Capítulo 11 – Você não manda em mim
Draco observava o jovem dormir tranquilamente em sua cama no quarto em que ocupava no castelo, parecia que nada tinha acontecido com ele, horas atrás.
Amelie quase teve uma síncope quando viu Draco chegar carregando Harry nos braços e perguntou para o irmão de modo desconfiado o que havia acontecido. Mas preocupou-se imediatamente com Harry ao ver seu estado e disse que perguntaria para ele o que aconteceu depois.
Chamara seu pai para contar o ocorrido e o mesmo ficou extremamente preocupado, pois Voldemort ficava mais poderoso com o passar dos anos, tornando-se um inimigo altamente perigoso.
Enquanto via o jovem dormir, Draco se perguntava o que levou Voldemort a sequestrá-lo na sua frente. Não era provocação, isso ele tinha certeza, era algo de grande importância para o monstro e o garoto tinha a resposta.
Olhando em direção a cama, percebeu um movimento, indicando que o jovem estava despertando. Por isso, se aproximou dele para ver sua situação.
Quando estava próximo do rosto de Harry, o mesmo levantou-se rápido e olhou para ele de modo confuso e perguntou apressadamente:
- Draco? Onde estou? O que aconteceu comigo? – disse Harry em pânico.
- Calma... – empurrando Harry de volta a cama, que no seu desespero tentava levantar.
- Calma! Você pede para ter calma! Eu fui sequestrado!
Surpreendendo-se pela reação agitada, Draco o questionou:
- Você se lembra?
- Claro que me lembro – falou nervoso – é impossível não lembrar.
- Bem, pensei que nessa situação você poderia achar que foi um sonho.
- Nem todos os sonhos são tão reais e terríveis.
- O que quer dizer?
- Você esqueceria alguma coisa ou alguém que lhe fez muito mal ou tirou de você o que mais importava?
- Acho que não – Draco desviou seu olhar do de Harry perante essa pergunta.
Mudando totalmente de assunto Harry falou.
- Ele me falou de Helena.
- O QUE? – exasperou-se diante do comentário, mas acalmou-se quando viu Harry encolher-se na cama.
- Desculpe... – sussurrou para Draco.
- Não se desculpe, eu me excedi com você. É que Helena, é um assunto complicado.
- Entendo... Bem... – Harry continuou – Ele falou que ela lhe fez algo e por isso a matou – falou observando atentamente os olhos prateados de Draco e completou de modo cauteloso – Eu sei o que você é...
- Eu sei, por isso estava esperando para você acordar, para podermos conversar.
- Conversar o que?
- Bem, você provavelmente...
- Não termine, deixe-me adivinhar... Você vai me dizer que estou tendo uma alucinação e que não vi nada daquilo. Que foi um sonho e que eu desmaiei no salão de espelhos e que depois você me trouxe prá cá preocupado – comentou exasperado.
Draco olhou chocado para Harry, pois era exatamente isso que ele estava pensando em contar, para conseguir manter o segredo de sua família.
- Como você sabia disso?
- Sabia o que?
- Que eu ia falar isso com você?
- Você ia... – olhou o outro não acreditando na coincidência – Eu... – Harry ficou pensativo, pois ele não tinha certeza, por que um pouco antes de acordar, ele tinha sonhado com essa situação.
- Sim? – insistiu Draco.
- Eu... Sonhei com isso.
- Como assim sonhou? – Draco não gostava nem um pouco o rumo que esta conversa estava seguindo.
- Bem... Eu sonhei com essa exata situação, parece loucura, mas eu me vi acordando, você se aproximando, falando as mesmas coisas que falou agora apouco. Até os movimentos eram iguais. A única coisa diferente é que eu acabei me descontrolando e você me olhou chocado... – disse isso de forma rápida. Depois percebendo que Draco tinha falado depois de sua explosão – Como assim ia falar aquilo, então você ia me enganar?
- Não. Eu iria somente...
- Deixe me adivinhar... Você diria omitir certos fatos.
- O que? – olhando descrente em direção a Harry.
Não acreditando, Harry perguntou:
- Você pensou, não foi?
- Sim – respondeu Draco de forma sincera – Entenda o meu lado, eu deveria dizer que você viu coisas e você deveria pensar que era um sonho, pois esse segredo é mantido por séculos e não podemos nos denunciar por que...
