Capítulo 6

As aulas corriam tranquilamente. Os novatos não demoraram muito a se adaptar ao ambiente. Os professores se preocupavam muito em receber os novatos da maneira adequada. Por isso eles procuravam inteirar todos, fazendo com que veteranos e novatos trabalhassem juntos. E o resultado disso era realmente maravilhoso. Para os professores não havia nada mais gratificante que moldar novos talentos e incentivar o desenvolvimento daqueles jovens brilhantes. E era justamente assim que o técnico do Atletismo se sentia.

Milo, como atleta exemplar que era, conseguiu quebrar o Recorde estadual de 200m rasos já no primeiro dia de aula. Todos estavam muito impressionados com aquilo.

- Fala sério Milo! Aposto que você ficou as férias inteiras praticando. – disse um dos alunos.

- Claro que não! Isso se chama: dom! – dizia Milo se gabando.

- Gente, gente, rápido! Uma das novatas conseguiu quebrar o Recorde nacional! – disse mais um dos alunos que se aproximava afobado.

- Sério? Vamos lá ver, Milo!

- Hunf... – Milo sentiu uma pontinha de inveja.

Eles foram de encontro à jovem estrela do dia. Milo ia bem devagar, não estava interessado em conhecer uma menininha que acabou de entrar no colégio e já chegou se exibindo. Provavelmente seria uma esnobe que queria aparecer. Milo aproximou-se bem devagar, até mesmo para evitar o tumulto dos alunos.

- Dá licença! Sai da frente!

Milo afastava as pessoas da frente, querendo chegar onde a jovem estava. Ao vê-la se surpreendeu um pouco. Era apenas uma garotinha mirrada. A roupa de atletismo ficava larga em seu corpo. Ela tinha um sorriso largo no rosto. Não se parecia em nada com uma corredora que quebraria um Recorde.

- Mas fala aí, Rebecca, que tipo de treinamento você tem? – um dos alunos perguntou.

- Ah! Eu treino como todo mundo. Não é nada demais. Aposto que vocês têm um desenvolvimento muito melhor que o meu. Estudando em um colégio desses, deve ser incrível! Na escola onde eu estudava quase não tinha esse tipo de incentivo e as estruturas eram péssimas! Estou tão feliz por poder estar...

- Você fala demais. – interrompeu Milo. – Não aja como uma menininha exibida!

- Quem é você pra falar assim comigo? Pra vir aqui e dizer essas coisas, você deve tá se achando a última bolacha do pacote! – dizia Rebecca sentindo seu orgulho ferido.

- Eu?! Você que é a novata esnobe que já chega querendo aparecer!

- Huhuhu... Estou sentindo uma pontinha de inveja. – disse Rebecca debochando de Milo.

- O que disse sua...! – Milo parou de falar.

- Calma, Milo! Ela é novata, pega leve com ela. – disse outro aluno.

- Deixa, ele! Aposto que ele tá é morrendo de inveja!

- Inveja? Eu posso te vencer de olhos fechados! – disse Milo se gabando.

- O que? Você só pode estar brincando! Você teria que nascer de novo umas dez vezes pra ganhar de mim. Eu acho que você só tem papo! Dizem que cão que late muito não morde! E você até agora só falou, falou e falou! Você é um...

- Fala sério! Você não fica calada mesmo! – disse Milo fazendo Rebecca ficar emburrada. – Tudo bem. Já que você acha que eu só falo, então que tal se a gente competisse?

- Eu aceito seu desafio. – Rebecca dizia com muita determinação no olhar.

- Excelente. Então...? Em qual modalidade você quer perder?

- Eu quero GANHAR de você nos 200m rasos.

- Feito.

Milo e Rebecca foram para o ponto de largada. Rebecca estava decidida a ganhar. Não permitiria que aquele exibido de nariz em pé ferisse seu orgulho daquele jeito. O mesmo valia para Milo, que não permitiria que uma novata o vencesse. Logo ele que era a estrela da equipe de Atletismo. Estavam preparados para correr. Rebecca tinha um olhar determinado. Milo apenas sorria confiante.

E foi dada a largada.

Rebecca correu como nunca. Conseguiu ficar na frente de Milo nos primeiros 100m. Mas logo Milo a ultrapassou. Rebecca correu muito, mas não pôde evitar a derrota. Ela se mostrava um pouco cansada. Já Milo nem parecia ter corrido.

- Ora, ora. Quem é que tava de papo furado agora? – Milo tirava sarro da menina.

- Vamos correr de novo! – Rebecca ainda tinha uma grande determinação nos olhos.

- Você pode correr quantas vezes quiser. Não conseguirá me derrotar em nenhuma delas! – disse Milo gargalhando alto.

- Isso é o que nós vamos ver. Vou correr até que minhas últimas forças se esgotem!

Milo parou de rir assim que ouviu aquela declaração. Lembrou-se de quando chegara ao colégio. Tinha o mesmo olhar que Rebecca. Sentiu certa nostalgia ao se lembrar daquilo. Mas não era hora para se sentir daquele jeito. Tinha mais uma corrida para ganhar. Posicionou-se na largada junto com Rebecca que estava realmente determinada. Dessa vez ganharia.

Foi dada a largada.

Mais uma vez Rebecca correu com todas as suas forças, mas Milo acabou ganhando novamente. Rebecca estava pasma. Não acreditava que perdera duas vezes! Não permitiria que isso acontecesse. Mesmo que passasse a tarde toda correndo, iria ganhar!

- Já desistiu? – perguntou Milo em tom de deboche.

- De jeito nenhum! Só estou começando. – disse ela com um sorriso confiante.

Milo sentiu-se um pouco intimidado com o sorriso dela. Ela parecia decidida a ganhar. Milo, por um momento, achou aquilo muito fofo. Mas não ficou muito tempo pensando nisso. Logo eles estavam na largada de novo.

Mais uma corrida, Milo vence de novo.

E de novo.

E de novo.

E de novo.

Rebecca já demonstrava sinais de cansaço. Estava ajoelhada e apoiando as mãos no chão. Tentava recuperar o fôlego. Milo já até tinha se esquecido do motivo de estar disputando contra ela. Apenas pensava que fora divertido. Isso fizera com que ele se lembrasse de como amava correr. Nos últimos tempos preocupara-se tanto com o resultado e medalhas que se esquecera daquele sentimento de satisfação que tinha ao correr. Tinha que agradecer à Rebecca por tê-lo lembrado.

- Mais... mais uma vez... – dizia Rebecca.

Milo olhou atentamente para ela. Soltou um leve sorriso. Depois de tudo aquilo, tudo que conseguia ver era uma garota forte e determinada. Respeitava isso.

