Oi!

Desculpem a demora. Mas estive muito ocupada. Aqui fica mais um capitulo, espero que gostem!

Bjs


Capitulo VI

- Não!

Hinata corria a toda a velocidade ao encontro do rapaz loiro que, naquele momento, estava prestes a cometer suicídio. Aquilo era algo que ela não poderia deixar que acontecesse. Custe o custasse, teria de conseguir impedi-lo!

Naruto estava de costas para ela e, por isso, não estava a vê-la a ir ao seu encontro. A única coisa em que pensava era que aquilo fosse rápido. Mas a sua mão, por outro lado, sentia-se um pouco relutante em premir o gatilho.

Entretanto, Hinata estava prestes a alcançá-lo e, quando o fez, não pensou duas vezes, seguiu o seu instinto. Agarrou-lhe no braço, que segurava a arma, com todas as suas forças. Esforçava-se por o fazer largar a maldita pistola, quase desesperada.

- Não faças isso! Estás louco?

Naruto olhava para ela incrédulo, ao mesmo tempo que tentava soltar-se dela. Ele pensava que não haveria ninguém ali. Que estaria sozinho. Como é que aquela patricinha linda, com uns olhos perolados magníficos e tão translúcidos, fora capaz de o ver num momento de maior vulnerabilidade? Não queria que ninguém o visse nesse estado…e, mesmo assim, ali estava ela…a agarrar-lhe com força o braço e a perguntar se estava louco. «Larga-me…por favor…Larga-me! Quero estar sozinho! Quero morrer sozinho! Será pedir muito?». Foi a única coisa em que ele pensou, tentando desesperadamente libertar-se dela.

Sem alternativa, Naruto conseguiu reunir forças para assim a empurrar para fora do seu alcance. Iria fazê-lo…não queria, nem merecia a piedade de ninguém!

Hinata, ao ser empurrada, caiu de lado no chão. Mas, mesmo assim, ela não desistiu. Ao vê-lo a apontar a arma de novo à cabeça, levantou-se rapidamente de onde estava, livrou-se da sua mochila, que tinha às costas, e foi de novo, a toda a velocidade, ao seu encontro.

Quando ele estava prestes a premir o gatilho, Hinata conseguiu chegar na hora H ao deferir-lhe um golpe certeiro e preciso na mão, fazendo com este soltasse a pistola e esta saísse, por sua vez, disparada para bem longe.

Foi tudo tão rápido, que nem deu tempo de Naruto raciocinar direito… Naquele redemoinho todo, a única coisa que pôde sentir foi uma forte pressão numa das suas faces, fazendo com que ele virasse a cara de lado.

Hinata acabara de lhe dar uma enorme chapada. Não queria que aquilo acontecesse, mas não foi capaz de se controlar. Também não podia se queixar. Aquele rapaz estava mesmo a merecê-lo! Já estava na hora de ele acordar para a vida e parar para pensar na estupidez que estava prestes a fazer!

Naruto olhava para ela chocado, com os olhos arregalados. Como é que ela, uma rapariga que nem sequer conhecia, foi capaz de o bater, de o enfrentar? Nunca tivera que passar por tal experiência, porque até então nunca ninguém na escola o havia levantado a mão, já que fazia parte do grupo de góticos, chefiado por Gaara, e temido por todos.

- Eu compreendo a tua dor…Eu sei por aquilo que estás a passar… - Hinata estava muito abatida – Também estou a passar, tal como tu, por uma fase menos boa da vida, mas… - ergueu o rosto e olhou-lhe nos olhos – mas isso não é motivo nenhum para que uma pessoa pense em cometer suicídio!

O que é que aquela miúda estava a fazer? A dar-lhe sermão? Compreendia a sua dor? «Como se isso fosse possível!», pensou, com amargura.

- Miúda, que eu saiba a minha vida só a mim me diz respeito! E tu não tens nada a ver com isso! – exclamou Naruto, desdenhoso – Nem sequer me conheces…

- Posso não conhecer-te – interrompeu Hinata – mas sei como te sentes neste momento.

Naruto começava a ficar farto do rumo daquela conversa.

- Sabes uma ova! Olha para mim e olha para ti. Somos pessoas completamente diferentes, de mundos diferentes! Será que ainda não enxergaste isso?

- Podemos ser de mundos diferentes, mas isso não altera o que sentimos. Os sentimentos de uma pessoa, – disse-o de uma forma carinhosa, quase num sussurro – esses nunca mudam!

Ela queria muito que ele entendesse isso e para que tal fosse possível decidiu pegar-lhe na mão e a colocar sobre o seu coração, que demonstrava estar descompassado devido ao susto dos últimos acontecimentos. Ao sentir o contacto dele, Hinata permitiu-se a fechar os olhos e a deixá-lo sentir o que ela própria estava a sentir.

O coração era o único órgão do ser humano capaz de unir as pessoas através do calor e do amor que dele emanavam. Era assim que Hinata o via e, por conseguinte, esperava que ele também o visse assim.

Naruto nem sabia o que fazer. Sentia-se um incomodado. Também não era para menos. Ele estava a tocar no peito de uma rapariga, propriamente o seu coração. Mas, por outro lado, não degustava daquela situação. O batimento daquela miúda podia estar um pouco acelerado, mas, sob a palma da sua mão, conseguia sentir uma certa energia que emanava dele. Uma energia boa, que fazia com que se sentisse em paz… «Mas o que é que estou a fazer?», questionou-se, retomando a si mesmo.

Um pouco corado e sem jeito, Naruto retirou logo a mão de onde estava. Não queria voltar a ter aquele tipo de intimidade.

- Ok, ok! Já entendi a mensagem! – olhou de lado na direcção dela. Esta olhava-o expectante. Suspirou – Se isso te fizer feliz, prometo que nunca mais irei repetir tamanha façanha, como aquela de ainda há pouco. – virou-se de frente para ela – Assim está melhor?

Ao ouvir tais palavras, Hinata sentiu-se a ser inundada por algo desconhecido, que lhe deixava bastante aliviada e com o coração e a mente reconfortados. Fez bem em fazer o que fez, em abrir-lhe os olhos. Graças a ela, ele finalmente havia posto algum juízo naquela cabeça.

Feliz por estar tudo resolvido, Hinata aproximou-se dele e estendeu-lhe a mão direita, enquanto lhe lançava um dos seus melhores sorrisos:

- Chamo-me Hinata Hyuuga e sou do 10º A. Muito prazer!

Naruto não estava a acreditar que aquilo estivesse mesmo a acontecer. Não queria admiti-lo, mas já valera a pena tentar cometer suicídio, pois assim não teria tido a oportunidade de ver aquele sorriso terno e meigo que ela lhe lançava. «E que sorriso!», pensou ao mesmo tempo que soltava um pequeno suspiro. Aquela era, sem dúvida, uma situação um pouco insólita! «Esta miúda não leva jeito…».

Deixando-se levar pela onda, Naruto apertou a mão dela, olhando-a bem fundo nos olhos.

- Naruto Uzumaki. 10º C.

De repente, sem que ela se apercebesse, ele, ainda com a mão agarrada à dela, puxou-a de levezinho de encontro a si, dando-lhe um beijo num das suas faces e sussurrando-lhe ao ouvido um honesto "Obrigado!".

Naruto, depois de lhe agradecer, soltou-a e foi-se embora. Graças a ela, estava a sair daquela escola bem mais aliviado.

Hinata ficara estática a olhar na direcção que ele tomara. «Ele deu-me um beijo na cara…», dizia para si própria, ao mesmo tempo que levava a mão direita ao local onde ele lhe havia depositado o beijo. Devia estar a sonhar… Nenhum rapaz, para além dos seus familiares, ousara fazer tal coisa.

