Disclaimer: Os personagens e lugares citados não me pertencem, eles pertencem ao Kishimoto-sensei. Se me pertencessem o objetivo de suas missões seria algo extremamente depravado em que roupas não estariam incluídas. Sakura rasparia o cabelo e se jogaria do alto de um penhasco.

Sumário:Por obra do destino um rico empresário cruza o caminho de uma jovem que em meio às dificuldades faz uma tentadora proposta que marcou para sempre suas vidas. "O senhor gostaria de me comprar por uma noite?" (U.A)

Rate: M, - por palavreado chulo ou considerado impróprio além das cenas picantes. Sendo mais direta... DA PUTARIA


Importante: Esse fic foi inspirado em All The Pain Money Can Buy feito por Blanxe. Qualquer frase ou acontecimento parecido não é um mero acaso. Devido a isso escrevo aqui os créditos a autora que por sinal fez o melhor fic que já li.

Casal yaoi: DuoXHeero ( anime Gundan Wing)


Legenda:

Era a terceira vez que olhava para o relógio naquela noite – Narração normal

-O senhor gostaria de me comprar por uma noite?- Fala normal

-Eu não quero saber, venha AGORA! – Voz ao telefone

"Esse cara gostou mesmo de mim!" - Pensamentos.

OoOoOoOoOoOoOo – Mudança de tempo e espaço


Deep into a dying day

(Afundada dentro de um dia morto)

I took a step outside an innocent heart

(Eu dei um passo para fora de um inocente coração)

Prepare to hate me, fall when I may

(Se prepare para me odiar, caia quando eu o desejar)

This night will hurt you like never before

(Essa noite vai te machucar como nunca antes)

(Nightwish – Wish I Had An Angel)

(…)

Quanto custa seu amor?

Por Briz &Pink

Capítulo oito – Ressurreição

Por mais que o fuso horário lhe causasse fadiga, Ino não conseguira dormir. A loira olhava as nuvens pela janela, ansiosa, os pés batiam impacientes, e pensamentos dolorosos e inconvenientes dominavam em sua mente como um castigo divino pela promiscuidade existente em seu passado e presente.

Reencontrar Gaara lhe causava um reboliço de sentimentos. Ino ensaiava frases, gestos e sorrisos. Queria olhar nos indiferentes olhos do empresário e poder dizer que ele não importava na vida dela. Mas, ao mesmo tempo, seu orgulho e, até mesmo uma pontada de esperança que ela lutava para reprimir a impeliam a desejar que tal reencontro despertasse nele seu antigo desejo, e fizesse com que a desejasse tão loucamente ao ponto de não conseguir passar um dia sem uma dose da loira.

Entretanto não daria a ele o que permitiu alguns anos atrás. Não deixaria mais Gaara se apossar de seu coração, tão pouco embebedar-se de seus beijos e afogar-se dentro de si.

O deixaria na vontade! Como muitas vezes ele a deixou.

Maquiavélica, planejava fazê-lo sofrer. Seu único objetivo, naquele momento, era destruir o coração de pedra de Gaara. Isso se realmente existisse um coração, pois as lembranças ainda tão nítidas de tudo o que passou a faziam suspeitar que o antigo amante fosse oco, movido apenas pelo dinheiro que lhe proporcionava a realização de desejos lascivos.

A loira suspirou, olhando de soslaio para o companheiro de viagem em vã tentativa de mudar o rumo de seus pensamentos. Hyuuga Neji possuía um belo perfil, agora concentrado na leitura do jornal Alemão - o quarto que lia desde que entraram no avião. Antes de embarcarem, o empresário havia ordenado a Rock Lee, seu braço direito e homem de confiança, que conseguisse para viagem os principais jornais internacionais e da Grécia. Por causa dos negócios, obrigava-se a estar sempre atualizado sobre o comportamento da economia mundial. O jornal Grego só lia por patriotismo.

Admirando o rapaz, Ino não deixou de reparar que Neji e Gaara eram parecidos em vários aspectos. Ambos tinham olhos frios e indiferentes, e línguas ferinas que desferiam cada palavra com o intuito de destruir o coração e auto-estima de uma mulher. Eram homens vaidosos, cujos egos frágeis exigiam bajulação constante e jamais aceitavam que suas decisões não prevalecessem. Levavam os negócios muito a sério e separavam os sentimentos da razão com uma facilidade invejável, comprando o sexo e as mulheres que desejavam e desprezando tudo aquilo que o dinheiro não podia comprar.

