Oi!
Este cap. promete! Reviews, please!
aviso: nao se axustem com o ritual, é um bocado macabro, mas o que se há de fazer. Quanto ás personagens Yakumo e Sumaru, estas entram na anime.
kisses
Capítulo IV
Ino continuava a caminhar. Já sabia o que fazer e, por isso, já tinha o seu caminho traçado. Encontrava-se agora na parte mais antiga da cidade. Aquela que era parecida com o sistema urbanístico da Idade Média, cheia de ruas e ruelas muito estreitas, que pareciam não ter fim e com pouca iluminação.
Sozinha, ia ter a casa de uma bruxa, cujo nome era Kurenai, que era muito falada na escola pelos alunos, principalmente pelos do sexo feminino, quando o seu intuito era encontrar o amor. Diziam que sabia de quase tudo, que era muito poderosa. Até se supunha que soubesse magia negra. Mas isso não lhe interessava minimamente. «Se ela é assim tão poderosa quanto dizem, de certeza que conseguirá arranjar-me qualquer coisa para o meu problema.», pensou Ino, mostrando uma grande determinação a cada passo que dava.
Chegara finalmente ao seu destino. Estando de frente para a porta da suposta casa da bruxa, Ino por alguns instantes começou a recuar. Olhava para um lado e para o outro. Aquele sítio era mesmo deserto. Ninguém passava ali à noite. Apesar de um certo medo que tinha, ela pôs todas aquelas repentinas dúvidas de lado e decidiu bater à porta da bruxa. «Não é altura para acobardares, Ino! Já que chegaste até aqui, não é agora que vais desistir, pois não?», dizia uma voz na cabeça dela, que ela designava como a sua consciência.
Sem que ela contasse, de repente, a porta abriu-se e uma mulher, vestida toda de negro, de cabelos pretos curtos e olhos igualmente pretos, surgiu da escuridão que se encontrava no interior da casa, fazendo-se prenunciar:
- Oi! O que é queres, menina, a estas horas? Que eu saiba, são horas de meninas como tu estarem a dormir!
- Boa Noite! Gostaria de falar com a… - Ino olhou outra vez de um lado para o outro, com medo de que mais alguém, para além daquela mulher, a ouvisse - …bruxa Kurenai!
A mulher olhou para ela com ar de desconfiada, mas nada disse. Depois disso, apenas se desviou um pouco da porta, dizendo:
- Entra!
Ino entrou um pouco a medo, mas, uma vez lá dentro, todo esse medo desapareceu. Já não havia volta a dar. Acontecesse o que acontecesse, ela iria até ao fim com o que pretendia conseguir da bruxa. Estava decidida!
- Espera aqui! Vou ver se a Madame pode atender-lhe!
Enquanto a mulher retirou-se, Ino sentou-se num sofá vermelho reconfortante, olhando para a divisão em que se encontrava. Tudo indicava que fosse uma sala. Tinha uma mesa redonda, que parecia um tanto antiga, no centro, rodeada por quatro cadeiras igualmente antigas. Num dos cantos, encostado à parede, estava um espelho grande daqueles que possuíam dois lados. Quanto ao resto, o que poderia ver, apesar da fraca luz proveniente de uma vela que se encontrava por cima da mesa, era a decoração das paredes. Todas elas estavam decoradas por espanta espíritos e por máscaras tribais. Esta divisão da casa era bem esquisita.
Nesse momento, a mulher entrou na divisão e fez anunciar que a Madame, a bruxa Kurenai, já podia atendê-la e que, para que tal acontecesse, a seguisse até onde ela supostamente se encontrava.
Ino, enquanto seguia aquela mulher, sentia-se intrigada quanto àquela casa. Não parava de olhar em todas as direcções. Sentia-se fascinada, como uma criança no seu primeiro dia de aulas.
Pararam diante da última porta daquele corredor. A mulher fez-se pronunciar. Ino ouviu uma voz do interior que disse para entrar.
- Madame… - a mulher fez uma reverência – aqui está a menina que deseja falar consigo.
Ino olhou para a mulher que estava sentada do outro lado de uma mesa. Esta encontrava-se totalmente tapada por um manto e um turbante verdes escuros, à excepção da zona dos olhos, embora não conseguisse ver devido à pouca luz que existia naquele escritório.
- Obrigada, Konan! Podes sair.
Konan voltou a fazer uma reverência.
- Como queira, Madame… - lançou um olhar desconfiado a Ino e saiu, fechando a porta atrás de si.
- A Konan me disse que gostarias de falar comigo, jovenzinha. A que devo a honra de tão humilde visita a estas horas da noite? – perguntou a bruxa com um tom de voz misterioso.
