Capítulo 16 – Sacrifício
Amelie estava esperando Harry, quando escutou o grito de Draco.
Assustada correu para encontrar o irmão na sala de segurança. O mesmo estava parado no meio da sala, que parecia que tinha passado um vendaval, as janelas estavam quebradas e tinha cacos de vidro espalhados pelo chão.
- Draco? – perguntou assustada – O que aconteceu? Cadê o Harry?
O loiro estava num estado catatônico, mas quando ouviu o nome de Harry sair da boca da irmã, reagiu de forma violenta.
- Eu vou matá-lo.
- Quem? Draco, você está me assustando – disse dando alguns passos para longe do outro.
- Eu vou matá-lo... Como ele ousou de novo... Vou arrancar cada membro do corpo dele... Vou fazê-lo sofrer...
- Draco? – sussurrou Amelie.
A menina ia tocar o irmão, quando seu pai e o padrinho de Draco entraram na sala de forma tempestuosa.
- Draco, Amelie, o que está acontecendo?
- Papai, o senhor tem que falar o com Draco, ele tá agindo estranho – confessou a menina abraçando o pai.
- Está tudo bem querida, vá focar com sua mãe, que vou falar com Draco e ver o que está acontecendo.
- Sim, senhor – falou dando uma última olhada no irmão, antes de sair.
Num canto da sala, estava o padrinho de Draco, que observava o afilhado de maneira cuidadosa. Ele nunca tinha visto ele ficar num estado tão perturbado.
Lucius também, assim como Snape, tinha percebido o estado do filho. Por isso decidiu aproximar-se de maneira cautelosa. Pois Draco estava perto de se tornar selvagem e perder sua consciência.
- Draco, meu filho, o que aconteceu?
- Eu vou matá-lo...
- Quem? Diga Draco – dessa vez a pergunta veio de Snape.
- Voldemort – disse Malfoy irritado – Ele o tirou de mim... Ele vai pagar por essa afronta...
- O que ele tirou?
- Harry... Eu não consegui salvá-lo... Ele o levou...
- Draco, ele é só um humano... – Snape disse.
- NÃO DIGA ISSO! ELE É MEU!
- Severus, cuidado com os comentários – decretou Lucius Malfoy.
- Claro – falou o outro.
- Filho, eu quero que se acalme e diga o que aconteceu exatamente.
Respirando fundo, o loiro aos poucos foi se acalmando. Até se recuperar e explicar tudo o que houve de sua chegada ao castelo, à conversa com Amelie e Voldemort levando Harry.
Depois de terminar seu relato, Draco começou a andar pela sala transtornado.
- Pai, nós temos que resgatá-lo.
- Iremos, mas responda para mim, o que ele significa para você? Responda sinceramente.
- Eu... – dando um grande suspiro -... Eu o amo.
- Mais do que Helena?
- Sim e não. Eu amei Helena, mas era algo inocente e puro. O que tenho com Harry é explosivo e único. Não tinha essas sensações com Helena.
- Certo. Então você morreria para salvá-lo?
- Sim – respondeu firme.
- Ótimo. Eu queria saber até onde seus sentimentos por esse rapaz vão.
Depois disso Malfoy sênior ficou observando a postura do filho atentamente e depois de alguns segundos falou para Draco.
- Filho, você tem que se acalmar, está claro – vendo ele concordar continuou – Agora vamos pensar, todas as entradas são vigiadas. Então alguém aqui dentro o ajudou a entrar. Mas quem?
- Eu acho que sei, provavelmente. – decretou Snape.
- Quem? – exigiu Draco – Diga!
- Draco... – alertou Lucius.
- Desculpe.
- Continue Snape.
Concordando com a cabeça, o outro falou.
- Pettigrew.
- O rato? Isso é impossível, ele tem medo da própria sombra. – argumentou Draco.
- Por isso mesmo. Ninguém desconfiaria dele. Algumas vezes já o peguei seguindo o rapaz e você também Draco.
- Aquele bastardo...
O loiro ia continuar a falar, quando Amelie entrou correndo na sala.
