Parte II

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I've drowned and dreamt this moment

So overdue, I owe them

Swept away, I'm stolen

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Estavam em silêncio por quase vinte minutos, Tony olhando o homem à sua frente com desconfiança, tentando impedir a enxurrada de perguntas que insistiam em tomar a sua mente, tirando a sua paz momentânea. Loki permanecia quieto, e pela primeira vez naquela noite parecia inseguro. Olhava para o tapete que ficava na sala da suíte com visível desinteresse. Tony não sabia o motivo de ele estar tão pensativo, mas julgou que ele estava escolhendo as palavras que iria falar no momento.

De qualquer maneira, Loki parecia haver decidido quais palavras usaria.

- Ficou por quanto tempo em outra dimensão?

Ele perguntou suavemente. Tony demorou um pouco para processar a pergunta, para depois perceber qual era o interesse do moreno. Engoliu em seco. Não queria pensar naquilo. Todos os seus esforços nos últimos meses eram para esquecer o que havia ocorrido. Mas parecia que Loki estava decidido a colocar o assunto em pauta.

- Não me lembro bem. Mas pareceu uma eternidade.

O deus sorriu levemente, seus olhos azuis correram pelo tapete para depois cravarem-se nos olhos castanhos de Tony. Ele não gostou daquilo. De alguma forma, Loki parecia analisá-lo, até mesmo buscar se o que ele havia lhe falado fora verdade.

- E o que você viu na eternidade que ficou lá?

A voz dele soou irônica, mas Tony estava disposto a ignorar isso. A ironia de Loki era o menor dos seus problemas. Porém, percebeu que ele estava interessado demais na resposta que ele lhe daria no momento. E foi por causa disso que o bilionário não o respondeu de imediato, pelo contrário, devolveu a pergunta fazendo outra.

- Por que está tão interessado nisso?

- Quero confirmar o que você viu realmente. Eu vi tudo pelos seus sonhos.

- Então eu não preciso lhe responder essa pergunta.

De repente Loki se levantou, andando de um lado para o outro como um felino prestes a atacar a sua presa. Tony recuou um pouco. O homem era alto demais, e ele estava sem a sua armadura. Os olhos azuis voltaram a fitá-lo, dessa vez com visível raiva e falta de paciência.

- Não brinque comigo, Stark. O que você viu?

Tony não respondeu. Arriscou um sorriso irônico, algo que ele queria fazer desde que descobrira que Loki estava dentro da sua suíte. O moreno não gostou da reação dele. Parou de andar e respirou fundo, buscando novamente a paciência. A maldade estava presente novamente nas suas palavras quando ele voltou a falar.

- Bom, já que você me recusa a dar essa informação, nada mais natural do que procurar alguém que possa fazer isso. Sua querida Pepper, talvez?

Loki gesticulou e andou até o sofá, pegando o sobretudo que havia jogado nele uma hora atrás. Colocou-o no corpo novamente e passou a mão nos cabelos escuros e lisos. Tony tentou ignorá-lo, tentou enfiar na sua cabeça que era apenas um blefe dele, mas sabia que aquele homem era capaz de tudo. Quando Loki começou a andar em direção à porta da suíte, Tony fechou os olhos e xingou mentalmente um palavrão.

- Escuridão.

Ele respondeu. A mão de Loki já estava quase alcançando a maçaneta quando ele escutou a voz do bilionário. Sorriu internamente e deixou o braço cair, ficando de costas para ele. Tony remexeu-se, inquieto. A qualquer momento ele poderia mudar de ideia.

- Ela não sabe de nada, Loki.

O deus virou-se para ele novamente, mas não tomou mais nenhuma atitude, apenas o esperou, sabendo que ele falaria mais. Tony resolveu responder a pergunta dele, decidindo que ser sincero era um preço justo a pagar pela segurança, mesmo que delicada, de Pepper.

- Havia algumas estrelas... nuvens.

