Capítulo 1 – Meninos desobedientes devem ser castigados
- Papai, onde estamos indo?
Ainda me lembro da época que fiz essa pergunta a meu pai.
Eu tinha me intrometido numa reunião importante, não me lembro qual era, só do tapa que minha mãe deu, por ser desobediente.
Ela tinha me avisado para não perturbar os adultos. Mas fazia dias que não via meu pai e estava com saudades.
Enquanto chorava por causa da dor que o tapa causou. Eu via meu pai brigar como minha mãe para nunca mais encostar a mão em mim.
Lembro que ele me retirou do recinto e me levou para o quarto dele.
Meus pais não dormiam juntos.
Ele me falou que não se incomodou, ficou até feliz, mas que eu não podia irritar minha mãe.
Pensei que ele estava brincando, por que ela vivia irritada, e o máximo que fazia era me dar uma bronca. O tapa aconteceu por que o Lord das Trevas estava lá em casa.
Nunca gostei dele. Acho que meu pai também. Mas ele fingia bem. Parece que o vovô obrigou-o a ser unir ao Lord.
As únicas pessoas que gostava de mim, pareciam ser meu pai e meu padrinho.
Quando eu perguntei para meu pai onde estávamos indo, ele somente olhou para mim, naquele dia ele tinha me acordado cedo e me levado para o bosque atrás da mansão.
Depois de andar muito, tínhamos parado em frente da entrada de uma caverna.
Os olhos dele estavam atormentados, parecia que ele estava com medo. Lembro-me que não gostei de ver meu pai assim.
Ele abaixo-se para ficar na minha altura, não se importando em sujar suas roupas. Passou sua mão em meus cabelos que eram da mesma cor dos seus e disse para eu ser forte.
Perguntei por que e ele disse que minha mãe ficou muito irritada e parece que o Lord não gostou muito e "pediu" que eu fosse castigado.
"Meninos desobedientes devem ser castigados", foram às palavras da mulher nos acompanhava até a caverna.
Essa estranha mandou que eu entrasse e pegasse uma flor de pétalas negras, parecia que era à flor da noite, pois se não fizesse, eu nunca mais veria meu pai.
Naquela hora nunca tinha visto meu pai tão assustado.
- Ele é só uma criança, por favor, peça outra coisa – ouvi ele dizer – Ele só tem 6 anos, não faça ele entrar.
- Não. Tem que ser ele. É uma ordem do Lord das Trevas.
- Por quê?
- Por que ele tem que aprender que tem que obedecer.
Se virando para mim, percebi que ele queria me avisar para fugir, mas não teve oportunidade, pois a mulher agarrou meu braço e me arrastou para dentro da caverna. Estava tão assustado, ela estava me levando para longe do meu pai.
Vi que ele tentou nos seguir e me tirar daquele lugar, mas uma barreira mágica o impediu.
Enquanto era arrastado para a escuridão da caverna, perdia a visão dele.
Foi quando comecei a chorar.
- Traga para a mansão a flor da noite, ela tem pétalas negras, se não vou machucar seu pai.
- Sim – disse sussurrando.
- Certo – falou virando-se e indo embora.
Nessa hora cometi o erro de segurar sua capa e perguntar como ia sair de lá.
Ela me olhou com tanto desprezo, que logo a larguei.
- Nunca mais toque em mim garoto. E você irá sair sozinho, ninguém virá te ajudar.
Depois que ela disse essas palavras, só me lembro de ser largado no escuro da caverna, sentindo muita dor.
Muita dor mesmo.
Descobri mais tarde que a maldita tinha jogado um Cruciatus não verbal em mim.
Passei várias horas chorando e chamando papai ou o padrinho.
Lembrando as palavras da mulher, que ela machucaria meu pai, levantei e fui atrás da flor.
Caminhei às cegas pela caverna me apoiando nas paredes como guia por alguns minutos até que cheguei numa parte iluminada da caverna. E nela tinha um jardim.
E no meio desse jardim, em cima de um tronco de arvore cortado, estava uma pequena flor, a que eu procurava.
Tinha ficado tão feliz, que não percebi o perigo. Quando estiquei o braço para pegar a flor, uma força invisível me jogou longe.
