Oi!
Vejam qual vai ser a reacção dos colegas, perante o novo visual e a nova atitude da Ino!
kisses e reviews!
Capítulo V
Era de manhã. Um novo dia começava a despontar.
Inai, como todas as manhãs, levantou-se da cama depois de ouvir o despertador e começou a preparar-se. Se não despachasse, chegaria atrasada ao primeiro tempo.
Enquanto se arranjava, lembrou-se da noite anterior. «Ino, porque é que decidiste desaparecer, sem dar notícias? A mãe não merecia tamanho sofrimento…», pensou, ao mesmo tempo que olhou para a cama da irmã.
Inai nem queria acreditar no que os seus olhos viam. A cama da Ino estava desfeita! Isso queria dizer que a irmã havia passado a noite ali…
- Não pode ser!
Inai saiu de rompante do quarto dela e desceu as escadas a correr. Se ela dormiu lá, ela teria que estar lá em baixo a tomar o pequeno-almoço. Coisa que não era própria da Ino. Ser despachada. Mas naquele momento todas as hipóteses teriam de ser levadas a sério.
Quando entrou na cozinha, chamou:
- Ino!
Mas em vez da Ino, quem lá estava era Minato, seu pai, que estava a preparar o pequeno-almoço. Inai ficara perplexa. Como tinha ouvido barulho da cozinha, pensava que poderia ser a irmã, mas pelos vistos enganara-se.
- Bom dia, Inai!
- Bom dia, pai… - sentou-se e observou o pai de costas voltadas para ela – A mãe? Que eu saiba é ela que nos costuma preparar o pequeno-almoço. Não tu.
- Eu sei, Inai. Mas a tua mãe neste instante está a dormir. Esteve toda a noite acordada…só há algumas horas é que adormeceu. – suspirou – Foi uma noite dura para ela…
- Sim, eu sei… - lembrou-se da cama desfeita – Ah, pai!
- Sim? – colocou os pratos com pãezinhos torrados com manteiga e as duas canecas, uma de café e outra de leite, na mesa.
- Há quanto tempo estás aqui na cozinha?
- Há já algum… - sentou-se – Porquê que mo perguntas? – olhou para ela curioso.
- É que ainda agora, quando estava a preparar-me, reparei na cama da Ino e…esta encontra-se desfeita. – Minato arregalou os olhos, quase engasgando-se com o café – Por isso pensei que ela já se teria levantado e estaria aqui na cozinha.
- Tens a certeza disso? É que desde que me levantei, não ouvi barulho nenhum vindo do vosso quarto.
- Tenho, pai! – levantou-se de rompante da cadeira e pegou na mão do pai, para que este se levantasse também – Anda comigo lá acima! Assim poderás confirmar o que te digo com os teus próprios olhos!
Os dois subiram apressados as escadas e dirigiram-se para o quarto delas. Quando entraram, a primeira coisa que Minato fez foi olhar para a cama da Ino. Nem queria acreditar! Trocou um olhar com a sua outra filha, que pelos vistos tinha toda a razão. Realmente a cama estava desfeita. Principio que a Ino ou alguém havia se deitado nela. Mas como aquilo era possível, se não tinha ouvido nenhum barulho da porta a abrir-se durante a noite e a fechar-se naquela mesma manhã? Tudo aquilo era um bocado estranho…
[…]
Sai estava no átrio de entrada da escola na companhia do Sasuke e Temari. Poucos minutos faltavam para o primeiro toque do dia.
De repente, ele avistou Inai a chegar e, interrompendo a conversa dos amigos e despedindo-se destes, foi ter com ela.
Inai, quando entrou na escola, estava aérea. A única coisa que tinha em mente era o mistério da cama desfeita da Ino. Como se quisesse a resposta para tal pergunta, ela ergueu a cabeça e foi nesse momento que avistou Sai a vir na sua direcção. «Sai, que saudades! Ainda bem que estás aqui!», pensou aliviada, atirando-se para os seus braços e beijando-o, mal este havia chegado ao pé dela.
