Oi! ^^

Bom...aqui vai mais um capítulo! O penúltimo! XD Espero que gostem e boa leitura! ^^

Bjs


Capítulo XVI

Ino ia acordando aos poucos. As pálpebras tremiam enquanto se abriam e tentava focar a sua visão. Não sabia onde estava, porque aquele não era o seu quarto. Esta divisão era iluminada por uma janela quadrada, tinha paredes cinzentas e lisas, e do lado esquerdo da cama, ao fundo, a porta de entrada.

«Que lugar é este?». A última coisa de que se lembrava era da luta interna que tivera com o Diabo e depois do rosto de Gaara, que a olhava preocupado, antes de tudo à sua volta virar uma completa escuridão.

Um pouco mais acordada, mexeu a cabeça. Olhou de um lado e para o outro. Do seu lado esquerdo viu uma máquina e um saquinho de soro, que, por sua vez lhe estava a ser injectado no braço. E do lado direito, a mãe sentada numa cadeira, perto da janela. Estava a dormir. Mas, por alguma razão inexplicável, no momento seguinte acordou.

- Filha! – exclamou, Tsunade, feliz, levantando-se da cadeira, indo ter com ela. Afagou-lhe as bochechas da cara com carinho – Minha Ino…que bom que acordaste!

- Mãe… - a voz saiu-lhe fraca, pois custava-lhe falar – Porque é que estou num quarto de hospital? O que foi que aconteceu?

Tsunade contou-lhe então tranquilamente o que se havia passado. Pelo menos a sua versão dos factos.

Ino a ouvia atentamente. Ficou a saber que desde o acidente estivera em coma durante um mês. Que os amigos e o resto da família a vinham visitar amiúde. Mas o que mais a surpreendeu foi ter conhecimento de que o Gaara fora quem a salvara ao tratar de arranjar uma maneira de a levar para o hospital. Bem como ser ele quem a visitava mais, ficando por muito tempo ao pé dela.

A Namikaze ficou contente. Parecia bom de mais para ser verdade. Apesar de todo o mal que fizera, era bom saber que eles a visitavam e se preocupavam com ela.

- Mãe. Perdoa-me… - Tsunade a olhou confusa – Perdoa-me por todo o mal que vos causei. A ti e ao pai. Sei que ultimamente não tenho feito outra coisa senão causar-vos problemas e…

Tsunade pousou-lhe o dedo indicador da mão esquerda sobre os lábios.

- Esquece. Não te preocupes mais com isso. Já passou. O importante é que estás bem. – suspirou e depois deu um largo sorriso – Aposto que todos ficarão contentes por saber que já despertaste! Tenho de lhes telefonar! Aproveito e chamo a enfermeira. – contornou a cama e, antes de abrir a porta para sair, olhou para ela – Já volto, querida. Até já! – exclamou acenando, fechando a porta de seguida.

Ino olhou espantada para tudo aquilo. Nunca tinha visto a mãe tão alegre. Deu uma pequena gargalhada. Afinal…era bom ainda estar viva.

[…]

Inai e o resto da malta estavam todos reunidos à frente do portão da escola. Gaara era o único que ainda não havia chegado.

Todos tinham combinado ir visitar a Ino naquele dia. Apesar das suas atitudes estranhas de ultimamente, eles não lhe desejavam nenhum mal.

Durante o mês que a Ino tivera em coma, muita coisa tinha acontecido.

Naruto e Hinata já namoravam oficialmente, já que Hiashi, finalmente, havia cedido. Tudo o que queria era a felicidade da filha. Já Neji, esse não tinha aprovado muito a ideia, mas com o tempo aceitou-a. Também com uma rapariga como a Ten Ten do lado dele, o que é que ele podia pedir mais? Sem receios, os dois também oficializaram, não o namoro, mas sim o noivado. E perante o Hiashi, que, ao que não se estava à espera, aceitou, embora tivesse as suas estranhezas. E essa foi, sem dúvida, a sua cereja no topo do bolo.

Quanto ao Sasuke, este andava de namoro com a Temari. Era um tanto estranho, mas namoravam, havendo nesse relacionamento muita cumplicidade. No caso da Inai e do Sai, desses nem se falava. Não se largavam nem por um minuto.

- Desculpem o atraso.