- O povo é burro e entra em pânico. – zombou sarcasticamente.
- Certo – resmungou desconfortável – Isso já está ficado estranho.
- Você acha? Eu não consigo controlar isso, parece até a época em que me mudei para cá para trabalhar aqui e comecei a sonhar com o assassinato de Helena... – percebendo que falara demais, Harry tampou a boca com as mãos.
- Você sonhou com a morte dela? – falou Malfoy estreitando os olhos.
- Sim... – Sussurrou Harry – Eu não conseguia controlá-los. Durante todas as noites, durante os meses de trabalho de restauração do castelo em que aluguei uma casa próxima, eu tinha pesadelos sobre uma garota que era morta. Mas quando me mudei para o castelo e comecei a trabalhar no quadro, foi quando os sonhos pararam e depois descobri que o nome dela é Helena, através de Amelie.
- Você se lembra do sonho todo?
- Na verdade não, só de algumas partes, pois quando acordo ficam mais as sensações.
- E essas sensações?
- Pode parecer estranho, mas primeiro sinto medo e surpresa, depois uma sensação de desapego e por último tenho a impressão de alívio e...
- E?
- Você não vai gostar de ouvir.
- Tente.
- Humm... Parecia que ela estava se desculpando e aceitando o que ia acontecer com ela. Tive a impressão que Helena deixou Voldemort matá-la.
- Isso é impossível! Helena nunca faria isso! – comentou Draco irado.
- Calma... Só relatei as impressões, não sei se ela aceitou morrer ou não, só parecia, além disso, eram só sonhos.
Tentando se acalmar, Draco começou a andar ao redor do quarto. Enquanto isso, Harry o observava cauteloso e se perguntava o que aconteceria com ele.
Tentando se levantar, Harry acabou chamando a atenção do outro ocupante do quarto.
- Onde você pensa que vai?
- Humm... A natureza chama... – falou sem jeito.
- Certo – dando espaço para o outro ir ao banheiro.
- Você poderia se retirar, para eu puder tomar uma banho e tirar essa fantasia.
- Fique a vontade. Mas depois gostaria que continuássemos essa conversa.
- Certo.
Harry observou o outro sair para poder se acalmar. A noite passada tinha sido um verdadeiro pesadelo. Ele pode constar, ele tinha ficado inconsciente o dia todo e já era a noite do dia seguinte. Ele não sabia o que fazer ou pensar.
Decidindo esquecer os recentes acontecimentos, foi tomar um banho, se trocar e tentar descansar mais um pouco.
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Em escritório do castelo, pai e filho, conversavam sobre os acontecimentos recentes.
-... Ele simplesmente sabia o que eu ia falar, as palavras exatas, sem tirar nem por, a situação estava ficando tão estranha que decidi fazer o que ele pediu.
- Você tem certeza? – Perguntou o Malfoy mais velho.
- Absoluta. Também Amelie me contou que quando estava perto dele começava a se acalmar.
- Interessante... Mas por outro lado temos que verificar o que Voldemort queria com esse jovem. E se o que relatou e viu for verdade. E esse rapaz tem essas habilidades, como a de acalmar como Helena, temos que protegê-lo e você sabe por que.
- Eu pensei nisso também. Mas estou preocupado. Se Harry não concordar. Pai, não quero outra morte em minhas costas.
- Draco, pare de se culpar. A morte de Helena não foi sua culpa. E se depender da atual situação, não deixaremos que Voldemort mate o rapaz.
- Sim, senhor.
- Entretanto, temos que dar um voto de confiança para ele e contar a verdade.
- Como assim?
- Contaremos toda a verdade. A nossa história e de nossa família, a nossa condição, a maldição e se o rapaz for o que pensamos, contaremos sobre o que ele é. Que pelo seu relato é a mesma situação de Helena.
- Não podemos contar tudo e se ele não for de confiança.
- Sei disso, mas pense, se ele for, teremos que protegê-lo custe o que custar, para que a mesma situação não ocorra novamente.
- O que o senhor está insinuando?
