Gente voltei *-*

Lembram o que prometi? Pois bem muitos leram porem poucos tiveram a consideração em me deixar um relis recadinho... então não terá dois caps hoje :(

Espero que gostem...


CAPÍTULO QUATRO

Edward atirou-se no banco do carro. Uma raiva silen ciosa o consumia. Durante quatro anos ele não soube ra da existência do filho! Aquela maldita mulher o afastara até a hora em que pudesse para arrancar seu dinheiro... usar o próprio filho para isso!

Cerrou os punhos. Do outro lado da cidade, o filho estava encolhido em uma cadeira, "recusando-se a reagir", conforme a assistente social informou a ele.

A raiva só cessaria quando tivesse a posse do filho.

Cuidadosamente, o porteiro do hospital empurrou a cadeira de rodas em direção à limusine. Duas mu lheres entraram no carro com Isabella: uma de meia-idade, uniforme de enfermeira; a outra, mais moça, com um rosto alegre. Sorriram, apresentaram-se; ela mal prestou atenção.

O coração batia forte, adrenalina a pleno vapor, trazendo uma esperança desesperada. A boca estava seca, a garganta apertada.

Dylan, Dylan...

Como uma ladainha, repetia o nome do filho sem cessar.

O carro andou. O percurso foi tranqüilo, mas cada parada e aceleração no trânsito parecia abalá-la.

Mas ela não se importava. Podia doer mil vezes mais e ainda assim não se importaria — desde que es tivesse a caminho do lugar onde Dylan estava...

A limusine parou em frente a um prédio antigo, com um pequeno portão de ferro e um pátio que con duzia à porta da frente. A enfermeira e a babá salta ram. Isabella reclinou-se, tentando ver pela porta aberta.

Não viu o carro prateado, nem a figura alta e de terno escuro saltar. A porta da casa se abriu. Enquan to isso, uma mulher saía.

Edward olhava a cena em silêncio. Reconheceu a assistente social, que estava com um bebê engatado nos quadris. Sentiu as pernas tremerem quando percebeu que ela conduzia uma criatura pequena, de ca beça baixa.

De repente, ouviu um grito estridente...

— Dylan!

O grito era quase um soluço. A figurinha cabisbaixa olhou para cima. Depois, como um furacão, saiu correndo e atirou-se dentro do carro.

— Mamãe! Mamãe!

Isabella curvou-se e pegou-o no colo, apertando-o, esquecendo a dor no peito, perdida na felicidade que a dominava. Lágrimas escorriam-lhe pelo rosto.

— Ai, Dylan...! — As lágrimas embargavam-lhe as palavras. — Ah, meu querido! O amor da vida da mamãe!

Soluços a sacudiam enquanto segurava o filho que pensara nunca mais ter nos braços.

Na calçada, Edward estava imóvel. O rosto parecia de pedra.

O carro voltara a andar. Isabella nem tinha notado — só sentia a pequenina mão apertando a sua.

— Você se comportou bem, meu querido? — per guntou, apertando-lhe a bochecha.

Ele balançou a cabeça, dizendo que sim.

— Sua mamãe estava doente — explicou a babá.

— Mas estou melhorando — disse Isabella, apres sada.

— Nós vamos para casa agora? — perguntou Dylan, ansioso.

Ela começou a falar, mas a enfermeira foi mais rá pida.

— Sua mãe não pode tomar conta de você sozinha, homenzinho. Então vamos todos tirar umas férias com você.

— Férias, mamãe? Onde?

Havia ansiedade por trás da surpresa. Ele passou por coisas demais. Não suportaria vê-lo chateado por não ir para casa. Podia ser um apartamento arruinado, mas ainda assim era o único lar que conhecia. Engo liu em seco e forçou um sorriso. Injetou entusiasmo em si.

— Longe! Vamos de avião! — Dylan não acreditou.

— De avião? — perguntou, enfático.

— Isso mesmo: de avião! — respondeu, aliviada. Apertou a mão de Dylan e viu as suas lágrimas de alegria.

Sete horas mais tarde, Isabella parecia novamente ter sido atropelada por um carro em alta velocidade. A viagem foi cansativa, apesar de todo o conforto: um avião particular e um helicóptero de Atenas até a ilha no mar Egeu.