Gaara, finalmente, havia chegado e, pela primeira vez, depois de tanto tempo, usava roupas normais, mas continuava a ter um ar de rebelde. Tinha uma t-shirt vermelha rente ao corpo, umas calças de ganga cinzentas e uma pulseira castanha, daquelas bem grossas de couro e com correias, no pulso esquerdo.

Estava assim o grupo completo e pronto para partir. Até ao momento em que a Inai recebeu uma chamada no telemóvel.

- Alto! Tou a receber uma chamada da minha mãe e pode ser importante. Esperem aqui, enquanto vou atendê-la, ok? – todos acenaram que sim, enquanto ela se afastava para poder atender a chamada – Oi, mãe! Passou-se alguma coisa com a Ino? – perguntou, temendo o pior. – A sério? – perguntou, depois de ouvir o que a mãe tinha para lhe dizer. Notava-se que estava contente – Tá bom, mãe. Eu e o pessoal estaremos aí não tarda nada. Até já! Beijos. – desligou a chamada e voltou para o grupo com um sorriso enorme na cara – Ei, pessoal! Vocês não sabem o que aconteceu!

- Pela tua cara, só pode ser coisa boa! – apontou, Naruto, abraçando a Hinata por trás.

- E é! A minha mãe acabou de me dizer que… - fez suspense – que a Ino já acordou do coma e está boa de saúde!

O grupo, ao ouvir a notícia, fez uma grande ovação, bastante sorridentes e com cada par dando um selinho de forma carinhosa.

Agora a visita havia ganho outro significado.

Quanto ao Gaara, mal ouviu esta notícia, o seu coração palpitou forte dentro do peito. Uma onda de alívio e ao mesmo tempo de amor apoderou-se do seu corpo.

Com um sorriso bobo nos lábios, começou a caminhar sozinho, deixando o grupo para trás.

- Ei, Gaara! – chamou, Naruto, apercebendo-se de que o Sabaku estava a distanciar-se – Onde é que tu vais?

Ainda a caminhar, Gaara virou-se para trás.

- Ver a Ino, ora bolas! E vocês? Não vêm?

Esta atitude por parte dele retirou de cada um deles um sorriso. Pensavam, divertidos, que ele só podia estar a gozar com eles. E, por isso, sem dizerem mais nada, seguiram-no rumo ao hospital.

[…]

Ino, posicionada de forma confortável na sua cama do hospital, estava radiante. Nunca em toda a sua vida tinha recebido tanta visita como naquele dia.

Só podia receber duas pessoas de cada vez. Primeiro foram a Inai e o Sai. Mais cedo ou mais tarde este confronto tinha de acontecer.

Inai lamentou muito o que aconteceu e queria muito conseguir o seu perdão. Bem como o Sai, visto que não teve em consideração os seus sentimentos.

Mas Ino não queria saber nada disso. Ninguém tinha culpa. Depois de ter passado por tanta coisa, o resto não interessava para nada. Apesar de inicio se ter sentido traída, não tinha nada contra eles. Há já algum tempo que lhes tinha perdoado, porque se não fosse essa traição, ela nunca que viria realmente a conhecer o Gaara.

Inai e Sai, aliviados por se sentirem finalmente perdoados, abraçaram-na. Agora o que desejavam era que ela fosse feliz.

Assim que se foram embora foi a vez do Neji e da Ten Ten, seguidos depois do Sasuke e da Temari. Cada um deles contou-lhe as novidades, que a deixaram aliviada, já que tinha o perdão da Ten Ten, e espantada, porque, apesar de o desconfiar, nunca pensou que o Sasuke fosse rapaz de namorar uma amiga.

Após saírem, a próxima dupla que entrou foi a Hinata e o Naruto. Ambos estavam com roupas casuais. A primeira não queria que a Ino se assustasse com o Naruto vestido de gótico. Podia ser um factor que a faria lembrar-se do que aconteceu. E isso era algo que não queria mesmo que acontecesse. Daí que ele tenha vindo com uma camisa branca e uns calções de praia laranja.

- Hinata! – exclamou contente, pois não via a amiga de longa data há muito tempo.

Hinata aproximou-se dela, deixando o Naruto um pouco para trás, com um sorriso singelo.

- Olá, Ino.

- Quem é esse rapaz atrás de ti, Hinata?