Quando Naruto fugiu do campo de visão de Hinata, esta passado alguns segundos começava a sair do transe em que se encontrava. Abanou constantemente a cabeça com força.

- Hinata, não são horas de sonhar acordada! – olhou para o pequeno relógio de prata que tinha no pulso esquerdo – Oh, não! Estou atrasada! – nem queria acreditar no que estava a ver – O meu pai deve estar fulo!...

Sem perder tempo, e com medo de piorar a sua situação, Hinata pegou na mochila, que até então estava esquecida, pousada no chão, e saiu a correr até ao portão principal da escola.

Enquanto entrava no carro e o seu pai já começava a dar-lhe um sermão por causa do seu mega atraso, ela começou a pensar noutras coisas. Podia estar numa fase menos boa da sua vida, mas ao menos isso a levara a uma coisa boa. Tivera a oportunidade de conhecer o Naruto. Tivera a oportunidade de salvar a sua vida e ser retribuída por tal gesto. «Ele agora está no bom caminho. Só espero que ele aproveite bem esta segunda oportunidade…», pensou, com um sorriso nos lábios.

[…]

Era final de tarde. O sol já se estava a pôr. Ino acabava de chegar à casa depois de ter ido visitar a sua "amiga", a bruxa Kurenai, depois das aulas terem terminado, para lhe contar tudo o que havia acontecido na escola nesse mesmo dia. Devido à maneira como os seus colegas haviam reagido, a bruxa tinha feito um óptimo trabalho e, por isso, merecia um "obrigado" da sua parte.

Depois de ter aberto a porta à chave, entrou em casa, fechou-a e depois, sem querer saber de mais ninguém, subiu as escadas e foi directa para o seu quarto. Havia sido um dia em cheio.

[…]

Minato encontrava-se no escritório, a trabalhar sobre um monte papéis importantes da sua empresa, que estavam sobre uma secretária, até que ouviu a porta da rua a abrir e a fechar-se. Alguém havia chegado a casa e, na sua mente, essa pessoa só podia ser a Inai, já que a Ino ainda não dava sinais de vida.

Contudo, passado um bocado, enquanto voltava a estar concentrado na sua papelada, ouviu de novo a mesma porta a fazer os mesmos movimentos de antes, a abrir e a fechar-se. Desconfiado, Minato largou a papelada, levantou-se da cadeira, contornou a secretária e saiu da divisão onde estava. Tinha que descobrir o que se estava a passar!

[…]

Inai acabava de chegar a casa, tal como Ino, só que na companhia do Sai.

- Lamento a cena que tiveste com a minha irmã hoje. Eu não devia ter-te dito nada!

Inai lamentava-se o que havia feito, pois não queria ver o Sai naquele estado. Depois de ter falado com a Ino, para ela, ele não parecia o mesmo. Poderia armar-se em forte à frente dos amigos, mas ela o conhecia muito bem. Sabia que, bem lá no fundo, ele estava a sofrer.

- E ainda bem que mo disseste. Mas…aquela Ino com quem eu falei, tal como te tinha dito antes, era completamente diferente da que nós conhecíamos. – Sai mostrava-se cabisbaixo – Não sei o que fazer daqui por diante…

Inai já estava na entrada de sua casa e pronta para abrir a porta com as chaves que guardava na sua mochila. Queria mesmo dizer qualquer coisa para o consolar, mas não sabia bem o quê.

- Já estou entregue, Sai. Sã e salva. – rodou a chave na fechadura e abriu a porta.

- Bem…então é melhor eu ir indo. Vim contigo, porque queria que chegasses a casa em segurança.

- E…podes apostar que melhor guarda-costas não podia ter! – disse Inai, provocativa, aproximando-se dele.

Sai estava confuso com os últimos acontecimentos, mas também, com esses mesmos acontecimentos, aprendera a gostar da companhia da Inai. Gostava dela, mas não sabia se o que sentia por ela era amor, o mesmo amor que sentia pela irmã desta. Mas, no meio de tudo isto, uma coisa era certa, eles andavam. Agora entendia que estas provocações amorosas que ela fazia nele eram só para que se animasse e relaxasse um pouco. E até que pareciam surtir algum efeito. Já começava a entrar na onda dela.

- Ah, sim… - sorriu maliciosamente – Vem cá e eu mostro-te o que o bom guarda-costas é capaz de fazer… - puxou-a pela cintura para junto de si e beijou-a apaixonadamente.

Inai sentia uma felicidade enorme por aquilo estar mesmo a acontecer. Agora era ela quem andava com o Sai. «Agora sei que valeu a pena esperar por ele estes anos todos!».

Tentando recuperar o ar, Sai afastou-se dela e, ainda com as mãos na sua cintura, ficou a contemplar o seu rosto.

- Bem, Inai… Tenho mesmo que ir. – deu-lhe um selinho – Txau! Amanhã a gente se vê!

- Txau, Sai! Até amanhã!

Ambos acenam um para o outro. Quando Sai virava ao final da esquina, Inai entrou definitivamente em casa e fechou a porta. Estava com um sorrisinho estampado no rosto. «Isto foi apenas um começo!», pensou, levando dois dedos aos lábios toda contente.

Ia a subir as escadas para ir para o seu quarto fazer os trabalhos de casa, quando foi interpelada pelo seu pai, que vinha do escritório muito atarefado.

- Inai!

- Olá, pai! – cumprimentou-o – O que é que se passa?

- Inai…andamos a brincar com a porta da rua ou o quê?

Inai não estava a perceber a pergunta do pai.

- Não entendo…

- Estava no meu escritório a trabalhar, quando ouço a porta da rua a abrir e a fechar-se. Naquele momento não dei muita importância, pois pensei que eras tu. Mas, passados nem dez minutos, ouço de novo a porta a abrir e a fechar-se. E, quando chego aqui, vejo-te a despedires de alguém e a subires as escadas. - lançou-lhe um olhar acusador – Não me digas, que deixaste a pessoa, que te veio trazer aqui, entrar em nossa casa sem a minha permissão? Sabes que eu não tolero faltas de respeito, Inai!

Inai estava assustada com o seu tom acusador.

- Não, pai! Por quem me tomas? Juro que não fiz nada disso! Eu acabei mesmo ainda agora de chegar!

- Então quem é que entrou em casa antes de ti?

Inai a princípio não sabia de quem se tratava, mas de repente uma possibilidade veio-lhe à mente.

- Não me digas que foi ela…

Aflita, Inai subiu as escadas a correr em direcção ao seu quarto, deixando o pai boquiaberto. Tinha um palpite de que fosse a Ino a pessoa que havia chegado antes dela. Sendo assim, quando chegou ao quarto e abriu a porta, pôde logo constatar que as suas suspeitas estavam correctas. Era mesmo a Ino…

Ino estava a ler tranquilamente, sentada na secretária, quando ouviu a porta a abrir-se. Assim que viu que era Inai, ela tratou logo de desviar os olhos do livro, para que estes pudessem concentrar-se nela, que ainda continuava de pé na soleira da porta, cumprimentando-a com um sorriso falso.

- Olá, Inai!

- Quando o pai me disse que tinha ouvido a porta da rua a abrir e a fechar-se, bem me parecia que só poderias ser tu…

- Sou assim tão previsível?

- Não te armes em sonsa comigo!

Ino soltou uma gargalhada.

- Desculpa. Foi mais forte do que eu. – colocou o cotovelo direito sobre a mesa da secretária, pousando a cabeça na mão e olhando-a de forma penetrante – Então… Tens andado a divertir-te muito com o Sai?

