Olá!

Primeiramente... Desculpa a demora...

Meu pc conspirou contra mim, dando problema e deletando o capítulo que já estava quase pronto, então tive que refaze-lo do zero e a inspiração me trollou em alguns momentos.

E particularmente gostei mais desse do que o que perdi.

Acho que fui meio malvada com o Sasu-chan, nesse capítulo.

Ele ainda vai sofrer mais um bocadinho, mas ele vai ser recompensado com cenas calientes mais pra frente.

kkkkkkkk

Como já devem ter percebido, ele será mais um capítulo dividido em, creio eu, três parte.

A princípio serão |Memória (Dor), (Ilusão) e (Fim)|

[Não que esse último seja o fim da fic, mas será o fim dessa parte de lembranças]

Bem, realmente espero que gostem do capítulo.

Boa leitura a todos!

=3


Capítulo 14 - Memória - Parte 1

(DOR)


Chuva.

"Você está falando sério?"

Muita chuva.

"Eu aceito."

O céu havia tornado-se negro e uma chuva torrencial lavava o cambo onde a pouco, duas forças desumanas travavam uma batalha. Agora não havia nada mais do que um silêncio perturbador e uma chuva fria e solitária.

O moreno estava ajoelhado, no centro do descampado. Seus olhos vazios. Sasuke repassava mentalmente aquelas duas frases que o deixaram sem chão. Ele agora encarava o corpo inconsciente a sua frente, com uma expressão desolada.

Aquela cena era tão... Familiar.

Mas de onde isso lhe era repetido?

"Ah..."

Logo sua mente se voltou para a batalha no Vale do Fim.

Porém sua divagação foi imediatamente perdida com uma presença ao seu lado.

- Espero que esteja se divertindo com o show, pivete Uchiha. – O rapaz levantou o rosto, para onde a voz havia se manifestado – Ainda há muito para ver.

Kyuubi.

Sasuke não se surpreendeu com a presença da raposa ali, afinal aquele era um jutsu dela, mas não esperava que ele fosse aparecem com a aparência feminina de Naruto.

Ele voltou a olhar para o rosto de Naruto, sua expressão vazia.

- Não há mais nada para ver. – Ele contestou, com a voz quebradiça de dor.

- Oh, claro que há... – Ela sorriu, com satisfação – Esse dia foi um ano antes de Naruto deixar Konoha.

A surpresa tomou o corpo do moreno, que não se impediu de encará-la com a expressão distorcida em confusão e susto.

- Um ano? – Ele não conseguiu impedir a pergunta, sua voz indicava claramente que ele fora pego de surpresa por aquela informação.

O sorriso da loira aumentou prazerosamente.

- Esse é apenas o começo... – Ela deu as costas para Sasuke e começou a andar – O começo do pesadelo.

Sasuke não conseguiu se impedir de tremer.

- Vamos, Uchiha. – Ela o chamou, ainda andando – Não tenho todo o tempo do mundo.

- Mas... – Sasuke lançou um olhar para o corpo de Naruto, caído sua frente.

- Isso é apenas uma memória, idiota... – Ela rosnou, impaciente - Vamos.

Ainda relutante, o moreno se levantou e apressou o passo para alcançar a raposa, porém sua mente ainda revivia a cena anterior, entre Naruto e Madara.

...

Sasuke ainda ouvia tudo, sem se mover.

- Vamos fazer um acordo. – Disse o Uchiha mais velho.

A expressão no rosto do Uzumaki não deixava dúvidas que ele não havia entendido nada.

Madara riu e continuou.

- Vou deixar seu precioso Sasuke em paz... – Ele começou – Mas você vai ter que me dar algo em troca.

Naruto franziu o rosto, confuso.

- Você quer que eu morra?

- Em outras circunstâncias, sim... – Madara respondeu, se aproximando do loiro – Mas percebi que você me é mais útil vivo.

- E o que você quer de mim, então? – Naruto ainda parecia confuso.

- Vou libertar seu querido amigo do compromisso que tem comigo...

- Você está falando sério? – Naruto perguntou duvidoso.

- Sim, mas com uma condição. – Naruto esperou, temeroso – Você terá que vir comigo. Vai tomar o lugar dele.

O loiro nada disse, apenas abaixou a cabeça, parecendo refletir a proposta.

O Uchiha mais velho prosseguiu.