- Eu desisto. – disse ele desviando o olhar.

- O que? – Rebecca até levantara com a declaração de Milo.

- Você venceu.

- Peraí! Eu não ouvi direito. O que você disse?

- Se você me fizer repetir mais uma vez eu mudo de idéia.

- Mas... mas... Por quê?

- Eu nunca vou conseguir fazer você desistir. E provavelmente, uma hora ou outra, você ia acabar ganhando. Então estou poupando meus esforços e assumindo derrota.

Rebecca não acreditava no que ouvia. Percebeu que ele estava sendo gentil e que estava meio sem graça. Não conseguiu evitar rir de leve.

- Qual é a graça? – Milo perguntou revoltado.

- Nada não. Obrigada. – disse ela com um largo sorriso no rosto.

Milo também sorriu de leve. Já podia sentir que ela seria uma boa amiga. E também já podia prever muitas corridas pela frente.


No prédio da área Acadêmica, precisamente na aula de Química, o professor terminava de explicar algumas coisas no quadro. Arya prestava bastante atenção. O professor parecia ser excelente. Estava ansiosa para aprender mais sobre a matéria que tanto amava.

- Muito bem turma. Preparei um exercício para vocês fazerem em dupla. Quero ver o nível de conhecimento dos novatos e testar o quanto os veteranos absorveram até agora. Para tal, eu mesmo vou separar as duplas.

O professor começou a indicar os lugares e as duplas. Ao passar pelo nome da Arya pareceu se lembrar de algo.

- Quem é Arya Ylli? – perguntou o professor.

- Sou eu. – ela respondeu.

- Então você é a famosa aluna que tirou 160 em um teste de QI?! – o professor falava bem baixo, apenas para ela escutar.

- Como sabe disso? – perguntou ela um pouco corada.

- Veio em um relatório dos professores do seu antigo colégio.

- ... – Arya ficou meio cabisbaixa, não queria que ninguém soubesse.

- Não se preocupe. Isso é informação confidencial, não me é permitido anunciar para os alunos. – disse o professor vendo a preocupação da jovem.

- Obrigada. – disse ela um pouco aliviada.

- Bom, sua dupla será... – ele procurava por alguém na lista de chamada. – Shihyo Aoshi.

Arya observou bem quando o jovem se levantou de seu lugar para sentar-se ao lado dela. Ele era bem pequeno, parecia uma criança. Mas mesmo tendo tal aparência, ele esbanjava um ar de altivez e grande intelecto.

- Prazer. Meu nome, como o professor disse, é Shihyo Aoshi. Espero que possamos ter um bom aproveitamento da aula juntos. – ele era bastante educado e calmo ao dizer.

- O prazer é meu. Meu nome é Arya Ylli e espero o mesmo. – ela falava em seu habitual tom.

- Bom, agora que já estão em dupla podem começar os exercícios. – disse o professor.

- Como vamos fazer? Faremos os exercícios juntos? Ou você acha melhor cada um fazer uma questão? – perguntou Aoshi.

- Acho melhor cada um fazer uma questão. Assim acabaremos mais rápidos e teremos tempo de revisar.

- Concordo.

Os dois começaram a fazer os exercícios. Não pareciam ter a menor dificuldade em resolver as questões. Arya terminou primeiro. Ficou esperando Aoshi terminar a dele. Observava-o escrevendo. Sentia que ele poderia entendê-la. Afinal, os dois tinham peculiaridades físicas. Mas não comentaria nada. Assim como não gostava que os outros comentassem de seus olhos, provavelmente Aoshi também não devia gostar que comentassem de seu tamanho. Sabia respeitar isso.

- Arya. – Aoshi a chamava, vendo que ela estava pensativa.

- Hã?! Já terminou?

- Já, sim.

- Ótimo. Então eu reviso a sua questão e você revisa a minha.

- Tudo bem.

Os dois começaram a revisar. Aoshi não tivera sequer um erro. Como Arya já previa, ele era realmente bem inteligente. Ele até tinha feito mais do que necessário para responder.

- Olha, você cometeu um pequeno erro aqui. – disse Aoshi.

- Hã?!

- É que para a equação ficar balanceada, aqui deveria ser 3 e não 2. – disse Aoshi apontando o erro.

- Mas se você colocar 3 ainda não ficará balanceada. – respondeu Arya olhando atentamente.

- Tem razão. – Aoshi voltou a observar a questão. – E se colocarmos 6 dos dois lados?

- Acho que assim dá.

- Perfeito.

Aoshi procurou consertar o erro. Quando terminou chamou o professor. Ele entregou o exercício e o professor deu uma olhada. Sorriu levemente.

- Como eu pensava vocês serão uma ótima dupla. Tenho planos para vocês dois. Será que poderiam ficar alguns minutos depois da aula? – disse o professor.

- Claro. – responderam os dois.

- Ótimo!


A tarde foi passando rapidamente. Já estava bem perto das aulas acabarem. O Sol já estava se pondo. O céu mesclava tons de laranja e rosa, formando um espetáculo perfeito para um desenho ou pintura. E foi justamente por isso que a professora de Desenho e Pintura liberou os alunos para desenharem. Ela queria que eles desenhassem o que mais chamasse a atenção de cada um e no dia seguinte apresentariam o resultado para o resto da turma.

Suely andava por todo o colégio procurando algo que lhe chamasse atenção. A paisagem estava perfeita. Só precisava de alguém que servisse de modelo. Andava sem direção. Acabou por parar na área de Esportes. Até que não seria má idéia desenhar algum desportista. Mas precisava achar o modelo certo.

Começou a andar pelos ginásios procurando alguém. Ficou um bom tempo andando. Já estava perdendo as esperanças. Foi quando avistou um jovem que treinava boxe fora do ginásio. Ele fazia várias combinações de socos em um saco de pancadas que estava pendurado em uma árvore. Suely achou aquilo perfeito. Combinava perfeitamente com a paisagem. Ele exalava força, coragem e determinação. Suely se encantou com aquilo. Sentou-se um pouco distante dele e começou a desenhá-lo. Já até imaginava o resultado final.

Ficou desenhando durante um tempo. O jovem nem sequer notara sua presença. Será que deveria se aproximar e contar que estava desenhando-o? Era melhor não. Provavelmente começaria a gaguejar coisas sem sentido. No mínimo ele a acharia estranha. Preferia continuar no anonimato. Quem sabe depois que o desenho estivesse pronto, criaria coragem para falar com ele?! Provavelmente não, mas era melhor pensar nisso depois. Tinha um desenho para terminar.

