Oi gente td bem? Que saudade de vcs *-*
Espero que gostem do cap... como não tive novamente muitos recados apesar de ter vários leitores não postarei novamente 2 caps... Agradeço a todas as que deixaram sua marca e que nunca esquecem de deixar... bem dependendo da quantia de reviwes vou postar outro cap...
Boa leitura
CAPÍTULO CINCO
Isabella se mexeu, sentia preguiça. A cabeça pesava, o corpo doía. Deviam ter lhe dado um calmante, e o efeito a deixara grogue. Não sabia quanto tempo dor mira.
O relógio marcava 10h30.
Lembrou-se do porquê de a enfermeira tê-la sedado.
Foi tomada de pânico.
Um minuto depois a enfermeira entrou no quarto.
— Vamos — disse, calma —, não quero que se aborreça de novo...
— Onde está Dylan? — perguntou, desesperada. Tinha um medo terrível.
— Está nadando na piscina com o Sr. Cullen — respondeu a enfermeira Renne.
Imediatamente, Isabella tentou tirar as cobertas. A enfermeira forçou-a a permanecer na cama.
— Isso não vai ajudar. Dylan está ótimo. Você po derá vê-lo assim que tomar o café-da-manhã.
Mas Isabella apenas a fixava com olhos angustia dos.
— Você não entende...
A enfermeira ajeitou os travesseiros.
— Se quiser ficar boa, o mais rápido possível, não pode se aborrecer assim! Você podia ter se machuca do ao cair das escadas ontem. E de que serviria? Ago ra, tome seu café-da-manhã e depois vou ajudá-la a se levantar.
Isabella não tinha outra alternativa a não ser ce der. Enquanto se forçava a tomar o café-da-manhã, sob a supervisão inflexível da enfermeira, a cabeça girava.
Desesperadamente, tentou obrigar o cérebro a fun cionar. Edward não podia tirar Dylan dela. Os pais de crianças ilegítimas não tinham direitos automáticos perante a lei. Ela podia proibi-lo de se aproximar, conseguir um advogado para mantê-lo longe...
Por que Edward Cullen queria Dylan? Por quê? Naturalmente o único motivo de tê-los levado para lá era impedir que o escândalo estourasse.
Mas por que estava tão zangado por tê-lo mantido afastado?
Meu Deus, é claro que manteria Dylan afastado! Um homem como ele, capaz de fazer o que tinha feito com ela, dizer o que tinha dito. Se podia usar as mu lheres daquele jeito, poderia fazer o mesmo com o fi lho dele. Filho dela.
Foi uma eternidade até que a enfermeira finalmen te ficasse satisfeita com a quantidade de comida que tentava engolir. Depois, mais uma eternidade até que a levasse ao terraço.
— Quero ficar perto da piscina. — Podia ouvir o ba rulho da água e os gritos infantis de Dylan vindo de lá. A enfermeira ajudou-a junto com Stravos, marido de Maria, a carregar a cadeira até o canto do terraço. Posicionou-a de modo a que ela avistasse a piscina. Dylan usava bóias nos braços, nadava. Edward estava de pé dentro d'água, estendendo-lhe as mãos para encorajá-lo.
Ao fixar o filho, outra imagem queimava-lhe a retina. A de um homem andando de costas devagar para a borda da piscina, o cabelo negro molhado, o torso forte e musculoso de um tom dourado, gotas de água presas nos parcos pêlos escuro do peitoral até o umbigo.
A lembrança cortou como uma faca. As mãos des lizando nos ombros por baixo da camisa, as coxas pressionando as dele, a respiração arfante, desejando-o, o calor possuindo-a...
Não! Não devia se lembrar! Devia ver Edward como o homem que queria tomar seu filho... Ele não ia conseguir. Nunca. Ninguém jamais tiraria Dylan dela. Ninguém jamais os separaria.
Foi invadida pela descrença. Por que Edward queria Dylan?
— Bate a perna! — Isabella ouvia Edward. — Bate com força!
Viu quando Dylan obedeceu, batendo as pernas cada vez com mais força, conseguindo impulsionar-se.
— Kala! Muito bem!
