Capítulo 7 – Início da Festa

- Mãe! A senhora deveria ter visto. Ele era tão lindo. Não. Bonito. Não. Belíssimo.

Amelie tagarelava para a mãe sobre seu encontro com Harry, enquanto se arrumava para sua tão esperada festa de aniversário.

Narcisa nunca tinha visto a filha falar com tanto entusiasmo sobre alguém, nem mesmo com Draco, já que eles eram bem próximos, mas percebia uma espécie de fascínio envolvendo as histórias que Amelie contava sobre esse encontro. Ela ouviu pacientemente enquanto ajudava Amelie a colocar sua fantasia de Alice.

Amelie tinha contado como encontrou com ele, a conversa estranha que houve no início, ele falando do trabalho dele. Nesse ponto Narcisa se surpreendeu, pois sua filha caçula tinha falado com restaurador do quadro de Helena, pelo que tinha percebido na explicação, e mais importante foi que aparentemente esse encontro fez com que Amelie perdesse parte da animosidade que tinha pelo quadro.

- Querida, fique parada um minuto, eu não consigo terminar de ajeitar o seu cabelo.

- Desculpe mãe.

- Agora fique quieta. – Narcisa ajeitava um grande laço de cor preta sobre a cabeça da jovem. – Pronto. Agora está perfeito.

Amelie levantou-se e foi em direção a um grande espelho que possuía em seu quarto para visualizar melhor sua fantasia. A fantasia era versão de luxo de roupa de Alice, não seguindo totalmente os moldes da história. Era um vestido curto da cor azul turquesa, com toque acetinado, possua um detalhe em branco no centro e frente do vestido que mostrava pequenos laços de cor preta, além de usar luvas 3/4 pretas e meias 7/8 brancas com detalhes de xícaras e acabamento em renda e um laço azul, terminado com sapatos tipo Mary Jane.

Em sua cabeça para completar o visual vinha um grande laço preto que contrastava com seu cabelo louro, que agora estava cacheado devido a ajuda de sua mãe.

- Como estou! – disse dando uma volta para sua mãe visualizar.

- Perfeita. – Narcisa disse dando um sorriso – Mas eu ainda não acredito que seu pai concordou, com a fantasia que você escolheu.

- Por favor mamãe, se dependesse dele eu iria com uma roupa vitoriana, um vestido bufante e bastante grande.

- Você sabe que ele está tentando...

- Sei como nas outras vezes e eu acabo descobrindo das roupas ridículas. Dessa vez, se não fosse o Draco, eu não teria descoberto, pois ele acabou soltando um nome sem querer.

- Eu escutei meu nome.

- Draco! – Amelie gritou quando seu irmão entrou no quarto, indo correndo abraçá-lo.

- Calma, pequena dama, deixe-me olhar para você.

- Que tal, não está melhor que aquele vestido que o papai tinha escolhido, não é?

Fazendo uma careta, ele respondeu:

- Eu acho que está muito curto – vendo a cara de indignação da irmã – mas, - completou rapidamente – está perfeito em você, e hoje é sua festa e você escolhe.

Dando um grande sorriso, Amelie acena para o irmão e volta-se para sua mãe.

- Mãe estou indo quero curtir o máximo da minha festa de independência.

- Pode ir querida – disso de modo simpático – Espere! - disse a filha quando essa quase saiu correndo do quarto – Onde vai com tanta pressa.

- A senhora sabe por que – dando essa resposta foi embora em direção ao salão onde ocorria a festa.

- O que foi isso?

- Estou tentando descobrir. – disse Narcisa sorrindo.

- Bem, agora o que interessa, onde está o quadro e quem trabalhou nele?

- Draco – disse a mãe balançando a cabeça de forma negativa – você não pode esperar um pouco.

- Não.

- Está bem. Se quer saber, pergunte a Amelie – disse Narcisa, se dirigindo a porta para ir em direção a festa.

- Como assim? Ela acabou de sair.

- Você vai ver.

Com isso a senhora deixa o quarto e seu filho fica perdido em pensamentos sobre o comentário.

"O que ela quis dizer?" – pensou Draco, indo procurar sua irmã, para saber de sua amado quadro.

XxXxXxXxXxXx

- Pode parar! – gritou Marissa quando Harry tentou sair do quarto.

- Que foi?

- Como assim o que foi? Você não vai sair com esses óculos. Vamos ponha as lentes de contato.

- Não. Odeio essas coisas.

- Grande! – disse Marissa exasperada. Ela tinha chegado há uma hora e estava tentando fazer Harry colocar umas míseras lentes de contato.

- Me deixe ir assim.

- Gênio, se você não percebeu, a sua fantasia tem uma máscara e não dá para usá-la com os óculos.

- Então eu não uso. – disse Harry irritado.

- Harry! – disse Marissa, tentado puxar algum pedaço de paciência. – Não vamos a uma festa a fantasia com muita frequência, você pode, por favor, cooperar dessa vez, eu sei que você odeia as lentes, mas usá-las por uma noite não vai matá-lo e você pode botar os óculos no bolso. Assim quando a festa estiver perto de terminar, você tira as lentes e coloca os óculos.

- Está bem – Harry respondeu dando um suspiro cansado.

- E mais importante, sua fantasia não combina com óculos. Vamos, coloque as lentes e a máscara e vamos nos divertir.

- Tá, vamos sua tirana sádica.

- O que?

- Nada.

- Harry, se você não fosse gay e eu não fosse eu, e eu te visse pela primeira vez, eu daria em cima de você. Está demais nessa fantasia.