Porém, mesmo com todas essas semelhanças, estar com o Hyuuga era muito diferente do Sabaku. Neji pelo menos fingia escutá-la, diferente do Ruivo que, na maioria das vezes ignorou o que Ino tinha a dizer. Neji conversava com ela não só sobre os planos para arruinar Gaara, e tampouco a procurava somente para sexo. Ele a tratava como uma companhia agradável para um almoço ou um momento de descontração durante um drink, ao contrário de Gaara e de vários homens que conhecera em Londres.

Londres... a cidade lhe tirara toda a ingenuidade e inocência. Não era mais uma garotinha leiga e sonhadora, era agora uma mulher racional e inteligente. Sasuke e Naruto trataram de investir nela, tornando-a uma sedutora e inteligente mulher que poderia passar horas entretendo qualquer cliente, discorrendo sobre os assuntos que a eles interessassem.

Isso ajudava muito a conviver com seu novo chefe. Sempre com um vocabulário refinado, Neji parecia um verdadeiro Lord. Naruto sempre reclamava que o Hyuuga era pomposo e pedante, enquanto Sasuke afirmava que eram apenas aparências, que bem no fundo o Grego era apenas um filho da puta afilhado de Éris, a deusa discórdia. Ino por outro lado tinha que discordar dos dois patrões. Hyuuga Neji era um homem calculista que apenas não aceitava ser o segundo; um pouco egocêntrico, mas na visão feminina um homem encantador com um jeito cavalheiresco capaz de fazer qualquer mulher se apaixonar. "Sorte que estou vacinada contra isso!". Pensou Ino rindo amarga.

- Encarar é deselegante, Inocence – Neji comentou sem tirar os olhos do jornal, para a surpresa de Ino, que não esperava ser pega no flagra. O moreno ergueu os olhos do jornal para fitá-la – No que pensava?

- Que homem mais astuto. Pobre de mim, achando-me tão discreta ao admirá-lo. – respondeu Ino sedutora. Não diria a ele o que realmente estava pensando. No contrato não especificava que Neji também seria dono de seus pensamentos.

- Seus joguinhos não vão funcionar comigo. – respondeu fechando o jornal. Colocou-o de lado e chamou a comissária. – Um Whisky, por favor!

- Dois. – pediu Ino, antes da comissária sair.

Neji arqueou uma sobrancelha e admirou a estonteante loira ao seu lado. Seu sorriso sexy era duro como pedra, seus gestos tão estudados que para ele, Ino era perigosa e um verdadeiro mistério. E qualquer pessoa que não fosse previsível na concepção de Hyuuga Neji era uma ameaça. Contudo ele precisava de Ino para seu plano ter êxito.

E ele poderia aturar uma ameaça, se fosse gostosa como Ino.

- Qual seu sobrenome de solteira? – indagou o moreno, recebendo um olhar curioso de Ino.

- Kessler. Mamãe era alemã. – explicou, vendo o olhar inquisidor do moreno.

- Usaremos este sobrenome então. Não quero que ninguém possa buscar seu passado. – suspirou – Quando chegarmos ao Japão, quero que separe dois dias para planejar cada passo de nosso plano. Não admito erros.

Seu tom era de ordem, pegando os dois copos de Wisky que a comissária trouxe. Entregou o copo de Ino que sorriu travessa.

- Isso é perda de tempo, Neji. – argumentou a loira, intimamente impaciente para colocar o plano em ação.

- Paciência, Inocence. Prefiro perder alguns dias estudando Gaara antes de tomar qualquer atitude. Pra começar, você não vai sair do quarto. – a expressão da loira ao ouvir aquilo tornou-se sombria, ao que Neji explicou – Você é meu trunfo... Ele não deve ver você se não na festa.

- Como seu troféu! – completou Ino com um riso maldoso. Neji, porém, não a acompanhou.

- Você precisa aprender a se controlar – ele alertou-a.

- O que quer dizer? – perguntou a loira aborrecida. Não havia gostado do comentário.

- Quando fala em Gaara, a expressão de seus olhos muda. Seu riso deixa transparecer falsidade e rancor. Precisa controlar isso.

- Sei o que devo fazer, não precisa ficar me lembrando quanto a isso. - respondeu mal criada.

- Estou te pagando para me ajudar, não para botar tudo a perder. – embora o tom de Neji tivesse sido baixo sua voz soara ríspida. – Você sabe que não sou burro, eu notei o quanto o seu humor oscilou desde que entramos no avião.

- Desculpe por não estar sendo uma companhia agradável, mas diferente de você, que está indo acabar com uma ameaça aos seus negócios, eu vou para me vingar de alguém que destruiu a minha vida. – ela suspirou pesarosamente – Minhas últimas lembranças do Japão não foram das mais felizes.

- É uma profissional Inocence, então haja como uma.

