10 – o Sonho e a verdade
Naruto ficou olhando para a porta de madeira escura por alguns segundos antes de se virar para o banheiro.
Era um banheiro grande e assim como o restante da casa, incrivelmente branco. Havia uma grande e convidativa banheira que estava um pouco afastada do incrível Box com vidros escuros, ambos localizados no lado direito, uma grande pia de mármore junto ao sanitário, do lado esquerdo. Entre os dois lados, havia um pequeno guarda-roupa de madeira, da mesma cor escura da porta.
Mas a loira não percebeu nenhum desses detalhes. Ela estava ocupada de mais tentando se lembrar de como mexer as pernas.
"ele gosta mesmo de mim..." – Naruto pensou ao apoiar-se de costas na porta, a expressão pasmada e corada.
Um sorriso bobo brincava em seus lábios e seu coração pulsava descompassado em seu peito.
Ela deixou-se escorregar pela porta, até chegar ao chão. Suas pernas tremiam de mais para suportá-la de pé.
Sua respiração estava agitada e ofegante. Ela passou a mão pelo rosto para afastar as mechas de sua franja, um ato de puro nervosismo.
"calma, Naruto..." – ela pensou sacudindo a cabeça, para clarear a mente – "calma..."
Ela se levantou lentamente do chão do banheiro e caminhou até o grande espelho sobre a pia. Ela apoiou suas mão sobre a bancada e se encarou no espelho. Ela estava irreconhecível
Pela segunda vez naquele dia, lá estava ela, na frente de um espelho, totalmente desestruturada.
A loira sorriu ao passar a mão delicadamente sobre os pontos febris sobre sua bochecha.
"pareço uma adolescente que acaba de ser beijada pela primeira vez pelo primeiro namorado..." – ela riu de si mesma ao desviar seu olhar do espelho.
Ela virou-se para o Box e até chegou a caminhar na direção do chuveiro, mas a banheira era tão convidativa que ela não resistiu.
Naruto ligou a água quente e deixou que a banheira se enchesse enquanto se despia. Depois de cheia, ela entrou na água quente.
A sensação foi relaxante e seu corpo amoleceu instantaneamente. E antes que percebesse, a loira adormeceu enquanto se banhava.
...
Era idiotice, e ele sabia. Mas Sasuke precisava ver se Naruto estava bem.
Ele havia acabado de tomar um banho e resolveu checar se a loira estava bem acomodada.
Mas agora ele enfrentava um dilema.
"oh, droga..." – o Uchiha pensou ao chegar em frente à porta do seu quarto, onde agora Naruto devia estar dormindo - "eu bato? Ou abro?" – ele franziu o cenho ao colocar a mão na porta – "é o MEU quarto... eu posso entrar a hora que eu quiser..." – ele suspirou e afastou sua mão – "mas se ela estiver se vestindo e eu entrar... não... nada legal..." – ele sacudiu a cabeça ao mesmo tempo em que sua mão batia na porta - "vou bater e em seguida entrar... um meio termo é bom..."
- Naruto? - ele chamou e esperou uma resposta que nunca veio.
"estranho..." – ele pensou ao abrir a porta e se deparar com o quarto vazio – "ela ainda está tomando banho?"
Sasuke caminhou até a porta do banheiro e viu que a luz do cômodo ainda estava acesa pela fresta da porta que estava fechada.
- Naruto! – ele deu duas batidas na porta do banheiro, mas ela não respondeu –Naruto!
Nenhum som.
Sasuke franziu o cenho.
- Naruto! – ele chamou mais alto e bateu mais forte na porta – Naruto, você está ai?
Novamente nenhuma resposta.
Ele tentou a maçaneta. Estava trancada por dentro.
- porcaria... – ele reclamou para si mesmo e saiu do quarto com passos duros.
Mas Sasuke não foi muito longe.
Ele não ouviu o barulho do chuveiro quando estava na porta do banheiro. Se ela não usou o chuveiro, como ela tomaria seu banho?
Na banheira, é claro.
Mas ele a chamou. Bastante. E porque ela não respondeu? Da banheira ela ouviria seu chamado. Do chuveiro seria mais complicado, por causa do barulho da água caindo. Mas na banheira ela não teria esse problema. A não ser...
Que ela tivesse dormido na banheira.
- essa não! – ele rosnou dando meia volta e voltando para o quarto.
O moreno começou a bater insistentemente na porta.