Sai não soube como reagir àquela demonstração de afecto, mas, como também sentia saudades dela, resolveu deixar-se levar pela maré.
- Que lindo! Deveria haver momentos assim "tão românticos" todas as manhãs! Assim já não seriam tão aborrecidas… - ironizou uma rapariga gótica de cabelos pretos e olhos azuis, que acabara de passar por eles.
Inai e Sai quebraram o clima do beijo e ficaram a olhar estupefactos na direcção que aquela rapariga havia tomado. «Não sei porquê, mas há qualquer coisa naquela miúda que me faz lembrar a Ino…», pensou Inai.
- Quem é que aquela miúda pensa que é? – perguntou Sai chateado.
- Não te preocupes com isso, Sai. Há coisas bem melhores por resolver…como por exemplo o mistério da cama desfeita da Ino esta manhã.
- A Ino já regressou? – ergueu a cabeça a fim de a ver se a avistava – Onde está ela?
- Aí está o problema…ela não veio comigo.
- Hã?
Sai parecia estar confuso. Se a cama da Ino estava desfeita era porque ela havia dormido em casa. Ao menos era assim que ele o pensava. Agora a Inai diz que a Ino não veio com ela para a escola…isso já trazia água no bico…
Vendo que ele não estava a compreender a situação, Inai passou-lhe a contar, detalhadamente, o estranho acontecimento daquela manhã.
[…]
Antes da aula começar, Gaara já estava dentro da sala de aula, sentado na sua carteira, a ler um dos seus livros favoritos, A Entrevista com o Vampiro de Anne Rice, «Um clássico!», tal como ele costumava dizer.
Estava com tanta atenção ao livro, que nem reparou que alguém havia se sentado na carteira ao lado da sua. Quando se apercebeu dessa presença, ergueu a cabeça e olhou para o lado desinteressado, mas de repente teve que dar-lhe um segundo olhar. Não estava para acreditar no que os seus olhos viam. A pessoa que estava a seu lado era a mesma da noite anterior, a atraente desconhecida que havia participado clandestinamente no seu ritual!
Sorrateiramente, Gaara fechou o seu livro, pousou-o e inclinou-se na sua cadeira, dirigindo toda a sua atenção sobre a rapariga.
- Oi!
Ino, ao se aperceber que era ele quem lhe estava a dirigir a palavra, lançou-lhe um olhar de esgueira. «O que é que este quererá agora?», pensou e com desagrado retribui-lhe o cumprimento:
- Oi.
Era mesmo ela! Fria e distante… Desde ontem que não a tinha tirado da cabeça. Queria tanto voltar a vê-la…e eis que ela surge à sua frente, dentro da sua própria sala de aula! Deveria ser uma nova aluna, uma daquelas que se transfere a meio do ano. Esta seria a única razão para a qual ele ainda não a tinha visto antes naquela escola. Agora que tinha a oportunidade, passaria a conhecê-la melhor…
Gaara ia a responder-lhe até que viu Inai a entrar na sala. «Onde está a outra patricinha?», perguntava a si mesmo. A Hinata havia entrado ao mesmo tempo que ele, e ela não tinha vindo com ela. Se não estava com ela de certeza que viria com a irmã. Mas esta chega e ela continua sem aparecer. «Bem…se calhar é melhor eu não me meter nisto. Afinal, o que é aquela rapariga para mim? Mas lá que é estranho…lá isso é!», pensou.
Nesse mesmo preciso instante, a professora Shizune entrava pela sala adentro. Todos os alunos, ao verem-na, silenciaram-se e foram sentar-se nos seus respectivos lugares. Quando chegou à sua secretaria, a professora cumprimentou a turma, pousou as suas coisas e começou a fazer a chamada.
- Hinata!
- Presente.
Hinata não estava assim tão eufórica como de costume e isso reflectia-se na sua voz.
