Capítulo 3

Bella POV

"Tudo bem, Sra. Alice, eu-"

"Bella, por favor, quantas vezes eu já te pedi. Chame-me de Alice, apenas Alice, caso contrário também vou chamá-la de Srta. Isabella".

"Ok, Alice." Ambas rimos. "Você pode ficar tranquila que entregarei Sebastian ao seu irmão. Edward, certo?"

"Isso mesmo. Combinamos que ele estaria aí por volta das 16 horas".

"Tudo bem, Edward Cullen. Espere, ele é médico, não é?"

"Sim. E se você chamá-lo de Dr. Edward, você vai conhecer um lado do meu irmão que não vai gostar nada".

"Ok." Eu ri. "Até amanhã então, Alice".

"Tchau, Bella. Obrigada!"

Edward POV

Era 16hs e o sinal tocava, indicando que o dia de aulas do meu sobrinho e afilhado estavam terminado por esta semana.

Alice ficou de ligar para a professora dele para avisá-la que eu viria buscá-lo. Certamente a professora deve ter contado a ele, pois assim que Sebastian saiu de mãos dadas com a professora, ele fez sinal para mim.

Sinceramente, eu não estava olhando muito bem para a pessoa em questão, apenas via o meu afilhado, e coloquei-me imeditamente abaixado para abraçá-lo.

"Padrinho!"

"Oi, meu anjo! Então você já sabe que hoje vamos ter uma tarde e início de noite só de homens?" Sebastian começou a rir com a inocência dos seus seis anos.

"Boa, padrinho! E homens como nós somos, vamos fazer muita maluquice.".

Ouvi uma risada e levantei-me com Sebastian no colo. Meu coração parou e não sei por que comecei a transpirar. Fiquei estático olhando para aqueles belos olhos castanhos. Quando ela percebeu que eu não desviava o olhar, baixou a cabeça e fingiu que fechava a mochila de Sebastian.

"Desculpe." Eu disse. "Edward Cullen." Estendi-lhe a mão para cumprimentá-la.

"Bella Swan, muito prazer!"

Quando a sua mão entrou em contato com a minha, uma corrente elétrica atravessou meu corpo todo. Ela deve ter sentido algo muito parecido pois sua boca abriu-se em espanto e o seu corpo chacoalhou-se por completo.

"Padrinho? Está tudo bem com você?"

"Oi? Hã! Sim? Sim! Está tudo bem!"

"Padrinho, você está com uma cara estranha! Está se sentindo bem?"

"Sim, pimpolho! O padrinho esta ótimo!"

"Obrigado, Bella!"

"Por…"

"Por ser tão carinhosa com as crianças. Sebastian fala muito bem de você!"

"Não faço mais que a minha obrigação. Eu gosto muito de crianças, ainda mais como Sebastian, que fazem a minha vida de professora um mar de rosas".

"Bella?" Voltei minha cabeça para o lado e vi um homem alto com traços indígenas chamando por ela. No mesmo instante, como que automaticamente, Bella encolheu-se.

"O-oi, Jacob." Ela falou, soando com medo, e eu olhei para o índio, assim como ele fez para mim.

"Já vai embora, Bella?"

"N-não, ainda tenho que arrumar as minhas coisas".

"Posso te dar uma carona." Disse o índio. Bella olhou para o chão e tive a sensação de que ela tremeu o corpo todo.

"O-obrigada, Jacob, mas você já deve estar pronto e eu ainda estou muito atrasada".

"Que nada! Esperarei por você".

"Black. Professor Jacob Black." O índio disse para mim.

"Cullen. Dr. Edward Cullen." Eu não sou de me gabar, mas já que o índio estava fazendo isso.

"Oh! Então você é o namorado da Srta. Isabella?"

"JACOB?" Disse Bella.

"O quê?" Respondeu o índio! "Você já esqueceu da conversa que tivemos hoje de manhã?"

"Edward. Desculpe!" Ao dizer isso, Bella baixou a cabeça e juro que vi uma lágrima escorrer pelo seu rosto.

"Está tudo bem, Bella. Eu e Sebastian não temos tanta coisa assim para fazer. Que tal se eu esperar por você e darei uma carona para onde você quiser?"

"Sim, professora!" Disse Sebastian. "Eu gostaria muito que a Srta. aceitasse a carona do meu padrinho".

"Ei! Oh! Pirralho... se Bella for de carona com alguém, será com alguém que ela conhece!"

"Desculpe, Sr. Black, mas, por favor, peço-lhe que tenha modos diante do meu afilhado".