Naruto olhou para a namorada de sobrolho erguido. Será que o coma a tinha feito ficado amnésica? Mas, para Hinata, não parecia o caso, visto que ela se lembrava dela.

- Ora, Ino! – puxou o namorado para o pé dela – Este aqui é o Naruto! O meu namorado! – respondeu feliz, abraçando-o.

- Fico feliz por ti, Hinata! – sorriu-lhes de forma sincera. Depois, sentindo uma pontada de tristeza no coração, desfez automaticamente o sorriso. Abaixou a cabeça e, agarrando com força os lençóis, uma lágrima escorregou-lhe pela sua face delicada. – Perdoa-me…Hinata… - pediu num tom choroso, que não passou despercebido a Hinata e a Naruto – Não me recordo muito bem do que aconteceu…mas…tenho a noção de que te magoei…e muito…Perdoa-me…Perdoa-me…

Hinata, não aguentando ver a amiga naquele estado, sentou-se na cama, ao pé dela, e a abraçou forte.

- Ino…calma…já passou. – afastou-se um pouco dela e pegou-lhe numa mão, cobrindo-a com as suas, enquanto a olhava com ternura – É verdade que me magoaste muito. Não fisicamente, mas com certas atitudes que tiveste. No entanto…isso já não importa mais. Por mim, há muito que estás perdoada. – Ino olhou-a surpresa – Mas… - deu um sorriso meio torto – para que tudo seja perfeito, e para que eu possa realmente perdoar-te, só quero que me prometas uma coisa.

- O-O q-quê? – perguntou, olhando para ela admirada, com os olhos lacrimejantes.

- Quero que me prometas, mocinha, que não voltes nunca mais a fazer uma loucura como esta! Se o fizeres, esquece que alguma vez fomos amigas, ouviste? – perguntou, fingindo um ar ameaçador.

Ino deu um sorriso espontâneo.

- Prometo! – limpou as lágrimas dos olhos com as mãos – Tudo o que mais quero agora é voltar a ter a tua amizade e, de certa forma, voltar a ser a Ino de antes.

Emocionadas, as duas amigas voltaram a unir-se num forte abraço. Mas este foi mais sentido, já que foi como um tentar recuperar o tempo perdido para ambas as partes.

- Hã…não sei se isso será possível… - interrompeu, Naruto. As duas desfizeram-se do abraço e olharam directamente para ele – Isso de voltares a ser a Ino de antes…acho que não será possível.

- E porque não, Naruto? – perguntou, Hinata, sem entender a onde ele queria chegar.

- Porque… - passou uma mão pela nuca – Porque uma vez me disseste que ela era loira como a Inai, logo…basta olhar para o cabelo dela de agora e ver que ela não voltará a ser a mesma de antes.

Hinata levou uma mão à cara, enquanto Ino riu-se.

- Ai, ai, Naruto… - Hinata abanava a cabeça em forma de reprovação, enquanto se levantava e ia ter com ele, apertando-lhe as bochechas – Só mesmo tu para vires com uma dessas.

Enquanto Hinata dava um selinho ao Naruto, Ino achava aquilo engraçado. Estava realmente feliz pela amiga. Ela havia finalmente encontrado a tão desejada cara-metade. Eles os dois se mereciam, porque notava-se a cada olhar e a cada sorriso que se amavam.

Entretanto bateram à porta.

- Sim? Entre! – Ino dera permissão, enquanto esticava o pescoço para ver quem iria entrar por aquela porta, já que Hinata e Naruto lhe estavam a tapar a vista.

Era o Gaara.

- Olá. – Ino, ao ver de quem se tratava, corou ligeiramente e virou o rosto para a janela. Fora apanhada desprevenida. – Desculpem tar a interromper, mas…Hinata. Naruto. Era só para a visar que a vossa hora de visita terminou e que agora é a minha vez.

A vez que ele estava à espera há um mês e que não dava para esperar mais.

Sendo assim, Naruto e Hinata resolveram ir-se embora para os deixar a sós. Sabiam do quanto o Gaara havia ansiado por aquele momento.

Mas, quando iam a se despedir da Ino, esta reteve-os por alguns instantes. Queria que o Naruto a perdoasse. Lá no fundo sabia que o conhecia de algum lado e que também o havia magoado.

