Parte III

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Let the sky fall

When it crumbles

We will stand tall

And face it all

Together

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Acordou de sobressalto. Ficou calado e imóvel por alguns segundos, até se surpreender com algo novo, que quebrava um parâmetro ali. Tony não sentia o coração acelerado, nem mesmo a falta de ar. Acostumara-se a acordar assim, e perceber que dessa vez seu corpo continuava relaxado fora praticamente um alívio.

Ele respirou fundo, tentando lembrar-se do sonho que tivera, mas tal tentativa foi em vão. Tateou levemente o criado mudo para achar o relógio digital que ficava ali. Apertou uma tecla e o aparelho emitiu um brilho fraco, indicando que Tony havia dormido apenas vinte minutos. Ainda eram três horas da madrugada.

Ele enfiou o braço novamente debaixo do cobertor, fechando os olhos. O quarto estava quente, as únicas fontes de claridade eram a do reator no peito dele e as chamas escassas da lareira. Um movimento repentino fez com que Tony se assustasse. Seu coração se acelerou quando sentiu um lado da sua cama abaixar-se levemente. Ele fez uma careta, lembrando-se de algo que tentara a todo custo apagar de sua mente antes de dormir. Mas poderia ter sido um sonho. Não?

Quando ele abrisse os olhos, estaria ao lado de Pepper. Tomou coragem e fez o que foi necessário. A silhueta ao seu lado definitivamente não era de Pepper. Não era nem ao menos feminina. Ele virou-se, fazendo a luz azul do reator bater diretamente na pessoa que estava ao seu lado.

Loki estava dormindo, e pela primeira vez sua fisionomia estava calma. Não havia nenhum traço que indicava o quanto aquele homem era cruel, nenhuma linha de expressão para dizer como ele poderia ser ruim a quem o visse naquele momento. Seus cabelos, normalmente milimetricamente alinhados, estavam jogados de qualquer forma pelo travesseiro claro, uma mecha escura tampando uma parte do ombro de pele pálida. Tony pegou-se observando aquele ser, aquele lado incomum de Loki, por alguns minutos.

Loki respirou fundo e passou um braço para trás da cabeça. Não abriu os olhos, mas voltou a relaxar e a dedicar-se ao sono pesado. O peito delineado e largo subia e descia de forma calma, indicando que o deus estava mesmo inconsciente.

Conhecendo-se como conhecia, Tony sabia que não iria conseguir voltar a dormir. Principalmente porque ele tinha um homem-deus-assassino dormindo ao seu lado. Com uma careta no rosto, com cuidado, retirou de cima do corpo o cobertor, seus olhos castanhos procurando sua calça de pijama. Onde Loki havia a jogado?

Não quis pensar muito no que fizeram. Encontrou a calça jogada de qualquer maneira no chão e com a agilidade de um gato, vestiu-se. Andou até a porta em passos calmos e saiu do quarto, encostando a porta com cuidado. Não queria acordar Loki. Precisava de tempo para pensar.

Acendeu alguns abajures da sala, percebendo que a cozinha ficava clara o suficiente para que ele fizesse um café. No momento, Tony sentia falta do álcool no corpo, e desejava mais do que o normal um copo de uísque. Mas ele sabia que aquilo era apenas uma saída para deixar seus pensamentos de lado, e estava mais que na hora de colocá-los em dia. De forma consciente.

Esperou a cafeteira fazer o seu trabalho e aumentou um pouco o aquecedor da suíte, deixando a cozinha com uma temperatura amena. Sentou-se no balcão de mármore escuro e pegou-se observando a bela paisagem a sua frente. Mesmo com a escuridão do local, Tony conseguia ver a montanha. Mesmo distante, ela parecia emitir um brilho azul estranho, como se quisesse dizer que a neve não era toda branca e sem graça.