Inai ficou ofendida, devido ao tom que a irmã impregnou nas palavras. Tinha vontade de lhe dizer umas poucas e boas! Quem ela pensava que era? A sua relação com o Sai não tinha nada a ver com ela. Estava pronta para lhe responder até que o pai chegou ao pé dela.

- Inai! – agarrou-a por um ombro, fazendo com ela o olhasse de frente – O que é que te deu para desatares a correr daquela maneira, sem me dares qualquer justificação? O que é que tinhas no teu quarto de tão imp… - olhou de lado para dentro da divisória e avistou uma rapariga morena sentada na secretária – Oh… desculpe! Não a tinha visto… - olhou para Inai, confuso – Quem é?

Ino respondeu, soltando um longo suspiro.

- É a Ino, pai…

O que ela estava para alí a dizer? Que história era essa de aquela rapariga ser a Ino?

- A Ino? – levou uma mão à testa de Inai, preocupado – Tens a certeza que não estás doente? Se calhar estás a delirar e…

- Pai, eu não tenho febre, nem muito menos estou a delirar! – apontou na direcção da irmã – Esta aqui é mesmo a Ino, a minha irmã gémea!

«Não pode ser…». Era tudo o que Minato fora capaz de pensar num momento como aquele. Como é que aquela rapariga poderia ser a sua menina desaparecida, se nem loira era? Olhando bem para ela, podia não ser loira, mas lá que tinha a mesma cor de olhos que ela, lá isso tinha.

- Ino…

- Olá, pai!

Ino estava a adorar ver a cara de espanto do seu pai ao constatar que ela era mesmo a sua outra filha. Mas, antes que ele começasse com o interrogatório, ela fez questão de lhe dizer que agora tinha um visual diferente, porque achara melhor mudar um pouco de ares.

Minato nem sabia o que dizer, nem o que pensar. Num dia desaparece, deixando todos os que a amam angustiados e preocupados, principalmente a mãe; para depois voltar a aparecer nas suas vidas, um pouco diferente, como se tal sumiço nunca tivesse existido. Tinha urgentemente que falar com ela a sós. Tinha que perceber a razão para tudo aquilo.

- Inai. – olhou para a loira – Quero que vás lá para baixo e me deixes a sós com a tua irmã, pode ser?

- Sim, pai.

Mianto, vendo que estava finalmente a sós com a Ino, fechou a porta do quarto e sentou-se na ponta da cama dela, que era a que ficava próxima da porta, permitindo-lhe observá-la de frente.

- Agora somos só tu e eu, minha menina!

Ino ao ouvir ele a dizer isto, lá começou a prever o que daí vinha. «Cá vamos nós para o típico sermão do pai preocupado!», pensou, irónica e um pouco aborrecida.

E ela não se havia enganado. Minato começou a explicar-lhe a situação lá de casa desde que esteve desaparecida, enchendo-a de perguntas.

Aqueles dias haviam sido de grande sobressalto. Com a Ino desaparecida, ele fazia um esforço por ficar mais tempo em casa, dando apoio à sua esposa, que, no meio de tudo aquilo, era quem mais sofria. E era por ela que estava a ter aquela conversa com a Ino.

Por outro lado, Ino não entendia o sentido de tudo aquilo. Porquê que não ficavam apenas contentes com o seu regresso e seguiam com as suas vidas pra frente? Só teve dois ou três dias desaparecida. Da forma como se dirigia a ela, até parecia que ela tinha ido desta pra uma melhor! Chegou a um tempo, que o sermão começava a enjoar. Daí tudo o que ele dizia entrava a 100 e saía a 200, fingindo estar com um mínimo de atenção a ele.

Quando ele deu a entender que o sermão estava a acabar, Ino virou-se para ele e o olhou duramente.

- Obrigada. – levara uma mão ao peito para começar a ser irónica – Não sabia que era assim tão importante para vocês. Principalmente para ti, pai! Não é verdade?

- O que é que queres dizer com isso, Ino?

Por aquela é que ele não esperava. Desde quando é que a Ino era uma rapariga capaz de ser tão fria e irónica?

- O que ouviste, pai. – cruzou as pernas lentamente e uniu as mãos, colocando os cotovelos nos braços da cadeira – Agradeço a vossa preocupação, - «Principalmente a da mãe.» - mas só tive dois ou três dias sem pôr os pés aqui em casa. Como vês, não morri, nem coisa que se pareça.

Minato levantou-se indignado.

- Ouve aqui, minha menina…

Ino interrompeu-o.

- Para além de que… - fingiu estar a pensar - já não era sem tempo! Vais muito atrasado…pai!

Minato já não estava a gostar da brincadeira. Começava a perder a paciência com tal insolência da parte dela. Mas tentava controlar-se o máximo que podia.

- Aonde queres chegar com tudo isto?

- Ui…pai…não te exaltes, ok? Eu não estou a dizer nada de especial. Apenas a contestar um facto. – levantou-se da cadeira e o olhou nos olhos – O facto de que tu nunca foste um pai presente e agora… - apontou com os braços na direcção dele – vejam como ele, do nada, lembrou-se que tinha filhas!

- Oh, sua… - Minato perdeu a paciência. Levantou a mão, prestes a dar-lhe uma chapada, com um olhar e expressão furiosas, mas à última acabou por retrair-se. Ino o fitava da mesma forma de antes. Não parecia estar nem o mínimo assustada com o que ele estava a prestes a fazer. – Não vale a pena… - baixou a mão para junto do corpo, frustrado – Confesso que fui um pai ausente, mas… - olhou bem fundo nos olhos dela – mas fiz de tudo para que nada vos faltasse. A ti e à tua irmã. – viu que ela não estava nem o mínimo interessada nas suas explicações – Não me faças essa cara, estamos entendidos? Posso ter culpa no cartório, mas de uma coisa te aviso, minha menina. É bom que comeces a mudar essa tua atitude! Quer queiras ou não, continuo ainda a ser o teu pai! – dirigiu-se até à porta, abrindo-a – Vai pensando no que te acabei de dizer. Estamos entendidos?

Dito isto, Minato saiu do quarto, furioso e muito frustrado. Ino não pareceu dar-lhe muita importância, já que, mal ele saíra, encolhera os ombros e retomara a sua leitura, como se nada tivesse acontecido.

[…]

Minato descia as escadas a pensar em tudo que havia acontecido entre ele e Ino. Principalmente na sua mudança de atitude. A sua Ino era assim? Nunca! Então, qual terá sido o motivo de tal mudança? O seu desaparecimento começava a ser um mistério para ele.

Lembrou-se de Inai.

Antes de chegar ao pé dela antes, elas pareciam estar a conversar qualquer coisa. Mas o que surpreendeu foi ouvir a Ino a perguntar pelo Sai à irmã. Na altura ficara um pouco desconcertado, mas não deu-a a entender isso. Portanto, o que não entendia era qual era a relação que existia entre a Inai e o namorado da irmã. Isso seria algo que teria de descobrir…

[…]

- Posso, pai?

Inai pedira permissão a Minato para entrar no escritório, já que havia sido chamada até lá pelo próprio, enquanto fazia os tpc's na sala.

- Claro, filha! Entra!

Minato estava aguardando a sua chegada há algum tempo, desde que pedira-lhe que fosse lá ter. Necessitava esclarecer alguns mal entendidos que andavam às voltas na sua cabeça.

- Posso saber o porquê de eu estar aqui? Que eu saiba, não fui eu quem andou desaparecida!

Parada, de pé, à frente dele, que estava sentado do outro lado da secretária, ela continuava sem perceber o real motivo do seu pai a ter chamado até ali, mesmo depois da sua conversa com a Ino. «Porquê que eu tenho sempre de levar por tabela?», questionava-se, com raiva.