Ino não sabia o que dizer, quando a Konan as deixou a sós. Apenas deixou que o seu olhar vagueasse por toda aquela mística divisão. Quando a bruxa se prenunciou, Ino olhou na sua direcção e, surpreendida, respondeu:
- Quem eu? Ah, pois… - aproximou-se da mesa – Chamo-me Ino e o que se passa é o seguinte: duas pessoas, que me eram muito próximas, enganaram-me da pior maneira possível! – apertou as mãos contra o corpo – É por isso, bruxa Kurenai, que vim pedir-lhe auxilio. Gostaria que fizesse qualquer coisa para que eu não volte a me apaixonar, nunca mais! – corriam fios de lágrimas pelos seus olhos, quando levantou a cabeça – Amar…dói muito…magoa… Se por amar alguém, tenho que sofrer tanto, então prefiro nunca mais me apaixonar por rapaz nenhum! – virou-se para Kurenai com ar suplicante – Por favor…peço-lhe…ajude-me…
A bruxa Kurenai abaixou a cabeça, o que deu a entender a Ino que ela estivesse a pensar sobre o que lhe acabara de transmitir. Após alguns segundos, ela levantou a cabeça, pousou os cotovelos na mesa, unindo as mãos, e encarou-a com o olhar, dizendo:
- Ok, eu ajudo-te! Mas deixa-me avisar-te, que não faço trabalho de graça. Preciso de algo em troca.
Ino anteriormente não se tinha apercebido da cor dos seus olhos. Agora podia admirá-los. Eram de um vermelho vivo e profundo. Nunca tinha visto cor semelhante nos olhos de alguém. Pareciam transbordar de sangue…notava-se que ela era capaz de matar apenas com um olhar.
- Algo em troca? Mas o quê exactamente?
- Aceito um pouco de tudo. Desde dinheiro a objectos um pouco sentimentais. Eu não sou muito esquisita…
Engolindo em seco, Ino não sabia o que haveria de lhe dar. Para tal, começou a apalpar-se até que achou algo no bolso esquerdo traseiro das calças de ganga.
- Não sei se serve, mas é tudo o que tenho neste momento. – deu-lhe 40 euros em duas notas de 20.
Kurenai pegou no dinheiro e assentiu com a cabeça.
Ino, com medo de que não chegasse, fez uma pesquisa em si própria mais profunda, e a única coisa que achou, que tivesse algum valor, foi um fio de ouro, que usava ao pescoço. Tinha-o desde que nasceu, fora um presente da sua madrinha.
- Espero que isto também dê para o efeito. – tirou o fio de ouro do pescoço e deu-lho de seguida. – Tenho-o há 15 anos, desde que eu nasci.
- Muito bem! – guardou as oferendas da Ino numa gaveta – Agora… - levantou-se e pegou numa pequena navalha, dirigindo-se até ela – para o que pretendo fazer, que me permitirá solucionar o teu problema, vou precisar de um bocado do teu cabelo. – pegou numa das pontas do cabelo dela, olhando-a bem fundo nos olhos – Posso?
- S…Sim… - disse Ino a medo.
Kurenai, com a pequena navalha, cortou-lhe um bocado do cabelo, para depois estar a depositá-lo num pequeno frasco de vidro, que estava em cima de um móvel.
- Konan! – chamou a bruxa.
Como se estivesse ali por perto, Konan passado um bocado abriu a porta e já estava dentro do escritório.
- Chamou-me, Madame? – disse, fazendo uma reverência.
- Sim, Konan. Por favor, leva a menina Ino para uma sala em que ela esteja confortável. Preciso de preparar a poção dela e, por isso, não quero distracções. Só ma traga, quando eu lhe chamar. Entendido?
- Sim! Pode deixar, Madame, que é o que eu farei!
Konan, mal acabou de fazer aquela reverência, fez sinal a Ino para que esta a seguisse. Quando saíram, fechando a porta, a bruxa Kurenai começou desde logo a pôr mãos ao trabalho.
[…]
Entretanto, em casa da Ino, Tsunade e Minato estavam cada vez mais preocupados. Eram quase 22h30 e Ino ainda não tinha chegado.
Minato, como já não aguentava ver a mulher naquele estado, e também porque estava cansado, resolveu levá-la, juntamente com ele, para o quarto, mais concretamente para a cama. Ele queria muito quase ela descansasse.
Subiram as escadas em direcção ao seu quarto, mas quando passaram pelo quarto das meninas, Minato avisou Inai que já eram horas de ir dormir e, portanto, que desligasse a luz e fosse deitar. Amanhã ela teria que se levantar cedo para ir para a escola.
Inai, ao princípio, não ligou muito ao que o pai dissera, mas depois, vendo que começava a sentir-se cansada, lá acabou por acarretar a ordem.