Achou melhor dar mais uma olhada no jovem. Ele continuava socando do saco de pancadas. Era uma visão totalmente perfeita. Ele estava sem camisa. Seus músculos eram muito bem definidos. Sua pele era morena, o que combinava perfeitamente com a paisagem do pôr-do-sol. Seus cabelos pareciam molhados, pois havia algumas mechas grudadas em seu rosto, que estava levemente corado. Era uma visão muito admirável. Podia ficar o resto da vida apenas apreciando aquele jovem que demonstrava o lado mais belo da masculinidade. Estava tão encantada que até esquecera-se do desenho por um breve momento. Mas ao perceber que estava viajando demais, logo voltou ao que fazia.

Máscara treinava despreocupadamente. Fazia o de sempre. Esperava que com um treino árduo pudesse ter bons resultados. Mas com o passar do tempo começou a se sentir observado. Estava ficando incomodado com aquilo. Olhou ao redor para ter certeza de sua hipótese.

E lá estava ela.

O olhava e depois começava a escrever em uma coisa que parecia ser um caderno.

- "Aff... Era só o que me faltava! Uma louca pra perturbar o meu treino." – pensou Máscara.

Ela parecia concentrada no que fazia. Máscara ficou um tanto quanto intrigado. Resolveu dar uma parada. Pegou uma toalha, que estava pendurada em um dos galhos da árvore, e aproximou-se do ginásio onde havia torneiras do lado de fora. Como estava com muito calor, enfiou a cabeça toda em baixo da torneira. Colocou a toalha em volta do pescoço e voltou para perto da árvore. Pegou sua mochila e já estava indo embora.

Mas não sairia sem tirar satisfações com aquela louca. Sabe-se lá o que ela estava fazendo. Não estava com paciência para aquilo, principalmente porque ela o desconcentrou completamente. Era melhor acabar com aquilo de vez.

Aproximou-se dela. Ela estava tão distraída que nem sequer reparou que ele estava bem perto. Máscara já ia falar alguma coisa, mas parou ao ver o que a garota tanto fazia. Era um desenho.

Jamais tinha visto algo tão perfeito na vida. Nunca ligara para artes e achava aquilo coisa para gente "sem o que fazer". Mas ao ver um desenho de si mesmo tão perfeito quanto um retrato, não pôde deixar de se surpreender.

Suely nem reparara que ele estava ali. Só reparou quando viu uma sombra em cima do desenho. Olhou para cima e lá estava ele. Não sabia onde enfiar a cara. Ficou completamente vermelha e o medo tomou conta de si. Ele parecia ser do tipo que não gostava de ser incomodado. E se ele fizesse alguma coisa? Ficou tão nervosa que ao se levantar acabou derrubando todos os seus desenhos.

- Des... desculpa... eu... aula... você... desenhos... e... pa... paisagem... e agora... atrapalho... descul... pa... – ela falava nervosamente enquanto juntava todos os papéis.

- Tudo bem, eu te ajudo. – disse Máscara se abaixando para ajudar.

Quando ele foi se abaixar, ela se levantou bruscamente, dando uma bela cabeçada nele. Os dois sentiram a cabeça latejar. Foi uma pancada e tanto. Suely, mais sem graça ainda, nem se importou se tinha pegado tudo. Saiu correndo dali.

- Ai, ai, ai. – dizia Máscara massageando o local dolorido. – Garota doida!

Olhou na direção que a garota havia corrido, nem a via mais.

Suspirou.

Realmente não entendera o que foi aquilo. Era melhor ir embora. Abaixou-se para pegar a mochila que havia caído no chão. Só então percebera que a garota esqueceu um desenho. Quando reparou melhor na folha, soltou um leve sorriso. Era o desenho que ela estava fazendo dele. Ao observar melhor não pôde negar que ela realmente tinha muito talento.

- Ou talvez, seja louca mesmo.

Máscara jogou a mochila nas costas e saiu andando, gargalhando alto.

- Muito interessante. – disse ele sorrindo.


Já era tarde. Muitas aulas já haviam acabado e outras estavam bem próximas de acabar. Na sala de Literatura ainda tinham alguns alunos terminando uma atividade que a professora passou. Os que acabassem estavam liberados. Bellee havia acabado de terminar sua atividade. Levantou-se para sair.

- Espera Bellee. – disse Annika.

- Não posso, eu tenho que passar na sala do pessoal da Moda. A gente se encontra na festa, tá? – disse Bellee.

- Tá bom.

Bellee entregou o exercício para a professora e saiu da sala. Estava ansiosa para pegar o vestido. E também um pouco curiosa. Queria perguntar para Dite por que ele resolvera dar o vestido para ela. Não que ela não quisesse, ela simplesmente estava tão feliz que nem conseguia acreditar que estava mesmo acontecendo. Estava recebendo um vestido lindo de um jovem lindo!

Não parecia ser verdade.

Mas ao chegar à sala de Moda, concluiu que aquilo era a verdade. Da porta pôde ver Dite tirando o seu vestido do manequim. Ele estava sozinho na sala, então resolveu se aproximar.

- Ainda não estou acreditando que vou ganhar esse vestido. – disse Bellee.

- Bellee! Chegou bem na hora. – disse Dite com o vestido já em mãos. – Toma. Experimenta.

- O que? Agora?

- Claro! Eu preciso ver como vai ficar. Tenho grandes expectativas. Fiquei a aula inteira tentando imaginar. Não vai me fazer esperar mais, vai? – Dite dizia bem manhoso.

- Ah! Mas nem tem provador aqui e... – Bellee tentava dar uma desculpa, já que ficara um tanto sem graça com o pedido.

- Não seja por isso! Eu saio da sala para você se trocar.

- Mas eu nem estou arrumada.

Dite sorriu docemente e se aproximou de Bellee.

- Você não precisa se arrumar. Já é linda por natureza.

- O... obrigada... – disse Bellee levemente corada.

- E então? Vai experimentar, ou não?

- Olha, vamos fazer o seguinte. Que tal se eu usasse-o hoje na festa dos novatos?!

- Sério?

- Sim. – dizia Bellee sorrindo.

- Perfeito! Será ainda melhor! Acho que por isso eu posso esperar. – Dite sorria de maneira deslumbrante.

Bellee estava encantada com aquele jovem a sua frente. Aquele sorriso era muito inspirador. Não conseguiu conter-se. Acabou pegando seu bloquinho novamente e anotando alguma coisa nele. Dite dessa vez resolveu perguntar.

- Você me permite fazer uma pergunta?

- Hum... Só se você deixar que eu faça uma também.

- Tudo bem. Eu pergunto primeiro...?

- Pode ser.

- Bem, então, o que você tanto anota nesse bloquinho?

- Ah! São idéias que me vem do nada e eu anoto para usar em futuros poemas ou histórias.