Uma mulher vestida de preto, falando inglês com forte sotaque grego, apresentou-se como Maria e le vou Dylan para o quarto, enquanto a enfermeira Uley colocava a paciente na cama.

A última visão de Isabella antes de dormir foi Dylan, em seus pijamas velhos, segurando o fiel ursinho, no colo de Karen, a babá, para dar-lhe um beijo de boa-noite.

— Durma bem, mamãe — disse, abraçando-a. — Nunca mais vá embora.

Edward deu a ela uma semana.

Os sete dias demoraram a passar. Queria estar com o filho logo. Para compensar o tempo sem ele.

Mas o relacionamento que começaria — com qua tro anos de atraso — duraria toda a vida. Não podia cometer erros. Thee mou, sabia o que acontecia quan do um pai errava...

No escritório da matriz da empresa em Atenas, pensou o quanto era estranho amar o filho e odiar tan to a mãe.

Agora, forçava-se a relaxar os músculos tensos. Só existia um único propósito: zelar pelo filho. Apenas pelo bem-estar de Dylan toleraria a presença de Isabella. Ia deixar muito claras as condições.

Entretanto, uma coisa não toleraria: as drogas. Não se podia esperar muito de uma mulher amoral, mas será que não via no espelho o que as drogas estavam fazendo com ela? Destruíram sua beleza e a saúde! O rosto de caveira surgiu-lhe na mente, contrastando com a imagem da noite em que se aproximara dele, há cinco anos. A diferença era grotesca, repulsiva.

Afugentou as duas imagens. A agenda daquela se mana tinha sido puxadíssima. Em uma única semana, pôs em dia todas as pendências da CullMasen Interna tional. Pretendia permanecer um mês na ilha. O pilo to poderia entregar os documentos necessários e, as sim, conectava-se com o resto do império.

Não que quisesse trabalhar. Queria concentrar-se no filho — o filho que nem sabia que ele era seu pai.

Isabella sentou-se na espreguiçadeira e olhou a paisagem. Foi tomada por profunda felicidade e gra tidão. O calor suave da primavera no Mediterrâneo a aquecia. O sol suave e dourado iluminava o azul do mar. Do terraço, podia ver a praia a poucos metros. Sob os cuidados de Renne, Dylan brincava na areia.

Como toda criança segura pela presença da mãe e feliz por estar perto do mar, Dylan já parecia ter supe rado o trauma da separação. Quanto a ela, também se sentia bem melhor. Agora que a ansiedade se fora, o corpo podia curar-se — uma tarefa facilitada pelo agradável calor do Egeu nessa ilha luxuosa, além da enfermeira, e a total ausência de trabalhos do mésticos.

Por um momento, teve uma ponta de culpa. Se ela não escondesse a existência de Dylan de Edward, o fi lho poderia ter crescido em um ambiente como esse. Mesmo que ele se recusasse, as autoridades exigi riam que assumisse responsabilidade financeira.

Não, nem por toda ajuda financeira do mundo teria contado a Edward sobre Dylan! Em alguns casos, era melhor não ter pai. Sabia por experiência própria. A mãe sempre à espera do marido e ela ansiando por um pai que não tinha o menor interesse nela.

Um barulho interrompeu-lhe os pensamentos. Viu que na praia Dylan e Renne levantaram as cabeças. Um helicóptero se aproximava.

Seria o médico? Ele tinha vindo vê-la duas vezes. Pareceu satisfeito com a melhora e não era esperado até a próxima semana.

Quem poderia ser? Chegando a essa hora, desse jeito? Não precisou esperar muito para saber.

Edward fechou a cara ao chegar ao terraço. A sur presa era sempre um elemento confiável de ataque. Ela achava que poderia ficar na casa, no meio do luxo, e não ser chamada a prestar contas?

Os olhos viram-na e desceram para a praia.

O filho estava brincando no mar, rindo e jogando água, pulando as ondas.

Foi tomado pela emoção e pelo desejo de protegê-lo.

— O que está fazendo aqui?

A voz fina, em tom alto, cortou seus sentimentos.

Virou a cabeça bruscamente. Os olhos frios enca raram a mulher que mantivera o filho afastado por quatro longos anos.

