Oi! ^^ Aqui estou eu de novo com mais um capítulo fresquinho para todos voces!
Espero que gostem e boa leitura!
Capítulo XIII
Naruto e Hinata andavam a passear, muito agarradinhos, perto da escola. Tinham ido dar uma volta e agora regressavam para ela poder mudar-se e depois irem até à casa dos Hyuuga.
Quando estavam a virar a esquina da rua perpendicular à escola, avistaram, ao longe, Gaara com Sakura nos seus braços, deitada no chão.
- Naruto! – parou de repente – É o Gaara! O que será que terá acontecido?
- Eu lá sei! Por mim até podiam tar a morrer, que eu estaria nem aí!
- Naruto! – deu-lhe uma palmada no braço, o qual ele massajou em seguida – Isso é coisa que se diz? Algo me diz que alguma coisa não está bem…Anda! – ordenou, Hinata, pegando-lhe na mão e começando a correr com ele até onde se encontravam o ruivo e a rosada. – Gaara!
O ruivo levantou a cabeça e quando avistou a Hinata e o Naruto a virem na sua direcção, podia não parecer, mas estava contente. Talvez eles o conseguissem ajudar.
- Hinata…Naruto…
Eles chegaram ao pé dele e Hinata se abaixou. Ficou de olhos arregalados, preocupada, quando viu Sakura inanimada e sangrando da cabeça.
- O que foi que lhe aconteceu, Gaara?
Gaara tinha um olhar distante.
- Ela foi atropelada. Não cheguei a decorar a matrícula. Foi tudo tão rápido! – fechou os olhos e apertou-os com força – E eu não pude fazer nada…nada…
Hinata pousou uma mão sobre o ombro esquerdo dele. Queria transmitir-lhe o seu apoio.
- Tu não tiveste culpa, Gaara. Por isso não chores, ok? Agora que estamos aqui, vai tudo correr bem.
- Hã? – Gaara não tinha entendido a parte de estar a chorar e, por isso, tocou com um dedo na face, sentindo uma gota de água a escorrer por ela – Pois é. Estou a chorar…
Hinata sorriu.
- Chorar é humano. Isso prova que não és tão mau quanto pareces ser. Não é verdade?
- E que tal pararem com isso e ajudarmos a Sakura? – perguntou, Naruto, já não gostando do caminho daquela conversa – Caso não repararam, ela está a morrer!
- Tens razão, Naruto. – a rapariga pôs-se em posição e começou a medir a pulsação da rosada, colocando dois dedos no pulso e no pescoço – Ela ainda está viva. Mas não sei ao certo por quanto tempo. Temos mesmo que chamar o 112. Naruto! – virou-se para o loiro, que a encarava curioso – Liga para o 112!
- O quê? – parecia que não estava a ouvir direito – Tu queres que eu ligue para o 112 para ajudar essa daí? Depois do que ela me fez, é que nem pensar!
- Naruto! Podes parar de ser assim? – levantou-se exaltada, indo ter com ele – Neste momento o rancor não te leva a lado nenhum! Estamos a falar de uma vida, Naruto! – olhou para ele com mais meiguice – Faz isto que eu te peço, Naruto…Por favor…Por mim…
- Ok…ok! – Hinata às vezes conseguia ser tão mandona! Mas quando ela punha aquele ar de anjinho dela, não conseguia resistir. Bufando, pegou no telemóvel que tinha no bolso das calças e fez o que ela lho havia pedido – Vêem a caminho. Daqui a uns dez minutos estão aqui. – avisou, enquanto terminava a chamada e colocava o telemóvel no mesmo sitio que o havia retirado – Satisfeita, Hinata?
Hinata sorriu e tocou-lhe com uma mão no rosto.
- Sim. Muito.
[…]
Passados quinze minutos, a ambulância havia chegado. Dois homens vestidos de branco saíram do automóvel com uma maca. Pegaram na Sakura, pedindo a Gaara e ao casal que se afastassem, e a pousaram na maca. Depois de a colocarem dentro do veículo, voltaram a entrar nele.
