03- O Dia Dos Namorados, Lily Luna e O Segredo

Mamãe e papai tinham me deixado aqui, na Toca, com Hugo agora e depois de se despedirem foram para Merlin sabe aonde, me deixando nos cuidados da vovó Weasley. Minha mãe tinha explicado que eles iriam passar o Dia dos Namorados juntos e antes que pudesse perguntar qualquer coisa se foi. Hugo foi direto para o quarto de brinquedos, onde gostava de ficar brincando sozinho.

- Mas mamãe a papai não são namorados, eles são casados. – falei com a vovó.

Ela passou a mão pelos meus cabelos e sorriu com sua cara redonda.

- Antes de se casarem eles namoraram e esse é o tipo de namoro que nunca acaba, mesmo se casando.

Não me parecia uma resposta muita boa, não, definitivamente não foi uma resposta muito boa.

- Então eles são namorados e casados? – minha avó apenas concordou com a cabeça. Resolvi não continuar com esse assunto para não ficar mais confusa. – Por que você e vovô também não vão comemorar o Dia dos Namorados, então?

- Porque nós decidimos que já comemoramos muito dia dos namorados e vamos cuidar de vocês, para que seus pais possam aproveitar esse dia sem se preocupar.

Ela se virou e com a varinha começou a preparar nosso almoço.

- Ah, ta. - Resolvi não contraria minha avó, mas então um detalhe me chamou a atenção – Vocês? Ué, só eu e Hugo estamos aqui.

- Sim, mas daqui a pouco seus primos devem chegar. – ela falou enquanto uma faca cortava os legumes e os pratos se distribuíam para a mesa.

Albus!, foi a primeira coisa que pensei e dei um sorriso. Não que eu não gostasse de James, ele era legal, mas estava em Hogwarts, já que já tinha 12 anos. E Lily Luna, bem, eu não gosto muito dela.

Eu sei que a culpa não é dela, mas não me importo com isso. Antes dela nascer eu era menininha da família - mesmo com Victorie e Dominique¹ já que era a mais nova – depois que ela nasceu, automaticamente ela virou a princesinha e eu, que antes era chamada de Rosinha, agora sou apenas Rose. Não é pelo apelido, é pelo que ele representa. Eu era a neta preferida.

A única esperança que tenho agora é que Lily Luna tenha nascido com a inteligência de Tia Gina já que, infelizmente, também nasceu com a beleza. Quem sabe assim o desconforto que sinto na presença dela não se transforme em pena.

A campainha tocou, me tirando de meus devaneios que, segundo papai, seriam sonserinos. Não que meus pais saibam o que eu penso, mas mamãe provavelmente tem uma ideia bem clara.

-Entrem queridos! – vovó Weasley falou para Albus e Lily Luna que o fizeram sem pestanejar. -Vocês sabem que não me importo! – vovó Molly continuou falando, provavelmente com Tio Harry e Tia Gina. – Vão se divertir! Vou cuidar bem deles, venham somente a noite se quiser pegá-los e também não me importo se eles dormirem aqui.

- Rose! – senti dois braços me abraçarem fortemente quase me tirando do chão – Não sabia que também estaria aqui! – Albus disse assim que me largou.

- Também foi surpresa para mim a chegada de vocês. – sorri para ele.

- Olá, Rose! – Lily Luna disse animada me dando o maior sorriso.

- Olá, Lily Luna! – falei dando um sorriso meio falso.

Vovó Molly fechou a porta e voltou a se concentrar em nosso almoço.

- Somente Lily, por favor! – não era a primeira vez que ela pedia isso, mas só conseguia chamá-la de Lily Luna. – Ou vou começar a chamar você de Rose... – ela parou – Qual é o seu outro nome?

- Não vou lhe contar. - falei rindo, mas não pela cara de cachorro molhado dela e sim por deixá-la morrendo de curiosidade – Então, Albus, o que anda fazendo? – falei puxando ele pelo braço deixando Lily Luna na cozinha.

Albus parecia surpreso com o que eu fiz, mas logo depois deu um sorriso e começou a falar.

- Sabia que já consigo fazer um feitiço? – ele respondeu minha pergunta com outra pergunta.

- Sério? – falei impressionada – Como? Qual? Nunca tentei.

Nós andamos um pouco mais e sentamos no sofá.