-Você vai ser para mim o que Sasuke foi para Orochimaru. Uma arma... Uma cobaia. – Sasuke tremeu simultaneamente a Naruto. – O que foi? – A voz do Uchiha mascarado se encheu de escárnio – Não acha que a vida de Sasuke vale esse "pequeno" sacrifício?

"Não vale!" – Sasuke respondeu mentalmente, em completo desespero.

Naruto parou sua respiração, soltando o ar lentamente.

- Sim, vale... – O loiro respondeu, por fim. – Eu aceito.

Madara riu.

- Não vou lhe dar muitas informações do que farei com você agora... – Ele se ajoelhou com dificuldade, a frente de Naruto, que ainda estava no chão – Pois aquelas pessoas em Konoha podem rastrear a minha presença em sua memória. Então vou mexer um pouquinho com a sua mente. Alterar sua memória, para que pense que eu morri.

Os desenhos que estavam na mão do Uchiha mascarados, se concentraram na ponta do dedo indicador dele, transformando-se e um único ponto, praticamente invisível. Madara encostou seu dedo sobre a testa do Uzumaki e logo toda aquela seqüência de selos marcou o rosto do loiro, lhe arrancando um alto e doloroso grito enquanto desaparecia.

- O... qu-que... fo... foi...q-que...? – Naruto balbuciou, já perdendo a consciência.

- Apenas cumpri minha parte no acordo. – O mascarado respondeu, se levantando novamente – O selo que havia em Sasuke agora é seu. Ele está livre, mas agora é você não pode fugir de mim... Nos veremos em breve.

Imediatamente a cabeça de Naruto bateu no solo, desmaiado e Madara deus as costas, sumindo pela floresta.

Sasuke, imediatamente, correu até o loiro.

...

O moreno seguiu a mulher pelo que não pareceu mais de dez minutos, dentro da floresta, mas estava tão distraído que não percebeu que em algum trecho ela se fora, deixando-o sozinho. Quando se deu conta, a floresta também havia sumido, dando lugar à entrada do Hospital de Konoha.

Ele já fazia uma idéia de onde ir, então não perdeu tempo divagando sobre as direções. Sasuke seguiu até o terceiro andar, onde ficavam os quartos dos feridos com maior gravidade. O moreno se lembrou que dividira um quarto com Naruto, quando estivera internado ali.

Ele caminhou apressado pelos corredores, até que parou a frente da ala de emergência, mas estava tudo tão escuro que ele não conseguia enxergar, sem se aproximar.

- Como ele está? – Sasuke ouviu uma voz familiar – O Sasuke-kun...

Sakura.

A preocupação e a emoção contidas na voz da garota estranhamente lhe deu uma sensação desagradável naquele momento. Sasuke então se lembrou que Sakura ainda o amava, quando regressou a Konoha. Apenas com o passar dos meses ele percebeu esse sentimento dela desaparecer. Mas naquele período, ele se lembrou, as constantes e irritantes visitas da Haruno e as declarações de carinho eram extremamente irritantes.

- Quem se importa em como o seu querido "Sasuke-kun" está? – Uma voz masculina, cheia de nojo, respondeu quase como um rosnado, interrompendo-a.

O rapaz já havia se aproximado o suficiente para identificar o que acontecia ali e imediatamente reconheceu também essa segunda voz.

Era Sai.

Sasuke também se lembrava que Sai foi uma presença constante no período que ficara internado, mas não como Sakura havia sido. Ele ficava mais ao lado da cama de Naruto, o Uchiha recordou, zelando por ele, verificando se Naruto estava comendo e se medicando direito. Mas dificilmente se dirigia a Sasuke.

Era como se o moreno não estivesse no local, e isso o irritava na época. A forma protetora como o ANBU zelava por Naruto, como uma mãe extremamente protetora e neurótica. Naruto não se incomodava com o jeito dele e tinha sido alvo das gozações de Sasuke, mas o Uzumaki não parecia se importar. Na verdade, a cada demonstração de super-proteção de Sai, Naruto parecia feliz. E isso Sasuke odiava.

Obviamente, na época, Sasuke não sabia o que era, ciúmes de Naruto, mas detestava profundamente Sai e o cuidado que ele tinha com o loiro.

