Capítulo 4 - O Quadro

Harry nunca tinha trabalhado tanto quanto nesses dois meses, para o término do prazo do contrato e a preparação da festa.

Foram dois meses de noites mal dormidas, mal conseguindo comer direito e adquirindo um estado de fadiga, que mal de deitava em sua cama, já estava dormindo.

Marissa falou que com ela isso também estava acontecendo, por isso quando faltava uma semana para terminar o prazo, eles suspiraram em alegria pois conseguiram terminar antes do prazo.

- Eu não acredito que a gente conseguiu! Os outros que estão trabalhando devem estar morrendo de inveja.

- Marissa, não fale assim. Você sabe que o nosso trabalho se restringe a uma sala e eles têm um castelo inteiro para ajeitar.

- Seu estraga prazer... - disse Marissa com uma careta – Nem nessa hora você me deixa ter um pingo de alegria.

- Você está exagerando.

- Estou não.

- Sim, está.

- Não, não está.

- Pare como isso. Você está parecendo uma criança birrenta.

- Tá.

- Você vai parar? – Perguntou Harry, estranhando a reação da amiga – Fale logo! O que você está escondendo.

- Não est...

- Marissa. – disse Harry num tom sério.

- Certo, pode ficar calmo – disse Marissa, mas seu rosto começou a denunciá-la, pois começou a sorrir de maneira assustadora.

- Você está me assustando.

- Você que saber mesmo, o que está acontecendo?

- Sim.

- Você não sabe dar respostas mais completas e não monossilábicas?

- Não.

Marissa bufou e Harry riu, pois estava provocando ela, porque sabia que ela odiava esse tipo de conversa.

Respirando fundo para se acalmar, ela respondeu:

- Parece que alguns de nós seremos convidados para a festa, para podermos meio que comemorar o término da restauração.

- Está brincando, não é. – disse Harry espantado.

- Não estou. O próprio Henry confirmou para a equipe antes de você chegar.

Harry ponderou. Se Henry, o assistente pessoal de seu chefe disse isso, deveria se verdade.

- A propósito Harry – disse Marissa, tirando ele de seus desvaneios – Você tem que aprender a chegar cedo.

- O que você está insinuando?

- É que desde que nos mudamos para trabalhar nesse projeto, você sempre chega atrasado, e eu estou estranhando, pois desde que nos conhecemos, você sempre foi o primeiro a chegar.

Harry se calou perante o comentário. Desconfiava que a amiga estivesse preocupada, mas não pensou que percebesse tanto.

Não conseguia chegar cedo, pois não dormia direito a noite devido aos pesadelos que tinha desde que se mudou. Parecia que algo naquele castelo o assombrava, e não queria o deixar em paz. Por isso se atrasava, por que, quando conseguia descansar um pouco, já estava perto da hora de começar o trabalho.

- Não é nada. Não se preocupe.

- Tem certeza.

- Sim, tenho.

- Tem mesmo.

- Céus Marissa, você parece minha mãe agora.

Fazendo uma careta com o comentário, ele respondeu:

- Como é? Sua Mãe. Cara, se eu tivesse filhos, eles seriam muito mais bonitos, inteligentes, meigos e doces, como eu.

- Nem um pouco convencida, não é.

- É – disse mostrando a língua.

- Marissa, sobre essa festa, eles disseram quantos vão ser convidados e de qual a área?

- Sim, disseram. Parece à área não importa, dizem que eles mandaram um consultor para nos observar trabalhando e eles irão escolher aqueles que mais de destacaram.

- Isto é interessante.

- hum...humm... Agora a coisa importante será que nós seremos convidados?

Antes pudesse responder, bateram na porta da sala onde Harry e Marissa trabalharam durante esses meses.

- Será que estou interrompendo?

- Não Henry – disseram ao mesmo tempo.

- Vocês me assustam, quando fazem isto.

- Certo fofo – disse Marissa provocando Henry, - Não preste atenção ao que falamos.

O rapaz ruborizou com este comentário. Mas logo se recompôs.

- Vocês já terminaram os quadros? O chefe quer observá-los antes de liberar vocês.

Dessa vez, foi Harry que respondeu.

- Sim terminamos, pode avisar a ele.

- Certo. Esperem um momento que vou chamá-lo. – disse o rapaz saindo da sala.

Quinze minutos depois, ele volta acompanhado do chefe.

- Sr. Potter e Srta. Smith. Vejo que não preciso me preocupar com o trabalho de vocês.

