Capítulo 7

Já estava na hora de iniciar a festa. Todos os alunos se dirigiam para o Ginásio. Alguns já estavam lá. Outros estavam saindo dos dormitórios, seguindo para o local. Aiolia era um dos que estavam prestes a ir para a festa. Ele só estava esperando sua companhia chegar. Estava um pouco ansioso. Não sabia bem o porquê, apenas queria conversar mais com Lillian. Não que estivesse apaixonado, afinal não acreditava em amor à primeira vista. Só queria conhecê-la melhor.

Olhou no relógio. Ela estava demorando um pouco. Começou a andar de um lado para o outro. Estava realmente inquieto.

- Vai ficar tonto se ficar andando assim. – disse alguém se aproximando.

- Milo? Pensei que já estava na festa há muito tempo. – disse Aiolia.

- Digo o mesmo. Você não é de ficar esperando.

- As coisas mudam, meu caro.

- É mesmo? E posso saber quem foi que te mudou assim?

- Uma pessoa. – Aiolia falava com um sorriso bobo estampado no rosto.

- Olha só! Finalmente estou vendo meu amigo apaixonado de verdade! Quem é a musa da vez?

- Não estou apaixonado! Apenas... – Aiolia deu uma pausa, para depois voltar a falar. - ... curioso.

- Sei. – Milo falava num tom irônico, como se não acreditasse.

Aiolia ignorou o comentário de Milo. Ao longe pôde ver quem tanto esperava. Ela estava linda. Ela usava vestido de musseline vermelho pouco abaixo dos joelhos, com decote quadrado e manguinhas curtas com um leve babado, a saia rodada mais longa em cetim vermelho e sobreposta em musseline da mesma cor, tinha um grosso laço de cetim logo abaixo dos seios no mesmo tom do vestido arrematado por um pequeno laço lateral e sapato peep toe de salto alto cinza metalizado, com detalhe em strass.

Aiolia ficou um bom tempo olhando para ela. De onde ele estava não podia ver perfeitamente o rosto dela. Parecia que ela ainda não tinha visto Aiolia, pois estava rodando de um lado para o outro parecendo um peru. Aiolia soltou um leve sorriso.

- É aquela ali? – Milo perguntou surpreso.

- É sim.

- Ah! Fala sério cara! Já pegou garotas muito mais bonitas. O que você viu naquela ali? – Milo falava em tom de deboche.

- Não fale mal dela. – Aiolia disse num tom bem frívolo. – Aliás, já disse que não estou pegando ela.

- Falou. Eu te conheço Aiolia. Você não dá esse sorrisinho bobo sem ter algum interesse.

- Não enche!

Aiolia saiu de perto de Milo para ir até Lillian. Milo apenas riu e seguiu o amigo. Ao se aproximar Aiolia pôde ver melhor o quanto ela estava bonita. Não sabia por que estava admirando-a tanto, mas não conseguia tirar os olhos dela. Seu cabelo estava preso em uma trança, que passava em volta do cabelo preso em um coque, com a franja solta e as mechas soltas no rosto. Com o cabelo preso, o belo rosto da jovem ficava em destaque. A maquiagem suave que ela usava apenas realçava sua exótica beleza. Seus belos olhos de cor âmbar tinham um leve contorno preto esfumaçado junto com uma sombra verde oliva e em seus lábios um batom de cor vinho escuro.

Aiolia não perdeu mais tempo, logo chamou a atenção da bela moça.

- Perdeu alguma coisa, senhorita Lillian? – disse Aiolia se aproximando.

- Aiolia! – Lillian sorriu ao ver o rapaz. – Acabei de achar.

- Você estava me procurando? Estou surpreso. – disse Aiolia se fingindo de bobo, fazendo Lillian sorrir de leve.

- Demorei muito?

- Demorar é apelido! Pensei que nem viria mais de tanto que você me fez esperar. – Aiolia brincava, fazendo Lillian sorrir ainda mais.

- Sinto muito senhor pontual. Tentarei chegar na hora da próxima vez. – Lillian se sentiu levada pelo ar descontraído de Aiolia.

- Próxima vez? Que próxima vez? Você acha que depois dessa terá outra chance?

- Oh não! Perdi minha grande chance de conquistar o homem do século! Vou chorar. – Lillian dizia em tom de deboche.

- Engraçadinha.

Os dois riram. Estabeleceu-se um clima muito agradável entre eles. Aiolia ficou um tanto quanto surpreso com isso. Não tinha o costume de conversar tão naturalmente assim com uma garota. Normalmente era sempre com segundas e terceiras intenções, mas com ela era diferente. Sentia-se à vontade para conversar e se soltar. E era justamente por esse motivo que Aiolia estava tão curioso para conhecer Lillian. Queria saber por que se sentia assim, tão livre, perto de uma garota que acabara de conhecer. E estava determinado a descobrir o motivo disso.

- Então...? Podemos ir? – disse Lillian.

- Claro. – respondeu Aiolia.

- Vai sair assim sem me apresentar? – Milo se aproximava dos dois com um sorriso bem grande no rosto.

- Aff... Não quero estragar a noite da Lillian. – disse Aiolia, reconhecendo as intenções do amigo por detrás daquele sorriso.

- Que isso! Sou seu melhor amigo e você tem coragem de me tratar assim, Olia? – Milo usou um tom bem debochado ao pronunciar o nome do outro rapaz.

- Ai, ai, ai! Se eu te apresentar você deixa a gente ir em paz?

- Claro! Por que motivo eu seguraria vocês dois aqui?

- Ótimo! Lillian, esse é o Milo. Milo, Lillian.

- Prazer senhorita Lillian. – Disse Milo segurando a mão da garota e dando um suave beijo.

- Pra... Prazer. – Lillian ficou um tanto quanto desconcertada.

Aiolia ralhou Milo pelo olhar. Milo apenas sorriu vitorioso. Conhecia o amigo. Sabia que ele estava começando a se apaixonar. Mas sabia também o quanto Aiolia era ingênuo em relação aos seus próprios sentimentos. Talvez tivesse que dar um empurrãozinho nele.

- Agora que já se conheceram, com licença Milo. – disse Aiolia meio irritado.

- Toda.

Aiolia e Lillian foram se afastando e Milo apenas acompanhou com o olhar. Parecia ser implicante, mas Aiolia era seu melhor amigo e se importava muito com ele. Faria o que tinha que ser feito, mas isso eram planos para outra hora.

- Você é um bobo, Milo. – disse alguém no ouvido de Milo.

- Hime! – Milo sorriu ao ver a garota.

- Fica aí olhando pra ele com cara de "meu menino está crescendo". – disse ela caindo na gargalhada logo em seguida.

- Claro! Olha só pra ele. Nem se toca que tá caidinho pela garota ao seu lado.

- Você acha?

- Eu conheço o amigo que tenho. Ele é que é muito ingênuo.

- Ingênuo? O Aiolia?

- É.

- Estamos falando da mesma pessoa?

- Claro que estamos!

- Mas o Aiolia é um dos caras mais populares que tem. Ele já deve ter tido umas doze namoradas só no ano passado! Uma por mês. Não entendo por que o está chamando de ingênuo.

- Simples. Por que você acha que ele teve tantas namoradas?

- Por que ele é um galinha?

- Não! Isso você pode dizer do Kanon, mas do Aiolia não. Acontece que ele nunca se apaixonou antes. Ele é daquele tipo que sonha com a garota perfeita. Por isso nunca teve um relacionamento duradouro.

- Sério? Por essa eu não esperava. – disse Fanny sorrindo.

- Pois é. E parece que ele finalmente encontrou o que queria. Só que vou precisar dar um empurrãozinho pra ele perceber isso.

- O que está aprontando nessa sua cabecinha?

- Espere e verá, minha doce Hime.

Milo sorria como uma criança que estava prestes a aprontar alguma.


Aiolia e Lillian andavam em direção ao Ginásio. Aiolia ainda estava um pouco alterado com a atitude de Milo, mas não deixaria aquilo estragar sua noite.

- Então, o que está achando do famoso High School Star? – perguntou Aiolia.

- Estou achando tudo um máximo. A estrutura é ótima. As aulas são super divertidas e muito produtivas. E os professores, à primeira vista, são muito legais e prestativos. Acho que ter vindo para esse colégio foi uma das melhores coisas que me aconteceu. – disse Lillian sorrindo docemente.

- Que... Que bom... Fi... Fico feliz por... Por você... – disse Aiolia um tanto quanto desconcertado.

- Obrigada. Mas e você? Gosta daqui?

- Tá brincando? Eu amo esse lugar! Lembro que quando ficamos sabendo desse colégio eu fiquei super empolgado. Mas foi muito complicado vir para cá.

- Por quê?

- Imagina a minha situação. Eu era o caçula da família. Minha mãe já não queria deixar meu irmão mais velho vir. Só depois de muita insistência que ela deixou. Aí quando chegou a minha vez de vir foi o maior escândalo.

- Sério? – perguntou Lillian soltando um risinho.

- Você ri porque não foi com você. Eu tive que ficar escutando coisas do tipo: "Não acredito que meus bebezinhos estão me abandonando desse jeito! Devia existir uma lei universal proibindo os filhos de deixarem a mãe tão cedo assim." – disse Aiolia imitando a mãe, tanto nos gestos como na fala. Lillian começou a rir das gracinhas do rapaz.

- Sua mãe disse isso mesmo?

- Disse. Você tinha que ver ela no aeroporto. Ela ficou em prantos. Meu pai teve que comprar um calmante para ela.

- E você não ficou com dó de deixá-la não?

- Claro que fiquei. Mas meu pai me disse para não me preocupar. Ele já tinha outros planos.

- Outros planos?

- É. Logo depois que eu vim para cá, minha mãe engravidou.

- Quer dizer que você ganhou mais um irmãozinho?

- Irmãzinha.

- Que legal! E você já a viu?

- Pessoalmente não, apenas pelo webcam.

- E depois disso sua mãe deve ter largado um pouco do seu pé, não é?

- Que nada! Ela me liga todo dia de manhã. Fica fazendo um monte de perguntas. Das mais comuns às mais absurdas.

- Absurdas?

- É. Do tipo: "Você não está se drogando, está? E bebendo?" – Aiolia imitava a mãe novamente, fazendo Lillian dar gargalhadas.

- Sério? Sua mãe deve ser super legal.

- Bom, isso é verdade. Mas ela podia pegar mais leve. Acredita que ela fica escolhendo o tipo de namorada que eu devo ter? "Não arrume nenhuma vadia para namorar! Não quero nenhuma nora ruim. Arrume uma que seja prendada e bastante educada. E na hora da relação, use camisinha. Não quero netos da idade da sua irmã!" – depois dessa fala Lillian gargalhou bastante. Aiolia fez cara de bravo, mas estava gostando de fazer a garota rir daquele jeito.

- Na... não acredito... que... que sua mãe... disse isso... – Lillian falava entre as risadas.

- Pois pode acreditar. E não é só pra mim. Meu irmão passa pelas mesmas coisas. E olha que meu irmão é super centrado.

- Acho isso um máximo.

- Sério? A maioria das pessoas acha um saco. Eles vivem dizendo que sentem dó de mim por ter uma mãe assim.

- Eu acho isso demais. Quer dizer, sua mãe ama muito você, por isso se preocupa tanto. Acho isso admirável. – disse Lillian sorrindo tristemente.

Por alguma razão a fala de Lillian parecia carregada de tristeza como se ela se lembrasse de algo bastante doloroso. Aiolia não pôde deixar de perceber o clima que se instalou entre eles. Não gostou nada de ver Lillian tão pra baixo. Não perguntaria por que motivo ela ficara daquele jeito, pois sabia que seria pior. Tudo que queria agora era mandar aquela tristeza para longe dali. Afinal, a noite era de comemorações.

- Não precisa ficar tão preocupada assim. – disse Aiolia andando com os braços atrás da cabeça e olhando para o céu.

- Hã? – Lillian não entendeu.

- Minha mãe não escolhe minhas amigas, por isso não precisa se preocupar. – Aiolia olhou para Lillian e sorriu. Ela logo percebeu que ele estava tentando animá-la.

- Que convencido você é. Quem te disse que quero ser sua amiga?

- Pára! Quem não quer estar ao lado de um cara tão perfeito como eu?

- Bom, sempre tem uma primeira vez pra tudo, né? – Lillian falava seriamente.

- Espera! Você está falando sério? – perguntou Aiolia preocupado.

- O que você acha? – Lillian continuava séria.

Os dois ficaram se encarando durante alguns segundos. Lillian não conseguiu agüentar e acabou caindo na gargalhada. Aiolia acabou rindo também. Os dois ficaram rindo por um bom tempo, até que um deles retomou a conversa.

- Sabe? Esse sorriso combina mais com você. – disse Aiolia deixando Lillian um pouco ruborizada.

- Obrigada.

Os dois continuaram andando e conversando. Lillian se sentia muito bem perto de Aiolia. Ele era engraçado, gentil e agradável. Além de ser muito bonito. E estava ainda mais bonito naquela noite. Ele usava uma camiseta verde curta, deixando à mostra uma parte dos definidos músculos da barriga, uma camisa preta com detalhes em vermelho aberta e com algumas correntes presas ligando-a com a camiseta, calça preta com detalhes vermelhos, um cinto em estilo esporte largo e preto com uma corrente presa do lado esquerdo e tênis de cano longo. O visual o deixava com um ar um tanto quanto selvagem, o que lhe caía muito bem. (NA: O visual dele foi baseado no Rayne de Neo Angelique Abyss XD)


Milo e Hime continuavam em frente aos dormitórios. Eles estavam esperando Annika chegar. Enquanto isso, eles conversavam animadamente.