Os três amigos, que olhavam entristecidos para o que se estava a passar, não perderam tempo. Assim que a colocaram na ambulância, puseram-se também lá. Agora era esperar para que tudo desse certo e tivessem agido a tempo.
[…]
- Ai, Neji… - disse, Ten Ten toda manhosa, enquanto o moreno a beijava no pescoço – E se o teu tio nos vê? O que ele vai pensar?
- Ele não vai, Ten Ten. Ele não vai. – olhou-a nos olhos e a beijou com paixão.
Os dois estavam a namorar no quarto dele, sem que o pai de Hinata o soubesse. Ten Ten estava derretida. Nunca pensou que a ideia de a qualquer momento pudessem ser apanhados fosse tão excitante!
De repente, do nada, ouviram um grito, o que os fez separarem-se e olharem um para o outro espantados.
- O que foi isto, Neji?
- Não sei…Mas vamos averiguar. – abriu a porta do quarto, seguido da namorada.
- Parece que foi aqui em cima. – constatou, Ten Ten.
Neji ficou rígido. «Não pode ser o que estou pensando. Não pode ser!», pensou um pouco alterado, indo apressadamente até ao quarto do tio.
- O que se passa, Neji? – perguntou, Ten Ten, preocupada com esta súbita atitude do namorado – Já tens alguma ideia do q…
A morena ficou sem fala. Neji já tinha aberto a porta do quarto do tio e o que veio a assistir foi algo que não estava à espera. Hiashi Hyuuga estendido no chão, sem se mover, com Hanabi ao lado a chorar compulsivamente.
«Deve ter sido ela quem gritou.», pensou a morena, aproximando-se da menina.
- Hanabi. Tá tudo bem, querida. Vai correr tudo bem.
Era tudo o que Ten Ten podia fazer para acalmar a menina, que estava devastada.
Neji, entretanto, tinha ido averiguar se o tio ainda tinha pulso ao aproximar-se do corpo. Como ainda o tinha, para alívio deste, resolveu pegar no telemóvel e ligar para o 112. Precisavam urgentemente de uma ambulância. «Droga!», pensou, frustrado, por não poder fazer nada e deixar tudo nas mãos de estranhos. «Ele deve ter tido outra recaída! Porque é que ele não fazia de vez em quando uma pausa no trabalho? Isso ainda o irá levar de vez para a cova!».
Mas ainda bem que ele ainda estava vivo. Assim que a ambulância chegasse, tudo correria bem.
[…]
Gaara, Hinata e Naruto estavam na sala de espera à espera de notícias da Sakura. O ruivo andava de um lado para o outro, enquanto os outros dois estavam sentados.
Após terem chegado ao hospital, os enfermeiros tinham levado a rosada de seguida para as urgências.
- Droga! – vociferou o ruivo, batendo com um punho na parede – Não aguento mais esta espera!
- Tem calma, Gaara. – Hinata o tentava tranquilizar – Não adianta estares nesse estado. Vais ver que o médico não tarda está aí a trazer-nos notícias da Sakura.
Nesse instante, um homem alto de cabelos brancos veio na sua direcção.
- Por acaso tens poderes? – perguntou, Gaara, virando-se para a azulada de forma irónica, apesar do seu nervosismo.
- Boa noite. – o médico parou diante deles ao mesmo tempo que Naruto e Hinata se levantavam – Sou o Dr. Yakushi. Kabuto Yakushi. E vocês devem ser os amigos da rapariga rosada, que entrou nas urgências, certo?
- Sim, doutor. – interveio o ruivo – Aconteceu alguma coisa com ela?
- Calma, rapaz. Ela está bem. – o ruivo e Hinata suspiraram de alivio – Quando chegou tinha parte da cabeça danificada. Devo dizer que vocês os três telefonaram a tempo de a salvarem. Acho que mais algumas horas ela teria morrido por esvaziamento de sangue.
- Mas ela vai ficar bem, não vai, doutor? – perguntou, Hinata, esperançosa.
- Não sei. O estado dela é delicado. O que vai requerer que ela esteja aqui mais alguns dias. Mas, por enquanto, ela se encontra bem e em estado de repouso.