- Estou lhe dizendo que se tivéssemos contado tudo para Helena, talvez ele não tivesse morrido. Se soubesse o que era capaz de fazer, sua morte não teria ocorrido e vocês estariam casados até hoje.
Draco sabia que seu pai estava certo. Ele mesmo já pensara nessa possibilidade milhares de vezes. Mas ele não poderia mudar o passado, por isso acabou concordando com raciocínio de seu pai.
- Entendo e concordo com senhor.
- Excelente.
- Como o senhor irá fazer ele concordar?
- Eu não Draco, será você que vai explicar a situação e protegê-lo, de preferência pessoalmente.
- O QUE?
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Saindo do quarto, depois de descansar, e decidindo andar um pouco para pensar no que ele tinha se metido. Harry percorria os corredores do castelo sem prestar atenção aonde ia, quando de repente decidiu ver como estava o quadro de Helena.
Voltando para o quarto para pegar a chave para abrir a porta da sala de musica, onde tinha restaurado o quadro de Helena nas últimas semanas, se dirigiu para o tal salão.
Aquele lugar e o quarto que ocupava eram os lugares que se sentia mais a vontade.
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- Onde é que ele está? – Draco estava frustrado, já estava a alguns minutos andando pelos corredores procurando Harry.
Quando tinha chegado ao quarto que Harry ocupava, deparou-se com o mesmo vazio. Primeiro pensou que ele tinha fugido, mas os pertences do rapaz ainda estava no quarto. Foi quando um pensamento passou por sua cabeça. O quadro de Helena.
Draco não sabia por onde procurar, uma das desvantagens de morar em castelo é que eles eram grandes, cheios de corredores e passagens secretas. Foi nesse momento que um dos empregados passava por ele, que perguntou:
- Você!
Assustando-se com a pergunta o rapaz deixou cair o que estava carregando. Quando se virou para responder de modo rude, calou-se imediatamente, quando viu quem o tinha chamado.
- Sim, senhor. – falou com a voz tremendo.
- Você conhece o rapaz que veio restaurar meu quadro.
- Sim, senhor. Nós o já o vimos.
- Ótimo. Onde trabalhava com o quadro?
- Eu não sei senhor.
- Como você não sabe? Você não trabalha aqui.
- Sim, senhor – respondeu o rapaz encolhendo.
- Então, diga algo que me ajude.
- Humm... Eu ouvi que o único lugar que não conseguiram fazer a limpeza para a festa era a sala de música por estar trancada.
- E isso é importante por quê?
- Bem, senhor, nos sabemos somente que quando a restauração começou a ser feita, a sala de musica foi escolhida para guardar algo importante, foi o que os superiores avisarem.
- Guardar algo import... – parou de falar de repente quando percebeu o que estava presente nessa sala – Está bem, pode ir e continuar o que estava fazendo.
- Sim, senhor. Com licença.
Depois que o empregado se foi, Draco dirigiu-se para o lugar onde Harry provavelmente estava.
Perto do quadro de Helena.
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Harry não sabia por que, mas gostava tanto daquela sala. Ela o fazia lembrar tanto seus pais. E o quadro de Helena ganhou uma admiração especial, depois que ele soube a história dessa garota.
Quando chegou a sala de musica, ele admirou um pouco o quadro em que trabalhara tanto, e depois ficou dando uma volta pelo salão observando seus detalhes, que enquanto trabalhava, não teve curiosidade para olhá-los.
Foi quando notou uma lona cobrindo um móvel que estava perto da porta da sacada. Durante seu trabalho, lembrava de guardar as tintas em cima daquela estrutura, mas nunca viu o que era.
Puxando a lona que protegia essa estrutura, Harry ficou maravilhado com o belíssimo piano de cauda de cor branca, que sem a presença da lona dava um ar mágico e puro para a sala de musica. Até parecia com o piano que ficava no estúdio de seu pai. Harry podia ser pequeno, mas algumas lembranças eram tão fortes que se lembrava de todos os detalhes, como seu pai tocando enquanto sua mãe pintava. Eles pareciam tão felizes. Foi deles que Harry puxou seu talento, além do grande amor que tinha pelas artes.
Quando começou a mostrar interesse pelas artes, seus pais começaram a lhe ensinar. Adorava tanto pintar, mas sua grande paixão era o piano.