- Ah, sim! Agora entendi.

- Minha vez.

- Vai lá, pergunte.

- Por que você resolveu dar esse vestido para mim?

- Eu sabia que você perguntaria isso mais cedo ou mais tarde. Bom, tem dois motivos para isso. Primeiramente porque eu já planejava dar ele para alguém. Então resolvi testar as garotas, para ver se elas realmente apreciariam meu trabalho. Mas todas que eu perguntei me deram respostas completamente superficiais e sempre com segundas intenções. Acho que você foi a primeira que me deu uma resposta satisfatória sobre a minha obra. E segundo porque... por algum motivo quando te vi observando meu desenho, eu senti que o vestido tinha sido feito para você. Mesmo que eu ainda não te conhecesse quando fiz, acho que não existe outra garota que combine mais com ele.

- Mas esse vestido é muito lindo. E eu não sou modelo nem nada.

- Você não é modelo, mas é linda. E se tem uma coisa que eu digo sempre é que as roupas são feitas para realçar a beleza de uma mulher e não o contrário. Acho que é por isso que achei que o vestido ficaria perfeito em você.

Bellee estava surpresa. As palavras de Dite eram tão doces. Queria conversar mais com ele. Queria conhecê-lo melhor. Ele se mostrou uma companhia muito agradável e bastante gentil. Sentia que poderia ficar horas conversando com ele sem se cansar. Porém, mais alguém resolveu se juntar aos dois

- Dite! Dite!

- Isa, estrela do dia! – disse Dite indo abraçar a menina.

- Que bom que te achei aqui ainda. Eu preciso de... – Isabelle parou de falar ao ver a amiga. – Bellee?

- Vocês se conhecem? – perguntou Dite.

- Sim, sim. A gente se conheceu hoje de manhã. – disse Bellee.

- Entendi. Mas, diga Isa, o que deseja? Não acha que ainda é muito cedo para pegar sua roupa? – disse Dite.

- Roupa? – perguntou Bellee intrigada.

- É, a Isa vai cantar hoje e...

- Dite! – Isabelle interrompeu.

- A Isa vai cantar? Na festa dos novatos? – Bellee parecia não acreditar.

- Você não sabia? – perguntou Dite.

- Não! Era surpresa. – disse Isabelle fazendo bico.

- Desculpa. Não fiz de propósito. – disse Dite.

- Tudo bem. – disse Isabelle ainda fazendo bico.

- Não faça essa cara! Sabe que não resisto. – disse Dite abraçando a menina.

- Peraí! É sério mesmo? – Bellee ainda estava chocada.

- Claro! A Isa é praticamente uma estrela aqui no colégio. – declarou Dite deixando Isabelle muito vermelha.

- Não... não é... bem as... assim... – disse Isabelle.

- É, parece que essa festa está prometendo. – disse Bellee.

- Por favor, Bellee, não conta nada pra Becky. É surpresa. – pediu Isabelle.

- Tudo bem, eu não contarei nada. Mas agora que estou sabendo disso eu quero ver a sua roupa. – disse Bellee já imaginando a obra de arte que Dite teria preparado.

- De jeito nenhum. Eu não vou estragar a surpresa ainda mais. – disse Dite.

- Mas a Isa veio aqui pra isso, não é Isa? – perguntou Bellee.

- AH! Eu já estava esquecendo! – disse Isabelle um tanto quanto desesperada. – Peraí.

Isabelle saiu da sala correndo. Logo viu uma garota encostada na parede ao lado da porta.

- Desculpa Hika-chan! Eu meio que me distraí e...

- Tudo bem. – disse Hikaru sorrindo docemente.

- Vem.

Isabelle puxou uma tímida Hikaru para dentro da sala.

- Dite, Bellee, essa é a Hikaru. – apresentou Isabelle.

- Pra... prazer... – disse Hikaru timidamente.

- Prazer. – disseram Bellee e Dite em uníssono.

- Na verdade, Dite, eu vim te pedir um pequeno favor. – disse Isabelle.

- Diga. – incentivou Dite.

- Será que teria como você ajustar o vestido da Mei na Hikaru? – perguntou Isabelle meio receosa.

- Por quê?

- É que a Mei ficou doente de repente e ela não vai poder apresentar.

- Pensei que só tinha a Mei de violinista.

- Sim. A gente ia tentar dar uma improvisada, mas aí a Hikaru apareceu e nos salvou. – Isabelle sorria radiante.

- Mas não é muita responsabilidade para a Hikaru, não? Quer dizer, ela é novata, não é? – perguntou Bellee.

- Sim. A gente pensou nisso também. Mas quando vimos a Hika-chan tocando, todas as nossas preocupações foram embora. – disse Isabelle com os olhos brilhando.

- Não... não exagera... Isa-chan. – disse Hikaru meio sem graça.

- Mas é verdade.

- Bem, já que são essas as circunstâncias eu posso ajustar o vestido sim. Como ela e a Mei tem mais ou menos a mesma estrutura corporal, nem será necessário ajustar muita coisa. – disse Dite.

- Vivaaaaa! – comemorou Isabelle. – Então a gente passa aqui mais tarde. Ainda temos algumas coisas para combinar.

- Tudo bem. Mas não demore muito, senão não vai dar tempo. – disse Dite.

- Pode deixar. A gente se vê depois. – disse Isabelle já saindo.

- Até mais. – despediu-se Hikaru.

As duas saíram da sala, deixando Dite e Bellee sozinhos de novo. Dite voltou a arrumar o vestido de Bellee, colocando-o em uma sacola.

- Toma. Ele é seu agora. – disse Dite.

- Obrigada. Vou guardar com muito carinho. – disse Bellee sorrindo, deixando Dite um pouco corado.

- Não se esqueça do combinado.

- Pode deixar. Não vou esquecer. Bom, é melhor eu ir agora. Tenho que me arrumar para festa.

- Tudo bem.

Bellee virou-se para sair.

- Bellee. – Dite a chamou.

- Sim? – Bellee parou na porta e virou apenas o rosto.

- Vou te esperar na frente do ginásio onde será a festa.

Bellee apenas sorriu e fez um sinal positivo com a cabeça. Logo em seguida saiu da sala. Com certeza aquela noite estava prometendo muita coisa boa. Esperava que fosse algo memorável.


Na sala de Literatura, já não tinha quase nenhum aluno. Lillian e Shion ainda estavam lá. Lillian terminava sua atividade e Shion ajudava a professora a organizar algumas coisas. Assim que terminou, Lillian entregou a atividade para a professora.

- Quer que eu te acompanhe? – perguntou Shion assim que Lillian entregou a atividade.