Ele acenava para Dylan, encorajando-o. Só tinha olhos para o menino.
Dylan estava nadando em direção ao pai. O rostinho extasiado, concentrado. Na última braçada, al cançou-o e Edward finalmente deixou que ele lhe pegasse as mãos.
— Excelente!
Dylan riu para ele, alegre. Depois percebeu Isabella, olhando-o do terraço acima.
— Viu, mamãe? Eu sei nadar!
O rostinho era o retrato da felicidade e do orgulho.
Outro par de olhos repousou nela. Olhos escuros como o do filho. Mas o olhar que dirigiu a Isabella era de desprezo.
A manhã parecia não ter fim. A aula de natação se transformou em aula de pólo aquático, seguida de uma sessão de mergulho. Isabella via tudo, desolada.
Quando finalmente pararam de nadar, pois Renne avisou Dylan que era hora do almoço, sentiu como se passasse uma década.
Relutante, Dylan saiu da piscina e deixou Renne ti rar as bóias e enrolá-lo em uma toalha. Isabella podia ver Edward dizendo algo para a babá e depois algo para Dylan. Depois, Edward começou a nadar vigoro samente.
Dylan subiu as escadas correndo para encontrá-la.
— Você viu, mamãe?
Ele subiu no seu colo, com toalha e tudo, o cabelo pingando. Ela não se importou. Apenas o abraçou.
O coração ficou apertado. Oh, Dylan, meu menino adorado, amo tanto você...
— Venha! Hora do almoço! — Renne estendia a mão. — Precisa mudar de roupa.
Embaixo, na piscina, Edward continuava a nadar. A luz do sol batia na esguia forma do corpo.
Pulou da piscina, com a força dos braços e se er gueu. Precisava desse exercício. Precisava expulsar a raiva.
Ela ainda estava sentada no terraço de cima. Os empregados tiveram o bom senso de se afastar, o que era ótimo. Pegando uma toalha, começou a se secar. Jogou a toalha úmida no ombro e subiu as escadas.
Quando ele já tinha passado, a voz sibilante dela chegou-lhe aos ouvidos:
— Você não vai conseguir ficar com Dylan. — Edward parou. Virou-se lentamente.
As mãos dela estavam agarradas nos braços da ca deira. O rosto era veemente.
O dele uma máscara de mármore.
— Quero deixar bem claro que pode perder a espe rança, caso passe pela sua cabeça me ameaçar com uma briga pela custódia. Nenhuma corte judicial na Europa devolveria uma criança para uma mulher como você!
— Nenhuma corte na Europa é que não entregaria uma criança para um homem feito você. Bastaria sa ber como Dylan foi concebido!
A raiva tomou conta dele.
— Thee mou, você tem a audácia de mencionar como ele foi concebido?
Fúria e vergonha a invadiam por ter ido parar na cama de Edward. O rosto ficou vermelho.
— Eu só me arrependo de uma coisa: de ter sido tão estúpida a ponto de ir para a cama com você!
A voz de Isabella destilava veneno.
Os olhos de Edward pareciam os de uma serpente.
— Foi estúpida mesmo por achar que eu era bobo.
— Eu não estava...
A negativa foi interrompida:
— E está sendo estúpida agora achando que vou deixar meu filho à mercê de uma viciada.
— O que você disse?
— Você vai negar? Nem tente. A assistente social que me contou que eu tinha um filho de quatro anos também me contou sobre seu hábito. Ela encontrou a prova na manhã em que foi ao apartamento e viu você desmaiada, com drogas espalhadas na mesinha-de-cabeceira e meu filho sozinho, disposto a abrir a porta para qualquer pessoa! Eu podia estrangular você, sua irresponsável... — Ela rangeu os dentes.
— Não eram drogas. Eram remédios para gripe! — interrompeu.
Ele ignorou a reclamação.
— E você ameaçou-a com violência.
— Era uma faca de legumes, eu estava descascan do cenouras! Ela não parava de me pressionar para que eu dissesse quem era o pai de Dylan.
— Não. — Ele cortou-a, com ódio. — Você pouco se importava com o tipo de vida ao qual sujeitava meu filho até escolher o momento certo para me tirar o máximo de dinheiro!
