O lugar onde estava era totalmente fechado, as janelas estavam trancadas e reforçadas com madeira. Tentar abrir a porta seria inútil, não havia nenhum tipo de passagem de ar, Brennan estava aos poucos perdendo o foco das coisa pela falta de oxigênio. Tentou abrir a janela, e o máximo que consegui, foi 30 cm, para poder pelo menos, respirar.
Escutou barulho, era voz de dois homens. Rapidamente se afastou o máximo que pode da porta, até se isolar o canto do quarto, esperando a porta se abrir. Logo que ela abre, Brennan pode ver dois homens, não estavam mal vestidos, uma camiseta social e calça. Não sabia como agir, mas nesse momento a frieza e a grosseria foram as melhores opções.
- Bom dia, doutora...
- Bom dia pra quem, seu idiota? - Brennan acabou levando um tapa forte no rosto.
- Mais educação ok? Desse jeito não vou te devolver inteira para seu namorado - O segundo homem riu - Meu nome é Sheldon, e esse aqui é o Sam, iremos cuidar direitinho de você... - Sheldon passa a mão na coxa de Brennan
Brennan sentiu nojo, e a vontade de vomitar no momento foi muito grande.
- Sam, cuida dessa ai, preciso resolver umas coisas - Disse ele, enquanto ia em direção a porta.
Após a saída de Sheldon, Sam se aproximou de Brennan, chegando bem perto a ponto de beijá-la. A cobriu de beijos no rosto, menos na boca. Brennan se contorcia para tentar sair de perto dele. Rapidamente Sam a soltou e ela se afastou, indo para outro canto.
- Sabe, doutora... É uma pena que uma mulher tão bonita, acaba assim, não é? Creio que ninguém vai gostar de saber que você pode morrer... Ninguém mesmo
Sam se aproxima da parede da porta, onde tinha uma quadro de avisos. Tirou da calça fotos. Fotos de tudo , e deixou em cima da mesinha. Aproximou-se de Brennan e a puxou pelo braço até a parede e a fez olhar para o quadro, ainda vazio. Lentamente pegou a primeira foto.
- Sabe, sei que ela é muito importante para você... - Assim que ele grudou a foto no lugar, Brennan estremeceu, era Angela. - Sei que ela morreria se você morresse...
Brennan sentiu seu estomago virar, só de imaginar de quem seria a próxima imagem. Rebecca.
- Não! Ela não tem nada a ver com isso! - Brennan falou, desesperada
- Cala a boca!
Brennan deixou uma lagrima cair, pensando nas suas amigas. Cam, Angela e Rebecca. Não era culpa delas, elas não deveriam sofrer, como Brennan sofria agora. Parker, a outra foto era de Parker. E Brennan se lembrava do dia em que essa foto foi tirada. Ele e ela haviam ido ao Parker, pois Booth lhe pediu que levasse o filho enquanto terminava o relatório. Todos que passavam, pensavam que eram mãe e filho. Filho...
- Não! Não, por favor! Não o machuquem! Por favor, ele é só uma criança! - Brennan gritava em desespero.
- Esse garoto é mesmo muito importante para você não é doutora? - Sam pegou mais uma foto, e essa fez seu coração parar. Seus filhos...
- NÃO! NÃO! MEUS FILHOS NÃO! É TUDO O QUE EU TE PESSO! NÃO MACHUQUE MEUS FILHOS! - Brennan estava desesperada, podia reagir contra esse homem, mas temia que ele mandasse alguém atrás de uma dessas pessoas, as pessoas que tanto amava.
- Esse homem então? Deve ser o seu homem...
Brennan quase desmaiou ao ver a ultima foto, era uma foto dela com Booth, Parker e os gêmeos.
- Para! Não faz isso! Faço o que quiser comigo! Mas não os machuquem!
FBI
- Vamos cara, antes que alguém saque que vamos atrás da Dra. Brennan, e eu perca meu emprego por não falar a ninguém. - Martin temia ser pego pelo diretor Cullen, o que realmente acabou acontecendo.
- Vocês vão atrás da Dra. Brennan? Sozinhos? - Cullen perguntava totalmente chocado, e bravo
- Cullen, quanto mais rápido eu achar a Bones, menos ela sofre, ok? - Booth dizia enquanto pegava a arma e se dirigia a porta.
- Espere! O senhor não irá sozinho, Agente Booth! Primeiro mandamos uma equipe.