Naruto não sabia o que dizer, mas fez-se de orelhas ocas. Aquilo fazia parte do passado e daí que não havia problema nenhum. Ele até já se tinha esquecido disso. Porque, no final de contas, lhe devia muito. Porque se não fosse a dor que ela lhe havia causado, nunca teria conhecido a Hinata. Que foi a melhor coisa que alguma vez lhe aconteceu na vida.

Ino ficou mais tranquila. Afinal, nem tudo o que tinha feito fora mau.

Depois de todos os males entendidos estarem desfeitos, os dois despediram-se, finalmente, dela e a deixaram sozinha com Gaara.

- Gosto de te ver assim. – disse ele do nada. Estava encostado à parede com os braços cruzados juntos ao peito, enquanto olhava para ela. – Ficas linda quando sorris. – elogiou, enquanto se aproximava dela.

Ino desfez logo o sorriso e virou-lhe a cara.

- Lamento. Mas acho que só dizes isso porque sentes pena de mim. Foi pela outra Ino que te apaixonastes e não por mim. – disse-o de forma seca.

- Ino… - quis levar-lhe uma mão à cara, mas esta recusou o seu contacto. – Porque é que dizes isso? – perguntou, para esconder o quanto aquela atitude por parte dela o havia magoado.

- Porquê? Porque caso não te lembras, tu nem sequer gostavas de mim! Naquele dia em que estava a fazer a propaganda, tu humilhaste-me! Trocaste comigo palavras tão duras, que nem te passa pela cabeça o quanto me hão magoado!

- Ino. – sentou-se na cama ao pé dela – Eu, mais do que ninguém, sei que errei. E tu, mais do que ninguém, sabes que eu já paguei por esse erro ao ser usado pela outra Ino.

Ino voltou a olhar-lhe de frente.

- Ela não voltará, Gaara. Nunca mais! – lembrou-se da batalha interna que tivera para conseguir se livrar do Diabo – Eu nem acredito que o derrotei… - sussurrou com um sorriso a teimar brotar dos seus lábios – Derrotei-o, certo? – perguntou-lhe com um olhar envolto de esperança, esperando que ele o confirmasse.

- Sim. Tu derrotaste-o. – cobriu-lhe uma mão com a sua – Agora és de novo a Ino de antigamente. A linda patricinha adepta das boas causas.

- É… - suspirou – Voltei a ser a mesma de antes…excepto no cabelo. – Gaara achou piada àquilo – No entanto…

Quando Ino dera um sorriso de lado e dissera aquele "No entanto…", o Sabaku passou a estranhar. Aonde é que ela queria chegar?

Depressa teve a sua resposta.

Sem aviso, ela agarrou-se a ele. Puxou-o pela nuca, prendendo-o para bem perto de si com os braços, que estavam a enlaçar o seu pescoço. Os narizes deles quase que se tocavam, fazendo com que os olhares se cruzassem.

- No entanto deves saber de uma coisa. – disse-o com um olhar sério, que se fez transbordar para a voz – Eu mudei. Tornei-me numa pessoa mais confiante e, de certa forma, mais madura. A patricinha, que um dia conheceste, abriu finalmente os olhos para a vida.

Gaara riu-se.

- Então devo-me sentir grato. Pois é essa a Ino que eu tanto amo.

Ino, incapaz de conter o que vinha-lhe à alma, atreveu-se a eliminar a pouca distância que havia entre eles, roubando-lhe um beijo.

Quando este o correspondeu, ela ficou muito feliz. O que fez com que o aprofundasse ainda mais. Passou de um beijo a medo, quase delicado, para um bastante sôfrego, cheio de paixão que estava contida durante muito tempo.

Podia, no final, acabar por ser rejeitada, mas tinha de lho confessar. Tinha de lhe dizer o quanto o amava, só para que assim pudesse ter a sua consciência completamente limpa.

- Amo-te… - sussurrou baixinho, depois de interromper o beijo. Os seus lábios estavam apenas a dois dedos de distância. – Amo-te, Gaara. – disse-o com mais confiança, um pouco mais alto, encostando a testa à dele. Os seus braços ainda estavam a rodear-lhe o pescoço. – Por favor…não me deixes…

- Eu nunca te vou deixar, Ino. – confirmou, enquanto se soltava dos seus braços, para depois agarrar-lhe nas mãos, massajando-as com ternura. – E sabes porque é que nunca te vou deixar? – Ino abanou a cabeça – Porque… - olhou-a bem fundo dos seus olhos – Porque também te amo.