- Mas deixe-me dizer que você está realmente linda. – disse Milo com um olhar bastante sedutor.

- Mesmo? Estou tão normal.

Hime deu uma voltinha como se estivesse fazendo charme. Milo a olhou cuidadosamente de cima a baixo. Ela estava deslumbrante em seu vestido azul-marinho tomara que caia até um palmo acima dos joelhos de cetim brilhante com um laço no lado direito de onde saíam várias tiras de pano e sandália de salto alto de cor prata. O vestido entrava em contraste não só com seu belo cabelo azul claro, que estava solto, mas também com seus brilhantes olhos azuis. Sua maquiagem apenas realçava seus traços delicados e suaves. Usava uma sombra azul e um contorno de lápis preto. Nos lábios um batom bem discreto de cor rosa claro.

Milo não conseguia tirar os olhos dela. Não só pela sua beleza, mas por ela ser quem era. Hime foi a única garota em todo o colégio a dar um fora em Milo. Teimoso do jeito que era, não desistiria dela tão fácil. Porém, já estava começando a ficar impaciente. Ver aquela musa a sua frente e não poder fazer nada a mais que um simples amigo, o estava deixando louco. Esperava conseguir alguma coisa naquela noite.

- Então? Não acha que estou bem normal? – perguntou Hime sorrindo sarcasticamente.

Milo se aproximou e a enlaçou pela cintura, deixando que os rostos ficassem bastante próximos. A ponto de um sentir a respiração do outro. Hime apenas continuava com seu sorriso sarcástico no rosto.

- Você gosta de me provocar, né? – disse Milo quase num sussurro e com a respiração descompassada.

- Eu faço o que posso.

- Acho melhor você não ficar abusando da minha paciência ou...

- OU o que?

- Ou eu não respondo por mim.

- Você não fará nada. Afinal... – Hime se desvencilhou dos braços de Milo. – ... Você está aqui. Na palma da minha mão.

- Veremos. Veremos.

Hime sorria cada vez mais. Adorava provocar Milo daquele jeito. Não fazia por mal, pois sabia que ele também levava na brincadeira.

- Bom, se você está todo descontrolado desse jeito, quer dizer que eu estou no seu nível, não é?

- Talvez. – Milo também provocava.

- Talvez? Nesse caso acho que não poderei ficar do seu lado então. Deve ser vergonhoso ficar ao lado de alguém que não é do seu nível.

- Eu agüento.

- Mesmo?

- Sim.

- Então vai jogar de acordo com as minhas regras pelo menos, não é?

- Se eu fizer isso, vou ganhar uma recompensa? – perguntou maliciosamente Milo.

- Talvez.

- Então diga.

- Bom, só existe uma regra. Você deve ter olhos única e exclusivamente para mim. Durante a noite inteira.

- Bom, será difícil. Mas eu farei esse sacri...

Milo parou de falar na hora. Seu olhar parecia fixo em alguma coisa. Hime estranhou. Olhou na mesma direção que ele e sorriu. Ao longe pôde ver Annika se aproximando. Hime tinha que admitir que ela realmente estava linda a ponto de deixar Milo sem palavras. Parecia uma modelo desfilando na passarela. Seu andar era suave e elegante. O vento da noite batia, balançando seus longos cabelos ruivos. Ela vestia um vestido verde esmeralda tomara que caia com várias pregas na parte de cima e a parte de baixo de cetim, leve e esvoaçante, e uma sandália de salto alto preta com detalhes prateados que combinavam com seu colar prateado com um pingente de Strass. Usava contorno de lápis preto e sombra branca nos olhos, apenas para realçar seus traços delicados, e um batom rosa nos lábios.

Ela se aproximava bem devagar. Para Milo era como uma câmera lenta. Ele simplesmente não conseguia tirar os olhos dela. Nem sequer piscava. Não demorou muito para que ela se aproximasse dos dois.

- Oi Hime! – disse Annika sorrindo largamente.

- Oi Annika. Você está linda! – disse Hime.

- Obrigada. Você também está.

- Obrigada.

- O que houve com o Mi? – perguntou Annika ao ver que Milo parecia paralisado.

- Está ocupado demais babando em você. – disse Hime rindo de leve.

- Sério? – Annika sorria travessa.

Milo não falara nada. Estava boquiaberto e parecia hipnotizado. Annika aproximou dele bem devagar. Ela aproximou o rosto do ouvido de Milo e sussurrou de leve.

- Gostou do que viu?

Milo se arrepiou dos pés a cabeça. Hime e Annika caíram na gargalhada.

- Aprendeu rápido, hein garota? – disse Hime.

- Pois é. – Annika sorria largamente.

- Não fique ensinando essas coisas para ela, Hime. – disse Milo se recuperando do choque.

- Ah Mi! Isso não teria acontecido se você não fosse tão indiscreto. – disse Hime ainda rindo.

- Eu não posso fazer nada. Acontece que eu sei apreciar a beleza de uma jovem.

- Ele fala como se isso fosse um dom. – disse Annika.

- E é. – disse Milo todo orgulhoso.

- Se isso é um dom, com certeza você não tem. – disse alguém se aproximando.

- Kanon. – disse Hime.

- Olha só! Duas belas jovens desperdiçando tempo com um cara tão vulgar quanto o Milo. – disse Kanon rindo logo em seguida.

- Vai se ferrar! – disse Milo.

- Você ainda tem muito que aprender Milo.

- E suponho que você queira me ensinar, né? – disse Milo em tom de deboche.

- Claro! Em primeiro lugar, não seja tão óbvio. Garotas não gostam que fiquem babando nelas. Isso só te faz parecer um tarado. Seja discreto e gentil. Apenas elogie. Por exemplo... – Kanon segurou o queixo de Annika suavemente. – Você está tão linda quanto o magnífico desabrochar da Rainha da noite.

- É Mi. Você precisa ter umas aulinhas com o Kanon. – disse Hime.

- Isso aí é tudo falso. Quem cairia na lábia desse ator de quinta? – disse Milo com desdém.

- Eu caio. – disse Annika olhando fixamente para Kanon.

- Tá bom! Pode parar por aí! – disse Milo separando os dois.

- Quem sabe você chegue nesse nível um dia, Mi. – disse Kanon em tom de deboche.

- Não fique se engraçando com as minhas garotas! – disse Milo.

- Suas? Fala sério Milo! – disse Hime incrédula.

- Eu não sou de ninguém! – disse Annika.

- É Milo. Se você não dá conta, é melhor nem tentar. – disse Kanon abraçando as duas garotas pelo ombro e seguindo para a festa.

- Aff... Não vou ficar sozinho de jeito nenhum!

Milo foi atrás deles tentando separar Kanon das duas garotas.


Bellee já estava pronta e saía do dormitório para ir ao Ginásio. Estava um pouco ansiosa pela noite. Queria ver qual seria a reação de Dite ao vê-la com o vestido, queria ver Isabelle cantando. Esperava que a noite fosse cheia de surpresas, quem sabe assim teria mais inspiração para uma nova história. Antes de ir para a festa, resolveu passar no quarto de Becky. Ela poderia se perder se fosse sozinha, afinal nem mesmo ela estava segura de conseguir encontrar o local. Ao chegar ao quarto de Becky, bateu à porta. Esperou alguns segundos e nada. Bateu novamente e esperou mais um pouco. Nada. Achou melhor chamá-la.

- Becky? Você está aí? – Bellee falava alto, mas não chegava a gritar.

- Oi? Só um minuto! – Respondeu Becky de dentro do quarto.

Bellee ficou esperando. Ouviu o barulho de algo caindo no chão. Segurou o riso e esperou até Becky abrir a porta. Bellee ficou surpresa ao ver Becky vestindo um roupão e com uma toalha na cabeça.

- Você ainda não está pronta?

- É que quando cheguei do treino fiquei tão cansada que desmaiei na cama. Acordei assustada achando que havia perdido a festa. Mas aí quando percebi que não tinha dormido mais do que meia hora, levantei correndo pra me arrumar. – disse Becky sorrindo sem graça.

- Bem, você quer que eu te espere?

- Não precisa. Acho que ainda vou demorar um pouquinho. Pode ir à frente que depois eu te encontro lá.

- Tem certeza? Sabe onde é o ginásio?

- Sei sim. Já sei andar nesse colégio de olhos fechados. – disse Becky sorrindo largamente.

- Então tá bom. Vejo você lá.

Bellee se despediu e voltou a seguir seu caminho rumo à festa. Ela preocupou-se um pouco com Becky, afinal duvidava que ela soubesse realmente onde era o ginásio. Mas como era de costume, Bellee já tinha em sua mente que tudo daria certo no final. Então se tranqüilizou e decidiu se concentrar na noite que teria.

Bellee estava realmente feliz e tinha muitos motivos para isso. A noite estava muito linda; o céu estava estrelado e a Lua parecia sorrir exibindo toda sua beleza. Mas a Lua tinha uma rival, Bellee. Ela estava radiante usando o belo vestido que Dite havia lhe dado, uma sandália, de salto médio, prateada com uma rosa pontilhada em strass na fivela, um bracelete em forma de vinha no braço contrário ao da alça do vestido e um colar com um "ponto de luz" como pingente. Com o vento batendo suavemente, seus cabelos negros e cacheados meio presos balançavam, realçando seu rosto levemente maquiado.

Ela atraía muitos olhares, mas queria saber a opinião de uma única pessoa. Por isso não demorou muito para chegar ao Ginásio. Olhou para os lados procurando por Dite, mas parecia que ele ainda não havia chegado. Resolveu esperar sentada em um banco que tinha próximo à entrada do Ginásio. Perto do banco havia um canteiro de rosas vermelhas e brancas. Bellee não pôde evitar admirá-las. Ao sentar-se no banco sentiu o suave perfume invadir sua respiração. Fechou os olhos para apreciar mais daquele momento, mas logo ao fechá-los teve um insight e tirou seu inseparável bloquinho da bolsa que carregava em mãos. Começou a escrever quase que compulsivamente. Ficou tão concentrada na escrita que nem percebeu alguém se aproximar por trás dela.

- Imaginei que quando te encontrasse você provavelmente estaria escrevendo. – a pessoa sussurrou no ouvido de Bellee que, ao contrário do que normalmente acontece, não se assustou.

- Dite, estava te esperando. – disse ela com um sorriso meigo no rosto.

- Demorei muito? – perguntou Dite temeroso.

- Não. Cheguei faz pouco tempo também.

- Que bom. Eu normalmente não me atraso, mas a Isa demorou muito para pegar a roupa e eu tive que ficar esperando por ela.

- Tudo bem. – disse Bellee ainda sorrindo, deixando Dite um tanto quanto sem graça.

Dite não pôde deixar de notar Bellee. Ele ficou um tanto quanto surpreso com o que via.

- É, acho que eu tive uma visão errada quanto a esse vestido.

- Hã? O que quer dizer?

- Não ficou como eu esperava.

- Sério? – perguntou ela desanimada e cabisbaixa, deixando que uma mecha de seu cabelo caísse sobre seu rosto.

- Sério. – disse Dite levantando o rosto de Bellee. – Eu tinha visualizado algo muito bonito, mas você está realmente deslumbrante. Superou em muito minhas expectativas. Ficou extremamente lindo. – Dite sorria suavemente agora.

- Verdade? – Bellee sorria.

- Claro! O que você achou que eu iria falar? Que ficou feio?

- Bem... – Bellee ficou levemente corada, fazendo Dite rir de leve.

- Quanto a isso você não precisa se preocupar. Como te disse antes, eu acredito que as roupas são feitas para realçar a beleza das mulheres. Mas você não precisa estar em belas roupas para mostrar como é bonita.

- É um pouco constrangedor receber elogios de alguém como você. – disse Bellee ainda um pouco corada.

- Ora, por quê?

- Porque você é muito bonito. Ou como diria William Shakespeare: "Se eu pudesse descrever a beleza dos teus olhos e enumerar teus atributos em épocas vindouras... diriam: o poeta mente! A Terra jamais foi acariciada por tal toque divino." – disse Bellee deixando Dite muito vermelho.

- Parece que seu repertório de poesia é bastante extenso, não? – disse Dite tentando tirar o foco da conversa de si.

- Sim, sim. Eu leio bastante.

- Não quer me contar algumas de suas preferidas?

- Claro.

Dite e Bellee sentaram-se no banco e começaram a conversar animadamente.


Não muito longe dali alguém observava os dois. Suely não pôde deixar de notar o quanto os dois ficavam lindos juntos e ainda mais com um fundo tão apropriado. Tinha que desenhá-los. Será que Dite se importaria de que a garota aparecesse no desenho também? Afinal, prometera um desenho só dele. Do jeito que ele parecia feliz ao lado dela, talvez nem se importasse. Suely achou melhor desenhar rápido, pois eles poderiam sair dali a qualquer momento. Sem pensar em mais nada, Suely se envolveu em seu desenho.

Não muito longe dali, Máscara e Lara estavam chegando ao Ginásio. Lara estava completamente diferente das outras garotas. Enquanto a maioria usava belos vestidos, Lara usava uma saia jeans que batia no meio das coxas, meia calça arrastão preta, blusa regata igualmente preta com uma borboleta prateada desenhada na altura do peito e um all star xadrez preto e branco. Seus cabelos estavam meio presos, deixando duas mechas caindo por sobre seu rosto. Como acessórios usava duas pulseiras de acrílico prateadas no braço direito e brincos grandes de argola igualmente prateados. Apesar de não seguir o padrão das outras, estava realmente linda.