- Não temos tempo para equipe, Cullen! A Bones está em perigo! Nunca o FBI chegou mais rápido do que eu e o Jeffersonian, não vou colocar tudo a perder por causa disso! - Respondeu Booth , totalmente nervoso.
Cullen não sabia o que falar. Impedir Booth de ir, foi uma tremenda burrice, devia ter pensado melhor.
- Ok... Desculpe-me, sei o quanto a Dra. Brennan é importante para você, Agente Booth... Mas eu vou também...
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Cativeiro
Sam não fala nada, e sai da sala, deixando uma Brennan desesperada para trás. Chegou mais perto do quadro e pegou a foto de Booth com ela e as crianças. Se senta no chão e começa a chorar baixinho. Precisava agüentar tudo o que viesse, queria voltar para casa e abraçar fortemente seus filhos, falar para Booth que o amava.
Mas ela sabia que aquilo entre eles não daria certo...
Depois de muito chorar e pensar acabou dormindo.
Duas horas depois
Brennan acorda com gritarias vindas do lado de fora de seu quarto. Eram Sheldon e Sam discutindo.
- Sam, você não está entendendo , de alguma maneira o FBI descobriu o esconderijo, e estão vindo pra cá agora, salvar essa vaca.
Brennan pensou não ter ouvido direito. FBI? Sim, era o FBI, era o governo vindo retribuir toda a ajuda que ela já tinha lhes oferecido. Mas sabia que não era um agente qualquer. Seria o Agente Especial Seeley Booth. O Booth...
- Quantas horas pra eles chegarem? - Perguntou Sam, nervoso
- 3 horas, fiquei sabendo que acabaram de sair da capital.
- Dá tempo de fugir...
Sam e Sheldon entram rápido no quarto onde Brennan se escondia.
- Venha, seus amigos nos acharam mais cedo do que esperávamos.
- Não! - Brennan socou a barriga de Sam, que revidou com um forte soco no ombro, fazendo a gemer de dor.
Mas ela não desistiu, quando Sheldon veio para a briga, Brennan o recebeu com uma joelhada nas partes intimas, o fazendo cair. Quando Brennan achou que podia fugir, Sam deu uma forte batida com a arma dele na testa dela, fazendo-a cair desmaiada.
3 horas depois...
Booth rezava para que Brennan estivesse bem, para que aqueles idiotas não tivessem feito nada com ela. Ao se aproximar da cabana, não notou nada de anormal.
Cullen fez sinal para entrarem, e assim que entram o cheiro de mofo invade a narina dos três. Booth se aproxima do quarto primeiro quarto, nada de mais, uma cama e uma cômoda. Já no segundo, uma possa de sangue enorme.
Booth olhou para Cullen, pedindo desesperadamente que ele lhe dissesse que aquele sangue não era de Brennan.
- Acalme-se agente Booth, não tire conclusões precipitadas...
Booth se jogou no chão. E largando a arma disse...
- Eu só quero minha Bones de volta...
Dentro do carro Brennan gritava, pedindo socorro pra qualquer pessoa que percebesse que havia algo errado dentro daquele carro. Sam, já no auge da paciência, começa a bater em Brennan. Dava tacas, socos e beliscões. Brennan chorava.
Meia hora depois, Sam parou, e começou a teve uma idéia, sabia que era uma tremenda loucura, mas quando percebeu o transito que se formou, viu que era uma boa hora para colocá-lo em pratica.
Destravou rapidamente a porta, e pulou para fora do carro. Saiu correndo em disparada, sentido contrario. Ouvia os gritos de Sheldon e Sam. A xingando, mas não estava nem ai, tinha conseguido escapar. Ouviu tiros, sabia que era da arma deles. Os motoristas de outros carros desciam para ver o que acontecia, mas ao perceber que a mulher fugia dos homens, a aplaudiu, pois sabiam que ela tinha conseguido a liberdade.
Correu muito até seu fôlego faltar. Virou-se e percebeu que o transito continuava, mas que a probabilidade deles estarem a procurando era muito grande, não podia dar bandeira. Percebeu que estava em um bairro de classe media. E depois de um tempo consegui se localizar.
Tinha acabado de sair da Freeway, e se localizava em um local de casas com jardins, e uma vizinhança aparentemente agradável. Precisava de um local para se esconder. Percebeu um senhora colocando o lixo para fora.
- Com licença... - Brennan chegou devagar para não assustar a senhora
- Oh, minha filha o que aconteceu com você? - A senhora a olhou dos pés a cabeça, e notou claramente os roxos na pela branca - Venha menina, vou cuidar de você...