Pelos vistos a noite iria ser longa para esta família…
[…]
- É o que estou a dizer, Sasuke! Já é de noite e a Ino ainda não regressou a casa depois de me ter pego em flagrante aos beijos com a Inai!
Sai havia telefonado, por telemóvel, para Sasuke. Estava igualmente preocupado com a Ino, e a única pessoa com quem podia desabafar os seus problemas amorosos era com o seu melhor amigo, o Sasuke.
- Isso é bastante preocupante. Se fosse rapariga e também apanhasse o meu namorado aos beijos com outra, sendo ela a minha própria irmã, também quereria desaparecer, ficar sozinho, sem ninguém a chatear-me.
- Sasuke, isto é um assunto sério! Não é altura para brincadeiras…
- E quem disse que eu estava a brincar? – interrompeu-o Sasuke – Olha, amigo, segue o meu conselho. Não te preocupes mais com esse assunto. Verás que ela não tarda a aparecer e que amanhã, quando for à escola, terás todas as oportunidades do mundo para te desculpares perante ela.
Sai encontrava-se muito pensativo.
- Talvez tenhas razão… Se calhar estou a fazer uma grande tempestade num copo de água… - Sai respirou fundo – Muito bem…amanhã vou seguir o teu conselho. Mal chegue à escola, irei procurar a Ino e justificar aquele incidente de hoje à tarde.
- Portanto este assunto já está resolvido. E quanto à Inai? Já sabes o que vais fazer?
- Não sei… - Sai passa uma mão pela nuca – Sabes…eu quando a beijei senti algo diferente de quando beijava a Ino. Não vou mentir, eu gostei mesmo dos beijos. Eram quentes e apaixonados…
- Menos, menos…eu não quero saber pormenores!
- Ai, cara…se tivesse que repetir tudo, eu não me importaria. Mas, por causa disso, a Ino está desaparecida e isso me deixa terrivelmente preocupado. De uns meses para cá, a nossa relação podia não ser das melhores, mas era a minha namorada! Por isso, ao menos, devia ter sido mais honesto com ela. – Sai soltou um grande suspiro – Por um lado, adorei beijar a Inai, foi algo diferente; mas por outro, sinto-me mal por causa disso devido às coisas que te acabei agora de contar. Se é que me entendes…
- Sim…se te entendo. Estás num grande dilema, meu amigo!
- Eu sei.
Nesse instante, Shizune abriu a porta do quarto do Sai, que era onde ele estava, para desejar-lhe boas noites.
- Só um momento, Sasuke. – afastou o telemóvel do ouvido, tapando-o com uma mão – Boa noite, mãe!
Shizune assentiu com a cabeça e saiu. Sai voltou a pôr o telemóvel ao ouvido.
- Desculpa esta interrupção, Sasuke. É que a minha mãe veio aqui ao meu quarto desejar-me boas noites.
- É…tou a ver! Depois falamos disto amanhã! Já é um pouco tarde e amanhã temos que nos levantar cedo!
- O que é isso? O Sasuke virou madrugador?
- Não. – disse rindo-se – Apenas acho que hoje foi um dia muito duro para todos nós e que, por isso, precisamos todos de descansar. Ter uma boa noite de sono, é o melhor remédio!
- Está bem…convenceste-me. Depois falamos. Até amanhã, Sasuke!
- Até amanhã, Sai!
Ambos desligaram a chamada.
Sai, após ter esta conversa com Sasuke, reflectiu muito sobre o assunto, vestiu os boxers de dormir e deitou-se na cama. «Amanhã…quem me dera que chegue rápido amanhã. Assim poderei esclarecer tudo!...». Foi com este pensamento, que o Sai acabou por fechar os olhos e adormecer.
[…]
- Já está pronta! – Kurenai olhava para o líquido verde, que o pequeno frasco continha, com satisfação – Ela vai adorar este meu presentinho feito especialmente para ela! Konan! – chamou a sua ajudante.
Konan alguns segundos depois já se encontrava dentro do seu escritório
- Sim, Madame. Que deseja?
- Konan, traga-me aqui a jovenzinha chamada Ino. Já tenho o que ela tanto anseia.
Konan saiu daquela divisória e foi buscar a Ino, que passado um bocado já estava lá sozinha com a bruxa Kurenai, frente a frente, sentadas em cada lado da mesa.
- Toma!
Kurenai entregou-lhe o frasco que continha o líquido verde, o qual Ino aceitou a medo.
- O que é? – perguntou, enquanto o observava.
- É uma poção. Tive muita dificuldade em achar alguma coisa para o teu problema. – deu um estalinho com a língua – Mas lá dei um jeito e acabei por o achar…num dos meus livros de poções maléficas!
