Bom gente como o prometido aqui esta o Cap *-*

Não é muito longo mas já da pra ter uma noção do sofrimento da Bellinha...

CAPÍTULO UM

Isabella estava no sinal. Chovia a cântaros e o vento fazia com que a chuva batesse no carrinho de Dylan. Olhou dos dois lados antes de atravessar, mas quando se adiantou, os olhos cegos pela chuva... O cantar de pneus, um motor a todo vapor e uma batida tão vio lenta que a jogou para o alto... Depois o impacto do corpo e a total escuridão.

Ela se mexeu quando o cérebro lembrou do instan te em que tinha sido atropelada, na faixa de pedestres, por um carro a toda velocidade. A sacudidela causou dor, mas sentiu algo muito pior depois.

Uma voz gritando em sua cabeça. Desesperada...

Dylan! Dylan!

Sem parar. Inundando-a de terror e medo.

Alguém pôs a mão em seu ombro. Abriu os olhos. Uma das enfermeiras falava.

— Seu menininho está bem. Não se machucou. Ele está sendo cuidado. Agora precisa relaxar e dormir um pouco. Gostaria de algo para ajudá-la a dormir?

Isabella tentou mexer o rosto. Mas qualquer mo vimento era pura agonia. Até mesmo respirar.

— Não posso dormir! Preciso encontrar Dylan... Eles o levaram. Não vão devolvê-lo. Sei que não vão...!

A voz aumentava de volume, o medo pressionava a garganta.

— Claro que vai tê-lo de volta — consolou a enfer meira. — Só o levaram enquanto você está aqui. As sim que puder sair, vão devolvê-lo.

— Não, aquela assistente social o levou. Disse que eu não tinha condições de cuidar dele, que ele ficaria melhor em uma instituição. — A mão apertou os de dos da enfermeira. — Ele é meu filho!

— Vou lhe dar um calmante. — Medo e angústia tomaram conta dela. Dylan foi para uma instituição. Como a assistente social ameaçara.

É óbvio que você não pode cuidar de uma crian ça. — O tom condenatório ressoava-lhe na mente.

Meu Deus, por quê ?, pensou Isabella. Ela havia se sentido mal. Poucos dias se passaram desde o enterro do pai. Tomara uma dose dupla de remédio para gripe que a nocauteara. Quando a assistente social chegou, Dylan, ainda de pijamas, vendo TV com uma tigela de cereal na mão, abriu a porta para a mulher enquan to a mãe dormia na cama, inconsciente...

Isabella sabia que a mulher antipatizara com ela desde o início, quando tinha ido ao apartamento, em um conjunto habitacional, para avaliar se era neces sário uma enfermeira. Em tom áspero, a mulher disse a Isabella que seu pai precisava ser hospitalizado. Um doente não deveria ficar junto de uma criança pe quena e, caso Isabella insistisse em se recusar a informar o nome do pai da criança, não podia esperar que o Estado a ajudasse a sustentá-la no lugar do pai. Dylan ficaria em uma creche e ela voltaria ao traba lho porque essa era a política do governo.

No final da discussão, Isabella perdeu a paciência e gritou com a mulher, sem perceber que ainda segu rava a faca com a qual descascava cenouras na cozi nha antes de ela chegar. Ao ver a faca, ela acusou Isabella de ser violenta e de tê-la ameaçado com uma arma.

Depois, tudo só piorou. A vida do pai chegava ao fim e ela precisou chamar uma ambulância para levá-lo ao hospital onde ele teve um derrame. A exaustão, a doença, a necessidade desesperada de proteger Dylan do que acontecia deixaram-na ainda mais enfraquecida do que estivera nos últimos cinco anos.

E naquela manhã fatal, a assistente social chegou para encontrar Dylan sozinho e Isabella desmaiada. Foi à gota d'água.

— Vou lhe tirar a guarda da criança. Antes que al gum mal aconteça ao menino devido a sua total irres ponsabilidade. — Passou o dedo no pó do antigripal na mesinha-de-cabeceira e cheirou-o de forma sus peita, olhando a semi-consciente Isabella. — Levarei isso para análise, então nem tente esconder as outras drogas de que vem fazendo uso.

Logo que a mulher foi embora, informando que voltaria para apanhar Dylan, Isabella, fora de si, juntou algumas roupas e foi ao médico, desesperada para conseguir antibióticos bem como uma declaração de que não era usuária de drogas nem violenta, qual quer coisa que pudesse usar no Juizado. Mas antes de chegar ao consultório, foi atropelada por um carro.

Quando recobrou a consciência, estava no hospi tal, o corpo em agonia, as pernas e o torso enfaixados, soro na veia e os pulmões em fogo. E Dylan desapa recido.

Dylan. A única razão de viver, a única luz na escu ridão em sua vida. Tinha que consegui-lo de volta! Morreria sem ele. Que sofrimento ele devia estar pas sando, sem nenhum rosto familiar, sem a mãe para protegê-lo. Apesar do estresse dela e da pressão cui dando do avô temperamental e doente, da falta de di nheiro, da depressão, sem ninguém a quem recorrer, contando apenas com a ajuda do Estado.

Mas Dylan não estava morto! Estava vivo e ela aterrorizada diante da idéia de nunca tê-lo de volta. Ele seria entregue para adoção...

As enfermeiras tentavam ajudar.

— Não tem ninguém que possa cuidar dele? Ami gos, vizinhos, parentes?

As mãos de Isabella estavam crispadas.

— Ninguém. — Os amigos tinham se afastado. Não era amiga dos vizinhos, pois estava muito envol vida com problemas. Era apenas apavorada pela lás tima de sua vida.

Uma das enfermeiras voltara a falar. Cuidadosa mente.

— E o pai do seu filhinho? - Isabella endureceu.

— Ele não tem pai...

Uma imagem tomou conta da mente como se mar cada a ferro.

Queimando a pele, a carne. A memória...

Não esqueçam dos Reviews amores...

bjsk