Eu quero ver
Eu quero ver
A Serpente acordar
Pra nunca mais a cidade dormir
(Zeca Baleiro - A Serpente)
(...)
Quanto Custa seu amor?
Por Briz & Pink
Capítulo nove - A Serpente
A garotinha loira caminhava aflita pelas ruas de paralelepípedos antigos, os cabelos loiros ensopados pela chuva fina. Atrás de si, o amigo moreno tentava, em vão, cobrir sua cabeça com uma pequena sombrinha cor-de-rosa, mais preocupado com ela do que com o motivo de sua aflição.
- Nós temos que achar ele, Shika! - a menina choramingou, buscando entre latas e sacos de lixo - O meu gatinho!
O garoto apenas suspirou, sem nada dizer. Tentar dissuadir a loirinha de sua busca seria um exercício em futulidade, ele sabia. Enquanto não encontrassem o bichano, ela não voltaria para casa nem mesmo que seu pai viesse buscá-la.
Diante de sua inércia, a menininha sentou sobre os calcanhares, abraçando os joelhos e começando a chorar, descontando sua frustração no pranto inconsolável.
Desde criança, Shikamaru sempre fora sensível ao choro de Ino.
- Vai ficar tudo bem, Ino - por fim manifestou-se, abaixando-se ao seu lado e colocando uma mão sobre o seu ombro, a qual a loira rebateu.
- Os outros gatos vão bater nele! - insistiu em um choro mais forte.
Shika suspirou, repousando a mão sobre o ombro da amiga novamente, e apertando de forma reconfortante.
- Ino… escuta, vai ficar tudo bem - o menino também insistiu, fazendo-a olhar para ele com seus olhos molhados pelas lágrimas infantis - Eu prometo pra você que vamos achar o seu gato, e que ele vai ficar bem.
A garota fungou, enxugando as lágrimas, olhando para o amigo de forma esperançosa.
- Você promete?
- Eu prometo. - Shika assegurou, e Ino lhe deu um pequeno sorriso de confiança.
Se Shikamaru havia prometido que seu gatinho ia ficar bem, então era verdade. Shika nunca mentia pra ela, e, nele, ela podia confiar a sua vida.
ooOOoOoOOoo
Seus olhos se arregalaram ao mesmo tempo, e Ino petrificou por um quarto de segundo, o olhar vidrado, atônita.
- Ino?
O rosto era de homem, mas apesar das mudanças impostas pela saída da adolescência, Shikamaru ainda conservava as mesmas feições relaxadas do menino que sentava ao seu lado, olhando para as nuvens, sem ouvir sequer uma palavra do que ela falava, mas entendendo tudo o que ela não precisava nem dizer.
Ao lado de Gaara.
Não usava, porém, as roupas baratas e amarrotadas, mas um terno grafite perfeitamente alinhado sobre a camisa branca impecável. Apenas a gravata cor de esmeralda que usava devia ter custado mais do que todas as roupas que tivera desde que Ino o conhecera. Suas feições traíam uma pessoa que desfrutava de uma boa condição financeira - como se sua presença naquela festa já não fosse evidência o bastante.
Ao lado de Gaara, e Sakura.
Se, por um lado, Ino estava surpresa por vê-lo naquela festa, vê-lo ao lado de seus inimigos despertou uma fúria que até então desconhecia. Mais que o sentimento de vingança contra Gaara, ou de raiva contra Sakura, ver Shikamaru feriu-a de um modo mais profundo e íntimo: Ino sentia-se revoltadamente traída.
Porém, a mulher cujos olhos azuis marcados pela maquiagem meticulosamente pintada em sua pele como nanquim não era a sonhadora e inocente jovem Yamanaka Ino. Esta nova mulher possuía olhos azuis brilhavam de forma apática em uma indiferença que teve anos para treinar, e sorriam com o sorriso malicioso e encantador diante dos olhares não passava de uma farsa para enfeitiçar suas vítimas. Seriam muitos que Inocence Kessler faria chorar.
Se Shikamaru estava entre seus algozes, tão pior para ele.
E a pequena e ingênua Yamanaka Ino dentro de si apenas assistiria deliciada todos que a fizeram sofrer no passado serem pisados pela sua outra face não tão doce e nada inocente. Gaara, Kankurou e Sakura. Iria transformas suas vidas em um tormento, e o próprio inferno seria mais complacente do que a vingança de Ino. "Vão comer o pão que o diabo amassou!" Era a frase que repetia para si mesmo como forma de abastecer a vingança presa em sua alma.
