Capítulo 9 – Conversa Sombria

Frio.

Era o que Harry sentia no lugar onde ele foi levado a força. Ele não sabia onde estava e por que o levaram. A última coisa que se lembrava era de estar esperando o irmão de Amelie, Draco, em frente a um espelho enquanto ele olhava se tinha alguém observando eles. Depois se lembrava de Draco virar e olhar para ele chocado e depois com raiva. Pensava que tinha feito algo para deixá-lo assim, mas logo em seguida, soube o motivo súbito da raiva quando um par de braços o agarrou.

A sensação era horrível, a pessoa ou coisa que o tinha agarrado levou Harry a ter um mau pressentimento, algo que com certeza ele não iria gostar, pois logo que sentiu esses braços o envolverem tentou se libertar, se debatendo com o máximo da força que possuía, mas não adiantou muito.

Depois disso, ele não se lembrava de muita coisa, pois tinha desmaiado. Não era por medo, se bem que ele estava apavorado, mas era pela sensação que a criatura que o tinha pegado lhe dava.

Harry olhava ao redor tentando descobrir onde ele estava, ou melhor, como sair dali. Estava sentado próximo a um tronco de uma árvore e ainda era de noite, não sabia exatamente à hora, o ar próximo a ele era úmido, e pela aparência do lugar, ele achava que estava num pântano ou próximo a um.

Mas o lugar era estranho. Ele não escutava nenhum tipo som, nada, nenhum animal, nem mesmo o som de insetos, nenhuma brisa passava pelas árvores que de tão emaranhadas elas estavam. O cheiro da vegetação era tão forte que o fazia ter ânsias de vômito. Era como se aquele lugar fosse esquecido. Onde espíritos ficam vagando em busca de vingança.

Medo.

Desespero.

Morte.

Eram essas as palavras que vinham à mente de Harry naquele momento e ele não gostava nem um pouco. Ele precisa sair daquele lugar.

Quando tentou se levantar percebeu que estava acorrentado a uma árvore de troncos negros, seus galhos formavam um emaranhado que dava a ela um ar assustador e dava a impressão que ela estivesse sugando sua energia. Harry percebeu que duas correntes prendiam seus pulsos a mesma, e que alguém o tinha deixado ali como isca ou para algum tipo de sacrifício.

- Ora... Ora... Vejo que meu convidado finalmente acordou.

Quando escutou essa voz, Harry em muito tempo teve vontade de chorar, parecia na época em que seus pais tinham morrido. Era essa voz que ele ouvia em seus pesadelos quando criança e por causa disso, seus tios brigavam direto com ele.

- Sim... Vejo que se lembra de mim, não é pequeno Potter. – disse sorrindo de modo assustador.

Harry só olhava para ele como uma criança assustada.

- Eu só estava observando o jovem Malfoy, para descobrir sua rotina e para minha surpresa, você estava com ele, o pequeno Harry James Potter, o mundo não é pequeno. Você não se lembra... A primeira vez que vi você, era só um bebezinho, não mais de um ano, seus pais, aqueles tolos idiotas, pensaram que podiam se esconder de mim. Eles bem que tentaram, conseguiram por uns cinco anos, não é, até que lidei com eles de forma apropriada, pois não quiseram dizer para mim algo de essencial importância.

- Do que você está falando?

- Agora fala! Pensei que fosse mudo... Parecia quando me olhou de modo assustado. – falou encarando o rosto de Harry – Bem... Onde eu estava... Sim, seus pais... Eles tinham a resposta para o que eu tenho procurado há muito tempo. Mas infelizmente, minha tentativa de persuasão terminou com a morte deles. Também tinha pensado que você tivera o mesmo fim, mas parece que sua sorte esta a seu favor não é. Agora me responda pequeno Harry, você sabe o que procuro, ou se tornará tão inútil como seus pais.

- Eu não sei o que você quer!

- Não? Então vou lhe explicar e preste atenção, pois não vou repetir.

Harry observava a figura andar ao redor da árvore em que estava preso, esperando algum tipo de iniciativa.

- Sabe... Faz um tempo que procuro algo peculiar... Algo único... Dizem que quem o possuir terá poderes inimagináveis. Alguns anos atrás, eu ouvi a história a respeito de um objeto, que se utilizado de maneira correta, poderá dar a imortalidade a quem o possuir, imagine... Vida Eterna...

- Você é louco!

- Louco – disse rindo – Não, meu caro Harry, sou um visionário.

- E o que eu tenho com isso? – disse Harry desconfiado e temeroso.

-Sabe, o único jeito de encontrar esse objeto é através dos olhos de um oráculo. Mas hoje em dia, são raros de encontrar, principalmente por que eles têm que ser virgens. Mas seus pais sabiam a existência de um e eu precisava muito dessa informação. Como eles não me puderam falar devido ao seu infeliz acidente, tenho que perguntar a você... Então me diga pequeno Harry, você conhece alguma jovem que possui habilidades especiais como, vejamos premonições ou o dom de acalmar as pessoas.