Um pouco atordoado pela queda, levantei devagar e procurei quem tinha me enfeitiçado. E protegendo a flor tinha um menino. Suas roupas estavam rasgadas e ele parecia bastante machucado. Mas o mais estranho era que ele possuía uma cicatriz em forma de raio na testa.
Ele parecia assustado.
Aproximei-me devagar e perguntei quem ele era. Ele olhou para mim com tanto medo, que naquele momento eu não sabia o que fazer.
Então ouvi ele falar bem baixinho.
- Por favor, não a leve, é só um bebê.
- Mas eu preciso.
- Por favor... – Suplicou.
- Não posso. Se não a levar, vão machucar meu pai.
- Seu pai? O que é isso? – perguntou curioso, quando percebeu que eu não o atacaria.
- Meu pai é meu pai. Ele gosta de mim. Cuida de mim.
- Gosta. Ninguém nunca gostou de mim.
- Eu gosto.
Ele me olhou não acreditando.
- Gosta? – sussurrou.
- Sim.
- Mas eu te machuquei.
- Você estava assustado. Então te perdoou. Eu me chamo Draco. Qual é o seu nome?
- Nome? Não sei...
- Como assim não sabe?
Dando de ombros, o menino não se incomodou.
- Nunca me deram.
- É claro que você tem um nome. Alguma vez você ouviu algo diferente, onde mora.
- Bem... Eles falam muito "Harry".
- Então esse é seu nome.
- É? – perguntou confuso.
- Sim. Harry, por que está aqui?
- Gosto do jardim. – falou feliz, quando disse seu nome.
- Como entrou aqui?
- Assim – ele falou agarrando a minha mão e aparecendo no lado de fora da caverna.
- VOCÊ APARATOU! – falei surpreendido.
Como gritei, ele se encolheu com medo. E pude perceber na luz do dia, que ele tinha pulseiras de ferro nos braço. Ele também era bem magro e mais baixo que eu.
Parecia bastante maltratado.
- Vamos voltar para o jardim?
Ele pareceu relaxar e segurou a minha mão.
Voltando para próximo da flor, ele perguntou.
- Por que ela?
- Por que me mandaram pegar ela. Assim meu pai não se machuca. Por isso tenho que pegá-la. Parece que é à flor da noite.
- Não é.
- O que?
- Essa é a Dama Negra. Ela serve para criar a poção que aumenta o nível de magia e meio que acalma pessoas.
- Como sabe isso?
- Li em um livro – disse dando um sorriso travesso.
- Harry – quando chamei com gentileza, pareceu ficar feliz – posso levá-la?
- Você não queria a flor da noite?
- Quero, mas pediram para pegar uma flor de pétalas negras.
- Bem... Vem... – disse me puxando.
- Aonde vamos?
Ele me levou para uma parte afastada da caverna e me mostrou outra flor.
- Aqui... Essa é à flor da noite.
Era a flor mais bela que tinha visto, ela tinha pétalas tão brancas e o contorno das pétalas tinham um detalhe em prata as contornando.
Era perfeita.
- Tome. – ele disse arrancando e me dando a flor que acabara de mostrar – Cuide bem dela.
- Tá. Por que está me dando?
- Gosto de você, e essa planta é adulta e pode ser arrancada e plantada em outro lugar que não vai morrer. É melhor você guardá-la.
- Certo.
- Agora essa. – me dando a flor negra – para ajudar seu pai.
- Obrigado Harry.
- Eu que... – mas ele não terminou a frase, por que começou a gritar.
- Ele descobriu.
- Quem Harry? O que está acontecendo? – perguntei assustado.
- Vou te tirar daqui – ele me agarrou e me levou para os portões da mansão e caindo cansado.
Parecia que ele estava sentido dor. E as pulseiras brilhavam muito intensamente.
- Eu não quero voltar! – ele falou desesperado – Draco me ajuda!
- Harry o que eu faço? – perguntei assustado.
Quando o abracei para tentar acalmá-lo e diminuir sua dor, ele desapareceu dos meus braços com um grito assustador.
Foi a primeira e única vez que o vi.