- Ma…ma…maléficas?
Ino quase deixava cair o frasco.
- Sim, maléficas. Como sabes, para estas coisas toda a ajuda e sabedoria são importantes, não achas?
- S…sim.
- Então deixa-me te explicar como é que essa poção funciona. – Kurenai silenciou-se por alguns segundos – Ao tomá-la, vais sentir todo o teu corpo a reagir. Vais sentir tonturas, que nunca antes havias sentido…contudo, após esse pequeno transtorno, o teu coração deixará de bater, sendo que a tua mente será o único motor do teu corpo.
- Como assim?
- O nosso corpo é comandado por dois órgãos fundamentais, o cérebro e o coração. Um representa a razão e o outro o sentimento. Logo, se o coração tiver parado, terás o teu problema resolvido…nunca te apaixonarás, porque não tens sentimentos. É como se passasses a ter uma pedra no lugar desse órgão. Serás, portanto, uma rapariga fria e distante que verá o mundo com outros olhos.
Ino olhava para o frasco que tinha em suas mãos. Será que era capaz de fazer tal coisa? De beber aquele liquido só para que não voltasse a se apaixonar?
- Isso quer dizer que não voltarei a amar ninguém nunca mais? Isso inclui todas as pessoas que eu conheço?
- Sim. Todas as pessoas que amaste, deixaram de ser importantes para ti. À excepção daqueles em que pensas com frequência. Tens alguém nessa condição?
- Pessoas que penso com frequência? Claro que tenho! Os meus pais e a minha melhor amiga, a Hinata.
- Então não deixarás de sentir algo por eles. – Ino respirou de alívio – No entanto devo-te avisar de uma coisa. Esta poção tem um pequeno senão. Depois de a ingerires até podes não ter coração, nunca te apaixonares, mas se conheceres alguém e tiveres sempre a pensar nessa pessoa constantemente, então o efeito da poção desvanecerá. Mas atenção! No momento em que o seu efeito desvanecer, para te tornares na pessoa que és agora, terás que combater o mal que há dentro de ti. Só assim é que serás feliz entretanto. Se não, a tua outra opção é sem dúvida a….morte! – exclamou-o Kurenai num tom mortífero.
Ino nem sabia o que dizer ou o que fazer. Ficara por completo sem reacção ao ouvir tais palavras. Será que ainda assim, sabendo do que lhe acontecerá, ela continuará com este plano maluco para a frente? Tinha que se decidir o mais rápido possível…e assim o fez.
- Se são essas as condições, apenas tenho que fazer com que a minha mente não se deixe levar por rapaz nenhum, não é isso?
Kurenai ficou espantada com tal atitude por parte daquela menina. Mesmo sabendo que isto poderia pôr em risco a sua vida, ela mesmo assim queria continuar com isto? «Tenho mesmo que dar o braço a torcer. Esta rapariga tem coragem!», pensou, enquanto sorria satisfeita.
- Queres mesmo levar isto avante?
Era agora…tudo ou nada…
- Sim, quero! – disse Ino, erguendo a cabeça com veemência.
- Então abre o frasco que tens nas mãos e bebe o seu líquido.
Ino assim o fez. Bebeu o que havia dentro do frasco até à última gota.
Lá fora começava-se a ouvir a trovoada, fazendo com que naquele escritório se vissem muitos dos seus clarões. Parecia um ambiente bastante propício para aquele momento.
Mal acabou de o fazer, passado um bocado, começou a sentir-se mal disposta. A sua cabeça não parava de girar. Começara a ver tudo turvo…até que, sem forças, acabou por deixar cair o frasco no chão, que se partiu em mil pedacinhos. Nesse instante, tudo começou a ficar negro, acabando por fechar os olhos e cair redonda no chão.
[…]
- Ino!
Tsunade acabara de ter um pesadelo com a Ino. Sonhara que ela havia morrido.
Um pouco arfante, Tsunade só pensava que aquilo pudesse ser algum presságio de que a sua menina corria perigo, não estava bem.
Minato, por causa do grito da mulher, acabou por acordar e, vendo que ela estava outra vez a chorar e que aquilo devia-se à longa ausência da Ino, tentou reconfortá-la.
- Vá lá, querida… - abraçou-a e puxava-a de maneira a que voltasse a deitar-se na cama – Nada de ruim lhe aconteceu. Ela aparecerá, não te preocupes. Foi só um pesadelo…
- Mãe! O que foi que aconteceu?
Inai também havia acordado com o grito da mãe. Preocupada, levantou-se rápido e correu até ao quarto dos pais.
- Inai vai para o teu quarto! – ordenou Minato.