Permaneceu inalterada e ergueu a cabeça altivamente diante dos fotógrafos que disparavam flashes em seu rosto, deleitando com seu sorriso rubro cada dos convidados pelos quais passavam, regozijando-se na atenção de todos e no conhecimento de que, naquele momento, era a mulher mais estonteantemente bela do recinto.
Bela e Fatal.
Gaara, Sakura e todos mais pareciam desbotados, sem importância alguma que merecesse um segundo sequer dos olhares de Ino. A loira não notou o olhar surpreso de Gaara, que muito imitava a expressão chocada de Shikamaru ao olhar a Yamanaka, ou o olhar duro de Sakura, em uma mistura de raiva e surpresa.
- Finge muito bem, Kessler - Neji murmurou ao seu lado, visivelmente surpreso pelo excelente desempenho da loira que, aos seus olhos, derramava um rompante de confiança que fazia com que até mesmo o moreno a temesse.
Quem dirá Gaara.
Ino apenas sorriu desdenhosamente.
- Nunca precisei fingir, Neji. Pelo menos não com você. Ou com Gaara. – respondeu, olhando-o por debaixo dos cílios longos que davam tanta expressão ao seu olhar e erguendo-se na ponta dos pés para plantar um beijo casto no canto dos lábios do moreno ao notar a expressão de desgosto diante da insinuação, afastando-se com um sorriso radiante e apaixonado, em uma perfeita atuação para os fotógrafos que agora os assediavam com esforços. Ino era um show.
- Não significa que eu não saiba. Estou pronta pra guerra, querido.
ooOOoOoOOoo
Surpresa foi o que sentiu Sakura no momento em que viu sua rival, como uma fênix ressurgida das cinzas, viva novamente, e ostentando uma beleza helênica e riqueza que claramente faziam os atributos de Sakura desbotarem aos olhos de Gaara. Obviamente, Gaara não podia ver a inteligência de Sakura, e mesmo que ela discursasse sobre algo brilhante no momento, ou encontrasse a cura do câncer, o Ruivo não lhe prestaria a atenção que agora era toda de Ino, com sua beleza loira que ofuscava a todos no salão.
E ao ver a admiração com a qual seu noivo encarava a acompanhante do anfitrião, Sakura temeu. De nada adiantava a inteligência, ou tudo o que conseguira com Gaara, se agora Ino chegava, mais linda do que nunca, em um vestido que, no pequeno porte de Sakura, mais pareceria papel higiênico enrolado em um cabo de vassoura, e ameaçava roubar o homem, que a rosada tanto lutara para conseguir, com apenas a sua beleza inata, e agora ressaltada pela riqueza de sua aparência.
Os olhos verdes não deixavam a forma da formosa loura, que caminhava pelo salão de braços dados com Neji Hyuuga, cumprimentando seus convidados como se ela fosse também a anfitriã, mas notavelmente caminhando em sua direção - Ou em direção aos Sabaku No.
Os instantes de seus passos pareceram uma eternidade para a Haruno, que analisava todas as possibilidades em uma velocidade de pensamentos que a deixava aparvalhada. Não podia perder Gaara!
Com uma consciência renovada, encarou a loira de cabeça em pé, desdenhando a figura elegante que rebolava ao seu encontro. Com certeza tanta riqueza só podia se tratar de algum golpe que estava aplicando em Neji, já que nunca fora inteligente, e certamente agora não o era o bastante para conseguir uma fortuna por conta própria.
Tomou fôlego ao deparar-se com o casal de anfitriões à sua frente, pronta para o combate, porém vou-se desarmada quando os lábios vermelhos da loira se curvaram como uma adaga malaia em um sorriso, e pelo desdém contido em tão simples gesto, Sakura entendeu que aquela mulher não era mais a Ino que conhecera na infância.
- Senhores. - Neji cumprimentou-os, um sorriso claramente dissimulado em seu rosto. Foi interrompido, porém, por um Shikamaru aparvalhado que dirigiu-se instintivamente à loira exuberante.
- Ino! O que está fazendo aqui? - adiantou-se o rapaz, ligeiramente alterado pela subta aparição da moça loira, tentando tocar-lhe.
