Capítulo 12 – Esclarecendo Certos Assuntos – Parte 1

- O que vocês estão fazendo?

Assustados Draco e Harry se afastaram imediatamente, e olharam para Amelie.

- O que? – perguntou Harry ruborizando.

- Eu perguntei o que estavam fazendo? Pois quando entrei parecia que vocês iam se matar – falou a jovem com curiosidade para o rosto do amigo – Harry, você está bem? Está ficando vermelho.

- Estou... – declarou desconfortável. – Estou ótimo.

- Sei... E você está vermelho, por que está com calor – comentou sarcasticamente e depois olhando para o irmão.

Se fosse possível, Harry ruborizou ainda mais, chamando a atenção de Amelie.

- Nossa Harry, você fica vermelho com muita facilidade.

- Amelie – interferiu Draco.

- Sim.

- Menos.

- Está bem. Pode ficar calmo senhor mal humorado. – encarando o irmão, disse – O que deu em você Draco?

- Não aconteceu nada e eu estava conversando com Potter.

- Bem, para mim parecia que vocês estavam prontos para se matar.

- Estávamos concordando com um assunto – comentou laconicamente.

Harry que estava tentando controlador seus batimentos cardíacos e diminuir seu rubor, olhou para Draco no último comentário e retrucou:

- Espere um momento, eu não concordei com nada.

- Mas você precisa – retribuiu irritado.

- Draco, do que você está falando? – Amelie perguntou com curiosidade.

- Amelie, você poderia nos deixar a sós?

- Mas...

- Por favor – disse olhando nos olhos da irmã – prometo que explico tudo depois.

Vendo que Draco pedia com sinceridade, Amelie virou-se para Harry e falou:

- Tem certeza que está bem se eu ir?

- Sim, Amelie – falou dando um sorriso.

- Olha... Depois de conversarem, você pode vir no meu quarto para conversar – perguntou timidamente.

- OK – disse olhando para Amelie – Só preciso saber onde é seu quarto.

- É aquele que tem as portas entalhadas com desenhos de borboletas.

- Sei – dando um sorriso maior – O da floresta mágica.

- Ei! Não é uma floresta é um bosque encantado – falou irritada e depois percebeu o truque do outro – Droga, Harry!

- Você deveria ter visto a sua cara – disse sorrindo – Tudo bem, pode ir, encontro você depois.

- Certo, até logo. – Amelie disse quando saiu da sala de música.

Enquanto observava a interação entre Amelie e Harry, Draco pensou numa melhor maneira de Harry ficar. Ele admitia que sua primeira tentativa não foi a mais inteligente. Agora ele conversaria com mais calma.

Mas o que o deixou mais preocupado foi sua reação a aproximação de Harry. Ele nunca agira assim com ninguém, nem mesmo com Helena.

Quando Amelie saiu, Harry tinha virado para ele mais calmo e argumentou:

- Olha... – respirando fundo – Vou dar para você outra chance para explicar essa situação e tomara que ela seja muito boa, por que se não for, eu vou embora amanhã de manhã.

- Esta certo, bem, podemos ir a um dos escritórios para conversarmos com mais tranquilidade e assim esclarecermos as coisas.

- OK – disse Harry seguindo Draco, mas quando estava para sair da sala de música, lembrou-se de um detalhe – Espere, tenho que fazer uma coisa antes – falando isso, foi em direção ao quadro de Helena e o cobriu com uma lona e em seguida trancou a sala.

- Não precisava ter feito isso – comentou Draco.

- Eu sei, mas eu tenho o pressentimento de que algo terrível irá acontecer nessa sala se eu não a trancar.

- Desde quando tem esse pressentimento?

- Desde que terminei sua restauração.

- Certo... Aqui estamos – disse abrindo uma grande porta que dava em um escritório. Em seu interior tinha uma grande mesa de carvalho, uma estante com vários livros, duas poltronas em frente a uma enorme lareira e sobre as poltronas um tapete persa enfeitava o chão.

