Yooooo ^^/
Passando só para avisar uma coisinha XD!! Bom, esse cap ficou GIGANTE e no final eu explico pq XD!! Mas non pretendo fazer isso com freqüência pq eu tenho consciência de q quanto maior o cap mais difícil fica de escrever e mais cansativo fica de ler XD!! Darei melhores explicações no final XD!! Agora vamos ao cap XD!! Espero q gostem XD!!
Capítulo 4
Fim das aulas da manhã. Finalmente a tão esperada tarde estava se iniciando. Ao ouvirem o último sinal, os alunos, afobados, saíram correndo das salas. Muitos queriam almoçar, e bem rápido, e ir logo para as aulas especiais. Realmente essas aulas faziam a High School Star brilhar. Até mesmo o Sol brilhava mais forte, só para prestigiar aqueles alunos fabulosos e hiper-talentosos. Era a hora de ver aqueles jovens exibindo suas habilidades físicas, mentais e artísticas. Finalmente os novatos veriam porque aquele colégio era tão graduado entre os outros. Poderiam finalmente experimentar da sensação que os veteranos já possuíam. Sentimento de prazer, realização e felicidade indescritíveis. Algo que os marcaria para o resto de suas vidas.
No primeiro andar Annika esperava por alguém na porta da sala. Milo prometera passar o horário do almoço com ela para mostrar o colégio. Ela estava um pouco ansiosa. Milo mostrara ser uma boa companhia. Era divertido estar com ele. Mesmo não tendo passado muito tempo ao seu lado, ela já podia definir algumas de suas características. Ele se achava o gostosão, era um metido de marca maior, um belo de um safado (que nunca perdia uma menina bonita passando) e um tremendo de um exibido. Não pareciam ser coisas favoráveis, mas com uma dose de bom humor, de beleza (afinal ele era como um deus grego), muita simpatia e carisma, Milo conseguiu se apresentar como um bom futuro amigo.
Não demorara muito para ver Milo aparecendo, junto com mais duas pessoas.
- E aí Anny? Esperou muito? – Disse Milo.
- Muito! Quase todo mundo da minha sala já foi almoçar. Sendo um atleta até que você é bem lerdinho, hein? – Dizia Annika.
- Ih! Nem nos conhecemos direito e já vi que ela é BEM folgada e mimada. – Disse Aiolia.
- Olha ele Milo! Eu mal o conheço e ele já vem me ofendendo. – Dizia ela fazendo manha.
- Deixa ele, Anny. É só um idiota que não sabe o que fala. – Disse Milo abraçando a menina como se estivesse protegendo-a.
- Como é que é Milo? – Disse Aiolia revoltado.
- Parece mesmo. – Disse ela se aconchegando no abraço.
- Ei! – Aiolia estava quase perdendo a paciência, fazendo todos rirem.
- Bom, chega de papo. Deixa eu te apresentar meus amigos. Esse é o...
- Kanon. Muito prazer, princesa. – Dizia Kanon beijando a mão da jovem, fazendo-a corar um pouco.
- Com licença senhor galanteador, mas você está me interrompendo. – Dizia Milo em um tom quase imperceptível de ciúmes, afastando Kanon. – Continuando, esse grosso aqui é o Aiolia.
- Valeu pela ajuda Milo. – Dizia Aiolia ainda mais emburrado.
- De nada Olia. – Dizia Milo com cara de deboche.
- Por que a gente não para com a conversa fiada e vamos logo, hein? – Disse Kanon.
- Ah... Mas minha mochila está tão pesada. – Disse Annika fazendo manha novamente.
- Não tem problema. O Aiolia carrega para você. – Disse Kanon.
- E por que eu?
- Ora, porque você precisa se redimir com ela. Afinal, você nem conhece ela direito e já chegou ofendendo. Nada mais justo. – Disse Milo, aproveitando o raciocínio de Kanon.
- Ah! Vocês dois são tão fofos! – Disse Annika dando um beijo no rosto de Milo e Kanon. – Vamos então! Toma Aiolia. – Disse ela jogando a mochila em cima de Aiolia e seguindo em frente junto com Milo e Kanon.
- Fala sério! Todo mundo se aproveita da bondade do Aiolia. – Resmungava Aiolia indo atrás dos três.
No segundo andar, muitos alunos já haviam saído de suas salas. Mu e Isabelle saíam tranquilamente, sem muita pressa. Isabelle se espreguiçara toda. Não era muito inteligente, por isso achava a parte da manhã um verdadeiro tédio. Mu não achava certo o comportamento da garota, mas sabendo o quão esforçada ela era, acabava aceitando.
- Ai! Pensei que as aulas não iam terminar nunca! – Disse Isabelle espreguiçando-se.
- Do que está falando? Você dormiu em quase todas as aulas. – Disse Mu rindo de leve.
- Eu não estava dormindo! – Isabelle fazia bico. – Eu estava pensando em uma nova música que estou escrevendo. Aí, pra me concentrar mais, acabei fechando os olhos.
- Mesmo? Não sabia que quando você pensa também baba. – Disse Mu, rindo ao ver que Isabelle ficara completamente vermelha.
Os dois já estavam de saída. Os refeitórios ficavam cheios, apesar de ter três. Mas não deram nem um passo. De repente viram uma pessoa correndo muito rápido, vindo de encontro a eles. Parecia um vulto de tão rápido que corria. Mu não teve nem tempo de reação. A única coisa que viu foi uma menina bem magrelinha pular em Isabelle, apertando-a toda.
- ISAAAAA-CHAAAANN!! Finalmente as aulas terminaram! Agora posso ficar o intervalo todo te apertando! Eu tava doida pra te encontrar de novo! Como foram suas aulas? As minhas foram super divertidas! Os professores daqui são TÃO legais! Eu nem acredito que consegui prestar atenção nas aulas mais de 10 minutos! Mas, mudando de assunto, onde a gente vai almoçar? A comida daqui é gostosa? Quero comer bastante para...
- Ei! Solta a Isa! Você vai matá-la se continuar apertando-a! – Disse Mu tentando separar a elétrica garota de Isabelle.
- NÃO! Solta você! Ela é minha! – Disse a menina puxando Isabelle de volta, apertando-a ainda mais.
- Sua nada! Ela não é objeto pra você ficar falando isso! Solta ela! – Mu insistia.
Isabelle se sentia a corda de um cabo-de-guerra. Estava ficando tonta de um puxar pra cá e o outro puxar pra lá. Não conseguia nem mesmo falar.
- Afinal, quem é você? Namorado dela? Pai dela? SOLTA! ELA É MINHA! – A menina puxou Isabelle com força, o que levou as duas para o chão.
- Ai, ai, ai! A Isa já tem uma estranha atração pelo chão, agora que isso vai se complicar ainda mais. – Dizia Mu vendo as duas caídas.
- Liga não Mu. A Becky é ligada no 220. – Dizia Annabel que vinha se aproximando junto com seu inseparável bloquinho.
- Você conhece essa garota Bellee?
- É uma longa história. – Disse Annabel rindo levemente, lembrando-se do acontecimento da manhã.
- Eu conto! Eu conto! Eu conto! – Dizia Rebecca levantando a mão e pulando.
- Acho melhor a Isa contar. Se você contar ninguém vai entender nada, afinal, você não pára pra respirar. – Disse Annabel fazendo Mu sorrir levemente.
- Tá bom! – Disse Rebecca emburrada, por pouco tempo. – Então conta Isa! Conta! Conta! Conta!
- Não é melhor você se apresentar primeiro, Becky? – Disse Isabelle.
- Ai! Que fofa! Ela me chamou de Becky! – Rebecca apertava Isabelle de novo.
- Becky, se apresente antes que o Mu desista de te conhecer e saia arrastando a Isa com ele. – Disse Annabel reparando na expressão de impaciência de Mu.
- Tudo bem! Meu nome é Rebecca Eri Rabone, mas pode me chamar de Becky. Tenho 16 anos e estou no segundo ano, turma C. – Dizia sorrindo largamente.
- Prazer Becky. Meu nome é Mu. – Disse Mu, um pouco mais calmo, cumprimentando a menina.
- Nyah! Você parece ser legal! Mas qual a sua relação com a Isa-Chan? Você é namorado dela? – Rebecca perguntava inocentemente, fazendo Isabelle corar completamente.
- Não. – Mu ria da curiosidade da menina. – A Isa é minha amiga. Praticamente uma irmãzinha, né Isa? – Disse Mu bagunçando o cabelo de Isabelle, gesto bem comum entre os dois.
- É sim. – Disse Isabelle sorrindo docemente, ainda meio corada.
- Ai que fofo! Vocês parecem irmãos mesmo! Que lindo! Mas eu vou logo avisando, a Isa-Chan é minha agora! Então pode ir se acostumando! – Disse Rebecca se agarrando ao braço de Isabelle.
- Desde que você não a mate, não me importo em dividi-la. – Disse Mu fazendo Annabel e Isabelle rir. Rebecca mostrou a língua para ele e riu logo em seguida.
- Por que não vamos logo para o refeitório? Podemos conversar no caminho. – Disse Isabelle.
- Concordo. Estou morrendo de fome. E as massas acabam rápido. – Disse Mu.
- Tem massas no cardápio? – Perguntou Annabel animada.