- Eu não conheço nenhuma. Não tenho muitos amigos. – falou de maneira cautelosa.

- ESTÁ MENTINDO! – gritou a figura sombria.

Se aproximando de Harry e puxando seus cabelos para que ele pudesse encará-lo, a figura perguntou:

- Diga, você conhece?

- Não. – sussurrou Harry, com medo da reação do estranho. E comentando a sentir uma fraqueza inesperada.

- Parece que você diz a verdade... Pena que você não possa continuar a viver agora que sabe demais. E não quero arriscar que os Malfoys descubram o que estou planejando.

- O que? – falou Harry sentindo sua visão ficar meio turva.

- AAhhh... Você não sabe... Há alguns anos tive o desprazer e ao mesmo tempo o prazer de conhecê-los, principalmente seu primogênito, Draco, e sua encantadora noiva Helena. Como era bela... Perfeita...

Harry olhou assustado com a confissão, lembrando-se do quadro que restaurara e sua suposta idade, se isso fosse possível e a história que ele contava fosse verdadeira, a figura insinuava que a família Malfoy tinha mais de duzentos anos de existência.

- Isso é impossível! Ninguém vive tanto.

- Tem certeza? – zombou – Harry – pronunciou alisando o rosto do jovem e esse tentou se esquivar, causando um acesso de riso da criatura – há coisas nesse mundo que você não pode imaginar.

Se afastando de Harry, ele continuou:

- Helena... Bela como uma flor do campo... Um oráculo poderoso. Parecia que ela não tinha muitos poderes premonitórios, mas tinha uma habilidade sem igual de acalmar até a mais terrível criatura... Sabe... Ela nem desconfiava, parece que seu amado noivo não criou coragem de revelar esse segredo, ele que tanto confiou nela, que expôs o segredo mais íntimo de sua família, mas não disse para ela a única coisa que poderia ter salvado sua vida.

Tendo um mau pressentimento a respeito do rumo dessa conversa, Harry perguntou:

- O que você fez com ela? – temendo a resposta, mas tendo a impressão que já a conhecia.

- Eu simplesmente lhe ensinei uma lição. – falou de maneira calma – Ela ousou me contrariar – comentou irado – Três dias antes de seu casamento tentei convencê-la a colaborar, mas ela me ignorou, e disse que não ajudaria uma criatura como eu, imagine ajudar... Eu estava mandando... Mas não, ela falou para Malfoy e por causa disso fui caçado. Como não consegui de maneira gentil, fui buscá-la. Qual foi a minha surpresa, quando descobri o que ela tinha feito, dava para perceber em seus olhos, fiquei com tanta raiva, que simplesmente a matei como uma forma de vingança contra aquele que me desafiaram e me roubaram meu querido mapa.

- Mapa?

- Sim! O mapa e a chave! Somente um oráculo encontra a fonte de poder e somente ele poderá tirá-la de seu lugar, bem, parece que ele entra vivo e sai morto. Não sei como, mas vou descobrir. Mas Helena tinha que estragar tudo...

- O que ela fez?

- Isso não é da sua conta. Onde estávamos... Sim, eu ia matá-lo.

Dizendo isso a criatura se aproximou de Harry e sorriu diabolicamente para ele.

Foi nessa hora que ele viu na boca do mesmo um par de presas.

-NÃO! Você é um vampiro. Vocês não são imortais.

- Não seja ridículo, não me compare com essa escória noturna. Eu sou a evolução. Um ser único. Sim os vampiros são imortais, se você não atacar seus pontos fracos. Mas eu sou o futuro senhor de todos. Agora pequeno Harry, vamos ver qual é cor de seu sangue e assim eu possa tomar sua juventude.

Sentindo a cor de seu rosto ser drenado, Harry lutou com toda a sua força, mas tudo foi inútil quando em um único movimento acabou imprensado na árvore sentindo os dentes da criatura próximos ao seu pescoço.

Quando sua esperança tinha acabado. Viu a figura se afastar e se posicionar em forma de defesa.

Foi então que ouviu um grito próximo a eles.

Ele encarou a figura elegante que acabara de aparecer. Mas que no momento parecia selvagem. Com um olhar puro de fúria.

Era Draco.

Então ele percebeu que a criatura falou era verdade, pois nesse momento Draco parecia saído de um pesadelo, com olhos vermelhos e presas presentes em sua boca.

Ele era um vampiro.

Quando se aproximou foi que ele pronunciou o nome de seu pesadelo.

- VOLDEMORT! Hoje você não escapa com vida. – disse de maneira sombria.

E foi nesse momento que Harry apagou...