A bronca de Neji viera tão autoritária que Ino se deu conta que o grego tinha razão. Tudo que ela aprendeu parecia ter desaparecido. A máscara Inocence tinha caído e apenas havia Ino e seu rancor ali. Por isso o Hyuuga com tanta ênfase a chamava de Inocence. Ele a lembrava de como deveria agir, e os momentos certos que Ino deveria aparecer.

- Eu não sou ele. - afirmou veementemente o moreno.

- O que disse?

- Não sou Sabaku no Gaara, por mais que nos ache parecidos.

- O que diabos...

- Ouvi você comentando com Naruto antes de partimos – ele comentou, como se fosse a coisa mais normal do mundo.

-Andou me espionando? – perguntou com o cenho franzido.

-Estou te vigiando! Não confio em você, é muito volúvel, e especialmente inconseqüente quando se trata de Gaara. – os belos orbes brancos se estreitaram ameaçadoramente – Temos um contrato e só vou te dar o que prometi se cumprir tudo o que acertamos.

Fizeram silêncio. Ino virou o copo de wisky de uma vez. Neji estava fazendo de tudo para controlá-la. Em certo ponto começava a se sentir sufocada e novamente se caracterizava uma posse de um homem. Não queria novamente se sentir assim!

- Você não é meu dono, Neji! Somos sócios, comparsas.

- Inocence... Eu sou seu dono. Estou pagando – a entonação na ultima palavra era firme, enquanto colocava uma mão sobre a coxa da loira e com a voz máscula e sedutora completou. – Até que cumpra a sua parte, tudo que eu quiser será uma ordem.

Aquelas palavras, que antes a arrepiaram, agora a irritavam. O estresse, o álcool e a presença daquele homem tudo contribuía para que sentisse raiva. Não nutria qualquer sentimento pelo Hyuuga, mas devia a ele, pela sociedade para destruir Gaara. E ainda assim, não podia deixar de ficar excitada quando ele tão descaradamente a seduzia. Sexo com Neji era muito bom tinha que admitir. Ele era um homem lascivo e que mesmo com todo o refinamento gostava de uma algazarra na hora do sexo.

Mas, por enquanto, podia fingir que seu desejo era apenas obrigação de empregada, se não por seu orgulho, pelo menos pela satisfação de arrancar uma expressão de desgosto do "patrão". Abandonou o copo de wisk, colocando-o de lado com uma expressão contrariada. Sorriu cinicamente sedutora, levantando-se da poltrona.

-Vou te confessar uma coisa. Eu sempre tive vontade de transar dentro de um avião.

Ao passar por Neji fez questão de esbarrar a perna contra a dele em uma ação sugestiva. O Hyuuga sorriu de lado e esperou alguns segundos antes de levantar e segui-la até os fundos do jatinho onde havia um toalete.

Só um pouquinho, apenas para iludi-lo, ela o deixaria achar que era seu dono. Deixar um homem achar que manda era a mais bela artimanha de uma mulher para estar no controle.

OoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoO

As perdas nos investimentos da empresa nos últimos anos preocupava Gaara. Investiu demais em potências como Estados Unidos e o próprio Japão, sem contar com uma crise de tais proporções pudesse abalar tais economias, consideradas tão sólidas, e que agora não possuiam dinheiro o suficiente para retornar seus investimentos.

Sentado à sua mesa, Gaara suspirou. Colocou ovos demais em cestas que agora se revelavam furadas, quebrando grande parte de seu conteúdo. O que havia sido salvo era pouco mais que metade dos investimentos, e o ruivo sabia que agora devia ser mais inteligente, e aplicar com sabedoria o que restara.

Estudos de mercado apontavam que países em desenvolvimento eram uma melhor escolha no momento, e a China era uma opção bem mais barata e lucrativa do que a Espanha, por exemplo. Apesar de sua política inconstante, a proximidade do Japão fazia com que fosse uma escolha mais apropriada pra a abertura de uma filial do que países mais distantes como Brasil, Índia e México, visto que tais localidades seriam de difícil controle do rapaz.

E os Hyuugas, gregos filhos de uma puta, estavam mais próximos de tais mercados do que ele. Aquelas pragas, nem pareciam estar sofrendo com a crise na Grécia. Pudera, o tanto de vitórias que tiveram às custas da queda dos Sabaku... Queda para a qual eles contribuíram de todas as formas possíveis.

Claro, Gaara havia cogitato a possibilidade de se mudar para a América Latina por maior competitividade. Poderia se aproveitar de acordos do México com os Estados Unidos e Canadá, ou das taxas de retorno de investimentos tentadoras do Brasil. Conseguiria recuperar as perdas da crise em pouquíssimo tempo.