"D-desculpem por tudo, Sebastian e Edward." Bella fungou. "E-eu tenho que voltar e arrumar as minhas coisas".

"Ei, Bella, espere." Eu disse. "Sebastian e eu vamos com você até a sua sala. Eu sempre quis conhecer a sala e o lugar onde o meu afilhado estuda".

"O seu afilhado está em uma sala com muitas carteiras e cadeiras. A sala é retangular, tem uma lousa, as paredes são brancas e contém desenhos dos pirralhos, as janelas-"

"Obrigado pela descrição detalhada da sala." Eu interrompi o índio. "Pelo que vejo, ou as salas são todas iguais, ou o Sr. conhece a sala do meu afilhado muito bem".

"Edward. Desculpe-me... Sebastian, segunda-feira voltaremos a nos ver. Jacob, por favor, vá embora".

"Não, Bella. Esperarei por você! Vamos tomar um café enquanto colocamos a conversa que começamos hoje de manhã em dia." Disse o índio.

"Jacob. Vá embora!"

"Então, linda!" E conforme o índio disse isso, ele passou a mão pelas costas de Bella. Ela se encolheu. E o índio continuou.

"Você sabe bem que a conversa que tivemos hoje de manhã foi interrompida por Jane, e agora eu estava a espera de continuá-la".

Bella olhou para mim com as feições desfiguradas. Os olhos, aquele castanho brilhante, estavam sem vida, muito abertos e vermelhos de lágrimas contidas, os lábios, originalmente tão vermelhos e carnudos, não possuíam um pingo de cor.

"J-Jacob, por favor".

"Diga, linda…" E seu tom de voz era puro sexo, deixando Bella ainda mais retraída.

Olhei para o lado e reparei que só restávamos nós quatro dentro do colégio. Quando eu ia dizer alguma coisa para tentar ajudar Bella, apareceu um senhor de uma certa idade.

"Bella? Jacob? Desculpem, mas vocês precisam ir embora para que eu possa fechar o colégio." Bella olhou para mim ainda mais assustada e Jacob já tinha um sorriso de vitória no rosto.

"Desculpe, senhor." Eu disse. "É que a Srta. Bella ia mostrar-me a sala do meu afilhado e o Sr. Jacob não estava permitindo".

"Sebastian Cullen-Hale?"

"Sim?" Disse o meu sobrinho.

"Desculpe." Disse o senhor. "Você é o Dr. Edward, ou Dr. Emmet Cullen?"

"Edward!" Eu respondi, estendendo a minha mão para o senhor. "Muito prazer!"

"Peter Faccinelli. O prazer é inteiramente meu. Há dois meses a minha esposa estava muito doente e, como eu não possuía recursos suficientes para levá-la para uma clínica particular, tive de levá-la para o hospital central. É claro que lá ela não possuía os cuidados necessários. Um dia a sua irmãzinha veio buscar Sebastian e viu-me triste, eu que ando sempre com um sorriso nos lábios, não quis contar a ela, mas a sua irmãzinha conseguiu extrair de mim".

"Essa é Alice." Eu disse.

"E depois de desabafar com ela, ela pegou seu celular e ligou para o marido, mas como ele não estava disponível, ela ligou para o seu irmão e ele mandou fazer a transferência da minha esposa do hospital central para a clínica. Felizmente a minha esposa está ótima de saúde e eu só posso agradecer à família Cullen por terem a transferido para a sua clínica sem me cobrarem absolutamente nada. Portanto, se você quer conhecer a sala do seu afilhado, faça o favor de seguir a Srta. Swan que eu aguardo um pouco".

"Mas…" O índio começou a falar.

"Sr. Black, acredito que o senhor já esteja pronto, então pode ir andando que eu aguardo por eles".

"Bom fim de semana, Bella! A nossa conversa ainda não terminou!" Disse o índio.

Bella não disse nada, apenas fez sinal para mim para que eu a seguisse.

Bella POV

Eu tentei! Juro que tentei não pensar em maldades vindas de Jacob, mas quanto mais ele se insinuava, mais memórias vinham à minha mente.

Eu estava no quintal brincando com a minha única boneca quando a minha tia veio à porta e chamou-me.

"Bella?"

"Sim, tia?"

"Você pode, por favor, vir ao seu quarto ver o que eu e o seu tio compramos para você?"

Eu, na minha inocência, respondi que já ia, e saí correndo para dentro de casa, desci as escadas que davam acesso ao meu quarto, sim, o meu quarto ficava no porão. Quando cheguei lá, fiquei estática.

