ino deu aquele estalo em Inai, eles aprovaram, embora estivessem um bocadinho surpreendidos com tal atitude por parte dela. Já não era sem tempo de ela receber o que merecia!

Já Hinata, ela pressentia que a amiga não merecia aquilo. Por isso, resolveu chamá-la à razão e puxá-la para bem longe dali, depois desta ter dado a bofetada na irmã.

- Anda, Ino! Não percas tempo com gente que não merece!

- Já vou, Hinata! – disse exaltada, quase gritando – Já vou! Só tenho que dizer umas verdades a estes dois e já vou…

Hinata, apesar de toda a sua preocupação, pois não queria que aquela situação piorasse ainda mais o estado de espírito da Ino, lá acabou por acarretar a sua decisão. Neji e Ten Ten, pressentindo que estavam a mais, resolveram sair dali. Despediram-se da Hinata e, discretamente, da Ino, e seguiram o seu caminho de regresso a casa.

- Ino…

- Tu cala-te! – gritou Ino – Agora vais ouvir-me… - olhou para Sai e Inai à vez – Tu e tu! Os dois!

Inai não estava a reconhecer a irmã. Aquela não era a Ino! Olhando para o Sai, também pôde constatar que ele parecia tão surpreso quanto ela perante tal atitude. Mas ao menos via o seu objectivo a ser concretizado. Conseguiu, finalmente, acabar com o namoro deles os dois! Ainda por cima, Sai após esta cena, deverá passar a olhar para ela com outros olhos. «Isto não foi nada, Ino! Agora percebes que a vida nunca foi justa para ninguém!», pensou Inai triunfante, embora não o mostrasse.

- Inai…nunca pensei que me pudesses fazer uma coisa destas… - as lágrimas de Ino não paravam de cair – Eu fazia de tudo por ti e é assim que me retribuis a minha amizade? Espetando-me uma faca nas costas? E tu, Sai… - disse, virando-se agora para ele – Tu me desiludiste… - respirou fundo – Eu acreditava em ti…no teu amor por mim…

- Eu amava-te, Ino! E ainda amo!

- Qual amor, Sai? – perguntou, interrompendo-o – Quem ama não trai! – começou a olhá-los de alto a baixo – Vocês desiludiram-me…não esperava isso de vocês…seus traidores!

Dizendo isto, Ino pegou num ramo, que estava no chão, e atirou-o contra eles.

- Nunca mais me dirijam a palavra! Nunca mais! Para mim, vocês morreram! – finalizou Ino aos gritos, dando meia volta apressada.

Hinata tinha ficado perplexa com esta última afirmação da amiga. Nunca pensaria ouvir Ino dizer uma coisa daquelas. Ela devia estar mesmo destruída por dentro. Agora mais do que ninguém, ela precisava do seu apoio. Quando Ino se virou para se ir embora, ela foi atrás dela.

- Ino! Ino! Espera por mim! – chegando perto dela, conseguiu agarrar-lhe por um braço e virá-la na sua direcção – Ino…eu…

- Hinata…eu sei que prometi que iria embora contigo...mas não consigo! – cobriu o rosto lacrimoso com as mãos – Só quero estar só… - Hinata via o quanto a amiga estava a sofrer – Neste momento, só quero estar sozinha… - soltou o braço da mão de Hinata – Desculpa!

Dito isto, num sussurro quase inaudível, Ino começou a correr, sem conseguir parar de chorar, deixando uma Hinata entristecida.

A Hinata não tinha culpa. Qualquer pessoa via que ela estava sinceramente preocupada com ela. Só que, depois de ter assistido a uma coisa daquelas, ela sentia que deveria estar sozinha. Duas pessoas, que pensava que eram de confiança na sua vida, acabavam de lhe provar o contrário, traindo-a. Não os iria perdoar tão cedo! Disso podiam ter a certeza!

[…]

Sai olhou para Inai preocupado. Devia ir atrás da Ino, mas ela não o deixou:

- Deixa-a estar, Sai! Ela precisa de estar sozinha… - Sai parecia estar impotente e isso não o agradava - Para além de que …o mal já está feito, não é verdade? – perguntou, enquanto o abraçava para o consolar.

Sai não queria ser consolado. Sentia-se mal com a própria consciência e, por isso, resolveu afastar-se do abraço dela, despedir-se e ir-se embora.

Inai ficou triste por ele se ter ido embora, mas feliz ao mesmo tempo. Conseguiu separá-los e isso a deixava radiante!

[…]

- Ai, Minato… Ela já deveria estar em casa! Será que alguma coisa ruim lhe aconteceu?