Mas quem disse que Sakura queria se mudar? "Por que temos que ir para esses países horríveis? Se tivermos que mudar prefiro ir para algum país da Europa." A noiva podia ser uma aluna de medicina incrível, e com certeza seria uma boa médica, entretanto a visão emprededora era deplorável. "Madri! Vamos pra Espanha, tenho certeza que seus negócios serão ótimos lá!"

Pelo menos havia aprendido a fazer bom sexo. Admitia que, ultimamente, os momentos íntimos com a noiva não eram mais tão monótonos. Às vezes Sakura ainda perguntava se fazer sexo de tal ou qual forma não era jeito de prostituta, mas ao sinal de aprovação do ruivo, relaxava e fazia tudo muito bem. A rosada tinha muito talento, algo que Gaara teria gostado muito se Sakura tivesse se soltado antes.

Não que ele não pudesse fazê-la se soltar, pensou com um sorrisinho cínico. Só precisava de um pouco mais de tempo, e paicência... Muita paciência para aturar as frescuras dela...

-Gaara! – seus pensamentos foram interrompidos pelo grito transtornado da irmã, que invadia a sala como um furacão.

- Olha só para estas faturas de cartão de crédito. – O semblante bonito de Temari era transtornado – Juro que não sei o que é pior, a inconseqüência do demente do Kankurou ou as extravagâncias da vaca aproveitadora da sua noiva!

-Não precisa ofender Temari. – disse Gaara imparcial com a intenção de irritar ainda mais a irmã.

-Então olhe para essas malditas contas e me diga se eu não deveria GRITAR! – A Sabaku jogou alguns papéis sobre a mesa frente ao ruivo.

O homem suspirou, pegou o primeiro papel que viu pela frente se ajeitando na cadeira quando notou os valores gastos, o dobro do mês passado. Temari sempre tomara conta das finanças da família, e isso a havia tornado um tanto quanto mesquinha. Mas, dessa vez, a irmã não estava exagerando. Kankurou e Sakura estavam abusando da sorte, estourando cartões com coisas supérfluas. Temari não deixaria que no próximo mês eles gastassem mais do que alguém da classe C conseguiria.

-Temos uma fazenda exclusiva para plantação de dólares e não me contou? Por que se tiver ok, me diga que eu também vou passar no... – Temari pegou o papel da mão de Gaara e leu o nome do restaurante com ironia - 'Monsieur Gaston' gastar oitenta dólares em salada de Foie Gras.

Por um instante, Gaara realmente temeu Temari. A irmã estava altamente irritada.

- Oitenta dólares em uma salada de fígado de pato! – a loira ironizava – Ou quem sabe eu deva passar na Louis Vuitton e comprar uma bolsa de cada cor da nova coleção. Cada uma está custando cinco mil dólares!

-Vou falar com a Sakura não se preocupe. –foi a resposta apática do turco.

-Uma salada de oitenta dólares Gaara? O que ela está pensando? Antes de namorar você a salada dela não devia custar mais do que alguns míseros ienes podem comprar das sobras da feira. – Temari respirou fundo parecendo mais calma. Fechou os olhos com força e sentou-se elegante com as pernas cruzadas frente ao irmão. – Duvido que ela tivesse mais que duas bolsinhas de camelô dentro do armário. Ela não sabe o valor do seu dinheiro.

-Com a Sakura eu me entendo. Agora, não jogue a culpa de tudo nela. Kankurou andou destruindo mais carros, pelo que vejo. - Gaara não discordaria de Temari dessa vez. – E só modelos italianos. Ele, mais do que ela, devia saber o valor desse dinheiro.

-É um parasita! Se pelo menos viesse trabalhar para pagar essas Ferraris que no final acabam no ferro velho destroçadas. – a loira tinha os olhos verdes duros e firmes – Sabe que não estamos nos melhores momentos. O mercado está incerto precisamos economizar o máximo. Essas pequenas coisinhas são valores, por exemplo, que podem pagar o salário dos funcionários da empresa. Desde o servente que ganha um salário mínimo até ao nosso funcionário mais caro.

-Entendo a situação. Dessa vez concordo e não farei vista grossa.

A irmã calou-se, mais calma com a reação do Sabaku. Sentia-se agora mais segura, porém, não foi sem um longo suspiro pesaroso que ela sentou-se à frente do mais novo, jogando um envelope azul, que havia escondido até então, sobre a escrivaninha.

- Abra. – ordenou ao irmão, que prontamente pegou o envelope.

Timbrado estava gravado o símbolo da empresa Hyuuga no qual Gaara sabia o que significava aquele selo para a hegemonia Sabaku. Abriu o envelope e leu o que estava escrito.

- Um evento?

- Uma grande comemoração, marcada para o dia anterior ao da reunião que ele marcou com você. – franziu o cenho, preocupada.