- Tem sim, mas é a primeira coisa a acabar. – Disse Mu.
- Então vamos logo! – Disse Annabel já andando, surpreendendo a todos. – ANDA GENTE!
Os três seguiram, rindo.
Aryanne esperava Deba na porta da sala. Ele não demoraria muito, já que estavam no mesmo andar. Ela estava ansiosa para revê-lo. Sonhava acordada com aquele HOMEM alto, moreno, forte e tudo de bom. Sabia que aquele colégio lhe guardava experiências inesquecíveis, mas aquilo era demais pro seu coraçãozinho. Conhecer um cara tão perfeito logo no primeiro dia era muita sorte. Parou de sonhar acordada ao ver Deba se aproximando, correndo ao seu encontro. Por mais rápido que fosse a cena, tudo que Aryanne via era um príncipe vindo em câmera lenta. Seus olhos brilhavam com aquela imagem.
- Espero não ter demorado muito. – Disse Deba, já perto de Aryanne.
- ... – A menina não respondia nada, estava fantasiando algo na cabeça.
- Oi! Ary? Está me ouvindo? – Deba passava a mão na frente do rosto dela, mas sem obter nenhuma reação.
- E aí Deba? – Disse Shaka saindo da sala junto com Dália.
- Fala aí Shaka! Como foram as aulas?
- Muito bem. Dois horários de Matemática é tudo que preciso para começar a semana bem. – Dizia Shaka sorrindo levemente. – A propósito, essa é a Dália. Dália, esse é o Aldebaran.
- Pra... Pazer. – Disse Dália um pouco tímida.
- Prazer mocinha. Ah! Essa aqui é a Aryanne. Mas acho que ela não está ouvindo nada. – Disse Deba.
- O que houve com ela? – Perguntou Shaka.
- Não sei. Eu estava vindo para cá e, quando cheguei, ela já estava assim. Parece que está em transe.
Dália apenas observou Aryanne. Ela estava parada, olhando para Deba, com os olhos brilhando. Inteligente como era, não demorou a entender o que estava se passando na cabeça da menina. Achou que seria interessante fazer um teste para ver se suas suspeitas estavam certas. Segurou no braço de Deba, surpreendendo-o, e saiu puxando-o consigo.
- Meu príncipe, o que faz na presença desses plebeus? Precisamos nos apressar. Vários príncipes e lordes de outros reinos vieram lhe prestigiar no banquete real. – Dália puxava um confuso Deba consigo.
Aryanne despertou na hora. Estavam levando SEU príncipe para longe de si. Não permitiria.
- Espere! Não me deixe, oh meu querido príncipe! Sei que pertencemos a mundos diferentes, mas nosso amor prevalecerá sobre todas as barreiras! – Disse Aryanne segurando o outro braço de Deba.
- O que? Mas... Do que estão falando? Não estou entendendo nada! – Deba estava confuso no meio daquilo.
- Não tente esconder isso, meu príncipe! Sabemos que está apaixonado por essa plebéia! Não pode seguir com esses sentimentos! Nosso rei jamais vai concordar. Para o seu próprio bem, desista dessa loucura. – Dália prosseguia.
- Não interfira! Você jamais será capaz de compreender o amor que nos une! Se nosso rei for realmente bom, entenderá os motivos do filho! – Aryanne parecia aflita.
- Não seja tola, pobre plebéia. Não entende que nosso príncipe tem deveres a cumprir? O reino precisa que ele se case com alguém à altura! Ele é nosso futuro rei e não há como fugir disso! Entenda, antes que seja tarde demais para você e para ele. – Dália também parecia aflita.
- Nunca! Jamais desistirei desse grande amor! Sem ele minha vida não terá mais sentido! Prefiro morrer! – Aryanne derramava lágrimas.
- Ei... Vo... Você está chorando? – Deba, sensibilizado pelas lágrimas da garota, a abraçou. – Não chore, por favor. – Ele disse bem baixinho, deixando Aryanne corada.
- Viu? Não há como impedir o destino! E o destino do nosso príncipe é estar ao meu lado! – Aryanne enxugava as lágrimas e olhava firmemente para Dália.
- Agora entendo. – Dália suspirou, aceitando o fato diante de si. – Não será fácil explicar isso, mas, se é para a felicidade do príncipe, eu enfrentarei a fúria do rei.
- Obrigada! – Aryanne segurou as mãos de Dália e as duas ficaram se encarando.
Um silêncio se fez naquele ambiente. Deba estava confuso e Shaka não sabia nem o que falar. De repente, Dália e Aryanne começaram a rir. Ficaram um bom tempo rindo, deixando Shaka e Deba ainda mais confusos.
- Nossa! Como conseguiu perceber que eu estava fantasiando isso na minha cabeça? – Perguntou Aryanne surpresa.
- Não foi muito difícil. Eu sei bem que isso é mania de quem faz teatro. – Disse Dália ainda rindo um pouco. – Por falar nisso, você atua muito bem. Admito que eu fiquei um pouco surpresa quando você começou a chorar.
- Não é? Talento é o que não me falta! – Disse a menina, convencida. – Você também atua muito bem. Pra falar a verdade, só percebi que estávamos atuando quando o Deba me abraçou. Até então estava sendo levada pela sua atuação.
- Espera aí! – Interrompeu Shaka. – Quer dizer que tudo isso foi atuação?
- Sim! – Responderam as duas sorrindo.
- É Deba, parece que você foi a cobaia da vez. – Disse Shaka rindo.
- Estou vendo! Mas se vocês quiserem continuar me tratando como príncipe, não vou reclamar. – Disse Deba fazendo os três rirem.
- Ainda não fomos apresentadas. Meu nome é Aryanne. Muito prazer.
- Meu nome é Dália. O prazer é meu.
- Fico muito feliz de ter encontrado alguém do teatro! Acho que seremos boas amigas. Quero que me conte tudo sobre você! Podemos trocar dicas de atuação. Tem algumas coisas que ainda preciso aperfeiçoar, apesar de que minha atuação é quase perfeita. Espero que possamos atuar assim de novo. Mesmo que tenha sido por pouco tempo, foi bem divertido. – Aryanne tagarelava sem parar.
Dália apenas ouvia, rindo do jeito enérgico da menina. As duas caminhavam juntas conversando. Deba e Shaka ficaram para trás.
- É. Parece que fomos trocados. – Disse Deba.
- Fico feliz que a Dália tenha encontrado alguém para conversar. Já estava meio sem assunto. – Disse Shaka.
Os dois seguiram as duas, indo um pouco mais atrás. Não queriam atrapalhar a conversa das duas.
Aiolos esperava Monise do lado de fora da turma dela. Gostara da menina. Queria conhecê-la melhor. E não era só pelo fato dela ser bonita, mas porque sentia que ela era mais interessante que a maioria das garotas que conhecera. Como sabia disso? Ora, quantas garotas perguntam seu tipo sanguíneo na primeira vez que se vêem? Podia ser um motivo vago, mas não estava buscando explicações para seu repentino interesse. Apenas queria conhecê-la. E ao vê-la sair da sala, sorriu largamente.
- Desculpe o incômodo. – Disse Monise, ainda um pouco retraída.
- De forma nenhuma isso é incômodo para mim. É uma boa oportunidade para conhecer pessoas novas. – Disse Aiolos sorrindo.
- Obrigada pela sua gentileza.
- Não há de que. Podemos ir?
- Claro.
Os dois começaram a andar pelos corredores. No começo houve certo silêncio. Monise ainda estava um pouco tímida, mas não podia negar que estava curiosa para conhecer Aiolos melhor. Tinha um pouco de dificuldade de fazer amigos por causa da timidez, então deveria aproveitar a oportunidade.
- Ahn... Posso perguntar uma coisa? – Monise perguntou.
- Claro. O que quiser.
- Bem, é que hoje de manhã você me perguntou em que área eu estava, mas acabou que não fiquei sabendo em qual você está. Pode me dizer?
- Estou na área de esportes. Faço Arco e Flecha.
- Sério? – Perguntou um pouco desanimada.
- Sim. Eu te disse que não sou muito bom com estudos. Mas agora que te conheci, gostaria de ser mais inteligente para estar na mesma área que você. – Disse ele sorrindo, fazendo Monise corar.
- Mas e se eu te contasse que também não sou boa com estudos?
- Sério? Pelo livro de Biologia que carrega, acho difícil de acreditar. – Disse Aiolos fazendo Monise soltar um leve sorriso.
- É sério. Se você vir minhas notas de Matemática, por exemplo, vai me achar uma burra disfarçada. – Disse Monise fazendo Aiolos rir.
- Por essa eu não esperava.
- Por quê?
- Ah! Nem sei. Parece que todo mundo que faz parte da área acadêmica é NERD.
- Será que eu quebrei a regra?
- Não sei. Mas se for assim, acho que você é mais interessante do que eu pensava.
- E isso é bom?
- Depende. O que você acha? – Aiolos usava um leve tom de malícia na voz.
- Que você está se achando. – Monise falou séria.
- Nossa! Estou passando uma impressão tão ruim assim? – Aiolos perguntou preocupado.
- Depende. O que você acha? – Monise tentou ser sarcástica, mas acabou caindo na gargalhada.
- Ora, ora. Acho que você devia fazer era teatro. – Aiolos riu também.