- Ainda bem. – Gaara bufou, encostando-se à parede.
- Ah! Já agora… - o médico tinha acabado de se lembrar de algo – Qual dos dois rapazes é que é um tal de Gaara?
- Sou eu… - respondeu o ruivo, olhando-o desconfiado, sem sair do mesmo sítio.
- Então faça o favor de me acompanhar. A vossa amiga acordou há poucos minutos e pediu para falar com um tal de Gaara. Você. Por isso, deixe que eu o acompanhe até ao quarto dela.
Gaara acenou afirmativamente com a cabeça.
- Volto já. – disse antes de seguir o médico e percorrer um vasto corredor.
Naruto, que até então estava apenas olhando, sem dizer uma única palavra, aproximou-se de Hinata e a abraçou por trás, chegando-a para bem perto de si, enquanto encaixava o seu rosto na delicada curvatura do pescoço da Hyuuga.
Podia não gostar muito do Gaara, muito menos da Sakura, depois do que eles lhe haviam feito. Mas…naquele momento achou por bem apoiá-los. Se havia coisa que nunca desejaria a ninguém, por muito inimigo que fosse, era a morte.
Por isso…se a Hinata os apoiava, mesmo sem os conhecer direito, então ele também o faria. Hinata tinha razão. Não se vive de rancor e ódio. Mas sim de amor. «Tal como o amor que sinto por este lindo anjo de olhos perolados.», pensou o loiro com um sorriso bobo nos lábios.
- Ele vai ficar bem, Hinata. – respirou fundo e depositou-lhe naquela curvatura um beijo delicado – Tudo vai ficar bem. A Sakura é das duronas!
Hinata deu um sorriso de lado. Ele não tinha jeito!
- Eu sei, Naruto. – cobriu as mãos do loiro, que estavam na sua barriga, com as suas e encostou a cabeça para trás. Queria sentir-se protegida por ele, mas, sobretudo, o seu calor. O calor que ele inconscientemente emanava e que lhe fazia tão bem. – Há que ter fé!
- Hinata?
Os dois congelaram e abriram abruptamente os olhos, arregalando-os. «Estamos feitos!», pensaram os dois ao mesmo tempo, virando-se para contemplarem o dono da voz, que lhes era tão conhecida.
- Neji… - balbuciou a medo a rapariga. «Mas o que ele está a fazer aqui? Ele não foi muito dado a hospitais…».
Neji aproximava-se deles a passos largos.
Quando chegara ao hospital com a Ten Ten e a Hanabi para levarem o tio que tinha passado mal, nunca pensou que poderia ver uma cena daquelas. A sua prima bem agarradinha ao gótico desmiolado, ele a abraçando por trás, ainda por cima vestida de gótica! A princípio, não a tinha reconhecido, mas depois de olhar com atenção e daquela conversa estranha da namorada, que com certeza era para o despistar, pôde constatar que se tratavam de facto daqueles dois. «Ainda bem que fui eu a ver esta cena. Se fosse o tio, era desta que ele ia de vez!», constatou, Neji.
- Hinata Hyuuga! Posso saber que pouca vergonha vem a ser esta? – perguntou o moreno furioso, chegando ao pé deles.
Naruto e Hinata separaram-se. Hinata havia ficado constrangida por ter sido descoberta.
- N-Neji…não é nada do que estás a pensar…Eu e o Naruto namoramos. E temos a permissão do meu pai. Além do mais, se bem me lembro, tu próprio prometeste fazer um esforço por aceitá-lo. – sibilou, Hinata, tentando acalmá-lo.
- Eu lá quero saber do vosso namoro ridículo, Hinata! Sei muito bem o que prometi. Além do mais, estou o mínimo interessado em saber o que vocês dois fazem depois das aulas! – Hinata corou e Naruto coçou a cabeça envergonhado – Eu estava-me mas é a referir às tuas roupas, Hinata! Que pouca vergonha é essa? Gótica?