Erro crasso. Hyuuga Neji não era um homem que seria interrompido facilmente. E certamente não era homem que permitia a outros tocar naquilo que considerava seu. E, naquele momento, Ino era parte importante de suas propriedades.
Com um passo bem marcado, colocou-se entre sua comparsa loira e o Nara, impondo sua figura altiva de modo que o ofensivo rapaz deu um passo para trás para evitar um combate acidental.
- Vejo que já conhece a srta. Inocence Kessler - interferiu de forma firme, enfatizando o nome da loira de forma que informava ao Nara que não aceitaria apelidos intimos com a loira. E, para enfatiza-lo, adicionou. - Minha dama.
- Conhecemos! - Sakura interferiu raivosamente por entre os dentes, pronta para o combate.
Porém, se esperava causar qualquer animosidade com seu comportamento agressivo, foi decepcionada pela resposta calma e comedida da loira, cujo sorriso começava a assustar a rosada. O sorriso rubro da loira continuava a brincar em seus lábios, de forma calma, e isso afetava Sakura de um jeito assustador. Como ela podia estar tão calma e sorridente naquela situação?
- De fato, Neji, já nos conhecemos. O sr. Nara e a srta. Haruno estudaram comigo no meu último ano no Japão – Ino explicou com falsa polidez em uma tentativa de contornar a situação, o tom gentil e calmo contrastando com a expressão ameaçadoramente desdenhosa de um jeito horripilante. - É um prazer encontrá-los aqui. Aliás, vi nos jornais que está noiva, Sakura. Parabéns pelo golpe.
Se a situação já não estava constrangedora antes, agora um silêncio extremamente pesado e desconfortável instalou-se entre os três convidados de Neji diante das palavras de Ino. Shikamaru chocado pelas palavras da loira, e Sakura ensandecida de raiva diante da acusação da Yamanaka.
Gaara, que até agora fora espectador passivo, permanecia ainda imóvel, atônito tanto pela aparência quanto pelas palavras da loira que tanto amava. Como podia aquela mulher confiante e ousada ser a mesma menina doce e inocente que amara? O que podia ter acontecido com Ino que a transformara tanto? As perguntas e o choque o impediam de registrar a confusão que se instalara, caso contrário já teria arrastado Sakura para longe dali.
- Não sou como você! - A Haruno cuspiu as palavras sobre Ino, o rosto vermelho e alterado de raiva diante da insinuação ofensiva.
Desta vez, a Yamanaka levou seus dedos de unhas tão rubras quanto o seu batom aos lábios para esconder uma risadinha sarcástica, recusando-se a perder o bom humor diante da rival.
- Não conseguiria ser nem que quisesse - respondeu apenas, sarcasmo rolando por seus lábios como se fosse seu idioma nato.
- Senhoritas, não vamos nos exaltar - Neji interferiu antes que Sakura pudesse responder o que quer que fosse, oferecendo um braço a Ino de forma que a mesma tomou-o. Sabia que recusa-lo traria apenas problemas a si mesma, por mais que desejasse criar uma grande confusão com sua inimiga. No fundo, sabia que um escandalo não beneficiaria ninguém, muito menos a ela e a Neji.
- Pedimos licença aos senhores, ainda gostaríamos de cumprimentar algumas pessoas - e, com isso, o casal deixou o círculo composto por Gaara, Sakura e Shikamaru, ambos completamente satisfeitos com o desenrolar da situação.
Fase de testes: Perfeita.
ooOOoOoOOoo
Quando imaginava seu reencontro com seu passado, Ino sempre havia esperado, acima de tudo, o reencontro com Gaara. Não podia dizer, porém, que estava satisfeita. Gaara fora, no mínimo, decepcionante. Permanecera calado, encarando-a apenas com olhos arregalados como um imbecil que estava vendo um fantasma.
Nem mesmo parecia o homem frio e controlado por quem se apaixonara, anos antes.
- Parece que causou uma grande impressão - Neji comentou, sentado ao seu lado à mesa que havia sido reservada para eles, finalmente finalizando qualquer conversa que estava tendo com um de seus companheiros de negócios e prestando atenção à loira.
Finalmente.
- Esperava menos? - indagou manhosa, fingindo um beicinho que perdia qualquer infantilidade quando seus olhos azuis brilhavam com malícia.
Neji não dignou-se a sorrir, encarando a loira de forma séria.