- Não precisa. Além do mais, preciso me arrumar para a festa. – respondeu Lillian.

- Tudo bem, então. A gente se vê lá. – disse Shion.

- Sim.

Lillian saiu da sala. Na verdade ainda tinha algum tempinho. Então queria aproveitar para ler mais. Tirou o livro da mochila e começou a andar em direção a saída do prédio. Tinha a mania de ler andando. Já estava acostumada a fazer isso, então podia se concentrar completamente na leitura.

Concentrou-se tanto que nem sabia para onde estava indo. O colégio era tão grande e o clima estava tão gostoso que Lillian perdera a noção do tempo e do espaço. Estava completamente absorta em sua leitura. Não demorou muito para que ela chegasse onde aconteciam as aulas esportivas. Parecia que lá era ainda maior devido às várias quadras e pistas que tinham ali. Lillian nem notou para onde estava indo. Estava perto da piscina onde os alunos da Natação tinham aulas. Já não tinha mais ninguém na piscina, mas se Lillian continuasse a caminhar, com certeza, ela cairia. Porém ela nem parecia perceber isso.

Continuou andando. E andando. E andando.

Até que seu pé não encontrou mais o chão. Ela se assustou e fechou os olhos, sentindo que não teria como evitar a queda. De repente sentiu fortes braços a segurando por trás, como em um abraço. A pessoa trouxe Lillian para mais perto, onde não houvesse mais perigo dela cair. Por um momento Lillian se sentiu completamente aconchegada naquele abraço. Era um sentimento estranho, mas Lillian queria continuar ali, envolvida naqueles braços fortes e protetores. Mas isso não durou muito tempo. Logo se viu distante daqueles braços para encarar um belo moreno de olhos verdes. Ele olhava gentilmente para ela.

- Você precisa tomar mais cuidado. Por pouco não fica encharcada.

- Obrigada. Fico te devendo essa.

- Tenha certeza de que eu vou cobrar, viu? – disse ele sorrindo largamente.

- Você é...?

- Aiolia. E o nome da senhorita distraída é...?

- Lillian. Mas pode me chamar de Lilly. – disse ela sorrindo.

- Muito bem senhorita Lilly, devo dizer que esse seu livro deve ser muito bom. Afinal, pra você ficar tão distraída a ponto de não enxergar uma piscina olímpica na sua frente.

- Sim, sim. Esse é o livro que mais gosto! E você o salvou! Sou muito agradecida por isso.

Lillian aproximou-se de Aiolia. Ficou na ponta dos pés, o abraçou e lhe deu um beijo no rosto.

- Obrigada! Obrigada! Obrigada! E Obrigada! – disse ela sorrindo largamente, deixando ele um tanto quanto atordoado.

- Eu... quer dizer... você... e... às ordens... – disse Aiolia ainda sob o efeito da reação de Lillian.

- Eu tenho que ir agora. E obrigada mais uma vez por salvar meu tesouro. – disse ela abraçando o livro.

Lillian passou por Aiolia, já se afastando. Aiolia ainda estava parado com cara de bobo. Nunca foi de perder a fala daquele jeito. Por que com ela foi diferente? Não sabia, mas ficou curioso para saber a resposta.

- Espera! – disse Aiolia, fazendo Lillian parar e olhar para trás.

- Sim...?

- Você vai à festa dos novatos, não é?

- Vou sim. Por quê?

- Será que posso lhe acompanhar?

- Claro. – disse ela sorrindo.

- Vou te esperar em frente aos dormitórios então.

- Tá.

Lillian acenou para Aiolia que apenas sorriu. Na verdade ele estava meio confuso. Em situações normais não teria pedido para acompanhar uma garota como Lillian. Não que ela fosse feia, mas não fazia muito seu tipo. Mas por algum motivo, aquela garota parecia diferente do que estava acostumado. A começar por ela ter conseguido fazê-lo gaguejar. Isso realmente não era nada normal. Talvez a conhecendo melhor, descobriria a resposta.


Na sala de Química, todos os alunos já tinham ido embora. Os únicos a continuar na sala eram o professor, Arya, Aoshi e Camus. Os três alunos esperavam o professor terminar de organizar algumas coisas.

- O professor pediu pra você ficar também? – perguntou Arya à Camus.

- Sim. Embora eu já saiba o que ele quer. – respondeu.

- E o que seria? – perguntou Arya.

- Bem provável que ele queira que sejamos a equipe de Química para as Olimpíadas do Saber.

- Olimpíadas do Saber? O que é isso? – perguntou Arya.

- É uma disputa internacional que visa avaliar o aproveitamento de ensino de cada país participante e procura por jovens talentos. Antes das Olimpíadas acontece uma disputa entre os colégios para organizar a equipe que representará o país. – disse Aoshi.

- Como sabe disso? – perguntou Arya.

- Participei da equipe de Física que representou o Japão no ano passado. – respondeu.

- Agora que disse isso... me lembro de onde eu te conheço. – disse Camus.

- É verdade. Você também participou ano passado, na equipe de Química, não é? – perguntou Aoshi.

- Sim. Como você se chama mesmo?

- Shihyo Aoshi. E você é o Camus, não é?

- Tem uma ótima memória. Não é a toa que está aqui.

- Obrigado.

- Desculpem a demora. Sei que tem uma festa para irem, por isso não me prolongarei muito. – disse o professor se aproximando. – Bem, eu escutei um pouco da conversa de vocês, então creio que já sabem o motivo de estarem aqui. Eu gostaria muito que vocês formassem a equipe de Química que representará a High School Star nas preliminares das Olimpíadas do Saber. Vocês poderiam fazer isso?

- Sim. – responderam os três.

- Bom, o Camus já conhece os procedimentos. Creio que Aoshi também, já que o vi na equipe ano passado. E você Arya?

- Não conheço muito.

- Bom, na verdade não tenho muito que falar. Pelo que pude ouvir Aoshi já explicou muito bem. A competição entre os colégios do país acontecerá daqui há quatro meses. As Olimpíadas serão no fim desse semestre. Ainda é um pouco cedo para pensar nisso, mas gostaria que vocês três formassem um grupo de estudos. Posteriormente passarei mais informações e atividades para ajudá-los nos estudos. Tudo bem para vocês?

- Sim. – responderam os três.

- Ótimo. Então estão dispensados. Aproveitem a festa.

Os três saíram juntos, conversando. Porém, ao chegarem à porta do prédio, se separaram. Camus e Arya iriam para os dormitórios se arrumarem para a festa. Aoshi seguiu para o prédio de Artes para ver se as amigas, Hikaru e Lillian, ainda estavam lá. Andava devagar. Não tinha a menor pressa.