- Já vi papai e mamãe usando ele várias vezes então um dia peguei a varinha do meu pai e tentei fazer. O nome é Accio, você deve conhecer.

- Claro que conheço, mas você é menor! Não pode fazer magia, o Ministério iria saber. - Ele riu travesso como se essa fosse a melhor parte.

- Um dia ouvi papai e sua mãe conversando sobre isso e agora eles só fiscalizam os alunos de Hogwarts, então se James fizer magia eles vão saber, mas se eu fizer o Ministério nem ia saber. Incrível, não?

- Oh. – falei simplesmente.

Mais uma vez a campainha tocou e eu me perguntei quem seria agora. Em questão de segundos ouvi a voz da vovó ecoar por quase toda a casa, ela falou alguns minutos e mandou alguém entrar.

Esquecendo o assunto que estava falando com Albus pulei do sofá e entrei na cozinha para ver o que estava acontecendo. E qual não foi minha surpresa ao ver Scorpius em pé, ali, na cozinha da Toca.

- Scorpius! – falei enquanto corria para abraçá-lo – Como você está?

Enquanto nos abraçávamos pude ouvir uma pequena risada dele e quando nos soltamos ele continuava sorrindo.

- Ótimo, realmente ótimo.

Não sei por que, mas assim que vi que minha avó assistia essa cena senti minhas bochechas pegarem fogo e imaginei o quanto meu rosto deveria estar vermelho nesse instante.

- O que faz aqui? – perguntei olhando novamente para Scorpius.

-Bem, o pai dele – falou apontando para minhas costas, onde deveria estar provavelmente Albus – falou ao meu que se quisesse poderia me deixar aqui com sua avó já que todos vocês viriam para cá. Meu pai não ficou muito feliz com a ideia, mas depois que mamãe conseguiu convencê-lo, finalmente, ele aceitou.

- Bem, o importante é que você está aqui! – puxei ele da mesma maneira que tinha feito com Albus a alguns minutos atrás.

- O que Malfoy faz aqui? – perguntou Albus a minhas costas vindo na nossa direção.

- É que... – comecei a falar, mas Scorpius me interrompeu.

- Meus pais me deixaram aqui, Potter. – era a primeira vez que eu via Scorpius falando naquele tom. Mesmo quando ele me chamava de Weasley não era daquela maneira, era quase como um apelido carinhoso, mas agora, quando ele falou com Albus, pude ver quase Draco Malfoy na minha frente.

- Não... – tentei falar de novo, só que Albus me interrompeu.

- Não deveria estar aqui. – Albus respondeu e antes que eu tivesse chance de ao menos abrir a boca Scorpius contra-atacou.

- Não me importo com o que pensa.- ele empinou o nariz e olhou Albus de lado com desprezo.

- Não comecem a brigar! – falei atraindo a atenção dos dois meninos a minha frente – Já não é o bastante nossos pais, vocês também tem que brigar a cada segundo?

- Mas... – Albus começou.

- Sem mas, Albus. – fui categórica – Sabia que foi o seu pai que deixou Scorpius vir para cá? - Albus apenas fez cara de desgosto. Não que eu estivesse ligando, mas antes que eu pudesse falar qualquer outra coisa que tirasse a culpa de Scorpius fomos interrompidos por uma voz doce, tão doce que me deixava com náuseas.

- O que vocês estão fazendo? – Lily Luna falou descendo as escadas inocentemente com uma boneca na mão, o que me fazia ter certeza que estava no que antes era o quarto de sua mãe.

Mal tinha visto ela subir e agora ela desce, por que não podia continuar lá?

- Nada de seu interesse. – murmurei tão baixo que ninguém pareceu me ouvir.

Ela veio andando até nós três com seu vestidinho rosa e pude ver que a boneca de pano tinha olhos de botão.

- Apenas estávamos conversando. – falei.

- Ouvi seus gritos lá de cima, Rose. – ela falou com a voz neutra e pareceu só notar Scorpius agora. Os olhos dela se arregalaram e sua boca fez um autentico "o". – Quem é esse? – perguntou apontando para Scorpius.

Olhei para Scorpius esperando que ele se apresentasse, mas ele apenas estava olhando para Lily Luna com a sobrancelha arqueada.