- Pra ser sincero, esperava mais - confessou, tomando o cuidado para que ninguém ao seu redor ouvisse a conversa, balançando sua taça de bebida entre os dedos - Gaara não demonstrou reação alguma a você. Aparentemente, você não tem tanto poder assim sobre ele como imaginamos.
Tais palavras tiveram o dom de enfurecer a Yamanaka, que fuzilou seu parceiro apenas com seu olhar irritado. Como ousava?!
- Pelo contrário, acredito que fiz uma grande impressão - rebateu petulante, franzindo o belo cenho em desgosto - Se aquele imbecil não demonstrou reação, é porquê eu o deixei sem ação. Nem mesmo defendeu a noivinha idiota.
Diante de tal afirmação, a loira sorriu maliciosa. Se não havia defendido Sakura das acusações, provavelmente era porque estava embasbacado demais por Ino para esboçar qualquer reação. Isso, ou não a amava o bastante para se importar em defendê-la. Qualquer que fosse o cenário, era vantajso para Ino e ela saberia tirar proveito disso.
Neji, porém, parecia não ser da mesma opinião que a loira, e encarava suas teorias com ceticismo.
- Você ou o seu decote?
Foi o bastante. Tal afirmação teve o poder de atingir o ego e a vaidade de Ino, e a moça lançou um olhar fuzilante ao parceiro enquanto se levantava, batendo o guardanapo de linho na mesa ao se levantar.
- Vou tomar um ar - falou emburrada, retirando-se do local a passos firmes, porém ainda assim esguia e vibrante como os anos de profissão a haviam ensinado, e que agora já fazia parte de seus trejeitos.
ooOOoOoOOoo
O vento frio acariciou a pele alva da loira, que inspirou profundamente antes de exalar, a calmaria do pátio levemente iluminado contrastando com o turbilhão de emoções no coração de Ino. Nunca fumou, mas por um momento sentiu saudades da fumaça dos charutos de seus clientes, que de alguma forma sempre acalmara-na. Um ambiente puro, sem o peso da libertinagem no ar.
- Achei que você estivesse morta - A voz masculina surpreendeu Ino, que virou-se com um sorriso rubro desdenhoso pronto em seu rosto para encarar Gaara.
Porém, não era Gaara parado atrás de sí, tão bonito e elegante em um terno perfeitamente alinhado, e uma expressão decepcionada no rosto.
Por um momento, o olhar negro de Shikamaru por um momento a fez sentir remorsos e vergonha de sí mesma, e naquele momento, a loira sentiu todo o peso de suas decisões, e das feridas que estava prestes a abrir.
Ino sentiu seu coração pular uma batida. Para Shika, suas barreiras eram inúteis. Era apenas uma garotinha assustada.
Porém, tal sentimento foi logo afogado pelo rancor ao lembrar-se do que Shikamaru significava agora. Não era mais o porto seguro, o amigo em quem podia confiar. Shikamaru havia traído se não sua confiança, pelo menos sua memória ao se aliar a tipos como Sakura e Gaara, e se estava do lado de seus inimigos, então também era um deles.
- Pareço morta? – indagou finalmente como resposta ao questionamento do moreno, arrogante.
O Nara encarou-a, parecendo procurar a armadilha no questionamento da loira, ou talvez a resposta adequada. Se sentia raiva, esta estava perfeitamente contida e escondida.
- Também não parece a Ino - rebateu finalmente.
Infelizmente, aquela não parecia ser a resposta correta para a Yamanaka, que empinou o nariz e ergueu a cabeça desafiadoramente, a expressão contrariada no rosto combinando com a pose de confronto.
- E o que pareceria com a Ino, Shikamaru? - indagou - Você esperava uma garota chorona e patética? Uma menina imbecil que caia na conversa de qualquer marmanjo que disesse coisinhas bonitinhas no seu ouvido e depois ia chorar no teu ombro? Essa é a imagem que você tem da Ino?
- É, é essa mesma a imagem! - Shikamaru interrompeu-a, finalmente alterando seu tom de voz e vociferando com a loira. Não tentou, porém, aproximar-se, mantendo a distância apesar da aparente irritação - Antes uma menina ingênua do que uma, uma-
- Uma puta? - a loira irritada devolveu, completando a frase sem nem deixar o moreno terminar, olhos brilhando de malícia - É isso que acha que eu sou? Uma puta?