Mas nunca o vira se alterar desse jeito. Ele se lembrava que a postura do outro era sempre reservada e calma, com uma ponta de cinismo e um sorriso falso, mas aquilo era totalmente diferente. Sasuke quase podia ver o brilho de ódio nos olhos negros. E a postura selvagem dele, como se ele quisesse matar alguém, fazia com que Sakura se encolhesse.

- Eu quero saber como Naruto está. – Sai continuou, lívido de fúria, em seu tom de acusação. – Por culpa dessa sua obsessão pelo Uchiha, nós tivemos que largar Naruto lutando sozinho, para trazer Sasuke até aqui.

- Mas, Sai... – Era estranho ver Sakura tão oprimida. – O Sasuke-kun poderia...

- Não se atreva a vê-lo como prioridade enquanto Naruto está morrendo lá dentro, Sakura! – Ele agora realmente gritou. – Se Naruto morrer, não vou perdoá-la e nem aquele traidor miserável que está dormindo lá dentro.

A garota tremeu.

- Vá ficar na cabeceira da cama daquele infeliz. Naruto cumpriu a maldita promessa que fez a você, então vá aproveitar o seu prêmio. - Sai ordenou virando as costas para ela e seguindo em direção a porta da sala de cirurgia, detendo-se ali, como se quisesse entrar. – Mais vou deixar uma coisa bem clara para você. – A voz do rapaz adquiriu um tom sinistro - Se Naruto não sair dessa, farei uma "visitinha agradável" ao seu amado "Sasuke-kun"...

Tanto Sasuke quanto Sakura encararam as costas de Sai simultaneamente, sentindo o real significado daquelas palavras.

Se Naruto morresse, Sasuke também não viveria por mais muito tempo.

A mulher levantou-se de súbito e correu para o lado contrário a onde o ANBU estava, entrando em uma das portas, próxima de onde o Uchiha observava a cena.

- Já acabou? – Uma terceira voz, parecendo cansada, se manifestou.

Só naquele momento Sasuke reparou na presença de Kakashi no local.

- Sei que está preocupado, Sai, mas... – Kakashi não continuou sua fala, quando seus olhos cruzaram com o do rapaz a quem se dirigia.

- Naruto pode morrer. – Sai atestou, seu olhar frio gritava perigo. – Não me peça para ser calmo quando eu vejo o meu irmão morrer lá dentro por alguém que tentou fazer isso inúmeras vezes, sensei.

- Eu entendo, Sai. – Kakashi se levantou, caminhando até ele – Eu realmente entendo o que você está sentindo.

O jounin colocou uma das mãos sobre o ombro de Sai, que suspirou e voltou a encarar a porta. Pelo reflexo do vidro, Sasuke pode ver a expressão de Sai se distorcer em dor.

Kakashi continuou, sua voz deixando transparecer sua preocupação.

- Sei que você considera Naruto como um irmão. - O Haitake suspirou, encarando a porta da sala de cirurgia, ainda falando, porém agora em um tom esperançoso – Mas também conheço o Naruto. Naruto é forte. – Sai o encarou, suas sobrancelhas franzidas. Kakashi sorriu – Ele vai sair dessa, você vai ver.

O local caiu em um silêncio incomodo. Sasuke estava tentado a atravessar aquela ponto em frente a Sai, mas um murmúrio baixo de conversa atraiu sua atenção. O som vinha da porta por onde Sakura havia entrado.

Atraído pela curiosidade, Sasuke seguiu em direção ao local, mas se deteve em frente a porta.

- Sasuke-kun... – A voz de Sakura soava doce, apesar de abafada pela porta fechada – Está tudo bem... Você vai ficar bem... Você voltou para casa... – Ele ouviu um soluço – Voltou para mim. – Ele podia ouvir agora a voz dela ficar embargada pelo choro - Vamos ficar bem. Eu e você vamos ficar juntos agora e vamos ser felizes. Você vai ver. Tudo vai dar certo.

Sasuke se controlou para não sentir nojo naquele momento. Ele estava começando a se sentir como Sai, momentos antes.

O seu "eu" naquele quarto estava perfeitamente bem. Cansado, ferido, mas não corria risco de vida. Ao contrário do que parecia ser com Naruto. E mesmo assim Sakura velava sua cama, como se fosse ele, e não o Uzumaki, que estivesse à beira da morte.