A palidez enfatizava o rosto encovado, as olheiras. O choque era visível em cada linha do rosto.

— O que está fazendo aqui? — voltou a perguntar, no mesmo tom cortante.

Ele sentou-se. Por um momento, nada disse, ape nas a observou como se ela fosse uma barata. Ela ain da parecia em choque. Havia outras emoções no ros to, mas não perderia tempo tentando identificá-las.

— Temos assuntos a... discutir.

Soube então por que ele tinha vindo.

— Você quer que eu assine papéis, é isso? Quer me impedir legalmente de falar sobre Dylan nos jor nais.

O olhar de Edward endureceu. Então devia ser esse o plano dela. Ameaçar expor o filho na imprensa marrom!

Para controlar a onda de fúria que as palavras ti nham gerado, reclinou-se com lentidão.

— Você nunca falará sobre meu filho na mídia. Com ou sem contratos legais. Por que imagina que a trouxe aqui? Para cuidar de sua saúde? — disse, irô nico.

— E quando eu voltar com Dylan para a Inglater ra? — rebateu. Ele na certa tentaria forçá-la a calar-se, mas não se importava. Assinaria qualquer coisa para ficar livre dele o quanto antes. De preferência, nesse exato momento.

— Você e meu filho não voltarão para a Inglaterra. Vocês vão morar aqui. Quando ele estiver em idade escolar e fluente em grego, outras providências serão tomadas.

— Em idade escolar? Fluente em grego? Que dia bos você está dizendo?

Olhos negros, assustadores, pousaram nela.

— Estou falando sobre como meu filho vai viver.

— Sr. Cullen, dê-me os papéis para assinar. É bem mais simples do que essa idiotice!

— Você não tem escolha. Meu filho fica na Gré cia. E enquanto for criança e precisar de você, você também fica. Isso não é negociável.

— Você é louco. Acha realmente que vou ficar presa aqui?

— O que eu "acho realmente" é que de agora em diante você fará exatamente o que eu disser! Bote isso na cabeça!

Ela fervia de raiva.

O coração de Isabella batia forte. Edward voltara afalar. A voz era fria. Os olhos, duros como pedra.

— Deixe eu explicar... para que você possa compreender. Se estava imaginando que eu fosse susten tá-la luxuosamente na Inglaterra, pode esquecer. Meu filho fará parte permanente de minha vida. Você vai morar aqui, sob supervisão, enquanto tento corri gir os danos que causou a ele mantendo-o afastado de mim. Perdi quatro anos da vida dele e deveria acabar com você por isso. Mas minhas mãos estão atadas: enquanto ele é criança, a felicidade dele depende de você e só por esse motivo vou tolerar sua presença na vida dele.

Ela ficou horrorizada. Não podia ter escutado o que ele acabara de dizer!

— E agora — a voz sibilou, queimando como fogo —, vou tentar recuperar o tempo com meu filho!

Ela queria berrar, mas não podia. Estava paralisa da de horror.

Ele descia as escadas de pedra.

Não sabia de onde retirara forças. Segurando os braços da cadeira, levantou-se, sentindo o mundo gi rar. Arrastou-se em direção às escadas, prestes a des maiar. Podia ver Dylan, ainda brincando na água, fe liz, enquanto na direção dele caminhava um homem que, se ela pudesse, faria sumir. As pernas lhe falta ram e viu-se cercada de uma escuridão total.

Edward ouviu o barulho do corpo caindo na areia. Ao mesmo tempo, ouviu o grito da babá.

— Tome conta de Dylan! — ordenou, e caminhou de volta à vila. — Mantenha-o afastado!

Ela estava desmaiada. Com voz severa, chamou a enfermeira. Levantou o corpo inerte nos braços. Ela não pesava quase nada. Subiu as escadas apressado e levou-a para dentro.

A enfermeira corria na direção dele gritando, mas ele a silenciou.

— Em que quarto ela está?

— Aqui — respondeu a mulher, abrindo a porta do quarto principal.

Edward deixou o fardo na cama.

— Ela tentou descer as escadas e desmaiou na areia — respondeu, seco. A mulher parecia compe tente o suficiente para não fazer drama. Estava che cando o pulso e o coração da paciente.

— Precisa de um médico?

— Ela vai voltar a si em um minuto — garantiu a enfermeira.