Minato a olhava fixamente, como se pudesse ver a sua alma, colocando os cotovelos e unindo as duas mãos sobre a mesa da secretária.

- Inai…vou directo à questão. Ainda há pouco, antes de chegar ao pé de ti, depois de teres desatado a correr pelas escadas acima, eu notei que tu e tua irmã estavam a trocar algumas palavras…e, algo que me surpreendeu, foi o facto de o nome do namorado da Ino ter surgido do nada. És capaz de me explicar isso, Inai?

O seu pai parecia estar a fuzilá-la com o olhar, depois se ter dirigido a ela com um tom de voz neutro, demasiado calmo para o seu gosto. «E agora? Como é que eu saio desta?». Inai começava mesmo a ficar aflita. Mas, por muito que quisesse escapulir daquela conversa, não havia forma de escapar dela. O seu pai não o permitiria. Sem alternativa, ela mostrou-se decidida a contar a verdade.

- Bem… Queres saber a verdade, pai? – Minato acenava afirmativamente com a cabeça – Pois bem, a verdade é que eu e o Sai somos agora namorados!

Minato fora apanhado desprevenido.

- Como? Namorados? Mas eu pensava que a Ino é que era a namorada dele…

- Era, pai. Disseste-o muito bem. Agora é meu!

- Como isso é possível? Ou o rapaz não tem moralidade, sendo capaz de envolver-se com as duas ao mesmo tempo, ou então estás a fazer com que eu passe por parvo nesta história! Em qual é que ficamos, minha menina?

- Em nenhuma.

Minato estava cada vez mais intrigado com aquela história. Algo não batia certo. Será que alguma coisa lhe estava a escapar?

- Como assim?

À medida que ia falando, Inai sentia-se cada vez mais confiante. Já não se importava mais com a opinião que o seu pai pudesse a vir a ter dela.

- O Sai não fez nada. Fui eu quem seduziu-o, fazendo com que os dois acabassem o namoro! – tilintou com um dedo na cara, pensando no último dia, antes de esta ter desaparecido, em que vira a Ino – Se bem me lembro…acho que eles, supostamente, terminaram no mesmo instante em que a Ino, antes de desaparecer, nos apanhou aos beijos no parque. E não eram uns beijos quaisquer! – exclamou, sorrindo com malícia.

Minato não estava a ouvir direito o que a sua filha estava a dizer. Então fora ela quem havia sido uma das responsáveis pelo desaparecimento da Ino? Porquê que ela não lhes contara a verdade, desde o inicio? «Meu deus…que duas sinas me saíram! Primeiro foi a Ino com a sua estúpida ironia, agora…agora é a Inai com a sua falta de escrúpulos!», pensou, desesperado. Agora entendia, em parte, o sofrimento pelo qual a Ino passara. Daí talvez a mudança de visual. Também, com uma irmã assim, quem precisa de inimigos!

- Decepcionas-me, Inai…Estou muito decepcionado contigo. – levantou-se da cadeira – Como é que pudeste? Com tanto homem por aí, tinha que ser justamente o namorado da tua própria irmã?

- Sim, tinha! O Sai era e é especial! Ela não o merecia, não era adequada para ele! – olhou para ele de frente nos olhos – Eu amo-o, pai! E se eu pudesse fazer tudo de novo para o conquistar, como o fiz até aqui, podes crer que o faria! Sem a-rre-pen-di-men-tos! – se tinha que dizer a verdade, porque não dizer mais algumas que lhe estavam engasgadas na garganta? – E, quanto ao senhor, meu pai… - disse, apontando um dedo na direcção dele – Porquê que ao fim destes anos todos deu-lhe para dizer que tem filhas e que se preocupa com elas? – olhou para ele com desdém – Por amor de Deus…poupa-me o teatrinho de pai coruja nesta altura do campeonato! – aproximou-se da secretária dele – Tu nunca o foste! E, cá entre nós, - sussurrou – isso não te fica nada bem! – riu-se baixinho, enquanto dava meia volta, pronta para se ir embora – Se isso era tudo…Fui! – fez um pequeno aceno com a mão e saiu, fechando a porta atrás de si.

Minato não estava a acreditar que a Inai lhe tivesse faltado ao respeito ainda há pouco. O que é que se passava com as suas meninas? «Parece que anda tudo maluco!», pensou, sentando-se na cadeira. Se tivera um dia cansativo, este acabara da pior maneira. Teve duas conversas sérias com as suas filhas, uma de cada vez, e ambas lhe faltaram ao respeito. Só de pensar que esteve prestes a dar uma chapada a uma… Era melhor nem pensar nisso! «Será que fui assim tanto um mau pai? Nunca pensei que as minhas filhas guardassem tanto rancor, só porque eu não fui um pai muito presente na vida delas…». Talvez tivesse que, a partir daquele instante, mudar um pouco a sua atitude perante a vida…

[…]

Entretanto, Sai estava no seu quarto, sentado na sua cama, na companhia de Shizune, sua mãe. Os dois conversavam sobre as impressões que tinham tido da "nova" Ino.

É durante esta conversa, que Shizune fica a ter conhecimento do estado de espírito do seu filho. Das angústias pelas quais ele está a passar, bem como do seu namoro com a irmã gémea da Ino. Ao inicio mostrou-se um pouco surpreendida, mas, depois de ouvir as suas explicações devido a tal facto, ela decidiu dar-lhe todo o seu apoio. Ele bem que estava a precisar.

Sai estava grato com tal gesto da mãe. Sabia que podia contar com ela.

Passado um bocado, Shizune despediu-se do filho e saiu do quarto para ir preparar o jantar. Já começava a ficar tarde.

No instante em que Shizune estava a fechar a porta, o telemóvel do Sai começou a tocar. Era o Sasuke. Ele queria saber como havia corrido a conversa dele com a Ino. O Sai havia mencionado o assunto antes do começo de uma aula, mas não o especificara. Ficara de o contar mais tarde.

Portanto, Sai começou a contar ao amigo todos os pormenores da sua conversa com a Ino. Pelo que Sasuke podia constatar, o Sai não estava nos seus melhores dias. Parecia ter ficado muito abalado com tudo aquilo, embora não o mostrasse.

- Há mais uma coisa que te quero contar, Sasuke.

- E o que é? – perguntou Sasuke na expectativa.

- A minha mãe já sabe que eu namoro com a Inai e todas as razões que levaram a isso. - disse Sai, com pesar.

Sasuke fez uma careta.

- E aí? Como é que ela reagiu?

- Por incrível que possa parecer, ela deu-me o maior apoio. Fiquei e fico muito aliviado por saber que posso contar com ela.

- É… - Sasuke entendia muito bem o que o seu amigo estava sentindo. Conhecia-o como a palma da sua mão – E deixa-me adivinhar! Agora queres saber se podes contar aqui, também, com o teu melhor amigo. Acertei?

Sai mostrou-se surpreendido. «É incrível! Ele conhece-me mesmo muito bem! Sabe sempre aquilo em que eu estou a pensar! Às vezes é assustador…».

- Sim, acertaste…

- É claro que eu te apoio, meu! – Sai suspirou de alívio do outro lado da linha – Que tipo de amigo seria, se não estivesse ao teu lado num momento como este, no qual todo apoio é preciso? Sim…porque com estas irmãs gémeas, toda a ajuda é necessária! – insinuou na brincadeira.

Sai começou a rir-se. «Só ele para me fazer rir num momento como este!».

- Não gozes com o assunto, Sasuke!