O clima que se instalara entre eles era bastante agradável. Monise estava se soltando um pouco mais. Aiolos estava gostando cada vez mais de conversar com ela. Gostaria de passar mais tempo com ela, mas mais alguém pretendia se juntar aos dois. Paty, que viu Aiolos, não pôde deixar de chamar por ele.
- OLOS! – A garota veio correndo e pulou no pescoço de Aiolos. - Oi Monise! – Disse a menina ainda agarrada em Aiolos.
- Oi Patrícia.
- Vocês estão indo almoçar? Posso ir com vocês? Deixa, deixa, deixa!
- Não vejo por que não. – Disse Monise sorrindo docemente.
- Vivaaaaa!
Aiolos suspirou. Não era bem isso que tinha em mente, mas não poderia simplesmente dizer não à Patrícia. Teria outras oportunidades de conhecer Monise melhor.
Na Biblioteca, Shihyo estava sentando em uma das mesas, lendo um livro, enquanto esperava pelas novas companheiras. Hikaru procurava alguns livros para ler e Lillian a ajudava a escolher. Hikaru já havia pegado muitos livros; uma pilha, na verdade. Estava feliz porque finalmente encontrara alguém que lhe daria boas dicas de leitura.
- Vai com calma Hikaru. Não acha melhor pegar um de cada vez? – Disse Lillian vendo que a pilha de livros chegava a cobrir a jovem.
- Ah! Mas eu quero muito ler esses livros. Tem noção de quanto tempo faz que eu não leio um livro descente? – Hikaru parecia bastante animada.
- Mas não precisa exagerar. – Lillian sorria do exagero da garota.
- Eu sinto tanta falta de ler. Depois que eu ler todos esses, voltarei para pegar mais uma pilha. – Hikaru sorria largamente.
- Tudo bem então. Enquanto você termina de escolher, eu vou sentar para ler um pouco.
Lillian se afastou e foi sentar-se ao lado de Shihyo, que lia bastante concentrado. Enquanto isso, Hikaru pegava mais e mais livros. Depois de pegar todos que queria, seguiu para a mesa da bibliotecária. O problema é que estava complicado andar com uma pilha de livros lhe tampando a visão. Logo, aconteceu o inevitável. Sem saber quem estava a sua frente, acabou trombando com alguém. Todos os seus livros caíram no chão. Ela nem sequer vira quem era, apenas abaixou, muito envergonhada, para pegar seus livros.
- Si... Sin... Sinto... Sinto muito... – Ela gaguejava, ainda sem olhar para a pessoa.
- Eu que peço desculpas. Estava um pouco distraído. Deixa que eu ajude.
Hikaru finalmente olhou para a pessoa em quem trombara. Ficou ainda mais vermelha, se é que era possível. Quem seria aquele jovem tão lindo? Ele tinha um ar de maturidade e seriedade extremamente atraentes. Isso chamou a atenção de Hikaru, que ficara hipnotizada com a beleza do rapaz.
- Aqui está. – Disse ele, entregando o livro para a menina.
Hikaru desviara o olhar na hora. Era perceptível sua timidez. Sua pele branquinha estava completamente vermelha, como se todo seu sangue tivesse subido para a cabeça.
- Ah... Be... Bem... Eu... Você... Livro... Agora... E... Depois... Chão... – Ela não falava coisa com coisa, de tanta vergonha.
- Você precisa de ajuda para carregar esses livros? Se quiser posso lhe ajudar.
Hikaru apenas balançou a cabeça em afirmação. Achou melhor na falar nada, já que não conseguia formar frases em uma situação como aquela. Apenas se levantou, com metade dos livros nas mãos, e seguiu com o rapaz para mesa da bibliotecária. Ela nem sequer ousava olhar para ele. Olhava para o chão.
- Pelo que vejo você gosta bastante de ler, não é? – O rapaz puxava assunto.
- Eu... Quer dizer... Si... Sim...
- E pelo que vejo você tem muito bom gosto. Acho que já li todos esses livros. São muito bons.
- Eu... Bem... Não... Obrigada... – Ela ainda estava sem graça. O jovem não conseguiu se conter, soltou um leve sorriso ao perceber a timidez da menina.
Eles chegaram à mesa da bibliotecária. O jovem depositou os livros na mesa. Hikaru fez o mesmo. A bibliotecária sorriu ao ver o rapaz.
- De novo, Shion? – Disse a Bibliotecária.
- Dessa vez não sou eu. É essa mocinha aqui. – Disse apontando para a jovem tímida ao seu lado.
- Você é novata? – Perguntou a bibliotecária à Hikaru.
- Sou... Sou sim...
- Bom, não quero estragar sua alegria, mas você não pode pegar tantos livros assim de uma vez.
Hikaru olhou para a moça desanimada. Queria muito pegar todos. Shion, vendo a expressão desanimada da jovem, sentiu-se na obrigação de fazer algo. Afinal, como um futuro escritor, deveria incentivar a leitura.
- Pode colocar metade no meu nome.
- Tem certeza? Desse jeito você não poderá pegar mais nenhum essa semana. – Disse a bibliotecária.
- Tenho sim. Qualquer coisa eu venho para cá se quiser ler.
- Não... Não... Não precisa... Eu... Quer dizer... Você... E...
- Tudo bem. Não me importo. Gosto de incentivar a leitura. Principalmente quando os livros são tão bons. – Disse Shion sorrindo, deixando Hikaru ainda mais encabulada.
- Então me emprestem suas carteirinhas por um minuto. – Disse a bibliotecária. Hikaru e Shion lhe entregaram o que ela pediu.
- Então...? Será que posso saber o nome da jovem leitora? – Perguntou Shion.
- Hi... Hi... Hi... Hika... – Ela não conseguia nem pronunciar o nome. Shion novamente sorriu.
- Talvez seja melhor eu me apresentar primeiro. Meu nome é Shion, muito prazer. – Disse ele sorrindo.
- Me... Me... Meu... Meu nome... Nome... Nome é... É...
- Aqui está. – Interrompeu a bibliotecária. – Tudo pronto.
- Obrigado. – Disse Shion pegando os livros. – Vamos?
Hikaru apenas afirmou que sim com a cabeça. Estava se sentindo uma boba. Não costumava ficar tão nervosa assim. Com Lillian e Shihyo foi tão mais simples. Por que com aquele rapaz estava sendo tão difícil? Não podia deixar as coisas daquele jeito. Estava determinada! Antes que Shion começasse a andar, ela segurou sua blusa de leve como se o chamasse. Respirou fundo.
- Meu nome é Hikaru Honda! Muito prazer em lhe conhecer. Sinto muito por lhe causar esses problemas. E obrigada por pegar os livros para mim. – Ela falou sem dar nenhuma pausa. Falou de uma vez e sem respirar.
Shion apenas ficou olhando para ela. Houve um silêncio mortal entre os dois. Isso deixou Hikaru quase roxa de vergonha. De repente ele começou a rir. Hikaru não entendeu, mas tudo que podia pensar era em quão belo era o sorriso de Shion. Depois de um breve momento, ele parou de rir.
- Desculpe. Não quis parecer grosseiro. É que você me lembra muito uma amiga que eu tenho. – Disse Shion tentando recuperar a seriedade. – Não precisa me agradecer. Fico feliz em poder ajudar. – Hikaru apenas sorriu levemente. – Ah! Você vai almoçar agora?
- Vou... Vou sim...
- Se quiser posso lhe acompanhar até o refeitório.
- Mes... Mesmo?
- Sim.
- En... Então... Es... Espera só um minuto... Eu... Eu vou chamar... Meus colegas...
- Claro.
Hikaru correu até a mesa onde Shihyo e Lillian estavam e os chamou. Logo voltou, com eles, para onde Shion estava.
- Shion... Esses... Esses são...
- Lillian. Muito prazer. – Disse a jovem tentando amenizar o nervosismo da colega.
- E eu sou Shihyo. Prazer.
- O prazer é todo meu.
- Po... Podemos... Ir? – Perguntou Hikaru.
- Claro. – Respondeu Shion.
Os quatro seguiram, então, para o refeitório. Durante o caminho eles conversavam bastante, se conhecendo melhor. Hikaru logo foi se acostumando e perdendo um pouco da timidez.
Em um dos refeitórios, Suely procurava a jovem que desenhara de manhã. Precisava só observar mais alguns detalhes para terminar seu desenho. Não que estivesse perseguindo a menina, mas ela realmente era uma excelente modelo para se desenhar. Suely olhava para os lados com seu desenho em uma das mãos e uma pasta cheia de folhas na outra. Estava praticamente parada na porta do refeitório para ter uma visão mais ampla. Não estava atrapalhando a passagem, mas alguém acabou trombando com ela. Não foi forte, mas o suficiente para jogar sua pasta no chão e espalhar suas folhas no chão.
Suely se abaixou e começou a juntar as folhas.
- Sin... Sinto muito... Eu... – Ela pedia desculpas, mesmo não sendo a culpada.
- Hum... A culpa é sua. Fica parada bem no meio da entrada. – A pessoa era bem frívola em suas palavras.