A adrenalina corria em suas veias, fazendo com que ela revidasse:
— Você é louco. Completamente insano. Nunca ia deixar você chegar perto de Dylan.
— Então garantiu-se prendendo, na certidão de nascimento de Dylan, meus dados? — O sarcasmo era revoltante.
Isabella contorcia as mãos.
— Era para uma emergência. No caso de alguma coisa... acontecer comigo. — Num suor frio escorria-lhe pelas costas. Se não conseguisse desviar-se da quele carro em alta velocidade, Dylan podia sobrevi ver, e ela, não. — Eu anotei seu nome porque sabia que pelo menos você tinha dinheiro e que seria força do a... assegurar um futuro para ele...
— Bem, agora meu filho tem um futuro. E não ao lado de uma viciada...
Isabella ergueu-se, ignorando a dor.
— Não fale comigo desse jeito. Como se atreve a me chamar desses nomes? Eu não sou viciada!
— Chame do que quiser, seja qual for o eufemis mo obsceno que preferir. Mas eu só digo uma coisa: você não vai voltar a usar drogas. Meu filho não vai ter uma viciada como mãe!
— Eu não uso drogas! — berrou. — Nunca usei!
Ele olhou-a com frieza.
— Controle-se. Não vou tolerar histeria. Sei bem quem você é, então não venha me falar de virtudes que não possui. Agora sente-se antes que caia. E nem tente se fazer de vítima. Se não fosse por meu filho, você podia cair morta e eu não moveria um dedo para salvá-la. Mas uma criança de quatro anos precisa da mãe — mesmo uma como você. Então, para o bem dele, vou suportá-la, mas nos meus termos, enten deu? A partir de agora, você vive sob minhas ordens.
Ela explodiu em um riso incrédulo e debochado.
— Vá para o diabo! Nenhum juiz no mundo permi tirá que faça isso.
Edward sorriu e ela sentiu frio até nos ossos.
— Posso saber como vai entrar na Justiça? Esta é minha ilha. Os empregados estão a meu serviço, só obedecem a mim. Meu Deus, você ousa me desafiar? Você manteve meu filho afastado de mim por quatro anos e acha que vou ser só perdão? Isso agora termi nou!
O mundo parecia girar ao redor dela.
— Por quê? — sussurrou. — Por que está fazendo isso? Não compreendo. Que interesse tem em Dylan?
— Thee mou, você acaba de se condenar, mostrou exatamente o que é. Uma mulher tão desprovida de humanidade que não entende nada do que significa ter um filho.
Havia frieza na voz. Ele estava devastado pelas memórias do passado. Fitava-a, condenatório.
— Mantenha distância. Não quero respirar o mes mo ar que você.
Foi embora.
Sentiu que ia desmaiar. Segurou o corrimão, ten tando respirar. O coração explodia no peito. A pres são sangüínea subiu. Ficou enjoada e tonta. Mas não era a dor do corpo que a atormentava.
Foi preciso todo o autocontrole para almoçar com o filho.
Tinha ficado furioso por ela tê-lo desafiado e men tido.
A memória voltou a atormentá-lo.
Os amantes da mãe. Tantos.
Ele mesmo tinha visto um deles na cama com ela.
Podia lembrar-se com clareza. Chegando ao quar to da mãe de manhã cedo. Subindo na cama. Não era o pai dele. A mãe acordando, vendo-o e gritando com raiva da babá. A babá entrando às pressas, afastando-o. Ele chorando, agarrando as cobertas que arrancou, revelando o corpo nu de Demos, o homem que limpa va a piscina.
Decepou a lembrança.
Do outro lado da mesa, Dylan segurava uma cane ca azul enfeitada.
Meu filho, pensou Edward, tomado por um senti mento protetor. Meu filho.
Mesmo que a mãe dele não valha nada, como a mi nha, ele terá a mim.
A enfermeira voltou e a conduziu até o quarto. Te ria escutado aquela detestável discussão? Seria incrí vel se não tivesse ouvido — se toda a casa não tivesse ouvido.
— Para a cama. Vai acabar voltando para o hospi tal se continuar agindo desse jeito — foi o que ela disse, no entanto.