- Diga logo.

A paciência de Loki já estava acabando. Péssimo sinal. Tony se apressou.

- Havia também alguns daqueles lagartos estranhos que invadiram Nova Iorque. E máquinas... naves. Acho que eram naves.

Tony perceber que ao mencionar as naves, o interesse de Loki na sua descrição triplicou. O moreno até mesmo se aproximou dele, seus olhos azuis atentos a tudo.

- Quantas naves?

- Infelizmente eu estava com uma bomba nas mãos e falta de oxigênio nos pulmões, não tive tempo de contar.

- Eram grandes?

Tony pensou um pouco antes de responder.

- Algumas.

O rosto de Loki se contorceu em uma careta que mostrava impaciência, a mesma fisionomia que ele fizera anos atrás, quando Tony estava lhe dizendo quem compunha os Vingadores. O deus virou-se de costas e permaneceu assim, perto da janela. Parecia observar com cuidado a paisagem lá fora, mesmo que tal paisagem se resumisse à neve e neblina.

- Você soltou a bomba de qualquer maneira?

- Também não tive tempo de mirar.

Loki virou-se novamente para ele.

- Nos seus sonhos, eu consigo ver um clarão antes que você fique inconsciente. Posso presumir que esse clarão seja a explosão da bomba. Agora preste bastante atenção na pergunta que eu vou lhe fazer. – Loki aproximou-se novamente de Tony, acuando-o em um canto da parede. – Onde essa bomba bateu para explodir de forma tão selvagem?

A resposta de Tony estava na ponta da língua, mas algo lhe disse que Loki esperava exatamente essa resposta, as outras perguntas foram apenas superficiais para que a conversa chegasse àquele ponto.

- Não tente me enrolar, Stark. Caso queira brincar de jogos, posso me teletransportar para Nova Iorque e esfolar sua querida esposa com prazer. A cada resposta negada, você receberia um pedaço de pele. O que você acha?

Apenas o pensamento disso fez Tony sentir náuseas.

- A bomba bateu em uma nave. Uma nave grande... estava no centro de todas.

No momento em que respondeu, percebeu que era exatamente o que Loki queria ouvir. O rosto dele foi percorrido por um sorriso vitorioso, os olhos azuis brilhavam momentaneamente, mas logo tais características sumiram. Ele voltou a ficar sério e pousou um dedo longo no queixo, assumindo a posição de um pensador.

- No momento em que isso aconteceu, os Chitauris caíram... – Loki pensava em voz alta. Voltou a andar de um lado para o outro da suíte. Tony não ousou interrompê-lo. – Naturalmente a bomba atingiu a nave principal... ele pode estar morto... mas seria muita sorte...

- Desculpe, quem?

Loki o fitou com certa raiva. Falara demais e Tony era curioso demais para ficar calado.

- Ninguém.

De repente, como se voltasse a funcionar devidamente, a mente astuta e geniosa de Tony começou a trabalhar e juntar todas as peças do quebra-cabeça. Loki sentiu-se aliviado no momento em que ele dissera que a bomba batera em uma nave grande, a nave principal, como ele mesmo dissera em seus devaneios. Mas alguém comandava aquilo tudo, Loki não queria o comando dos Chitauris. Nunca quis. Ele queria o comando da Terra. Ou não?

Infelizmente, Loki era um quebra-cabeça que nem mesmo a inteligência de Tony conseguiria resolver, mas havia algo estranho em todo o ocorrido em Nova Iorque. Se Loki não estava interessado no Tesseract e os Chitauris não queriam um pedaço de um planeta como a Terra, então...

- Você recebeu ordens de alguém quando invadiu a Terra?

O rosto de Loki virou-se com tanta rapidez que Tony percebeu que havia atirado no alvo certo.

- Não sei o que o fez pensar isso.

- Havia mais alguém por trás da invasão, não havia? Alguém que não se moveu quando você foi preso e mandado de volta para o seu mundo. Alguém que pode estar vivo, e, eu ouso dizer, alguém que você teme.