Suely olhou para ver quem era. Surpreendeu-se ao ver que era a jovem que estava desenhando. Não esperava por aquilo. Aparentemente ela era um anjo, mas sua atitude não condizia em nada com a aparência. Ela esbanjava arrogância e frieza. Fora que ela nem mesmo ajudou a pegar as folhas, saiu como se nada tivesse acontecido. Suely se surpreendeu bastante. Mas mesmo assim, não conseguia tirar a imagem angelical que tinha dela. Apenas continuou juntando suas folhas. Já estava quase terminando. Faltava apenas mais uma folha, mas alguém foi mais rápido e pegou.
- Aqui está. – Disse a pessoa sorrindo gentilmente.
- O... O... Obrigada... – Disse a menina muito sem graça.
- Você desenha muito bem. Posso saber o nome da artista?
- Su... Suely...
- Muito prazer. Meu nome é Afrodite.
Suely observou o rapaz. Ele era extremamente bonito. Encontrara mais um modelo que adoraria desenhar. Será que ele aceitaria? Era muito tímida para perguntar.
- Você com certeza faz Pintura e Desenho, não é?
- Sim.
- Ora, ora! Então vamos nos dar bem. Eu faço Moda. Não desenho pessoas, mas de uma forma ou de outra tem certa ligação. Não acha? – Afrodite sorria.
- Cla... Claro... – Ela ainda estava tímida.
- Você é nova aqui?
- Sim.
- Conhece alguém?
- Não.
- Posso lhe fazer companhia?
- Po... Pode...
- Então vem.
Afrodite pegou na mão da menina, que ficou terrivelmente sem graça, e a levou para a fila do almoço.
Em outro canto do refeitório, Saga e Camus já almoçavam. Eles comiam tranquilamente e bem devagar. Entre eles havia um grosso livro de química. Camus explicava algumas coisas para Saga. Este, por sua vez, tentava assimilar o máximo de informações possíveis enquanto saboreava sua comida. Os dois pareciam muito concentrados no que faziam. Principalmente Camus que parecia ter prazer em explicar aquela matéria. Não era costumeiro vê-lo sorrir, mas entre uma ou outra explicação era possível ver um leve sorriso em seus lábios. Já Saga tentava se concentrar, mas química não era muito sua matéria preferida.
- Aff... Química me dá dor de cabeça. Chega! Terei o ano todo para entender isso. Por hora já está bom. – Disse Saga um pouco impaciente.
- Sua persistência é algo tão comovente. – Disse Camus, irônico como sempre.
- Você sabe que não tenho paciência com essas coisas. Meu negócio é Física, não tem jeito. – Disse Saga voltando a comer.
- Não se esqueça que você depende da Química para poder passar de ano.
- Pra você é fácil falar, seu NERD arrogante.
- Não sou NERD. Apenas me esforço estudando bastante. – Disse Camus fechando o livro calmamente.
- Cara, eu não consigo te entender. – Disse Saga colocando a mão no ombro do amigo.
- Você tem sorte de ser inteligente Saga. Caso contrário estaria igual seu irmão.
Saga ficou calado. Olhou para o lado como se não quisesse mais conversar sobre aquilo. Camus era um bom amigo, mas precisava relaxar um pouco mais. Ele só pensava em estudos, mais nada. Às vezes isso era um saco. Mas Saga não deixaria que Camus continuasse daquele jeito. Como amigo tinha o dever de mostrar para Camus que existia um mundo legal fora dos estudos. Não que ele precisava se tornar um "Kanon" da vida, mas pelo menos dar uma relaxada.
Saga viu Arya entrando no refeitório. Saga rapidamente teve uma idéia. E se juntasse aqueles dois? Eles deveriam ser bem parecidos. Os dois gostavam de química e eram pessoas meio anti-sociais. Seria interessante. Cogitada a idéia, era melhor colocar em prática. Saga acenou para Arya. Esta veio a seu encontro.
- Você gosta de me perseguir, não é? – Disse Saga sorrindo.
- Você me chamou até aqui para dizer isso? – Perguntou ela desviando o olhar.
- Não, Não. É brincadeira. Apenas queria saber se não quer sentar comigo. Você está sozinha, não é?
- Sim.
- Então...? – Saga olhava fixamente para ela, deixando-a muito sem graça, mas nada perceptível.
- Tudo bem. Não vejo por que não. – Disse ela se sentando de frente para ele.
- Ah! Deixe-me lhe apresentar meu amigo. Esse é Camus. Camus, essa é a Arya.
- Muito prazer. – Disse ela friamente.
- Igualmente. – Disse Camus no mesmo tom que ela.
Ficou silêncio na mesa. Saga ficou meio sem saber o que dizer. Sabia lidar com uma pessoa frívola, mas duas?! De jeito nenhum. Precisava acabar com aquele clima horrível.
- Então Arya, você vai fazer Química, não é? – Disse Saga.
- Vou.
- Sério? – Camus demonstrou certo interesse no assunto.
- Sim. Algum problema?
- De forma alguma. – Disse Camus.
- Seria estranho ele ter algum problema com isso já que ele também faz Química. – Disse Saga.
- Sério? – Arya também demonstrou algum interesse.
- Sim. – Respondeu Camus.
- Já, eu, acho que os dois têm algum problema. – Disse Saga.
- Sua opinião sobre isso é dispensável. – Disse Camus fazendo Arya soltar um leve sorriso.
- Obrigado pela consideração meu caro. – Disse Saga, irônico.
Arya sorriu novamente. Estar com aqueles dois era algo agradável. Por um momento sentiu-se uma garota normal. E não era? Para muitas pessoas não. Mas não queria pensar naquilo. Mesmo não querendo criar expectativas, no fundo ela sabia que queria ter amigos. E por algum motivo sentia que aqueles dois seriam os primeiros de muitos outros. Por hora, manteria certa distância. Pelo menos até ter certeza de que não se machucaria de novo.
Em outro refeitório, Monise, Aiolos e Patrícia já almoçavam. Monise e Aiolos conversavam bastante e Patrícia tentava chamar atenção de alguma forma. Conversavam tranquilamente e de forma agradável. Dohko, que acabara de pegar o almoço, se aproximou dos três.
- Fala Aiolos. Boa tarde Paty. – Disse passando a mão no cabelo de Paty, como em um cafuné.
- Boa tarde Dohko. – Disse Paty sorrindo.
- E aí Dohko? Senta aqui com a gente. – Disse Aiolos.
- Se não se importam, com licença. – Disse Dohko se sentando.
- Ah! Essa aqui é a Monise. – Disse Aiolos.
- Prazer Monise. Meu nome é Dohko. – Disse ele sorrindo.
- Prazer. – Disse ela um pouco corada.
- É Aiolos, não tem jeito. Você só anda com o povo acadêmico. – Disse Dohko vendo o livro de Biologia da garota.
- Ei! E eu? – Disse Paty fazendo bico.
- Ah! Você não conta já que virou o chaveirinho do Aiolos. – Disse Dohko brincando.
- Ei! – Disse Paty meio revoltada, fazendo todos rirem.
- Ah Dohko! Você já viu quando junta o Milo, o Aiolia, o Kanon, o Máscara e o Shura? Só se ouve de mulher e esportes. Preciso de um pouco de intelecto. – Disse Aiolos brincando.
- Putz... Realmente! Concordo com você. – Disse Dohko rindo junto com Aiolos.
- Quem são esses? – Perguntou Monise meio perdida.
- Você ainda não a apresentou pra todo mundo? – Disse Dohko.
- E deu tempo? Eu mal me apresentei para ela ainda. – Disse Aiolos.
- Em que sala você está, Monise? – Perguntou Dohko.
- Estou no terceiro A.
- A sala do Shion. – Concluiu Dohko.
- Acho que você vai se dar bem com ele. Depois eu te apresento. – Disse Aiolos.
- Olos, já está na hora da gente ir pra aula. – Disse Paty.
- Ih! É mesmo. Eu ainda vou acompanhar a Monise até a sala de Biologia. – Disse Aiolos se levantando, junto com Monise e Patrícia. – Foi mal aí Dohko.
- Tudo bem.
- Vamos? – Disse olhando para Monise e Patrícia.
- Sim. – Disseram as duas em uníssono.
- A gente se vê na festa, Dohko. – Disse Aiolos.
- Tchau. – Disse Monise.
- Bye, bye Dohko. – Disse Paty.
- Tchau pra vocês.
Os três se afastaram. Dohko já estava terminando de almoçar. Também não demoraria a sair para sua aula. Quando terminou levantou-se, mas de longe pôde ver uma pessoa que queria muito encontrar de novo. Milena estava sentada em um canto do refeitório, sozinha. Ela comia uma barra de chocolate enquanto escrevia em um caderno. Parecia estar estudando. Dohko apenas sorriu. Gostava de pessoas esforçadas. E ela parecia divertir-se com o que fazia. Dohko não hesitou em se aproximar. Chegou por trás da garota, sem que ela o notasse. Ao ver o que ela fazia, fez uma careta.
- Matemática? – Disse Dohko.
Milena se assustou, jogando a barra de chocolate para trás.
- Sinto muito, não quis te assustar. – Disse Dohko.
- Tu... Tudo bem. – Disse ela recuperando-se do susto.
- Posso me sentar aqui? – Perguntou receoso.
- Por... Por que quer se sentar aqui? – Disse Milena ainda desconfiada, mas um pouco corada.
- Preciso de um motivo? – Disse ele sorrindo.