- Draco, papai, eu fui atrás da mamãe, mas eu me lembrei da gata do Harry e fui atrás dela – falou a menina apressada – como não a encontrei no quarto, fui procurar na sala onde o Harry pinta e...
- Amelie respire fundo e fale mais devagar.
- Certo... A gata estava, mas também um dos empregados, e ela estava atacando ele, eu nunca a vi tão zangada.
- Quem estava lá? – Snape perguntou.
- Aquele homem estranho, aquele que age como se fosse um rato, ele tentou roubar o quadro que o Harry estava pintando.
- O que?! – Draco gritou.
- Me deixa terminar... Quando entrei e perguntei o que ele estava fazendo, o caro olhou para mim e depois fugiu.
- E o quadro?
- Não conseguiu levar.
- Aquele rato...
- Mas... – Amelie continuou – A gata ficou olhando para o quadro e ficou quieta. Então me aproximei e decidi me abaixar para olhar pelo ponto de vista dela e... Minha nossa...
- Fale logo Amelie – exasperou-se Draco.
- Certo, o Harry me falou que sonhou com um lugar e depois pintou ele no quadro. Eu sabia que ele parecia familiar, mas não me lembrava de onde. Porém, quando olhei para o quadro de outro ângulo, lembrei.
- Então?
- Você se lembra de uma gruta que tinha uma espécie de ilha no meio de uma piscina, se não me engano, e que quando olhamos para cima, dava para ver a lua quando está no topo do céu.
- Sim, o "Olho da Deusa".
- Essa mesma.
- Isso é importante por quê?
- É mesmo... Esqueci de terminar... O quadro criou vida!
- Como assim vida?
- Ele começou a se mexer, como se fosse um filme, a lua apareceu no alto do céu, então ela ficou vermelha e depois apareceram as imagens de um lobo e um morcego.
- A Lua de Sangue...
- O que você disse Snape?
O homem olhou para Amelie e depois para os outros homens da família.
- Amelie, vá para seu quarto imediatamente.
- Mas papai!
- Amelie! – enfatizou.
- Por favor, pequena dama – implorou Draco.
- Tudo bem – e saiu da sala.
Depois de conferir que ela tinha ido. Snape continuou.
- A lua de sangue, um evento extremamente raro, que dizem algumas línguas que certos rituais de conversão podem ser realizados. E que por pura coincidência, irá acontecer amanhã à noite.
- Isso significa que Voldemort vai levar Harry para a gruta.
- Provavelmente.
- Então vamos buscá-lo.
- Draco, espere um momento, temos que elaborar um plano, pois provavelmente o lugar vai estar cheio de comensais.
- Certo. Então o que faremos?
- Primeiramente precisamos de ajuda, por que se suas suspeitas forem verdadeiras e o rapaz for o oráculo, teremos grandes problemas. Pois Voldemort vai tentar transformá-lo violentamente.
Foi nesse momento que Draco percebeu a gravidade da situação.
- Temos que resgatá-lo logo, Voldemort irá matá-lo!
- Primeiro transformá-lo e depois matá-lo.
- Severus, você não está ajudando – declarou Lucius.
- Pai, o que ele quis dizer com isso?
- Se o rapaz for transformado de maneira violenta na lua de sangue, a transformação irá matá-lo, isto é, ele servirá o propósito de Voldemort e a energia necessária para completar uma transformação, que é a troca de sangue, irá sucumbir, pois no ritual não à troca.
- Então... – começou Draco determinado – O que nós faremos?
- Bem... Nosso plano é o seguinte...
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"Onde estou? O que Aconteceu?"
Harry pensou quando acordou, ele não lembrava ter ido dormir, o que recordava era falar com Amelie e depois encontrar Draco. Depois disso nada, só um grande espaço em branco em sua mente.
Ele encontrava-se deitado e quando tentou se levantar, percebeu que estava preso por correntes, que estavam fixadas numa rocha e ele estava sobre uma espécie de altar que ficava, pelo que parecia, numa pequena ilha.
Estava perdido em pensamentos, tentando descobrir onde estava, quando alguém apareceu sobre ele, cobrindo a luz da lua que iluminava o lugar.
- vejo que acordou, confesso que a dose de calmantes que injetei em você foi forte demais.