A risada de Loki o assustou. Uma risada nervosa, mas ao mesmo tempo maldosa. O corpo de Tony arrepiou-se por inteiro quando Loki o olhou em diversão, começando a abotoar o sobretudo, fechando-o em volta do corpo.

- Não seja tolo. Quando fui mandado para Asgard, concluí meu objetivo. Mas esse já é outro assunto. Um assunto que, se você me permite dizer, não lhe interessa.

Loki andou até a porta. Abrindo-a rapidamente.

- Volto mais tarde.

A porta se fechou calmamente. Tony sentiu-se inquieto com aquela visita. Algo ali estava muito errado. Nada era o que parecia ser. Até que ponto Loki queria realmente tomar a Terra para si? Por que ele concluíra seu objetivo quando fora mandado para Asgard? Thor sabia de tudo isso? Onde estava aquele maldito deus loiro que vestia as cortinas da própria mãe? Não era para Loki estar preso?

Ele parou de pensar um pouco naquelas perguntas e franziu o cenho, uma pergunta principal rondando sua mente naquele momento.

Volto mais tarde?


Soltou a bomba e deixou-a seguir o seu rumo. Ela bateu na nave principal, explodindo-a rapidamente. Um clarão azul e amarelo tomou conta da escuridão daquela dimensão e fez os olhos de Tony arderem. O chiado que a ligação para Pepper fazia, o lembrava de que ele não sairia vivo dali. Fechou os olhos, largando-se naquele espaço. Seu corpo iria se decompor? Ou iria vagar por aquele lugar até o infinito?

Acordou de sobressalto, sentindo sua pele levemente úmida e seus braços tremerem quando ele apoiou as mãos no colchão. O coração estava acelerado, e o reator parecia um pouco quente. A falta de ar o incomodava.

Tony puxou o ar para dentro dos pulmões com força, tentando por meio disso buscar a calma. Fechou os olhos, escutando as batidas do seu coração e a respiração ruidosa. Foi quando sentiu uma mão em seu peito.

Assustou-se e se afastou rapidamente, quase caindo da cama. Abriu os olhos e demorou para que esses se acostumassem com a escuridão do local e pudessem ver a silhueta da pessoa que o tocara. Era alta, e estava sentada de forma aristocrática na cama. A risada baixa que a pessoa soltou fez com que Tony o identificasse no mesmo momento.

- Merda.

Ele xingou, deitando-se novamente, não por se sentir à vontade, mas por causa da tonteira que predominava o seu corpo. Passou as mãos no rosto e tentou não olhar para o homem sentado ao seu lado, pois se o fizesse, o mataria. Ou tentaria. Pelo menos um bom soco no nariz ele conseguiria, se tentasse.

- Por que invadiu o meu quarto?

- Eu lhe disse que ia voltar.

Sem pedir permissão, Loki voltou a colocar a mão no peito largo de Tony. A mesma luz verde emanou naquele momento dos dedos longos dele. A mesma sensação gelada percorreu o peito de Tony, obrigando os batimentos cardíacos a diminuírem e o corpo dele a voltar a funcionar normalmente.

- Por que fez isso? – Tony perguntou.

- É assim que me agradece?

- É assim que agradeço alguém que me atirou da janela anos atrás e ameaçou minha mulher horas atrás.

Loki sorriu, mas não respondeu à pergunta dele. Tony voltou a perguntar.

- Por que fez isso?

- Porque eu quis. E eu faço o que eu quero.

Tony revirou os olhos. Aquilo soava tão infantil. Ele parecia um garoto de dez anos, abusando de seus poderes e mágicas para conseguir o que queria.

- Sinto simpatia por você, Stark.

- Simpatia? – ao ver que a mão de Loki ainda estava sobre o peito dele, gesticulou. – Você quer tirar a mão de mim?