Senti algo na boca do meu estômago queimar até fazer minha boca crispar e tive uma sensação de perda repentina. Tinha acabado de perceber duas coisas:

Primeira, eu não queria de maneira nenhuma que Scorpius conhecesse Lily Luna porque tinha medo que ele, assim como todos os outros, se encantasse por ela e não me tratasse da mesma forma.

Segunda, eu gostava de Scorpius e por isso estava sentindo essa maldita queimação no estômago, ciúmes. Ciúmes de Lily Luna e do olhar intrigado de Scorpius para ela.

-Esse é Scorpius Malfoy. – falei evidenciando o sobrenome na esperança de que, assim como seus irmãos, Lily Luna desprezasse Malfoy e quisesse distância dele.

Mas outra coisa me ocorreu, todos falaram que Lily Luna era igual a Gina e se Tia Gina era... Como ouvi aquele colega dos meus pais Dino dizer? Ah, sim, safada. Voltando, se Tia Gina era safada Lily Luna também era. O que botava meu plano de desprezo quase por água abaixo.

- Prazer, - ela levantou um pouco o vestido e se curvou – Lily Luna Potter.

- Conheço você, Potter, assim como seus iguais. – Scorpius falou sem perder a pose e eu percebi que me preocupava com a pessoa errada.

Scorpius era impermeável, Lily Luna não iria encantá-lo, mas eleiria encantá-la.

- Bem, agora que foram feitas as apresentações por que não vamos fazer alguma coisa? – sorri – Que tal brincarmos de algum jogo?

- Não vou brincar com Malfoy. – Albus declarou.

- Não seja infantil! – ralhei-o, mas continuou impassível, maldito cabeça dura!

Ele deu ombros. Respirei fundo agradecendo por vovó não se meter nas nossas brigas mesmo que nós quase nos matemos "São uma família, um dia vão se entender", ela nos disse um dia.

- Que tal brincarmos de Jogo da Vida? – Lily Luna sugeriu olhando diretamente para Scorpius. Ora, aquela pequena...

- Não vou b...

- Cale a boca! – gritei com Albus que me olhou com os olhos arregalados – Não seja uma criança mimada e fique calado. Você vai brincar sim com Scorpius e vai ficar de boca fechada, entendeu?

- Então me obrigue! – Albus gritou comigo e logo depois subiu a escada.

Só ficamos eu, Scorpius e Lily Luna da sala.

- Não vai acompanhar seu irmão? – perguntei queimando de ódio e vontade de que ela saísse correndo.

- Não, vou ficar aqui com vocês. – vocês, mas a única pessoa para qual ela olhava era Scorpius.

Meu sangue ferveu e eu tive uma visão encantadora de Lily Luna pendurada de cabeça para baixo com os bracinhos balançando pedindo clemência. Não que ela saiba o que clemência significa.

- Vamos ficar realmente aqui parados? – Scorpius perguntou com as duas mãos nos bolsos da calça.

- Claro que não, - Lily Luna sorriu encantada para ele, enquanto puxava a blusa dele, o levando para o sofá – podemos sentar.

Ela pulou no sofá e puxou mais uma vez Scorpius, fazendo-o sentar ao lado dela. Meu rosto devia estar muitovermelho porque quando Scorpius me olhou ele arregalou os olhos e falou em um tom preocupado.

- T-tudo bem, Rose?

Lily Luna pela primeira vez tirou os olhos dele e me olhou sorrindo.

- Tudo ótimo, Malfoy. – falei ácida.

Tudo bem, a culpa não era dele, eu estava com raiva de Lily Luna, mas eu tinha que descontar em alguém e não podia descontar nela do meio do nada, precisaria de um motivo. E eu não estou afim de falar que estou com ciúmes de Scorpius.

- Malfoy? – ele perguntou levantando só uma sobrancelha.

- É, caso você não saiba esse é seu sobrenome. – minha cabeça gritava para meus pés subirem a escada para encontrar Albus e Hugo, e esquecer Scorpius e Lily Luna, mas meus pés pareciam muito cômodos ali.

- Claro que eu sei que esse é meu sobrenome, com muito orgulho. Mas você sabe meu nome, pode me chamar por ele como sempre fez.

- Eu acho que Rose está estressada, Scorpius. – Lily Luna falou com a voz doce e abraçou o braço dele.

