Capítulo 4 – Sonhos

- Harry? – disse chocado, quando olhava o rosto do homem que estava com Snape.

- Do que me chamou? – perguntou o homem com receio.

- Desculpe, eu preciso... – eu estava quase fugindo, quando o homem, que possivelmente era o senhor Potter, se precipitou e segurou meu braço.

- Por favor... Você me chamou de Harry, por quê? – ele me perguntou meio desesperado.

Enquanto observava a angustia do senhor Potter, vi Snape ir para a porta e avisar para os alunos fora que a aula foi cancelada.

Eu não sabia o que fazer, o que ele queria saber era o meu mais bem guardado segredo. Mas quando olhava fixamente para a pessoa na minha frente, percebi que Snape ficou ao meu lado e me questionou silenciosamente.

- Bem... Quando eu tinha 6 anos, conheci um menino que era muito parecido com o senhor, só que a cor dos olhos dele eram verdes.

- Tem certeza?

- Sim. Eu lembro-me bem, por que... – hesitei na hora de responder, evitando olhar o rosto do meu padrinho.

- O que foi Draco? – perguntou ele num tom gentil, que só usava comigo.

Olhando dele para o senhor Potter, que esperava pacientemente, acabei respondendo.

- Foi no dia do episódio da caverna – sussurrei.

Encarei o senhor Potter, que me olhava sem entender nada, mas quando virei para Snape, a sua expressão mostrava incredulidade e surpresa.

- Draco, foi ele que lhe deu a flor? – perguntou Snape.

Às vezes odeio quando ele percebe as coisas com muita rapidez.

Tentando evitar responde-lo, me virei para o outro homem na sala. Mas consegui focar direito nele, pois meu rosto foi segurado e obrigado a encarar meu padrinho.

- Draco?

- Está bem! Sim, foi ele. Foi o Harry que me deu a flor.

- Draco, conte exatamente o que aconteceu nesse dia – disse o professor Potter calmamente e indicando uma cadeira para sentar.

Então comecei a contar os acontecimentos que me fizeram conhecer Harry.

À medida que a historia avançava, os homens mostravam várias expressões, de raiva, como no episodio do cruciatus, ou descrença, quando disse que Harry aparatava.

Terminando meu relato, esperei a reação deles.

- Ele está vivo – sussurrou.

- Potter, não crie esperanças, isso aconteceu há anos.

- Mas tem a chance dele estar vivo.

- Certo. Eu vou averiguar, mas nada de contar para Lily, não quero que ela crie esperanças e depois sofra. Você sabe que ele...

- Sim. Mas se tiver uma chance, eu vou provocá-lo e trazê-lo de volta para casa.

Fiquei ouvindo a conversa dos dois com tanta concentração, que acabei me assustando quando Snape me chamou.

- Sim?

- Vá para seu quarto e me espere lá, pois quero falar com você.

- Mas as minhas outras aulas?

- Darei uma desculpa, mas vá agora.

- Sim, senhor.

Enquanto me dirigia para a saída, escutei algo que me deixou desconfiado.

- Snape, ele sabe que é...?

- Não.

- Mas não é melhor contar, caso aconteça algo.

- Ele também acha isso, mas já se passou tanto tempo, que acho que ele não vai acreditar.

- Mas vocês se parecem tanto na personalidade...

Não continuei a escutar a conversa, pois sabia que se Snape me pegasse escutando escondido, estaria morto. Por isso decidi apressar minha chegada ao quarto.

Por que Snape com raiva não é uma visão bonita.

XxXxXxXxXxXxXxXxXxXxXxX

"O que está havendo?"

"Onde estou?"

Eu me lembro de chegar ao meu quarto e me deitar.

Só que agora estou numa espécie de prisão, por que há vários guardas vigiando, mas quando me aproximei, percebi que eles pareciam não me enxergar.

Passando pelos guardas, que eram na verdade, comensais da morte, pelo que pude ver.

Entrando na prisão, fui cercado por uma escuridão tão densa, que por um momento eu fiquei sem ar.

Tentando sair daquele lugar fui tropeçando para a saída, quando algo chamou minha atenção.

Uma coruja nevada.