O Uchiha precisava se afastar dali antes que a repulsa o tomasse por completo. Ele deu as costas à porta bem a tempo de ouvir o som alto e seco do desligar da lâmpada da sala de cirurgia.

Kakashi e Sai, que haviam se afastado da porta, voltaram imediatamente para frente da mesma, com ansiedade.

Tsunade foi a primeira a sair, seguida de alguns outros médicos e enfermeiras que o Uchiha sequer se deu trabalho de registrar os rostos ou a sua quantidade.

A Hokage médica se sentou cansadamente em um dos bancos que ficavam no corredor, Sai e Kakashi se plantaram a sua frente e a ansiedade dos dois era quase palpável. De fato aquilo devia ser muito grave, o Uchiha deduziu. Ver Kakashi daquela forma era além do incomum, era raríssimo. Na verdade, Sasuke nunca o vira assim desde que o conheceu.

O olhar de Tsunade não parecia focalizar nada naquele momento, apesar de estar voltada para os dois a sua frente, mas ela começou a falar.

- Essa foi uma das cirurgias mais difíceis que já fiz em minha vida. – A mulher fechou os olhos e deixou a cabeça tombar para trás. – Não imaginava que ele estivesse tão ferido assim...

- Mas, o Naruto... Ele não... – A voz de Sai saia quase inaudível, como se ele estivesse asfixiando.

- Não, Sai. – Ela respondeu ainda de olhos fechados – Ele não morreu. Foi por muitíssimo pouco, mas nós conseguimos salvá-lo.

Sasuke viu o corpo do outro se curvar para frente e suas mãos apoiarem-se nos joelhos, como se tivesse perdido as forças de repente, e ele dar um suspiro alto, aliviado. A postura de Kakashi também pareceu relaxar com a notícia.

Tsunade continuou.

- Ele tinha todos os ossos do corpo quebrados. E quando digo todos, são todos mesmos. – Ela ainda mantinha a cabeça tombada para trás, mas seus olhos se abriram passando a encarar o teto, seu rosto em uma expressão estranhamente assustado enquanto citava o que encontrou no corpo de Naruto na cirurgia. – Com exceção de seu coração, todos os outros órgãos de seu corpo apresentavam alguma espécie de dano. Havia um poderoso veneno em seu sangue. Uma enorme hemorragia interna. Seu sistema circulatório de chakra estava totalmente danificado. Ele estava em condições piores as de qualquer cadáver que eu já encontrei.

Os dois a sua frente a encaravam, tão chocados quanto ela parecia estar enquanto falava.

- Até mesmo eu não sei como ele conseguiu sobreviver até chegar aqui para cuidarmos dele. – A Hokage continuou, ainda muito séria – Obviamente havia chakra da Kyuubi revestindo todas as áreas danificadas, mas nem mesmo isso deveria ter impedido a morte dele. – Tsunade levantou a cabeça, para encarar os dois a sua frente – Eu nunca tinha visto isso na minha vida. – Nesse momento, a loira se permitiu dar um sorriso – É quase como se apenas a força vontade dele tivesse permitido que ele continuasse vivo. Esse moleque consegue me surpreender mesmo quando eu acho que nada mais conseguiria me assustar.

Nesse momento, o som metálico de uma maca se movendo pelo corredor despertou a atenção dos presentes. Um dos enfermeiros que ainda havia permanecido na sala de cirurgia empurrava lentamente a maca onde Naruto estava desacordado. Sai prontamente se virou para ele, sua expressão preocupada e ansiosa.

- Tsunade-sama, eu posso...? – Ele começou, sua voz tensa.

Tsunade sorriu docemente para o ANBU.

- Sim, você pode acompanhar o Naruto. – Ela disse, se levantando – Vou notificar as enfermeiras que você ficará com ele, como parente.

Sai não esperou que ela continuasse a falar e seguiu o enfermeiro que levava o Uzumaki.

- E por falar nisso... – Tsunade recomeçou, olhando ao redor, parada ao lado de Kakashi – Onde está Sakura?

O Haitake suspirou profundamente, antes de responder.

- Onde mais ela estaria, Hokage-sama? – Ele maneou a cabeça em direção a porta do quarto de Sasuke.

Tsunade fechou seu semblante.

- Sakura não aprende mesmo... – Disse ela, em desagrado.

Sasuke também não havia gostado do que viu Sakura fazer, mas sabia que não adiantava muito reclamar. Era apenas um espectador ali, vendo cenas de um passado que não poderia ser alterado.