- Inai!
- Presente!
Ao contrário de Hinata, Inai estava contente. Podia estar preocupada com os problemas lá de casa, mas não os transparecia lá para escola. Para além de que tudo estava a correr bem entre ela e o Sai.
- Ino!
Ninguém respondera. A professora achou estranho e, por isso, voltou a chamar o seu nome:
- Ino!
A resposta continuava a não vir. A professora sabia o que se estava a passar, mas como ela não podia deixar que esse problema se reflectisse para o seu trabalho, tinha que continuar a fazer o seu papel, quer para o mal quer para o bem.
- Professora! – Inai resolveu finalmente quebrar o silêncio, levantando-se da cadeira – Desculpe a intromissão…sei que não é desculpa, mas…a Ino não pôde vir hoje. Está doente. O médico diz que…
- A Ino está presente!
Ino, desde que a professora havia entrado na sala, continuava na sua. Quando esta começou a fazer a chamada e esta chegou ao seu nome, não sabia se deveria responder logo. «Quero criar um pouco de suspense… Vai ser divertido!», pensou, enquanto um meio sorriso se estampava no seu rosto. Estava prestes a levantar o braço para dizer "presente", pouco tempo depois de ouvir a chamarem-na pela segunda vez. Mas a Inai resolvera interromper. Ainda por cima com uma justificação da treta. Ela até poderia ter-lhe estragado os seus planos iniciais, mas pelo menos aquilo continuaria a lhe proporcionar na mesma o tal suspense que tanto desejava ou um ainda melhor…
Mal ouviram dizer que a Ino estava presente, todos, incluindo a professora, desviaram a cabeça na direcção de onde provinha a voz.
Ino, quando se viu o centro das atenções, não se sentira nem um pouco incomodada. Aquilo estava a dar-lhe uma enorme satisfação. Ver todas aquelas caras de espanto, principalmente as de Inai, Hinata e Gaara.
- Menina… – disse a professora com um sorriso amarelo – Eu sei quem é a Ino, por isso, não vale a pena estar a dizer quem diz ser, quando não o é…
- E quem disse que eu não sou a Ino? – Ino inclinou-se para a frente da carteira, pousando os cotovelos sobre a mesa e olhando-os de forma penetrante – Eu sou a Ino! – exclamou pausadamente e de forma cortante - Filha de Minato e Tsunade e irmã gémea de Inai! Por falar nisso… - o seu olhar desta vez se incidiu sobre a irmã – Quem é que te elegeu como minha porta-voz? Que eu saiba, eu não te pedi nada. Quando quiser um, eu depois aviso-te, ok?
Inai não estava a acreditar no que se estava a passar. Aquela não era a Ino, não podia ser ela… ou era? A sua irmã nunca lhe falaria daquela forma tão fria e irónica.
Hinata e Gaara, por seu turno, também estavam espantados e um pouco atordoados. Mas era ela quem mais sofria. Uma súbita onda de culpa a invadiu naquele momento. «No que é que ela se tornou por minha culpa?», perguntou para si própria angustiada.
Ino estava a adorar visualizar aquele cenário. Todos os seus colegas ficaram aturdidos com a sua inesperada revelação. Aquilo estava a fazer-lhe muito bem ao ego. «Agora é que vão ser elas…».
[…]
Gaara estava sentado num dos bancos do terraço, um pouco atordoado, ainda a pensar no que se acabara de passar na sala de aula. Era costume avistá-lo naquele banco durante o intervalo grande. Quem o conhecia, sabia que ele adorava estar naquele sítio, fazendo dele o seu local favorito de lazer.
Sakura, mal havia saído da sua sala de aula, foi logo ter com ele. Era sem dúvida uma das pessoas que o melhor conhecia. Assim que o avistou, aproximou-se dele.
- Oi! – vendo que ele tinha uma expressão séria, decidiu sentar-se a seu lado, focando o olhar em parte incerta – Então… O que é que se passa?