- Mas…a mãe…
- Não te preocupes com a mãe. Já passou. Foi só um pesadelo ruim.
Inai queria acreditar no que o pai lhe estava a dizer, mas percebia que a sua mãe não estava bem. Ela estava pálida. Naquele momento, queria a proteger, reconfortá-la…tal como o seu pai o fazia.
- Mas…
- Nem mas, nem meio mas! Vai já para o teu quarto, já disse!
Inai triste, saiu do quarto dos pais a correr e entrou no seu. Lançou-se na cama e, por razão incerta, começou a chorar mal havia posto a cabeça na almofada. «Porquê que isto nos está a acontecer? Nunca tinha visto a mãe naquele estado… Maldita, Ino! Mesmo desaparecida, ela continua a causar problemas!».
[…]
Ino, aos poucos, foi acordando, abrindo lentamente os olhos. De seguida observou todo o espaço do local em que se encontrava e pôde constatar que se tratava de um quarto. Quem a haveria colocado naquele quarto? A bruxa ou a aquela armada em gótica da Konan?
De repente ouviu-se a porta a abrir. Era a bruxa Kurenai.
- Vejo que já acordaste…
Ino ergueu-se da cama e sentou-se nela. Quando Kurenai se aproximou dela e lhe perguntou como é que se estava a sentir, ela lançou-lhe um olhar frio e desafiante, que se cruzou com o olhar da bruxa, expectante e calculista.
- Estás a olhar para onde? – disse com ar de troça – Não me digas que por me achares mais bonita estás com ciúmes?
Kurenai, no fundo, estava um pouco irritada com aquele comentário, mas nada disse. Apenas soltou uma pequena gargalhada.
- Estou a ver que a poção resultou…
- Quando é que posso ir embora? Estou a ficar um pouco impaciente por sair daqui.
- Tudo a seu tempo, minha jovem. – começou a olhá-la de alto a baixo – Mas acho que assim vestida não vais a lugar nenhum tão cedo.
- E posso saber o porquê?
- Como hás-de perceber, esse não é o visual mais adequado para esta tua nova faceta. Não acha o mesmo?
Ino, percebendo aonde ela queria chegar, olhou para si própria com um olhar céptico. Estava a usar umas calças de ganga e um top de alças finas azul claro. Ao tocar nas pontas do seu cabelo, que estava solto, respondeu:
- Talvez tenhas razão. – olhou para ela de lado – O que é que sugeres?
Com um sorriso malicioso, a bruxa Kurenai foi até à porta e da entrada chamou a sua ajudante, a Konan. Alguns segundos depois, lá estava ela a entrar na mesma divisão da casa que Ino.
- Chamou-me, Madame? – fez a sua habitual reverência.
Ino revirou os olhos.
- Por amor de Deus! Quando é que vai parar de fazer essa estúpida reverência?
Konan olhava para ela com uma raiva contida. Só não ia para cima dela por causa de Kurenai, uma mulher por quem nutria um enorme respeito.
- Konan, deixa-a. Ela não vale o esforço.
Kurenai conhecia muito bem Konan. Há muitos anos que vivia com ela. Por isso é que sabia que ela naquele momento estava prestes a fazer uma loucura, que mais tarde se iria arrepender.
- Falemos de coisas sérias… - saiu do quarto e entrou no seu escritório seguida pelas outras duas, acabando por se encostar na sua mesa – Como podes constatar, Konan, esta menina – apontou na direcção da Ino – já se encontra sob o efeito da poção que lhe dei. Ela agora é uma pessoa fria e distante… - falava com um tom de voz arrastado – Por isso tens que lhe dar um desconto, Konan. – Konan assentiu com a cabeça – E eu estava a pensar…já que é uma pessoa nova, que tal ter um visual novo, um que melhor se adeqúe a esta sua nova faceta?
Konan olhou-a incrédula.
- Tem a certeza que quer fazer isto, Madame? Ela valerá todo esse esforço da sua parte? – olhou de lado para Ino, que nem estava aí para a conversa.
- A minha resposta para as duas perguntas é sim. Se não tivesse mostrado tamanha coragem em querer resolver o seu problema, sem se preocupar com as consequências, podes estar segura que não estaria a ter este trabalho todo. – suspirou – Mas não é esse o caso. – esfregou as mãos – Que tal passarmos à acção? Estou cá com umas ideias…
Demoraram algum tempo a escolherem a roupa perfeita para a jovem loira, mas lá o conseguiram.
Apesar de contrariada, Konan até estava a ajudar a bruxa Kurenai a escolher roupa. Nunca tinha visto a sua Madame em tamanha folia há muito tempo. Aquela miúda devia ser mesmo especial para fazer tal milagre acontecer. No entanto, isso não afectava em nada o que realmente pensava dela. Continuava a achá-la impertinente.