A noite aos poucos tomava seu lugar no céu e Aoshi se alegrava com isso. Não demoraria muito para a lua aparecer. Isso fazia Aoshi ir ainda mais devagar, como se estivesse esperando a aparição triunfal da dama da noite. Mas não demorou muito para chegar a seu destino. Não sabia onde era a sala de Música nem a de Literatura, então teria que procurar.

Vasculhou todo o primeiro andar e não encontrou nada nem ninguém. Foi para o segundo e começou a procurar de sala em sala. Até que, em um dos corredores, começou a ouvir uma música muito suave. O som era bem baixo, mas devido ao silêncio era possível escutar.

Era o som de um piano.

E podia reconhecer a música, Adagio de Mozart. Aoshi foi se aproximando da sala de onde vinha o som. Encostou-se na parede e fechou os olhos para apreciar aquele momento. Não sabia quem estava tocando, mas com certeza a pessoa tinha muito talento. Dava para sentir a paixão, da pessoa, soar pelas notas. Aoshi gostaria muito de conhecer o exímio pianista que tocava naquele momento. Mas não o interromperia no meio da música. Enquanto esperava achou melhor tirar proveito daquele momento.

Ao fim da bela melodia Aoshi ouviu aplausos. Resolveu entrar para conhecer o misterioso pianista. Quando entrou havia apenas três garotas. Dentre elas, Hikaru.

- Aoshi! O que te trás aqui? Pensei que estaria se arrumando para a festa. – disse Hikaru.

- Perdoem-me pela intromissão, mas não pude evitar. Estava passando e ouvi essa excelente exibição de Mozart. – disse Aoshi.

- Entendo. Então acho que você deve se dirigir à pianista, Maeja. – disse Hikaru apresentando a nova companheira.

- Prazer Maeja. Devo lhe dar os parabéns. Você toca muito bem. – disse Aoshi sorrindo docemente.

- Obrigada...?

- Aoshi. Shihyo Aoshi.

- Obrigada pelo elogio Aoshi. Devo dizer que Mozart é uma das minhas paixões.

- Mesmo? Sabe tocar muita coisa de Mozart?

- Sei sim. Peça qualquer uma.

- Lacrimosa...?

- Uma de minhas favoritas. Por que não me acompanha, Isa? – disse Maeja.

- E... eu? – Isabelle foi pega de surpresa.

- Claro. Você canta essa música tão lindamente. – disse Maeja sorrindo.

- Também quero ouvir. – incentivou Hikaru.

- Ma... Mas... – Isabelle olhou para Aoshi e corou violentamente.

- Finja que eu não estou aqui. – disse Aoshi sorrindo.

- Tudo bem. Então vamos nessa. – Isabelle mudou sua expressão completamente e respirou fundo.

Maeja começou a tocar. Hikaru e Aoshi fecharam os olhos. Isabelle começou a cantar. A harmonia que havia entre as notas do piano e a doce voz de Isabelle supriam a carência de outros instrumentos e de mais pessoas cantando.

Maeja estava bastante concentrada e parecia se entregar à música. Isabelle agia da mesma forma, cantando com os olhos fechados e acrescentando arranjos que deixavam a música mais parecida consigo. Maeja e Isabelle estavam em perfeita sintonia. A música não era muito grande, mas mesmo quando terminou ela ainda parecia ressoar na mente de Hikaru e Aoshi. Quando terminou Hikaru e Aoshi aplaudiram. Maeja se levantou do piano e agradeceu. Isabelle apenas ficou extremamente vermelha.

- Isso foi lindo. – disse Hikaru. – Nem acredito que vou tocar com vocês.

- O que? – Aoshi perguntou curioso.

- É mesmo! Deixa eu te contar a novidade. Eu fui convidada para tocar na festa de hoje. – disse Hikaru sorrindo timidamente, apesar de ser clara sua felicidade.

- Sério? Que bom! Estou ansioso para ver a combinação de vocês três. – disse Aoshi.

- Com certeza não vamos lhe decepcionar. – disse Maeja sorrindo, deixando Aoshi um pouco corado.

- Ah! Eu estava quase me esquecendo. Temos que ir Hika-chan ou o Dite vai me matar. – disse Isabelle.

- Vamos então. – disse Hikaru.

- Com... Com licença... A... Aoshi... – disse Isabelle ainda tímida com o rapaz.

- Toda. – respondeu Aoshi.

- Isa, não esqueça que vamos nos encontrar meia hora antes da apresentação. – disse Maeja. – E não se esqueça de levar a Hika-chan com você.

- Tá bom.

Isabelle e Hikaru saíram, deixando os outros dois a sós. Maeja começou a ajeitar o piano para fechar a sala.

- Quer dizer que teremos um show ao vivo na festa? – perguntou Aoshi puxando assunto.

- Sim, sim. Na verdade isso é uma surpresa. Nem mesmo os veteranos sabem disso, só os envolvidos como o pessoal da Moda que fez nossas roupas e o pessoal que vai ajudar no palco.

- Entendo. Bom, depois do que vi aqui agora, imagino que será uma festa muito boa.

- E olha que você nem conhece todo mundo. Espera até ver a banda completa. – Maeja sorria largamente.

- Você vai tocar piano, não é?

- Piano, um pouco de teclado e Violoncelo.

- Mesmo?

- Sim, sim!

- Vejo que é muito habilidosa. – Aoshi sorria, deixando Maeja meio sem graça.

- Ah! Que nada. Você está sendo gentil. – Maeja ficou um tanto quanto desconcertada.

- Eu estaria sendo gentil se eu não entendesse nada de música. Mas como eu sei tocar violão, tenho noção do que é ter habilidade para tocar um instrumento. É o seu caso. – Aoshi falava de modo calmo e gentil.

-Obrigada. – ela dizia meio sem graça com o elogio. – Qualquer dia desses, você podia aparecer aqui pra tocar comigo.

- Seria um prazer. – Aoshi sorria docemente com o convite.

- Bom, eu gostaria de continuar conversando com você, mas teremos que deixar para um próximo encontro. Preciso ir pegar minha roupa e me arrumar logo para a festa.

- Eu também devo ir. Foi um prazer conhecer você.

- Que isso, o prazer foi todo meu. A gente se vê na festa?

- Claro.

- Ótimo. Então até daqui a pouco.

- Até.

Maeja saiu da sala junto com Aoshi. Ele foi se distanciando e Maeja apenas ficou olhando. Com certeza gostaria de passar mais tempo conversando com ele. Esperava que a festa fosse uma boa oportunidade. Ele parecia ser tão simpático e agradável, além de ser muito bonito e de ter muito estilo. Mas era melhor pensar nisso mais tarde. Tinha que correr ou se atrasaria.