Gaara, de tão atordoado que estava, não havia notado a proximidade de Sakura. Só quando esta fez a pergunta é que se apercebeu da sua presença, lançando-lhe um olhar de esguelha.
- Nem queiras saber…
Gaara, apesar de saber que Sakura estava a seu lado, continuava a manter uma certa distância entre os dois, focando o seu olhar, igualmente, em parte incerta.
- Sou toda ouvidos.
Sakura queria mesmo saber o motivo que fizera Gaara ficar naquele estado.
- Lembraste daquela rapariga que apareceu ontem à noite no ritual?
- Ah! A rapariga… - já não estava a gostar da conversa – Sim, lembro-me. O que é que ela tem?
- Ela é da minha turma.
- Como assim? – olhou de lado para ele – Que eu saiba não se fazem intercâmbios a esta altura do campeonato. Para além de que…
- Ela é a mesma patricinha que, ainda há pouco tempo, me veio pedir ajuda para salvar as baleias em vias de extinção! - exclamou Gaara, interrompendo-a.
- Como assim? – Sakura parecia estar confusa - Aquela loira oxigenada? Não pode ser, Gaara…deves estar a fazer alguma confusão… A rapariga de ontem era morena, não loira!
- Não estou a fazer confusão nenhuma. – Gaara levantou-se e olhou para ela – Ela própria fez questão de frisar que era ela.
- Não pode ser… - com a cabeça a andar à roda, ela teve a necessidade de se voltar a sentar – Ela devia estar a mentir. Isso pode ter sido uma brincadeira da parte dela. Uma patricinha nunca faria o que ela fez…muito menos a sangue frio!
- Tens razão, Sakura. Tens toda a razão. - ele não sabia o que dizer, aquela noticia já havia sido um choque para ele, quanto mais fazer com que os outros acreditassem nele – Tal como tu, eu a principio também fiquei surpreendido, ela parecia tão segura de si, para além de que deu-nos um tipo de informação, que só a própria patricinha era capaz de saber. – fechou os olhos por um momento – Que razão eu teria para te mentir? Se a vires, verás que te estou a dizer a verdade. Ela tem a mesma cor de olhos que a irmã gémea, azuis celestes.
Sakura apenas acenou com a cabeça. Ela ainda não queria acreditar no que estava a ouvir, mas de uma coisa tinha a certeza, ela sempre confiara em Gaara, até com a própria vida. Se ele estava a dizer-lhe aquilo, é porque tal afirmação era verdadeira. Teria que confiar nele desta vez, apesar de toda a situação ser absurda. Demorara dois anos para ganhar a confiança de Gaara. Não ia ser por uma fantochada como esta que ela iria perdê-la.
Recuperada do choque, ela levantou a cabeça e olhou bem fundo para os olhos dele, como se quisesse lhe transmitir que podia contar com ela, que ela acreditava nele.
A esta demonstração de fidelidade, Gaara ficou contente, inclinando apenas a cabeça em sinal de aprovação.
[…]
- O quê, Inai? Não pode ser!
Sai não queria acreditar no que a Inai lhe estava a dizer sobre o que acontecera na sua aula. Aquela rapariga gótica que havia passado por eles não podia ser a Ino. Ele recusava a acreditar nisso.
- É verdade, Sai! Se visses a forma como ela falou comigo…parecia outra!
Sai sentia-se muito confuso, levando as mãos à cabeça. Precisava tirar tudo aquilo a limpo. Necessitava ver a suposta "transformação" da Ino com os seus próprios olhos.
- Onde vais, Sai? – perguntou Inai, vendo que este se afastava dela.
- Não é que não acredite em ti, Inai…mas eu preciso de constatar com os meus próprios olhos…
Dizendo isto, Sai seguiu em busca da Ino, deixando Inai desolada e um pouco triste.
