Capítulo 45
Bella POV
Alguns minutos depois do ataque de pânico e fúria que me deu, e do conforto, consolo e confiança que eles me deram, deixamos Alice, Ashley e Jasper descansar e fomos para uma cafeteria que havia nas redondezas do hospital aguardar a chegada impaciente de Sebastian. Com esta confusão toda, seus pais tinham decidido deixá-lo aos cuidados da babá. Rosalie aproveitou-se da sua situação e tentou comer tudo o que lhe apetecia. Ela tentou, pois Edward não permitiu que ela se empanturrasse de porcarias como ele muito "carinhosamente" designava aos bolos deliciosos que Rosalie queria.
"Ei, mano." Emmett ainda tentou reclamar e interceder pela sua mulher. "Assim as minhas filhas nascerão com cara de bola de Berlim*".
*Bola de Berlim: bolinho em forma de bola que é frito e molhada em açúcar, aberto ao meio e recheado com creme de ovos.
"Emmett, você prefere que a sua mulher coma um bolo mais saudável e passe a gravidez impecável, ou preferes que ela coma os bolos que quiser e depois teremos de provocar o parto pois ela ficou com diabetes?" Edward arrematou a conversa.
"Ursinha?" Emmett falou carinhosamente. "Ali tem aquele duchese* que está olhando para você".
*Duchese: bolinho em forma retangular, feito com uma massa crocante, aberto ao meio e recheado com chantilly. (Nota: qual deles é o melhor?... kkk)
Ela olhou para os irmãos e não pensou muito mais no assunto, aceitou a sugestão do marido e do cunhado e optou pelo segundo doce. O nosso lanchinho estava banhado de gargalhadas, alegria, amor e boa disposição. Estávamos comendo quando ouvimos muitos gritos e um barulho muito grande.
"CULLEN?" Um homem nitidamente bêbado empunhava uma arma na nossa direção.
"Deus!" Esme congelou.
Todos os homens tomaram a mesma medida, pegaram em nós e colocaram-nos atrás deles.
"Salvatore?" Edward pareceu muito calmo.
"VOCÊ DESTRUIU A MINHA VIDA!" Ele gritou enquanto dava passos desordenados em nossa direção.
"Eu não fiz nada." Edward continuava com a voz muito calma. "Você fez isso a si mesmo".
"Dr. Salvatore?" Carlisle intercedeu. "Abaixe essa arma, isso não vai ajudá-lo em nada".
"NÃO VAI?" Ele continuou gritando. "VAI SIM! ESSE FILHO DA PUTA DESTRUIU A MINHA VIDA! AGORA EU DESTRUIREI A DELE!" Ele quase sussurrou as últimas palavras.
"Salvatore?" Edward colocou a sua mão para trás e eu a apertei. "Largue a arma e nós não chamaremos a polícia".
"Vê-se mesmo que vocês não são daqui." Ele sorria diabolicamente. "A esta hora, quase toda a polícia do Rio está a caminho".
"Salvatore…" Ele interrompeu Edward.
"CALE-SE!" Ele deu mais uns passos e a arma estava praticamente encostada no peito de Edward. Ele olhou para trás dele e encarou-me. "Olá, garota gostosa!" Edward tencionou na hora.
"O seu assunto é comigo!" Edward falou baixo, mas com um tom imperativo. "Deixe as outras pessoas em paz".
"Oh, doutorzinho!" Ele sorria e olhava para mim. "Acha mesmo que a minha vingança será matá-lo?" Edward apertou minha mão e emitiu um rosnado. "Você tirou-me o amor da minha vida." Ele deu dois passos para o lado e olhou o meu corpo de cima a baixo. Edward empurrou-me ainda mais para trás dele. "Agora eu tirarei o amor da sua".
"POLÍCIA! LARGUE A ARMA IMEDIATAMENTE!"
Tudo aconteceu rápido demais. O tal Salvatore olhou para trás. Edward deu um passo à frente e agarrou a mão dele que tinha a arma.
"Edward... Não!" Eu gritei.
O médico olhou para Edward e depois para mim. A polícia entrou e um deles puxou Edward para trás.
"BELLA!" Edward gritou para mim no mesmo instante em que senti meu corpo ser impulsionado para trás devido a um tiro que se alojou no meu abdômen.
Edward POV
"BELLA!' Gritei por ela assim que percebi que o filho da puta apontou-lhe a arma.
A polícia tinha puxado o meu corpo do dele, deixando-o à mercê! Quando ele disparou a arma, vi o corpo da minha Bella ser projetado para trás e ela cair por cima da mesa. Ouvi outro tiro e Salvatore deixou sua arma cair no chão, caindo de joelhos. A polícia o dominou e prendeu.
"Bella!" Soltei-me do policial e corri para ela.