- Uma mulher cínica e arrogante! - Shikamaru terminou, franzindo o cenho para ela, dando um passo na direção da loira - O que foi aquela ceninha com a Sakura la dentro? Você escutou o que você disse? Chamou ela de golpista! Ela era sua amiga. Desde quando é tão cretina?
Lições de moral. O sangue de Ino fervia, e a mágoa falava por ambos. Não conseguia controlar-se, apenas tremer de raiva. Soltou um riso de escárnio.
- E eu por um acaso também não era sua amiga? E onde está você agora? - perguntou em tom de desdém, porém sua voz quebrou quando lágrimas começaram a rolar de seus olhos - Virou amiguinho daquela corja, indo pra festinhas com a "grande amiga" que espalhou pra escola toda que eu era puta e com o maldito-
Parou seu discurso, fungando em meio às lágrimas de sua raiva. Não havia notado, mas, de todos os golpes, a traição de Shikamaru era a ferida que lhe parecia mais dolorida, talvez por estar ainda fresca.
- Então é por isso que está aqui? - O moreno indagou calmamente, cercando a loira - Por causa dele?
- Eu to aqui por causa de mim - respondeu ressentida, dando um passo para trás quando o outro ameaçou aproximar-se mais, olhando então por cima de seu ombro para a figura que se aproximava de ambos.
- Algum problema aqui? - Neji aproximou-se, parecendo tão amável e ameaçador como sempre, fazendo com que Ino imediatamente se lembrasse de onde estava e da confusão que provavelmente tinha causado. Rezava apenas para que ninguém tivesse ouvido a briga de dentro da festa, ou estaria em sérios apuros com Neji.
- Não, nenhum. - Ino respondeu apressada, enxugando as lágrimas de seu rosto.
Neji aproximou-se da loira de forma possessiva, acariciando seu rosto de forma terna, mas que Ino sabia conter ameaças medonhas.
- Então por que está chorando?
- Ino apenas ficou emotiva. Não nos viamos há algum tempo - apressou-se em responder Shikamaru, contornando a situação com planos tão bem bolados como apenas ele sabia fazer - Acho que agora cabe ao noivo consolar ela. Vou deixar os pombinhos a sós.
O tom do moreno era falso, claramente zombando da loira em sua raiva. Nada podia fazer, porém, na frente de Neji, além de assistir ao velho amigo dar as costas e ir-se embora, de volta para o salão.
O Hyuuga, porém, permaneceu, e seu toque, antes terno, tornou-se ferrenho, fazendo com que o queixo de Ino doesse.
- Que palhaçada foi essa? - indagou por entre dentes - Os empregados foram lá dentro chamar a segurança porque tinha um casal fazendo barraco aqui fora. Não sabe se conter, garota?
- Não foi nada - Ino retrucou de forma agressiva, tirando seu rosto das mãos do grego, tencionando passar por ele e de volta a festa. - Vamos voltar para dentro, ainda não terminei com eles.
Neji, porém, segurou seu braço de forma brusca antes mesmo que ela pudesse dar um passo em direção ao salão, segurando-a firmemente e quase derrubando a moça no chão.
- Nós vamos embora. Você não vai voltar lá pra dentro com a maquiagem escorrida igual uma puta de esquina. Não que esteja muito longe da verdade. - falou venenoso, arrastando então a loira para a saída da festa, onde uma limusine os aguardava.
Durante todo o caminho, porém, Ino notou pelo tom do moreno que não devia brincar com ele. Não tentou responder, apenas caminhando com seu cúmplice, na tentativa de não tropeçar em seus saltos enquanto era empurrada para a saída, e então para dentro do carro que já os esperava.
Neji a empurrou contra o banco de trás da limusine sem qualquer delicadeza. Se Ino estava achando que iria estragar o plano por não conseguir controlar seus sentimentos estava muito enganada. Não a escolheu por acaso, além de ter deixado claro que falhas não eram aceitáveis.
O motorista já estava acomodado no banco da frente e dava partida no veículo. Eram ordens do patrão sempre que estivesse acompanhado automaticamente subir o vidro escuro que separava o motorista do passageiro.
-Esta achando que isso tudo é uma brincadeira?- ele sentou ao seu lado no banco de trás. Segurou-a pelo queixo com certa força. Os austeros olhos perolados transmitiam irritação. – Não estrague tudo por aquele tipinho. – complementou se referindo a Shikamaru.