Ele mesmo se sentara em um dos bancos, refletindo um pouco o que vira.

Apesar de nunca admitir isso em voz alta, agora compreendia um pouco do laço entre Naruto e Sai. Ele realmente se preocupava com Naruto, a ponto de ser o único da equipe que se prontificara a ficar com ele. Obviamente Sasuke sabia que, na época, ele não teria feito isso, por mais que quisesse. E Sakura estava ocupada de mais sendo intrometida e inconveniente, se sustentando com sua fatia falsa de felicidade. Sai foi o único que ficou com ele.

Sasuke não gostava disso, e agora que tinha Naruto consigo, era fácil ver que o ciúme o corria. Queria ter sido ele a ficar velando o sono do loiro, ao invés daquele protótipo barato de pintor. Mas saber que ao menos houve alguém zelando pelo Uzumaki, já deixava seu coração tranqüilo.

Não que isso o tenha feito detestar menos o outro, mas...

Outra coisa que sua mente se fixara fora no que Tsunade havia contado sobre os ferimentos de Naruto. Ficou claro para o Uchiha que a ligação do loiro com a fera dentro de si havia se tornado praticamente simbiótica. Não havia outra explicação para ela sustentar a vida de Naruto dessa maneira.

Kyuubi havia se apossado da consciência e do corpo de Naruto bem diante dos seus olhos. Nunca vira isso acontecer. Antes, tudo o que a raposa fizera fora controlar os movimentos dele pelo seu chakra e fazer com que Naruto perdesse sua consciência, deixando que seus instintos bestiais tomassem conta. Mas nunca vira a raposa assumir totalmente o corpo de Naruto, como se fosse o seu próprio corpo.

Outro ponto onde ele refletiu sobre isso foi o de quanto fora a sua responsabilidade no estado de Naruto. Eles haviam lutado, antes do regresso do Uchiha. E aquela luta, de fato, fora uma das piores e mais violentas que já tivera na vida. Mesmo ele, que havia recebido menos golpes que Naruto, levou semanas para se recuperar.

"Quais daqueles ferimentos que Tsunade falara teria sido eu que causei em nossa luta e que poderia ter resultado na morte de Naruto?", era a pergunta que ele se fazia naquele momento. Apesar de não admitir isso também, ele se sentia grato por Kyuubi o proteger.

Não fora nada fácil para ele conviver consigo mesmo, depois da morte do Uzumaki, ou do que acreditava ter sido a sua morte. Durante anos, Sasuke fora torturado pelas lembranças do que fizera nos anos que se afastou de Konoha, em relação ao loiro. Lançou-se em treinamentos e trabalho como um louco, tentando afastar de si aquelas memórias, mas foi inútil. Naruto fora uma presença tão marcante e constante que até mesmo ao trocar golpes com alguém o fazia se recordar do outro.

Quando por fim aceitou aquela situação, se aquietou e deixou que as memórias sofridas e dolorosas se transformassem em uma espécie de falso reencontro. Com o passar dos anos, o Uchiha dizia a si mesmo que se lembrar e sentir dor era algo bom, pois assim tinha certeza que não o esqueceria.

Internamente agradeceu pelo fato que Naruto não havia realmente morrido e também que não obteve aquela informação passada por Tsunade, na época que achou que o tinha perdido. Louco de dor como estava, certamente teria feito uma idiotice extrema, como se matar.

Sasuke resolveu abandonar suas reflexões. Lembrar do período que achou que Naruto estava morto havia despertado uma dor torturante em seu peito, e tudo o que queria era ver o rosto masculino ou feminino de Naruto. Ele não se importava qual veria, mas queria vê-lo e já.

O Uchiha se levantou e seguiu pelo corredor, onde a pouco Sai seguira a maca de Naruto. Rapidamente encontrou a porta de um quarto diferente ao que Sakura havia entrado, mas mesmo assim eram próximas. O ANBU estava na porta, recebendo instruções do enfermeiro que estivera cuidando do Uzumaki.

Sem perder tempo ouvindo aquela conversa, Sasuke entrou apressado no quarto, seus olhos buscando a presença de Naruto. E ele o encontrou um segundo depois. Não que aquilo fosse lhe deixar feliz, ver o outro coberto de ataduras, gazes manchadas de sangue, suturas e ligado a aparelhos que lhe monitoravam a vida, o fazia sentir quase como se tudo aquilo estivesse acontecido ao seu corpo. Ele podia sentir um eco fraco de dor a cada novo ferimento que seus olhos captavam no corpo do outro.