- Tenho que admitir Lara, você tá muito gata hoje. – disse Máscara olhando a garota de baixo à cima. – O Shura não sabe o que tá perdendo.

- Você tem mesmo que colocar o nome desse boçal no meio? – disse Lara já irritada.

- Tudo bem, tudo bem. Não vou mais te incomodar com isso hoje. Vou deixar você curtir a noite ao meu lado. – Máscara falava com um sorriso convencido no rosto.

- Ui! Não fala assim que eu apaixono. – Lara riu do próprio comentário.

- Sei que isso não é uma coisa muito difícil de acontecer.

- Mas aí não vai ser legal! Quem vai pagar a aposta caso isso aconteça?

- Realmente. Acho que será mais divertido ver você declarando seu amor pelo Shura na frente da escola inteira.

- Vai sonhando! Será muito mais divertido ver o senhor assustador aí fazendo uma declaração toda melosa pra uma menina fofinha.

- Já te disse que isso não vai rolar. Que menina fofinha se aproximaria de mim? Só garotas metidas a forte, que nem você, que tem coragem de falar comigo. – disse Máscara rindo.

- Vou levar isso como um elogio. Mas, mudando de assunto, o que é isso na sua mão? – disse Lara observando o papel que Máscara carregava.

- Isso é uma folha de papel.

- Jura gênio? – disse Lara ironicamente. – Mas o que tem nela? E por que você tá trazendo isso pra festa?

- Ah! Não é nada demais.

- Deixe-me ver. – disse Lara tentando pegar o papel, mas Máscara não deixou.

- Não! Curiosa.

- Ah! Qual é? Se não é nada demais, quê que tem eu ver? – disse Lara tentando pegar de novo.

- Não!

- Deixa de ser chato! Eu quero ver!

Lara tentava pegar a folha das mãos de Máscara, mas esse a impedia. Porém, ao aproximarem-se mais do Ginásio, Máscara se distraiu e Lara conseguiu pegar a folha. Máscara voltou-se para Lara e tentou pegar o papel de volta, mas não conseguiu evitar que ela visse o desenho.

- Fala sério! Olha isso! É você? – Lara estava impressionada.

- É! E daí? – Máscara ficara um pouco sem graça.

- Nossa! Quem desenhou isso tem uma visão do caramba! Você até parece aqueles caras bonitões que fazem as menininhas caírem apaixonadas. – Lara caiu na gargalhada.

- Valeu pela parte que me toca! – disse Máscara, irônico.

- Não me leve a mal. Mas quem desenhou isso?

- Tá querendo saber demais!

- Ah! Aposto que foi uma menininha bem fofinha! Sabia que isso não demoraria a acontecer. – Lara ria cada vez mais.

- Não enche! – disse Máscara, irritado.

- Tá bom. Depois eu descubro quem foi. Vamos logo pra festa!

- Pode ir à frente. Eu prometi pro Shura que ia esperá-lo aqui.

- Nesse caso eu vou mesmo! Fui.

Lara continuou caminhando. Máscara esperou até que ela entrasse no Ginásio para, então, voltar-se para o motivo de sua breve distração há poucos segundos atrás. Viu de relance, por isso não pudera ter certeza no momento. Mas ao observar melhor concluiu que sua hipótese estava certa. Sentada em um dos bancos perto do Ginásio, estava a garota que fizera aquele desenho. Máscara sorriu de leve ao ver que ela desenhava novamente. Ela realmente era uma garota estranha. E só agora Máscara pôde reparar que ela também era bonita. Ela tinha um suave sorriso no rosto, que estava em destaque com a maquiagem leve e com seus cabelos ruivos presos, apenas com alguns fios soltos. Ela usava um vestido verde claro de alça, com o decote nem muito grande nem muito pequeno, que era justo apenas na altura dos seios, sendo o resto solto até os joelhos, e sandálias de salto médio pretas. Os acessórios também eram simples, sendo esses um colar dourado com um pingente da letra S e brincos pequenos, também dourados, em formato de estrelas. Nada chamativo demais, mas o suficiente para deixá-la bela aos olhos de Máscara.

Ele continuou olhando para ela por algum tempo, não pensando em nada. Mas isso não durou muito tempo, afinal não era de seu feitio fazer aquilo. Resolveu se aproximar para devolver o desenho logo e acabar com aquilo de uma vez. Foi em direção a ela. Novamente ela nem notou sua presença. Então ele resolveu fazer uma abordagem mais direta.

- Cara, você não se cansa mesmo disso, hein? – disse Máscara com as mãos atrás da cabeça.

Nesse momento Suely se assustou. Ficou extremamente pálida ao encarar aquele par de olhos azuis. Ela simplesmente engoliu em seco, não sabia nem como reagir. E se ele ainda estivesse bravo com o ocorrido da tarde? Será que ele queria tirar satisfações? Não sabia a resposta e não queria ficar ali para saber. Levantou-se bruscamente tentando fugir daquela situação. Porém sentiu ser impedida de sair dali por um puxão de leve no seu braço.

- Espera aí! Não vou permitir que você escape igual hoje à tarde! – Máscara falou seriamente, deixando a garota ainda mais assustada.

- Eu... eu... sin... sinto... sinto... muito... eu... você... e... e hoje... e amanhã... e agora... – Suely não falava coisas sem nexo, pois estava muito assustada.

- Ei! Deixe-a em paz! – disse mais alguém se aproximando.

- Ah não! Você? – disse Máscara com desdém.

- Sim, sou eu. Agora solte essa garota! Não percebe que está deixando ela assustada?

- Não enche Mu! Isso não é da sua conta! – Máscara estava começando a perder a paciência, que já não era muita.

- Mas é da minha! Será que posso saber o que está acontecendo aqui? – disse Shion se aproximando junto com Dohko.

- Fala sério! Desse jeito não dá! Tô caindo fora. – disse Máscara saindo emburrado.

- Você está bem? – perguntou Mu se dirigindo a Suely.

- Es... estou... – apesar de não estar mais assustada, Suely ficara sem graça com a situação.

- Ele te machucou? Fez alguma coisa contra você? – perguntou Shion.

- Nã... não... ele... eu... nós... quer dizer...

- Olha, primeiro acame-se, ok? Eu não posso saber dos detalhes agora porque tenho que checar como andam as coisas na festa. Vou ter que deixá-la nas mãos do Mu por hora. Tudo bem pra você Mu? – disse Shion.

- Pode deixar comigo. – respondeu Mu.

- Ótimo. Sinto muito não poder ficar, mas antes de ir gostaria de me apresentar. Meu nome é Shion e eu sou o presidente do conselho estudantil. – disse Shion sorrindo amavelmente.

- Bom, já que é assim então também devo me apresentar. Meu nome é Dohko e sou o vice-presidente do conselho. Prazer em conhecê-la. – disse Dohko.

- Pra... prazer... o... prazer... é... é... é meu... – Suely ainda estava bem retraída.

- Bom, vamos então Dohko? – disse Shion.

- É pra já.

- Depois poderemos nos conhecer melhor, ok? Até mais. – disse Shion já de saída.

- Até mais. – disse Dohko seguindo Shion.

- Então...? Como você se chama? – perguntou Mu puxando assunto.

- Su... Su... Su... Suely...

- Muito prazer. Acho que você já sabe, mas meu nome é Mu. – disse ele sorrindo.

- Pra... prazer...

- Você é nova aqui, não é?

- Sou... sou sim...

- Em que área e modalidade você está?

- A... Artes... Desenho e pin... pintura...

- Mesmo? Também estou na área de artes, mas faço Artesanato.

- Mesmo? Eu... quer dizer... tenho vontade... de.. de aprender... a esculpir...

- A hora que você quiser é só me pedir.

- Verdade? – Suely estava com os olhos brilhando.

- Sim, sim. – disse Mu sorrindo. – Mas com uma condição.

- Qualquer coisa.

- Você tem que me ensinar a desenhar.

- Sim! Sim, sim, sim! – disse ela sorrindo radiante.

- Então está combinado.

Os dois sorriram e entraram no Ginásio conversando animadamente.


O movimento ainda era grande na direção do Ginásio. E no meio dessa multidão, alguém nadava contra a correnteza. Annemie voltava para o quarto. Animara-se ao pensar que poderia encontrar com o curioso rapaz que a vira dançar à tarde. Aquela troca de olhar entre eles foi realmente diferente. Talvez porque ele se aproximou mais do que ela permitiria alguém se aproximar. E foi por isso que se assustou tanto. Mas, independente do susto, não podia negar que aquele olhar mexera com ela. Por isso queria vê-lo de novo, nem que fosse de longe. Mas essa idéia foi esvaindo-se de seus pensamentos ao ver tantas pessoas. Não gostava de ficar tão próxima das pessoas e indo para a festa não conseguiria evitar o contato com outros alunos. Por isso estava voltando para o quarto, mesmo já estando completamente arrumada. Ela usava uma saia estilo retrô até um palmo acima dos joelhos de cor preta, uma blusa branca de manga curta bem justa, cinto listrado de preto e branco amarrado com um laço do lado direito e sapato de salto preto. Seus cabelos negros estavam meio presos, deixando que duas mechas caíssem sobre seu rosto levemente maquiado.

Annemie andava cada vez mais rápido, mas sem perder a elegância de uma verdadeira bailarina. Apesar de andar com a cabeça erguida, nem prestava atenção nas pessoas que passavam por ela. E foi justamente por isso que nem percebeu que alguém vinha em sua direção. Era Arya que, ao vê-la indo na direção oposta ao Ginásio, resolveu se aproximar. Arya usava um vestido em camadas, soltinho, tomara que caia, vermelho de malha e seda por cima. Usava um sapato estilo boneca de salto alto preto. Sua maquiagem era bem pesada, realçando ainda mais seus olhos, e os brincos e colares de costume. Seus cabelos ruivos pareciam chamas vivas e estavam soltos, balançando suavemente com o vento.

- Ei! Annemie! – disse Arya parando ao ver a moça, vindo em sua direção.

Annemie não parou. Continuou andando como se não tivesse visto. Na verdade ela realmente não viu, pois sua pressa em chegar ao quarto era tanta que estava completamente distraída. Mas Arya não desistiria tão fácil. Andou até Annemie e tocou em seu ombro. Annemie assustou-se uma pouco, mas manteve a postura.

- Tira a mão de mim. – disse Annemie bastante frívola.

- Ok, ok. Só queria chamar sua atenção, já que além de cega você também é surda. – retrucou Arya.

- O que você quer afinal, hein?

- Terei que repetir toda vez que nos encontrarmos?

- Se isso te incomoda, é só manter distância.

- Você não me dá ordens. Faço o que eu quiser.

As duas ficaram se encarando por um momento. Annemie achava Arya extremamente estranha, mas por alguma razão se identificava com ela. Acabou sorrindo levemente. Arya retribuiu o sorriso. Esperava conseguir quebrar aquela muralha que envolvia Annemie.

- Por que está indo para o lado oposto à festa? – perguntou Arya.

- Eu não lhe devo satisfações, mas não tô a fim de ir para a festa.

- Mesmo? Então por que está tão arrumada? – Arya estava sendo sarcástica.

- Já disse que não lhe devo satisfações. Quer me deixar em paz?

- De jeito nenhum! Se eu tenho que aturar a festa, você também vai.

- E quem você pensa que é para me dizer o que tenho ou não de fazer?

- Não sou eu que estou dizendo isso. Você acha que se fosse permitido ficar nos quartos em dias como esse, eu estaria aqui fora?

- ... – Annemie não conseguiu responder.

- Vamos? – Arya sorriu vitoriosa.

- Tudo bem, você venceu. Mas não pense que somos amiguinhas por causa disso.

- Amiguinhas? Quem é que pensou isso?

Annemie sorriu de leve novamente. Sentia-se confortável perto de Arya. Parecia que ela sabia que toda aquela frieza não passava de uma casca. Será que mesmo mantendo aquela frieza, Arya continuaria insistindo em conhecê-la? Não tinha certeza da resposta, mas continuaria mantendo a máscara. Não facilitaria para ninguém. Por enquanto deixaria as coisas seguirem. Se Arya queria mesmo ser sua amiga, com certeza ficaria ao seu lado, não importando o que ela fizesse. Quem sabe assim não deixaria de ser tão introvertida? O jeito era dar tempo ao tempo.

Arya, por sua vez, estava aliviada. Provavelmente Camus se aproximaria dela. Não que isso fosse ruim. O problema era que Camus provavelmente estaria com Saga. Esse sim era o problema. Não sabia o porquê, mas toda vez que seus olhares se cruzavam ela ficava sem graça. Detestava isso! Sempre se mostrava indiferente às pessoas, mas com ele não conseguia. Aquele olhar a perturbava. Por isso sentira-se aliviada ao encontrar Annemie. Desse jeito era mais fácil evitar ter contato direto com Saga.

Annemie e Arya seguiram para o Ginásio então. Não conversavam muito entre si, mas não estavam incomodadas com o silêncio. Quando chegaram ao Ginásio, ficaram um tanto quanto surpresas. Não imaginavam que estaria tão bem organizado. Tinha várias faixas presas das paredes até o teto, onde tinha muitos holofotes e um globo de espelhos. Ao longo do Ginásio haviam mesas cheias de aperitivos dos mais variados e para todos os gostos. Não tinha cadeiras, mas nem era preciso, pois nas laterais havia arquibancadas. Ao fundo estava montado um palco onde estavam devidamente organizados vários instrumentos, um telão ao fundo e uma faixa escrito: "Bem vindos novatos! Estamos felizes por estarem aqui!". Estava tudo perfeitamente preparado. O Ginásio estava bastante cheio, mesmo sendo tão grande.