O ruivo se levantou da mesa e andou pela sala de um lado para o outro. Não era de seu feitio demonstrar o que sentia, no entanto estava impaciente. O líder dos Hyuuga, seu maior rival, chegaria ao país em breve e, para a surpresa de Gaara, Neji havia proposto uma sociedade que só seria discutida quando o grego chegasse ao país. O Sabaku tinha que admitir que uma sociedade com o Hyuuga talvez o tirasse do vermelho; entretanto sabia que Neji jamais faria uma proposta que beneficiasse os Sabaku mais do que a si.

A rivalidade já não era mais meramente comercial. Ao longo dos anos, tornou-se uma competição entre os frágeis egos de dois homens vaidosos lutando por poder. E agora, com um evento que prometia ser um estrondoso acontecimento social, Gaara não podia deixar de temer a proposta do rival. Se bem o conhecia, aproveitaria a ocasião para fazer algum anúncio barulhento à sociedade, de preferência um que trouxesse humilhação aos Sabaku e os desequilibrasse antes da reunião.

- Acha que tem a ver com a proposta que ele quer fazer?

-Não sei Temari! Não estaria nessa situação se pudesse adivinhar o que aquele cretino pensa. – Gaara respondeu mal-humorado, enfiando a mão no bolso do Smoking e tirando um cigarro. Acendeu-o e deu uma forte tragada. Neji tinha alguma carta na manga, e por mais que se esforçasse, não conseguia imaginar que vantagem o filho da puta poderia ter conseguido.

Mas, de qualquer forma, não podia demonstrar medo. Devia passar segurança ao imbecil, tentar intimidar do jeito que fosse. Blefar.

- Temari – chamou a irmã, que ergueu os olhos apreensiva – Confirme nossa presença no evento.

OoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoO

Onze e meia da noite. O relógio indicava que Ino já estava, pelo menos, uma hora e meia atrasada para o evento. Por ironia do destino estava no Plaza Hotel o mesmo o qual havia vendido sua inocência a Gaara anos atrás. O momento da vida dela que mais sofreu, juntando a pobreza e a saúde debilitada do pai. Entretanto também foram os dias que aprendeu a amar e momentos que se sentiu nas nuvens tamanha felicidade quando estava ao lado do Sabaku. Agora as lembranças tinham um sabor amargo.

Pelo bem de sua sanidade, Ino não teve tempo de relembrar os momentos que passou com o Sabaku naquele hotel. Assim que chegaram ao quarto, Neji a agarrou colocando-a de quatro sobre a cama. Como em uma tentativa de se entorpecer, Ino retribuíra com a mesma força suas estocadas em direção ao homem montado sobre si. As mãos masculinas em seu quadril a agarravam firme ditando a velocidade que desejava, e como se sua voz pudesse calar seus pensamentos, Ino não fora discreta, gemera toda vez que sentira o Hyuuga se enterrando dentro dela com uma potência gostosa. Não era agressiva, apenas desejosa, quente e sensual. Muito bom... Muito bom! Era o que repetia apenas em pensamento.

Porém, os momentos de prazer eram passados, e a calmaria que o gozo lhe proporcionara dava agora lugar ao nervosismo.

Chegara o tão esperado dia do reencontro.

Aflita, tentava se maquiar sentada a uma penteadeira, os cabelos loiros já presos em uma trança embutida que lhe caia sobre um ombro desnudo. Duas vezes borrara a maquiagem, e acabara por manchar o vestido rubro que pretendia usar com a sombra, precisando então trocar por outro modelo. Um longo perolado, adornado com pequenos cristais, possuía apenas uma alça, imitando o modelo grego, como uma homenagem à nacionalidade de seu novo dono, um símbolo de a quem pertencia sua suposta devoção agora.

Neji, por outro lado, não parecia se importar. Já estava arrumado há horas, sentado a um sofá no quarto de hotel que dividiam, lendo um jornal calmamente. Ino se perguntava se a divisão do quarto fora feita apenas pelos interesses sexuais do parceiro, ou se haviam outras intenções por trás de tal decisão. Queria vigiá-la, era certo.

- O carro já está nos esperando há muito tempo? – indagou nervosa, finalmente conseguindo passar o batom vermelho sem borrar. Não gostava de fazer os pobres motoristas trabalharem até altas horas da noite. Sabia o quão ruim era, pois seu pai, que Deus o tenha, já havia trabalhado com isso. Tinha ainda comiseração pelas pessoas.

Suas mãos tremiam enquanto tentava aplicar a máscara nos cílios, nervosa.

Neji ergueu os olhos do jornal, olhando para a bela loira frente ao espelho. Percebeu o tremor em suas mãos, e levantou-se, beijando a costa desnuda levemente.