Harry foi sentar-se em uma das poltronas e esperou Draco se aproximar. Enquanto esperava, Harry ficou pensando sobre o que teria acontecido na sala de música se Amelie não tivesse entrado. Ou Draco iria esganá-lo ou... – Harry ruborizou com esse pensamento – Harry achava que estava ficando maluco, mas parecia que o outro iria beijá-lo.

- Potter?

- Humm... – Harry murmurou olhando para o outro.

- Agora que estamos mais calmos, vou explicar melhor a situação e por que você precisa ficar sobre nossa proteção.

- Certo.

- Vamos começar assim... Você prefere que eu explique ou quer perguntar?

- Acho que vou começar perguntando, está bem?

- Parece bem para mim.

Respirando fundo, Harry começou a perguntar.

- Quem é você realmente?

- Bem, meu nome é Draco Lucius Malfoy e pertenço a uma das famílias mais antigas da Inglaterra.

- Você entendeu o que eu quis perguntar?

- Certo, meu nome é Draco, sou um vampiro, minha família é composta por vampiros e...

- E...?

- Bem, lobos.

- Lobos... Como lobisomens?

- Exatamente.

- Mas como?

- Deixe-me esclarecer essa situação melhor. A família Malfoy, que é a família por parte de meu pai é composta de basicamente de vampiros, já a família de minha mãe, os Black, é composta tanto de lobos e vampiros.

- E sua mãe?

- Ela é nascida vampira.

- Amelie?

- Sim, ela também.

- Então a festa...

- Era uma festa de introdução de Amelie ao circulo da família.

- Como assim?

- Ela pode expressar suas opiniões perante o conselho e exercer certas funções, tornando-se um membro ativo do clã.

- Como um sócio em uma empresa.

- Mais ou menos assim.

- E como isso ocorre?

- Ou você completa 150 anos ou casa-se com um membro já ativo.

- O que?

- Vou lhe dar um exemplo. Se você é nascido numa família de vampiros, quando completa 150 anos, você entra por assim dizer na idade adulta, está entendendo? – Quando Harry concordou, Draco continuou – Mas se você é um transformado e se casa com um membro do clã, passará em alguns testes para comprovar sua maturidade. Se comprovado irá ter uma festa de iniciação. Se não conseguir passar, terá que esperar completar 150 anos.

- 150 anos como vampiro ou sua idade total, isto é, se eu fosse transformado e agora tenho 21 anos, teria que esperar mais 129 anos para entrar nesse círculo.

- A segunda opção.

- E as transformações, como ocorrem?

- Você não se assusta por eu ser um vampiro e não se surpreende a respeito desse assunto.

- Não sinceramente. Depois do que passei, acho que isso não me surpreende muito.

- Certo, continuando sobre as transformações, primeiro pedimos permissão aos membros mais antigos do coven para transformamos uma pessoa. Essas permissões são para vampiros que se casam com humanos, mas temos que ter certeza se o humano em questão não está manipulando o vampiro para se tornar imortal. Depois, se comprovado que não tem segundas intenções, é perguntado se ele quer mesmo isso. Se não, respeitamos sua decisão, e o vampiro que se casou fica com seu parceiro com até sua morte. Mas se ele aceita, ele tem que ter certeza absoluta, pois se o humano tiver família, verá eles morrerem, enquanto ele permanece jovem.

- Isso acontece com frequência?

- Nem tanto. A maioria dos casamentos é entre nascidos vampiros.

- Vocês não estão mortos não é?

- Não. Isso é lenda de Hollywood. Nós nascemos e crescemos, como um humano normal, a única diferença é que quando chegamos a certa idade nosso envelhecimento diminui e depois de alguns séculos, nossa aparência estaciona.

- Voltando ao assunto, pode haver transformação fora desses termos que você falou?

- Sim. São transformações violentas, em que o humano é obrigado a virar um de nós, vampiro ou lobo, e quando são transformados assim, eles se tornam selvagens, e seu único objetivo é ir atrás de sangue. Eles não têm controle sobre si. E infelizmente, eles são em alguns cantos a maioria.