- Nossa! Eles capricharam mesmo, hein? – comentou Arya.

- Concordo. Queria saber quem foi o responsável por tudo isso. Deve ter dado muito trabalho. – disse Annemie.

- Pode ter certeza que deu. – disse Saga se aproximando, juntamente com Camus.

Arya sentiu até um arrepio ao ouvir aquela voz grave ressoar em seus ouvidos.

- Boa noite Arya. – disse Camus.

- Boa noite. Ah! Deixe-me apresentar minha colega. – Arya enfatizou bem o "colega", fazendo Annemie sorrir levemente. – Essa é a Annemie.

- Prazer Annemie, eu sou Camus.

- E eu Saga.

- Prazer. – disse Annemie, seca.

- Então, como você sabe? – perguntou Arya se dirigindo a Saga.

- Sei do que?

- Que deu trabalho organizar a festa.

- Eu faço parte do conselho estudantil. Eu ajudei a organizar isso tudo. – disse Saga com uma pontinha de orgulho.

- Você não precisa anunciar isso pra todo mundo. – disse Camus.

- Quem não gosta quando seu trabalho é reconhecido? – disse Saga.

- Mas você não foi o único responsável por isso.

- Mas não deixei de trabalhar duro pra que isso se realizasse.

- Então quer dizer que você faz parte do conselho estudantil? – perguntou Arya.

- Sim. Tanto eu como o Camus. – respondeu Saga.

- Vocês não têm cara de quem organizaria uma festa dessas. – disse Arya em tom de deboche.

- Posso saber por quê? – perguntou Camus.

- Bem, você parece muito intelectual pra esse tipo de coisa. Não creio que goste de festas. Acredito que prefira ficar em seu quarto lendo um bom livro. – disse Arya.

- Acertou. – disse Camus sorrindo de canto de boca.

- E eu? – perguntou Saga.

- Você tem cara de quem gosta de festa, mas não o suficiente para organizar detalhe por detalhe.

- Você também prevê o futuro? – perguntou Saga debochado.

- Depende. Você quer mesmo saber? – retrucou Arya.

- Acho que prefiro me abster nessa. – respondeu Saga sorrindo levemente.

- Esperto você.

- Mais do que você imagina.

Nesse momento Saga lançou um olhar que Arya não conseguiu decifrar. Ela desviou o olhar, tamanha a intensidade que sentira ao encarar Saga. Havia alguma coisa naqueles olhos que a desconsertava completamente, mas ela não sabia o que. Annemie percebeu a inquietação de Arya, mas achou melhor apenas observar. Até porque não sabia o que fazer, estava completamente sem graça perto de Saga e Camus. E, ainda por cima, não conseguia parar de pensar naquele rapaz de cabelos cor de lavanda. Seu coração batia mais rápido ao cogitar a hipótese de que talvez ele a procurasse novamente. Não que não quisesse, mas não queria se envolver. Não saberia lidar com isso depois de tanto tempo. Qual foi a última vez que tivera um amigo? Nem conseguia se lembrar. Não que já tivesse cogitado a hipótese de que ele poderia se tornar um amigo, mas precisava se preparar pra qualquer situação.

- Annemie. Annemie! – Arya chamava.

- Hã? O que? – Annemie saiu de seus devaneios com o chamado.

- O que você acha?

- Acho do que?

- Em que mundo você vive mesmo?

- Não enche! – Annemie corou levemente.

Nesse momento Annemie viu o ser que estava lhe ocupando os pensamentos entrar no ginásio. Seu coração disparou. Estava muito visível. Por mais que quisesse uma aproximação, não conseguia evitar sentir-se acanhada.

- Annemie! – Arya chamava.

- O que foi? – respondeu meio impaciente.

- Não está ouvindo? O que você acha?

- Não sei!

- O que está prendendo tanto a sua atenção? Olha só! Parece que você viu um fantasma. – comentou Arya olhando em direção à entrada.

Saga e Camus, automaticamente, também olharam. Annemie desesperou-se. E se ele percebesse que estava sendo observado? Tinha que disfarçar, mas como?

- Olha, é o Mu! Agora que o vi, lembrei que preciso falar com ele. – disse Saga.

- Falar o que Saga? – perguntou Camus.

- A estrela da noite ainda não apareceu.

- Estrela da noite? – perguntou Arya.

- É segredo. – disse Saga

- É uma garota da turma de música que vai fazer um show. – disse Camus completamente indiferente.

- Que estraga prazer! – disse Saga.

- Essa é a grande surpresa? – perguntou Arya meio incrédula.

- Não subestime a turma de música. – disse Saga.

- E por que não? – perguntou Arya curiosa.

- Porque eles são muito bons. Principalmente a Isabelle.

- O que ela tem de tão especial assim? É só uma estudante, não é?

- Não liga não, Arya. É que a Isabelle é meio que uma "estrelinha" aqui no colégio. Mas ela não tem nada demais. – disse Camus indiferente.

- Nem vou discutir isso com você, Camus. Acho melhor eu ir cuidar dos meus deveres. – Saga já estava se dirigindo para a porta, quando parou para cochichar no ouvido de Arya. – Não dê ouvidos ao Camus não. Ele só fala isso porque não gosta de música. Mas eu prometo que não vou te deixar nas mãos dele a festa inteira. Pode esperar que eu ainda te chamo para dançar comigo.

Arya ruborizou um pouco. Não só pela aproximação de Saga, mas pelo que ele havia dito. Antes que ele fosse embora, ela tinha que dar a volta por cima ou ele perceberia que havia deixado-a sem graça.

- E quem foi que disse que eu quero dançar com você? – disse ela bem próxima ao ouvido de Saga.

- Vai querer. Mas vou deixar o Camus aproveitar primeiro.

Saga saiu andando sorrindo. Deixaria aqueles dois curtirem a noite. Tinha muitos planos, mas não deixaria de se divertir com a situação. Arya por sua vez já imaginava que Saga estava planejando alguma coisa, só não sabia ao certo dizer o que. Mas não demoraria muito para descobrir. E tinha que dar um jeito de não ficar sem graça perto dele. Já estava começando a ficar incomodada com aquilo. Ficou tão alheia com o comentário de Saga que nem percebeu que estava sozinha com Camus.

Annemie saiu de fininho enquanto Arya estava distraída. Não poderia correr o risco de se encontrar com o dono daquela cascata cor de lavanda. Não sabia se estava preparada pra se aproximar de alguém. Procurou ficar em um lugar bem isolado, onde fosse pouco provável de ser vista por ele.


Dohko e Shion andavam pelo ginásio conferindo os últimos detalhes antes que a festa começasse oficialmente. Parecia que tudo estava indo como o planejado, exceto o atraso de Isabelle. Mas isso não era um problema tão grande.

- Parece que está tudo em ordem Dohko. – disse Shion para o amigo.

- Hã? Disse alguma coisa, Shion? – Dohko estava um pouco distraído, procurando alguém.

- Olha, se você quer encontrar alguém, pode ir. Já terminamos de conferir tudo e o resto pode deixar comigo.

- Mesmo? Desculpe, eu não deveria deixar tudo sob sua responsabilidade e...

- Tudo bem. – disse Shion interrompendo Dohko. – Não tem muito mais coisas para fazer de qualquer forma.

- Fico te devendo essa.

Dohko saiu andando pelo Ginásio procurando Milena de maneira quase desesperada. Provavelmente estava se escondendo em algum canto em que ninguém pudesse entrar em contato com ela. Não sabia dizer porque estava tão interessado nela. Talvez por imaginar que ela tivesse algo muito especial a mostrar. Algo que não encontrara em nenhuma garota antes. Não sabia nem do que se tratava, mas queria descobrir. Por que procurava esse algo especial se nem sabia o que era? E por que achava que Milena poderia ter isso? Não sabia responder, mas esperava conseguir logo.

Dohko olhou por todo o ginásio, não conseguiu encontrá-la. Já estava perdendo as esperanças, já que quando o show começasse o ginásio ia ficar lotado demais para se encontrar alguém. Resolveu procurar do lado de fora. Saiu do ginásio e deu uma olhada ao redor. Nada. Continuou andando e procurando. Até que viu uma garota sentada sozinha em uma pequena praça na lateral do ginásio. Ela parecia distraída com o que ouvia pelo fone. Dohko sentiu que era ela. Aproximou-se lentamente e, quando deu a volta no banco, ficou apenas parado. Apesar da simplicidade, ela estava totalmente diferente da garota que vira mais cedo. Estava de olhos fechados, com os cabelos balançando suavemente com brisa. Usava um vestido rosa claro, um pouco acima dos joelhos, de decote em "V" e acinturado. Seus pés, calçados com sandálias rasteiras bem delicadas, balançavam como se curtissem o ritmo da música. Seu rosto, levemente maquiado e sem os óculos mostrava uma expressão serena com um leve sorriso nos lábios. Dohko simplesmente não conseguia reagir, como se estivesse hipnotizado.

Milena, por sua vez, abriu os olhos e olhou para o céu estrelado. Nem parecia sentir a presença de Dohko. Soltou um suspiro bem longo, não queria ir para a festa, mas não podia ficar do lado de fora. Levantou-se calmamente e quando ia embora deu de cara com aqueles olhos verdes. Levou um susto enorme, tanto que suas pernas ficaram bambas e sentou-se novamente.

- Desculpe... Eu... quer dizer... não... não queria parecer um idiota... não... – Dohko ainda estava em estado de transe.

- Tu... tudo bem... – disse Milena timidamente.

- Posso sentar com você?

- Não deveríamos estar na festa?

- Ainda não começou de verdade. Está um pouco atrasado.

- Entendo. – disse Milena deixando um silêncio por alguns segundos.

- Então...?

- O que?

- Posso me sentar?

- Cla... claro...

Milena não queria isso, estava muito sem graça. A presença de Dohko a deixava com o coração acelerado. Não estava acostumada com garotos ao seu lado. Muito menos garotos tão bonitos quanto Dohko. Não sabia nem sobre o que conversar.

- Olha, não quero que isso pareça uma cantada barata, mas gostaria de dizer que você está linda. – Dohko falava, um pouco sem graça, mas olhando diretamente para ela.

- Não vejo porque dizer isso de uma pessoa como eu. – Milena falava bem baixo, mas ficara corada com o elogio. Dohko apenas sorriu.

- Como já disse antes, não tenho motivo nenhum para enganá-la.

- Você está é zombando de mim. Que outro motivo teria?

- Olha pra mim. – Dohko tentava chamar a atenção dela, que até agora não olhara para ele diretamente.

- Não quero. – Milena relutava como uma criança.

Dohko segurou no queixo dela suavemente e a fez encará-lo.

- Olhe nos meus olhos e tente repetir o que disse.

- Vo... vo... você... você... eu... zom... zombando... – Milena não conseguia formar as frases, fazendo Dohko rir de leve. – Ah! Não consigo com você me olhando desse jeito! – Milena desviou o olhar.

- De que jeito?

- Com esses malditos e lindos olhos verdes. – disse ela corando violentamente, não acreditando nas próprias palavras.

Dohko corou suavemente e depois começou a rir. Era impressionante o quanto aquela garota era sincera e pura. Milena estava se sentindo ridícula de novo. Levantou-se e começou a andar em direção ao ginásio. Dohko logo foi atrás dela.

- Desculpe, eu não consegui evitar.

- Você deve achar que eu sou uma ridícula com cara de palhaça, né?

- Não. – Dohko fez com que ela parasse segurando sua mão. – Eu acho você meiga com um rosto lindo.

- Você terá que me provar com números que isso não é uma mentira. – Milena estava quase roxa.

- Com números?

- É... vo... você sabe... os número não mentem...

- Você quer que eu faça uma enquete?

- NÃO! – Milena desesperou-se, fazendo Dohko rir novamente.

- Então terá que se contentar com minhas palavras por enquanto.

Milena abaixou a cabeça e coçou o nariz. Estava sorrindo de leve. Estava feliz! Ainda estava de mãos dadas com Dohko. Só estavam os dois ali. Já não se sentia mais tão incomodada com aquilo. Talvez... Até quisesse passar mais tempo com ele.

- Dohko? – alguém o chamou. Milena, mais do que depressa, soltou a mão dele.

- Shaka? O que faz aqui? – perguntou Dohko um tanto quanto desanimado com a presença do amigo.

- Estou pensando em meditar um pouco. Então pensei em ir para um lugar mais calmo.

- Meditar? – Milena interrompeu.

- Milena? Nossa! Você fica diferente sem os óculos. Realmente você é muito bonita. – disse Shaka sorrindo.

- O... obrigada... – Milena ficara um pouco sem graça, mas nem tanto.

Dohko não entendera a reação dela. Por que quando ele falava, ela não aceitava? Sentiu uma pontinha de ciúmes de Shaka.

- Bem, é melhor eu ir ou não vou conseguir meditar antes da festa.

- Mas por que meditar? – Milena parecia intrigada.

- O Shaka é indiano. – disse Dohko.

- O que? Sério? Mas... Você é...

- Loiro dos olhos azuis? Realmente parece estranho. Quase ninguém acredita, mas é verdade.

- Nossa! Que legal! – Milena parecia estar mais solta.

Dohko realmente estava intrigado. Por que aquela reação tão diferente com Shaka? E por que isso o estava incomodando tanto? Nunca foi do tipo ciumento e não seria agora que iria ser. Será?

- Então vamos, Milena? – Dohko chamava.

- Pra onde? – Milena parecia querer ficar com Shaka.

- Pra festa oras. – Dohko estava mostrando sinais de inquietação.