- E vai esperar quanto tempo mais eu precisar. – o moreno falou em tom sedutor, sua língua queimando nas costas da loira em carícias quentes, as mãos habilidosas já tentando tirar o vestido.

A loira estremeceu, um gemido ressequido escapando seus lábios rubros, os olhos semicerrados encaravam o Hyuuga através do espelho, sua respiração já alterada pelos toques do rapaz.

Ele tinha sua mão já por debaixo de seu vestido.

- N-Neji... vai me fazer borrar a maquiagem... – argumentou, dando um gritinho assustado quando dedos macios invadiram a minúscula peça íntima – Vamos nos atrasar... Atrasar os planos...

O moreno parou por um instante, erguendo os orbes perolados para fitar a loira pelo espelho, beijando o ombro coberto pela alça do vestido. Pela segunda vez naquele dia, Ino pode perceber o quanto o Hyuuga era belo, com seu rosto inexpressivo emoldurado por cabelos castanhos que mal chegavam a ser negros, e seus olhos duros censurando a loira de um jeito que lhe causava arrepios.

- Eu te contratei para me ajudar a acabar com Gaara, Inocence – sua voz era dura, seu olhar pelo espelho penetrante e tenaz, baixando a alça do vestido perolado e revelando os seios róseos ao reflexo do espelho – Mas não foi só pra isso que te contratei...

A loira estremeceu com as palavras do companheiro, instintivamente abrindo as pernas para que suas mãos habilidosas a acariciassem, os dedos de veludo queimando entre suas pernas. Logo seu belo vestido estava cuidadosamente levantado sobre suas costas, o moreno abusando-a por trás enquanto a Ino, debruçada sobre o móvel, cuidadosa para não manchar o vestido, gemia.

Gemia alto, desejosa, encarando seu reflexo através do espelho por olhos semicerrados de prazer, os cílios longos quase unidos e os fartos seios balançando ao movimento, um nas mãos do Hyuuga. A maquiagem perfeita, o cabelo cuidadosamente arrumado, e o vestido caro, tudo parecia combinar com uma mulher tão bela, mesmo em tal situação. Tinha um homem entre suas pernas, usando-a da maneira mais profana, o sexo que muitas se recusavam a fazer... E ainda assim, Ino ainda parecia uma princesa.

Muito mais do que Sakura jamais pareceria.

Um sorriso brotou em seus lábios, maldoso, ao encarar seu reflexo. A pele queimava com cada estocada, e a loira já não mais sentia a dor de uma forma de sexo tão pouco convencional, apenas sorria e pressionava os mamilos contra os dedos de um Neji satisfeito com sua aquisição.

Com um grito ressequido, sentiu o gozo lhe estremecer o corpo. Era sempre melhor e mais rápido quando daquele jeito, talvez pela excitação de algo diferente, ou simplesmente porque era proibido, que a maioria censurava. Puritanismo desnecessário, na concepção da Yamanaka, mas que fizera sua pequena fortuna. Homens gostavam de ter suas fantasias satisfeitas, e se não pudessem em casa... Bem, pior para as esposas, melhor para Ino, que ficava com o dinheiro e o prazer.

Seus pensamentos foram interrompidos quando Neji, com um grunhido próprio, caiu sobre seu corpo, tentando se suportar sobre seus braços quando jorrou dentro da loira, seu gemido tão sensual que Ino pensou que fosse gozar novamente.

Suspirou, caindo pesadamente sobre o móvel, gemendo baixinho quando o Hyuuga deslizou para fora. Em meia hora, estava impecavelmente pronta novamente, sentada no carro a caminho da recepção.

ooOOoOoOOoo

- Neji está atrasado – comentou Temari, um sorriso de escárnio no rosto – Belo anfitrião. Atraso só é chique para noivas.

- Quando eu for a noiva, quero chegar o mais cedo possível no meu casamento com Gaa-kun – foi a vez de Sakura comentar, se agarrando no braço de Gaara – Por falar em casamentos, Temari, olha só o vestido da Madame Wilson, não quero convidar ela pro casamento se for vestida assim!

Gaara, porém, não estava nada interessado no que ambas tinham a dizer. Bufou impaciente, olhando no relógio novamente. Pouco lhe importava se Madame Wilfred estava vestida como um espantalho ou se Lady Spínolla parecia mais um urubu velho e rabugento, queria saber de Neji, e onde o filho da puta estava.

Aquela espera o estava agoniando. Só sabia olhar de um lado para o outro, mal sabia que, naquele momento, do lado de fora, o anfitrião e sua belíssima acompanhante desciam do carro. Ino, sorridente, ajeitava os sapatos antes de descer.