- Mas olha, quanto à Ino e à sua transformação de visual e atitude, meu, só vendo… - Sasuke coçou o topo da cabeça – É difícil de acreditar…

- Eu sei, Sasuke. Eu próprio, quando a Inai me contou, não acreditei e quis ver com os meus próprios olhos. E tudo para quê? Para me desiludir ainda mais! Aquela não era Ino que nós conhecíamos, Sasuke. E tu, amanhã, o poderás comprovar.

- Ok! É só me dizeres quem é e eu verei então se tens razão!

Sem mais demoras, os dois despediram-se e desligaram os respectivos telemóveis. «É bom contar com amigos como o Sasuke!», pensou, contente, enquanto saia do quarto para ir jantar, que a seu ver já deveria estar pronto.

[…]

Tsuande acabava de entrar em casa. Vinha do trabalho e estava completamente exausta. Havia sido realmente um dia muito difícil.

Quase a arrastar-se, dirigiu-se até à cozinha. Eram 20h30 e ainda tinha que fazer o jantar. «Mas não sei se ainda tenho forças para tal…», pensou. Chegada lá, pousou as coisas que trazia consigo na mesa e aterrou logo na cadeira mais próxima que havia.

Estava mesmo muito cansada! E não era só a nível físico, mas também a nível psicológico, já que a sua Ino ainda continuava sem dar sinais de vida. «Meu Deus…por favor…faz com que ela volte depressa para casa…sã e salva…». A cada dia que havia passado, ela rezava para que esse tipo de milagre acontecesse.

Nesse momento, Minato entrou na cozinha. Havia se apercebido da sua chegada e, como bom marido que era, decidiu fazer-lhe uma pequena surpresa. Ia amenizar as coisas, de forma original, antes de lhe contar a verdade sobre o regresso de Ino.

Portanto, sem que esta se apercebesse, colocou-se atrás dela e a abraçou forte por trás. Esta, como havia de se esperar, assustou-se, mas, mesmo assim, estava contente por ele estar ali a seu lado, tentando animá-la. Carinhoso e super atencioso, ele começou a mimá-la, massajando-lhe, delicadamente, os ombros, enquanto lhe distribuía beijos por toda a cara.

Tsunade, a pouco e pouco, parecia estar a relaxar, a ficar mais descontraída. Minato pensou, então, que essa seria a melhor altura para lhe começar a dizer o que tinha para dizer.

- Tenho uma novidade para te contar, querida… - sussurrou-lhe ao ouvido.

- Hum… - Tsunade ainda estava com os olhos fechados. Estava a adorar a massagem do marido – Ai é? E…posso saber qual é, querido?

Minato susteve a respiração. Demorou algum tempo a responder. Queria ter a certeza que lhe diria a notícia, usando as palavras certas.

- A Ino voltou hoje para casa.

Tsunade demorou algum tempo a raciocinar o que o marido acabava de lhe contar.

- O quê? – abriu os olhos de relance e arregalou-os – A Ino voltou? – virou-se para ele – Tens a certeza?

Minato emoldurou-lhe o rosto com as duas mãos, para que esta o olhasse nos olhos e compreendesse que ele estava a dizer-lhe a verdade.

- Sim, querida. Tenho a certeza. Tal como tenho certeza absoluta, que ela, neste momento, está no quarto a fazer…

Tsunade nem deu tempo de Minato acabar a frase. Mal ele havia dito que ela estava no quarto, ela levantou-se de repente, libertando o rosto das mãos dele, e desatou a correr dali para fora em direcção ao quarto das meninas.

[…]

Minato ficara surpreso com tal reacção por parte da mulher.

- …a fazer qualquer coisa. – acabou a frase e suspirou – Ao menos, querida, posso dizer que já te alegrei um pouco o dia…

[…]

Tsunade estava muito feliz. Ino voltara para casa. Deus ouvira, finalmente, as suas preces.

Assim que chegou ao quarto delas, abrindo a porta de relance, começou a olhar em todas as direcções a ver se a via. Para além da mobília que se encontrava no quarto, as únicas pessoas que ela via lá eram a Inai, que estava surpreendida, como se tivesse visto um fantasma, sentada na sua cama junto à janela, do lado oposto à porta; e uma rapariga morena, que a olhava de sobrancelhas erguidas, sentada na cama da Ino, que pensou ser, possivelmente, uma amiga da filha. Então, onde estava a Ino? «Não me digas que o Minato me iludiu?». Fez esta pergunta a si própria, quase a entrar no desespero.

Como último recurso, decidiu perguntar à filha onde a irmã estava.

- Inai…a Ino? Onde está a tua irmã? O teu pai disse-me que a encontraria aqui, mas… - olhou para ela, suplicante – Onde é que ela está? Por favor, filha…diz-me só onde ela está…

Inai nunca vira a mãe a reagir daquela forma. «O desespero leva as pessoas a agirem assim?», perguntou-se a si própria, embora ela ainda não estivesse refeita do susto que levara. A mãe praticamente havia quase arrombado a porta do quarto!

Mas, apesar de ainda continuar surpresa, Inai achou por bem indicar à mãe o paradeiro da irmã. Não gostava nada de a ver naquele estado…quase a suplicar…

Sendo assim, a medo, Inai levantou a mão esquerda e apontou com o dedo indicador na direcção da cama da Ino.

Tsuanade seguiu com o olhar a indicação que ela lhe dava. Quando os seus olhos pousaram-se sobre a rapariga morena, ela ficara sem fala. «Não é uma amiga da Inai? É a minha Ino? Como isso é possível?». Havia uma série de perguntas a atravessar pela sua cabeça naquele momento, mas para as quais, por muito que se esforçasse, não conseguia obter respostas.

- Ino? – ainda continuava a olhar para aquela rapariga morena. Ainda não queria acreditar que ela poderia ser a sua menina – És mesmo tu? – perguntou, enquanto se aproximava dela e acocorava-se à sua frente, um pouco a medo, quase a tremer.

Ino olhava para a sua mãe fixamente e logo apercebeu-se que ela não estava muito bem. Estava um pouco pálida, mas ao mesmo tempo parecia bastante aliviada por a ver.

- Sim, mãe. Sou eu, a Ino.

- A minha menina… - humedeceram-lhe os olhos. Ergueu uma mão trémula para ela e começou a lhe acariciar os cabelos – O que é que te aconteceu, filha? Porquê que tens o cabelo pintado de preto? – olhou-a de alto a cima – E porquê que estás vestida dessa maneira?

- Mãe, não me aconteceu nada. Estou aqui, não estou? Isso é o que importa. – começava a não gostar daquela cena tão lamechas – Quanto ao meu cabelo e ao meu novo visual, achei que era bom fazer uma mudança. Adoro ser gótica e não vou mudar de estilo tão cedo, mãe!

- Ai, filha… - ergueu-se e foi-se sentar junto dela. Tsunade tremia de alegria por todos os lados – Estava tão preocupada contigo… Ainda bem que nada de mal de aconteceu… - sem conseguir aguentar, ela abraçou-a fortemente, com medo de que pudesse voltar a desaparecer – Filha…a minha menina está de volta… - chorava desconsoladamente – Nem queiras saber as vezes que eu rezei para que regressasses a casa, sã e salva…E agora estás aqui…Estou tão feliz…

Ino olhava para mãe, que agarrava-se a ela, como se esta fosse uma tábua de salvação. Nunca havia pensado que dois ou três dias fora de casa a pudessem pôr naquele estado.

Como queria que ela parasse com aquele drama, Ino começou a tentar acalmá-la, dando-lhe umas palmadinhas e dizendo que tudo iria ficar bem.