Mordi o lábio inferior com mais força que o normal e me virei, começando a subir as escadas para ficar sozinha em um lugar sem Scorpius, Lily Lunas, Albus, Potters, Malfoys e qualquer outra coisa que me irritava.

- Rose! – ouvi Scorpius me gritar enquanto subia, mas não parei.

Entrei no velho quarto de papai e bati a porta com a maior força que podia, o que fez parecer que a Toca poderia desmoronar a qualquer momento, me joguei na cama de cobertores laranja e tapei meu rosto com o travesseiro.

Não, eu não ia chorar, estava irritada, não triste; estava com ciúmes, não tinha acabado de levar um fora.

Aquele quarto tinha passado tanto tempo fechado que tinha muita poeira tanto nos móveis quanto na cama, o que me fez começar a ter uma crise alérgica. Espirei até sentar na cama com os olhos lacrimejando de tanto espirrar e tossir. Ai, que droga, mas sempre pode ficar pior, não é mesmo? A porta do quarto abriu e Scorpius entrou devagar.

- O que houve? – perguntou enquanto fechava a porta – Você está chorando?

- Não, - limpei as lágrimas causadas pela minha crise – apenas espirrei muito pela quantidade de poeira que tinha aqui e acabei lacrimejando.

Ele não me pareceu acreditar, mas eu não liguei. Dei uma fungada e olhei para ele.

- Por que não está com Lily Luna? – enruguei a testa.

- Porque agora estou com você. – apenas emiti um pequeno 'ah'

Ficamos um minuto em silêncio e Scorpius sentou na cama, bem ao meu lado.

- Está triste? – ele perguntou

- Não.

- Irritada?

- Talvez. – dei ombros.

- Posso saber por quê?

Porque eu estou com ciúmes de você, seu grande idiota. Quase falei isso, quase, mas achei que não seria uma boa maneira de tentar começar uma conversa civilizada.

- Não.

- Ok, - ele deu ombros e ficamos em silêncio por mais alguns minutos. – Hoje é dia dos namorados... – ele soltou a frase no ar e eu apenas olhei para ele que também olhava para mim.

- Eu sei, é por isso que estamos aqui.

- É. – ele apenas concordou – Seu nariz está vermelho. – ele levantou a mão e tocou com o indicador a ponta do meu nariz.

- É pela poeira. – falei fechando meus olhos que me pareciam mais cansados do que antes.

- Quer sair do quarto? – ele perguntou baixo.

Apenas neguei com a cabeça. Senti o dedo dele subir por meu nariz, passar pelo meio das minhas sobrancelhas e cruzar minha testa, até chegar no meu cabelo. Senti ele pegar uma mecha e começar a brincar com ela.

- Gosta do meu cabelo? – perguntei sorrindo, ainda sem abrir os olhos.

- Gosto de você. – ele sussurrou.

Abri meus olhos alarmada e vi que ele não olhava nos meus olhos, mas sim para o dedo dele enrolando uma pequena mecha do meu cabelo vermelho. Ele tinha falado aquilo de maneira casual, da mesma maneira que eu gosto de Albus.

- Também gosto de você. – também em um sussurro respondi, não só porque era o que as pessoas geralmente fazem quando isso acontece, mas porque sim, eu gostava de Scorpius Malfoy. – Por que você gosta de mim? – manti o tom baixo.

- Talvez por você ser inteligente para nossa idade, por você gostar de mim mesmo que sua família fale para não gostar ou talvez porque eu gosto de estar com você. – ele suspirou e eu senti o hálito gelado dele na minha bochecha - E você, por que gosta de mim?

Parei para pensar por um minuto.

- Talvez por você ser bonito, por no jogo de quadribol ser gentil comigo, mesmo que eu tenha sido um pouco grossa no começo e por também não me culpar pelo que aconteceu na festa há quase um ano atrás.

- Faço dos seus motivos os meus. Menos o do jogo de quadribol, você foi realmente grossa. – ele deu uma risada curta e eu também.

- É, eu fui. E seus motivos também são muito bons.

Foi quando aconteceu, foi rápido, inesperado e mesmo assim eu gostei. Ele se aproximou em um único movimento e juntou seus lábios muito superficialmente aos meus, levantou da cama em um pulo e enquanto fechava a porta falou "desculpa".