Tão distraída, não notava os convidados que chegavam, e um em especial que a olhou de relance, franzindo o cenho. Neji, porém, percebeu o olhar curioso, e com um único olhar irritado conseguiu fazer com que o rapaz, tão atrasado quando ele e Ino, os deixasse em paz e entrasse de uma vez na festa.

- Estou nervosa – admitiu a loira, uma vez sobre o tapete vermelho.

Neji, por sua vez, apenas apertou sua mão, os lábios roçando em um inocente beijo sobre sua testa.

- Está linda. Não deixe sua insegurança estragar essa noite.

A loira concordou com a cabeça, caminhando para o tapete vermelho, e entrando no salão de queixo erguido, braços dados com o Hyuuga. Tão logo entrou, buscou por Gaara, porém os flashes lhe cegaram antes que o pudesse encontrar. Tratou de sorrir, e agir naturalmente, como uma deusa no topo de seu altar. O gostinho de ver os olhos arregalados e amedrontados dos Sabaku e de Sakura ficaria para depois.

E Gaara, de fato, tinha os olhos arregalados. Havia se voltado para ver Neji, que entrava, e qual não foi sua surpresa ao ver Ino, ressuscitada dos mortos, seu grande amor... Linda, estonteante, ao lado de seu pior inimigo! Sua surpresa talvez não fosse maior do que a de Sakura, que empalideceu, olhando para sua rival, atônita.

Durante todos aqueles anos Yamanaka Ino o atormentou em sonhos e pesadelos. Lembrava cada segundo dos momentos bons, dos gemidos e carinhos da loira. Os olhares inocentes e a voz mansa que muitas vezes declarou que o amava. Guardava essas recordações a sete chaves em seu coração de modo possessivo e egoísta. Lembranças da única mulher que amou. Quanto aos pesadelos vinham como tormenta o fazendo perder noites. Passava madrugas lamentando ter perdido Ino. De nem ao menos ter conseguido se despedir. Se sentia impotente de não ter a protegido como deveria.

Depois de anos o fantasma dela reaparecia ainda mais bonita do que se lembrava. Estava tão vivida que mesmo estando distante Gaara podia sentir a respiração quente da loira Ainda se lembrava nitidamente do calor que ela esbanjava.

Incrédulo! Como Ino estava viva e nunca o procurou? Por que ela havia se fingindo de morta? Em que parte do inferno ela esteve durante todo o tempo em que o Sabaku pensou que estava morta? E por que diabos ela estava com filho da puta do Neji?

Eram tantas perguntas Logo a incredulidade e surpresa se transformou em raiva. Gaara queria agarra-la pelos cabelos e esbofeteá-la por engana-lo. Queria chacoalha-la e perguntar por que ela havia mentido para ele e simplesmente depois de anos aparecia com aquele escroto do Hyuuga.

E teria feito exatamente isso se a voz da noiva não colocasse sua racionalidade de volta no lugar.

- O-o que essa puta está fazendo aqui?- a rosada indagou, sua face antes risonha agora pálida de raiva, gradualmente se tornando vermelha de raiva. Isso, Gaara sabia, era o prenúncio de um ataque de raiva da noiva.

Dito e feito. A Haruno virou-se para o noivo, rosto contorcido de raiva, agarrando o colarinho e falando com entre os dentes. Sua voz assumiu um tom alto, agudo e irritante.

-Tira aquela vadia daqui!

- Ela é acompanhante do Neji – Gaara explicou sombriamente – Não posso fazer nada.

- Então vamos embora daqui! Anda,vamos! Não quero ficar no mesmo lugar que aquela rameira! – Ela puxava o braço do noivo, tentando arrastá-lo para fora – E nem você!

O ruivo, por sua vez, bruscamente puxou seu braço, quase desequilibrando Sakura, agarrando-a por um de seus braços. Não estava com paciência alguma para os pitís da médica, tinha problemas maiores com os quais precisava lidar no momento.

- Cala a boca, Sakura! Pára de dar pitizinho! – sibilou para a noiva, o olhar irritado mais do que suficiente para fazê-la calar-se. A Haruno se calou, um silêncio cheio de raiva e rancor, e fuzilava Ino com o olhar.

Gaara, também, voltou seus olhos pra Ino. Tinha um sorriso arrogante em seus lábios, tão tentadores em rubro, os olhos azuis, antes tão cristalinos, agora eram escuros com malícia, o ruivo percebeu. Ino não era mais uma garota inocente e tola, era uma mulher inteligente e sagaz.

Ao lado de Hyuuga Neji.

Sua ex-amante, agora voltava como uma mulher astuta, e ao lado de seu maior rival. Então era isso que o filho da mãe queria esfregar na cara de Gaara, a mulher, a que devia ser a sua mulher, de braços dados com Neji. Ele provavelmente estava fodendo ela também. Cretino.