-Não sou tola a esse ponto. – Ino desvencilhou o rosto dos dedos de Neji. Ele estava a machucando. – Tinha tudo sobre controle até você aparecer e fazer aquela ceninha de noivo preocupado com ciúmes. – ela terminou a frase irônica com um singelo sorriso debochado nos lábios.
-Você é só uma puta Ino, não tenho ciúmes! – comentou o homem admirando as pernas esbeltas e alva expostas a sua frente. Quando a empurrara contra o banco do carro o vestido subira e agora ele tinha uma belíssima "paisagem" para admirar.
Só uma puta! Estava tão acostumada a ser rotulada daquela forma que já não se importava mais. Gaara no passado disse o mesmo. Kankurou gargalhou esta mesma frase quando a estuprada. Sasuke lhe lembrava isso todos os dias naquele bordel.
E Shikamaru... talvez fosse o único homem, além de Inoichi, que a viu mais do que SÓ UMA PUTA.
Sentiu uma fúria subir por seu corpo, e mordeu a língua para não esbofetear Neji. Sabia que ele não era homem de aturar desacatos, muito menos daqueles que julgava menos que si.
Porém, era ele quem financiava a vingança de Ino, e disso ela era muito bem lembrada. Sabia que se pegava mais moscas com mel do que com fel, e se irritasse seu novo dono, aí sim colocaria tudo a perder.
O pensamento de ter outro homem que não Gaara como seu dono enojava a Yamanaka. Mesmo depois de tantos anos, o ruivo era o único que admitia como portador de tal título, como lembrança de tudo que a loira passou e pelo que jurou que nunca mais passaria nas mãos de outro homem.
- Posso ser só uma puta, mas uma muito gostosa, que te faz gozar melhor do que qualquer lady que você possa achar – a loira passou os dedos sobre o membro de Neji por cima da calça social. A boca da loira roçou no pescoço sentindo o aroma masculino lhe invadir as narinas. - Sabe quantos caras gostariam de ter essa puta chupando eles? Você tem sorte, Neji Hyuuga, que seja você que eu esteja chupando agora.
Para Ino, dizer e fazer aquelas coisas não eram um ato de prazer, mas sua pequena vingança. Tomaria o poder, mesmo que momentaneamente, sobre sua vida e sobre o Hyuuga, mas seus pensamentos estariam em Gaara. Era pelo ruivo que se submetia àquilo, e por ele gozaria sob o desejo de seu rival para que, um dia, pudesse fazê-lo por si mesma e por amor. Um dia…
- Quer que eu te chupe, não quer? - indagou sedutora, lambendo os lábios vermelhos.
Uma proposta indecente. Mesmo sendo um homem calculista e difícil de esboçar qualquer tipo de sentimento, Hyuuga Neji ainda sim era um homem, e assim como um homem reagia a apelos de uma atraente mulher.
Ele não respondeu. A olhou esperando que agisse obcena da mesma forma que suas promessas. E foi o que ela fez. Desabotoo o botão e o zíper da calça social do Hyuuga, enquanto os lábios macios dela procuravam os dele. Foi um beijo longo e molhado, agressivo com chupões e mordidas. Neji não era um homem delicado. Ele lhe apertou uma das coxas subindo a mão para uma das nadegas. Ino tirou o pênis de dentro da cueca, manteve as mãos firmes e iniciava movimentos de vai e vem o deixando duro e ereto.
Os beijos cessaram e ele disse com uma voz languida pelo desejo.
-Vamos chupe!
Ino sorriu contra o pescoço de Neji. Homens eram todos iguais. Só pensavam no próprio prazer. Mas a Yamanaka aprendeu com o tempo, a vida lhe ensinou uma grande lição. Podia ter passado pela adolescência com sequelas e uma grande repulsa por sexo devido as experiências que havia tido, entretanto aprendeu a tirar proveito de seu corpo e que poderia conseguir muita coisa com ele. Talvez fosse a maneira errada de pensar, entretanto havia sobrevivido até hoje graças a isso, ao sexo e ao seu corpo. Era ainda mais fácil de conseguir o que queria quando se tratava de homens.
A loira abaixou a cabeça e deu uma lambida na ponta do pênis que esperava ser abocanhado. Neji a olhou com fúria. Ela estava brincando com ele.
-Diga mais uma vez . – disse ela sem deixar que o membro ficasse sem qualquer estimulo. Uma das mãos trabalhavam arduamente. Mas Neji não queria uma punheta. Ele queria um boquete.