- Cla... Claro! – Milena desviava o olhar para não ficar ainda mais envergonhada.
- Bom, já que precisa de um motivo diria que é porque quero te conhecer melhor.
- Por quê? Não vejo por que motivo um cara como você gostaria de conhecer uma garota como eu!
- E por que não posso?
- Porque não somos compatíveis. – Disse ela simplesmente.
- E como sabe disso se nem me conhece direito? – Dohko falava sério, mas estava gostando da conversa.
- Porque... Porque... Porque... – Ela gaguejava e ficava ainda mais vermelha.
- "Porque"?
- Porque você é bonito e eu sou só uma NERD nenhum pouco atraente. – Disse ela bem baixinho e de cabeça baixa, para não ter que encarar Dohko.
Dohko não respondeu nada. Milena estranhou. Achou que ele retrucaria. Será que ele não escutara? Como se procurasse uma resposta, Milena levantou a cabeça e encarou Dohko. Só então ela percebeu que ele estava se segurando para não rir. Mas não agüentou, acabou caindo na gargalhada. Milena ficou confusa e meio revoltada com aquela reação. Fechou seu livro e já ia sair de perto, mas Dohko lhe segurou a mão.
- Não vai. Desculpa, não quis lhe ofender.
- O que você quer afinal? – Ela já estava começando a perder a paciência.
- Tudo bem. Vou esclarecer algumas coisas. Primeiro, não acho que preciso de um motivo para querer te conhecer melhor. E segundo que eu não acho que você seja uma NERD sem nenhum atrativo. Pra falar a verdade você é muito bonita, só precisa se dar conta disso. – Disse ele bastante sério, deixando-a completamente corada.
- Nã... Não fale besteiras... Vo... Você só quer me agradar... – Ela desviou o olhar novamente.
Dohko, que ainda segurava a mão da garota, segurou no queixo de Milena, fazendo-a encará-lo.
- Não tenho motivos para mentir para você. – Disse ele olhando fixamente nos olhos da menina.
Milena ficou ainda mais vermelha. Seus rostos estavam muito perto. Milena jamais ficara tão perto de um garoto. Será que deveria dar algum crédito para aquelas palavras? Soava tão falso, mas ditas por Dohko não parecia ser mentira. Ela apenas não conseguia acreditar que um rapaz tão bonito se interessaria por ela, mesmo que para ter sua amizade. Afinal, nunca passara por isso antes. Tudo que os garotos conseguiam dizer é que ela não era nada parecida com uma garota e que ela não passava de uma NERD indesejável. Não sabia como reagir. Apenas se afastou e coçou o nariz, sinal de que estava bastante envergonhada.
- Desculpa. Não quis parecer grosseiro. – Disse Dohko vendo que a menina ficou sem graça.
- Tu... Tudo bem...
- Só te peço que acredite em mim. Eu não tenho intenções e nem motivos para enganá-la. – Dohko procurava ser o mais sincero possível.
Milena olhou bem no fundo de seus olhos. Não era acostumada a conviver com as pessoas, até porque os outros mesmo não faziam questão de manter um relacionamento com ela. Agora ela tinha essa oportunidade. Talvez devesse tentar.
- Tá bom. Mas vou logo avisando que eu sou... Um pouco tímida. – Disse ela um pouco corada.
- Acho que já percebi isso. – Disse ele sorrindo, fazendo-a sorrir de leve também.
Foi a vez de Dohko corar. Ela tinha um lindo sorriso.
- DOHKO! – Alguém o chamou se aproximando.
- Acho melhor eu ir embora. – Disse ela se afastando.
- Espera!
Dohko disse em vão, a menina já havia se afastado. Suspirou. Aquela garota era mais escorregadia que manteiga. Mas não desistiria. Aquela conversa só despertara em si uma vontade mais forte ainda de conhecê-la. Fora que queria muito que ela pudesse se ver de uma maneira mais realista, ou seja, ver o quão bonita ela era. Mas uma coisa de cada vez. Por hora, apenas foi ao encontro de quem lhe chamava e saiu do refeitório.
Deba, Aryanne e Dália seguiam para um dos refeitórios. Shaka já não estava mais com eles, pois teve que passar na sala dos professores para resolver um assunto com o professor de Matemática. Aryanne ia agarrada no braço de Deba enquanto conversava animadamente com Dália. Esta, por sua vez, apenas escutava a elétrica menina. Já estavam quase dentro do refeitório, quando se encontraram com mais algumas pessoas.
- DEBAA!! – Gritou Isabelle.
- Isa! Bem na hora, hein? – Disse Deba.
- Você marcou um gol pra mim? – Disse ela se aproximando. Mu e as outras vinham mais devagar.
- Marquei dez como prometi. – Disse Deba todo orgulhoso.
- Brigada! Em troca eu vou fazer uma música para você. – Disse Isabelle sorrindo largamente.
- Uma? Não! Tem que ser dez. – Disse Deba brincando.
- Você tá brincando, né? Dez músicas?
- É! Tem que ser proporcional.
- Mas vai ser proporcional. O tempo que você levou para fazer dez gols será o tempo que levarei para fazer uma música.
- Espertinha. – Disse Deba bagunçando os cabelos dela. (NA: Sim, todo mundo gosta de fazer isso com ela XD).
- Não vai nos apresentar não, Deba? – Perguntou Aryanne fazendo charme.
- Ora, perdoe-me a indelicadeza. Aryanne e Dália, essa pequena aqui é a Isabelle. – Disse Deba.
- Pra... Prazer. – Disse Isabelle um pouco corada.
- Que fofa! – Disse Aryanne. – É sua irmãzinha Deba?
- Quem dera. – Disse Deba sorrindo docemente para Isabelle.
- Fala aí Deba! Pensei que só ia te ver na festa hoje. – Disse Mu chegando com as outras meninas.
- Pois é. Sorte sua. – Disse Deba. – Ah! Deixa eu te apresentar. Essas são Aryanne e Dália. – Deba virou-se para elas. – E esse é o Mu. Já essas duas eu não conheço ainda. – Disse apontando para Annabel e Rebecca.
- Então vai conhecer agora. Essa é a Rebecca e essa a Annabel. – Disse Mu apresentando as duas.
- Prazer. – Disse Annabel tranquilamente.
- E aí? Meu nome é Rebecca, mas pode me chamar de Becky. Como você chama? Você não é daqui, é? Você é bem grande! E bem forte! Em que área você está? Com certeza de esportes! Qual esporte você pratica? Você faz... – Mu tampou a boca da menina, que tentou continuar falando.
- Desculpa. Ela é meio... – Mu não encontrava a palavra.
- Hiperativa. – Completou Annabel.
- Entendo como é isso. – Disse Deba olhando para Aryanne.
- O que? Eu não sou hiperativa! Só porque eu falo um pouquinho demais? Isso é perfeitamente normal para jovens da minha idade. Na verdade é saudável conversar bastante. É importante saber interagir com as pessoas. – Disse Aryanne.
- Não é? Eu vivia dizendo isso pro meu médico. Mas ele ficava insistindo que o meu caso era diferente porque era um distúrbio. Isso é um absurdo! Eu me recuso a acreditar que isso é um distúrbio. Na verdade isso é mais um dom. – Disse Rebecca como se defendesse uma causa.
- Concordo plenamente com você. Por exemplo, pessoas como nós sabem se expressar muito bem em palavras. Já o Deba, por exemplo, me iludiu hoje de manhã porque me pediu em casamento sem querer! Aí a minha pessoa ficou toda preocupada em tentar dar uma resposta descente. Mas ele nem me deixou terminar de responder e já foi me cortando. Aliás, você não detesta quando as outras pessoas te cortam?
- Sim, sim, sim! Elas não entendem como falar e nos comunicar é importante para nós. E não entendem... – Rebecca continuou falando com Aryanne.
- Ih! Acho que esse assunto vai render. – Disse Mu.
- É melhor irmos almoçar. Eu tô morrendo de fome. – Disse Deba.
- Então vamos. – Disse Isabelle.
Os cinco seguiram para refeitório, deixando as duas garotas hiperativas conversando. Quando elas se deram conta de que estavam sendo deixadas para trás, apressaram-se para ficar perto do grupo.
Não muito longe dali, Annika, Milo, Kanon e Aiolia seguiam para o mesmo refeitório onde Mu e os outros entraram. Annika andava de braço dado com Milo e Kanon. Eles conversavam e riam alto. Annika estava gostando muito daquela situação. Tinha dificuldade em fazer amigos, já que não estava acostumada a se relacionar com outras pessoas. Mas com eles era tão fácil. A conversa fluía naturalmente. Já Aiolia andava atrás dos três com a cara amarrada; parecia um burro de carga. Ele ainda carregava a mochila de Annika. Não gostava nem um pouco de atender caprichos de pessoas mimadas.
Chegaram ao refeitório, mas não gostaram nada do que viram.
- Aff... Esse refeitório está muito cheio. Vamos para outro lugar! – Disse Annika.
- Os outros refeitórios não devem estar muito diferentes desse. – Concluiu Kanon.
- Por favor. – Disse Annika fazendo manha.
- Vocês podem ir, mas eu vou ficar aqui. – Disse Aiolia categórico.
- Por quê? – Perguntou Milo.