O tempo foi passando e já estava bem próximo do início da festa. Faltavam apenas 40 minutos para que o local, onde seria a festa, fosse aberto. Alguns já estavam prontos e apenas andavam pelo campus, conversando. A maioria dos alunos ainda estava nos dormitórios, se arrumando para a tão esperada noite. Os veteranos já estavam acostumados com essa festa, por isso estavam mais tranqüilos. Já os novatos tinham bastantes expectativas. Sendo uma festa na famosa High School Star, com certeza devia ser algo incrível. Nem conseguiam imaginar o que os esperava. Estavam bem ansiosos.

Da mesma forma estavam os alunos da Música. Todos estavam ansiosos. Principalmente porque certa garota tinha desaparecido. Mu recebeu uma ligação pedindo para que ele procurasse Isabelle que nem havia pegado sua roupa ainda. Mu já estava acostumado com aquilo. Sempre que ela se apresentava, um pouco antes ela simplesmente desaparecia da face da Terra sem dar nem sinal de vida.

Mu já estava pronto para a festa. Ele vestia uma calça social preta, camisa igualmente social branca, gravata preta, blusa de frio cinza por fora e vermelha por dentro com as golas levantadas e um tênis branco. Seus longos cabelos estavam presos em uma trança (NA: eu sempre quis ver ele de trança *¬*).

Ele corria em direção à sala de Música. Ele sabia que Isabelle gostava de ficar sozinha antes de uma apresentação e normalmente ela ia para lá. Ao chegar ao prédio de artes percebeu que todas as luzes estavam apagadas. Menos uma. Ficou um pouco curioso. Não era a sala de Música, pois a luz vinha do primeiro andar. Será que Isabelle tinha escolhido uma sala diferente dessa vez? Pouco provável. Mas então quem estaria na sala até àquela hora? Resolveu dar uma olhada.

Entrou no prédio e dirigiu-se até o local de onde vinha a luz. Ao aproximar-se pôde ouvir uma música. Andava lentamente como se não quisesse expor sua presença. Parou na porta e se surpreendeu com o que viu. A sala foi tomada pela dança de uma bela garota. Ela dançava muito bem e era possível sentir a paixão da garota a cada movimento. Ela estava tão concentrada que nem percebeu que alguém a observava. Era algo admirável de se ver. Mu não conseguia sequer arredar o pé dali. Até esquecera-se que estava procurando Isabelle. Tudo que conseguia pensar era em como aquela misteriosa garota parecia um anjo dançando.

Seus movimentos eram tão suaves e precisos que ela parecia flutuar. Seus curtos cabelos negros estavam presos em um rabo alto, permitindo que seu belo e delicado rosto ficasse à mostra. Seus olhos prateados brilhavam em um misto de prazer e tristeza.

Mu ficou ali assistindo até a música terminar e a menina parar de dançar. Sem conseguir segurar a emoção e a vontade de conhecer a jovem bailarina, Mu entrou na sala aplaudindo. A garota, que estava de costas para a porta, assustou-se caindo de bunda no chão. Mu aproximou-se para tentar ajudar.

- Sinto muito, não queria... – Mu parou de falar quando seus olhares se encontraram. - ... te assustar.

A proximidade dos dois era considerável. Mu estava um pouco inclinado e a jovem estava meio agachada, como se ela estivesse prestes a se levantar completamente. Os dois ficaram se encarando por um momento, até a jovem cair em si e ficar completamente corada com a situação. Ela se afasta um pouco. Mu, percebendo que ela estava meio retraída, resolveu se apresentar.

- Meu nome é Mu. Perdoe-me por ficar lhe espionando. Eu apenas fiquei encantado ao te ver dançando. Será que posso saber seu nome?

Mu aproximou-se um pouco, fazendo a jovem dar um passo para trás. Ela estava muito assustada. Não estava acostumada com aquele tipo de aproximação das outras pessoas. Ficou tão perturbada com aquilo que saiu correndo da sala.

- Espera! – Mu ainda tentou segui-la, mas parou na porta.

Sentiu-se um tanto quanto frustrado. Queria muito conhecê-la. Ficou ainda mais curioso. Por que ela teria se assustado tanto? Será que foi tão ruim ter tentado se aproximar? Ela devia ser novata, pois não se lembrava de tê-la visto no colégio antes. Achou melhor deixar aquilo de lado por enquanto. Com certeza a veria novamente. Só esperava que fosse rápido. Desligou a luz da sala e saiu. Ainda tinha que procurar Isabelle.


O movimento de alunos pelo campus só aumentava. O ginásio não demoraria a abrir. Todos estavam ansiosos por isso. Exceto por uma garota que parecia nem se importar com tudo aquilo.

Isabelle estava sentada em uma das praças, bem tranqüila. Como era um local distante do ginásio, não tinha mais ninguém por perto. Isabelle aproveitava o silêncio para se acalmar. O fato de ela ser muito tímida exigia o dobro de concentração e calma. Por isso, antes de qualquer apresentação, ela gostava de ficar sozinha e longe de qualquer coisa que pudesse deixá-la agitada. Ela nem estava pronta ainda. Apenas vestia um short bege, camiseta branca e sandália rasteira.

Não estava nem um pouco preocupada com o tempo. Apenas queria aproveitar o momento, sentir o vento da noite batendo em seu rosto e balançando seus longos e lisos cabelos prateados. Ela olhava para o céu que já estava praticamente negro e cheio de estrelas. Ela sorria. Era uma bela oportunidade de tocar uma música.

E era isso que faria.

Pegou seu amado e inseparável Violoncelo de cor branca, que estava ao seu lado, e começou a tocar. A música que ressoava era suave e calma, mas nada melancólico. Isabelle sorria cada vez mais. Um sentimento de prazer tomou conta de si. Estava completamente perdida nas notas que produzia. Poderia ficar ali a noite toda. Mas sabia que ainda tinha um dever a cumprir. Logo parou de tocar e apenas fitou o céu.

- "Eu peço aos céus, nesse momento, que me permitam tocar o coração das pessoas com a minha música. Mesmo que seja só uma, quero poder transmitir minha alegria em cada nota que tocar e em cada palavra que cantar." – pensou Isabelle.

Ainda ficou um tempo olhando para o céu, mas logo retornou a realidade. Estava na hora, ou melhor, já estava atrasada.

Resolveu se apressar. Pegou seu Violoncelo e o colocou dentro do case. Estava prestes a seguir seu caminho quando sentiu o peso de um olhar sobre si. Sentiu um arrepio percorrendo-lhe a espinha ao cruzar seus olhos com os da pessoa. Não sabia descrever o que sentia. Só sabia dizer que jamais encontrara olhos tão frígidos em toda sua vida. Pareciam dois lagos congelados. Isabelle estava estática. Não sabia se ficava envergonhada ou surpresa.