Tsunade andava de um lado para o outro da sala de estar, preocupada e arreliada com uma Ino que andava desaparecida sem dar notícias. Inai havia chegado há duas horas e estava naquele momento no seu quarto a ouvir música e achando que a Ino deveria estar desaparecida só para chamar a atenção.

Minato olhava para cada movimento da esposa preocupado. Como sabia que ela não se podia exaltar muito, ele tentou por todos os meios acalmá-la.

- Tsunade, querida…vais ver que ela não tarda ai a aparecer! – Tsuande continuava a andar de um lado para o outro – A Ino é uma miúda responsável. Com certeza que teve que ir a um sitio com uma certa urgência à ultima da hora e, pelo caminho, o telemóvel ficou sem bateria. E, por causa disso, não conseguiu avisar-nos de que ia chegar tarde. – Minato não gostava mesmo de ver a mulher naquele estado – Vá lá, querida…Vê lá se te acalmas um bocadinho… - disse, aproximando-se dela e colocando as duas mãos sobre os seus ombros, massajando-os.

- Não adianta, Minato! – virou-se para ele – Algo me diz que ela não está bem…que alguma coisa lhe aconteceu... – as lágrimas começavam já a desapontar dos seus olhos, ao mesmo tempo que colocava uma mão sobre o peito – O meu coração de mãe nunca se engana! Nunca!

Minato e Tsunade abraçaram-se, dando apoio mútuo…até que ela se lembrou de uma coisa.

- A Hinata! – saiu dos braços fortes do marido e foi a correr até ao telefone – Como eu não me lembrei disso antes! – Minato olhava para ela sem compreender a situação – A Hinata, o Neji e uma tal de Ten Ten estiveram cá em casa para buscar a Ino para um passeio! Talvez eles saibam de alguma coisa… - começou a discar o número de casa da Hinata.

Tsunade esperava, impacientemente, que a sua chamada fosse logo atendida. Ia quase a desligar, quando ouve uma voz masculina, a perguntar quem era, do outro lado da linha.

- Boa Noite! Desculpe estar a interromper, sr. Hyuuga, mas preciso de falar com a Hinata. É um assunto urgente!

- Ela está no quarto. Vou chamá-la! Já agora… - o senhor não sabia exactamente com quem estava a falar – Quem lhe deseja falar?

- Diga-lhe que é a Tsunade, a mãe da Ino! Por favor…diga-lhe que é urgente!

- Está bem!

Foi a última coisa que Tsunade ouviu, depois do Sr. Hyuuga ter colocado o telefone de lado para ir chamar a filha ao quarto.

Passado nem um minuto, Hinata pegou no telefone e começou a falar com Tsunade. Ainda não tinha chegado a casa? Agora é que estava realmente preocupada com ela! «Porquê que não fui atrás dela? Porquê que não sou mais teimosa?», questionava-se perante a sua atitude naquela mesma tarde em relação ao sofrimento da amiga. Mas, para não preocupar ainda mais a mãe da Ino, Hinata tentou não contar-lhe muito sobre os factos passados. Apenas lhe transmitiu o essencial.

Quando deu por terminada a conversa telefónica, Hinata desligou o telefone e só pensava numa coisa. «Que a Ino volte o mais rapidamente possível para casa, por favor! Ela tem que voltar! Se não…nunca me perdoarei a mim mesma!».

Quanto a Tsunade, esta não ficou nem um pouco mais relaxada após a conversa. Pelo contrário. Ainda a tinha deixado mais aflita, lançando um olhar entristecido ao seu marido, que se aproximava dela para a abraçar.

- Minato…ela também não sabe de nada! O que é aconteceu à nossa filha, Minato? – olhou para ele com olhos chorosos, pedindo consolo.

- Tem calma, querida… - acariciava a longa cabeleira loira dela ritmicamente – Tudo vai-se solucionar… Há que ter fé!

[…]

- Oi, Inai! A Ino já chegou?

Sai havia telefonado para a Inai para saber da Ino. Ficara a saber que ela ainda não havia regressado a casa pela mãe, Shizune, pois esta era amiga de infância da Tsunade e, por isso, sabia quase tudo o que se passava com ela. Shizune, sua mãe, também estava preocupada com a Ino, já que ela era professora dela, trabalhando, assim, na mesma escola que ele. Sai não tinha problemas com isso, nem a mãe, pois ambos sabiam muito bem distinguir as suas vidas pessoal e profissional uma da outra.

Mas essa não era a questão a discutir naquele momento. Sai já não aguentava mais tanta culpa. Tinha consciência que o que fizera estava errado, mas pensar que Ino estava desaparecida por causa dele…isso não conseguiria suportar! A sua vontade de querer saber novidades de Ino, foi a única razão pela qual resolveu telefonar para Inai.