- Você acha? Eu a escolhi por ser simples.

- Pode ser simples, mas em você ela fica deslumbrante e ainda combina com seus olhos.

- Pode ser. Agora vamos Maria Antonieta, vamos nos divertir.

- Sim vamos, esse é o espírito.

XxXxXxXxXxXx

Amelie estava frustrada, quando estava no salão foi recebida pelos convidados, pelos amigos, sócios de seu pai, amigos de Draco, todo mundo, menos a pessoa que passou a última hora procurando.

Quando ela saiu do quarto para procurar Harry, seu pai a interceptou no meio do caminho para começar a os preparativos. Isto na linguagem de deu pai quer dizer, você vai descer, se portar como uma dama e depois tudo que foi planejado for concluído, poderá se divertir.

Não tendo muita escolha, foi recepcionar os convidados e se tivesse sorte esbarrasse em Harry. Mas como parecia, sua sorte tinha ido passear, e foi com grande alívio que tudo terminou, seu pai a tinha liberado para rodar o salão. Ele sabia, ela sentia isso profundamente, que estava escondendo algo, mas como um digno Malfoy não disse nada em público. Mas Amelie tinha certeza que iria confrontar o Senhor Malfoy muito em breve a respeito do assunto.

Sentindo-se um pouco sufocada, decidiu ir passear no jardim um pouco para espairecer, estava tão distraída que não percebeu a presença de uma pessoa atrás dela. E assim acabou levando um grande susto quando essa pessoa falou.

- Feliz Aniversário! Senhorita distraída.

- Harry! Que susto, não faça isso novamente. – dizendo isso, virou-se, pois tinha se apoiado num coreto, antes de Harry se aproximar.

- Tudo bem. Mas é a segunda vez que dou um susto na senhorita por ela está pensando demais e não observando as pessoas ao redor – disso sorrindo.

- Muito engraç... – Amelie ia dar uma réplica daquelas, mas quando se virou para olhar Harry, ficou chocada com a aparência dele. Se ele com roupas casuais ficava bonito, com a fantasia que ele usava ficava belíssimo.

Era uma fantasia de arqueiro, pelo que ela pode observar, ele usava uma blusa branca de por baixo de um colete e uma capa com capuz que no momento estava abaixado, o colete e a capa eram de tons de verde diferentes que realçavam os olhos de dele, além disso, usava um par de botas pretas que iam até o joelho, por cima de uma calça caqui que realçava suas coxas, além de carregar um arco nas costa e para completar a fantasia, usava uma máscara negra, com detalhes e prata e verde no rosto.

- Uau, cara você está demais.

- Você acha? – mesmo por traz da máscara que ele usava, Amelie percebeu que ele ficou vermelho como um tomate.

- Humm... Humm... Senhor pimentão.

- Ei eu não estou vermelho – e para contradizer o comentário, ele ruborizou ainda mais.

- Sei – disse Amelie rindo.

- Por que está aqui fora e não lá dentro?

- Bem, meio que estou fugindo.

- Da sua própria festa? – ele olhou Amelie meio cético.

- Deixe-me explicar direito. – dando um suspiro continuou – Não conheço a maioria das pessoas lá, alguns dizem serem meus amigos, mas tenho certeza que é por puro interesse, devido à posição do meu pai no co... – Amelie se calou, quando percebeu que iria falar o que não devia.

- Co...?

- Você não quer saber – disse abanando as mãos com descaso – Mas resumindo, eu ficaria feliz na minha festa, só por provocar meu pai e irmão, devido a esse tipo de situação, mas como eu conheci você... – Amelie falou sussurrando a última parte.

Harry quase não entendeu o que ele falou, mas depois de compreender, deu um sorriso simpático, e comentou:

- Então sou seu amigo especial! – falou em tom jocoso.

Ruborizando um pouco, ela disse: - É... Você é a primeira pessoa que eu considero um amigo, mesmo você sendo humano.

- Humano?

Percebendo a falha, Amelie mudou rápido de assunto.

- Você quer conhecer o salão dos espelhos?

Harry notou que sua jovem amiga, quis desviar do assunto por isso não insistiu e acenou afirmativamente para ele sobre visitar o tal salão.

- Então vamos, você irá adorar, é em minha opinião um lagar mágico, fica no meio do jardim leste.

- É aquela construção no meio do labirinto vivo?

- Sim, como sabe?

- A sala de música onde trabalhei, dá uma vista deste labirinto, por isso sei onde fica, mas nunca pensei que a construção do meio fosse uma salão de espelhos.

- De longe ninguém percebe, mas quando nos aproximamos, vemos quão grande ele é, por isso está lá, para manter o mistério.

- Esse labirinto é tão grande assim para esconder essa construção.

- Não. Mas é a floresta atrás dele que esconde o tamanho, o que vemos no labirinto é somente a entrada do salão.

- Está brincando, não é?

- Nope.

Harry não acreditava no que ela estava dizendo. Ele tinha visto parte da estrutura pela janela, quando parava para descansar do trabalho do quadro e ficava sempre imaginando o que era, mas não esperava isso.

Estava tão concentrado nas lembranças dos dias de trabalho, que não tinha percebido que Amelie o tinha levado para lá.

- Bem, aqui estamos.

- O que? – perguntou confuso.

- Na entrada.

Foi nessa hora que ele percebeu que eles tinham andado o caminho todo do labirinto e estavam na frente da entrada do salão.