Emmett tinha tirado a sua camisa e fazia pressão sobre a ferida de bala.
"Bella?" Eu a chamei, mas ela estava inconsciente.
Alguns paramédicos tentaram chegar ao seu corpo, mas eu não deixei. Meu pai, minha mãe e Rosalie me ajudaram. Emmett tentava medir-lhe a pulsação, colocando dois dedos na sua carótida.
"A pulsação está muito fraca!" Ele falou alarmado. "Nós temos de operá-la imediatamente, remover a bala e saber quais os estragos feitos!"
Eu assenti. Minha vontade era chorar e gritar, mas engoli todos o meu nervosismo e medo e transformei-me no médico que Bella precisava. O diretor do hospital apareceu e, ao dar-se conta da situação, providenciou imediatamente uma sala cirúrgica. Peguei no corpo inconscinte da minha Bella e caminhei para o hospital, Emmett nunca deixando de fazer pressão sobre a ferida. As feições da minha garota estavam serenas demais. Sua pele estava praticamente translúcida.
"Emmett?" Falei com a voz embargada. "Pulsação?"
Ele colocou os dedos na carótida e olhou para mim.
"Pulso muito fraco, mano!" Suas lágrimas queriam saltar, mas ele também as engoliu.
Minha mãe e cunhada tiveram de ficar para trás, pois Sebastian ainda não tinha chegado. Nós seguimos para o hospital. À entrada da Emergência uma maca já esperava por nós. Coloquei o corpo dela sobre a maca, meu irmão fazendo pressão, meu pai canalizou uma veia e entramos diretamente no centro cirúrgico.
Um cirurgião prontificou-se a nos ajudar, mas Emmett reagiu de tal forma que eu e meu pai tivemos de segurar seu corpo.
"Se mais algum de vocês entrar nesta sala cirúrgica, serão todos expulsos a pontapés!" Emmett rosnou para eles.
"Emmett!" Meu pai advertiu. "Bella precisa de toda a nossa concentração e foco! Deixe-os!"
Nós nos desinfectamo, mas eu nunca deixei de olhar o corpo da minha Bella, que neste momento estava separado de mim por um vidro. Ela já estava com a anestesia em curso. Seus batimentos cardíacos fracos eram monitorados pelo aparelho.
Uma enfermeira teve a audácia de entrar e oferecer seus serviços. Emmett ia mandá-la embora, mas nós precisávamos de uma enfermeira que nos auxiliasse para o fornecimento de material cirúrgico. Essa foi a razão pela qual Emmett permitiu que ela ficasse e ajudasse. Emmett e meu pai protegiam furiosamente minha garota!
Nós nos equipamos e dirigimos para a sala. Antes de colocar a máscara no rosto, depositei um beijo nos lábios frios da minha Bella. Engoli as lágrimas e coloquei a máscara.
Eu sabia que, como a bala estava alojada na zona pélvica, eu comandaria a cirurgia, mas meu pai, como cirurgião geral, e Emmett, como dermatologista, também eram cruciais para o salvamento da minha vida, minha Isabella.
Meu pai descobriu a ferida e constatamos que o tiro tinha atingido a zona pélvica. A enfermeira disponibilizou o aparelho de raio-X portátil. Meu pai o colocou sobre a ferida e vimos a imagem na tela. A bala estava alojada perto da sua trompa de Falópio do lado esquerdo.
A princípio nada parecia comprometido, mas só depois de abrir é que poderíamos ter certeza. O silêncio imperava naquela sala. Apenas os batimentos cardíacos suaves de Bella emitidos pela máquina e as nossas respirações eram ouvidos.
Coloquei o bisturi sobre a sua pele e fiz a incisão. Emmett colocava compressas para ajudar a limpar o sangue. A enfermeira usava o sistema de sucção. Coloquei o afastador na sua carne e a abri de forma a dar-me visão do seu interior.
* A partir daqui, ouvir ao som de "Angel", de Sarah McLachlan: www. youtube. com/ watch?v=Lv8-McoiPcM (retirar os espaços)
A enfermeira colocou o microscópio cirúrgico no lugar. Olhei para o monitor que transmitia a imagem e não quis acreditar naquilo que vi.
"NÃO!" Eu gritei. Larguei o corpo de Bella e dei dois passos para trás. Tirei os óculos cirúrgicos e a máscara.
"Edward?" Meu pai falou. "Não vejo nada de mais, meu filho! A bala não acertou nenhum ponto vital! As trompas e o útero estão intactos".
"Mano!" Emmett aproximou-se de mim. "O que está acontecendo?"
Eu o encarei e não falei nada. Coloquei a máscara e os óculos. Não permiti que nenhuma lágrima saísse dos meus olhos. Minha cabeça parecia que explodiria com a dor que tinha nela devido ao estresse contido. Pedi uma pinça à enfermeira, ela deu-ma e retirei a bala. Lavei toda a zona envolvente, a enfermeira aspirava em seguida. Retirei os óculos e o joguei no chão. Meu pai e irmão encararam-me.