- O visual já está! Agora só falta o cabelo! – exclamou Kurenai exultante.
- O cabelo? – Ino tocou nas pontas e analisou-as.
- Sim… - aproximou-se dela, levou-a para junto de um espelho e começou a alisar-lhe o cabelo – Que adianta ter um visual novo, se o cabelo não estiver a condizer?
Ambas olharam-se pelo espelho. Apenas com aquela simples troca de olhares, Kurenai pôde perceber que ela estava de acordo com o que lhe havia proposto. Sendo assim, ela e Konan puseram logo mãos ao trabalho.
O processo demorou meia hora, mas para elas valeu a pena. O resultado final deixou-as radiantes. Ino estava magnifica!
Ino, por seu turno, não sabia de nada. Elas, enquanto faziam coisas ao seu cabelo, haviam lhe vendado os olhos. Portanto, ela não tinha consciência do que aquelas duas mulheres lhe haviam feito.
Sem quererem mais demoras, mal terminaram, Kurenai e Konan levaram a nova Ino para a frente do grande espelho que estava na sala das máscaras.
Ino nem queria acreditar no que via. Por aquela não estava à espera! Usava umas botas pretas de cano alto, que ia até ao joelho, umas leggins vermelhas, que mais pareciam calças, uma camisa vermelha com um corpete preto a seu redor, e, para finalizar, o seu pescoço sustinha um colar com pedras negras ligadas entre si por uma correia de metal. Quanto ao seu cabelo, este agora era completamente negro e com ligeiras ondulações. Não havia uma ponta dele que denunciasse que outrora ele fora loiro e liso.
- Uau! A-do-rei! – Ino estava maravilhada – Com este visual, ninguém me irá reconhecer!
- Não tens de quê.
Kurenai também estava satisfeita com o seu trabalho. Esperava grandes coisas da parte dela. Quando Ino se foi embora de sua casa, ela desejou-lhe, bem lá no fundo, muita sorte. Iria precisar dela mais tarde.
[…]
Era noite cerrada, perto da meia-noite, e um grupo de pessoas estava reunido em círculo numa mata que ficava um pouco longe da cidade.
Cada uma usava uma capa preta com capuz, que lhe cobria por completo o rosto e o corpo. Uma delas dirigiu-se para o centro, onde estava uma grande pedra rectangular posicionada na horizontal sustentada por duas na vertical, e uma grande fogueira. Virou-se para o grupo, revelando-se ao remover o seu capuz da cabeça. Era Gaara.
- Irmãos! Hoje estamos aqui reunidos para um evento muito especial. Como é lua nova, o dia não nos podia ser mais propício. Esta noite, não só daremos mais um motivo de alegria ao nosso mestre, Satanás, como também será o ritual de iniciação do nosso mais recente elemento, o Naruto. – apontou na direcção dele.
Sakura, que estava à beira de Naruto, enquanto Gaara falava, sussurrou ao ouvido do novato:
- Então, Naruto? Preparado?
- É claro que sim! Duvidas?
Notava-se no tom de voz dele que estava zangado. Podia ter-lhe dito, mas lá no fundo sentia um certo receio. Aquilo era algo que não havia pensado fazer. Agora, mais do que nunca, teria que ser forte.
Quando Gaara disse o seu nome, ele passara a ser o centro das atenções. Todos já haviam tirado os capuzes, por isso ele sentia o olhar de cada um sobre si.
- Tragam a rapariga até aqui! – ordenou Gaara, conseguindo aliviar um pouco a tensão do novato, pois agora todos lhe prestavam atenção.
Ao longe vinham dois rapazes que arrastavam com ele uma rapariga pelo braço. Quando se aproximaram, todo o grupo pôde ver como era o aspecto do sacrifício. Era uma rapariga jovem, que se chamava Yakumo, da mesma idade que a maior parte deles, magra, com o cabelo castanho-claro, comprido e liso, que ia até a meio das costas, e com os olhos vendados por um lenço preto. Como não queriam correr riscos, o grupo teve que o fazer. Ninguém poderia saber onde ficava o seu esconderijo secreto.
Chegados ao local, os dois rapazes colocaram-na e deitaram-na por cima da pedra, amarrando-a, os pés e as mãos, com força, para o caso de ela querer fugir. E essa parecia ser, sem dúvida, o que ela quereria fazer, pois não parava quieta, tentando-se desenvencilhar sozinha daquela ameaça.
Naruto olhava para tudo aquilo um pouco preocupado e cada vez mais nervoso. Começava a ter suores frios. O que será que iria acontecer a seguir?
- Olha com atenção ao que se vai passar. Vem aí a melhor parte. – avisou-lhe Sakura, sussurrando.