Ele não tirou, apenas continuou o fitando.

- Quando viemos para cá, você foi o único dos Vingadores que questionou o meu irmão e o ridicularizou. Gostei dessa atitude. Thor está acostumado a causar boa impressão e ser respeitado desde o primeiro momento.

- Hoje admiro o seu irmão.

- Hoje. Mas não o admirou gratuitamente. Thor não gostou disso na época.

- Não costumo causar boa impressão quando me apresento a alguém. Principalmente a um loiro que usa uma capa ridícula vermelha. De qualquer maneira, ele havia roubado algo meu na época. Não gosto disso.

O sorriso que Loki deu foi quase pornográfico.

- Algo seu? – a mão que estava sobre o peito de Tony desceu sugestivamente até o abdômen do homem. – Desde quando sou propriedade sua?

- Da SHIELD. Você era propriedade da SHIELD. Um criminoso procurado e preso. Não distorça as minhas palavras. Você quer tirar a mão de mim?

Tony afastou-se um pouco, mas não o suficiente para a mão de Loki perder o contato com o seu abdômen. Os dedos dele massagearam a pele que estava por baixo.

- E se eu não quiser?

Tony estremeceu. Aquilo ela loucura. O uísque estava estragado? Ele se lembrava de Loki ter bebido um pouco daquilo. Seria outra alucinação? Ainda estava sonhando?

- Loki, pare com isso. Olhe o que você está fazendo.

- Eu sei exatamente o que eu estou fazendo, Stark.

Tony voltou a se deitar na cama, fechando os olhos quando os dedos de Loki desceram mais um pouco, alcançando perigosamente o cós da sua calça de pijama.

- Eu devo estar sonhando. Acorde, Tony, seu imbecil. – ele disse a si mesmo, escutando uma risada ao lado. – Acorde ou você vai enlouquecer definitivamente.

Mas não era um sonho. Não poderia ser. Os dedos de Loki estavam quentes demais sobre a sua pele para que aquilo fosse um sonho, e desceram levemente, até tocar quase com delicadeza o membro dele. Quase. Infelizmente, Loki não tinha a delicadeza que Tony estava acostumado. Simplesmente porque ele era um homem.

Tentou levantar-se novamente, mas foi impedido pela outra mão do moreno, que o obrigou a ficar no colchão, enquanto a pressão da outra mão se intensificava. Por mais que Tony se obrigasse a ignorar aquela loucura, ele sentia que o seu corpo resolvera ter vida própria e estava contrariando cada pensamento racional no momento. Seu corpo estava reagindo, o membro endurecia conforme Loki o acariciava, o deus sorriu levemente ao constatar isso.

- Pare com isso, Loki.

O moreno ignorou completamente o pedido dele. Saiu de sua posição e ficou agilmente por cima de Tony, seus dedos longos enfiando-se por debaixo da calça de pijama e circulando com firmeza o membro dele. Loki aproximou-se, sua boca roçando levemente o queixo dele, os lábios finos depositando beijos suaves por toda a linha do seu maxilar até se aproximar do ouvido de Tony.

- Sabe de uma coisa, Stark? Você não é de ferro...

Disse em um sussurro maldoso e ao mesmo tempo perigoso. Perigoso porque fez o corpo de Tony se arrepiar por inteiro. Ele fechou os olhos, sentindo a fúria predominar cada célula.

- Olha aqui seu filho de uma pu...

Antes que Tony pudesse terminar de xingá-lo, Loki o beijou. Os lábios finos esmagaram os lábios dele quase com violência, mas depois de perceber que ele não iria empurrá-lo para trás, Loki suavizou a pressão, mordiscando levemente o lábio inferior.

Tony tentava ignorar o que estava sentindo. O que era aquilo? Que loucura era aquela? E por que ele não empurrou o homem para trás, saindo daquela insanidade?