Harry aprendia com rapidez, seu pai apenas lhe sorria quando acertava um trecho de piano e dizia que ele ia se tornar um pianista melhor do que ele. Na época Harry só ria e dizia que o pai era o melhor pianista do mundo. E quando mostrava seus desenhos para a mãe, ela dava um beijo nele e dizia que estavam ótimos.
Harry era tão feliz naquela época. Mas parecia que algo faltava nessas lembranças... Ele só não sabia o que, mas tinha certeza que era importante.
Mas isso fazia parte do passado, pois seus pais estavam mortos. Voldemort se certificou disso.
Decidindo esquecer esse homem, fez uma coisa que não fazia há anos.
Tocar piano.
No começo estava enferrujado, mas lembrando-se das técnicas, começou a tocar a música preferida de seu pai.
Estava tão concentrado tocando que não percebeu a presença de uma pessoa que acabara de entrar na sala.
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Draco estava impressionado, enquanto se aproximava da sala de música, começou a escutar uma belíssima melodia.
Entrando no recinto, quase perdeu o fôlego quando viu o quadro de Helena restaurado. Parecia que Harry tinha colocado a essência de Helena nessa restauração, o quadro parecia mais vivo e belo.
Mas seu olhar desviou para a porta da sacada, onde o antigo piano se encontrava.
Harry estava tocando ele com tanta paixão, que em toda sua vida Draco vira poucos músicos fazerem.
Se aproximando do piano, viu que Harry tinha os olhos fechados e sua face apresentava uma serenidade que ele não mostrava enquanto dormia.
Escutando a música, percebia toques de amor e devoção, senso de família e algo mais... Era uma música única que mostrava claramente os sentimentos de quem a tocava.
Quando a melodia acabou, esperou o rapaz perceber sua presença. Foi depois de alguns minutos, que Harry abriu os olhos e olhou em sua direção.
Draco percebeu que o rapaz tinha nos olhos lágrimas não derramadas.
Preocupando-se, ele sentou-se ao lado de Harry no banco que ficava em frente ao piano e perguntou:
- Você está bem?
- Sim. Agora estou.
- Mas você está chorando.
- Não estou.
Para provar que estava certo Draco limpou o rosto de Harry com o polegar. Foi nessa hora que Harry percebeu que outro falava a verdade.
- Pode me dizer o que está te incomodando? – perguntou Draco, pois ele não tinha gostado do rosto angustiado do outro. Ele não sabia por que, mas queria que essa angustia fosse embora do rosto do jovem.
- Não é que eu esteja incomodado, é que essa musica me lembra a época em que meus pais estavam vivos.
- É compreensível que você sofra assim, pois perdeu alguém que ama.
- Obrigado.
- Por que está agradecendo?
- Por estar comigo agora.
- Humm... tudo bem – falou meio sem jeito, não sabendo por que – Harry nos precisamos conversar.
- Tudo bem – dando um sorriso que deixou Draco desconcertado.
- Bem... Você precisa mudar para o castelo.
Perdendo o sorriso e se levantado rápido do banco do piano, Harry gritou:
- O QUE?
- É só temporário. Até que possamos voltar para a capital.
- Espere um pouco, não vou me mudar...
- Mas é claro que vai, é para sua segurança.
- Segurança. Do que você está falando, eu não estou correndo perigo.
- Está e você vai obedecer.
- Você não manda em mim e não sou obrigado a obedecer você.
- Não seja teimoso – falou perdendo a paciência.
- Não estou sendo teimoso, é você que está sendo intratável e controlador.
- Intratável e controlador! – com raiva, levantou-se e agarrou o braço de Harry – Não vou permitir que fale esse absurdo e agora me escute.
- Escutá-lo! De jeito nenhum. Largue-me seu bastardo.
- Seu... – ia começar a ameaçá-lo quando percebeu que seu agarre tinha aproximado o corpo de Harry do seu e seus rostos estavam muito próximos.
Harry também percebeu e olhou para Draco de modo estranho. E meio sem perceber, seus corpos seus corpos se aproximaram mais. Eles podiam sentir sua respirações próximas. Seus lábios estavam quase se tocando, quando Amelie entrou como um furacão e olhou a cena com o curiosidade.
- O que vocês estão fazendo?
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