- Sim, Sr. Clark.

- Harry, quando podermos botá-los em exposição?

- Depois de amanhã senhor.

- Excelente. Vocês já podem ir. Henry, você também, pode ir descansar.

- Obrigado e até logo senhor – disseram os três.

- Harry, você poderia ficar mais um pouco preciso conversar com você.

- Certo Senhor – disse Harry estranhando, parando no marco na porta. – MARISSA! – gritou chamando atenção da amiga.

- Sim. – disse um pouco alto, pois tinha se afastado, enquanto conversava com Henry.

- Vou demorar um pouquinho. Não precisa me esperar.

- Tudo bem – respondeu ela – me liga quando chegar em casa certo.

- Pode deixar. Tchau!

- Tchau!

De volta a sala, Harry esperou o chefe falar.

- Sr. Potter posso lhe pedir um favor?

- Claro Sr. Clark. O que é?

- Bem... Como vou explicar. Os colaborados pediram a restauração de um quadro em especial, e eu queria que você, "só você" disse enfatizando a frase, trabalhasse nele. Olha, sei que trabalhou muito nesse projeto e está cansado, mas confio somente na sua capacidade para restaurar este quadro. Você tem até o dia da festa, para trabalhar nele e não se preocupe em estar invadindo, pois soube que você será um dos empregados convidados da festa.

- Eu não sei, Sr. Clark.

- Harry, pense bem, é uma oportunidade que você não encontra todos os dias, você ganhará uma compensação a mais para trabalha nesse quadro e poderá se divertir na festa.

Harry, pensou nas palavras do cheque e suas vantagens e desvantagens.

- Tudo bem. Eu aceito.

- Excelente. A propósito Harry, uma das condições que colocaram para a este trabalho é que o quadro não seja removido de onde está e que você não fale com ninguém sobre ele.

- Tudo bem. Já trabalhei sobre estas condições.

- E... Bem... Você teria que se mudar para o castelo para trabalhar nesse quadro.

- O QUÊ?

- Calma rapaz, é só até o baile, você ficará num dos quartos dos hóspedes e terá tudo que precisa.

- Desculpe a minha reação senhor – disse envergonhado.

- Não se preocupe. Você pode se mudar amanhã?

- Claro – disse Harry sem muita convicção, pois temia dormir no castelo, porque se ele tinha pesadelos dormindo próximo, imagine dormindo dentro dele. Harry tinha certeza que as cenas que via em seus pesadelos, pertenciam a um dos quartos do castelo.

- Perfeito. Agora me acompanhe, que vou mostrar onde você vai ficar e lhe mostrar o quadro.

Havia uma certa movimentação no castelo enquanto eles caminhavam em direção aos andares superiores.

Eram malas, empregados, decorações...

- Há. Parece que os senhores já estão chegando.

- Humm...

- Quem nos contratou. Vão chegar com dois dias antes da festa, por isso mandaram os empregados organizaram a chegada. Parece que serão o casal e seus dois filhos, além de alguns convidados da família.

- Não será estranho eles chegarem e me encontrarem dormindo em um dos quartos.

- Não. Não Será. Pois foi a senhora que o convidou para a festa, ela está impressionado com seu trabalho, e queria conhecê-lo pessoalmente, para conversar sobre alguns trabalhos.

- Me conhecer?

- Sim, você. Harry você é talentoso, por isso ele quer vê-lo pessoalmente. Você é um excelente artista, não duvido se você começasse a pintar poderia vender seus quadros por um valor elevado.

- Obrigado senhor – disse Harry ruborizando pelo elogio do chefe. Sempre gostou de pintar, embora quando criança não tivesse oportunidade. Por isso quando foi estudar artes, pintou alguns quadros que estão guardados na casa que dividia com Marissa em Londres.

- Pronto. Este será seu quarto – disse mostrando rapidamente – e aqui – alguns metros depois – será onde trabalhará. – disse entrando num estúdio de musica onde um quadro estava pendurado num cavalete, coberto com uma manta.

- Senhor, é esse o quadro.

- Sim é. Você quer olhá-lo.

Acenando com a cabeça Harry confirmou.

- Fique a vontade, pois o artista aqui é você.

Com esta resposta, Harry foi até a peça e retirou a manta.

A primeira imagem que viu foi de olhos verdes iguais aos seus o encarando.

Era a imagem da garota que ele vinha sonhando.

A garota que aparecia em seus pesadelos.