Edward virou as costas e voltou para a praia. Podia ver a babá, agachada ao lado de Dylan. Será que Isabella não tinha nenhum senso de responsabilida de? Assustar o menino desse jeito? O que estava pre tendendo? Fazer outra cena?

Como sua mãe...

Nada de memórias. Não ia se permitir.

Acalmando-se, caminhou até Dylan. Isabella não era nada. O filho era tudo.

Para a criança, ele era um estranho. Não podia es quecer-se disso. E nesse momento a única preocupa ção do menino era com a mãe.

Edward respirou fundo, tentando soar reconfortante.

— Não precisa se preocupar — olhou para o meni no, agarrado na mão da babá. — Sua mãe vai ficar melhor daqui a pouquinho.

A babá aproveitou a deixa:

— É isso! Sua mãe tem que ir com calma, lembra-se? Olha, você tem uma visita!

Levantou-se e olhou para Edward. Ela era ótima, profissional. Fez sinal para que se afastasse e ela aproveitou a deixa de novo:

— Nossa, que bagunça! Preciso arrumar tudo! — Edward viu o filho olhar inseguro para a babá.

A babá que conhecia havia uma semana era mais familiar do que o próprio pai!

Cuidadosamente, deu o primeiro passo.

— Oi, Dylan. Você tem se divertindo na praia? — Por um momento, Dylan demonstrou hesitação.

Depois acalmou-se.

— Eu tenho brincado no mar! — respondeu. Com o coração ainda apertado, Edward forçou um sorriso. Quando sorrira pela última vez? Com certe za, antes de Sue Clearwater passar a ligação da assis tente social.

— É mesmo? O que você fez no mar? Deixa eu ver. — Grandes olhos brilhavam.

O menino pegou o balde e encheu de água.

— Viu?

— Muito bem. O que você acha que vai mais lon ge? A água do balde ou uma pedra?

Olhou o menino abaixar o balde e pegar uma pedrinha.

— A pedra! — gritou Dylan, jogando-a na água. Pegou outra e jogou.

—Eu conheço uma brincadeira com pedras — disse Edward. Parou quase na beira do mar. Uma rápida olha da na areia revelou várias pedrinhas redondas. Olhou para o mar, concentrado, enquanto atirava a pedra.

— Ela quicou! — surpreendeu-se o menino. — Jo ga de novo!

Edward obedeceu.

— Quicou duas vezes! — gritou Dylan. A água molhou a calça de Edward. Ele não se importou.

— Agora três! — disse Dylan.

— Da próxima vez.

Sabia quando parar. Estava surpreso por ter conse guido. Tinha aprendido a fazer isso quando criança e treinara sozinho durante os verões que passara na ilha da família na costa da Ática. Nunca tinha com quem brincar. O pai sempre ficava em Atenas, trabalhando.

Quanto à mãe...

Fechou a porta de ferro, encerrando o passado.

O filho pegava pedras e tentava fazer com que elas quicassem, sem sucesso.

— Eu não consigo! — demonstrou frustração.

— É um truque. Quando você crescer eu ensino.

— Quando eu tiver cinco anos?

— Mais velho. Eu aprendi esse truque quando ti nha mais de cinco anos.

— Quantos anos?

Edward pensou. Não queria, mas pegou-se recor dando.

— Oito.

Exatamente oito, lembrou-se. Era seu aniversário. O pai estava em Nova York a negócios. Edward estava sozinho. Passara o dia na praia, tentando até conse guir fazê-las quicar.

— Vou ter oito em... — O filho contou com cuida do nos dedos, trazendo Edward de volta ao presente. — Um, dois, três, quatro anos.

— Muito bem — disse Edward. — Kala. Isso quer dizer "muito bem" em grego. Estamos em uma ilha na Grécia. Há centenas delas aqui. Se você pode con tar em inglês, pode contar em grego. Ena, thio, tria. Isso é "um, dois, três." Você consegue?

Hesitante, o menininho repetiu os números. Meu filho. Falando grego comigo.

— Muito bem — sorriu para o filho. O segundo sorriso saiu bem mais fácil.


Gente deixem um recadinho não faz mal e é bom para os autores *-*

Obrigada aqueles de deixam sua marca nos caps

BJsa