Um pequeno pico de luz estava sobre ela e a mesma encontrava-se sobre uma rocha. E nessa rocha estavam presas duas correntes.

Seguindo com os olhos, aonde essas correntes iam dar, vi que uma pessoa estava presa a elas.

Esquecendo o que estava fazendo, me aproximei, pensando que a pessoa não me veria.

Eu estava enganado.

Pois olhos verdes sem vida olharam direto para mim.

E num sussurro rouco disse:

- Draco, me ajuda.

XxXxXxXxXxXxXxXxXxXxXxX

- Draco... Draco...

Eu escutava alguém me chamar.

Não entendia o que estava acontecendo.

Abri meus olhos devagar e me encarando de maneira preocupada estavam meu pai e atrás dele Severus.

- O que aconteceu? – perguntei.

- Não sabemos. Quando chegamos, você estava se debatendo sobre a cama – disse papai.

- Não me lembro de ter adormecido. A propósito, papai, por que o senhor está aqui? – perguntei estranhando por que meu pai veio até Hogwarts.

- Severus me contou que você conheceu o filho dos Potter.

Eu não acredito, Snape me dedurou.

- Isso foi a tanto tempo...

- Isso não importa. Por que não nos contou?

- O senhor acreditaria naquela época? – rebati.

- Possivelmente não. Mas Severus disse que sua reação com James Potter foi verdadeira demais para ser inventada.

Senti meu rosto ficar quente diante da afirmação.

- Draco, a flor daquele dia...

- Foi Harry que me deu, porque pedi.

Olhando para Severus, meu pai acenou a cabeça e vendo seu consentimento, virou-se para min.

- Você sabe que a planta que deu para Dupré era a flor da noite, não é?

- Na verdade aquela era a Dama Negra.

- Como pode ter tanta certeza?

- Harry disse que a flor de pétalas negras era conhecida como a Dama Negra. E que ela servia para aumentar o nível mágico de alguém. E antes que vocês perguntem como ele sabia, ele disse que leu em algum lugar.

- Se o que ele lhe disse for verdade. Dupré acredita que pegou a flor da noite. Ela a pegou para criar alguma poção de controle.

- Hã...? – suspirei chamando a atenção dos outros ocupantes do quarto. – Harry também contou que a Flor da Noite é uma planta de cura, não controle.

- Ela até não pode ser uma planta de controle. Mas se você deu a planta errada para ela, quer dizer que ela não sabe sobre ela, por que naquele dia Dupré ficou bastante feliz com a que você entregou. E Severus – disse virando-se para Snape – acho que conheço essa Dama Negra, suas propriedades especificamente.

- Como assim? – perguntou Snape.

- Você se lembra do episódio da visita dos Black, a pedido de meu pai, pouco tempo depois de Belatriz se casar. Como ela parecia calma e obediente.

- O que isso tem haver?

- Belatriz não é uma pessoa calma por natureza. Ela deve ter sido obrigada a tomar alguma poção com essa planta, pois tenho certeza que aquela calmaria dela não era efeito de imperius. E depois ela pareceu um pouco mais forte e insana.

- Será?

- Tenho quase certeza.

- Do que vocês estão falando? – perguntei curioso.

- Você não era nascido na época, mas foi quando os Black e os Malfoy se juntaram para planejar meu casamento.

- Draco, você sabe que Belatriz é louca, mas antes dessa reunião, ela tinha um pouco de juízo. No entanto, naquele dia, ela estava muito calma e obediente, o que não era comum em sua personalidade – relatou Snape.

- Então, se ela estava assim, quer dizer que possivelmente essa poção exista e eu acabei dando o ingrediente para aquela mulher – falei indignado, ela tinha me tratado como um menino de recados ou um serviçal.

- Filho, eu quero que se acalme. Não. Quero que descanse e você irá passar o final de semana no chalé da praia.

- Mas papai, eu não estou doente.

- Eu sei, mas preciso lhe dizer certas coisas e tem que ser longe de Hogwarts e da Mansão.

- Certo – falei enquanto observava meu pai e Snape saírem do quarto.

Deitei-me novamente, pensando nas coisas que descobri e no que meu pai queria me contar.

Mas antes de cair completamente no sono, vislumbrei olhos verdes me pedindo socorro.