- Esta é Inocence Kessler, minha... acompanhante – o Hyuuga anunciou a todos, trocando um olhar cúmplice com Ino, claramente insinuando a todos que a bela loira não era apenas uma acompanhante. Gaara já até podia ver as notícias da manhã seguinte, "Hyuuga Neji Promove Festa para Apresentar sua Noiva" ou coisa parecida.

E a maldita loira, tão bonita, tão inalcançável... Olhava para todos de queixo erguido, um sorriso orgulhoso em seus lábios, o olhar arrogante pairando pelo salão, e parando sobre Gaara e Sakura.

Sakura ainda estava pasma, e Gaara ainda tinha seus olhos arregalados quando o olhar de gata pousou sobre si, vendo a expressão satisfeita da loira.

E como Ino estava satisfeita, sorrindo de forma maliciosa para o ruivo e sua noiva, com expressões aparvalhadas. Mal podia esperar para acabar com eles, ver os dois rastejando, na lama, pagando por tudo o que fizeram.

Passou os olhos pelo salão mais uma vez. Seu orgulho não deixaria que notassem que tinham mais importância para ela do que qualquer outro naquela sala a ponto de parar seu olhar sobre eles, que estava desesperada, sedenta por vingança.

Porém, quando virou seu olhar para outro ponto da sala, como um imã este foi atraído para alguém que ela nunca esperou que estivesse ali. Seus olhos se arregalaram ao mesmo tempo, e Ino petrificou por um quarto de segundo, o olhar vidrado, atônita. Não podia ser, estava indo tão bem...

Ele não podia ter aparecido.

- Ino? – perguntou o rapaz surpreso e estático ao ver a Yamanaka ressuscitar dos mortos.

Continua...


N/A:

Deu pra perceber que o vuco-vuco da Ino com Neji antes da festa era anal? Pois é, pra deixar vocês na dúvida. Tô surpresa, nunca tinha escrito um Neji antes, tá me saindo uma experiência muito gostosa. Adoro fazer homens sexys ~

Uma coisa que quero ressaltar na Ino é que ela é uma acompanhante de luxo. Prostituta, sim, mas também acompanhante. Ela foi treinada não apenas para dar prazer, mas também pra ser uma mulher inteligente, sedutora, que pudesse acompanhar os clientes quando precisassem.

Ela pode não ter estudo, mas nunca foi uma bicho-do-mato sem noção. Ela era educadinha, em Londres ela amadureceu e conviveu com gente de alta classe. Tinha que ter aprendido alguma coisa.

Ela agora tem malícia. E 22 anos de idade. Não é mais uma adolescente romântica, é uma mulher que passou o pão que o diabo amassou.

E eu aviso que ela vai ser uma vaca com quem quer se vingar. Uma verdadeira bitch, vai fazer maldades, esquemas, mentir, enganar, trapacear... Tudo isso, claro, contra quem merece.

E eu sei que todos esperam uma retaliação contra Kankurou e Sakura. E obviamente, Gaara.

Quanto à pessoa no final, quem adivinha quem é? Hein, hein, hein? Bora ver quem acerta, quem sabe a gente não dá um premio pra primeira review de quem acertar.

Obrigada a todas as reviews, mesmo as que me esquecem como autora ¬¬

Beijinhos

Briz

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Yoooooo Gomen pela demora galera. Eu e a Briz tomamos vergonha na cara e decidimos de uma vez finalizar "Quanto custa seu amor?" que já vem se arrastando por anos. As vezes fica no cantinho juntando mofo! Anyway, decidimos que vamos terminar e acelerar os capítulos. Para quem tem dúvidas serão no MÁXIMO mais cinco.

Como eu havia citado antes a Ino de agora é o total oposto da inocentinha e romântica do passado, mesmo que ainda exista algumas doses da adolescente Yamanaka. Mas são doses tão pequenas que será quase impossível de se notar. Por isso se a Ino for malvadinha não estranhem. Ela é uma mulher atrás de vingança!

Bem, os leitores adivinham quem foi a pessoa misteriosa na final da fic que apareceu e abalou a Ino? Mandem palpites. – risos –

Espero que tenham gostado e que as expectativas aumentem para saber o que irá acontecer daqui para frente. O ápice do enredo se inicia. Kankurou ainda irá aparecer para mais atritos surgirem.

Postei o penúltimo capítulo de "Nunca fui beijada" e lancei um Concurso "NARUSAKU" espero que leiam e participem. ^^ huhuhu

Antes que eu me esqueça. OBRIGADA PELAS REVIEWS VOCÊS FIZERAM SUAS AUTORAS FELIZES. ( "Quanto custa seu amor?" É a fanfic que mais gosto de ler as reviews)

Beijinhos da titia Pink.