- Vai lá Milena. Depois eu te encontro pra gente conversar um pouco mais.

- Ok. – Milena sorriu.

Os dois foram para a festa e Shaka seguiu procurando um lugar mais calmo para meditar.


Monise reparava em tudo na festa. Apesar de não fazer o tipo "festeira", achava que seria uma boa oportunidade de tentar se socializar um pouco. Queria se encontrar novamente com Arya. Talvez estivesse meio paranóica com a oportunidade rara de conhecer melhor uma pessoa com heterocromia, mas sabia que não era apenas por esse motivo. Sentiu que poderiam ser grandes amigas. Também gostaria de conhecer outras pessoas. Só estava pensando se encontraria com certo rapaz de olhos verdes. Não que estivesse tão interessada, só achava agradável estar ao seu lado. Afinal, é sempre bom ter alguém quando se é novo em algum lugar.

Resolveu sentar-se por um momento e apenas observar. Reparava em todos os alunos. Eram tantos tipos genéticos diferentes. Era tão interessante analisar como a genética determinava características de uma nacionalidade. Estava encantada de estudar em um colégio que lhe permitia apreciar tal diversidade. Observou vários até ater-se em dois jovens bastante peculiares, um deles, inclusive, havia visto em sua sala. Eles não tinham sobrancelhas! Apenas dois pontinhos na testa. Isso era esplêndido! Tinha que conhecê-los, mas estava um pouco sem graça. Ficou um tempo pensando se ia ou não se aproximar. Quando os dois vieram em sua direção e sentaram-se ao seu lado.

- "Estou com muita sorte hoje!" – pensou Monise.

- O que tem de errado com a Isa? – Shion conversava com Mu.

- Não sei. Quando a encontrei ela estava meio estranha. Espero que ela não esteja nervosa. Imagina se ela cair do palco?

- Apesar de ser um pouco desastrada, ela entra em algum tipo de transe quando está cantando. Então acho que não devemos nos preocupar tanto.

- Com licença? – Monise interrompeu o assunto.

- Pois não? – respondeu Shion.

- Sei que pode parecer estranho, mas vocês podem me dizer de onde são?

- Tibete. Por quê?

- Vocês são parentes? Seus pais também não tinham sobrancelhas? Isso é genética de família ou é comum de onde vocês vem? – Monise falava animadamente e com os olhos brilhando.

Shion e Mu se encararam. Não era a primeira vez que perguntavam isso, mas parecia mais estranho do que o normal.

- É algum tipo de piada? – perguntou Shion num misto de revolta e curiosidade.

- Ah! Não! Desculpem-me. Eu não me apresentei, por isso soou um pouco estranho. Meu nome é Monise e eu faço Biologia. Pretendo ser uma geneticista no futuro, por isso peculiaridades como a de vocês me intriga muito. – ela dizia sorrindo.

- Você sabe que mesmo assim, ainda é estranho, não é? – perguntou Mu achando graça da espontaneidade da garota.

- Sinto muito! Não consigo evitar. – Monise estava um pouco corada.

- Prazer, meu nome é Mu. E esse é meu amigo Shion. E não; não somos irmãos nem parentes.

- Prazer. – disse Shion.

- Vocês não são parentes? Meu Deus! Isso é ainda mais incrível! – Monise estava com os olhos brilhando.

- Nossa! É a primeira vez que entendo como se sente um ratinho de laboratório. – disse Mu rindo do comentário.

- Desculpe. Acho que estou assustando vocês, não é? – disse Monise em tom de desânimo.

- Não, que isso. A gente não se incomoda. Na verdade é bem comum as pessoas ficarem curiosas com isso. – disse Mu.

- Só que não ficam tão empolgadas assim. Não que isso seja ruim, afinal eu realmente admiro pessoas que procuram aumentar seus conhecimentos. – disse Shion.

- Nesse caso não vão se importar se eu puder fazer alguns exames de sangue, né? E por falar nisso, qual é o tipo sanguíneo de vocês? – Monise voltara a se animar.

Shion e Mu se entreolharam novamente e riram da excêntrica garota.

Não muito longe dali estava Aiolos. Ele estava justamente procurando por Monise. Quando a viu ficou um tanto quanto desapontado. Ela estava conversando animadamente com Shion e Mu. Não que tivesse algo contra ela ter outros amigos, mas estava gostando de ser exclusivo. Sorriu. Pelo menos ela parecia estar se divertindo. E estava muito linda naquele vestido roxo até um pouco acima dos joelhos bem justo, um leve decote arredondado na frente e um decote mais aberto nas costas, também arredondado. Em seus pés sandálias de salto roxas para combinar com o vestido. Não conseguia ver detalhes de seu rosto, mas o cabelo meio preso com leves cachos caindo por seus ombros realmente realçou ainda mais sua beleza. Aiolos estava dando atenção demais para ela. Desse jeito acabaria se apaixonando. Não! Da última vez teve muitos problemas. Não se deixaria levar tão fácil.

- Olos! – alguém chamava, tirando Aiolos de seus devaneios.

- Oi. – Aiolos olhou na direção que o chamavam, encontrando com uma bela garota de cabelos ruivos e olhos azuis (PS: non tenho a menor ideia de q cor são os olhos dela XD). - Desculpa Marin, não te vi aí.

- Está atrás de quem dessa vez? – perguntou Marin sorrindo maliciosamente.

- Nem vem tá? Não é nada demais.

- Se você diz. Aqui, você viu o Mu? A Isa precisa falar com ele urgentemente.

- Está ali conversando com o Shion e a Monise. O que tem a Isa?

- Está em estado de choque. Ela insiste que não aconteceu nada, mas ela está muito estranha. Como ela só fica calma do lado dele, então resolvi procurá-lo.

- Vamos lá então.

Marin e Aiolos seguiram para onde Mu estava. Assim que Monise viu Aiolos se aproximando, sorriu largamente deixando-o um pouco sem graça.

- Oi Aiolos. Achei que não ia conseguir te achar no meio de tanta gente. – disse Monise.

- Eu, por outro lado, tinha certeza que te encontraria. – Aiolos sorria serenamente ao falar. – Desculpa interromper a conversa de vocês, é que a Marin tem um recado para dar.

- Mu, preciso de você com urgência! A Isa está muito estranha! Acho que ela não vai conseguir cantar no estado em que está. Você precisa vir comigo. – Marin falava um pouco desesperada.

- Sabia que tinha algo de errado. Bom, preciso ir Monise. Foi um prazer conhecer você. Depois a gente se fala mais, ok? Dêem-me licença, por favor. – disse Mu indo com Marin.

- Bom, vou com eles para conferir se está tudo certo. Com licença, Monise. – disse Shion.

- Toda. – respondeu Monise.

- Parece que sobramos nós dois. – disse Aiolos sentando-se ao lado de Monise.

- Pois é. Gostei de conhecer o Mu e o Shion. São bem legais.

- Sim, eles são. Imagino que tenha adorado o fato deles não terem sobrancelhas, não é?

- Nossa! Estou começando a ficar tão óbvia assim?

- Não, isso foi apenas minha intuição que nunca falha. – Aiolos falava de maneira convencida.

- Imagino que sua intuição seja do tamanho do seu ego, não é? – Monise falou em tom de brincadeira.

- Engraçadinha. – disse Aiolos de maneira irônica, fazendo Monise rir.

- Onde está sua filhinha?

- Deixei ela de castigo no quarto. Ela está muito mimada. Vai ver que é falta de uma mãe. Você se prontifica?

- Nossa! Meu sonho ter uma filha praticamente da minha idade. – Monise estava sendo irônica.

- Que isso! É tão divertido! – Aiolos entrou no joguinho.

- Dá pra perceber o quanto você gosta.

- Não dá pra esconder, não é?

Os dois começaram a rir. Aiolos queria aproveitar enquanto Paty não o encontrava.


Becky corria um pouco afobada. Ela dissera que sabia onde ficava o ginásio, mas acabou indo para outro lugar. Correu pelo campus todo, mas como todos já estavam na festa não encontrou ninguém para lhe indicar o caminho. Teve que procurar sozinha e já estava começando a suar. Não que tivesse corrido o suficiente para tal, mas não estava com sua roupa de treino. Seu vestido era rosa claro, solto, curto, de cintura alta, com mangas no estilo princesa e gola aberta e reta. Usava um tênis All Star Pink de cano longo. Não era nada muito pesado, mas não era adequado para correr, principalmente porque estava de cabelo solto. Mas, para seu alívio, já conseguia ouvir um barulho vindo de um ginásio que via pela parte de trás. Não chegou pela frente, mas era melhor do que não chegar. E parecia que a festa ainda não tinha começado de verdade, então estava com sorte.

À medida que se aproximava do ginásio, ficava mais empolgada. Mal podia esperar para se encontrar com todo mundo! Correu um pouco mais rápido. Porém, ao se aproximar algo lhe chamou a atenção. Perto do ginásio havia um local, que parecia ser onde se guardavam os equipamentos utilizados na prática de esportes, que estava iluminado com uma luz bem fraquinha. Quem estaria ali dentro naquela hora e bem durante a festa? Becky foi se aproximando e resolveu ver quem estava lá.

- Oi? Tem alguém aí? – Becky entrou no local procurando por alguém. – "Ai meu Deus, e se for um fantasma? Não, não, não! Ele vai estragar a festa! Hoje não! Vou dar um jeito nisso! Ai, eu sempre quis fazer isso. Que nem naquele filme! Vou ter a chance de fazer algo que só é mostrado em filmes! Que emoção! Mas e se o fantasma for um tipo de coisa assustadora? Eu não tenho nada para contra-atacar! Qualquer coisa uso minhas habilidades psíquicas... Espera! Eu não tenho nenhuma! Droga! Tomara que não seja um fantasma e..."

Becky parou seus pensamentos por um momento ao visualizar algo que nunca vira. A sua frente estava a imagem de algo parecido com um anjo ou algo divino. A luz estava fraca, fazendo os cabelos longos e dourados dele brilharem. Seu rosto apresentava uma expressão serena. Estava sentado de pernas cruzadas em cima de um pequeno colchão e duas velas queimavam; uma de cada lado do mesmo. Becky ficou encantada por um momento.

- Nossa! Que legal! É a primeira vez que vejo um anjo! Oiiiii? Senhor anjo? Está me ouvindo? Por que está aqui? Está se escondendo de alguém? Por que não vem para a festa? Vai ser divertido! Mas anjos se divertem? Não importa! Oiiii? – Becky passava a mão na frente do rosto dele, mas ele nem se mexia. – Será que ele tá morto? Anjos morrem? E se ele for uma ilusão? Não, ainda não estou louca. Então por que não se mexe? OIIIIIII! – Becky pulava para chamar a atenção, mas não teve êxito.

Becky então se aproximou mais ainda dele. Foi chegando o seu rosto perto do dele, tão próximo que dava pra sentir a respiração um do outro. Ela o olhava de maneira intrigada. De perto ele não parecia tão divino. Mas continuava muito lindo. Ficou um tempo assim, apenas observando. A ponta de seu nariz estava quase tocando a ponta do nariz dele. Então, de repente, ele abriu os olhos.

- AAAAHHHHHH! – Becky caiu para trás de susto.

- Posso saber o que estava fazendo? – o jovem falou um tanto impaciente, já que foi interrompido.

- VOCÊ ME ASSUSTOU, SEU IDI...

- Fale baixo! Não sou surdo. – o jovem interrompeu o escândalo da garota. – E, por favor, feche as pernas.

Becky nem percebeu que havia caído com as pernas abertas.

- Seu pervertido, o que é que você estava olhando? Você não tem vergonha não? Primeiro assusta uma inocente e preocupada garota. Depois ainda fica reparando no que não deve! Se eu fosse você sentiria muita vergonha. E ainda se considera um...

- Por favor, pare de tagarelar um pouco. Você não percebe que essa sua afobação atrapalhou minha meditação? Tenha um pouco de bom senso e desculpe-se. – o jovem levantou-se.

- O que? Você está ficando doido? Só pode ser! Eu não tenho culpa se o senhor "eu sou Buda" estava...

- Só para alertá-la; eu tenho nome e é Shaka. Então, se a senhorita pudesse ter um pouco de respeito, prefiro que não se refira a mim de maneira tão rude.

- Ma... Mas o que?

Pela primeira vez na vida, Becky não tinha palavras para pronunciar. Quem aquele garoto de nariz em pé pensava que era? Será que ele não percebeu o que fez? Não seria possível que ele estava se achando a vítima! E ainda tinha a arrogância de tratá-la daquela forma. Becky estava perplexa.

- Se me der licença, tenho mais o que fazer. – Shaka falou se dirigindo à saída.

- Eu também tenho muito que fazer, tá? Caso você não saiba, tem pessoas me esperando na festa e eu não pretendo perder meu tempo aqui com você. Ei! Está me ouvindo? É muita falta de educação não ouvir o que as pessoas têm a dizer! Você...

- Quer calar essa boca? Nossa! Você não tem um botão de desligar não? – Shaka falou mais impaciente ainda, fazendo Becky ficar quieta.

Shaka já ia abrir a porta, quando percebeu que ela estava trancada. Ele tentou abrir de todo jeito, mas não conseguiu.

- Dá pra abrir isso logo? Eu quero ir para a festa e...

- Não está vendo que a porta está trancada?

Becky também tentou abrir a porta. Puxou com toda sua força e nada. Então começou a chutar e socar a porta.

- ALGUÉM! SOCORRO! ALGUÉM ABRA ESSA PORTA! EU QUERO IR PARA A FESTA! SOCORRO!

- Não adianta. Ninguém vai te escutar.