-Chupe logo.
Ele não percebia, mas vazia exatamente o que ela queria. Pelo menos na cama. E ele achava que ela era a puta dele.
Ela o rodeou a ponta do membro coma língua molhada. Sugou de leve para aos poucos o colocar na boca. Ino sabia como eles gostavam fundo e bem molhado. Mas o boquete era um ritual. Não era apenas dar duas lambidinhas. Precisava de movimentos e profundidade. Empenho e se fosse possível contato visual. Descia a cabeça para cima e para baixo, hora de forma mais rápida hora mais lenta. Dependia da respiração de Neji para que ela soubesse qual movimento efetuar com a boca. Depois de um tempo naquela brincadeira resolveu fazer sua "manobra", uma das quais por que ficou tão famosa no bordel de Sasuke. Levou alguns anos para aperfeiçoar, mas Uchiha Sasuke se empenhou para que ela aprendesse. Ahhh sim, todo um dia um boquete, até que ela se acostumasse e conseguisse realizar.
Ino enfiou todo o pênis de Neji na boca sentindo a cabeça em sua garganta. Ouviu o Hyuuga soltar uma exclamação. Toda vez que tirava colocava o membro mais fundo, fazia movimentos com a garganta como se estivesse tentando engoli-lo por completo. Um perfeito Deep Throat, e um boquete avançado no qual levava os homens a loucura. – Ainda lembrava-se da primeira vez que conseguiu fazer um Deep Throat e a própria surpresa de Sasuke ao gozar na boca da loirinha.
A loira sentiu uma mão forte lhe agarrar pelos cabelos com força e puxar a cabeça dela para cima. Neji tinha as bochechas vermelha, os olhos languidos , os dentes rangidos. Estava embevecido de tesão.
-Quero que sente no meu pau. Anda tire a roupa! – ele estava afoito. Maldita puta! Ela lhe pagaria por achar que controlaria as coisas ali. Entretanto, tinha formas mais gostosas de castigá-la.
Enquanto a Yamanka tirava o vestido o Hyuuga alcançou uma camisinha no bolso interno do terno Armani. Era um homem prevenido. Não queria contratempos e Ino não tinha o histórico louvável de uma mulher descente.
Não trocaram mais nenhuma palavra. O Hyuuga colocou o preservativo e a loira já nua sentou de costas no colo do homem sentindo a ponta do membro procurar abertura em sua entrada úmida. Ele a penetrou com força. Ino apoiava as mãos no teto da limusine e Neji com as costas encostado no banco lhe segurava pelos quadris para lhe ajudar a se movimentar naquela posição! Não só por que podia se enterrar fundo naquela buceta molhada e apertada, mas também por que conseguia ver as nádegas de Ino totalmente expostas e se movimentando sobre seu pênis.
Com as preliminares e toda a euforia que Ino se mexia não demorou muito para que Neji gozasse. Aquele Deep Throat havia acabado com ele. Ele agarrou com tanta força o quadril da loira que as marcas dos dedos ficariam sobre a pele alva. Assim que os músculos relaxaram seus braços caíram ao lado de seu próprio corpo. A cabeça pendeu para trás e a respiração procurava se acalmar.
Mas Ino não havia acabado, iria ter o seu prazer também. Agora que o Hyuuga havia se satisfazido movimentou-se da forma que mais gostava ...lentamente.
E seu prazer secreto era imaginar Gaara no lugar de Neji. O ruivo delicioso, rival de seu atual amante, cujo ódio nutrira por anos, mas cujo prazer ainda sentia entre as pernas.
Começo em entocadas suaves, mas fundas. Suas coxas faziam todo o trabalho de impulsionar os movimentos. Apertava um dos seios brincando com o mamilo com o polegar enquanto a outra mão massageava o clitóris. Sua mente fantasiava, estava tão desconexa, tão confusa.
Lembrou de Gaara e de todas as vezes que gozou ao lado do ruivo. E, em seu deleite, lembrou de Sasuke e aquele jeito gostoso que ele a colocava de quatro. Lembrou de Naruto e os boquetes que havia feito nela lhe arrancando gemidos altos. Lembrou-se de qualquer um que não fosse Neji, como se suas próprias fantasias fossem a vingança perfeita para o ego do homem, mesmo que ele não soubesse.