"Não é linda, Bella?" Perguntou a minha tia

"Uma cama de casal? E por que é que eu preciso de uma cama de casal?"

"É para quando quisermos dormir juntos!" Meu tio respondeu, começando a agarrar-me.

Quando senti suas mãos nos meus seios, dei um pulo para trás e coloquei-me atrás da minha tia.

"Por favor, tia!" Eu implorei.

"Por favor o quê, querida?"

"Por favor, não deixe o tio me fazer mal!"

"MAL?" Ela perguntou. "Mas fazer mal por que?"

"O tio machuca!" Eu comecei a chorar.

"MACHUCA?" Ela começou a gritar e pegou-me pelo braço.

"MACHUCA?" Ela perguntou novamente. E conforme acabou a palavra, ela colocou-me em cima da cama e começou a tirar a minha saia.

"Você vai ver o que é machucar!"

"NÃÃÃÃÃÃÃÃO!" Comecei a gritar e ela deu-me um tapa que deixou-me praticamente inconsciente.

"Agora você vai ver o que machuca. Tire sua calcinha!" Ela ordenou. "TIRE!"

Eu, meio inconsciente, pedi desculpas, mas não me mexi.

Minha tia foi até a gaveta e pegou uma tesoura.

"Não tira por bem, vai tirar por mal!" Meu tio estava com um sorriso nos lábios que me dava nojo.

Ela pegou na tesoura e cortou minha camisa e a calcinha, acabando por fazer um corte junto da minha vagina.

"NÃÃÃÃÃÃO, POR FAVOR, NÃO!"

"Agora, quantos dedos o seu tio enfia em você?"

Eu nada disse, só chorava de dor e de vergonha.

"PERGUNTEI QUANTOS DEDOS?" Ela gritou.

"D-dooiiss…"

"Assim?" Ela juntou dois dedos e mostrou.

"ASSIM?" Ela perguntou novamente depois de eu nada dizer.

"S-siim".

"Então, agora prepare-se! Aro? Abra as pernas dela." E, dito isso, ela uniu três dedos e os enfiou dentro de mim.

"Aaaaaaaaiiiiiiii." A dor foi tão grande que eu praticamente desmaiei, mas, infelizmente, isso não aconteceu, e senti algo viscoso escorrer pelas minhas pernas.

"Porra, será que já consegui tirar a virgindade dela?"

"Bom, sangue com fartura há nela!" Meu tio respondeu com voz orgulhosa.

"Então, o tio machuca?" Ela perguntou, continuando a enfiar os dedos em mim com mais força.

"MACHUCA?" Ela perguntou novamente. Como eu não respondi, ela bateu-me novamente com a mão cheia de sangue.

"Nããão, a tia machuca mais!"

"E você ainda vai experimentar nós dois a machucando!" Meu tio disse, apertando meus seios. "Aí é que você vai desmaiar!" Ele disse orgulhoso.

"Agora que você fez esse estrago horrível na sua caminha nova, vai lavar toda essa porcaria à mão, e como não haverá tempo para que fique seco até a hora de você ir para a cama, dormirá no chão. Estamos entendidas?"

"S-sim." A voz praticamente não me saía de tanta dor que eu sentia.

Minha tia chegou se aproximou de mim e bagunçou meu cabelo dizendo, "Não diga que nós te machucamos! Nos te amamos muito. Você é filha da minha querida irmã Renée. Quando seus pais morreram, quem é que acolheu você? Fomos nós! Você sabe perfeitamente que eu não posso ter filhos, portanto, você veio completar esta família. Nós damos amor a você!"

"Nos estamos aqui para amar você!" E conforme o meu tio disse isto, ele passou a língua pelos meus seios e mordeu um dos mamilos com tanta força que ficou com gotículas de sangue e a marca dos seus dentes. Eu mal tive forças para gritar de dor, deixando escapar apenas um pequeno gemido dos meus lábios.

Quando cheguei à sala de aula, as lágrimas caíam sem eu querer.

Para controlá-las, já que não gosto de chorar, sufoquei um gemido.

"Professora, está tudo bem?" Virei-me de repente. Com estes pensamentos esqueci-me completamente que Sebastian e Edward vinham atrás de mim.

"Sim, querido, está. É que entrou um cisco no meu olho!" Respondi e dei uma olhada para o rosto de Edward. Ele estava de boca aberta e as mãos levantadas como se quisesse me pegar no colo.

"Bella…" Ele disse e tentou chegar perto de mim. Eu apenas abanei a cabeça e dei um passo para trás.