- Mas tem como reverter essa selvageria?

- Tem, mas leva muito tempo e gasta muita energia. Mas no final eles conseguem voltar a agir normalmente e são incluídos em uns dos covens.

Harry ouvia com atenção o que Draco falava. E observava o rosto do outro, enquanto perguntava o que queria saber sobre ele.

- E por que eu preciso ser protegido?

- Porque Voldemort foi atrás de você por alguma razão e eu gostaria de saber por quê? Você poderia responder?

- Ele matou meus pais... – sussurrou Harry.

- Tem certeza? – Draco falou surpreendido – Por quê?

- Não sei direito, depois que eles morreram, me lembrava da risada dele em todos os pesadelos que tinha quando era criança, mas ele me disse quando me sequestrou.

- Ele disse exatamente o que?

- Se me lembro bem, ele falou que meus pais sabiam da localização de um oráculo.

Draco levantou da poltrona em que estava sentado tão rápido, que acabou assustando Harry. Ele não acreditou que Voldemort ainda estava atrás daquela lenda.

- Tem certeza que ele falou oráculo?

- Sim – declarou Harry com cautela – Ele falou de uma fonte de poder infinito, se não me engano.

- Eu não acredito! – reclamou exasperado.

- O que eu fiz? – Harry falou não entendendo nada.

- Nada... – falou se acalmando – É aquele monstro.

- O que significa ser um oráculo, nesse sentido?

Olhando fixamente os olhos verdes, o vampiro decidiu que não adiantava omitir alguns assuntos e resolveu que contaria "toda" a verdade para Harry. Para esse humano.

- Existe uma lenda que diz que existe uma jóia de poder tão grande que a pessoa que a possuir terá vida eterna e será "uma força da natureza".

- É verdade? – perguntou o rapaz com curiosidade.

- Sinceramente não sei. Ela fala que somente um oráculo tem a capacidade de encontrá-la.

- Bem, ele falou algo desse tipo, de acordo com Voldemort, oráculo é capaz de encontrar algo, mas não disse o que era, mas parece que para retirar esse poder o oráculo acaba sendo sacrificado.

- Tem certeza?

- Humm... Humm... Ele falou com as exatas palavras – disse Harry fazendo o símbolo de aspas com os dedos – "ele entra vivo e sai morto, não sei porque, mas vou descobrir".

- Bem eu não sei se isso é verdade ou não...

- Olha... – falou o rapaz encarando o dono dos olhos prateados – Eu não diria isso, ele falava com uma certeza assustadora... Como vou explicar essa parte?

- Tente do começo. – dando um sorriso simpático.

- Está certo... De acordo com essa lenda, somente um oráculo pode encontrar a jóia, não é?

- Sim.

- Ele falou daquela época. Sobre helena. Você nunca se perguntou por que ele foi atrás dela?

- Foi para roubar sua juventude.

- Tem certeza.

- Claro que tenho, naquela época era o que ele fazia, roubava os jovens para sugar sua juventude.

Estranhando essa pergunta, Draco observou atentamente o rosto de Harry.

- Por que pergunta?

- Ele falou que Helena era um oráculo.

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- Lucius. O que está acontecendo?

- Voldemort voltou e sequestrou um dos convidados.

- Minha nossa – disse Narcisa Malfoy, olhando em direção ao marido e sentando-se – Está certo disso?

- Sim. Draco encontrou-se com ele.

- Ele está bem? Machucou-se? – perguntou preocupada.

- Ele está bem, não se preocupe. Mas o rapaz que ele sequestrou foi levado a sugadora de almas.

- Ele...

- Não. Está no momento conversando com Draco.

- Por quê?

- Simplesmente porque ele foi o primeiro que sobreviveu a sugadora. Você se lembra dos muitos jovens que resgatamos do sacrifício que morreram no momento que os soltamos da árvore.