Isabella seguiu-a, dócil, incapaz de protestar. In capaz de qualquer coisa.
Tão debilitada, indefesa, doente, só...
Ficou deitada na cama, olhando o teto.
Enquanto estivesse fraca, não havia o que fazer. Tinha que ficar boa. Quando estivesse forte, aí poderia brigar com Edward. Brigar e ganhar. Para o bem de Dylan.
Edward trabalhava em seu escritório depois do jan tar, colocando em dia os assuntos importantes da em presa. Depois que Dylan acordara da soneca vesper tina, passou a tarde com ele. Tinham nadado nova mente, construído um castelo de areia e jogado fute bol. Depois jantaram e ele leu uma história.
Uma batida na porta interrompeu-o.
— Sr. Cullen?
Era a enfermeira. Tinha uma expressão determina da.
Edward recostou-se.
— Sim?
Ela entrou na sala e logo depois fechou a porta.
— Preciso falar com o senhor — anunciou.
— Pois não.
Ela respirou fundo.
— Minha responsabilidade, como o senhor sabe, é com minha paciente — começou. — E por essa razão preciso pedir que ela não fique sujeita a... ao tipo de reviravoltas... emocionais dos últimos dois dias. Es ses episódios não ajudam na recuperação. Ela vem fazendo progressos excelentes, mas corre perigo de ter uma recaída. Tive que sedá-la, e isso não leva à re cuperação.
Edward escolheu as palavras com cuidado:
— Aprecio sua preocupação, enfermeira Thomp son. Entretanto, a melhor maneira de garantir a... tranqüilidade... da paciente é mantê-la afastada de mim. E enquanto estiver aqui, quero saber como o tratamento está sendo conduzido. Naturalmente, a se nhora vai compreender que um dos aspectos essen ciais para o tratamento é apressar seu afastamento da dependência química.
A enfermeira levantou as sobrancelhas.
— As dosagens estão diminuindo, é claro, mas ela não pode ficar sem elas muito rápido ou poderá ter uma recaída. O corpo ainda depende delas.
O rosto de Edward ficou sombrio. Isabella ainda negava ser usuária de drogas!
— Ela é assim tão viciada? — perguntou com rai va.
— Viciada? Não entendo.
Algo no tom de voz da mulher enfurecia Edward.
— Se tivesse se dado ao trabalho de ler os relató rios médicos, saberia do que estou falando! — disse, frio.
A enfermeira empinou o nariz.
— Não há absolutamente nada nos relatórios mé dicos que indique que ela é viciada em drogas!
— Ela estava sob o efeito de drogas quando passou na frente do carro!
A enfermeira deu um suspiro profundo.
— Sr. Cullen, um exame médico detalhado foi feito quando a srta. Davies deu entrada na emergên cia do hospital. A única substância encontrada no sangue foi um remédio para gripe! Em grande quan tidade, mas nada ilícito. Todos os exames médicos seguintes, durante a hospitalização, não indicaram o menor sinal que ela é ou foi dependente química. E se o senhor não acredita em mim, consulte o médico, o Dr. Paniotis — concluiu, seca.
— Ela devia estar alta ou algo assim para atraves sar na frente do carro!
A enfermeira olhou-o, incrédula.
— Ela foi atropelada por um carro em alta veloci dade. Existem testemunhas, e o motorista foi preso sob a acusação de dirigir bêbado. Tudo está docu mentado, e estou certa de que a polícia pode confir mar tudo, se o senhor insiste!
Edward olhou perplexo para a mulher.
— A senhora está me dizendo que ela não é vicia da em drogas?
— Com toda certeza. Nunca ouvi nada tão absurdo em minha vida.
— A assistente social... — A enfermeira pigarreou.
— A assistente social — continuou, seco — disse que havia provas contra ela.
A enfermeira voltou a pigarrear em tom de despre zo. Encarou-o.
— Posso assegurar, Sr. Cullan, do alto de minha experiência de muitos anos de enfermagem, que mi nha paciente não é violenta nem viciada!
— Então por que parece uma caveira ambulante? — A enfermeira engoliu em seco.