- Porque não tô a fim de ir até outro refeitório. Eu tô morrendo de fome. – Disse Aiolia, apenas dando uma desculpa. – Toma! Pega a mochila da senhorita folgada aí.
Aiolia entregou a mochila para Milo, nem ligando para a cara emburrada da menina. Afastou-se dos três. Ainda olhou para trás, mas eles não estavam mais lá. Deu de ombros. Apenas continuou em seu caminho. Entrou na fila do almoço. Não estava muito grande, então não demorou muito para se servir. O problema era escolher onde se sentar. Não queria ficar sozinho. Viu Mu e Deba em uma das mesas e estavam cercados de garotas. Não estava a fim de ir lá e ficar boiando. Deu mais uma olhada no refeitório. Viu Máscara, Shura e Lara conversando em um canto. Resolveu ir até eles.
Ao se aproximar, pôde ouvir claramente o que diziam.
- O QUE? COMO OUSA CRITICAR MEU MODO DE LUTA? – Shura exaltou-se, levantando-se bruscamente e batendo as mãos na mesa.
- Ora, não criticaria se você fosse tão bom quanto fala. – Disse Lara tranquilamente.
- O que está acontecendo aqui? – Aiolia perguntou para Máscara que assistia tudo sem falar nada.
- O de sempre; Shura e Lara discutindo esgrima. – Disse ele voltando a assistir a discussão.
- Eu não admito que uma mulher venha dar palpite no meu modo de lutar. Isso nem é esporte para mulheres. – Disse Shura já um pouco mais calmo.
- O QUE? Acho que é o contrário! Isso não é esporte para homem! Esgrima exige concentração e raciocínio. E trogloditas sem cérebro como você envergonham a honra de todos os esgrimistas! – Disse Lara também se alterando.
- Você não sabe de nada!
- Sei mais do que você. Não sei se você se lembra, mas eu te derrotei em todos os nossos confrontos! – Disse Lara se gabando.
- Ainda vou fazer você engolir esse orgulho todo! Guarde minhas palavras! – Disse Shura se retirando a passos fortes.
- Eu tô dizendo que vocês dois ainda vão acabar se apaixonando. – Disse Máscara.
- VAI PRO INFERNO! – Disse Lara incrivelmente irritada.
- Só se você for com você. – Disse Máscara maliciosamente.
- É mesmo? E o que vamos fazer no inferno? – Disse Lara um pouco mais calma e entrando no joguinho.
- Não sei. Mas se for com você, com certeza, será divertido. – Disse Máscara rindo e fazendo Lara rir também.
- Só você para me fazer rir, Maskito. – Disse Lara. – Fala aí Aiolia! Nem tinha te visto.
- Tudo bem. Eu não quis interromper sua discussão. Sabe o que dizem por aí: "Em briga de marido e mulher não se mete a colher." – Disse Aiolia rindo e fazendo Máscara rir também.
- Aff... Mais um para me amolar! Eu não sei de onde vocês tiraram essa idéia idiota. Viram como aquele gorila sem noção me trata? Eu querendo ajudar e ele vem todo irritadinho. Ninguém merece.
- Ah! Vai me dizer que você não o acha lindo?! – Perguntou Máscara fazendo Lara corar. - Sabia. – Máscara caiu na gargalhada junto com Aiolia.
- Não me enche! – Disse Lara se afastando dos dois.
- Você não pára de pegar no pé dela, não é? – Disse Aiolia.
- Claro! Eu sei que aqueles dois se gostam. Só são muito orgulhosos para admitir. – Disse Máscara com um sorriso de deboche no rosto.
- Quero só ver aonde essa história vai parar.
- Eu já sei onde vai parar. No altar.
Máscara de Aiolia começaram a rir. Ficaram um bom tempo conversando, até Aiolia terminar de almoçar.
Shion, Hikaru, Lillian e Shihyo chegaram ao mesmo refeitório onde Dohko estava antes. O refeitório já estava mais vazio, pois já se aproximava da hora em que as aulas da tarde começariam. Não demoraram muito servindo o almoço. Logo se sentaram e começaram a conversar. Todos eles tinham uma coisa em comum, leitura.
- Na minha opinião, um dos melhores livros que já li foi "A metamorfose" da Franz Kafka. – Dizia Shihyo.
- Eu já li esse livro. Também achei muito bom. Acho que apesar de ter sido escrito em 1912, ele retrata bastante a sociedade e situação humana atuais. – Disse Shion.
- Concordo. Acho interessante que, desde aquela época até hoje, os questionamentos mais básicos do ser humano não têm respostas. – Comentou Shihyo.
- Esse é um ponto interessante de discutir, mas acho melhor deixarmos isso para depois. Estou um pouco curioso para saber que tipo de livro você gosta, Lillian. Você também faz Literatura, não é? – Disse Shion se dirigindo à garota.
- Faço sim. Pra falar a verdade estou bastante ansiosa para ver como é o andamento das aulas. – Disse Lillian.
- Ah! Acho que você vai gostar. As aulas são bem variadas. Desde discussão de livros à produção de textos e histórias. Claro que estudando todos os estilos e tipos de texto e escrita.
- Então eu vou gostar mesmo.
- Mas você ainda não me disse que tipo de livro você gosta.
- Bom, não tenho um estilo preferido. Sou bem eclética no que diz respeito à Literatura. Mas costumo ler mais livros de romances sobrenaturais. Por exemplo, a série Crepúsculo da Stephenie Meyer. – Comentou Lillian.
- Hum... Já li essa série umas três vezes. Não sou muito fã de romance, apesar de também ter um gosto bem eclético para Literatura. Mas a maneira como a Stephenie escreve é bem envolvente.
- Concordo com você. – Disse Lillian.
Hikaru até agora estava meio que perdida. É verdade que ela amava ler, mas fazia tempo que não lia um bom livro. Então não sabia como entrar na conversa. Lillian logo percebeu que a nova amiga estava meio amuada e resolveu dar uma ajudinha.
- Mas, mudando um pouco de assunto, que tipo de música você gosta?
- Música? – Perguntou Shion. – Bem, diria que não há nada melhor que ler enquanto se escuta uma boa música clássica. Vivaldi, Mozart, Bach, Brahms, Chopin; todos me agradam.
- E qual instrumento você mais gosta? – Perguntou Hikaru um pouco mais animada.
- Sou apaixonado por instrumentos de corda. Violão, Violino, Violoncelo, Lira, Harpa; todos possuem sons que me agradam muito. Só não gosto muito de guitarra.
- Sério? Eu... Eu toco Violino. – Disse Hikaru um pouco corada.
- Mesmo? Adoraria ouvi-la tocar. – Disse Shion sorrindo, fazendo Hikaru corar ainda mais. – Por falar nisso, você conhece alguém da aula de Música?
- Ainda não.
- Então eu tenho que te apresentar para uma amiga minha. Acho que vocês se darão super bem.
- Eu ficaria agradecida. – Disse ela sorrindo largamente. – Mas me conta mais sobre suas músicas preferidas.
- Claro.
Shion começou a falar sobre seus gostos e a conversa fluiu de forma agradável e divertida. Conversaram por um tempo considerável.
Annika, Milo e Kanon foram para outro refeitório. Estava bem mais vazio que o outro. Annika sorriu satisfeita. Logo foram almoçar. Nem tinha mais fila. A maioria dos alunos chegava bem cedo nos refeitórios, por isso não tinha quase ninguém. Apenas alguns ainda almoçando ou outros fazendo qualquer outra coisa como ler, estudar, conversar, ouvir música, etc. Os três serviram-se e ficaram procurando lugar para sentar. Annika não tinha nem idéia, afinal, não conhecia ninguém. Milo reconheceu algumas pessoas.
- O Camus e o Saga estão ali. O que acha Kanon? – Perguntou Milo.
- Almoçar com os NERDS do Saga e do Camus?! Nem a pau. – Respondeu Kanon. – Prefiro almoçar com o Dite. – Afirmou Kanon vendo Afrodite em outro canto.
- De jeito nenhum! Eu o fiz passar a maior raiva hoje de manhã. Acho que não será uma boa idéia. – Disse Milo lembrando-se da bronca que levara.
- Então onde? – Perguntou Annika.
Milo e Kanon deram uma nova olhada. Logo avistaram alguém interessante.
- Hime. – Disseram Kanon e Milo ao mesmo tempo.
- Quem? – Annika tentava ver de quem estavam falando.
- Vem que a gente te mostra. – Disse Milo puxando a menina, sendo seguido por Kanon.
Fanny estava sentada sozinha, algo bastante incomum. Estava ouvindo música e cantando baixinho. Estava bem distraída. Kanon chegou por trás e lhe tampou os olhos. Fanny se assustou levemente, mas nada perceptível. Parou de cantar e sorriu levemente.
- Quem será, hein? – Perguntou Fanny.
- Advinha.
- Ah! Com essa voz sensual e máscula não tenho a menor dúvida. – Disse Fanny passando a mão de leve sobre os braços de Kanon.
- É mesmo? Então diga quem é.
- Claro que é meu ator preferido; Kanon. – Disse Fanny.
- Essa foi muito fácil. – Disse Kanon destampando os olhos dela. – Minha voz é tão irresistível que você nunca conseguirá se esquecer dela.
- Bom, em parte isso é verdade. Mas... – Disse ela se levantando e olhando sensualmente para Kanon.