[…]
Hinata e Ten Ten estavam no hall de entrada do pavilhão em que a primeira tinha aulas. Vendo que a amiga precisava de um ombro amigo, pois não estava a sentir-se lá muito bem, Ten Ten prontificou-se a ir ter com ela.
Hinata contou-lhe o que havia ocorrido na sua aula, história a qual Ten Ten prestou total atenção.
- Nem sei o que dizer… - o que a sua amiga havia-lhe contado era um assunto sério, que muito lhe custava acreditar, embora só conhecesse Ino há uma semana – A Ino? Gótica? Que mudança tão drástica! – olhou para Hinata preocupada – O que será que terá feito ela ter tal atitude? Hinata… – Hinata sobressaltou-se quando ouviu o seu nome – achas que tudo isto tem a ver com a traição do Sai?
Hinata não aguentava mais a pressão, estava prestes a chorar…até que se ouviu uma voz familiar.
- Olá, meninas! Falando de mim?
Ino sentira necessidade de ir ter com elas. Queria muito rever a sua amiga Hinata. A bruxa tinha razão. Ela, apesar de ter passado a não ter coração, continuou a pensar nas pessoas que lhe eram mais chegadas, os pais e Hinata.
Quando chegara ao pé delas de livro na mão, que supostamente iria lê-lo mais tarde, chegou a ouvir a parte final da conversa delas. «Traição do Sai» sem duvida que tinha a ver com ela. Foi, por isso, que sentiu necessidade em perguntá-lo.
Ten Ten ficou a olhar para ela um bom bocado. A Hinata não a tinha enganado, quando lhe dissera que a Ino havia mudado completamente. Ela agora parecia mais distante, fria, que até dava um certo medo. «Vendo bem, não se parece em nada com a Ino que conhecia.», pensou.
- Então? Vais ficar o dia todo a olhar para mim, ou vais responder à pergunta que fiz ainda há pouco, Ten Ten? – olhou para elas indiferente, mexendo nos seus cabelos – Eu só mudei de visual…
Ten Ten continuava a olhar estupefacta para ela.
- Deves estar a brincar, não? – vendo que Hinata nada dizia, apenas virara a cara, ela decidiu enfrentar a Ino, olhos nos olhos, com as mãos na cintura – Respondendo à tua pergunta, Ino… Sim! Sim, nós estávamos a falar sobre ti! Só queria entender o porquê desta tua mudança! Se o facto do Sai te ter traído com a tua irmã gémea, foi a principal razão disto tudo!
- De certa forma foi. – disse Ino sem fraquejar – Mas…que eu saiba…tu não tens nada a haver com isso. A vida é minha, e eu faço dela o que quiser! – virou-se para Hinata – Hinata…quero que apenas saibas que estou bem, nunca me senti tão bem em toda a minha vida… - aproximou-se dela e a abraçou, mas fez prevalecer uma certa distância entre elas, sussurrando-lhe ao ouvido – Fico bem, Hinata, não te preocupes… - soltou-se do abraço, recuou um pouco e, olhando para as duas, fez um gesto com a mão em jeito de despedida – Adeus!
Ten Ten, depois da Ino se ter ido embora, ficara um pouco atordoada, não parando de olhar na direcção que ela havia tomado. «Quem és tu? O que fizeste à Ino que tive o prazer de um dia conhecer?».
Hinata, por seu lado, continuava a pensar nas palavras que a Ino havia lhe dito. Ela queria acreditar nisso, mas vendo-a naquele estado, sabendo que, por algum motivo, aquilo era culpa sua… Não conseguindo aguentar tamanha tristeza, começou a chorar compulsivamente, levando as mãos aos olhos.
Ten Ten, ao ouvir a sua amiga a chorar, conseguiu sair do seu transe e apercebeu-se do tamanho sofrimento pelo qual ela estava a passar. Tentando consolá-la, chegou-se perto dela e pôs-lhe uma mão no ombro.
- A culpa…é…minha…Ten Ten… a culpa…é minha… - disse Hinata entre soluços.