Inai olhava para aquilo boquiaberta. Estava claro que a irmã não estava nem aí para a preocupação da mãe, apesar de a tentar tranquilizar. «Como é que ela consegue ser tão fria e cínica?», questionava, enojada, perante aquela atitude da irmã.

[…]

No dia seguinte, terça-feira, Ten Ten estava na companhia de Hinata. Ambas estavam na escola, junto ao portão principal.

Ten Ten, como havia estado preocupada com ela, decidiu perguntar-lhe se esta se encontrava melhor, ao que lhe respondeu com um sorriso:

- Sim, estou melhor. Posso não estar a 100%, mas estou um bocadinho melhor do que ontem.

Ten Ten deu-lhe uma palmadinha amigável na parte superior do braço esquerdo.

- Assim é que é o espírito, amiga! – olhou para o fim da rua, que levava até à escola, e fez uma careta – Ih… - não estava a gostar nada do que via – Vem aí o gótico que o Neji não suporta! Ainda por cima, ele é da minha turma!

Hinata curiosa, virou-se na direcção que a amiga estava a olhar. Ela reconheceu logo a pessoa a que ela se referia.

Era o Naruto. Naruto Uzumaki, o rapaz que acabara por salvar da morte no dia anterior.

Este caminhava tranquilamente na direcção da escola, com as mãos nos bolsos das calças. Podia ser sua imaginação, mas por um momento, Hinata pensou que ele estava a olhar para ela.

No momento em que Naruto chegou ao portão e passou por elas do lado da Hinata, dirigiu-lhes um singelo "Olá", o que fez com que Hinata ficasse corada.

Ten Ten não estava a entender a situação. Sentia-se um pouco descontextualizada.

- Hinata… - olhou para a amiga, desconfiada e curiosa – Posso saber o que se está aqui a passar? Desde quando é que aquele gótico nos dirige a palavra?

- Bem… - Hinata não sabia o que dizer – Acho que é melhor irmos andando para a sala… - deu meia volta e começou a caminhar na direcção do pavilhão que tinha aulas.

- Ah? – Ten Ten via que a amiga ia-se embora. – Hey, Hinata! – resolveu segui-la – Vá lá, Hinata, conta-me! Não me mates de curiosidade!

Se dependesse dela, ninguém ficaria a saber das circunstâncias nas quais eles se haviam conhecido. Ten Ten podia ser sua amiga, mas aquele era um segredo só dela e do Naruto…

[…]

Gaara dirigiu-se para a sala de aula como sempre o fazia. Sozinho e a transmitir uma aura quase maligna. Daí nenhum aluno daquela escola se aproximar dele. Sabiam do que ele era capaz.

À entrada da sala de aula foi interpelado por Sakura, que lhe disse baixinho ao ouvido que precisavam de conversar mais tarde, se possível no intervalo. Gaara apenas acenou que sim com a cabeça e, depois desta seguir o seu caminho, entrou finalmente na sala, sentando-se na sua carteira, sob o olhar atento de Ino, que já se encontrava na sala há já algum tempo.

- Oi. Então? O que é que ela queria logo pela manhã? – perguntou Ino, como não quer a coisa.

Gaara soltou uma gargalhada. Achava-lhe piada.

- Tens graça. Mas, se quiseres que eu te conte alguma coisa, terás que te juntar ao grupo.

Ino entrou no seu jogo.

- Não sei… - lançou-lhe um olhar especulativo – Talvez, quem sabe…

Ambos olhavam-se divertidos. Provavelmente seria o inicio de uma ligação bastante peculiar.

[…]

Hinata e Ten Ten estavam a um canto do pátio, durante o intervalo grande, a conversarem com umas amigas, que ambas tinham em comum. Falavam um pouco de tudo, mas, acima de tudo, pareciam estar a divertir-se.

A determinada altura, Hinata despediu-se das amigas, alegando que tinha que ir para a aula, que deveria estar a começar. Entrou no pavilhão que ia ter aulas, subiu as escadas, mas, quando estava a caminhar pelo corredor, prestes a chegar à sala, ela sentiu que alguém a agarrava pelo braço.

- Anda, vem comigo!

Hinata o reconheceu. Era o Naruto. «O que será que ele quererá de mim?». Apesar de não ter resposta para tal pergunta, Hinata deixou-se levar por ele, sem contestar, já que por dentro estava contente por voltar a falar com ele.

[…]

Gaara chegou ao seu local preferido no pátio. Fazia questão de não se sentar, enquanto esperava por Sakura. Não valia a pena conversar com ela sentado, já que pretendia que a conversa fosse curta.

Sakura, por culpa da professora, que a reteu na sala a limpar o quadro como castigo, chegara atrasada ao seu encontro com o Gaara. Mal chegou ao pé dele, este a olhava sério, com cara de poucos amigos.

- Desculpa o atraso, Gaara. Mas não tenho culpa. A professora decidiu pôr-me de castigo a limpar o quadro.

Sakura mostrava que estava furiosa por tal coisa ter acontecido, mas Gaara não parecia ligar muito a isso.

- Sakura. Poupa-me os detalhes! O que tu fazes dentro da sala de aula não me interessa, mas sim, o que fazes dentro do nosso grupo! Percebeste?

- Sim, Gaara, percebi… - disse Sakura de cabeça baixa. Detestava ser repreendida pelo chefe.

- Como as aulas devem estar a começar, diz-me logo o que querias falar comigo de tão urgente. – ordenou Gaara.

Sakura olhou em redor, a ver se alguma pessoa os ouvia. Vendo que ninguém olhava na direcção deles, passou-lhe a dizer baixinho o que pretendia. Sugeriu, então, o começo de um novo ritual para breve.

Gaara não gostava muito da ideia. Achava-a um pouco descabida, devido ao que havia acontecido no último que tinham organizado.

- Mas o Naruto já não está connosco. Vai tudo correr na perfeição! – disse Sakura, confiante – E se ele der com a língua nos dentes, destruímo-lo!

- Sakura, apesar de ele já não pertencer ao nosso grupo, isso não influencia minimamente a decisão que acabei de tomar. Quanto ao Naruto, não te preocupes. Ele é o último dos nossos problemas.

- Mas…

- Não há mas, nem meio mas, Sakura! – interrompeu-a, ríspido - Se queremos que os nossos rituais continuem a ser discretos, não podemos agora levantar suspeitas. Temos que deixar a poeira baixar…e só depois é que pensamos nos preparativos de outro ritual. – levou uma mão ao ombro dela – Transmite isso ao grupo por mim, ok?

- Ok… mas…

- Ele tem razão, rosinha!

Sakura detestava que a chamassem daquele modo. Furiosa, virou-se para ver quem era a pessoa que lhe havia chamado daquele modo. Para sua surpresa, deu-se de caras com a mesma rapariga que aparecera clandestinamente no último ritual, que segundo Gaara, na sua última conversa com ela, essa pessoa era a Ino, uma das patricinhas gémeas desmioladas.

- O que é que me chamaste?

Gaara, vendo que aí vinha problemas, tratou de segurar Sakura a seu lado, com o intuito de esta não ir para cima da Ino.

- Sakura… Tem calma…

- Mas ela me chamou de "rosinha"! E só por isso não devia sair impune! – gritou, furiosa, com vontade de lhe ir aos cabelos – Lá porque ela nos ajudou no último ritual, isso não quer dizer que tenha que ir com a cara dela!

Gaara segurava-a com força.

- Sakura! Pára já com isso! Deixa de ser infantil! – gritou Gaara.

Sakura ficou em choque, parando com o que estava a fazer. Gaara nunca lhe tinha elevado a voz daquela maneira. Aquilo fez com que ela começasse a reflectir no que estivera prestes a fazer. «Maldita! Olha as figuras ridículas que ela me faz fazer à frente do Gaara… Agora, ele deve achar que eu sou uma criança pequena que não tem juízo! Que raiva!».