Se houvesse um buraco por perto, por muito pequeno que fosse, ela queria se enfiar lá. Por breves instantes tinha se esquecido que ainda estava com as roupas de gótica.
- Neji…eu…
- Aposto que foi ideia desse daí vestires-te assim, não?
- Esse daí tem nome, seu… - reclamou o loiro, começando a se passar com a petulância dele.
- Naruto! – interveio a rapariga. Ela não queria que ele fizesse alguma asneira. Muito menos, dentro de um hospital. – Por favor se acalme. Eu trato disto.
- Tens a certeza, Hinata? – perguntou com ar preocupado, embora olhasse de vez em quando na direcção de Neji.
- Sim. – voltou a encarar o primo. O loiro havia-se conformado, mas não deixava de estar a seu lado para a apoiar – Neji. Estás enganado. O Naruto não teve culpa. – olhou-o nos olhos – Eu. Fui eu quem tive a ideia de me vestir de gótica.
- Tu, Hinata? – perguntou, desconcertado – Mas…porquê?
- Porque…porque achei que com isso estaria mais próxima do Naruto. Eu nunca quis mudar a sua maneira de ser. – desviou o olhar, fixando-o no loiro - Nem ele a minha. Mas isto foi uma coisa que eu quis fazer, porque queria estar mais próxima dele e compreendê-lo um pouco melhor. – voltou a encarar o primo – Eu sabia que tu ou o pai iriam ter essa reacção. Não iriam aceitar. Por isso é que resolvi fazê-lo às escondidas. Mais concretamente durante o período de aulas, que era quando vocês não me viam. - Neji ficou chocado – Mas…se queres saber de uma coisa, eu não me arrependo de nada do que fiz. Se fosse possível, faria tudo de novo!
Neji balançava a cabeça de um lado para o outro de forma negativa. Ainda estava um pouco atordoado com aquela revelação da prima.
- Maldita a hora em que eu concordei com esse namoro. – pegou-lhe numa mão com força e começou a puxar-lhe – Anda! Vamos mas é embora! Depois falaremos melhor sobre isto… - lançou um olhar de ódio sobre o loiro – quando chegarmos a casa!
- Espera, Neji! – Hinata o obrigou a parar.
- Não te preocupes, Hinata. – colocou-lhe uma mão no ombro – Eu ficarei aqui à espera do Gaara. Dar-lhe-ei o apoio que ele precisar.
Hinata, com tais palavras, pôde constatar que ele já não estava com rancor do ruivo e da rosada. E, isso, a deixou muito feliz.
- Vamos mas é, Hinata! – puxou-a para que ela ficasse bem longe dele.
Neji e Hinata aproximaram-se de Ten Ten e Hanabi, que tinham se afastado um pouco, pois a morena não queria que a pequena presenciasse uma discussão entre o primo e a irmã. Ela já estava sofrer o bastante.
- Ten Ten! Hanabi! Também estão aqui? O que foi que aconteceu? – perguntou preocupada.
- Se em vez de namorar estivesses em casa, já saberias o que tinha acontecido. – respondeu, Neji, ríspido.
Hinata não gostou da indirecta. Se não estivessem num hospital, ele ia de se haver com ela.
- Papá… - soluçou a pequena Hanabi, que estava abraçada à morena.
- O que tem o pai?
- Hinata…o Sr. Hyuuga…
- Teve mais uma das suas recaídas. – disse, Neji, por fim, suspirando.
- Oh, não… - começou a ficar extremamente preocupada. Sabia que não era a primeira recaída do pai. Que aquilo podia-lhe ser um dia fatal. «Então é por isso que o Neji está aqui…Devia ter visto que, para ele estar num lugar que não lhe agradava, só podia ser algo sério.» - Mas ele está bem, não está?
- Os médicos não disseram nada em concreto. Mas ele está bem. Está em repouso absoluto. Por isso, só quando acordar é que poderá receber visitas.
Hinata ficou mais aliviada. Ainda bem que o pai estava fora de perigo.
- Hanabi, querida. – Hanabi ergueu a cabeça assim que Ten Ten a chamou – Não queres ir com o primo Neji lá em baixo ao café? – sorriu – Vais sentir-te melhor se comeres alguma coisa.