— Provavelmente porque quase se tornou uma — retrucou, na defensiva. — Quando chegou ao hospi tal, descobriu-se que ela sofria de uma forte infecção pulmonar ocasionada por exaustão crônica. Foi pre ciso tratamento urgente e medicação que continua a tomar, embora em dosagens cada vez menores, como informei. Levando-se em conta o estado em que se encontrava ao ser atropelada, pergunto-me como ela ainda conseguia se manter em pé.
Por um longo momento, Edward não disse nada. A enfermeira continuava parada à sua frente, respiran do pesadamente. Ela não parecia idiota.
Mas se estava dizendo a verdade...
Ele virou-se, olhando o mar escuro através da ja nela.
Pensamentos indesejáveis circulavam na mente. Precisava refletir sobre eles sozinho.
— Obrigado, enfermeira Thompson. É só isso. Isabella tinha dito a verdade. Era uma constatação perturbadora.
— Mamãe!
— Oi, fofinho. Tirou um cochilo gostoso?
Dylan subiu no colo da mãe e aninhou-se em seus braços. Isabella passou-lhe a mão nos cabelos, igno rando a pressão do corpo nas ainda frágeis costelas. Tinha passado a manhã, assim como a tarde e a noite anteriores, na cama por insistência da enfermeira. Mas depois do almoço tinha sido autorizada a levan tar-se e agora estava no terraço.
— Tirei, mas agora quero brincar. Na praia. Você também vem.
— Querido, talvez amanhã.
Um olhar rebelde atravessou-lhe o rosto.
— Não, agora!
— Dylan, sua mãe precisa descansar. O descanso fará com que fique boa mais rápido.
A voz rouca e com sotaque era firme, mas não reprovadora. Os olhos de Isabella voaram até Edward parado na porta.
Ele parecia ponderado.
Instintivamente, abraçou Dylan, como se para pro tegê-lo. Ela não o tinha visto desde aquela horrível discussão ontem pela manhã. Agora o pulso acelerara e ela estava tensa.
— Ela está sempre descansando. Como o vovô. Ele estava sempre cansado e descansado. E depois ele... ele...
A boquinha de Dylan tremeu. O coração de Isabella parecia prestes a ser arran cado. Ela apertou Dylan com mais força.
— Ah, querido, eu não estou doente como o vovô. Estou ficando melhor a cada dia. Olha, eu vou com você, está bem? Você desce primeiro.
— Um momento.
Antes que ela se desse conta do que ele fazia, Edward inclinou-se e tirou Dylan de seu colo. Embora ela soltasse Dylan o mais rápido que podia, não conse guiu evitar que o braço nu de Edward esbarrasse em sua mão.
Colocou Dylan no chão.
— Vá dizer a Renne que vamos para a praia. — Afagou o cabelo do filho.
— Com mamãe?
Ele assentiu. Dylan correu, alegre novamente. Edward virou-se para Isabella.
— Que história é essa de o avô de Dylan estar doente e não melhorar?
— E, ele não melhorou. — Não queria pensar so bre o pai, na morte sofrida e lenta, nem falar sobre isso com Edward.
— Dylan se lembra dele?
— Lembra — respondeu, seca.
— Quando ele morreu?
Tinha um nó na garganta. Bem apertado.
— O mês passado.
— O quê?
Edward estava chocado. Ela percebia. Mas não po dia fazer nada a respeito. Ele perguntara e ela respon dera.
— Você perdeu seu pai há poucas semanas? — A pergunta demonstrava incredulidade.
O nó na garganta incomodava.
— Ele estava muito doente. Já era previsível.
— Há quanto tempo estava doente?
Mas que diabos, isso parece a Inquisição, pensou.
— Há anos.
— E o que ele tinha?
Um coração partido. Era verdade. Perder a Charles S Design partiu o coração do pai.
— Ele teve problemas cardíacos por anos. Ata ques, derrames. Esse tipo de coisa.
Ela podia sentir os olhos de Edward penetrando-a. Queria que ele morresse. Fosse embora. Desapare cesse. Mas ele não ia.
— Não sabia da perda. Ou que fosse tão recente — observou, como se tivesse que dizer alguma coisa.