A pessoa que tinha falado com ele, era a única que queria nunca mais encontrar.
Voldemort.
Vendo o rosto dele, Harry entrou em pânico e tentou se soltar. Voldemort só fez rir do desespero do garoto.
- Não adianta tentar se soltar. As correntes são extremamente fortes. Você vai acabar se machucando.
- O que você quer?
- Eu acho que você sabe, não é, pequeno Harry.
Quando ouviu essas palavras fez o moreno estremecer de medo.
- Por favor... Deixe-me ir...
- Infelizmente não posso, pois você é a chave para a minha ascensão.
Dizendo isso, ele segurou o rosto de Harry e obrigou a encará-lo.
- Escute bem, você servirá para um propósito maior, então se sinta honrado.
- Do que está falando?
- Você sabe exatamente do que estamos falando, meu pequeno oráculo. Logo você irá me dar o poder para destruir aqueles que me desafiaram.
- Senhor – um dos servos chamou – está quase na hora.
- Excelente. Quando a lua de sangue aparecer vamos começar.
- Sim, Milord.
Virando-se para Harry, Voldemort aproximou-se do rosto do moreno e disse sussurrando.
- Logo...
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- Senhor Malfoy, encontramos, ele está na ilha no centro da gruta.
- Aquele desgraçado...
- Draco, controle-se!
- Certo.
Quando Draco e seu pai, além de Snape, acompanhados dos homens de sua confiança chegaram próximos a gruta, viram a movimentação dos homens de Voldemort.
No meio dessa movimentação, estava Harry, deitado preso numa rocha. E o bastardo estava inclinado sobre ele.
- Draco, se você não se acalmar, ele vai perceber nossa presença. – disse Lucius.
Mas as palavras de seu pai não fizeram nenhum efeito nele. Pois vendo aquele monstro tocar seu Harry, seu sangue ferveu e ele olhou vermelho para aquele que tocou seu bem mais precioso.
- Está começando... – sussurrou Snape – preparem-se.
Todos se armaram para uma batalha.
No outro lado, o Lord das Trevas começava o ritual que lhe daria poder absoluto.
- Hoje é um grande dia! Nesta noite em que a Lua de Sangue brilhara no céu, o oráculo irá nos ajudar e mostrará o caminho para o poder que será capaz de acabar com meus inimigos.
Falando isso, ele tirou uma adaga de sua túnica e preparou para o golpe que mudaria o rumo de tudo.
No céu a lua começava a se transformar.
Draco não aguentou ver o que estava para acontecer e interferiu no ritual.
- Preparem-se – alertou Lucius a seus homens.
- VOLDEMORT!
- Você... – percebendo que a situação tinha virado contra seu lado, o Lord das trevas, resolveu antecipar o ritual, levantou a adaga e a desferiu em direção do coração de Harry.
- NÃO! – gritou Draco, pensando que tinha perdido Harry.
Mas um dos homens tinha atirado em Voldemort e conseguiu que o mesmo soltar a adaga, momentos antes de conseguir seu objetivo.
- Agora! Senhor Malfoy!
Concordando, o loiro foi em direção a pequena ilha.
- Voldemort! Fique longe dele.
- E o que? Você irá me matar jovem Malfoy? Eu acho que não...
- Ora seu... – pronunciando Draco, quando atacou o monstro.
Harry escutava tudo apaticamente. Ele não sabia o que Voldemort tinha feito com ele. Mas não conseguia se mexer.
Quando escutou a voz de Draco, seu coração encheu de esperança. Virando a cabeça com muita dificuldade, ele observou Draco lutar com Voldemort violentamente.
O rosto de Draco sangrava devido a golpe que o outro tinha lhe dado, mas o Lord das trevas também não saiu ileso desse combate.
Os dois estavam bastante machucados. Ao longe Harry escutava o som de outras batalhas. Mas era a de Draco que mais o preocupava.
Desesperou-se quando Voldemort acertou um golpe certeiro que fez o loiro ir ao chão.
Então ele sentiu algo estranho acontecer. As correntes que o prendiam soltaram-se e o estado letárgico tinha sumido.