"Edward, está tudo bem! Não se aproxime, por favor!" Pedi com a voz embargada, quase como um sussurro.

"Bella, o que aquele canalha fez a você?"

"Não, Edward! Sebastian? Por que não mostra ao aeu padrinho onde você senta? E mostre também os desenhos lindos que você faz enquanto arrumo as minhas coisas?"

"Claro, professora. Padrinho, vem!"

Edward POV

Eu estava completamente estático. As reações que Bella teve pertenciam a alguém muito machucado, física e psicologicamente. Como médico, infelizmente, já passaram pelas minhas mãos casos assim.

"Bella! Eu posso te ajudar! Como você sabe, eu sou médico!"

"Não, Edward! Esqueça o que você viu! Por favor!"

"Mas, Bella".

"Padrinho, olha o desenho que fiz hoje sobre a família. Estão os meus pais, você, os avós, o tio Emmet e a tia Rosalie." Quando Sebastian disse o prenome tio e tia, o corpo de Bella estremeceu por completo.

"Estão lindos, Sebastian. Você já apresentou seus TIOS para Bella." Quando frisei novamente a palavra tios, Bella estava de costas e tencionou por completo. As minhas suspeitas viraram certezas. Então foram alguns tios que lhe causaram tanto mal, ou pessoas amigas que se auto-intitulavam tios.

Não sei por que, mas tive a vontade de proteger Bella de todo o mal que já lhe causaram e de não permitir que ela voltasse a sofrer novamente.

E o índio? Quem era o índio? E por que aquela conversa toda? O que é que eles começaram de manhã e o índio tinha vontade de terminar? Mas dava para perceber perfeitamente que Bella não estava minimamente interessada.

"Padrinho? Vamos para casa? Estou com fome!"

"Sim meu anjinho! Desculpe o padrinho! Como castigo, vamos jantar fora?"

"Yupi!"

"E onde é que você quer ir?"

"McDonals!"

"Você está louco? Sua mãe, minha irmã, me mataria, literalmente!" Bella e Sebastian começaram a rir e eu não tinha notado a risada maravilhosa que ela tem. Quando percebeu que eu a estava encarando, ela baixou os olhos para o chão e pegou suas coisas.

Cheguei perto do ouvido de Sebastian e disse a ele para convidar a professora para jantar conosco.

"Professora?"

"Sim, Sebastian?"

"Você aceita jantar com a gente? Infelizmente não é no McDonalds, mas claro que o meu padrinho arranja um restaurante lindo para nós irmos!"

"Pimpolho!" Ela começou a responder para Sebastian, mas olhou nos meus olhos.

"Eu adoraria! Mas hoje não! A professora está com uma dor de cabeça horrível!"

"Ah! Mas isso é perfeito!"

"Perfeito?" Perguntamos para Sebastian.

"Sim!" Ele respondeu. "A mamãe sempre diz que quando está com dor de cabeça, não tem vontade de fazer o jantar e pede ao papai para levá-la ao restaurante." Nós começamos a rir.

Eu olhei para ela e encolhi os ombros.

"Ok, pimpolho! Mas primeiro deixe-me ir para casa tomar um banho?"

"Claro que sim! Eu também preciso tomar um banhão! Não é padrinho?"

"Claro que sim, Sebastian! Então, como é que faremos?" Perguntei a Bella.

"Eu vou para casa, dou o meu endereço e-"

"Tenho uma ideia melhor." Eu a interrompi. "Eu e Sebastian vamos levá-la para casa e, enquanto você se arruma, nós esperamos no carro. Depois vamos à minha casa, dou um banho neste menino e em seguida vamos ao restaurante!"

"Não quero dar trabalho, Edward!"

"Não é trabalho nenhum!"


Nota da Ju:

Então, o que acharam?Esse Jacob deixa-me nervosa. Tb tivemos um pouco das lembranças do que Bella sofreu nas mãos dos malditos tios... e agora Edward e Sebastian fazendo de tudo para que ela fique bem.

Bem, para quem acompanha minhas outras traduções, essa semana eu não postei nada pq foi super corrido e não consegui traduzir nada, além de ter ido viajar e só voltei hoje. Arrumei o cronograma de postagem das fics, assim fica mais viável pra eu conseguir traduzir e postar, sem atrasar...

Ah, alguém aqui já assistiu Amanhecer? Eu fui à pré-estreia e só digo uma coisa... Quem ainda não assistiu, recomendo que corra para o cinema mais próximo! Definitivamente é o melhor filme de todos! Eu amei!

Deixem reviews e até segunda!

Bjs,

Ju