- Qual é o seu problema? Por que está tão calmo? Saiba que é a primeira festa que vou participar nessa escola! Não quero perder a festa! Principalmente se for pra ficar presa aqui com alguém como você, seu projeto de Buda! E ainda tem...

- CALA A BOCA! – Shaka perdeu a paciência, que já não era muita. – Eu também não tenho a menor intenção de ficar preso aqui com uma garota tão insuportável! Já vou avisando que se eu perder a Isa cantando por sua causa, eu...

- O QUE? A Isa vai cantar? A Isabelle vai cantar? Ela vai mesmo cantar? – Becky segurou Shaka pelos braços e começou a sacudi-lo. – Responde logo! Responde! Responde!

- Não toque em mim! – Shaka se desvencilhou da garota. – E se você está falando de Isabelle Deneuve, sim, ela vai cantar.

- Não acredito! Não acredito que a Isa-chan vai cantar na frente de todo o colégio! Eu não posso perder isso! Ela precisa de mim! Eu tenho que torcer por ela! Não posso ficar presa aqui! Tenho que arrumar um jeito de sair daqui, mas como? Será que se eu tentar arrombar a porta, eu consigo? Não, ela parece muito pesada. E se eu gritar bem alto? Será que ninguém vai me ouvir? Talvez alguém passe aqui perto. Isso! Vou gritar bem alto e...

- Não! Você já fez escândalo demais. Tenho uma idéia melhor. Tem uma janela logo ali, só que ela está muito alta e, sozinho, não tem como alcançar. Se eu te levantar tenho certeza que você consegue passar. Assim que sair você deve procurar um garoto sem sobrancelhas com cabelo liso cor de lavanda. O nome dele é...

- Mu?

- Que bom que você já conhece. Você vai atrás dele e pede ajuda, entendeu?

- Claro que entendi. Eu tenho cara de burra por acaso?

- Eu prefiro não responder. – Shaka virou-se, já se dirigindo para a janela.

- O que? Você é muito grosso sabia? Você...

- Não comece a tagarelar de novo. Anda logo e sobe! – disse Shaka se abaixando.

- Tá bom, tá bom! Mas não olhe para cima de jeito nenhum, viu? Você é muito pervertido e...

- Ah! Por favor! Além de não ter o menor interesse em ver isso, não me coloque no mesmo nível que você. Agora ande logo com isso!

Becky encheu as bochechas e fez um bico enorme. Deu passos bem fortes até onde ele estava e subiu com a ajuda de Shaka.

- Você é bem mais pesada do que parece, sabia? – reclamou Shaka.

- Cala a boca! Você não tem o direito de falar assim comigo! Eu devia pisar na sua cabeça pra você aprender, seu grosseirão! Você tem sorte que sou uma dama e... – Becky estava se desequilibrando. – Segura direito seu infeliz! Você vai me deixar cair!

- Se você conseguisse manter essa boca fechada e se concentrasse mais no que faz, talvez eu segurasse direito.

- Ah! Vai se...

Não deu nem tempo de terminar a frase. Becky desequilibrou-se totalmente e Shaka não conseguiu fazer nada a não ser tentar evitar que ela se machucasse. Tentou segurá-la, mas acabou que ela caiu em cima dele, levando os dois ao chão. Justo naquele momento alguém abriu a porta.

- Ora, ora. Se não é o senhor Shaka? Desculpe se estou interrompendo alguma coisa. – a pessoa debochava.

- Nã... não... não é o que parece! – Becky levantou-se extremamente corada.

Shaka apenas se levantou calmamente, limpou sua roupa e foi em direção a saída.

- Não lhe devo satisfações, Shura. Pense o que quiser.

Shaka então saiu tranquilamente do local. Shura apenas ficou rindo do loiro altivo. Então se virou para a garota que ainda permanecia no mesmo lugar, como se estivesse em estado de choque.

- Vai ficar aí?

- Não... eu...

- Olha, vou logo avisando que aquele loiro é bem temperamental. Se eu fosse você procuraria outro.

- MAS NÃO TEM NADA ENTRE EU E AQUELA BARBIE! – Becky já estava completamente sem paciência.

Ela saiu do local a passos largos, deixando Shura caindo na gargalhada.


Hikaru e Maeja conversavam na parte de trás do palco. Hikaru estava bastante nervosa e Maeja tentava, em vão, acalmá-la.

- Relaxa Hika-chan. Você vai tocar apenas duas músicas e é logo no começo. – dizia Maeja.

- Ma... mas... e... e se... errar... cair... eu... – Hikaru nem conseguia formar frases.

- Olha, se você achar que está difícil demais, não olhe para o pessoal. Olhe para mim ou para a Isa que você se acalma. É divertido, vai por mim. Até a Isa se dá bem. Se bem que ela parece outra pessoa quando pega naquele microfone.

- Mas... eu... não sei...

- Chega de nervosismo! Você está linda, toca muito bem e vai arrasar! – Maeja dizia isso com as mãos nos ombros de Hikaru e olhando fixamente em seus olhos.

- Ok. – Hikaru respirou fundo para se acalmar.

Maeja realmente falava a verdade. Hikaru estava linda! As duas estavam lindas. Maeja usava um vestido que, da cintura para cima, era justo, tomara-que-caia, xadrez, com um laço preto entre os seios e uma fita trançada nas costas e, da cintura para baixo, era preto em camadas com bastante volume e curto até o meio das coxas. Usava botas pretas de cano longo e salto alto. Em sua mão direita usava uma luva igualmente xadrez e na mão esquerda um anel no dedo anelar que era preso à pulseira por uma fina corrente. Usava gargantilha coleira preta com correntes finas e pretas caindo pelo pescoço. Em seus olhos uma maquiagem preta esfumaçada destacava tanto a cor exótica dos mesmos quanto sua pele bem branquinha. O cabelo loiro estava solto e em um estilo meio "bagunçado" com algumas tranças finas.

Hikaru, por sua vez, usava um vestido xadrez, bem curto, com a saia "cheia", e tomara que caia. Por cima desse vestido, usava um vestido underbust preto com uma calda atrás e alças. Em seus braços usava luvas rendadas e nos pés uma bota de salto alto e cano longo preta de amarrar. Em sua cabeça uma minicartola vermelha destacava seus cabelos que estavam presos em uma trança meio desarrumada e jogada de lado. Em seu pescoço usava uma gargantilha coleira com uma nota musical pendurada. A maquiagem de seus olhos em um tom de marrom avermelhado para combinar com seus lindos e exóticos olhos.

As duas continuaram atrás do palco, só que caladas. O clima era de extrema tensão e ansiedade. Mesmo que Maeja tenha dito para Hikaru se acalmar, ela própria estava um pouco ansiosa. Isso não era nada bom. O que faria se começasse a ter uma crise naquele momento? Nessas horas desejava ter nascido normal. Não podia passar mal, pois não conseguiria se recuperar em pouco tempo. Tinha que sair um pouco daquele lugar, estava começando a perder o ar.

- "Vamos pulmão, relaxa! Não faça isso comigo logo hoje, logo agora!" – pensou Maeja colocando as mãos em seu peito e fechando os olhos em uma expressão angustiada.

- Você está bem, Maeja? – perguntou Hikaru preocupada.

- Sim, sim, estou bem. Acho que estou um pouco inquieta, só isso. Vou lá fora dar uma respirada e já volto, ok?

- Não demore, por favor. – Hikaru falava quase implorando, pois estava muito insegura.

- Não vou demorar, não se preocupe. Qualquer coisa chame alguém pra ficar com você.

Maeja saiu pela parte de trás do palco. Sentia que se precisava respirar e aquietar seu coração, caso contrário teria sérios problemas. Andou um pouco, afastando-se lentamente da quadra. Não muito longe dali havia um bosque. Maeja pensou que lá seria o lugar ideal para se acalmar. Foi em direção ao local. Começou a adentrar o bosque e passar pelas árvores. A luz refletida pela lua perpassava a copa das árvores, tornando o local ainda mais bonito. Ao perceber que já estava mais calma, escorou-se em uma das árvores e ficou olhando para cima, vendo o céu por entre as folhas e sentindo a brisa fresca da noite tocando seu rosto suavemente. Fechou os olhos para aproveitar o momento de paz e tranquilidade. Aquele silêncio era o que precisava para tirar a ansiedade de sua cabeça. Porém, aquele silêncio se desfez. De repente ouviu algo bem baixo, como se alguém estivesse cantando. Ficou curiosa. Quem estaria ali enquanto a festa estava acontecendo. Estranho, mas curioso. Começou a adentrar mais para procurar o dono da misteriosa voz. À medida que adentrava, ouvia com mais clareza a voz e a música. Gostava daquela música. Começou a andar mais rápido. Queria saber quem estava cantando! A sua frente percebeu que havia uma espécie de praça com bancos. Surpreendeu-se, nunca estivera ali antes. Em um dos bancos havia um garoto sentado. Ele cantava enquanto olhava para o céu. Maeja sorriu ao reconhecê-lo, mas preferiu observar de longe. Escondeu-se atrás de uma árvore e ficou ouvindo aquela voz ressoar. Ele cantava bem. Observou a expressão serena que ele demonstrava e percebeu o quanto ele era bonito. Estava gostando daquilo! Poderia ficar ali a noite inteira, apenas ouvindo aquela bela voz.

Distraiu-se com aquele momento. Estava tão distraída que nem viu que a música já tinha acabado.

- Até quando pretende ficar escondida aí? – disse o garoto.

- Então você notou e nem pra me avisar? Estou me sentindo suspeita. - Maeja saiu de trás da árvore um pouco sem graça.

- Não se preocupe. É bom saber que alguém aprecia essa música tanto quanto eu.

- Você tem muito bom gosto.

- Obrigado.

Ficou silêncio por um tempo. Maeja não sabia o que falar.

- Não gostaria de se sentar comigo? – perguntou o garoto sorrindo docemente.

- Hum... Estou com um pouco de pressa, mas um pouquinho não vai ter problema.

Maeja se aproximou do garoto e sentou-se ao seu lado. Ainda ficou silêncio por um tempo. Maeja estava um pouco sem graça, nem sabia o por que.

- O que faz aqui? Não deveria estar se preparando para a apresentação?

- Estava um pouco agitada, por isso resolvi sair um pouco para me acalmar. E você, Shihyo? O que faz aqui?

- Não sei. Apenas senti vontade de me afastar um pouco, já que a noite será bem agitada.

- Entendo.

- Estou ansioso para ver você tocando.

- Não é grande coisa.

- Está brincando né? Está falando isso só pra que eu te elogie.

- Talvez. – Maeja sorriu divertida.

- Ok, você venceu. A sua performance no piano é genial.

- Nossa! Me senti a última bolacha do pacote agora.

Os dois riram. Maeja esquecera-se completamente da ansiedade. Shihyo era uma excelente companhia. Não queria mais sair dali, mas o tempo estava passando. Pelo menos aproveitaria o máximo que podia.

- Canta mais uma música antes de irmos? – Maeja pediu.

- Alguma em especial?

- Eu confio no seu bom gosto. – Maeja sorriu abertamente, deixando Shihyo levemente corado.

Shihyo sorriu e começou a cantar. Maeja fechou os olhos para apreciar melhor o momento. Sentiu-se tão à vontade que deixou seu corpo cair levemente de encontro ao de Shihyo. Ficaram assim até a música acabar e seguirem para a quadra conversando animadamente.


Hikaru estava muito nervosa. Andava de um lado para o outro. Maeja estava demorando muito. Seus pensamentos estavam a mil. E se cometesse alguma besteira no palco? E se fizesse algo vergonhoso? E se errasse as músicas? Estava muito nervosa. Sua timidez era um problema nessas horas. Precisava arrumar um jeito de se acalmar. Olhava de um lado para o outro procurando por alguém que conhecesse, mas não conhecia ninguém.

- "Que péssima hora para ficar sozinha." – pensou Hikaru. – "Devia ter trazido um livro, pelo menos poderia me distrair um pouco".

Sentou-se em uma caixa de som que tinha por perto e levou as mãos à cabeça.

- "Não posso ficar assim! É uma grande oportunidade! Eu vou conseguir!" – Hikaru bateu as mãos no rosto, como que para acordar.

Nesse momento viu Shion, um garoto, parecido com ele, e Marin se aproximando. Ela observou Shion; estava muito bonito.

Shion se aproximou mais dela, enquanto o outro garoto e Marin pareciam procurar por alguém. Shion também aparentava estar um pouco inquieto. O coração de Hikaru disparou ao perceber que Shion ia conversar com ela.

- Hikaru, você sabe onde está a Isa? – perguntou Shion.

- E... ela está no... no palco a... arrumando o... o Violoncelo.

- Mu! – Shion chamou a atenção do garoto. – Ela está no palco.

- Valeu Shion. – o garoto foi em direção ao palco.

Ficou silêncio entre os dois. Shion olhava na direção em que o garoto seguira. Hikaru apenas olhava para Shion um pouco corada. Quem sabe se conversasse com ele, não se acalmaria? Mas só de ver ele se aproximando já se sentiu inquieta. Não custava nada tentar. Criou coragem e o chamou, segurando a manga de sua camisa.

- Fi... fiquei sabendo que... que a Isa está bem nervosa... ma... mas dizem que quando... e... ela pega no microfone se torna ou... outra pessoa. – disse Hikaru um pouco sem graça, tentando puxar assunto.

- É verdade. Ela parece incorporar uma personagem quando começa a cantar. Mas ela não costuma ficar nervosa antes de uma apresentação.

- En... entendo. – disse Hikaru ainda sem graça. – "Ela é o total oposto de mim." – pensou.