- Mas...?
- Não acha que sua voz fica ainda mais irresistível quando contracena comigo?
- Talvez. – Disse Kanon segurando de leve no queixo da menina.
- Hum... Nesse caso acho que você não precisa de mim, senhor convencido. – Disse Fanny se afastando de Kanon.
- Não faça isso comigo. Você sabe que te adoro, não é?! – Disse Kanon a segurando pelo braço.
- Será? – Disse ela fazendo charme.
- O que você acha?
- Que você ama demais a si mesmo para dizer que adora qualquer outra pessoa.
- Nuuu! Acabou com você, Kanon! – Disse Milo rindo.
- Tudo bem! Eu mereci essa. Mas ela ainda vai cair nos meus encantos. – Disse Kanon confiante.
- Talvez nos seus sonhos, gracinha. – Disse Fanny esnobando. – Meu coração pertence ao Mi. – Disse Fanny se agarrando do braço de Milo.
- Nossa! Dessa vez você me pegou de surpresa. – Disse Milo.
- Então se acostume com a idéia. – Disse Fanny sedutoramente no ouvido de Milo.
- Acho que não será muito difícil. – Disse Milo, safado.
Annika, até então, estava um tanto quanto perdida. Não se sentia à vontade perto de Fanny. Ela roubou toda a atenção. E como Annika sempre foi o centro das atenções, detestava ficar em segundo plano. Por isso ficou quieta em um canto com a expressão um pouco triste. Fanny, mesmo que conversando com Milo e Kanon, pôde perceber que a garota não estava muito bem.
- Milo, você não me apresentou essa jovem linda ao seu lado. – Disse Fanny.
- Ah! Foi mal. Bom, essa é a Annika. Annika, essa é a Hime. – Disse Milo apresentando as duas.
- Prazer Annika. – Disse Fanny sorrindo docemente.
- Prazer. – Disse ela com desdém.
- Seu cabelo é muito bonito. – Disse Fanny.
- Obrigada. – Disse Annika mais animada e toda orgulhosa.
- O que você usa para deixar ele macio e brilhante assim? – Disse Fanny deslizando a mão no cabelo de Annika.
- Na verdade eu não uso nada. Meu cabelo é assim naturalmente. – Disse Annika orgulhosa de novo.
- Pega no cabelo dela, Mi.
Milo deslizou a mão nos cabelos de Annika. Esta, por sua vez, ficou um pouco corada. Mais ainda quando Milo se aproximou para sentir o cheiro dos cabelos dela.
- É macio e cheiroso. – Disse Milo sorrindo.
- Hum... Eu posso ficar aqui ou estou atrapalhando? – Disse Fanny brincando.
- Que isso. Você sempre será a minha Hime. – Disse Milo segurando a mão dela.
- E eu sou o que? – Perguntou Annika enciumada.
- Você é meu anjo. – Disse Milo sedutoramente.
- Que cantada horrível Milo. – Disse Kanon.
- Faz melhor então, senhor boa pinta. – Rebateu Milo.
- Se me permite. – Disse pegando na mão de Annika. – Na minha opinião, você é muito perfeita para ser somente um anjo. Acho que o nome deusa caberia melhor em uma jovem tão atraente e magnífica como você. – Kanon beijou suavemente a mão de Annika.
- É Mi! Acho que você precisa de treino. – Disse Fanny.
- Pelo menos consegui conquistar você. – Respondeu Milo.
- Ih! Depois da cantada que o Kanon deu na Annika, acho que vou mudar o dono do meu coração.
- Que absurdo! Você vai se deixar levar pelos encantos desse ator de quinta?
- De quinta não! Eu sou um profissional! Olha o respeito seu atleta meia boca! – Disse Kanon.
- Meia boca? Já viu minha coleção de medalhas e troféus? – Disse Milo se gabando.
- E lá vamos nós para a sessão "o melhor do ano". – Disse Fanny revirando os olhos, fazendo Annika rir.
Os dois continuaram discutindo, enquanto Annika e Fanny começaram a conversar. Annika estava se divertindo. Sempre sonhara com momentos assim. Sempre quis ter amigos e passar por experiências divertidas como aquela.
Em outro canto do refeitório, Afrodite olhava os desenhos de Suely. Estava silêncio e ela estava tensa. Por ser muito tímida, quase não mostrava seus desenhos para ninguém. O jeito como Afrodite olhava para seus desenhos era tão sério que a menina estava quase tendo um ataque. Ela colocava o cabelo atrás da orelha de cinco em cinco segundo de tão nervosa que estava. Será que estava ruim? Ele parecia estático e abismado. Depois de muito olhar, Afrodite juntou todos os desenhos, ficando com apenas um na mão. Suely ficou esperando algum comentário. Mas nada. Ele apenas olhou para ela, muito sério, e suspirou. Suely ficou ainda mais tensa. Parecia que ele ia falar alguma coisa desagradável e se preparava psicologicamente para isso.
- Ao meu ver, você veio para o lugar certo. – Disse Afrodite seriamente.
- Por... Por que? Vo... Você acha que... Que... Meus desenhos... São... São ruins? – Disse ela um pouco apreensiva.
- Tá brincando? Em que mundo você vive? Seus desenhos são tão perfeitos como os de um profissional. Eu estou tão surpreso que nem sei o que dizer. Nesses três anos que estudei aqui, nunca vi tamanho talento. E olha que estou na área de artes, então eu conheço MUITA gente.
- Sé... Sério? – Agora ela estava extremamente corada.
- Nunca falei tão sério na minha vida. Acho que estar nessa escola será mais que perfeito para você. Pelo que vi você tem preferência em desenhar pessoas, não é?
- Sim.
- Pois é. Aqui eles vão te dar muitas técnicas para aperfeiçoar ainda mais seus desenhos. E você terá contato com outros tipos de desenho e pintura. Então, como você tem muito talento, acredito que aprenderá rápido e poderá desenhar qualquer coisa.
- O... Obrigada... – Suely estava MUITO encabulada.
- Agora quero que me responda uma coisa. Essa pessoa desse desenho aqui é aquela menina que trombou com você, não é?
- É... É sim...
- Nossa, estou impressionado. Eu ouvi o que ela te disse e pensar que aquela garota arrogante pode ser vista de forma tão angelical. Realmente impressionante a maneira como você consegue captar o melhor das pessoas.
- Ah... Que... Que isso... Nem... Nem é assim...
- Como não? Qualquer um concordaria comigo.
- O... Obrigada...
- Você não tem que me agradecer, minha querida. Só estou dizendo a verdade. – Disse Afrodite sorrindo docemente, deixando a menina ainda mais vermelha.
- DITEEEEE!!
De repente surge mais alguém. Afrodite sorriu ao ver quem se aproximava.
- Maeja, onde você estava? – Perguntou Afrodite.
- Desculpa. Eu tive que olhar se na sala de música tem mais de um Violoncelo. – Disse Maeja.
- Você não vai almoçar, não? – Perguntou Afrodite, preocupado.
- Depois eu lancho. Acho que não vai dar tempo de almoçar.
- Você promete que não vai ficar a tarde toda sem comer?
- Prometo. – Disse Maeja sorrindo docemente.
- Sente-se conosco então. Quero te apresentar a mais nova artista do século, Suely. – Disse Afrodite carinhosamente.
- Prazer Suely. Meu nome é Maeja. Espero que sejamos amigas. – Disse Maeja sorrindo.
- Pra... Prazer... – Suely gaguejava de vergonha.
- Não costumo ver o Dite elogiando as pessoas. Não que ele seja ruim, mas é meio exigente. Por isso estou meio curiosa. O que você fez para impressioná-lo tanto?
- Bem... Eu... Ele... Desenhos... E... Elogios... Exagero... – Suely não conseguia formar uma frase.
- Ela faz Desenho e Pintura. Olha só esse desenho. – Disse Afrodite entregando o desenho que tinha em mãos para Maeja.
- Nossa! Você desenha muito bem Suely. Estou impressionada! Não é a toa que o Dite te elogiou. – Disse Maeja observando o desenho.
- O... Obrigada...
Suely, apesar de estar bastante envergonhada, sentia-se bem. Queria se soltar mais e conhecer Afrodite e Maeja melhor, mas sua timidez era uma barreira. Mas sentia que poderia ir com calma, já que Afrodite parecia ter bastante paciência. Com o tempo, quem sabe, não se tornariam grandes amigos?! Suely esperava por isso.
O sinal tocou. Na parte da tarde somente um sinal era tocado. Significava que faltavam quinze minutos para as aulas começarem. Era bom que os alunos chegassem mais cedo para organizar as coisas.
- Bom, vamos? – Perguntou Maeja.
- Claro. Bom que estamos todos na mesma área. – Disse Afrodite sorrindo.
- Po... Posso ir com vocês? – Perguntou Suely um tanto quanto receosa.
- Claro, minha querida. Será um prazer ter sua companhia. – Disse Afrodite.
Os três se levantaram e seguiram para fora do refeitório.
