04- O Expresso, A Pressão e A Primeira Viagem
Abri mais uma vez a minha bolsa – transversal, bege e meia-lua – e vi se tinha tudo que eu precisava.
-Rose, vamos nos atrasar, você pode, por favor, andar mais rápido? – ouvi papai me chamar.
Desisti de conferir tudo e dei um último "adeus" ao meu quarto. Peguei minha mala de rodinhas e fui arrastando ela até a sala, onde encontrei meus pais e meu irmão sentados no sofá apenas me esperando.
-Então, vamos? – perguntei sorrindo.
-Oh, minha filha! – mamãe se levantou e me abraçou – Já está em Hogwarts... Em breve será você, Hugo.
Abracei-a de volta porque sabia que ia ficar um bom tempo sem fazer isso. Papai e Hugo ficaram apenas olhando, provavelmente esperando para me abraçar somente antes de eu ir embora. Depois que ela se afastou, nós saímos de casa.
Agora que papai podia dirigir estávamos nos comportando como praticamente trouxas.
-Não se esqueça de pisar na embreagem. – mamãe murmurou quando papai começou a andar com o carro.
-Eu sei, Hermione, eu sei! – papai disse um pouco irritado, mas mamãe, para acalmá-lo, lhe deu um beijo estalado na bochecha.
Olhei para o lado e vi que Hugo não tinha trago nenhum de seus jogos portáteis e estava apenas me olhando.
-Vou sentir sua falta. – ele falou murmurando, com vergonha de que papai ou mamãe o ouvissem.
-Também vou. – falei no mesmo tom e deslizei minha mão pelo banco até agarrar a dele.
Seu rosto tomou um tom avermelhado e eu apenas sorri. Não éramos muito de mostrar carinho publicamente, mas nos gostávamos muito.
O caminho até a King's Cross foi rápido eu passei o tempo inteiro vendo o céu pela janela do carro. Estava azul e sem nenhuma nuvem, o sol brilhava na perfeita manhã de outono.
-Chegamos. – mamãe falou e todos saíram do carro.
Papai foi até a mala e tirou minha bagagem de lá enquanto mamãe fechava o carro. Sai, ainda de mãos dadas com Hugo, para pegar a minha mala e fomos andando até a plataforma que ia nos levar até onde queríamos chegar.
-Primeiro vocês dois, depois nós duas vamos. – mamãe falou e assim como ela disse papai e Hugo passaram discretamente pelo portal.
Estava só esperando minha mãe me puxar para passarmos, mas ela continuou parada.
-Sei que não vai me deixar fazer isso na frente de seus primos e todas aquelas crianças, então – mamãe se abaixou e me abraçou muito forte – vou fazer aqui mesmo.
Abracei de volta e ela voltou a ficar em pé coçando os olhos para se livrar de algumas lágrimas.
-Agora podemos ir. – ela pegou minha mão e pela primeira vez eu estava ali, na plataforma.
-Achei que não viriam nunca! – papai disse.
Nós andamos um pouco e paramos em um lugar fora do caminho das pessoas. Eram muitas pessoas. E animais. Conseguia ouvir o pio das corujas, miados de gatos e até coaxar de sapos. Estava estupefata com tudo aquilo.
-Não pense que vai fazer besteiras em Hogwarts, Rosinha! – papai disse. Ele era a única pessoa que ainda me chamava de Rosinha. – Vou pedir para Neville ficar de olho em você!
-Ronald! – mamãe repreendeu – Não fale assim, duvido que ela consiga metade das encrencas que nós conseguíamos!
-Nós éramos diferentes. – papai falou em um muxoxo.
Nem liguei para eles, estava contemplando tudo ao meu redor.
-Lily. – Hugo disse e apontou.
Me virei e vi que os Potters tinham chegado. Assim que se aproximaram os meus pais começaram a falar com meus tios e Albus apenas se aproximou de mim.
-Oi. - Albus falou e eu ri.
-Não vai correr e me abraçar como geralmente faz? - perguntei zombeira.
-Não com seu pai aqui, mas se quiser um abraço, posso te dar um no trem. - Albus entrou na brincadeira.
-Claro. - sorri.
-Animada? - perguntou.
-Muito, muito mesmo. - falei enquanto apertava minha bolsa.
-Também estou. - ficamos em silêncio um minuto - James fala que vou para a Sonserina, se eu fosse, você ainda gostaria de mim?
Eu ri.
-Albus, que pergunta idiota. Não vou gostar ou desgostar de você pela sua casa. Você é meu primo, vou gostar de você até se for para a Sonserina.