Loki era paciente, mas o toque dele era gelado, a pele era suave e os dedos ainda faziam movimentos certos e calmos, acariciando o membro de Tony, obrigando-o a tomar uma decisão. Pois Loki não era homem de esperar, mas havia decidido dar um tempo para o famoso Homem de Ferro. Afinal, ele parecia muito confuso com tudo o que estava acontecendo.

Aumentou um pouco mais o ritmo da mão, e aquilo foi o suficiente para Tony tomar a sua decisão.

Abriu os lábios para receber a língua aveludada de Loki, que invadiu rapidamente sem pedir muita permissão, encontrando a dele. O gosto de Loki era bom. Um gosto diferente, que não parecia natural. Nada naquele homem era natural. Loki era assassino, frio e totalmente psicopata. E era esse homem que ele estava beijando, e que estava o acariciando como ninguém o havia acariciado.

Foda-se a sanidade, o que ele estava sentindo não podia ser comparado com nada daquele mundo.

A mão de Loki o deixou, para encontrar o cós do pijama que ele estava usando e começar a descê-lo. Tony não se moveu, apenas esperou o próximo passo do homem com certa relutância e, mesmo que ele não quisesse admitir, expectativa. Os dedos longos dele correram pelo braço de Tony, acariciando-o levemente, para depois encontrar a mão dele, e guiá-la até um local específico.

Tony não queria fazer aquilo. Já era estranho o bastante ser acariciado e beijado por um homem, ele não precisava fazer o mesmo. Mas por que suas mãos iam até o zíper da calça social do moreno e o descia com facilidade? Antes de enfiar a mão ali dentro, lembrou-se de algo. Algo um pouco tolo. Afastou os lábios dos dele.

- Espere. E seu irmão?

Loki soltou uma risada contida, mas nem por isso deixou de beijá-lo no pescoço, sugando levemente a pele ali.

- O que tem meu irmão?

O hálito dele bateu suavemente no rosto de Tony quando ele fez a pergunta. As mãos de Loki já abaixavam a calça de pijama dele. Ele tentou se concentrar.

- Você disse que ele tinha um olho em você.

- E daí?

Voltou a beijá-lo no pescoço, jogando a calça de pijama no chão. Tony não usava roupa íntima, então se sentiu totalmente exposto naquele momento. Os dedos de Loki voltaram a acariciá-lo.

- Não quero que Thor seja testemunha disso.

A risada que Loki deu foi quase cômica.

- Não seja tolo, Stark. Meu irmão tem um olho no Loki que esta em uma cela, em Asgard.

- Ah...

Claro que Thor nunca iria imaginar que Loki estava ali novamente. Mas o Deus da Trapaça não ganhara esse apelido por nada. E ele fazia jus àquele apelido quando se mostrava mais esperto que todos.

Loki tomou novamente a boca de Tony e o bilionário decidiu apagar todas as perguntas de sua mente pela primeira vez naquela noite. Poderia fingir que nada havia acontecido no dia seguinte? Ou, mais provavelmente, se dar um tiro?

Um brilho estranho o tirou de seus pensamentos, o corpo de Loki parecia diferente, e só depois de alguns segundos que Tony percebeu que o brilho era apenas um alarme de que as roupas do deus estavam sumindo, da mesma forma que aquele elmo ridículo sumiu quando Tony o atacou pela primeira vez, em Nova Iorque.

Em segundos, Loki estava nu.

- Oh, merda...

Tony xingou, e foi respondido com um sorriso malicioso por parte do moreno. As mãos frias de Loki pegaram os tornozelos dele e o puxou em direção ao corpo dele. Tony não queria ver o corpo dele totalmente, então fechou os olhos e tentou se afastar quando o membro de Loki o tocou em um local que ninguém havia tocado.

- Relaxe, Stark...

- Gostaria, mas ainda acho isso ridículo.

Loki sorriu.

- Para alguém que está acostumado a ser um herói, você parece ser bem covarde. É por que está sem armadura?