Sasuke se aproximou com cuidado, como se tivesse medo de acordar o outro, esquecendo-se que aquilo era apenas uma visão. Ele se sentou na cadeira ao lado da cama, observando-o dormir. Ainda acompanhou Sai voltar para dentro do quarto, fechando a porta e a janela e se sentando na cadeira que havia do outro lado da cama, inclinando-se para perto do ouvido do outro, começando a falar.

- Hei, bocó. – Ele começou, com um riso baixo, sua voz relaxada, mas Sasuke notou a tensão que ele lutava para esconder. – Você pode tratando de se recuperar. Sasuke está no quarto do lado e está bem. Sei que você se preocupa com ele, por isso já te digo que ele está bem. Sakura está lá cuidando dele enquanto eu fico aqui com você.

Sasuke já sabia que Sai não gostava dele. A antipatia era mútua e todos já sabiam disso. Não era legal juntar os dois morenos na mesma sala por mais de cinco minutos.

Mas entendeu perfeitamente o que ele estava fazendo. O moreno continuava a murmurar coisas que sabia que o loiro gostaria de ouvir. Coisas como o fato que se ele se recuperasse, Sai o levaria para jantar no Ichiraku, que Sakura havia comprado um estoque de maças para ele e o Uchiha, Que ele dera muito trabalho à Tsunade e que ela o faria limpar os rios de Konoha todos em um dia... Coisas comuns, normais e perfeitamente bobas, coisas que faziam parte do cotidiano de Naruto.

Sai parou de falar e se endireitou na cadeira, olhando em dúvida para frente. Pela expressão dele, ele parecia refletir sobre algo.

- Eu li em um livro que conversar com uma pessoa doente e desacordava a ajudaria a melhorar, ou pelo menos a acordar. – O olhar do outro se franziu, duvidoso – Quanto tempo será que leva para funcionar? – Ele perguntava a si mesmo. – Espero que não demore muito...

O ANBU tirou um livro preto do bolso e se acomodou melhor na cadeira, começando a ler, mas Sasuke reparou que ele, discretamente, interrompia sua leitura a cada dez minutos e seus olhos varriam os equipamentos médicos, procurando por alguma anormalidade, e depois se voltava para o rapaz adormecido, observando a normalidade do seu movimento respiratório, antes de voltar a ler.

- Ele é bem cuidadoso, não é?

Sasuke não precisou olhar para trás para saber quem era.

- Sim, é o que parece.

Kyuubi, ainda no corpo feminino de Naruto, estava encostada na parede, atrás do Uchiha. Ele reparou que a voz da raposa, diferente de antes, agora estava séria, desprovida do sarcasmo e do divertimento do seu último encontro. Sasuke a olhou pelo canto dos olhos, notando que sua expressão também era séria, mas nada falou.

- Foi difícil manter o moleque vivo... – Ela voltou a comentar, mas para si do que para o Uchiha, e quando continuou havia raiva em sua voz, e Sasuke sabia que parte disso era dirigida a ele – Vocês o feriram tanto que quase não consegui salva-lo.

Sem saber bem o porquê, o moreno sentiu que deveria se desculpar, não sabia se com Kyuubi ou com o loiro enfermo a sua frente.

Talvez devesse se desculpar consigo mesmo.

- Sinto muito... – A voz do Uchiha soara estranha, quase como se duvidasse que estivesse de fato dizendo aquilo.

A mulher o olhou longamente, sem responder.

- Vamos... – Kyuubi disse, se virando para a porta e passando por ela.

...

Ao seguir a loira, Sasuke já sabia que iria para outra das memórias de Naruto, mas aquilo...

- O que foi, moleque? – Kyuubi perguntou, sorrindo de lado.

Oh, ela estava se divertindo. Claro que estaria...

- O-o que raios estamos fazendo aqui? – O Uchiha perguntou, procurando se recompor, mas não tendo muito sucesso.

Apesar de falar com a raposa, seus olhos estavam presos na cena a sua frente. Sasuke não conseguia desviar. Era impressão sua, ou estava começando a ficar calor ali?