- Não! Ainda não chegou!

Inai estava saturada com tanta preocupação. Eram os pais, agora o Sai…Aquela Ino nem longe a deixava em paz! Ela podia estar a pensar aquilo naquele instante, mas por dentro estava realmente preocupada com ela, embora não o quisesse demonstrar e revelar a ninguém.

- Eu bem sabia que aquilo não estava certo, Inai! Estás contente agora com os estragos que causaste?

Inai, ao ouvir isto, exaltou-se, levantando-se da cama num ápice.

- Ouve lá, Sai… Que eu saiba, esses estragos de que falas, não fui só eu que os causei! Ouviste? Tu, quer queiras quer não, também tiveste culpa!

Sai ficou estático, sem acção. Inai podia ter muitos defeitos, na opinião dele, mas, com aquelas palavras, acertara no alvo. Se antes estava mal, agora estava na pior!

Sem alternativa, ele acabou por desligar a chamada, mesmo na cara de Inai, que, como não havia deixar de ser, ficou ainda mais zangada. «Droga! Eu posso estar a sofrer, Ino…mas tu também o estás!...», exclamou para si, enquanto atirava a sua almofada contra a porta.

[…]

Já era de noite. O tempo lá fora não era dos melhores. O vento estava muito forte e a aragem a ser cada vez mais fria.

Foi num tempo destes, que uma Ino, triste e solitária, resolvera deambular pelas ruas quase desertas da cidade em direcção à zona marítima. As poucas pessoas que por ali passavam, nem reparavam nela. Lançavam-lhe apenas olhares de lado, como se fosse uma coisa insignificante. Também era assim que se sentia, se não pior…

Chegada à esplanada, Ino decidiu passar o muro que a separava da areia. Andou mais um bocadinho, pois queria estar perto do mar, até que achou um sítio perfeito para sentar.

Enquanto contemplava o mar à sua frente, entranhando o doce cheiro a maresia que este lhe proporcionava, pois transmitia-lhe uma certa paz, ela começou a pensar em tudo o que lhe havia acontecido naquele dia, como que a aclarear as ideias.

Pondo a cabeça entre os joelhos, Ino pôde perceber o quanto fora burra! De certeza que tudo aquilo havia começado desde aquele dia em que apanhara Inai agarrada a ele, quando este as vinha buscar para irem para a escola. Agora tudo lhe vinha à cabeça, como uma avalanche de imagens. Naquela altura, ela havia pressentido que aquele abraço não era casual, mas preferiu ignorá-lo, já que acreditava no amor que Sai sentia por ela. Se é que alguma vez o sentiu…

- Como fui burra! – disse baixinho, com uma certa amargura.

Amor…o que era o amor?

Anteriormente o amor, para ela, era algo que tinha que ser partilhado por duas ou mais pessoas, fazendo com que todos os seus intervenientes, graças a essa partilha, encontrassem a felicidade que tanto ansiavam.

Agora…achou nem nisso acreditava mais. As únicas pessoas que, se calhar, realmente a amavam eram os seus pais e a Hinata. Esses sim, mereciam toda a felicidade do mundo!

- Mas porquê que o meu coração me dói tanto? – perguntou, quase num murmúrio, massajando com a mão o peito – Porquê?

Se não tivesse conhecido o Sai, aquilo não teria acontecido. Ela teria continuado a ser uma rapariga motivada, trabalhadora, e, porventura, teria uma relação estável e harmoniosa com a irmã. Daí, só agora, é que começava a compreender algumas atitudes hostis da Inai cada vez que se comunicavam uma com a outra. Estava tão feliz, desde que começou a namorar com o Sai, que não prestou lá muita atenção ao que se passava realmente ao seu redor, principalmente na sua casa.

- Como gostava tanto de poder voltar a trás… - Ino começava a estar cada vez mais desamparada – Como gostava de nunca mais me apaixonar por ninguém…Por ninguém! – exclamava, amargurada, enquanto batia com uma mão na areia.

Se isso viesse a acontecer, nunca mais teria que sentir tal semelhante dor que povoava no seu coração desde que os apanhara em flagrante.

Magoada e desamparada, Ino sabia que não queria, ainda, voltar para casa. Inai devia lá estar e achava que ainda não estava pronta para a encarar. Então que outra alternativa é que tinha?

Após muito reflectir, Ino chegara finalmente a uma conclusão. Decidida, ela levantou-se de onde estava e regressou à esplanada. Já sabia o que fazer!