Ao ouvir o sinal, Camus, Saga e Arya se levantaram e saíram. Camus e Arya conversavam muito sobre química e suas matérias preferidas. Saga apenas escutava. Andava tranquilamente com as mãos nos bolsos e olhando para o céu. Arya, mesmo conversando com Camus, olhava de canto de olho para Saga. Por algum motivo, não conseguia parar de olhar para ele. Talvez por ele ter sido o primeiro a elogiar seus olhos, despertara certo interesse em conhecê-lo. Eles iam para o mesmo prédio, por isso seguiam juntos. Pelo menos por um tempo.
- Vocês podem ir à frente. Eu vou dar uma respirada primeiro. – Disse Arya.
- Você sabe onde é a sala de Química? – Perguntou Camus.
- Sei sim.
- Então a gente se vê lá.
- Tudo bem.
- E a gente se vê na festa dos novatos, ok? – Disse Saga.
- Até lá então.
Camus e Saga continuaram seguindo, enquanto Arya deu meia volta. Queria ficar um pouco sozinha. Apenas andar um pouco. Sabia que o dia seria um pouco cansativo, mesmo que gostasse muito de Química. Andava sem destino certo. Caminhava bem devagar, olhando para baixo como de costume. Acabou chegando a uma das praças. Estava vazia. Poucos alunos passavam por ali. Sentou-se em um dos bancos, apoiou-se no mesmo e olhou para cima. O céu estava lindo e o Sol brilhava intensamente. Arya apenas fechou os olhos. Passou um tempo assim, até que ouviu um barulho. Parecia que tinha alguém andando em meio às árvores que cercavam a praça. Resolveu dar uma olhada. Caminhou até certo ponto e pôde ver uma garota dançando graciosamente entre as árvores. Ficou um tanto quanto admirada. Parecia uma fada brincando na floresta. Ficou observando de longe. Mas acabou pisando em um galho, o que chamou a atenção da garota. As duas ficaram se encarando durante um tempo.
- É grosseiro ficar espiando os outros. – Disse a garota que dançava.
- E daí? – Perguntou Arya friamente.
- E daí que eu não lhe dei permissão. – Respondeu a garota num tom bastante arrogante.
- Eu não preciso da sua permissão. Faço o que eu quiser. – Arya retrucou em um tom ainda mais frívolo.
- Que seja.
A garota seguiu na direção de Arya. Apenas passou por ela sem sequer dizer uma palavra.
- Você dança bem. – Disse Arya, fazendo a garota parar.
- Eu sei. – Disse a garota, metida.
- Meu nome é Arya. Posso saber o seu?
- Pra que?
- Você parece ser uma garota muito solitária. Acho que temos isso em comum. Podemos ser amigas. – Apesar de querer conhecer a garota, Arya mantinha o tom frio como se não quisesse se aproximar tanto.
- Não quero ser amiga de ninguém.
- Será?
A garota se virou para Arya, afinal, até então, elas estavam de costas uma para a outra. A garota tinha um olhar triste. Arya reconhecia aquele olhar. Identificava-se com aquela menina.
- Annemie. – Respondeu a bailarina.
- Hã?
- Não queria saber meu nome?
- Ah! Claro.
- Se era só isso, dê-me licença.
Annemie saiu andando graciosamente. Arya ficou apenas olhando. Sorriu levemente. Não era a única que se sentia sozinha naquele colégio.
Continua...
Yoooo ^^/
Ah! Finalmente! Terminei XD!! E eu achando que o último capítulo tinha sido difícil de escrever ¬¬!! Esse aqui foi bem mais u____u!! E eu tenho a impressão que vou repetir isso um tanto de vez XD!!
Bom, explicações Ò___ó/!! Gente, esse cap ficou grande por um motivo simples: Eu quis enfiar todo mundo num único cap XD!! E foi justamente por isso q demorei pra postar!! (Acreditam q domingo eu fiquei presa na estrada por causa do Trânsito? Feriado é foda ___!! Mas como tô de notebook novo, consegui escrever no caminho XD!!) Voltando ao assunto, aviso que EU NON VOU FAZER ISSO COM FREQUÊNCIA! Duvido até que vá fazer isso de novo XD!! Dessa vez foi só pq eu tô ficando aflita já ____!! Non tenho costume de fazer apresentações grandes como essas XD!! O que eu mais gosto é de desenvolver relacionamentos, seja amorosos ou de amizade!! E como tem MUITO personagem, tá complicado de chegar na parte q tô querendo XD!! E esse cap é justamente o oposto do que pretendo fazer, pq ele ficou grande, com cenas cortadas e com pouco desenvolvimento de relacionamento ToT!! Mas enfim, no próximo cap já volto pro estilo q realmente eu escrevo XD!!
Sobre o cap... Como disse non ficou do jeito q qria pq non costumo escrever assim, mas até q gostei do resultado final!!
Em primeiro lugar, acho q ficou meio confuso de saber em qual refeitório estava cada grupo de personagem, enton, só pra clarear um pouco:
Refeitório 1: Mu, Bellee, Becky, Isa/ Aryanne, Deba, Dália/ MDM, Aiolia, Shura, Lara
Refeitório 2: Monise, Aiolos, Paty/ Dohko, Milena/ Shion, Shihyo, Hikaru, Lillian
Refeitório 3: Suely, Dite, Maeja/ Annika, Milo, Kanon, Fanny/ Saga, Camus, Arya, Annemie
Agora o cap XD...
As cenas da Annika foram super difíceis de fazer, achei q fugi um pouco da personalidade dela. Mas o meu objetivo foi tentar mostrar o lado mimado dela, pq, afinal, ela é uma riquinha mimada e folgada que necessita de atenção o tempo todo. Enfim, depois eu comento com a Hiina-Chan com mais detalhes.
Agora, as cenas da Bellee, Becky e Isa eu amo escrever XD!! Acho o jeito da Becky mto divertido e é fácil desenvolver XD!! E a Bellee combina mto com o Mu, claro q como amigos XD!!
A cena da Aryanne e da Dália foi uma das q eu mais gostei XD!! Achei super legal a mini encenação delas, apesar de q sou péssima com roteiro de teatro u____u!! Mas pra uma cena improvisada eu gostei do resultado XD!!
Eu adorei fazer a Paty entrar no meio do Olos e da Monise XD!! Acho q isso vai acontecer muito... hauahauahauahauahauahau XD!!
As cenas do Shion, Hikaru, Shihyo e Lillian tbm gostei mto XD!! Acho a Hikaru e o Shion super fofos XD!! E acho q as discussões entre o Shihyo e o Shion renderiam MUITO, mas non deu pra dar mta ênfase nisso XD!!
A Suely é mto fofa XD!! Ela e o Dite serão amiguenhows forever XD!!
Agora, a Arya, o Camus e o Saga, fala sério XD!! Tenho mtos planos pra eles XD!! Adorei a idéia do Saga tentar juntar o Camus e a Arya XD!! Vai ficar tão perfeito quando ele começar a se apaixonar por ela e começar a ter ciúmes dos dois... enfim, non vou estragar a surpresa contando o q pretendo fazer (apesar de ser meio q óbvio ^^")!!
Dohko e Milena... Nyah! Mto perfeito os dois XD!! O Dohko é mto fofo e educado XD!! Amo escrever com esse casalzinho XD!! A Milena é fofa, mas non sabe disso XD!! Enton o Dohko terá que entrar em ação e isso vai ser tão... Nyah *¬*!!
Lara, Shura e MDM... hauhauahuahauahauahauahau XD!! Muito divertido tbm de escrever com eles XD!! Ainda mais q a Lara arrumou mais um pra encher a paciência dela, Aiolia XD!!
Eu tenho q dar um prêmio pra Hiina-Chan XD!! A Annika é um desafio pra mim, já a Fanny veio pra amenizar as coisas XD!! As cenas da Fanny são tão mágicas XD!! Eu amei escrever com ela, pq ela tem uma personalidade provocativa e eu amo isso XD!!
Eu non sei bem se a Suely vai ser amiguenhaw da Maeja, mas achei q ficou legal as duas e o Dite XD!!
Annemie... Personagem super difícil de encaixar XD!! Foi super difícil colocar ela nesse cap XD!! Acredito q ficará mais fácil agora, já q ela teve um primeiro contato com a Arya XD!!
Enfim gente, tá aí mais um cap!! Espero realmente que tenham gostado XD!! Agora vamos para as notícias da semana XD!! De novo terei q anunciar minha incerteza quanto a postar o próximo cap rápido ToT!! Motivos: Mais provas ToT e... *tambores ao fundo*... ANIME FESTIVAL BH \^^/... *pulos de alegria*!! O Anime festival é esse sábado e eu vou ficar o dia todo fora XD!! O problema é q sábado é o dia q eu mais consigo produzir alguma coisa XD!! Mas vou me esforçar gente XD!! Principalmente q o próximo cap vai ser menor, com menos personagens, do jeitinho q eu gosto XD!!
Bom, acho q já falei até demais XD!! Mas pra um cap grande como esse, non era pra menos u____u!! E valeu pela força gente XD!! Continuem me apoiando pra q eu non perca a criatividade (pq minha criatividade tem vida própria, ela vai e volta qndo quer ¬¬)!! Espero pelos reviews e responderei todos com mto carinho XD!!
Ah... Só mais uma coisa XD!! Sorry pelos erros de digitação e pelos erros de português XD!! Mas é q eu tenho MUITA preguiça de revisar cap XD!! Please, relevem XD!!
Até o próximo cap ^^/
=**
^^v