Pela visão periférica, o moreno viu a loira se mover e logo sentiu o corpo feminino que era de Naruto se prensar em suas costas, abraçando-o.

- Lembra-se disso, Sasuke-kun? – Ele a ouviu sussurrar em seu ouvido com uma voz sedutora, imitando o tom de Naruto.

O cérebro de Sasuke sabia que não era a sua Dobe, mas seu corpo parecei ignorar isso e se arrepiou, o calor aumentado.

- Oh, você se lembra... – A loira riu satisfeita, fazendo o moreno em seus braços trincar os dentes

- Ora, sua...

- Hmmm... – Um gemido familiar soou pelo local, interrompendo imediatamente seu protesto, o fazendo tremer e voltar sua atenção para frente.

Aquele era o mesmo quarto em que Sasuke e Naruto passaram semanas internados, depois de sua batalha final. Ambos já estavam recuperados, mas a Godaime insistia para que eles permanecessem ali, sobre sua vigilância.

Os dias eram sempre iguais. Sakura e Sai ficavam com eles desde o primeiro até o último minuto que era permitido no horário de visitas, mas as noites eram apenas os dois. Na maior parte do tempo, os dois discutiam até que o cansaço vencesse seus corpos e eles acabassem dormindo. Mas em alguns dias...

Aquela noite que o moreno revivia graças à raposa era de fato uma lembrança que ele não esperava reviver. Ele se lembrava perfeitamente daquele dia.

Era uma noite comum, e ambos haviam começado como qualquer outra noite. Brigando. Eles tinham discutido sobre Sasuke ser sempre popular com as mulheres, mas que o mesmo não dava a mínima para isso, ferindo os sentimentos de várias delas, inclusive de Sakura. Ele havia respondido que não ligava para nenhuma delas e Naruto rebateu que aquilo era impossível, que ele deveria gostar de alguém para fazer aquilo com as garotas.

Naruto o havia pressionado em busca de respostas que ele, na época, não sabia dar. O loiro havia ido até sua cama, quando ele se calou fingindo dormir, e se jogou sobre o moreno, para que ele parasse de ignorá-lo. Sasuke, furioso, se virou para recomeçar a discussão com o loiro, mas as palavras haviam morrido em sua garganta. Seu rosto estava a poucos centímetros de distância do loiro, que o observava atentamente.O segundos se passavam e nenhum dos dois se moveu um centímetro sequer. Sasuke ainda se lembrava bem do rosto de Naruto corando com isso, o que fez com que ele não se controlasse e beijasse o Uzumaki.

Daquele beijo em diante, as coisas foram ficando mais quentes.

Sasuke via a si mesmo pressionando o corpo de Naruto sobre a cama enquanto uma de suas mãos estava por debaixo da blusa do loiro brincando com a sensibilidade da pele morena. Em seu rosto, Sasuke via estampado o desejo que ele mesmo sentia naquele momento.

Era inevitável, ele sempre seria atraído por Naruto como um imã, não importando se ele era um homem ou uma mulher.

- Ora, Naruto... – Sasuke ouviu sua própria voz dizer, repleta de luxúria, enquanto se inclinava em direção ao pescoço do outro, arranhando com os dentes aquela pele exposta, lambendo-a em seguida – Você queria que eu lhe dissesse o meu interesse... Então vou mostrar pra você.

E então novamente os lábios do Uchiha se chocaram violentamente contras os do Uzumaki. O moreno parado na porta quase conseguiu sentir o arrepio que passou pelo corpo de sua versão mais nova.

Oh, ele se lembrava das sensações. Do desejo de querer arrancar as roupas do outro e tomá-lo pra si de todas as formas possíveis. De marcá-lo, para que todos vissem que ele era seu. De fazer com que Naruto jurasse não dar atenção a mais ninguém, a não ser a ele.

Ele se lembrava do ciúme que o corroia a cada toque, sorriso ou até mesmo olhar que Sai ganhava de Naruto, naqueles dias estúpidos que passaram internado com o loiro. Na época achava que era apenas por não gostar da amizade "linda e perfeita" que eles tinham, mas agora sabia que era apenas seu instinto de posse corroendo-o com o ciúme de outro cuidar do que era, e sempre seria, seu.