"Edward?" Meu pai tentou chamar-me. Muito provavelmente pensando que eu tinha ficado completamente louco. "Quer que eu termine?"
Eu disse que não com a cabeça e deixei as primeiras lágrimas começarem a cair quando pedi à enfermeira um grampeador e um bisturi nº 1.
"Filho?" Meu pai falou com a voz embargada. Acho que ele já percebeu.
Minhas mãos queriam tremer, mas eu não deixei. Coloquei o grampeador no óvulo fecundado de Bella e retirei o meu filho de dentro dela.
"Mano!" Emmett falou com a voz chorosa.
Nunca emiti uma única palavra e as lágrima caíam cada vez que eu piscava. Desinfectei e cicatrizei toda a zona e quando percebi que Bella estava fora de perigo, pedi à enfermeira agulha e linha e costurei os tecidos internos. Quando a enfermeira me entregou a linha e agulha para costurar a pele, meu irmão pegou na minha mão.
"Deixe que eu faço isso, mano!" Ele ofereceu.
Afastei-me para que ele assumisse a minha posição e desloquei-me para junto do tronco de Bella. Retirei as luvas ensanguentadas e fiz carinhos no seu rosto.
Perdoe-me amor! Pensei para mim mesmo. Eu não tinha forças para lhe pedir em voz alta. Não ainda. Eu nunca pensei que doesse tanto perder um filho.
Eu sei que era apenas um óvulo fecundado, mas quem trabalha nesta área consegue ver as diferenças entre um óvulo normal e um fecundado.
Primeiro ele aumenta de tamanho e a sua cor é alterada. Outra diferença é que o óvulo quando está fecundado agarra-se imediatamante à cavidade uterina, ficando aí resguardado até ter "forças" para se sustentar sozinho.
Ela menstruou este mês! E tinha tomado a injeção trimestral a tempo, mas provavelmente foi concebido no banheiro do jatinho. Isto porque foi administrado a ela medicações intra-venosas quando houve o confronto com Aro e Rachel, o que cortou o efeito da injeção. Como Bella estava quase para menstruar, os óvulos estavam situados na zona do útero. Não é uma situação comum, mas não é a primeira vez que uma mulher engravida assim.
Suavemente juntei meus lábios aos dela e depositei um beijo carregado de amor e arrependimento. Alguns minutos depois, senti as mãos do meu pai nos meus ombros.
"Terminamos, filho!" Sua voz saía rouca devido às emoções. "Bella ficará bem".
Virei-me para ele e assenti com a cabeça em agradecimento. Meu pai puxou-me para um abraço apertado e todas as emoções que estavam presas foram libertadas como um vulcão em erupção.
"POR QUÊ?" Desabei em lágrimas abraçado ao meu pai.
"Você foi muito corajoso, meu filho." Meu pai chorava comigo. "Não deve ser nada fácil fazer o que você fez!"
"Será que ser muito feliz é crime?" Perguntei.
"Não, meu filho. Estar muito feliz não é crime nenhum. Crime foi o que fizeram a Bella".
"Ela já sofreu tanto!" Minhas pernas perderam as forças, meu batimento cardíaco estava tão acelerado que sentia o coração nos meus ouvidos.
"Edward?" Meu pai chacoalhou-me. "Preciso que você se concentre. Há poucos dias você quase teve um AVC. Foque-se em Bella, pois ela precisa de você".
"E eu preciso tanto dela!"
"Mano?" Olhei para o meu irmão, ele também estava desfigurado devido à pressão e ao estresse. Larguei os braços do meu pai e o abracei.
"Obrigado, Emmett, eu já não tinha forças".
"Eu sei, meu irmão!" Ele também chorava. "Mas Bella está bem. Usei uma linha que costumo usar para as cirurgias plásticas, ela não terá nenhuma cicatriz".
"Nenhuma que seja visível." Emmett tencionou na hora. "Desculpa, mano! Eu não estou pensando direito".
"Com licença." A enfermeira falou. "O diretor me disse que havia um quarto disponível para a senhorita ao lado do quarto da sua irmã".
"Obrigado." Meu pai agradeceu. "Então vamos transportar Bella para lá".
Pegamos o corpo de Bella e a colocamos na maca. Saímos da sala cirúrgica e nos encaminhamos para a ala das gestantes. Meu coração perdeu uma batida. Bella esteve nesta ala, grávida, sem ter conhecimento, para fazer uma visita, e agora iria para um quarto como paciente, sem o embrião que foi arrancado por mim. Quando chegamos, minha mãe e Rosalie estavam à nossa espera.