E eu estava novamente sozinha no quarto, mas não me atrevi a sair. Deitei de barriga para cima na cama e toquei meus lábios com meu indicador. Scorpius tinha me beijado. Foi a primeira vez que eu beijei alguém na boca.

O tempo foi passando e mesmo quando Albus abriu a porta para me chamar para o almoço falei que não queria ir. Passei a tarde toda na cama, sem fazer nenhum movimento, apenas pensando e repassando a cena do beijo tentando captar alguns detalhes perdidos no momento.

Acho que até dormi em alguns momentos porque quando vi o Sol já estava se pondo. Levantei da cama em um pulo e fui em direção a cozinha.

- Olá, querida. – vovó falou assim que me viu – Quer comer?

Apenas concordei com a cabeça e ela esquentou o almoço para mim novamente. Sentei na longa mesa da Toca sozinha e comi meu almoço em silêncio quase absoluto tirando algumas vezes que vovó cantarolava partes de músicas desconexas.

- Onde estão os outros? –perguntei.

- Acho que os quatro estão no quarto de jogos. – enruguei minha testa.

- Juntos? – perguntei incrédula.

- Fique tão surpresa quanto você, - ela deu uma risadinha – mas estão sim, juntos. Dê uma passada lá, estão todos preocupados com você e seu cochilo que durou a tarde inteira.

Levantei da mesa e voltei a ir para o andar de cima. Caminhei até o antigo quarto de Tio Percy – que ironia o quarto dele ter virado o quarto dos brinquedos - e abri a porta devagar.

Scorpius estava de costas para mim e foi a primeira pessoa que eu vi, ao seu lado direito estava Albus e ao esquerdo Hugo com um game boy na mão, Lily Luna estava de frente para Scorpius e, consequentimente, foi a primeira a me ver.

- Rose! – ela falou sorrindo e os garotos olharam para mim, menos meu irmão que mantinha a atenção no game boy.

Me senti corar, mas tentei não ligar muito para isso.

- O-oi, - falei entrando no quarto – e ai, estão jogando o que?

- Jogo da Vida! – Lily Luna me respondeu novamente e mesmo que às vezes desviasse o olhar para Scorpius eu não sentia ciúmes, não mais. – Quer jogar?

- Espero vocês terminarem essa rodada, - enquanto eu andava percebi que não era a única vermelha, Scorpius também estava um pouco. Sentei entre Scorpius e Albus. – Quem está ganhando?

- Eu, óbvio. – Albus falou apontando para o peito.

- Não, você apenas está na frente. Aposto que tenho mais dinheiro que você! – Lily Luna fez uma careta para o irmão.

- Duvido!

Olhei para Scorpius e ele me parecia um pouco triste. Inclinei meu corpo um pouco para frente e cheguei bem perto da orelha dele.

- Não se preocupe, está tudo bem. – murmurei imaginando que ele estava preocupado pelo beijo – Ainda gosto de você. – e sentia que continuaria gostando por muito tempo.

- Hey! O que estão falando ai? – Lily Luna falou com a voz fina.

- É! O que está falando com ele, Rose? – Albus falou cruzando os braços.

- O quanto eu adoro esse jogo. – menti não para me safar, sabia que eles não acreditariam – Mas, então, é a vez de quem?

Meus primos pareceram fingir que nossos cochichos não existiram e voltaram a jogar.

Na segunda rodada eu entrei e ficamos até a noite jogando jogo da vida, mas isso não foi o que mais me divertiu. O que me fez quase morrer de rir foi ver Lily Luna morder os lábios fortemente quando a mão de Scorpius "sem querer" se entrelaçou na minha.

Tão "sem querer" quanto nosso beijo.


N/A.: Lembro que quando postei esse conto pela primeira vez disse que um capítulo de dia dos namorados era um clichê mais que perfeito... Bem, devo admitir que tenho um fraco pelo Valentine's Day e por ScorpiusxRose, então sou suspeita para comentar. Haha.

Esse capítulo - assim como o primeiro -, tinham erros cronológicos. Uma hora surgia o James, que em qualquer uma das duas versões deveria estar em Hogwarts e não na casa da avó! Sdds eu esperta assim... Enfim, tirei o filho mais velho do pobre Harry por amor, acontece.