- Não é nada, Hinata… - ficou de frente para ela e ergueu-lhe o rosto com uma mão, para que esta a olhasse nos olhos e visse que lhe dizia a verdade – Tu não tens culpa de nada, Hinata... Foi ela quem o quis assim… Portanto, pára de te torturares a ti própria, quando não tens nada a ver com o assunto! – decidida, puxou-a para si e abraçou-a.
Ten Ten queria que a Hinata se apercebesse com aquele abraço, que ela tinha ali uma amiga que a apoiava.
Hinata foi capaz de captar isso, apesar de continuar a sofrer por dentro, razão pela qual ela retribui-lhe o abraço.
Naquele momento, elas sentiram-se mais unidas do que nunca…
[…]
Sai percorria a escola toda à procura da "tal" Ino, até que por fim a encontrou. Reconheceu-a devido à descrição que a Inai havia lhe dito. Estava sentada nas escadas que davam acesso ao campo de futebol, próximas do maior pavilhão de lá, a ler um livro de Tarot.
Enquanto se aproximava dela, ele tentava perceber se aquela rapariga gótica e morena era realmente a sua doce Ino. «Será que é mesmo ela? Afinal a Inai pode estar enganada. Mas…e se não for ela? Que se lixe! É agora…a hora da verdade!», disse para si próprio.
- Oi! Queria falar contigo.
- Lamento, mas não temos nada para falar um com o outro. – respondeu Ino, continuando a folhear o livro.
- Eu também não quero tirar muito do teu tempo. – olhou atentamente para ela – Eu só quero saber se és quem dizes ser. – fez uma pausa – Se és a Ino, a minha doce Ino…
- Doce? – parou de prestar atenção ao livro e olhou para ele com cara céptica – Só se estiveres a gozar comigo! Eu de doce, agora, não tenho nada!
Sai já começava a impacientar-se.
- Mas és ou não és a Ino?
- Olha bem para os meus olhos. – os dois olharam-se nos olhos por breves instantes – É claro que eu sou a Ino! Quem haveria de ser? Eu só mudei um pouco o meu visual…
Sai, quando a olhou nos olhos, pôde constatar que aquela era mesmo a sua Ino. Só aquelas gémeas teriam aquela cor celestial nos olhos, que tanto o acalmava. Mas… "mudança de visual"? A Ino nem no seu juízo perfeito se vestiria daquela maneira. Vê-lo aos beijos com a Inai foi assim tão traumático para ela? Nem queria pensar nisso…
Baixou-se e pôs-se de cócoras ao pé dela, colocando-lhe uma mão na perna.
- Ino…
- Por acaso, alguém te deu permissão para me tocares? – perguntou Ino mal-humorada.
Sai sentindo-se um pouco intimidado por ela, acabou por retirar a mão a medo.
- Ino… - olhou para ela – Onde é te meteste? Desde que soube que andavas desaparecida, não deixei de preocupar-me contigo. Perguntando-me se estarias bem…por onde andarias naquele estado em que estavas…
- A pobre consciência pesou, não foi? – perguntou Ino desdenhosa, enquanto marcava a página do livro para depois fechá-lo – Bem…andei por aí…não muito longe. – olhou para ele – Mas sabes uma coisa? Fica-te tão bem esse teu lado de preocupado… - fez beicinho, colocando uma mão sobre o coração – Tou comovida!...
- Pára com isso, Ino! – levantou-se um pouco exaltado – Eu aqui preocupado contigo, tentando me desculpar…
Ino, ficando já farta da conversa, levantou-se, pousando o livro, e cravou nele o seu olhar.