- Naruto! Naruto, acorda! – ele gritava para ela, mas não havia resposta – vamos, Dobe! Acorda!
Sasuke deu dois passos para trás e deu um chute forte na porta, arrebentando o trinco e fazendo com que ela se abrisse num baque alto.
- essa não... – ele murmurou ao ver a banheira cheia mas não conseguir ver a loira – Naruto!
Ele correu até a banheira e Naruto estava nua e desmaiada no fundo da água, onde se podia ver o flutuar de algumas bolhas, claramente aquelas bolhas eram o último resquício de oxigênio que havia nos pulmões da Uzumaki. Mas Sasuke não se importou com a nudez. Ele a pegou nos braços e correu em direção a cama.
Ele a deitou de bruços e logo procurou verificar se ela estava respirando.
Ela não estava.
Em leve desespero, o moreno, lembrando-se de uma das poucas coisas sobre medicina que aprendera na vida, após constatar que não havia mais água em sua boca e inclinar a cabeça dela para levemente para trás, para liberar as vias aéreas, ele inclinou-se sobre o rosto de Naruto, apertou o nariz dela e soprou uma lufada de ar na boca da loira, fazendo com que o peito dela se expandisse com o oxigênio. Ele estava pronto para fazer pressão sobre o diafragma dela para que ela expulsasse a água em seus pulmões, mas nesse momento, Naruto começou a tossir violentamente e a jogar para fora um pouco de água.
Sasuke a levantou, abraçando-a, para que ela pudesse ficar sentada e assim conseguisse respirar melhor.
- Naruto? – a voz tensa de Sasuke chegava de modo abafado aos ouvidos da loira – Naruto, você está bem?
- s-sim... - ela gemeu, esgotada – o que... aconteceu?
Sasuke estreitou os braços ao redor dela.
- você dormiu na banheira... – ele respondeu, tenso – eu tive que arrombar a porta do banheiro pra te ajudar...
- desculpe pela porta... – ela murmurou sonolenta, ao se aconchegar no peito do Uchiha
Sasuke rosnou.
- que se dane a maldita porta, Naruto! – ele gritou exasperado e ela se encolheu – você quase morreu afogada... é com isso que eu me preocupo! não estou me importando com a maldita porta...
- desculpe... – ela murmurou novamente, com a voz mais baixa, já caindo no sono.
- não durma agora! – ele gritou para ela e a sacudiu para não deixá-la cair na inconsciência.
- ta bom... – ela gemeu, reclamando – ta bom... não vou dormir...
Naruto tentou se sentar, afastando-se alguns centímetros de Sasuke e só então viu que estava nua. Mas ela estava cansada de mais para se importar.
Já fazia três dias que ela não dormia. Sai havia insistido que ela deixasse para dormir em Konoha, e então fizeram a viajem sem parar para dormir nenhuma única vez. Uma viagem que duraria cinco dias, foi encurtada para três e meio.
E nem mesmo quando chegou em Konoha, Sai a deixou descansar. Ele havia vindo na frente para avisar o comando geral da ANBU que ela havia entrado nos domínios do país do fogo, mas disse a ela que não dormisse até chegar à vila.
Mas quando chegou, os lideres da ANBU a levaram para um interrogatório que durou várias horas. E logo após terminar, teve que encontrar Tsunade e Jiraiya. Depois disso, não conseguiu tempo para descansar.
Na verdade, o cansaço estava esquecido até a hora que entrou naquela banheira e seu corpo relaxou. E só o que ela lembra depois de entrar na água quente, fora os últimos segundos quando acordou com Sasuke ao seu lado, ajudando-a a respirar.
- Naruto... – a tensão e preocupação na voz de Sasuke eram palpáveis.
Naruto mal tinha forças para vira-se para olhá-lo.
- o que foi, Sasuke? – ela o olhou por cima do ombro enquanto se inclinava na direção dele.
Ele a puxou para o circulo de seus braços novamente.
- você está bem? – ele perguntou intensamente
Naruto assentiu.
- só bastante cansada... – ela suspirou – não durmo há dias... acho que foi isso que me derrubou... – ela deu de ombros – a água quente me relaxou de mais... e o sono me dominou
- e porque você não tem dormido? – perguntou o Uchiha, confuso.
- Sai estava com pressa de voltar a Konoha... – ela explicou, com os olhos fechados e a voz cansada – nós fizemos uma viagem de cinco dias em três dias e meio. Nós não paramos para descansar em nenhum momento da viajem.