- Assim tá melhor… - Sakura começava a relaxar-se – Agora vai! Não te esqueças de avisar o grupo da minha decisão!

Sakura foi-se embora dali de cabeça erguida, prometendo a Gaara que transmitiria o recado. Podia ter sido humilhada à frente do chefe e estar profundamente magoada por dentro, mas a última coisa que faria era dar àquela víbora o gostinho de a ver rebaixada.

- Desculpa o comportamento da minha colega…

Ino não parecia o mínimo afectada com toda aquela situação.

- Não te preocupes. – sorriu com malícia – Eu até que estava a gostar de a ver furiosa… - olhou de lado para ele, enquanto caminhavam, lado a lado, até à sala onde iam ter a aula seguinte – Porquê que a impediste de vir para cima de mim? Haveria ter sido uma luta muito interessante…

Gaara olhou-a com interesse.

- Só que lamento dizer-te, que não era por ti que eu a segurava, mas sim com o intuito de não criar mais problemas para o grupo.

- Que atencioso… - disse Ino irónica.

Gaara, enquanto a olhava de lado, começara a pensar no quanto aquela rapariga havia mudado. Apesar de ter um possível palpite sobre o caso, sem querer o revelar a ninguém, tudo aquilo continuava ainda a ser um mistério para ele. «Ainda hei de descobrir o teu segredo…Ainda hei de descobrir que tipo de magia usaste em ti, Ino…», pensou, confiante e com um sorriso no canto do lábio.

[…]

Naruto puxara Hinata até a um canto do corredor isolado no segundo piso. O que ficava mais próximo do W.C. que era pouco utilizado. Assim, ninguém saberia que eles estavam ali.

Encostou-a à parede, com olhar ameaçador e preocupante.

- Tu! Não falaste com aquela tua amiga, que anda na minha turma, aquilo que aconteceu ontem, pois não?

Hinata estava um pouco assustada com as suas palavras, bem como ofendida.

- Não! Como é que podes pensar uma coisa dessas? Nunca o diria! – olhou para ele mais tranquila – Não te preocupes… O que aconteceu ontem será só um segredo meu e teu. – sorriu para ele – Afinal somos amigos, não?

Naruto ficara aliviado, mas, por razão desconhecida, não sabia porquê que aqueles olhos perolados pareciam ser a causa de tanta tranquilidade no seu interior. E que história era essa de serem amigos? «Será que esta rapariga não tem noção da realidade?», pensou, um pouco preocupado. Nunca iria conseguir entender aquela miúda em específico. Quando pensava que tinha o assunto resolvido, lá vinha ela lhe baralhar as ideias. E isso era muito frustrante para ele…não saber com o que contar…

- Hinata… É o teu nome, não é? – ela acenou que sim – Bem…lá porque ontem eventualmente nos conhecemos e hoje te disse um olá, isso não quer dizer que sejamos amigos. – olhou-a bem fundo nos olhos – Somos apenas conhecidos. O único sentimento que me une a ti é a gratidão.

As palavras dele deixaram Hinata triste por dentro, embora não o transmitisse isso, mas, no entanto, ela não conseguia entender aonde ele queria chegar com aquilo.

- Então, porquê que me trouxeste até aqui?

- Bem… - ele começou a coçar a cabeça, encabulado. Não sabia como o dizer a ela – A verdade é que…como nunca fiz isto que vou fazer…custa-me um pouco…

Hinata mantinha o olhar fixo nele, dando-lhe a entender que queria que ele continuasse a falar.

- E…o que é que estás a pensar fazer?

Naruto suspirou.

- Humilhar-me.

Hinata estava confusa.

- Ah?

Ele pegou na mão direita dela, levando-a aos lábios, sem quebrar o contacto visual.

- Hinata… Para te mostrar que estou muito arrependido da asneira que fiz, como forma de gratidão por teres-me salvo a vida, eu, Naruto, quero recompensar-te…em qualquer coisa. – timbre da voz tornou-se mais rouco, baixo e sedutor – Basta só pedir, que eu faço…

Hinata estava surpresa. «E agora, meu Deus! O que é que eu faço?». Achou melhor ser sincera com ele.

Retirou a mão de entre as dele de forma brusca.

- Não, obrigada! Não precisas de me fazer tal pedido, porque eu não quero, nem preciso, que faças alguma coisa por mim! – chegou-se perto dele e, tomando coragem, o abraçou, encostando a sua cabeça no ombro dele – De ti, a única coisa que quero é a tua amizade. – pôs uma expressão de tristeza e ao mesmo tempo de esperança no rosto – Tenho a certeza que, ao sermos amigos, iremos aprender muito com a dor um do outro…

Era a primeira vez que Naruto não tinha noção do que fazer a seguir. Ao vê-la assim abraçada a ele, também lhe dava vontade de retribuir o carinho. Mas…infelizmente…não deu. Quando ela se aproximava demais dele, ele sentia-se estranho. Não podia deixar que isso acontecesse muitas vezes. Por isso, empurrou-a, ligeiramente, para trás.

Hinata olhava para ele, confusa. Começava a ter dúvidas. «Será que ele não quer ser meu amigo? Por favor, que não seja isso o que ele vai dizer…», pensou, transtornada.

Houve um silêncio constrangedor entre os dois. Hinata olhava para ele na expectativa que ele dissesse qualquer coisa, enquanto que Naruto desviava-lhe o olhar na direcção do chão.

Nesse momento, ouviu-se o som do toque da campainha, a anunciar que as aulas iam começar, a ecoar por toda a escola.

Hinata estava dividida, mas, como ele não dizia nada, decidiu ir-se embora. Era uma aluna exemplar, não gostava de chegar tarde às aulas.

Quando ela se estava a passar por ele para se ir embora, Naruto, irreflectidamente, agarrou-lhe no braço, fazendo com que ela parasse e o olhasse directamente, cara a cara.

- Se queres que eu…seja teu amigo, estarei à tua espera do lado de for do portão principal, depois das aulas da tarde terminarem. Ok?

Hinata nem sabia o que dizer.

- Mas… - começava a balançar os prós e os contra – Acho que não seria lá uma boa ideia…

- Não acabaste de dizer que querias a minha amizade?

- S…sim…

- Então vai ter comigo tal como te acabei de dizer. – colocou as mãos nos bolsos das calças e fez uma pose de presunçoso – Se vamos ser amigos, temos que nos conhecer melhor, não achas?

- S…sim…mas…

Hinata ainda estava um bocadinho reticente. O seu pai iria ficar furioso com o seu atraso. E quanto ao seu primo Neji… Ui! Desse nem se fala! «Olha, que se lixe! Esta é uma oportunidade única, Hinata! Não a vais desperdiçar, pois não?».

- Esquece. - assentiu com a cabeça, sorrindo – Podes contar comigo, Naruto! – foi-se embora a correr, enquanto lhe acenava e gritava – Lá estarei!

Naruto olhava na direcção que ela havia tomado, dando-lhe um ligeiro aceno com a mão. Algo em si ficou contente por ela ter aceitado o seu convite, mas, pensando bem, porquê que havia feito tal coisa? «Só espero não estar a cometer outra das minhas loucuras!», pensou, preocupado. No entanto, ele tinha consciência que, bem lá no fundo, aquela haveria de ser uma loucura que certamente não se iria arrepender.

[…]

Toque de saída. Mais um dia de aulas dava por terminado.