- Sim. – levantou-se – Mas voltarei.
Sem dizer mais nada, pegou na mão que o Neji lhe dava e juntos foram até ao café, deixando as duas amigas sozinhas.
- Desculpa, Hinata. – Ten Ten tinha o olhar posto no chão. Não tinha coragem de a encarar – Eu bem que tentei impedi-lo de ir ter convosco, mas…acabei por não o conseguir.
Hinata agachou-se à frente dela e cobriu-lhe as mãos com as dela.
- Não faz mal, Ten Ten. Eu conheço o meu primo e sei como ele é. Por isso não te culpes pelo que se passou. – olhava-a com ternura – Mas obrigada na mesma. – a morena a encarou surpresa – Mostras-te ser uma boa amiga.
Lágrimas começaram a aflorar nos olhos da morena, que, num acto impulsivo, abraçou a amiga com força.
- E agora, Hinata? – já estava tudo bem entre as duas – Agora que ele sabe disto, como será o namoro de vocês os dois daqui por diante? É que com certeza ele vai contar todo este sucedido ao tio, assim que este estiver totalmente recuperado.
- Não sei, Ten Ten… - suspirou – Não sei. – levantou-se – Só sei que, neste momento, existe uma coisa que eu preciso urgentemente de fazer.
- Que é o quê, Hinata? – perguntou, confusa.
- Mudar de roupa. Já imaginaste se o meu pai, quando acordasse, me visse assim? Aposto voltava a ter outra recaída! – as duas desataram a rir – Vamos!
[…]
Sakura estava pálida e de olhar perdido, deitada numa cama de um quarto de hospital a ser alimentada por soro. O quarto era pequeno. Com porta, janela para o exterior, a cama na qual estava deitada, um tubo de soro e uma máquina rectangular, a que dava os batimentos cardíacos, do lado esquerdo.
Quando acordou, não sabia o porquê de estar ali. Mas, passado um bocado, tudo o que se havia passado antes do acidente começou a surgir na sua mente. A discussão com o Gaara e a dor que sentira com isso. Dor essa que permanecia ainda no seu peito só de o lembrar.
Perguntava-se o porquê de ter sobrevivido. Podia ter ido logo de uma vez! Assim já não sofria por amor, nem causava sofrimento aos outros. Mas…por alguma razão inexplicável, sabia que aquilo talvez fosse um sinal. Uma segunda oportunidade em poder dizer a Gaara tudo o que não fora capaz de o dizer estes anos todos.
Apesar de o doutor lhe dizer que estava tudo bem, conseguia ler-lhe nos olhos que afinal nem tudo estava bem. Também o sabia. Afinal…sentia-o. Sentia que a sua vida estava quase por um fio. Por isso, tinha de abrir o seu coração para o ruivo, e o mais rápido possível, sendo que esse momento havia chegado. Dai ter pedido ao doutor que o chamasse, caso ele estivesse ali no hospital.
Essa era uma das incógnitas na sua cabeça. O doutor tinha dito que três colegas a tinham acompanhado até ali. Dois rapazes e uma rapariga. Um deles, ela tinha a percepção de que fosse o ruivo, mas os outros dois…quem seriam?
Os seus pensamentos foram interrompidos por algumas batidas na porta.
- Entre.
A cabeça do médico surgiu por detrás da porta, quando esta foi aberta.
- Olá, Sakura. Trouxe o teu amigo, tal como mo pediste. – Gaara entrou no quarto – E agora…se me dão licença…
O doutor Yakushi saiu, fechando a porta atrás de si.
Apesar de não saber bem como a abordar, o ruivo cumprimentou-a.
- Olá…
- Olá, Gaara. – colocou um sorriso forçado.
O ruivo, após este quebra-gelo entre eles, aproximou-se dela, sentando-se de lado na cama ao pé dela.
- O médico disse-me que querias ver-me.