— Foi um alívio. O final foi... difícil.
— Sempre é.
Havia uma gravidade na maneira com que falou que a fez olhar para cima de repente. Dylan voltava correndo.
— Vem, mamãe!
Ele correu para a praia.
Antes que ela soubesse o que acontecia, sentiu um braço que lhe envolvia as costas e outro por baixo das pernas. Foi levantada sem esforço, como se fosse uma pluma.
O choque a paralisou. Depois, fora de si, tentou se libertar.
— Ponha-me no chão! Por favor!
Edward olhou para ela, sem reação. Estava histéri ca.
— Me larga!
Lentamente, ele a colocou no chão. Ela se afastou.
— Não me toque! — sussurrou.
Foi sozinha até a praia recusando-se a segurar o braço que Edward em silêncio ofereceu. Era um pro gresso conseguir andar e finalmente sentou-se perto de onde Dylan tinha começado a cavar a areia.
Edward ficou de cócoras ao lado da pequena figura. Como Dylan, ele vestia shorts e camiseta.
Isabella olhou-os. Gradualmente, a palpitação de sacelerou e a respiração voltou ao normal. A areia es tava quente e macia. Ela tirou a sandália e brincou com a areia fina entre os dedos. O sol a aquecia.
O homem, tão compenetrado quanto o filho, cava va na areia úmida um grande buraco. Os dois eram muito parecidos. Desviou o olhar para Edward. O pai de Dylan.
Mas eu não quero. Não quero que seja o pai de Dylan!, pensou, desesperada.
Mas querer ou não era indiferente. Ele era o pai de Dylan. Seus genes estavam em Dylan — a pele dos dois era testemunha disso. Lembrou-se de Edward di zendo que assim que viu Dylan soube que era seu fi lho, pois era igualzinho a ele quando criança.
Edward nunca deve ter sido criança. Nunca deve ter sido como Dylan, uma criança carinhosa, meiga, vul nerável...
Ainda assim ele parecia diferente do usual. Pare cia mais jovem, embora quase cinco anos tivessem se passado desde que o vira pela primeira vez. Talvez por estar usando roupa de banho e não o smoking so fisticado de quando...
Não. Não pense nisso.
Mas as memórias insistiam em brotar. Não as da manhã odiosa, mas as daquela noite.
Ele tinha sido tão envolvente e ela não conseguira desviar os olhos dele. E ainda não podia.
Sentiu um estremecimento. Algo ficou adormeci do por muito, muito tempo. Por cinco longos, amar gos e opressivos anos.
Não queria que esse sentimento despertasse.
Mas ele era mais forte. Como um calor pulsando no mais fundo de seu ser.
Afastou os olhos dele e dirigiu-os a Dylan.
O filho dele. Nosso filho.
Meu Deus, Dylan era filho deles — eles o haviam concebido. Concebido naquela noite... mágica, maravilhosa, incandescente. Nunca soubera que seria pos sível sentir-se daquele jeito.
E ainda assim, para ele nada significara além de urna noite apenas — uma atração por uma mulher fa cilmente seduzida.
Mas se não tivesse sido assim...?
E se aquilo, há cinco anos, fosse sido diferente?
Os olhos fixaram-se nos dois. Edward e Dylan.
Edward, seu marido, e Dylan, o filho que tinham gerado naquela primeira e maravilhosa noite seguida de muitas outras juntos. Eles poderiam formar uma família afetuosa, amorosa e feliz...
A miragem desvaneceu-se. O coração voltou a pe sar.
Edward a havia usado e depois descartado-a na ma nhã seguinte, condenando-a injustamente. Recusan do-se a deixá-la explicar-se, justificar-se.
Ele não era o pai adequado para o filho.
Olhou enquanto eles cavavam, trabalhando em equipe, discutindo a profundidade e o tamanho do buraco. Bem à vontade, na companhia um do outro.
Teve que admitir que podia desprezar Edward, po dia querer com todas as forças que ele não fosse o pai de seu filho, mas não podia negar que ele era bom para Dylan. Dylan lhe correspondia, ela podia ver. Dylan o tinha... aceitado.