- entendo... – ele murmurou sem expressão, mas algo na voz dele alertou Naruto.
- não o culpe... – ela levantou a cabeça para olhá-lo – ele queria voltar para a família dele... – ela deu os ombros – eu faria isso também se tivesse uma família para quem voltar.
Sasuke assentiu, mas não disse nada. Ele já tinha umas coisas para acertar com Sai, e essa era apenas mais uma.
Os dois ficaram ali daquele jeito por vários minutos, em silêncio.
Sasuke abraçando Naruto, que conseqüentemente estava encharcada e nua. Mas esse detalhe parecia ter sido esquecido.
O sono começou a se apoderar do moreno, que sem perceber, se deixou cair lentamente na cama, ainda abraçado a Naruto que já havia caído no sono, e adormecer.
E assim os dois se entregaram a um sono profundo e tranqüilo.
Um nos braços do outro.
...
Estava tendo um sonho bom.
O dia estava claro e sem uma única nuvem no céu. Era um lindo dia.
Ele estava andando na floresta em busca de algo que ele não sabia bem o que era. Mas sabia que estava lá.
Ele entrou numa clareira e o que viu lá fez seu coração se acelerar.
Uma bela jovem. Um anjo dourado.
Um anjo travesso e brincalhão. Irritante até, mas um lindo anjo. Os cabelos do anjo eram loiros e compridos. Seus cabelos pareciam raios de sol e o vento o levantava com uma capa brilhante. O vestido azul claro, que cobria o belo corpo do anjo, lhe dava um ar de leveza.
O anjo olhava para ele e sorria.
O anjo tinha um lindo e brilhante sorriso nos lábios. De alguma forma, ele sabia que o sorriso do anjo era apenas para si. Somente para ele, o anjo riria desse modo, e ele sabia disso no fundo do seu peito. O anjo tinha olhos cor de céu. O azul tranqüilo e lindo.
Ele foi caminhando até o anjo, que estava sentado em um pequeno balanço e se impulsionava. O anjo parecia que estava pegando altura para sair voando a qualquer momento.
"como se anjos não pudessem voar." – ele zombou em seu sonho.
Ele parou ao lado da árvore onde o balanço se prendia e passou a observar o vai-e-vem do anjo.
- você quer? – o anjo disse a ele, sorrindo, enquanto se balançava.
- quero o que? – ele respondeu, sorrindo também.
Ela foi freando seu balanço até que parou suavemente.
- vem... – ela disse, se levantando do balanço e oferecendo-lhe o lugar onde ela estava.
- não acho... - ele começou.
- tem medo? – ela perguntou, um sorriso sem maldade brotou em seus lábios.
- medo? – ele tombou a cabeça, curioso, para a palavra. Ela era confusa no contexto. Porque ele teria medo daquilo? – não... não estou com medo.
- então confia em mim e vem. – ela disse suavemente, estendendo a mão para que ele a pegasse.
E ele a pegou.
O anjo fez com que ele se sentasse no balanço e foi para trás dele para impulsioná-lo.
Sobe e desce. Sobre e desce.
Ele subia com o pequeno impulso que ela dava. A sensação de liberdade era maravilhosa. O ar fresco da manhã entrava em seus pulmões e ele se maravilhava com ele. Ele já não sentia a presença do anjo atrás de si e se impulsionou para pegar mais altura.
Mas algo estava errado ali.
Ele olhou por cima do ombro, para o anjo. Ela estava chorando em silencio e o sorriso em seus lábios era doloroso de se ver.
Ele travou os pés no chão e parou bruscamente.
- o que houve? – ele perguntou apavorado. Os anjos não deviam chorar. Por que ela chorava?
- eu lhe disse... – ela sussurrou. A voz cheia de dor.
- o que? – ele levantou-se do balanço e correu até ela – o que você me disse?
- que logo eu precisaria ir embora... – ela soluçou.
- não! – ele sussurrou e continuou em voz alta – eu vou com você...
O anjo negou veementemente.
- para onde eu vou, você não pode ir.
Ele se apavorou.
- não vou deixar você ir embora de novo... – ele gritava para ela enquanto segurava seus ombros.
Ela se desfez gentilmente das mãos dele e se inclinou em direção aos lábios dele e o beijou.
Ele correspondeu, mas não a tocou a não ser com os lábios, já que ela prendia seus braços ao lado de seu corpo.