- As desculpas não se pedem, evitam-se! Para além de que, pensando bem, não deverias estar com a Inai? – fingiu-se intrigada – Aposto que ela deverá andar louca à tua procura! Sabes… - pôs-lhe uma mão no ombro – eu até nem tenho nada contra vocês. Aquilo que aconteceu são águas passadas. Mas, agora, pensando bem…até que vocês fazem um casal bem bonitinho… - Sai sentia-se perdido, não estava entender nada de nada – O casal perfeito da in-tru-ji-ce! Foram feitos um para o outro! – afastou-se dele, pegou no livro, que havia pousado no assento, e sentou-se – Agora, se me deres licença, gostaria que te fosse embora, pois interrompeste-me a meio de uma leitura muito importante. Se me deres licença…
Ino lançou-lhe um último olhar e retomou à página do livro que estava lendo, desprezando-o como se ele não estivesse mais ali ao seu lado.
Sai nem queria acreditar naquilo. Como é que ela pôde mudar assim tanto? Mais valia não ter tido aquela conversa. Desiludido, deu meia-volta e foi-se embora.
[…]
Inai estava a falar como uma colega e amiga sua, perto do pavilhão em que estava a ter aulas. A um dado momento avistou Sai, ao longe, um pouco transtornado. Preocupada, querendo saber como havia corrido o seu encontro com a sua "nova" irmã, despediu-se da sua colega, que dirigiu-se para a sala de aula, e foi ter com ele.
- Então? Sempre a encontraste? – olhou para ele com atenção – Pela tua cara, parece que sim...
- Queres também parar de ser irónica? Já me bastou a Ino!
- Ui! Não foi por mal! – exclamou com as mãos levantadas em sinal de rendição.
- Desculpa, Inai… - disse arrependido – É que nunca pensei que a Ino fosse capaz de me tratar da forma como me tratou.
- Eu bem te disse que ela estava mudada.
- O mais estranho, é que ela apoia o nosso namoro. – Inai olhou para ele incrédula, de queixo caído – Aquela, sem sobra de dúvidas, não é a Ino que a gente conhecia!
Sai e Inai ficaram a olhar-se, tentando perceber como é que tudo aquilo foi acontecer, como é que a Ino foi capaz de mudar tanto.
[…]
Tocou a campainha. Era, finalmente, o último tempo. Todos os alunos saiam apressados das suas salas de aulas.
Ino, mal ouviu o toque, começou a arrumar as suas coisas com uma rapidez alucinante.
Gaara, percebendo que ela estava pronta para se ir embora, interpelou-a:
- Ino! Preciso de falar contigo!
- Desculpa, mas hoje não vai dar. Não tenho tempo a perder contigo.
Sem dizer mais nada, apenas o fitando, ela foi-se embora. Esta atitude por parte dela deixou-o confuso. No entanto, nesse mesmo momento, com reflexos espantosos, Gaara interpelou Hinata, que estava também prestes para se ir embora, impedindo assim a sua passagem.
- Hinata, sei que és amiga da Ino. – olhou para ela nos olhos – Será que me podias dizer o que foi que aconteceu para ela estar tão mudada?
Hinata, ainda um bocadinho triste, viu que, apesar da sua fama, a preocupação dele era sincera, acabando, portanto, por lhe contar o que havia acontecido no sábado.
- Depois não soube mais nada dela. – baixou o olhar – Se tivesse ficado ao lado dela, nada disto teria acontecido! – Gaara não estava a gostar de tanta lamechice – Tenho tanta pena dela…
Sem forças para continuar a falar do assunto que tanto a atormentava, Hinata, tentando esconder as lágrimas, saiu apressada pelo corredor fora.
Gaara, pensando em tudo o que Hinata havia-lhe contado, começou a somar 2+2. É então que uma ideia, bastante macabra por sinal, começou a se formar na sua cabeça. «Ela não teria coragem para tanto…ou teria?».
[…]
Depois da conversa com o Gaara, Hinata apenas queria ficar sozinha por alguns minutos. Queria colocar as ideias no lugar antes de ir ter com o pai, que supostamente estaria à sua espera no portão de entrada da escola. Foram tantos os acontecimentos e emoções que surgiram ao longo daquele dia…
Sendo assim, um pouco ainda a chorar, Hinata foi até ao terraço, onde acabou por se sentar num dos bancos de lá.