Sentiu um aperto no coração. Dylan nem sabia quem era o homem. Ainda não sabia que o homem cavando um buraco com ele era seu pai.
Talvez Edward não planejasse contar-lhe a verdade. Talvez ainda decidisse reconhecê-lo como filho.
O estômago revirou-se. Era bem pior ser rejeitado pelo pai do que simplesmente não saber quem ele era. Dylan levantou-se.
— Quero colocar água dentro! — anunciou. Pegou o balde e correu para o mar.
Sem pensar duas vezes, Isabella seguiu a intuição, assim que Dylan se afastou.
— Você não vai reconhecê-lo, vai? Ele não vai sa ber que é o pai dele, vai?
— Dylan vai saber que sou o pai dele. Quando eu achar que chegou a hora.
— Você não vai poder mudar de idéia depois que ele souber. Você tem consciência disso, não tem? Não pode depois resolver que não quer mais ser o pai dele.
O tom era agudo e assustado. Ele a analisou.
Do mesmo jeito que a tinha olhado ao chegar no terraço.
— Não tenho a menor intenção de fazer isso. Dylan é meu filho para sempre. Todo menino precisa de um pai. Algo que você ignorou. As necessidades dele estão acima de tudo. Motivo pelo qual você vai ficar com ele enquanto ele precisar...
— Ele sempre vai precisar de mim. Sou a mãe dele!
— Enquanto ele precisar de você, vai tê-la. — Os olhos soltavam faíscas. — Nunca separaria uma criança da mãe — mesmo se ela quisesse deixá-lo.
— Nenhuma mulher deixa o filho! O rosto dele ficou tenso.
— Algumas deixam, pois não têm instinto maternal. É uma característica que não possuem.
Isabella mordeu o lábio. Algo a tocou profunda mente. Depois, como se partisse um cabo de alta ten são, Dylan veio tropeçando na direção deles, com o balde transbordando. Edward desviou a atenção para o filho.
Dylan jogava água no buraco. Olhou-o por um mo mento.
— Está indo embora.
— Não vai ficar, Dylan — disse Edward —, está sendo absorvida pela areia.
— Mas eu quero que fique! — exclamou Dylan, indignado.
— Nem sempre podemos ter o que queremos.
Os olhos procuraram a mulher sentada na areia. Não, não se pode ter sempre o que se quer.
Ele não queria que Isabella fosse a mãe de Dylan, mas ela era.
Olhou o rosto sisudo e tenso. Ainda estava magra, mas não parecia mais a caveira do hospital.
Então não foram as drogas que a fizeram tão doente.
Quando a enfermeira tinha contado isso, ele ligou para o Dr. Paniotis, que confirmou não haver nenhu ma evidência de uso de drogas. O que a assistente so cial encontrou no apartamento foi um remédio para gripe.
O que significava que não tinha culpa de ter para do no hospital parecendo a expressão da morte. O que significava...
A mente desviou-o do caminho que tomava. Não, ele não ia sentir compaixão. Nem pena. Ele podia fi car contente por Dylan, por ela não ser viciada, mas isso não a absolvia dos outros crimes.
Voltou a olhá-la disfarçadamente: as linhas em volta da boca, dos olhos.
Exaustão crônica, como atestava o relatório médi co, além de estar doente e ferida.
Franziu a testa. Por que não havia mencionado a recente morte do pai? Ou a doença dele?
Ele sabia o estresse causado por um pai doente du rante anos. Com o pai dele, tinham sido dois anos do primeiro ataque de coração até o fatal. O pai se recusa ra a aceitar sua "fraqueza", como chamava, e insistia em manter as rédeas da empresa. Sem dúvida, a deter minação obsessiva encurtara-lhe os dias de vida. Ele não permitia que o filho assumisse os negócios.
O filho? A boca de Edward retorceu-se. As últimas palavras amargas do pai para ele, quando retomou a consciência por segundos, antes de morrer, ainda ecoavam-lhe na mente.
Instintivamente, os olhos procuraram Dylan.
Meu filho, pensou. Meu filho.
Emoção e orgulho tomaram conta dele.
Bem gente o que acharam? Espero que tenham gostado...
Deixem sua marca ;)
bjs