Gaara e Ino haviam saído juntos da sala e dirigiam-se para o portão. Pareciam estar a ficar bastante cúmplices. Gaara até podia estar fascinado pela sua nova personalidade, achá-la uma mulher misteriosa, mas não se havia esquecido do seu propósito. Saber o que a Ino fizera para sofrer tamanha transformação. No entanto não podia se queixar.

[...]

Sai estava no portão com a Inai e o Sasuke. Quando olhou na direcção deles, sentiu alguma coisa se agitar no seu interior. Sentia o sangue a fervilhar de raiva. «Como ela foi capaz? Despreza-me, a mim, que era seu namorado, enquanto que com este gótico ruivo da pesada é cheia de sorrisinhos!».

Inai conversava com o Sai e, quando este parou de falar, olhou na direcção que ele estava a olhar. Ficou espantada por ver a Ino junto do Gaara. Eles antes nem se ligavam. Se bem que o Gaara não era muito falador. Sentava-se na carteira dos fundos e ninguém ousava falar com ele. «Quem diria…».

Não aguentando mais, ele virou a cara à cena para começar a falar com o Sasuke, dizendo-lhe que aquela é que era a Ino.

Sasuke olhava constantemente para ela. Se aquela era a Ino, então o amigo tinha razão, quando dizia que ela já não era a mesma. «Nunca teria me passado pela cabeça, que a boazinha da Ino se envolveria com gente da pesada.». Pobre Sai. Agora compreendia o porquê de tanto sofrimento e tantas dúvidas.

Já Inai, esta estava com ciúmes. Perguntando-se «A Ino ainda ocupa a tua mente, Sai?». Não podia sequer pensar nisso. O Sai estava agora com ela. Logo era dela de quem estava a gostar, não? Teria que acreditar nisso. «Acredito que o Sai me ama. Não é altura para ter dúvidas!», pensou, confiante, enquanto voltava a puxar conversa com ele. Depois de tanto trabalho para o ter, não seria agora que ia desistir.

[...]

Por outro lado, não eram só eles, quem estavam a olhar fixamente para aquela cena. Sakura também. E a sua raiva e ciúmes nada tinham a ver com os do Sai e da Inai. Ela não iria esquecer tão cedo o episódio daquela manhã. Nunca perdoaria a Ino, aquela patricinha com mania de que pode ser gótica quando lhe apetecia, pela humilhação pela qual a fez passar diante do Gaara.

Amava-o e, ao olhar para aqueles dois, sentia o seu ódio pela Ino a crescer cada vez mais rápido. Um dia, Gaara iria cair em si e perceber-se que a pessoa que lhe estava destinada sempre esteve mais perto do que imaginava…

[…]

Naruto estava à espera de Hinata, tal como fora o combinado. Enquanto esperava, viu Ino e Gaara a atravessarem a rua juntos. Um enorme ódio se apoderou dele. Ainda não se esquecera que, por causa dela, ele havia saído do grupo de Gaara. Como deviam a estar-se a rir dele nas suas costas. No entanto, passado um bocado, esse ódio desvaneceu-se, para dar lugar a um tremendo regozijo, quando viu a Sakura e o aspecto em que esta se encontrava. Sabia que ela era louca pelo Gaara e vê-lo com outra devia estar a torturá-la. «Bem feito, Sakura! É para aprenderes que não ter sempre tudo aquilo que quiseres!», pensou, com um sorriso de satisfação.

[...]

Sakura, assim que os viu a dispersarem-se, cada um para o seu lado, resolveu também fazer o mesmo.

Ao passar por Naruto, este não aguentou e começou a picá-la.

- Com que então o Gaara já anda noutra? Deve estar a ser duro para ti, não?

Sakura não estava para aturar ironias parvas. Furiosa, aproximou-se dele, espetando-lhe com um dedo no peito.

- Naruto, não te metas comigo! Que eu saiba, não tens nada a ver com isso! Faz-me um favor e mete-te na tua vida! Já tive o que chegasse por hoje!

Nesse momento, Hinata surge à beira deles.

- Olá, Naruto! Vamos?

Hinata apercebera-se que algo se estava a passar entre eles, mas não quis dar a entender.

Quer ela, quer Sakura, começaram a analisar-se, de cima a baixo, uma à outra.

Hinata já sabia quem ela era. Era a Sakura, a badgirl da turma de Ten Ten e, por ventura, do Naruto, a quem se tinha uma dirigido por causa da campanha de salvamento da Ino. Ela era bonita, se não fosse o mau feitio e a forma como se vestia. Tinha o cabelo rosa, curto e um pouco bagunçado. Tinha vestido, na parte de cima, uma camisa violeta sob um colete preto de camurça; ao passo que, na parte de baixo, umas leggins pretas sob uma saia curta de tons violeta e umas sapatilhas pretas da Nike nos pés. Quanto à cara, essa encontrava-se carregada de maquilhagem. Tinha pó de arroz espelhada pelo rosto, que realçava bem os olhos verdes, já que estes estavam, por sua vez, carregados de pintura preta.

Por seu lado, Sakura também a conhecia. Já a tinha visto algumas vezes na escola. Era a amiga da Ino e aquela que, um dia, teve a infelicidade de vir ter com ela apelar-lhe para que salvasse as baleias em vias de extinção. Como odiava patricinhas, principalmente aquelas que eram adeptas das boas causas. Agora que a via de perto, podia ver que até era bonitinha, não era de se jogar fora. Com aquele cabelo com tons azulados, aqueles olhos perolados e aquela roupinha toda selectinha, até que não era de se jogar fora. Mas, naquele momento, havia uma coisa que lhe estava a escapar. Ela havia cumprimentado o Naruto. De onde é que eles se conheciam? Era dela que ele estava ali à espera?

Sorriu de forma arrogante.

- Humph. Já foste mais selectivo nas tuas escolhas, Naruto. Pelo que eu vejo, mudaste de lado muito rápido… - encolheu os ombros e olhou-lhe, desdenhosa – Ainda bem que nos livramos de ti. Se não estaríamos a ter problemas por causa das tuas… - desviou o olhar para Hinata para depois regressar a ele - …estranhas companhias.

- Sakura, que eu saiba, a Hinata não é uma estranha companhia. – aproximou-se dela e colocou um braço sobre os ombros dela, puxando-a para si – Ela, ao contrário de ti, não trai os amigos para atingir os seus fins. – Hinata estava incomodada – Confesso que cheguei a estar apaixonado por ti, mas agora percebo o quanto isso não passava de uma ilusão, que rapidamente superei, graças à Hinata. – olhou fixamente para Hinata – A Hinata salvou-me a vida de várias maneiras… - retomou o olhar para Sakura – Portanto, Sakura, podes gravar o que te vou dizer agora. Tu, por muito que te esforces, não chegas aos seus calcanhares. – dirigiu-se à pessoa que estava a seu lado – Vamos, Hinata?

Hinata acenava afirmativamente, enquanto era puxada por ele ao mesmo tempo que olhava para trás. Estava a começar a ter pena da Sakura. Ela não parecia estar bem. Por muitos defeitos que ela pudesse ter, ela era humana, tinha sentimentos. E o que o Naruto lhe dissera foi muito duro de ouvir. Ainda por cima, ela havia sido colocada ao barulho, sem saber muito bem o porquê. Quando estivessem a sós, teria que saber o motivo para tal guerrilha com a colega de turma, na qual, ela sem saber, fizera parte dela.

Quanto a Sakura, esta via-os a descer a rua, boquiaberta e furiosa. Estava tão furiosa que, como forma de descarregar a sua fúria, deu um pontapé num caixote do lixo que estava ali por perto.

- Vais pagá-las, Naruto! Ah…se vais…


Espero que tenham gostado! A partir daqui as coisas vão aquecer... Comentem! Bjs