Levantando-se rapidamente, ele viu com horror Voldemort pegar a adaga e apontá-la em Draco.
Não pensou duas vezes. Jogou-se na frente do loiro para protegê-lo, recebendo a adaga em seu peito.
No alto do céu a lua de sangue brilhava imponente e as figuras de um lobo e um morcego foram desenhadas na parede da gruta, mas naquele momento ninguém tinha visto.
Draco assistiu em pânico o corpo de Harry cair mole no chão.
Já no outro lado, Voldemort olhou com raiva, o garoto, exatamente como Helena, tinha estragado seu plano.
- Vamos embora! – gritou.
Dando essa ordem todos os servos pararam de lutar e fugiram. E dando uma ultima olhada na cena, Voldemort sei foi.
- Vão atrás deles e capture-os – gritou Snape.
Enquanto isso, Draco começou a se arrastar até onde o corpo de Harry estava.
Sua perna estava paralisada devido ao golpe de Voldemort. Quando o mesmo ordenou que todos os servos fugissem, o loiro não se importou em tentar segui-lo.
Naquele momento, Draco estava preocupado com Harry.
- Harry... – sussurrou e pegando o corpo do moreno.
Abrindo os olhos com dificuldade, o moreno olho dentro daqueles olhos que amava tanto.
- Oi...
- Não fale, você vai ficar bem. – falou nunca deixando de olhar os olhos verdes.
- Draco...
- Estou aqui.
- Te amo... – falou Harry com um sussurro muito baixo.
- Também te amo – falou Draco com um nó na garganta.
- Eu sei... – disse fechando os olhos.
- Harry! Acorde! – vendo o outro mexer levemente os olhos, continuou – Vamos! Pai! – gritou e virando-se implorou com os olhos.
Lucius consentiu acenando com a cabeça.
- Harry... Vamos... olhe para mim.
Abrindo os olhos minimamente. Harry encarou Draco com olhos desfocados.
- Ainda há uma chance, deixe-me transformá-lo, por favor, assim podemos ficar sempre juntos.
Dando um sorriso fraco, Harry permitiu.
Quando Draco ia mordê-lo, o moreno começou a tossir sangue, seu tempo estava se esgotando.
Então Draco o mordeu, mas já era tarde demais, o corpo de Harry sucumbiu.
- Não, não, não! NÃO! – gritou Draco com desespero. – Não!
- Filho... – falou Lucius com pesar – ele se foi, deixe-o descansar em paz.
- Sim... – falou se levantando com dificuldade e carregando o corpo de Harry.
- Vamos... Vou providenciar que ele descanse no mausoléu da família.
Concordando apaticamente, Draco seguiu o pai.
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Algum tempo depois...
- Vamos... Mas que droga, por que alguém trancaria um lugar como esse com tanta segurança.
Disse um jovem que aparentava ter entre dezesseis ou dezessete anos, que tentava arrombar a porta de um monumento.
- Isso! – comemorou quando conseguiu abri-la.
Acendendo uma lanterna, foi em direção a uma lápide que se encontrava no centro.
- Certo, agora vem à parte difícil.
Pegando um pé de cabra, tentou arrancar a tampa. Mas parou quando ouviu um barulho.
- Foi só impressão... – sussurrou aliviado – Só faltava eu ser capturado a essa altura do campeonato.
Ficou tentando por vários minutos sem conseguir mexer a tampa.
- Droga! Eu não queria ter que usar isso. – pronunciou.
O jovem largou o pé de cabra e segurou firmemente a tampa com as mãos.
Se alguém estivesse lá, veria os olhos do garoto mudarem de forma, como fossem olhos de um lobo, e com uma força sobre-humana empurrou a tampa até que ela caísse no chão.
- Isso! Eu sou demais!
Então ele se aproximou do corpo que estava dentro do caixão e esperou.
Depois de algum tempo olhos verdes encaram olhos igualmente verdes.
Dando um sorriso feliz, o jovem falou.
- Olá, irmão mais velho... – falou alegre – Bem-vindo a sua nova vida, Harry.
Desculpe pelos possíveis erros.
Bjs.
Ariel.