Enquanto pensava, Hinata viu ao longe o Gaara, a Sakura e um rapaz loiro, que deveria ser do mesmo ano que ela, numa acesa discussão. Pelo que pôde perceber, o loiro era quem teria razões de queixa, pois não parava de apontar-lhes o dedo de forma acusativa, enquanto que os outros dois mostravam-se impassíveis e muito frios, como se ele fosse uma pessoa insignificante.
A um dado momento, o rapaz loiro afastou-se deles e saiu disparado, passando a toda a velocidade por uma das alas do terraço.
Tendo um mau pressentimento, Hinata limpou os olhos lacrimosos com as costas das mãos e decidiu segui-lo.
[…]
Naruto estava furioso. Não conseguia entender o porquê de o Gaara não o aceitar de volta. Podia não ter coragem para matar, mas ao menos queria continuar no grupo! Eles eram como uma família para ele. Mas, pelos vistos, estava enganado. De certeza que foi aquela metida da Sakura quem envenenou o Gaara e o pôs contra ele. «Como é que eu pude gostar dela? Ah!».
[…]
Hinata, enquanto o seguia, pôde ver que ele estava fora de si, pois do nada começou a dar pontapés a tudo o que encontrava pelo caminho, principalmente caixotes do lixo e pedras, bem como a falar sozinho, mais para si do que para alguém, enquanto se estava a dirigir para a mata que ficava nas traseiras da escola.
Ao ver aquela cena, ela começava a ficar com um bocado receosa, mas, mesmo assim, não deixou de seguir atentamente os seus passos, pois tinha medo que ele fosse fazer alguma asneira.
[…]
Naruto dirigiu-se para as traseiras da escola, mais propriamente para a mata. Ai, ninguém o haveria de procurar àquela hora. Estava demasiado destroçado. As duas pessoas que considerava suas amigas, o haviam abandonado no momento em que mais precisava delas. «Com amigos assim, quem precisa de inimigos!», pensou com uma certa amargura.
Sendo assim, pegou numa arma, num revólver, que tinha escondida no bolso interno do casaco, murmurando:
- Porquê?... Porquê que nem tudo me corre bem? – as lágrimas começavam a formar-se nos seus olhos – Tudo o que eu queria…era poder pertencer ao grupo…ser um gótico puro…mas sem ter que matar ninguém…continuar com a minha filosofia de vida… É assim tão difícil eles entenderem isso? – perguntou, aos berros, levantando a cabeça para os céus.
Se não podia pertencer ao grupo, que mais ele poderia fazer? A única solução que ele via era a morte…
Sem pensar, ergueu a mão, que segurava o revólver, e apontou o cano deste contra a cabeça. Em breve, tudo estaria acabado. Todo o seu sofrimento daria por terminado…
[…]
Hinata, quando chegou à mata, manteve-se escondida atrás de uma árvore e viu as expressões do rapaz a mudarem, ficando com pena dele. A raiva havia se tornado em lamúria. Mas ao ver ele a pegar num revólver assustou-se.
- O que será que ele vai fazer com aquilo? – perguntou Hinata para si própria, assustada.
Depois, começou a ouvir o seu desabafo. Ah…como o entendia. Havia tanta amargura na sua voz…era como se sentisse usado por aqueles que considerava seus amigos.
Foi então que o viu a apontar, de seguida, o cano do revólver contra a cabeça. Hinata arregalou os olhos. «Não… Ele não vai fazer, o que eu penso que vai, pois não?», interrogava-se. Ela também estava a passar por uma fase menos boa da sua vida, mas nunca estaria nos seus planos tentar-se suicidar!
Vendo que ele estava prestes a premir o gatilho, Hinata saiu do seu esconderijo e foi correndo ter ao seu encontro, tentando evitar que o pior fosse acontecer.
- NÃO!