"Como ela está?" Minha mãe perguntou preocupada.
"Nós já conversaremos." Meu pai colocou um beijo nela e entrou no quarto conosco.
Eles ajudaram-me a transferir Bella para a cama. Sentei-me ao seu lado e peguei sua mão.
"Perdoe-me! Por favor, perdoe-me, baby!" Eu pedia fervorosamente enquanto beijava sua mão.
Bella permanecia com a pele quase translúcida, seus lábios vermelhos e carnudos estavam praticamente sem cor.
"Posso?" Minha mãe, Rosalie e Jasper entraram no quarto.
Eu não queria ninguém. Eu queria ficar sozinho com a minha Bella. Eu não queria dar explicações a ninguém.
"Meu filho!" Minha mãe colocou seus braços ao redor dos meus ombros. "Bella ficará bem. Eu não sei o que aconteceu, mas sinto que ela ficará bem".
"Edward? Eu não tenho a paciência da sua mãe." Rosalie falou. "Eu quero saber o que aconteceu".
"Ursinha, não!" Meu irmão ainda tentou refreá-la.
"Não por quê? Bella está bem! Até parece que alguém morreu".
"Você quer saber o que aconteceu?" Levantei-me calmamente e a encarei.
"Edward? Rosalie está grá…" Emmett calou-se na hora, quando percebeu o que diria.
"Quero saber sim. Bella também é uma irmã para mim".
"Eu te digo o que aconteceu." Respirei fundo e gritei para ela. "EU TIVE DE FAZER UM ABORTO EM BELLA!"
"Oh, Deus!" Minha mãe deu dois passos para trás e meu pai a amparou.
"Se você quer saber se alguém morreu!" Minhas lágrimas caíam desenfreadas. "Sim! Meu filho morreu! EU O MATEI!" Deixei-me cair no chão e chorei agarrado às minhas pernas.
"Edward!" Minha mãe correu para mim, jogou-se no chão, puxou-me em seus braços e abraçou-me com todas as forças que ela tinha. "Oh, meu filho! Meu menino!" Minha mãe soluçava de dor!
"Edward, desculpe!" Rosalie pediu enquanto fungava. "Eu não sabia! Eu não fazia ideia!"
Olhei dentro dos olhos da minha mãe.
"Dói tanto!" Ela assentiu. "Eu nunca pensei que doesse tanto".
"Eu sei, meu menino!" Ela acariciou meus cabelos, e de vez em quando passava os dedos pelo meu rosto para enxugar as lágrimas. "Eu sei que dói".
"Era apenas um embrião." Eu soluçava enquanto tentava falar. "Mas foi o meu filho que eu tive que arrancar".
"O que aconteceu para você ter que tomar essa atitude?" Jasper perguntou.
"O embrião estava salpicado de preto." Meu pai respondeu. Olhei para ele e fiz a ele a pergunta silenciosa. Ele respondeu-me. "Enquanto Emmett dava os pontos em Bella, eu peguei o embrião e levei ao microscópio. Vi o mesmo que você, meu filho. O embrião estava manchado de pólvora".
"Oh, meu filho!" Minha mãe voltou a abraçar-me apertado. "Bella superará mais esse trauma. Eu sei que sim!"
"Como eu vou explicar à minha mulher que eu tive de lhe fazer um aborto?" As lágrimas caíam com intensidade. "Como eu vou pedir perdão a ela?" Agarrei-me ao corpo frágil da minha mãe e solucei de dor, arrependimento. Eu me sentia destroçado e culpado.
"Imagino que você se sinta culpado, Edward." Jasper afirmou. "Mas você não tem culpa de nada, você salvou a vida dela".
"É verdade, mano." Emmett falou, também chorando. "Se você não tivesse visto o problema no embrião, Bella seguiria com a gravidez e dentro de pouco tempo o feto morreria e Bella teria de passar por uma curetagem, isto se a pólvora não danificasse todo o seu sistema reprodutor".
"Meu menino!" Minha mãe tentava transmitir calma. "Eu sei que vocês terão filhos lindos!" Olhei para ela, cético. "Eu também sei que Bella sofrerá muito." Baixei a cabeça. "Mas vocês vão passar por este sofrimento ainda mais unidos e o amor de vocês ficará ainda mais forte!"
Eu ia dizer alguma coisa quando ouvi.
"Hum... E-Edward?"
Nota da Ju:
Minha nossa, parece que o sofrimento da Bella não vai acabar nunca... quando a gente pensa que as coisas estão bem, acontece isso...
Quero desejar os parabéns à Sofia–pt, leitora muito querida das fics que eu traduzo. Pena que não foi um capítulo feliz para você comemorar, mas... desejo a vc muitas felicidades!
Deixem reviews e até amanhã!
Bjs,
Ju