- Sim, queria. – encarou-o – Gaara. – ele também a encarou apreensivo – Para além de ti, quem mais me trouxe ao hospital? O médico disse-me que haviam sido três colegas. Um deles deduzi que fosses tu, mas…quem são os outros dois?
Gaara suspirou. Tinha de lhe contar. Ela tinha o direito de saber que havia pessoas que se preocupavam com ela.
- O Naruto e a Hinata. – a rosada arregalou os olhos – Eles ainda devem estar na sala de espera a aguardarem o meu regresso.
- Porquê? Porquê eles se deram a esse trabalho por mim? – não sabia o que pensar – Eu não fiz nada por eles para que eles me ajudem desta maneira!
- Eu sei, Sakura, mas… - passou os dedos pelo seu rosto – fui eu quem lhes pedi ajuda. – abaixou a cabeça – Estava desamparado. Não sabia o que fazer vendo-te inanimada, cheia de sangue, nos meus braços… - ergueu a cabeça e olhou-a nos olhos – Até que eles apareceram e me ajudaram. – deu um sorriso de canto – E, por incrível que pareça, foi a Hinata, a namorada do Naruto, quem apaziguou os ânimos e pediu ao Naruto para que ligasse para o 112. Porque por ele, nós estaríamos a sofrer no inferno.
- Estou pasma…
- É…Apesar de não te conhecer direito, fez de tudo para te salvar.
- Idiota! Essa rapariga é mesmo uma idiota!
- É…mas, com isso, estar-lhe-ei agradecido pró resto da minha vida.
- Gaara… - os olhos da rosada começaram a estar húmidos.
- Perdoa-me, Sakura… - rogou, Gaara, de cabeça baixa, agarrando-lhe nas mãos e as apertando com força – Não sabes o quanto a culpa me está a corroer por dentro… Saber que foi por minha culpa estares acamada…
- Não, Gaara! Tu não tens culpa! – tocou-lhe na cara e fez com que erguesse a cabeça para o poder olhar nos olhos – Não te culpes por algo que não fizeste. A culpada fui eu por não ter visto o carro. Gaara. – sorriu de forma trocista – Nem pareces tu. Quem diria que o ex-chefe de uma seita satânica viria a ser tão piegas.
- Não gozes. – retribuiu-lhe o sorriso trocista – Estava apenas preocupado contigo.
- Sim, eu sei. – respirou fundo, suspirando de seguida – Agora sei que tudo vai correr bem…
- Pois é. – sorrindo, deu-lhe um beijo no interior da mão dela, na que estava encostada ao seu rosto.
Abateu-se, então, um momento de silêncio entre os dois.
Sakura queria ganhar um pouco de coragem, já que, em poucos minutos, iria confessar-lhe o seu amor, coisa que não o fez durante anos. Quanto a Gaara, não sabia mais o que dizer. No entanto, estava muito aliviado, pois a Sakura já estava acordada e tudo iria correr bem.
- Garra…
- Sim…?
- Acho que tenho pouco tempo de vida… - o ruivo a olhava alarmado, o que a deixava um pouco ainda mais nervosa – Apesar do doutor dizer que tudo está bem, eu sinto que não o está. Que a qualquer momento posso morrer…
- Por favor, Sakura! Não digas uma coisa dessas! Vai correr tudo bem! Com vontade tudo se consegue!
- Eu sei, Gaara, mas… - fixou o olhar nele – Há outra coisa que te quero dizer. Outro motivo pelo qual também te mandei chamar.
- O quê, Sakura?
- Amo-te! – gritou, passado um bocado, agarrando-se com força aos lençóis da cama – Amo-te… - as lágrimas começavam a inundar-lhe os olhos.
Gaara ficou sem fala. Completamente estático.