Era um beijo cheio de paixão e dor.
Ela interrompeu o beijo, mas não soltou seus braços. Sua cabeça estava baixa e seus cabelos dourados lhe cobriam a face.
Eles ficaram assim até que ela levantou o rosto e o encarou com lágrimas varrendo seu rosto.
- você não pode me impedir... – ela disse com a voz séria e ele soube que, por alguma razão, ela tinha razão. Ele não conseguiria impedi-la de partir.
- por favor... – ele pediu, com a voz cheia de sofrimento. – não vá...
A expressão séria no rosto do anjo se quebrou e a dor apareceu em seu lugar.
- eu preciso... – ela soluçou – mas algo meu ficará com você... e você deverá protegê-lo e cuidar dele...
Ela começou a brilhar e desaparecer.
- amo você, Sasuke... – ela disse, soltando seus braços e tocando gentilmente o rosto dele.
O brilho se foi e, com ele, seu anjo sumiu.
Seus joelhos tremeram e ele caiu.
O dia lindo se fora, agora chovia muito e o céu estava negro.
Ele olhou para cima, com raiva e desespero. Buscando pela luz. Buscando por seu anjo.
- Naruto! – ele gritou para o alto.
...
O Uchiha sentou-se bruscamente, com o suor cobrindo seu rosto. Ele tremia e seu coração batia rapidamente. O sonho tinha sido real. Real de mais para o seu gosto. Mas por alguma razão, o sonho estava sendo difícil de lembrar. A única coisa que ele conseguia lembrar era da dor.
A dor era real.
Ele olhou ao redor. Estava em seu quarto. Algo deveria estar ali com ele, mas não estava e ele não sabia o que era. Ele olhou ao redor novamente, mas nada de diferente lhe chamou a atenção.
- droga... – ele resmungou ao passar a mão pelos cabelos negros.
Ele deitou-se novamente nos lençóis e algo ali não lhe parecia certo. A cama estava mais bagunçada do que normalmente ficava quando ele dormia.
Ele tinha que lembrar de algo importante, mas não conseguia saber o era. Frustrado, ele virou-se na cama, dando as costas para a janela. Foi então que, quando ele viu o estado da porta do banheiro, ele conseguiu lembrar.
Lembrou-se tanto do sonho, quanto do que estava faltando ali.
- Naruto! – ele disse e se lançou para fora da cama.
Ele seguiu apressado para a porta, mas parou de repente quando ouviu algo estranho.
"toc toc toc toc"
Ele abriu a porta para ouvir melhor. Era um barulho baixo e repetitivo.
"toc toc toc toc" – o barulho continuou.
Curioso, ele seguiu o barulho pela casa. O barulho ficava mais alto conforme ele se aproximava da cozinha.
- "hmm... que delicia!" – ele ouviu alguém murmurar. Parecia uma mulher.
A voz era conhecida, mas ele não se lembrava de quem era. Sakura, talvez?
Mas o que diabos Sakura estava fazendo em sua casa?
– "isso está muito bom..." – a voz feminina apreciou.
Alguém riu, em resposta.
O Uchiha agora seguia mais cauteloso em direção à cozinha.
"toc toc toc toc" – o barulho continuou.
- você precisa de mais disso? – uma nova voz perguntou. Era masculina.
Também lhe era familiar. Seria o Sai? Mas o que raios eles estavam fazendo ali?
Perece que quem quer que fosse concordou.
– ta bom... vou continuar então. – a voz masculina concluiu.
"toc toc toc toc" – o barulho recomeçou.
Sasuke chegou à porta do cômodo e ficou a observar a cena sem ser notado.
Sai estava debruçado sobre a pia, cortando alguns vegetais.
Sakura de frente para o fogão, remexendo algo numa panela grande. O cheiro era realmente muito bom.
E alguém estava inclinado para dentro da geladeira.
Naruto.
Ele riu consigo mesmo e deu alguns passos para perto da geladeira, revelando sua presença para Sakura e Sai, mas fez sinal para que nenhum dos dois falasse nada. Sakura reprimiu uma risada e Sai bufou.
O Uchiha parou nas costas da loira, cruzando os braços, mas não fez nada.
A loira continuou a mexer na geladeira.
- Sakura-chan... – ela chamou
- o que foi, Naruto? – a mulher respondeu tentando deixar sua voz mais tranqüila.
- pode me dizer às horas? – a loira perguntou.