- Sim, querido.

- Esse foi o único que sobreviveu.

- Como?

- É o que quero descobrir, mas Draco e eu achamos que ele tem as mesmas capacidades e habilidades de helena. Por isso sobreviveu.

- Mas Helena era somente...

De repente um dos responsáveis pela segurança da família entra na sala onde os senhores Malfoys se encontravam.

- O que aconteceu? – Perguntou Malfoy sênior.

- Desculpe a intromissão senhor, mas o senhor Snape precisa falar urgentemente com o senhor.

- Onde ele está?

- No laboratório, senhor.

- Narcisa, depois continuamos a nossa conversa.

- Sim, Lucius, pode ir falar com Severus. Eu vou ver como Amelie está?

- Vamos – disse Lucius para o mensageiro.

- Sim, senhor.

Chegando ao laboratório de velho amigo, Lucius entrou e encontrou Severus Snape estudando atentamente o galho de uma árvore.

- Severus, por que me chamou?

- Lucius, se aproxime e me diga o que vê?

Aproximando-se da mesa observou um galho recortado de uma árvore. Esse galho mostrava belíssimas flores de cor branca, que se ele não estava enganado, pareciam lírios.

- É um galho de arvore com flores. O que isso tem de tão urgente, só o fato estranho que as flores são lírios.

- Não é estranho somente por causa das flores.

- Então o que é? – perguntou Malfoy curioso.

- Esse é um dos galhos da Sugadora de Almas.

- O que? – disse Lucius, olhando abismado o galho – Isso é impossível. Aquela árvore é amaldiçoada.

- Sei disso. Mas quando me disse que o rapaz que Voldemort sequestrou sobreviveu. Fui averiguar o porquê e quando cheguei ao local, encontrei a árvore coberta de flores. Como ela nunca fosse amaldiçoada. Parecia que ela foi curada.

- Como isso é possível? – disse encarando o galho.

- Isso é o que temos que descobrir – falou Snape olhando de Malfoy para o galho.

XxXxXxXxXxXxXxXxXxXxXxX

- Ele disse o que?

- Voldemort falou que Helena era um oráculo. E que ela fez algo, que se entendi direito, fez ela deixar de ser.

- Helena não era um oráculo. Nunca foi. – falou Malfoy transtornado.

- Ele falou com tanta certeza, não acho que ele tenha se enganado.

- Mas ele se enganou...

- Como assim?

- Ela tinha habilidades parecidas com os dos oráculos, como a capacidade de acalmar e ter algumas previsões.

- Se ele não era um oráculo. Então o que ela era?

- Uma necromancista. Mas ela não sabia disso.

- Você nunca pensou em contar para ela?

- Eu ia... Depois de nosso casamento.

- Sinto muito.

- Tudo bem. Isso já foi a muito tempo.

- E a minha proteção é importante por quê?

- Primeiro, porque Voldemort foi atrás de você, segundo, você foi o primeiro a sobreviver a sugadora de almas e terceiro, você não percebeu que tem habilidades premonitórias. Essa é uma habilidade básica de um oráculo.

- Mas eles não eram uma lenda?

- Não, eu disse que a jóia era uma lenda. Os oráculos existem, mas são muitos raros de encontrar.

- Mas eu não sou...

- Sei, eu não confirmei que era. Porque você não tem parentesco com nenhuma raça.

- Hã?

- Você não tem em sua genética sangue de vampiro ou lobo.

- Helena tinha?

- Sim. Ela tinha parentes distantes que eram vampiros. Se não me engano, algum tio, mas ele morreu numa batalha, quando seu inimigo descobriu nosso ponto fraco. Além disso, você não é virgem, requisito importantíssimo para a evolução das habilidades de um oráculo.

Quando Harry ouviu a última frase, ruborizou tanto que chamou a atenção de Draco. Que ao olhar atentamente a reação de Harry e perceber o que aquilo significava, exclamou chocado:

- VOCÊ É VIRGEM!