Lily Luna e Hugo também estavam discutindo sobre qual casa eles iriam quando, daqui a dois anos, fossem para Hogwarts.
-Se você não ficar na Grifinória vamos deserta-lo - papai disse - Mas sem pressão.
-Rony!
Lily Luna e Hugo começaram a rir, mas tanto eu quanto Albus ficamos tensos.
-Ele não quis dizer isso. - Tia Gina e mamãe falaram.
Apenas engoli seco e eu e Albus nos entre olhamos.
-Veja só quem está ali. - papai disse com um pouco de desdenho.
A fumaça do trem deu espaço para três pessoas. Scorpius estava ali com seu pai e sua mãe.
Os três olharam para cá e Scorpius olhou diretamente para mim. Sorri e ele apenas deu um aceno com a cabeça com um sorrisinho. Logo depois eles se afastaram, provavelmente o pai de Scorpius ia querer conversar com ele antes dele entrar no trem.
-Então aquele é o pequeno Scorpius. - papai disse como se não o tivesse visto antes no jogo de quadribol ou quando nós fomos atacados pelo elfo, mesmo que isso tenha sido a alguns anos atrás - Não deixe de superá-lo em todos os exames, Rosinha. Graças a Deus você herdou a inteligência da sua mãe.
- Ron, pelo amor de Deus – disse Hermione, um pouco brava e um pouco sorrindo - não tente indispor os dois antes mesmo de entrarem para a escola!
-Você tem razão, desculpe - mas incapaz de se conter ele acrescentou - Mas não fique muito amiga dele, Rosinha. Vovô Weasley nunca perdoaria se você casasse com um sangue-puro.
Senti minhas bochechas corarem, mas acho que ninguém percebeu, porque James chegou falando algo sobre Teddy Lupin e Victorie.
Casar? Com Scorpius? Será que papai sabia... Não! Impossível. Balancei a cabeça e tentei achar Scorpius novamente, mas não o vi em lugar algum pelas redondezas. Acho que ele já tinha entrado no trem.
-São quase onze horas, é melhor embarcar.
Minha mãe me abraçou rapidamente e logo depois papai.
-Mesmo que eu fale tudo isso, Rosinha, eu te amo, filha. - papai me levantou do chão e me sacudiu de um lado para o outro.
Assim que me botou no chão abracei Hugo antes que ele pudesse protestar e ouvi mamãe falar um "own".
-Te vejo no Natal, maninho.
Lily Luna sorriu e acenou com a mão para mim, fiz o mesmo.
Dei um abraço em Tio Harry e fui para Tia Gina, enquanto Albus fazia o contrário e ia para seu pai.
-Vejo você no Natal, Rose. - Tia Gina me deu um abraço e sem querer ouvi a conversa de Albus com Tio Harry.
-Albus Severus - Tio Harry disse baixinho para que somente Tia Gina ouvisse, mas acabei ouvindo também -Nós lhe demos o nome de dois diretores de Hogwarts. Um deles era da Sonserina, e provavelmente foi o homem mais corajoso que já conheci.
- Mas me diga...
- ...então, a casa Sonserina terá ganhado um excelente estudante, não é mesmo? Não faz diferença para nós, Al. Mas, se fize para você, poderá escolher a Grifinória em vez da Sonserina. O chapéu leva em consideração a sua escolha.
- Sério?
- Levou comigo.
Arregalei os olhos e sai correndo para o vagão antes que percebessem minha intromissão. Albus veio logo atrás de mim.
Paramos em uma janela e olhamos ao redor, todos olhavam para Tio Harry.
- Por que eles todos estão olhando? – Perguntou Albus.
- Não se preocupe com isso – papai disse - Sou eu, eu sou extremamente famoso! - Albus, eu, Hugo e Lily Luna começamos a rir.
O trem começou a se mover e tio Harry nos acompanhou por um tempo, a estação estava cada vez menor e quando fizemos uma curva deixamos a estação para trás e um novo começo pela frente.
-Nosso primeiro ano em Hogwarts. - Albus murmurou com animação contida.
É, nosso primeiro ano em Hogwarts.
N/A.: É, a história é curta como um tiro. haha, mas eu continuo tendo ela como um xodó. Queria muito fazer uma continuação, mas acho que não vou conseguir manter a mesma linha de "inocência". Talvez eu tente, mas acho pouco provável. Como dizem, é sempre bom sair de um jogo quando você está por cima, não quero fazer uma sequência de merda pra essa fic que eu, por incrível que pareça, gostei muito de escrever e reencontrar nos arquivos velhos do computador.
Obrigada, gentis pessoas que comentaram e não me trouxeram estresse :3