- Cale a boca, Loki.

Sem pedir permissão e sem avisá-lo, Loki o penetrou. Tony queria gritar, chutá-lo, bater naquele rosto e tirar aquele sorriso vitorioso, imbecil e irônico da cara dele. Queria enfiar-se na sua armadura e atirar todos os tipos de lasers e balas que existiam no peito dele. Mas deixar-se levar pelo medo, era confirmar a sua covardia.

Loki o observava, parecia esperar alguma reação por parte do homem. Quando Tony finalmente o olhou, os olhos azuis emanaram um brilho incomum.

- Sente dor?

Sim. Sentia. Se alguém rasgasse Loki no meio, ele sentiria a mesma dor que Tony estava sentindo? Queria perguntar isso, mas inacreditavelmente, a dor diminuía a cada segundo.

- Já senti piores.

Loki sorriu novamente.

- Acredite, viajar para outra dimensão pode ser prazeroso. Posso te provar isso.

Tony já preparava a sua risada mais debochada quando Loki afastou o quadril e o penetrou novamente, fazendo a dor aumentar um pouco. Mas além da dor, ele sentiu uma pressão diferente e até mesmo prazerosa. Não queria sentir aquilo. Não queria sentir prazer nenhum com aquilo. Ou queria? Seria egoísmo e loucura tentar tirar proveito da situação?

A mão de Loki o encontrou novamente, começando a se movimentar de acordo com os movimentos do próprio quadril, praticamente obrigando Tony a sentir prazer igual ele estava sentindo, obrigando-o a acompanhá-lo naquela insanidade. Beijou-o novamente, aproximando-se e fazendo mais pressão com o corpo pesado. O aroma do moreno era bom, e ironicamente não era comparável com nada daquele mundo, assim como o seu gosto. Tony pegou-se gemendo quando os movimentos do quadril de Loki começaram a tomar mais velocidade, ficando mais bruscos e urgentes.

De repente ele parou e apenas sua mão continuou a se mover. Tony o olhou de forma questionadora, quase de forma assassina. A dúvida dele era quase palpável, Loki podia sentir.

- Por que parou?

- Você goza muito rápido, Stark. Posso sentir pela sua pulsação.

Aquilo era ultrajante e ao mesmo tempo humilhante. Loki estava certo, Tony estava a um passo de chegar ao seu máximo e por mais que tentasse ignorar, sentia que a mão do deus não era o suficiente. Ele queria Loki por inteiro. Olhou-o quase com fúria.

- Acabe logo com essa merda.

Um sorriso jocoso percorreu o rosto de Loki e, como se acatasse uma ordem, recomeçou a mexer o quadril, aumentando a pressão dos dedos enquanto seu membro invadia Tony com mais velocidade.

Tony fechou os olhos, apreciando tudo o que Loki estava proporcionando a ele. Não demorou muito a sentir seu próprio gozo. Loki fechou a mão, sentindo o prazer de Tony aumentar gradativamente à medida que ele se derramava dentro de sua mão. Segundos depois, travou o corpo ao dele e seu quadril mexeu-se uma última vez. Tony nunca havia visto aquilo, mas Loki estava de olhos fechados e a boca dele estava levemente aberta, parecia totalmente distraído e consequentemente vulnerável. Se Tony quisesse se aproveitar da vulnerabilidade do deus, a hora era aquela.

Mas tal pensamento nem ao menos passou pela mente de Tony Stark.

Quando Loki finalmente saiu de dentro dele e deixou-se desabar ao lado dele no colchão, Tony percebeu que ambos possuíam respirações descompassadas. Com relutância, arriscou-se olhar para o homem que estava deitado ao lado dele, Loki estava com os olhos cravados no teto, mas logo quando percebeu a atenção do outro, o fitou com intensidade.

O sorriso que Loki lhe dera fez com que ondas assassinas percorressem o seu corpo.

Merda, o que haviam feito?