- E você? Está nervosa? – perguntou Shion sentando-se ao lado dela.

- Um... um pouco. – Hikaru ficou ainda mais vermelha com a aproximação.

- É a primeira vez que se apresenta?

- Nã... não, ma... mas para tan... tanta gente si... sim.

- Não vou dizer para se acalmar, porque sei que isso não ajuda. Mas acho que você vai se sair muito bem. Se a Isa e a Maeja te chamaram para tocar, com certeza você deve ser muito talentosa.

- Ne... nem é pra tanto. – Hikaru corou violentamente.

- Acho que você está sendo modesta. De qualquer forma, poderei tirar a prova hoje. – Shion sorriu, deixando Hikaru ainda mais sem graça.

- E... eu... eu acho... que... que vou... dar uma última...o... olhada no meu... vi...violino. – disse Hikaru tentando evitar ficar ainda mais sem graça.

Hikaru se levantou um tanto quanto afoita. Com pressa para sair dali, nem viu que seu pé estava enrolado em alguns fios e acabou se desequilibrando para trás. Quando percebeu que ia cair, fechou os olhos esperando o contato com o chão. Shion percebeu que ela ia cair e tentou segurá-la. Os dois acabaram caindo sentados na caixa de som; Hikaru no colo de Shion. Ela abriu os olhos e deu de cara com aquele belo par de olhos lilases. O rosto dos dois estava muito próximo. Hikaru sentiu seu coração parar por um momento. Estava perto demais. Sentiu seu rosto queimar como nunca.

- Essa foi por pouco. Se você se machucasse eu perderia a oportunidade de vê-la tocando. – disse Shion sorrindo, aliviado.

Hikaru estava paralisada. Não sabia como reagir.

- Gente, em dia de festa os "certinhos" se revelam. – disse Shura ao ver Hikaru no colo de Shion.

Imediatamente Hikaru se deu conta da situação em que estava. Levantou em um pulo e quase caiu novamente.

- Des... des... desculpa...

Ela nem deu tempo para que Shion respondesse e saiu correndo.

- Muito bom Shura! Olha o que você fez! – disse Shion em tom de desaprovação.

- Ora, você não esperava que eu ficasse calado depois de presenciar uma garota sentada no colo do presidente do conselho estudantil, não é? – disse Shura sorrindo maliciosamente.

- Pode tirar esse sorrisinho bobo dos lábios, Shura. E tem razão! Esperar que você fosse alguém sensato e discreto seria demais. – Shion saiu de perto, deixando Shura caindo na gargalhada.

Hikaru, por sua vez, parou de correr ao sair do ginásio. Seu coração batia forte. O que foi aquilo? Ela queria se distrair, mas não precisava ter passado por tudo aquilo. Agora não sabia se seu coração se aquietaria até a apresentação. E já estava quase na hora. O que faria agora?


Mu não teve dificuldade para encontrar Isabelle no palco. Ninguém os via, pois as cortinas do palco estavam fechadas. Isabelle estava sentada na plataforma da bateria, olhando para o chão enquanto balançava as pernas. Mu já tinha percebido que ela estava diferente, mas observando-a naquele momento percebeu que era um pouco mais sério do que imaginava. O que será que acontecera? Normalmente nos dias em que ela se apresenta, costuma ficar extremamente feliz. Aquela pessoa que estava vendo não aparentava estar nem um pouco feliz. Aproximou-se dela.

Isabelle percebeu que alguém se aproximava, mas não queria levantar a cabeça. Até porque já sabia quem era. Então apenas permitiu que a pessoa se acomodasse ao seu lado.

- Essa não é a Isa que eu conheço. – disse Mu.

- Essa sou eu sim. – disse Isabelle finalmente levantando o rosto o sorrindo.

- Você sabe que não me engana mais, não é? Essa máscara que você coloca já está toda quebrada.

- Desculpa, não é minha intenção te enganar.

Mu abraçou Isabelle. Detestava quando ela mostrava aquele sorriso forçado. Era angustiante ver Isabelle em um estado que precisasse forçar algo que ela fazia tão naturalmente.

- Desembucha vai. O que houve?

- Nada demais. Eu é que estou sendo boba, como sempre. – Isabelle voltou a encarar o chão.

- Não importa se é bobeira. Se existe algo que está te entristecendo, já é suficiente para me preocupar.

- Você é muito gentil.

- "Ai céus! Fazer essa menina falar é difícil demais!" – pensou Mu.

Ele soltou Isabelle, para então segurar o rosto dela e fazer com que ela o encarasse.

- Fala logo. Você sabe que sou persistente. Não sairei daqui até que me conte o que houve.

- Eu sei.

Isabelle se levantou, desviando-se de Mu. Ela seguiu na direção das cortinas e colocou a cabeça para fora. Ela mexia a cabeça como se procurasse alguém. Mu apenas esperou por uma reação da garota. Quando ela pareceu ter encontrado o que queria, chamou Mu para que ele se aproximasse.

- Está vendo aquele garoto ali? – Isabelle apontou para alguém no meio do ginásio.

- Quem?

- Aquele garoto de cabelo azul-petróleo comprido, conversando com uma garota.

Mu logo pousou seu olhar em um rapaz que conhecia muito bem.

- O que tem ele? – Mu parou de olhar para voltar-se para Isabelle.

- Ele me disse que música é perda de tempo.

- E você ficou chateada por causa disso?

- Não. O que me deixou chateada foram os olhos dele.

- Como assim?

- Não me importaria em ouvir isso de uma pessoa vazia ou superficial, pois nesse caso realmente não se pode esperar demais. Mas os olhos dele... Não sei explicar. Era como sentir o mar gélido da Sibéria invadindo a minha alma. Frio e profundo.

Mu não entendia as coisas que Isabelle falava. Ela era sensível demais. Tinha que usar o máximo de sua criatividade para tentar entender como Isabelle via o mundo. Por mais que também tivesse um olhar diferente sobre as coisas, ela conseguia ver muito além de tudo. Tentou abstrair aquela declaração.

- E por que isso te perturba?

- Porque... a música é a minha vida! Eu quero que meus sentimentos alcancem às pessoas que me escutam. Quero que elas ouçam minha música e percebam que é a essência da minha alma cantando. Mas... depois de ver aqueles olhos, me questiono se sou capaz de transmitir isso. Não conseguirei alcançá-lo. Não sei por que, mas isso me perturbou.

- Por que quer alcançar justo ele?

- Não sei. Algo me diz que ele tem uma história com a música. Algo me diz que... ele não é diferente de mim.

Mu sorriu. Assustava-se com o sentido aguçado que ela possuía. Já ouvira algumas histórias daquele garoto e, realmente, eram coisas relacionadas à música.

- Você tem razão. Ele não é diferente, mas nem todo mundo vê a música como você. No seu caso a música é algo que liberta. No caso dele é algo que aprisiona.

- Como sabe?

- Bom, não acho correto passar fofoca para frente. Talvez um dia você descubra. Mas tudo que posso dizer é que, se a música o mantém preso, você é a pessoa ideal para libertá-lo. – Mu abraçou Isabelle novamente. – Acredite mais em si mesma, porque muita gente acredita em você.

- Obrigada Mu. – Isabelle sorriu. Só Mu conseguia animá-la daquele jeito.

- Só aceitarei sua gratidão depois que ver sua essência brilhando nesse palco.

- Pode deixar comigo!

- É assim que se fala.

Mu bagunçou o cabelo da menina enquanto ela sorria largamente para ele.


Dália e Aryanne conversavam animadamente sentadas em um canto do imenso Ginásio. A conversa girava em torno de artes e, principalmente, teatro. Ambas chamavam atenção com uma beleza um tanto quanto exótica. Dália usava um vestido de cetim até os joelhos, a "saia" meio rodada. A parte de cima era branca com gola média e sem manga e a "saia" preta com um tipo de véu por cima. Bordados de borboletas tribais de um azul escuro vivo e brilhante na barra e no colo, no colo uma bem grande com as asas abertas em cima dos seios. Usava um corpete preto de couro por cima, meias de renda de borboletas pretas com sapatos boneca pretos com um enfeite de borboleta roxa. Luvas que prendiam no dedo do meio apenas que vão até a metade do braço, pretas com uma borboleta nas costas da mão. Os cabelos estavam soltos, com uma mecha de cada lado trançadas e presas atrás com uma presilha de borboleta de brilhantes, as mechas trançadas só até aí. Aryanne, por sua vez, usava um minivestido tomara que caia fúcsia em veludo, com detalhes em renda no busto e na barra. Os Cabelos presos em um coque de pontas prateadas com detalhes de flores em strass. Brincos de pérolas, e o colar era um fio de ouro branco com uma pérola. Usava uma maquiagem que ressaltava seus belos olhos.

- Eu sou apaixonada por Shakespeare! Já fiz algumas peças dele. – disse Dália animada.

- Mesmo? Acho as peças dele muito difíceis de atuar. As personagens dele são complexas e é preciso muito ensaio e estudo pra fazer uma interpretação que consiga captar a essência da trama. Mas sou muito fã dele também, quero muito fazer uma de suas peças. Tenho certeza que minha atuação seria impecável. – disse Aryanne se gabando e fazendo Dália sorrir. – Mas em quais peças já atuou?

- Bem, já fiz a Cleópatra de Antony and Cleopatra. Também fiz a Catarina de The Taming of the Shrew. Fiz a Cordélia de Rei Lear e também já fiz o papel de Lisandro de A Midsummer Night's Dream.

- Nossa! Você já fez muitas personagens! Até fez papel de homem. Eu ainda não tive essa experiência. Deve ser estranho. Também não acho que eu ficaria bem de homem. Mas tenho certeza que se eu fizesse ficaria muito melhor que muito ator que tem por aí.

- É diferente mesmo, mas até que eu gostei. Mas o que eu quero mesmo é interpretar a Desdêmona da peça de Otelo.

- Acho que não tenho nenhuma personagem que gostaria muito de interpretar. Gosto de todos os papéis que já interpretei e qualquer um que me derem, farei com muita determinação e paixão. Afinal, eu sou um prodígio. – Dália apenas ria da confiança exagerada que Aryanne tinha em si mesma.

- Só você mesmo. Será divertido interpretar com você. Fiquei sabendo que todo mês o grupo de teatro apresenta uma peça. Parece que esse mês será Romeu e Juileta.

Aryanne parou um pouco naquela frase. Romeu e Julieta. Seria um sonho fazer essa peça se Deba fosse o Romeu e ela Julieta. Tudo bem que era uma tragédia, mas só de poder beijar aquela boca de HOMEM já sentia seu coração parar. E por falar em Romeu, logo viu o seu entrando pela porta do ginásio. Estava simplesmente deslumbrante.

Aquela visão perfeita que tinha de Deba logo se desfez ao ver com quem ele estava. Fechou a cara. Dália, que já havia percebido que a garota estava fantasiando coisas, olhou na mesma direção que Aryanne. Logo entendeu porque ela fechou a cara. Deba conversava animadamente com Kanon e mais três pessoas.

- Eu não acredito que o meu Deba está de conversinha com aquele infeliz pervertido! Ele vai corromper o meu puro Romeu! – Aryanne falava revoltada.

- Calma Ary. Nem sei por que você detesta tanto o Kanon. – disse Dália tentando acalmar a garota.

- Como assim não sabe? Olha lá ele agarrado com duas garotas! Como você tem coragem de falar que não sabe?

- Ah... Podem ser só amigos. Amigos também se abraçam. – Dália tentava argumentar, mas nem ela própria acreditava naquelas palavras.

- Você só pode estar brincando, né? Você pode até ser inocente, mas meus olhos não mentem! Aquele tipinho não me engana! Ele estava se aproveitando da sua inocência para dar o bote, aquela víbora desprezível. Ele é um atorzinho de quinta que se aproveita das coisas pra conseguir o que quer! Oportunista, arrogante, egocêntrico, mentiroso e tarado! Não vou permitir que ele influencie o meu Romeu! Ah... Mas não vou mesmo! – Aryanne se levantou decidida. Estralou as juntas e foi na direção de Deba e Kanon a passos largos e pesados.

Dália suspirou. Provavelmente Aryanne ia criar confusão de novo. Seguiu a menina com a intenção de tentar acalmá-la um pouco, mesmo sabendo que provavelmente seria impossível. Pelo menos poderia conversar com Kanon. Com toda aquela confusão na aula e a correria para a festa, não teve tempo de comentar sobre aquela cena. Será que Aryanne estava certa? Será que ele estava apenas se aproveitando? Não conseguia acreditar! Sabia distinguir atuação de realidade. Será? Muitas vezes se perdia nos papéis que interpretava. Será mesmo que conseguia distinguir? Mas mesmo que não conseguisse, não tinha como ele querer beijá-la. Será que ele era tão insensível assim? Descobriria em breve.

Aryanne aproximou-se furiosa do grupinho que conversava animadamente. Quando chegou foi logo puxando Deba.

- Aryanne? Que bom que te achei! Queria mesmo te encontrar. – disse Deba sorrindo largamente.

- Mesmo? – Aryanne ficou com os olhos brilhando.

- Que óbvia! Nem parece atriz. – disse Kanon com desdém.

Aryanne, ao ouvir aquela voz irritante, voltou a fechar a cara. Queria dar um belo murro na cara daquele tratante, mas não na frente de seu Romeu.

- Escuta aqui, seu projeto de gente! Fique longe do meu Deba! Não quero que você o corrompa com essa mente impura! – Aryanne falava bem irritada.

- Hã? – Deba ficou sem entender.

- Quem é ela? – perguntou Annika.

- Uma louca da aula de teatro. – respondeu Kanon.

