Capítulo 6 - Guia

Acordei sentindo todos os meus poros gritando de dor.

Mas como estou sentindo dor, se Harry...

- Foi um sonho... – sussurrei.

Era a única reposta, porque Harry estava do mesmo jeito que o conheci, um menino magro e maltratado.

Lembrando-me que no sonho, ele tinha me dado uma pétala da flor da noite para me curar. Por isso, como muito esforço, procurei em meu bolso, meu amuleto de sorte.

Era um pequeno vidrinho, e dentro dele continha algumas pétalas da flor que Harry tinha me dado quando éramos crianças.

Eu trocava as pétalas todo ano, quando a flor florescia.

A minha sorte que eu tinha colocado um feitiço de revestimento no vidro para não quebrar.

A flor original estava muito bem guardada. Era o meu tesouro mais valioso.

Na hora que movimentei meu braço para pegar as pétalas, gritei de dor. Mas com muito esforço e sacrifício, consegui tirar o lacre do vidro e colocar as pétalas na minha boca.

Até mastigar estava sendo um martírio. Mas no momento que engoli as pétalas, senti meu corpo relaxar. Ossos que estavam quebrados foram reparados e os cortes mais profundos foram cicatrizados.

Depois de alguns minutos, meu corpo foi curado.

Levantando-me devagar, fiquei alguns minutos tentando me estabilizar, posso ter me curado, mas senti que somente os mais graves foram cuidados. Senti algumas partes do meu corpo tensas e tinha alguns hematomas na pele.

- Parece que não foram pétalas suficientes para ter uma cura completa. – bem, eu achava isso.

Olhando para cima, vi que a queda que sofri foi de uma grande altura e que eu tinha sorte de estar vivo. Parecia que eu estava numa espécie de tuneis.

Decidindo não esperar um resgate, fiz um feitiço para iluminar os túneis.

Na hora que o feitiço iluminou o lugar, comecei a ficar receoso, pois existiam vários caminhos a seguir.

Quando estava reconsiderando esperar o resgate, algo chamou minha atenção.

Nessa hora a vi.

A coruja nevada que estava com Harry. Ela parecia estar me esperando, por isso foi em direção ao túnel que ela estava.

Ela parecia que queria me ajudar.

- Certo... – falei olhando para ela – Eu acho... Leve-me onde você que me levar.

Acho que estou ficando maluco, ou bati a cabeça com muita força, pois pareceu que a coruja estufou o peito e concordou feliz.

Comecei a seguí-la por uma grande rede de tuneis que formavam um grande labirinto. Ela me guiava com tanta facilidade, que parecia que conhecia estes caminhos a muito tempo.

Depois de algum tempo caminhando, chegamos a uma possível saída. Porque escutei barulho de água caindo.

Por isso, comecei a correr em direção do som. E nesse momento, visualizei a saída do túnel.

Saindo e olhando para o céu, vi que já era de noite.

- Acho que fiquei muito tempo desacordado.

Olhando ao redor, descobri a fonte do barulho que escutei.

Era um pequeno riacho.

Aproximei-me e vi meu reflexo na água.

Eu estava horrível, meu rosto estava sujo de terra e sangue, meu cabelo estava na mesma situação do rosto e minha roupas estavam rasgadas.

Resumindo, eu estava com a aparência de um trasgo.

- Merlin! Eu preciso urgentemente de um banho.

Lavei meu rosto, e depois me levantei para olhar onde estava e vi a coruja me observando curiosa.

- Você é uma coruja bastante estranha – e lá estava eu conversando com a coruja de novo – me leve logo para onde quer.

Então ela levantou voo e comecei a segui-la novamente, através de arvores e pedras, que formavam um bosque ou uma floresta, pelo que pude ver.

Alguns minutos depois, parei na frente de uma majestosa cachoeira.

Não me fazendo de rogado, foi em direção do lago que recebia a queda final da cachoeira. Olhei novamente minha aparência. E como eu esperava, fiquei pior do que estava. Sujo, molhado de suor, roupas rasgadas cobertas de sangue e descabelado.

Só não usava um feitiço para me limpar, pois era tinha 16 anos e não era ainda maior de idade, para usar magia livremente. E se mesmo assim usasse, o rastreamento do ministério iria saber onde estava, por que somente feitiços de iluminação e cura simples como o Episkey eram permitidos serem usados por alunos como eu, que estavam fora da escola naquele momento. Além disso, o ministério iria notificar para meu pai e Snape minha localização, e naquele momento não queria encontrar ninguém.

Não aguentando mais ficar neste estado deplorável, resolvi tomar um banho no lago. Comecei a tirar minhas roupas, mas não terminei meu objetivo, porque algo chamou minha atenção.

Atrás da cascata da cachoeira tinha uma abertura, como se fosse uma entrada de caverna e nela tinha um portão.

- Por que tem um portão no meio do nada, atrás de uma cachoeira?

Com minha curiosidade atiçada, fui em direção desse portão.

Aproximando-me dele, observei que tinha desenhos de runas em todo o arco do portão. E se não me engano, eram símbolos de proteção. Mas não tinha certeza, porque parte delas estavam apagadas.

Tentei empurrar o portão, mas nada aconteceu.

Pensando em um feitiço, rezei que o ministério não percebe-se.

- Alohomora!

Lancei o feitiço, mas nada aconteceu.

Não sabia se ficava frustrado e aliviado, por um lado o ministério não foi notificado, já que o feitiço não deu certo, mas por outro, o portão estava ainda fechado.

- Droga! - falei frustrado – Abra logo seu portão inútil – disse chutando o mesmo, e decidindo retornar ao meu banho, me virei para sair, quando escutei um rangido.

- Eu não acredito! – comentei descrente – Com um feitiço não abre, mas com um chute sim. Qual a lógica disso?

Resolvendo não me incomodar com algo insignificante. Atravessei o portão e andei por um longo corredor, até chegar a um lance de escadas que levavam para as profundezas daquele lugar.

No final das escadas, havia uma pequena sala e nela três caminhos a ser seguidos.

Fiquei na duvida qual caminho seguir, não queria me perder, como na primeira vez.

Porém a coruja resolveu o problema.

Ela seguiu pelo terceiro túnel e imediatamente comecei a segui-la. Passamos por um extenso corredor, nunca desviando o olhar dela.

Chegamos a um grande espaço, mas como tudo estava tão escuro que não consegui identificar direito.

Foi quando vi algo que chamou minha atenção.

Eram correntes.