Camus, a pessoa que estava ali, apenas soltou um sorriso bastante sádico.

- Que grande perda de tempo. Música? Quem precisa de algo tão dispensável?!

Ele apenas deu meia volta e saiu. Isabelle não conseguiu nem mesmo retrucar. Estava hipnotizada por aqueles olhos. Mas sentiu uma pontada no peito ao ouvir aquelas palavras. Ficou parada durante algum tempo, apenas pensando no que acabara de ouvir. Só conseguiu sair de seus devaneios ao ouvir seu nome.

- ISA!! – Mu gritava ao ver a jovem.

- Mu? O que faz aqui? – perguntou Isa quando o amigo se aproximou.

- Eu que te pergunto! Você está mais do que atrasada! Vamos.

Mu saiu arrastando Isabelle. A noite ainda seria longa.


Yoooo ^^/

Oh my God... Desculpa, desculpa, desculpa ToT!! Gente... Dessa vez eu me superei ¬¬!! Eu non costumo enrolar tanto assim, mas acontece q eu tô tão ansiosa pra escrever o cap 7 (q será a festa XD) q simplesmente travei e non tava conseguindo escrever de jeito nenhum ToT!! Tanto q nem gostei mto desse cap, pq ficou meio "cap de encher lingüiça" ¬¬!! Non gostei disso, mas relevei pelo fato de estar ansiosa demais u____u!! Espero poder escrever melhor no cap 7, q já tá praticamente todo feito na minha cabeça XD!! Por isso, tô pedindo desculpas, tanto pela demora quanto pelo cap em si ¬¬!! Isso é meio q um desabafo XD!!

Mas mesmo assim vamos comentar pq ainda tenho mta coisa pra falar XD!! Começando pela parte da Becky e o do Milo q foi uma das cenas q mais gostei de fazer XD!! Achei super fofo o Milo com inveja... hauhauahauahauahauahau XD!! E a determinação da Becky foi tão lindo *o*~~!! Eu gostei mto do resultado final XD!! Espero q Pure-Petit Cat goste pq tô meio em falta com ela (única personagem q ainda non encontrou o par XD)!! Mas no próximo cap sem falta XD!! Já planejei o q vou fazer XD!

As cenas da Arya e do Aoshi foram boas pq já adiantei uma coisa q pretendo fazer, q é as Olimpíadas do Saber (péssimo nome, mas minha criatividade tá toda na festa XD)!! Gostei do contato dos dois, uma coisa bem intelectual e acadêmica XD!!

E por falar em Aoshi, foi MUITO difícil fazer o contato dele com a Maeja XD!! Sério, essa foi a parte q mais travei XD!! Eu qria uma coisa fofa, mas non deu mto certo ^^"!! Mas ainda vou desenvolver isso melhor, por favor relevem esse cap XD!! Pretendo fazer coisinhas com eles no próximo cap XD!! Vai ficar mto perfeito *imaginando*!!

Gente, já virou mania minha premiar uma cena XD!! E dessa vez vai para... *tambores ao fundo*... MASK & SUELY \^^/!! Eu realmente amei fazer a cena deles XD!! Foi a cena q mais gostei e, na minha opinião claro, foi a q ficou mais fofa XD!! A batida de cabeça foi um clássico XD!! A Suely é tão fofa *o*!! O Maskito non vai resistir XD!! *torcida organizada* Go go Suely *\^^/*!!

Bellee e Dite... Tbm amo as cenas deles XD!! Acho q pq os dois combinam demais XD!! E amo o jeito cavalheiro do Dite XD!! E a Bellee vai usar o vestido na festa *o*!! Vai ficar linda demais XD!! O Dite vai babar nela... hauhauahauahauahauahu XD!!

E aí? Gostaram do q a Isa e a Maeja aprontaram pra Hikaru? Sim sim, Hikaru irá tocar na festa \^^/!! E a Isa vai cantar *o*~~!! Já escolhi as músicas XD!! Inclusive uma é de autoria da Isa (na verdade fui eu q escrevi XD)!! Gente... Essa fic me empolgou tanto q eu escrevi uma música *emocionada*!! Na verdade era um poema q eu transformei em música XD!! E o melhor de tudo... Meu namorado é músico e vai fazer a melodia da música pra mim *¬*!! Eu fiquei tão feliz XD!! Por isso, deixa eu agradecer diante de todos: Vitor, meu amor, MUITO OBRIGADA XD!!

Voltando a fic... A parte da Lillian e do Aiolia tbm ficou fofo XD!! Gostei dela instigando o nosso leãozinho XD!! Vai ser legal desenvolver esse casalzinho XD!! Fora q amei fazer ela viajar no momento XD!! Quem non gostaria de estar nos braços daquele leãozinho, hein? Hauahuaahauahuahauahauahau XD!! Lillian sortuda XD!!

A cena da Annemie (deu pra perceber q era ela, né?) foi mto legal de fazer tbm XD!! Ainda acho q ela tá MUITO retraída, mas isso vai mudar a partir de agora XD!!

Eu fiquei com mta dó da Isa XD!! O Camus é mau... hauahahauahauahauahauahau XD!! Ela tava lá toda felizenhaw e ele estragou o momento com aquele comentário infeliz ¬¬!! Mas foi legal XD!!

Enfim... Esse cap non ficou lá grandes coisas, mas tá bom XD!! O próximo non vai demorar tanto já q tô mó ansiosa pra começar XD!! Ah! Gente, avisos agora XD!! Me mandem as roupas q usarão na festa! Tem q ser esporte fino, nada de mto social, elegante demais, nada disso XD!! Uma coisa mais casual, mais ou menos como a do Muzinho (q por sinal ficou mto lindo XD)!! E um recado exclusivo pra Lune Kuruta, a roupa non precisa mandar, mas tipo preciso do calçado e dos acessórios XD!! E penteado, quem quiser me fala o q vai querer XD!! Ah... Maeja (Rajani Devi Lakshmi) e Hikaru (Toriyama Hikari), non precisam me mandar roupa pq tenho uma especial pra quem vai tocar XD!! Mas penteado pode, ok?

Bom, acho q é só isso XD!! Non me lembro de mais nenhum recado no momento. Se eu lembrar, depois mando por MP XD!! Enfim, espero q gostem do cap XD!! E o próximo non demora, de verdade q non XD!! Agradecimento a Lilly Angel88 pela revisão (vou agradecer todos os caps XD)!!

Até o próximo cap ^^/

^^v