- uma da tarde. – fora Sai quem respondeu.
- já está tarde, mas acho que o teme vai ficar irritado se eu for lá acordar ele... – ela murmurou e se ergueu, segurando algumas coisas.
- sim, eu ficaria... – a voz profunda de Sasuke surgiu nas costas de Naruto que, com o susto, deixou que algumas das coisas que segurava caíssem.
Uma garrafa de leite feita de vidro se espatifou no chão.
Naruto deu meia volta e com os olhos escancarados encarou o Uchiha que sorria perversamente.
A loira ficou paralisada, encarando-o.
- eu sabia que esse idiota ia fazer isso... – Sai bufou e se encaminhou até Naruto e a segurou pelos ombros – Naruto... – ele chamou suavemente e ela virou, rígida, para olhá-lo – está tudo bem... relaxe... foi só o Sasuke-kun...
Sasuke e Sasuke o encararam com uma expressão estranha.
O que ele estava fazendo?
Naruto ainda estava paralisada de olhos arregalados encarando Sai.
Sai passou a mão de leve na cabeça dela, bagunçando levemente os cabelos dela, e lhe deu um sorriso.
- é... – Naruto murmurou, piscando e balançando levemente a cabeça – só... o Sasuke...
- o que é isso? - Sasuke perguntou encarando Sai.
- digamos que assustar ela não seja uma boa idéia... – ele murmurou em resposta, ao mesmo tempo em que puxava uma cadeira para Naruto, que respirava com dificuldade.
- o que quer dizer, Sai? – Sakura perguntou, desligando o fogo e se aproximando do marido.
- no local onde ela estava escondida, por varias vezes as pessoas tentavam matar Naruto... durante a noite, por ela estar teoricamente mais vulnerável... mas algumas gostavam de atacá-la quando ela estava distraída ou ocupada com algo. Resumindo, ela tinha que ficar sempre em alerta... não podia abaixar a guarda uma única vez se quer. Então ela fica assim quando alguém lhe dá um susto... é uma reação defensiva... se ela não tivesse te reconhecido quando virou pra te olhar, creio que esse caco de vidro na mão dela teria parado na sua garganta, Sasuke-kun... imagino que a paralisia dela se deve ao fato dela estar reprimindo o surto de adrenalina... – Sai explicava enquanto se dirigia para a pia, para pegar um copo de água e sinalizava para a grande peça de vidro nas mãos da loira. Era um pedaço da garrafa de leite quebrada.
– ela não conseguia dormir direito quando eu não estava lá com ela, ou até mesmo não se distraia quando estava só... ela evitava ficar sozinha quando estava vulnerável... – ele olhou para Sakura – era por isso que eu estava sempre indo a missões demoradas... para cuidar dela... – ele deu o copo de água para Naruto.
- e porque queriam matá-la? – Sasuke rosnou.
Sai já começava a responder quando um pigarro alto o interrompeu
- chega, Sai... – Naruto se manifestou pela primeira vez, o interrompendo.
Os outros a olharam. Sasuke e Sakura, confusos. Sai, resignado.
- foi estupidez minha me assustar desse jeito... – ela levantou. Seu corpo tremia suavemente, mas ela tentava rir – não vai acontecer de novo, não se preocupem...
A loira cambaleou por dois passos, em seguida firmou seus passos e voltou a andar normalmente.
Ela chegou em frente ao fogão, e deu um giro gracioso para olhar para os três que ainda estavam parados, olhando-a.
- porque vocês dois não vão para a sala? – Sasuke disse rispidamente a Sakura e Sai, antes que Naruto falasse algo.
Sakura olhou para o rosto de Sasuke e em seguida para o rosto de Naruto, observando a tensão do ambiente.
Antes que a esposa falasse algo, Sai a puxou para a sala com um "não tente nada..." para Sasuke.
A cozinha ficou silenciosa por alguns instantes.
Sasuke atravessou a distancia entre ele e a loira, parando a centímetros dela.
- agora... – ele disse com a voz pausada e séria – você vai me contar o que diabos está acontecendo, Naruto.
Ela o olhou, por um longo tempo. Sabia que ele não ia desistir enquanto ela não contasse.
Naruto suspirou.
- tudo bem... – disse ela – vou contar... mas depois que comemos e eles forem embora...
Sasuke assentiu.
- depois então... - o Uchiha disse dando meia volta e saindo da cozinha.
CONTINUA...