A senhora de mais ou menos 60 anos, a levou para dentro da casa. Enquanto se dirigia com Brennan até a cozinha, passava a mão no rosto de Brennan, tentando tirar o sangue seco que tinha saído do ferimento da testa.
Brennan se sentou na cadeira que a mulher indicou. Rapidamente a senhora abriu o armário e pegou uma caixa de primeiros socorros. Se sentou em frente a Brennan e foi limpando os ferimentos enquanto falava com ela.
- Meu Deus menina, o que fizeram com você?
- É uma longa historia... Será que posso usar seu telefone depois?
- Claro, meu nome é Ruth Kenron, e o seu é?
- Temperance Brennan. Obrigada por cuidar dos meus ferimentos, e a senhora nem me conhece.
- Nunca negaria ajuda minha filha...
E assim que Ruth terminou de limpar e cobrir os ferimentos de Brennan, fez um chá com toradas, para ela comer.
- Tome, coma, precisa se alimentar...
Temperance comeu e quando estava terminando de toma o chá, ambas ouviram batidas na porta, e logo Brennan reconheceu a voz dos seqüestradores.
- Ruth, por favor, se perguntarem por alguém, diga que esta sozinha, e que ninguém apareceu por aqui! - Brennan disse desesperada
- Tudo bem minha filha, se acalme.
Ruth percebeu na cara o desespero da jovem mulher, e foi atender a porta com cautela. E assim que abriu, viu dois homens soados.
- Boa noite senhora, por acaso viu alguém correndo, uma mulher no caso? - Ruth, nada boba, percebeu que o homem que falou tinha uma arma na cintura
- Não senhor, não vi ninguém...
- Bom, obrigado senhora.
Ruth fechou a porta, e se dirigiu rapidamente para a cozinha, onde Brennan chorava baixinho. Ruth se aproximou e tocou seu ombro, fazendo-a levantar a cabeça e a encarar.
- Venha menina, você tem muita coisa a me contar ,mas primeiro vou pegar roupas limpas para você, e poderá tomar banho
- Obrigada...
Meia hora depois, Brennan desce as escadas, totalmente limpa, os roxos de sua pele, agora eram mais visíveis, o que preocupou muito Ruth.
- Diga menina...
- Eu fui seqüestrada há dois dias... Trabalho com o FBI, e estava investigando um caso, no qual homens seqüestram mulheres, e as matam, os seqüestradores estavam me seguindo há muito tempo, e em uma manhã conseguiram me capturar...
- Oh meu Deus... Ligue para alguém menina...
- Não provavelmente os seqüestradores já estão grampeando o telefone daqui...
- Deus do céu...
- A senhora tem algum computador aqui?
- Sim, irei pegar...
- Não! - Brennan a impede rapidamente
- Por que?
Brennan não queria admitir, mas estava com certo medo de ficar sozinha. Precisava da companhia de alguém.
- Tudo bem, está com medo, venha, deite aqui - Ruth se sentou no sofá, e esperou Temperance se deitar com a cabeça em seu colo.
Brennan tira do bolso uma foto que tinha pegado no cativeiro, a foto de sua família. Ruth reparava quando Brennan suspirava. Sabia que aquelas pessoas eram importantes para ela.
- Esse é o Parker, ele é um grande garoto, muito esperto - Brennan começou a explicar - Estes dois são meus filhos. David e Emily Brennan Booth, Emily aprendeu a rir semana passada e David aprendeu a bater palma, desde então enlouquece a mamãe.
Ruth e Brennan riram. Brennan ficou um pouco feliz ao saber que logo, estaria com os dois nos braços.
- E esse aqui é o Booth. Ele é meu parceiro no FBI, meu melhor amigo, pai dos meus filhos e de Parker, que não é meu filho. E o amor da minha vida, eu o amo como nunca amei ninguém. Fui abandonada pelos meus pais, quando o conheci, ele me mudou, eu o amo incondicionalmente por isso... - Brennan bocejou, sabia que estava contando sua historia de vida para uma desconhecida, mas aquela mulher lhe passava uma extrema confiança, parecia que conhecia ela há anos...
- Você pode me contar o resto amanhã minha filha... - Ruth acariciava os cabelos de Temperance.
Ruth, uma mulher que viveu sozinha por anos... Que abriga uma pessoa muito importante na vida dela, Temperance Brennan.
- Eu sei de tudo, Joy Kennan, minha filha... - Diz Ruth, assim que percebe que Brennan dormia profundamente no seu cola...
Joy Kennan... Sua filha...