Ino olhou para ele espantada. Ela que já estava para aceitar um não como resposta.

- M-Mas…e-eu p-pensei…

- Pensaste errado. É verdade que, no início, a nova Ino me deixou intrigado. E confesso que até cheguei a adorar aquele seu lado frio e louco. – Ino baixou a cabeça triste. Mas Gaara fez questão de a levantar com uma mão, fazendo com que o seu olhar se cruzasse com o dele. – Contudo, depois que a beijei, algo em mim começou a amolecer e, aos poucos, fui percebendo que não era amor o que sentia. Atracção sim. Amor nunca. Porque, depois que soube de toda a verdade pela Bruxa Kurenai, aí é que me dei conta dos meus verdadeiros sentimentos. A Ino que eu amava não era a misteriosa, nem a má, mas sim a patricinha, que, apesar do que lhe dissera, e sem me dar conta, cativou-me desde o primeiro instante. – emoldurou-lhe o rosto com as mãos e limpou-lhe com os polegares as lágrimas que lhe teimavam em sair dos olhos de tão emocionada que estava – Amo-te, Ino. Não a de antes, mas a de agora. A Ino linda e corajosa que se encontra mesmo à minha frente. Amo-te.

Ino, emocionada, voltou a eliminar a distância que havia entre ambos, beijando-o de novo. Nunca pensara que o Gaara, o chefe dos góticos, fosse capaz de se declarar daquela forma. Ele sem dúvida que havia mudado. Não só ele próprio, como também a sua vida.

Depois de terminarem o beijo, sem parar de se olharem de forma apaixonada, Ino começou a dar sinais de cansaço ao bocejar.

- Acho que, agora, é melhor descansares um pouco. – aconselhou, Gaara, com amabilidade, enquanto, já levantado, a posicionava de forma cuidadosa na cama, de maneira a que pudesse dormir tranquila. Mas ela não queria. Tinha medo de que aquilo não passasse de um sonho e que depois, ao acordar, ele já não estivesse a seu lado. – Shhh…Prometo que não vou a lado nenhum, tá? – deu a volta à cama, pegou na cadeira e levou-a para o outro lado – Quando acordares – sentou-se – estarei na mesma aqui. Sentado. – pegou-lhe na mão – A olhar para ti, enquanto te seguro a mão.

Ino sorriu por saber que ele não a ia deixar sozinha. Aliviada, tendo a certeza de que as suspeitas do Diabo estavam erradas, deixou-se levar pelo cansaço. Fechou os olhos e…adormeceu.

[…]

Havia-se passado uma semana. Ino estava de saída do hospital, já que havia levado alta da médica que estava a cuidar dela.

A Namikaze estava muito feliz por voltar para o seu lar. Usava um lindo vestido branco e discreto, que contrastava com os seus longos cabelos negros e, nos pés, umas sandálias de cunha com tiras da mesma cor que o vestido.

Os seus pais vieram-lhe buscar à hora indicada, a levando de carro até casa. E, quando chegaram, depois do pai ir estacionar o carro, Ino sentiu-se um pouco nostálgica, enquanto olhava para a fachada frontal da sua casa. Passou-se tanto tempo desde da última vez que se lembrava de estar naquela casa, que agora tudo lhe parecia estranho.

Respirando fundo, caminhou a passo ligeiro até à porta de entrada. Mas, assim que a abriu, levou um susto. A luz do hall de entrada havia-se acendido sozinha e todos os seus amigos apareceram de repente do nada à sua frente, desejando-lhe as boas-vindas. E de uma parede à outra, percorrendo a divisão, estava um grande letreiro, no qual se podia ler a seguinte frase: Bem-Vinda a casa, Ino!

Ino foi mesmo apanhada desprevenida, ficando sem fala. Estava grata com tamanha demonstração de afecto por parte deles. Da família e dos amigos.

Sentindo-se uma sortuda por ser amada de tal forma, mesmo após tanto mal que havia causado, Ino, sorridente, foi ter com eles e os abraçou. Um por um. Queria que eles soubessem que tinha realmente adorado a surpresa.