Agora é que ele queria mesmo saber o que iria acontecer…
De seguida, um rapaz de cabelo escuro e olhos castanhos entregou a Gaara um frasco de vidro pequeno e um athame. Chamava-se Sumaru e era considerado no grupo como o braço-direito do chefe.
Após receber os objectos, Gaara amostrou-os ao grupo e depois dirigiu a ponta afiada do athame à parte interna do seu antebraço, cortando-o. O seu sangue começou a escorrer, indo parar ao interior do frasco.
Quando achou por bem parar, foi a vez dos outros. A cada um do grupo, ele fez o mesmo processo que tinha feito a si próprio. Sakura e Naruto foram os últimos.
Quando tudo terminou, e todos haviam contribuído, ele deu a Naruto o athame ensanguentado, para de seguida se dirigir até onde a rapariga estava. Levantou o frasco, como se quisesse abençoá-lo, e, molhando dois dedos no seu conteúdo, começou a espalhá-lo pelo corpo da rapariga, iniciando nas pernas e acabando na cabeça. O corpo dela estava coberto de sangue…
Sakura, mal percebeu o olhar de Gaara, mandou Naruto ir ter com ele. Havia chegado a sua hora. Este engoliu em seco e avançou a medo. Era agora o momento, o tudo ou nada!
[…]
Ino, sentindo-se poderosa e sem qualquer expressão no seu rosto que definisse o que ela estava a pensar, avançava por uma mata, que nunca antes havia estado. Ia na direcção de sua casa, mas preferiu ir por um atalho do que pelo caminho habitual.
Já estava a vaguear por aquela mata há algum tempo, até que avistou, ao longe, um fumo estranho. Atingida por uma estranha curiosidade, resolveu ir na direcção de onde provinha o tal fumo.
Chegada lá, descobriu que o tal fumo provinha de uma fogueira, que ardia com bastante intensidade e que via-se rodeada por um grupo, que a seu ver parecia ser de góticos, a realizarem um ritual satânico, no qual implicava um sacrifício humano. Ao aproximar-se deles, pôde observá-los atentamente e minuciosamente. Primeiro o conjunto, depois cada um individualmente. Quando a sua visão recaiu sobre Gaara, ela vira as suas suspeitas confirmadas. «Com que então é isto que fazes à noite…por isso é que és tão temido lá na escola…» , pensou.
Ninguém parecia dar pela sua presença. Todos estavam atentos a um certo rapaz loiro, que com um athame ensanguentado se aproximava do sacrifício.
- Estás pronto, Naruto? – perguntou Gaara, indo para trás de Yakumo, que continuava a debater-se.
Naruto não tinha bem a certeza, mas lá acabou por dizer que sim. Sendo assim, pôs-se em posição, erguendo o athame no ar, pronto para lhe acertar. Respirou fundo. «É agora!», disse para si. No momento em que lhe ia acertar, ouviu a Yakumo a suplicar-lhe bem baixinho
- Por favor…não me mates…por favor….
Suando por todos os poros e não aguentando mais, ele à última da hora acabou por desistir. Era escusado. Por muito que quisesse pertencer ao clã do Gaara, ser um gótico puro, não o conseguiria. Matar ou fazer sacrifícios não estavam na sua natureza.
- Naruto! O que é que estás a fazer? – perguntou Gaara furioso.
- Desculpa, Gaara. Eu sei que depositavas muitas esperanças em mim, mas não consigo! Simplesmente não consigo…
Gaara estava mesmo a começar a enervar-se. O resto do grupo notou isso e, como já conheciam o temperamento do chefe, afastaram-se um pouco.
Ino, aproveitando este momento de distracção, passou pelo meio do grupo e foi até ao centro, o local do sacrifício. Sem que ninguém contasse, ela tirou rapidamente, com um pano azul na mão direita, o athame da mão de Naruto e empunhou-o no ar, matando-a a sangue frio.
Ao ouvirem o grito de Yakumo é que se aperceberam do que se estava realmente a passar. E, como não havia deixar de ser, todos estavam surpresos e a perguntarem a si próprios quem seria aquela rapariga.
Naruto olhava para Ino um pouco perplexo, acabando por notar que aquele athame que ela tinha mão era o que antes estava na sua posse. Ainda sem perceber como é que ela o tinha tirado da sua mão, Naruto foi até ela. Estava pronto para tirar satisfações.
- Olha…tu aí!
Ino, que estava a limpar o athame com o pano bem como qualquer sinal da sua presença naquele local, olhou para ele com ar surpreso. «O que será que este quer agora?», pensou.