Fora seu ciúme o motivo de ter começado aquela conversa, perguntando ao loiro o porquê Sai, e não Sakura, o pajeava com cuidados. E foi o seu ciúme que os levou para onde estavam agora. Sasuke viu a versão mais nova de Naruto gemer mais arrastado, quando o moreno em cima de si mordeu seu lábio inferior, e isso quase fez com que ele gemesse também.

- Gosta do que vê? – Perguntou a loira, ainda abraçando-lhe por trás.

Ele então viu sua versão mais jovem sorrir com luxúria, ainda inclinado sobre o corpo do outro, e Sasuke mordeu o lábio lutando contra suas próprias memórias daquele dia. Ele viu o moreno descer uma de suas mãos para dentro da calça de Naruto, que teve que morder sua própria mão para evitar gritar com a sensação daquele gesto.

- Foi bom fazer isso com ele, não é? – A loira voltou a perguntar.

Sasuke novamente não lhe respondeu, sentindo seu rosto corar, mas Kyuubi não se deu por satisfeita. Ele deveria saber que ela iria obter sua resposta de qualquer forma, mas não imaginou que ela fosse colocar uma das mãos por dentro de sua blusa, arranhando suavemente seu peito, enquanto a outra se arrastava descaradamente para dentro de sua bermuda, acariciando seu pênis por cima de sua roupa de baixo, que já estava semi-rijo pelo que via a sua frente, de forma lasciva.

-Acho que isso aqui responde minha pergunta... – Ela riu divertida.

Porém, antes que ele tivesse tempo de abrir a boca para enxotá-la, Kyuubi habilmente colocou a mão por dentro da peça intima de Sasuke, agarrando seu membro com força. O corpo do moreno se inclinou para frente, tomado pela sensação arrebatadora daquele aperto, e ele gemeu alto.

Em um canto remoto da sua mente ele registrava que a loira fazia exatamente o que sua versão mais nova fazia com o loiro e ele gemia exatamente com o mesmo descontrole que a versão mais nova de Naruto.

A loira movia sua mão tão rápido que Sasuke se sentia a ponto de gozar a qualquer momento, mas ela então se deteve.

Ele virou seu rosto para a outra, com frustração e raiva evidentes, mas antes sua voz ecoou pelo quarto, mas não fora proferida por ele e sim pelo seu outro "eu".

- É disto que eu gosto, Dobe... – Sasuke podia ouvir a mentira mesclada de orgulho e altivez na voz do outro Sasuke – De brincar com você...

Kyuubi já havia lhe soltado e dado um passo para trás, enquanto Sasuke observava a si mesmo sair da própria cama e ir para a de Naruto, fingindo não ver a dor imensa nos olhos azuis, fingindo não ver as pesadas lágrimas que por seu rosto corriam e fingindo não ouvir os soluços mínimos que o outro deixava vez ou outra escapar.

Sasuke sabia que sua versão do passado dormiria perfeitamente normal, se não fosse por uma pontada latente e deveras incômoda que o assaltaria a noite toda, enquanto ouviria Naruto chorar até cair no sono.

Sasuke também sabia que, quando o loiro adormecesse, sua versão do passado iria se espreitar até a cama onde Naruto dormia e o abraçaria, implorando entre sussurros e mais sussurros por seu perdão por aquilo que fizera, choraria silenciosamente e dormiria abraçado ao outro.

Ele também sabia que acordaria mais cedo que o loiro e que por mais que o calor que sentia ao tê-lo em seus braços era tudo o que mais queria sentir, se forçaria a voltar para a outra cama e fingir que não se importava, antes que o outro o descobrisse.

- Ainda consegue dizer que sente muito, Uchiha?

A voz fria de Kyuubi soou como uma espada cravando-se em seu peito e Sasuke não conseguia desviar-se a imagem que seu eu do passado não podia ver naquele momento, pois havia deitado de costas, fingindo dormir.

Naruto havia se sentado na cama, suas mãos estavam pressionadas com força contra o próprio peito silenciosamente, enquanto seus lábios formavam palavras sem som.

"E eu amo você, Sasuke, ao ponto de me entregar para morrer no seu lugar."


Bom, é isso por hora...

Espero que tenham gostado.

E um obrigado muito especial a todos vocês que leram e deixaram reviews.

Amei ler cada uma delas.

De fato não esperei receber tantas... rsrsrs

Nos vemos no próximo capítulo.

o/

Um grande beijo a todos.

=3