- Todos estes anos…desde que te conheci…sempre te amei… - continuou entre soluços – Eu conhecia-te... Sabia que nunca me irias ver para além de uma amiga…Mas, mesmo assim, fiquei a teu lado… Sempre a teu lado… Tentando te agradar de todas as formas possíveis, pois achava que assim, talvez, conseguisse o teu amor… Nem que fosse um bocadinho. – fez uma pausa, limpando as lágrimas dos olhos – Mas então a Ino… - a rosada mudou o seu tom de voz – a Ino apareceu! E desde aí que o meu inferno começou! Tu só tinhas olhos para ela…ainda os tens… - desviou a cabeça para o lado – De que adianta viver, se…se não sou amada…se não tenho o teu amor…! – encarou-o – Hã? De que adianta viver, se a pessoa que amas, pela qual fizeste tudo por tudo, até a vida davas por ela, se necessário, não sente o mesmo que tu, Gaara?
Gaara sentia-se mal. De mãos e pés atados. Ainda um pouco chocado. Lembrou-se, então, de tudo o que ela dissera durante a discussão que tiveram antes do acidente. Agora tais palavras faziam sentido.
- Lamento, Sakura…Não o percebi antes… - levantou a cabeça e, olhando-a olhos nos olhos, pousou uma mão numa das suas faces, acariciando-a – No entanto…acredito que ainda possas ser feliz. Encontrar alguém que te ame, tal como mereces.
- Eu sei que era isso que querias, Gaara, mas…lamento desapontar-te. Isso nunca irá acontecer! – também o olhou nos olhos – Tu és e serás o único que eu amo e irei amar. Por todo sempre.
Gaara limpou-lhe com o polegar uma pequena lágrima acabada de sair de um de seus olhos verdes.
- Sakura…
Sakura sentia-se mais aliviada. Acabava de deitar tudo cá para fora. Todos os sentimentos que tentava prender dentro de si mesma. Já não havia nada a esconder. Por isso mesmo, sentia, de certa forma, que podia partir em paz. Já havia feito o que há tanto ansiava fazer, desde que o conhecera.
- Descansa agora, Sakura. – disse, por fim, o ruivo ao levantar-se, ajeitando-a na cama para que pudesse dormir tranquila – Amanhã voltarei, ok? – perguntou, afagando-lhe o cabelo rosa.
Sakura sorriu. «Lamento, Gaara. Mas…acho…que não vai chegar a haver um "amanhã"…», pensou com uma certa tristeza.
Lembrou-se de todos os momentos que vivera com o ruivo. A maneira como se conheceram. A decisão de se tornarem góticos para se distinguirem dos outros. Os rituais satânicos que criavam, bem como os aliados que foram conquistando. Os ciúmes. A discussão. O atropelamento. E, finalmente, a confissão e a reconciliação.
- Gaara. – sussurrou – Quero que saibas que, apesar de tudo, fui muito feliz a teu lado. Amo-te…
Dito isto, mantendo sempre o sorriso, fechou os olhos e soltou um profundo suspiro.
Gaara, sentindo que tudo estava bem, lançou-lhe um último olhar e depois deu meia volta, indo na direcção da porta.
Nesse instante, a máquina dos batimentos cardíacos deu um apito diferente. Um apito monótono, incessante e profundamente irritante.
O ruivo, assustado, virou-se e voltou a ir ao encontro da cama da amiga. Olhava intercaladamente para Sakura e para a máquina. «Isto não pode significar o que eu estou a pensar…».
Começou a chamá-la e a abaná-la. Mas esta não respondia, muito menos se mexia. O seu rosto ainda mantinha o mesmo sorriso com o qual se havia despedido dele.
- Não! – gritou, desesperado.
Aquilo não podia estar a acontecer de novo. Mas estava. Só que desta vez, Sakura havia mesmo morrido.
Derrotado, deixou-se cair de joelhos no chão, com os olhos sem brilho e arregalados, enquanto a equipa médica entrava no quarto assim que se aperceberam de que algo não estava bem.
Sentia uma dor infernal no peito. Duas lágrimas voltaram a sair-lhe dos olhos. Era definitivo. Havia, finalmente, perdido a sua melhor amiga…e para sempre…
Espero que se tenham emocionado. Este capítulo foi bem doloroso...pobre Sakura...
Quanto ao próximo, esse vai ser também emocionante, já que vai ser o encontro entre Gaara e a bruxa Kurenai! XD
Não se esqueçam dos reviews! ^^
Bjs