Em seu ápice, porém, não foi a imagem de nenhum homem com quem jamais esteve que lhe surgiu à mente, mas a de Shikamaru, tão adulto, tão amadurecido, e tão confiante e capaz de enfrentar a loira quando muitos caiam a seus pés.
Gozou com um gemido rouco, sentindo o corpo inteiro pulsar, chocada por ter pensado justo no único homem que não a usou em toda a sua vida. Seus olhos azuis se arregalaram em surpresa enquanto suas mãos se apioaram no estofado de couro. Sua mente viajava a mil por hora em um limbo.
Acordou de seu transe, porém, quando a voz rouca e ofegante de Neji fez-se ouvir às suas costas, abraçando-a por trás para sustentar-se após seu orgasmo. O grande Neji Hyuuga, esgotado por uma mulher.
- Amanhã você vai almoçar com Gaara… - o homem suspirou, mordendo-lhe o ombro fracamente- Não estrague tudo.
A loira apenas assentiu, encarando um ponto fixo no interior negro do carro. Sentia-se poderosa e confiante após aquela pequena demostração de poder diante de Neji, a mesma sensação de euforia que sentira ao enfrentar Sakura.
- Pode deixar - a loira respondeu, lambendo os lábios de forma maliciosa - Amanhã, o coração dele vai ser meu prato principal.
Yooo, galera!
Nossa, quanto tempo. Devo dizer que foi bem difícil escrever esse capítulo com tanto tempo de pausa, mas no final ficou bem legal, eu devo dizer. Gostei principalmente de escrever o diálogo Shika e Ino, acho que o pobre Shika merece um pouco mais de atenção uwu Mas e esse hentai, hein? Que saudades dos hentais da Pink, haha. Eu só dei umas pinceladas nessa putaria, porque não tinha como mudar uma coisa que já é uma obra de arte!
Mas mudando de assunto, tenho uma pequena boa notícia pra vocês: Cientes de que podemos demorar um pouco pra postar - Pink sem notebook e o meu quase levando o farelo - decidi que, pra recompensar vocês, eu vou começar a postar trechinhos da fic no meu Twitter! Pretendo colocar um trechinho por semana lá todo sábado, assim como o andamento da fic e quem sabe até fazer um joguinho de "Perguntas e Respostas" lá pra tirar a curiosidade do povo, então quem quiser corre lá e me segue no _lullz - E podem encher de perguntas!
Boa notícia 2: Vou dar uma one-shot pra quem adivinhar primeiro a música da one-shot Ino x Gaara que vou postar hoje no meu perfil, então fiquem atentos!
Beijinhoooos
Briz
(Ps: A frase "Amanhã, o coração dele vai ser meu prato principal" não é de nenhuma de nós duas, eu vi essa no meu tumblr de roleplay :p)
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Yooooooo MEUS LEITORES QUERIDOS! S2
Tenho que dizer novamente que estou muito feliz de voltar e também de atualizar " Quanto custa seu amor?" que vem se arrastando por muitos anos. Eu e a Briz estamos planejando finalizá-lo sem falta esse ano, faltam poucos capítulos para o final. Falando em capítulos, tenho que dizer que a Briz o escreveu praticamente inteiro esse capítulo. Como estou há um tempo parada simplesmente não conseguia colocar no papel as idéias. HAHAHA engraçado foi que o hentai veio rapidinho em minha mente e foi o que eu escrevi. Espero que tenham gostado e que nos acompanhem até o fim dessa saga que ainda promete muitas surpresas. Os próximos capítulos virão cheios de emoção.
Meu próximo fic que irei atualizar acho que é "Quando meninas crescem" ou "Akai Tenshi". Tem muito mais pedidos para "Delirius", contudo ando meio sem inspiração para ele. ATUALIZEI " LOVE IN LOVE ONESHOT COLECTION", mas apenas duas pessoas comentaram. *chora* será que foi por causa de ser um NaruSaku? Simplesmente estou amando esse casal e vou escrevê-lo mais vezes, sem deixar é claro SasuHina e Hyuugacest de lado. Gostaria muito que os leitores olhassem com o mesmo carinho para meus fics NaruSaku.
Preciso de uma beta também, quem puder se prontificar agradeço desde já. Começarei revisando alguns fics antigos que possuem erros ortográficos terríveis.
BEIJOS A TODOS E AGUARDEM A PRÓXIMA ATUALIZAÇÃO. Reviews respondias por PM.
PINK RINGO