[…]

Mais tarde, Ino e Gaara subiram até ao quarto desta. Todos já se tinham ido embora e a família dela, incluindo Sai, estava no andar de baixo a conversar de forma animada. Parecia que o Minato já não implicava tanto com o Gaara como antes. Devia-lhe a vida da sua filha, daí que resolvera dar-lhe uma segunda oportunidade.

- O que se passa, Ino? – perguntou, Gaara, fechando a porta do quarto atrás de si. Ela parecia um tanto aérea, preocupada com alguma coisa. E não gostava nada de a ver naquele estado.

- Não é nada. Comigo não se passa de mais. É só que…– encostou-se de lado à parede junto à janela, olhando através desta. – Conheces alguma rapariga que tenha cabelos cor-de-rosa? – Gaara fitou-a surpreso. Mas depois desviou o rosto um tanto abatido. Dirigiu-se até à cama da Inai, que era a que ficava ao pé da janela, encostada à parede, e sentou-se na mesma. – Gaara… - mostrou-se preocupada com ele, sentando-se a seu lado – Disse algo que não devia?

- Não. – custava-lhe muito ainda abordar aquele assunto. – Porque é que mo perguntas?

- Bem…É que ultimamente tenho tido sonhos estranhos. Acho que são recordações do tempo em que estava possuída. E numa delas surgiu uma rapariga de cabelos cor-de-rosa. Se estou a perguntar por ela, Gaara, não é porque tenho consciência de que lhe disse algo que não devia e, por isso, quero pedir-lhe desculpas pessoalmente. – deu um sorriso trémulo – E então? Conheces?

Gaara soltou um suspiro pesado. Por muito que lhe custasse, tinha de lhe contar a verdade. Ela merecia saber.

- Sim, Ino… Conheço. Neste caso…conhecia.

- Conhecias? – perguntou, franzindo as sobrancelhas confusa.

- Essa rapariga que acabaste de me perguntar se a conhecia, chama-se Sakura Haruno. Era a minha melhor amiga e…agora está morta…

Ino arregalou os olhos.

- Morta? – ela nem queria acreditar no que acabara de ouvir – Como?

- Por favor…não me perguntes mais nada, pode ser? – pediu-lhe encarecidamente, pois não estava a gostar do rumo da conversa. Não queria ir mais a fundo na ferida que ainda não lhe sarara do coração.

Ino, compreendo a sua dor, pousou-lhe uma mão sobre o ombro, fazendo com que ele a olhasse de frente.

- Dói-te falar nela, não é verdade? Porque…Porque gostavas muito dela, certo?

- Sim… - virou o rosto de lado, afundando-o entre as mãos – Ela era importante para mim…e eu…não fui capaz de a salvar…

Ino abraçou-o de lado, dando-lhe apoio.

- Gaara…não fiques assim…tu se calhar não tiveste culpa…

- Como não, Ino? – questionou exaltado, levantando-se de rompante. Depois apercebeu-se do erro. – Desculpa, Ino…Tu não tens culpa. – para espairecer as ideias foi até à janela. Abriu-a, respirando assim um pouco de ar fresco.

- Não faz mal, Gaara. – levantou-se e foi ter com ele. Abraçou-o por trás, encostando a cabeça nas suas costas – Se quiseres, não falo mais no assunto, ok? – levantou a cabeça e, com uma mão, pegou-lhe no queixo e fez com que este a encarasse – Posso não me lembrar dela, mas sei que ela devia também gostar muito de ti. E é por isso que… - convidou-o a abraçar-lhe e foi o ele fez, apertando-a contra si. – onde quer que ela esteja, tenho a certeza que ela estará neste momento a olhar por ti. – viraram os rostos um para o outro, olhando-se nos olhos – Por nós. A abençoar o nosso amor. Pois tudo o que ela queria era a tua felicidade.

Gaara sorriu.

- Tens razão, Ino. – deu-lhe um selinho – Tens razão.

Juntos, abraçados um ao outro, os dois olharam para cima. Para o céu.

Nesse momento, o rosto de Sakura surgiu por entre as nuvens. Estava a sorrir. Apesar de todos os males entendidos, a Haruno ficaria, onde quer que estivesse, na memória e em seus corações. Por todo sempre.


Foi emocionante? Já estão a chorar? Eu também. lol

Já redigi o último cap. que será o Epílogo. Por isso, se forem bonzinhos comigo, ao comentarem,talvez o envie no final o mês de Maio. ^~

Bjs e até lá!