- LOUCA é a sua mãe! Quem você pensa que é pra falar assim comigo? Coloque-se no seu lugar seu ator de quinta!

- Finalmente alguém concorda comigo! – disse Milo.

- Vocês não sabem o que é a verdadeira arte de interpretar. Estão é com inveja do meu grandioso talento. – disse Kanon se gabando.

- Meu Deus, mais um pouco e não caberia tamanho ego dentro desse ginásio. – disse Dália se aproximando. – Oi Deba.

- Oi Dália. Será que pode me explicar o que está acontecendo?

- Esses dois se desentenderam na aula de hoje. É uma longa história.

- Ora, ora. Quem eu vejo aqui! Se não é a mocinha que caiu em meus encantos. – disse Kanon que, até então abraçado à Hime e Annika, se soltou para ir de encontro à Dália.

- Caiu nos seus encantos? Acha mesmo que sou tão boba assim?

- Jamais, pois quem cai em meus encantos são apenas moças inteligentes e espertas. Não me surpreendo nem um pouco por você ser uma delas. – Kanon aproximou-se perigosamente. Dália não recuou, já estava interpretando novamente.

- Não é o que me parece. Você se mostra extremamente leviano.

- Que tal se eu provasse o contrário então? – Kanon se aproximava ainda mais.

- SAI DE PERTO DELA! – Aryanne puxou a amiga de novo.

- Só pode ser brincadeira! Essa garota não me deixa terminar uma única cena! – Kanon já estava começando a perder a paciência.

- Sei muito bem aonde você quer terminar essa cena, seu infeliz!

- Eu não vou ficar aqui perdendo meu tempo com isso. Dália... – aproximou-se do ouvido dela para sussurrar. - ...Quando quiser continuar de onde paramos, me procure. – disse Kanon se afastando com Hime e Annika.

- Espera aí! Droga, aquele galanteador barato me paga! – disse Milo indo atrás deles.

Dália ficou atônita. Por algum motivo gostaria de saber até onde aquilo iria. Será mesmo que ele estava interessado em encenar ou estava apenas brincando de atuar? Estava curiosa e disposta a aceitar esse desafio. Experiências de atuação eram sempre muito bem vindas para Dália.

Aryanne, por sua vez, não gostara nada disso. Ainda ia desmascarar aquele idiota e abriria os olhos de Dália. Mas por enquanto, queria se concentrar em outra coisa.

- Deba! Que bom que te achei. Agora que aquele inconveniente saiu, podemos conversar em paz. – disse Aryanne com os olhos brilhando.

- Ótimo! Bom que você me explica o motivo desse showzinho todo.

Aryanne fez uma tromba enorme. Deba e Dália apenas riram da garota.


Já estava na hora de começar. Todos os alunos já haviam chegado ao Ginásio. Até então as luzes estavam todas ligadas. De repente tudo se apagou. Ouve uma euforia quando isso aconteceu, mas todos voltaram suas atenções o palco; único lugar que ficou iluminado. Detrás das cortinas apareceu Shion com um microfone nas mãos.

- Boa noite a todos. – disse um tanto quanto sério demais.

- Boa noite. – responderam em uníssono.

- Antes de começarmos gostaria de dizer algumas coisas. Acho que é do interesse de todos, afinal esse ano terão algumas surpresas.

Continua...


Yooooo Minna ^^/!

Eu demorei anos pra postar esse capítulo O_O! Estou horrorizada comigo msma XD! Aconteceu milhares de coisas na minha vida q bloquearam minha criatividade e acabaram com a minha disposição de escrever... Ou seja, travei legal XD! Sorry, sorry... T-T! Eu tava super empolgada com essa fic (e ainda tô), mas como, eu non sei se já disse, meu cérebro tem vida própria ¬¬! Quando ele resolve fazer birra é tenso XD! Mas anyway, o q importa é q (pra deixar claro) non desisti dessa fic XD (De jeito nenhum, é minha cria preferida XD)! E pra mostrar isso tá aí mais um cap... *aplausos e gritos*... O tão esperado cap, q na verdade é só o começo de tudo XD!

Bom, vamos aos comentários em geral XD! Mas antes gostaria de frisar q dessa vez, na minha opinião claro, non teve a melhor cena XD! O prêmio vai para todas elas \*-*/! Tô adorando escrever com as personagens q vcs mandaram, por isso, ARIGATOU GOZAIMASU \^^/! Mas, voltando aos comentários XD!

Lillian e Aioria *vomitando arco-íris*... Foi uma cena tão gostosa de fazer, foi super natural XD! Talvez pelo jeito mais solto q faço o Aioria ou pelo fato de q esse casalzinho super-mega combinou... Non sei XD! Mas eu achei a interação deles mto kawaii *-*! A Lillian é toda fofa e o Aioria todo bobão e convencido XD! Fico com medo do q o Milo vai aprontar pra cima dos dois, mas no fim vai dar certo, né?

Annika aprendeu a provocar o Milo com a Hime... Mto bom XD! Achei q super ia combinar com a personalidade dela, já q parece uma gatinha XD! Mas o Milo ainda tem mto o q aprender com o Kanon... E se ele non der um jeito rápido vai acabar sem ninguém XD! Esse Kanon galinha, viu? Hauahauahauahaauahau XD! Ah sim, a Hime ainda vai fazer o Mi ficar louco, guardem essas palavras XD!

Eu já tô achando meio paia ficar comentando das cenas da Belle u_u! Eu simplesmente babo nas cenas dela XD! Ficou a coisa mais perfeita do mundo *-* (non é pra me gabar non, é só empolgação master XD)! As cenas da Belle é uma coisa q eu sento e fico imaginando como se fosse anime msm XD! O Dite é um fofo e a Belle tem uma personalidade mto fácil de desenvolver (fácil no sentido de q super combina com meu jeito de escrita XD))! E venhamos e convenhamos, dá pra sentir inveja da Belle com um Dite tão... Tão... Tão... *litros de baba*... ahuahauahauahaua XD!

Máscara e Lara XD! Se a Lara non fosse par do Shura, de verdade q ela ficaria mto bem, diga-se de passagem, com o MDM... hauahauahauahauahau XD! A sintonia dos dois é quase perfeita XD! É pra provar q amizade de homem e mulher existe, nem q seja na cabeça de uma peculiar autora de fanfics... hauahauahauahauaahu XD! Suely é mto tímida ainda, mas vai ficar mto legal fazer ela com o MDM, o contraste é mto grande XD! Enquanto isso non acontece, sempre tem o Shion e o Mu pra salvar o dia... hauahauahauahau XD!

Annemie e Arya, oh God XD! Foi mto difícil a cena delas XD! Inclusive, foi nessa cena q super travei... ahauahauahauhauahu xD! Non conseguia fazer de um jeito q me agradasse no início u_u! Tipo, eu sempre monto a cena na minha cabeça antes, mas como eu nunca anoto eu esqueço sempre as melhores partes XD! Mas no fim ficou do jeitinho q eu qria XD! A amizade das duas começando de um jeito meio "agressivo" e meio tímido XD! E o Saga é um indeciso XD! Ele non sabe se empurra a Arya pro Camus ou se dá em cima dela... Isso ainda vai dar mto o q falar... *risada maléfica*! E a Annemie non vai escapar do Mu, de jeito nenhum XD! Tbm, ninguém resiste ao carneirinho mais perfeitoso do zodíaco *¬*!

Gente, a cena da Milena com o Dohko ficou a coisa mais kawaii possível *-*! A Milena toda tímida e sincera e o Dohko todo bobão... hauahauahauahauaahu XD! Ciuminho básico do Shaka (q homem non ficaria com ciúmes da garota q gosta com um super e perfeito ser como o Shaka XD)! E a Milena ainda vai passar por mta coisa com esses dois, viu... hauahauahaauahau XD!

Huahuahauahauahau... Eu adoro a mania estranha da Monise XD! Talvez pq eu amo genética tbm (detalhe, faço administração, tudo a ver XD)! Mas eu tbm ia ficar intrigada se eu visse dois seres, q não são parentes, sem sobrancelha e com duas pintinhas na testa XD! Non sei se na realidade ia ficar tão charmoso como no anime, mas no mínimo seria curioso XD! E o Aiolos tá me saindo melhor q a encomenda, mto assanhadinho... hauahauahauaahauahu XD! Ele dá em cima da Monise descaradamente. Ainda bem q ela tem paciência... hauahauhauaahau XD!

Eu acho q vou pular a cena da Becky... Brincadeira... hauahauahauahauhu XD! É sempre mto divertido escrever com essa personagem XD! Eu reli essa cena umas quinhentas vezes pra pegar inspiração pra continuar escrevendo XD! Eu ria sozinha de uma coisa q eu msma criei... *louca*! Mas eu tinha prometido recompensar a Pure-Petit Cat por ela ter sido a única a non ter encontrado com o par ainda XD! Espero q ela tenha gostado, pq eu babei nessa cena e dei o melhor de mim pra ficar legal Ò_ó/! Eu modifiquei um pouco a cena q vc (Pure-Petit Cat) tinha mandado, mas ela ainda me será mto útil mais pra frente XD! Esse casal será extremamente divertido desenvolver, pq a Becky é super amiga da Isa e o Shaka nem se fala, ou seja, os dois vão ter mtas brigas pela frente... hauahauahauahaua XD! Mais divertido ainda vai ser colocar a Isa no meio disso XD!

Maeja e Shihyo *¬*! Quando eu imaginei essa cena na minha cabeça ficou aquela cena de anime shoujo super Kawaii XD! Eu AMEI! Ficou super delicado e fofo XD! Mais um casalzinho pra lista de casal fofura XD! Acho q non final da fic vou fazer uma enquete pra ver quem vcs acham q foi o casal fofura... hauahauahauaahauahu XD!

Então... A cena do Shion e da Hikaru ficou curtinha tbm, mas eu achei mto mto mto fofo XD! Eu tava meio travada em escrever com os dois, pq a Hikaru é tímida e já tava mto nervosa. E eu descobri que tenho sérias tendências a escrever cenas clichês... hauahauahaauahauahau XD! E o Shura nesse cap resolveu ser "o inconveniente"... hauahauahauaahauahau xD! Só chegou em momentos indevidos XD! Só pra avacalhar ainda mais com a Hikaru u_u! Será que ela vai tocar de boa ou existem outros planos na mente dessa autora desprovida de sanidade?

Ceninha da Isa e do Mu *¬*! Non adianta gente, minha cria enton tenho que me sentir orgulhosa... hauahauaahauahaauah XD! Resolvi fazer uma cena mais séria com ela pq, quando eu imaginei a relação da Isa com a música, foi realmente algo mto forte e profundo u_u! O que a Isa tem com o Mu é algo mto puro, é como se fossem irmãos msm XD! E sim, já tenho a história do Camus totalmente bolada na minha cabecinha XD! Mas vai demorar um "cadinho" pra fazer essa revelação XD!

Deba, Aryanne e Dália XD! Eu tô sentindo que vai vir mta confusão entre a Aryanne e o Kanon... hauahauahaauahauahau XD! Tenho dó da Dália que vai ficar no meio disso XD! Mas o Kanon tbm provoca... Vai acabar sobrando pra alguém... hauahauahauaahauahauahau XD! O lega Deba non consegue acompanhar a Aryanne, ela sempre faz as coisas sem explicar nada... Mto bom xD! Será q ele vai dar um jeitinho nela? *risadinha abafada* XD! Agora que a Dália resolveu aceitar o "desafio", as coisas podem esquentar um pouquinho XD! Non sei se conseguir retratar a personalidade da Dália mto bem nesse cap, qualquer coisa, aceito dicas Tenshi Aburame ^^!

Enfim... Surpresas? O que será que tem de novo? E realmente, o Shion non faz mto o tipo animador de festa... hauahauahauahauahaauahau XD! Enfim, tá aí mais um cap XD! Espero q tenham gostado XD!

Bom, apenas algumas considerações: Primeiro – eu sou péssima pra descrever roupas, por isso sorry XD! Eu já tinha descrito o Aiolia, enton deixei, mas non quis descrever mais nenhum douradinho XD! Se eu puder, farei no próximo cap XD! Tbm non descrevi a roupa da Isa, surprise XD! Ah... e a roupa da Arya eu tive q descrever, nem sei se ficou bom XD! Eu non sei se a Rajani Devi Lakshmi me mandou a descrição da Arya, provavelmente sim, mas como minhas PMs foram apagadas, non teve como... sorry XD! Coloquei aquilo q achei q ia combinar com a Arya, espero ter acertado XD!

Enton, em segundo - estou no meu último ano de curso \^^/! Isso significa: monografia ¬¬! Ou seja, estou completamente sem tempo para nada XD! Se eu tivesse só estudando, de boa... mas resolvi arrumar um emprego, aí meu tempo foi pro espaço XD! Enton non vou prometer atualizar essa fic rápido XD! E tbm meus bloqueios de criatividade são um problema sério, pq se eu escrevo sem inspiração acabo detestando e apago tudo se non gostar XD! E como non qro fazer nada meia boca, só me permito postar quando tiver satisfeita u_u! Sorry... Mas eu amo demais essa fic e qro fazer o melhor XD! Momento desabafo... hauahauhauahauaahu XD!

Mas eu prometo me esforçar mais e non desaparecer da face da Terra novamente XD! Tô quase entrando de férias da facul tbm, enton vai ficar mais tranquilo (assim espero XD)! Bom, acho q non tenho mais mto o q falar XD! Críticas, elogios, sugestões...? Já sabem né? Gente, se tiver erro de português, relevem XD!

Até o próximo cap ^^/

^^v