- Quem pensas que és? Não podes chegar aqui, sem mais nem menos, tirar-me o athame da mão e matar a pessoa que me estava destinada! – encarou-a nos olhos – Era eu quem deveria tê-la morto! Ouviste? Só não o fiz, porque…
- Porque és um cobarde.
- O quê?
- Isso mesmo que ouviste. Porque és um co-bar-de! Esse nome adequa-se bem àqueles que à última da hora se cortam para fazer algo. – olhou-o com um ar divertida – Não te parece?
Não havia morto a Yakumo, mas estava pronto para matá-la. Ino havia deixado Naruto possesso. Mas a gota d'água foi quando a ela lhe disse:
- Ah…a verdade dói, não dói? – fez beicinho – Eu acho que até me devias agradecer, sabias? – cruzou os braços contra o peito e olhou-o de forma superior – Se não fosse eu, alguém que encontrasse o athame descobriria as tuas impressões digitais. Logo…tu serias o principal suspeito e não eu.
Naruto ia a ela, se não fosse Gaara a intervir.
- Deixa-a, Naruto!
- Mas ela…
- Ela tem razão!
Ino, vendo que já tinha feito a sua parte, saiu altiva daquele sítio, mas não sem antes trocar um olhar frio e calculista com Gaara. Os outros, ainda sem se recuperarem da surpresa, a mando do chefe, deram-lhe passagem ao afastarem-se um pouco.
- Se eu vir aquela miúda à minha frente… - Naruto apertava os punhos contra o corpo.
- Não vais fazer nada!
- Mas, Gaara…
- Ela fez o que tu não foste capaz de fazer, para além de que ainda te salvou a pele! – fulminou-o com o olhar – Ela tem razão nisso. Deves-lhe um favor.
- Se fosse descoberto, tu arranjarias uma maneira de me salvar, não? - Naruto coçava a parte de trás da cabeça e fazia um sorriso trémulo.
- Não! – Naruto ficou sério de repente – Não depois do que me fizeste hoje. Sumaru! – chamou.
- Sim, Gaara.
- Faz-me um favor. Escolta o Naruto e leva-o embora para bem longe da minha vista! Já não suporto ver a cara dele depois desta desfeita.
- Pode deixar, Gaara. É o que eu farei! – virou-se para Naruto e pegou-o por um braço – Vamos?
Naruto olhou para a Sakura. Nem ela se havia oposto àquela decisão. Pensava que ela era sua amiga…mas estava redondamente enganado.
Quando o tal de Sumaru o pegou pelo braço, não contendo a sua raiva, soltou-o da mão dele e seguiu em frente sozinho, embora estivesse a ser seguido por ele.
Assim que eles se foram embora, Gaara dispersou o grupo, sendo que cada um foi para o seu lado.
Sakura ficou no mesmo sítio e, passado um bocado, não resistiu em aproximar-se de Gaara, que olhava para o corpo de Yakumo sem vida jazido na pedra.
- O que Naruto fez contigo, connosco, foi uma falta de respeito. Fizeste bem em o expulsar - vendo que ele não dizia nada, continuou - Pergunto-me, quem seria aquela rapariga de ainda há pouco. Nunca a tinha visto por estas bandas.
- É…eu também. – olhou para Sakura – Gostava de vir a agradecê-la. Viste como ela manteve o sangue frio e pensou em tudo, enquanto matava uma pessoa?
- Sim. E isso a meu ver não é para qualquer um!
- Tens razão! Espero voltarmos a vê-la. – sorriu – Ela lá tinha o seu charme…
Sakura continuava a olhar para ele. Não gostou nada do tom com que ele falava dela. Parecia que esta o havia fascinado. Nunca! Ele nunca seria daquela garota. Ela até podia ser gira e inteligente, nisso tinha que dar mão à palmatória, mas o Gaara nunca seria dela. Ela não deixaria que isso acontecesse. Amava-o. Se ele não fosse dela, então não seria de mais ninguém!
[…]
Ino estava radiante! Tal como o havia imaginado, ninguém a havia reconhecido…nem mesmo o Gaara. Foi com este estado de espírito que ela chegou a casa.
Como não tinha as chaves para entrar pela porta, resolveu subir pelo cano e entrar na janela do seu quarto. Uma vez lá dentro, viu Inai deitada na sua cama a dormir.
- Dorme que nem um anjinho. Que cena tão comovente! – exclamou irónica.
Não conseguindo se controlar, Ino desatou à gargalhada. Por pouco que não acordava Inai que, com o barulho que ela fizera, se mexera um bocado.
Cansada, pois havia tido um dia intenso, desfez a sua cama e deitou-se com um sorriso estampado no seu rosto. Antes de adormecer, apenas disse:
- Preparem-se! Agora é que as coisas vão ser bem mais divertidas...