A cafeteira apitou uma vez e ele pegou uma caneca de café forte, tomando um longo gole do líquido, que desceu quente pela sua garganta. Com o silêncio do local e o tempo de sobra para pensar, os pensamentos de Tony começaram a invadir novamente a sua mente, e junto com a invasão, surgiram os questionamentos, e principalmente as incertezas.

Eram as incertezas que mais o incomodavam.

Tony não precisava estar do outro lado do mundo, de certa forma isolado de tudo o que o deixava bem, para saber que os acontecimentos em Nova Iorque haviam o mudado. Mas o seu grande medo era: ele conseguiria ser o mesmo depois de tais acontecimentos?

Dificilmente. Ele sabia disso.

Certa vez, Natasha disse a todos os Vingadores que eles foram treinados para lutar e enfrentar bandidos, terroristas e até mesmo máquinas. Mas não aquilo. Não alienígenas.

E Tony Stark nunca fora treinado para ver outro mundo.

Ele teria que lutar contra aquilo. Superar de alguma forma. Da mesma forma que ele superou diversos obstáculos. Infelizmente, não havia fórmula, experiência ou criação que pudesse lhe dar uma solução para esse problema.

Sentiu seu coração bater mais fortemente dentro do peito, puxou com força a respiração, sabendo todos os sintomas da crise do pânico e o que viria a seguir. Fechou os olhos, pousando a caneca na bancada da cozinha.

- Você precisa controlar isso.

A audição de Tony captou a voz de forma suave, como se o dono dela não quisesse falar muito alto. Dias atrás, Tony entraria em pânico ao escutar aquela voz, mas não naquele momento. Estranhamente, sentia-se bem ao ouvir a voz de Loki. Pois sabia que ele fora o único em anos que conseguira acabar com a sua crise de pânico com apenas um toque.

- Não consigo controlar. Eu apenas espero passar.

Loki andou calmamente até ele, apoiando-se na bancada da cozinha. Tony o olhou de canto de olho, vestia apenas a sua roupa íntima preta. Ele não queria pensar muito em Loki de roupa íntima ao seu lado. O quadro era estranho demais para ser pintado mesmo que mentalmente.

- Respire fundo.

Tony já estava fazendo isso, mas mesmo assim puxou o ar calmamente para dentro dos pulmões, sentindo ali o cheiro de café, o cheiro amadeirado da suíte e inevitavelmente o cheiro do homem ao seu lado. Estranhamente, os dois primeiros aromas familiares o acalmaram, ele não tinha uma opinião formada sobra o terceiro.

O coração voltou a bater em seu compasso normal, os pulmões conseguiam encher-se de forma natural. Ele relaxou.

Segundos depois, olhou para Loki com visível curiosidade.

- O que você fez comigo?

- Você sabe o que eu fiz com você, Stark.

- Não estou falando sobre... aquilo. Mas como consegue diminuir meus batimentos cardíacos com apenas um toque?

- Achei que soubesse. Normalmente o óbvio é difícil para vocês... – ao ver que Tony ainda o observava com curiosidade, revirou os olhos. – Com magia.

- Magia?

- Sim, não subestime a magia.

Tony não queria acreditar que dependeria de um mágico para não entrar em crise de pânico sempre quando pensamentos passados fossem invadir a sua mente. Estranhamente, quando Loki estava ao seu lado, ele se sentia mais aliviado. O deus parecia saber exatamente o que ele estava pensando, julgando o modo como os olhos azuis o observavam.

- Diga o que está pensando, Stark.

- Pode soar estranho... mas quando você está aqui, é diferente. É como se uma criança tivesse medo de uma bruxa a vida inteira, mas ao estar ao lado da bruxa, é como se ela estivesse enfrentando o seu medo. Como se nada pudesse piorar.

Loki sorriu levemente.

- A expectativa em encarar o medo é mais temível que o medo em si.

O moreno disse. Tony pegou novamente a caneca, querendo ocupar-se com algo. Tomou um longo gole. Loki continuou o observando. Aproximou-se um pouco mais, ficando em frente ao homem sentado.

- Terá que se acostumar com a expectativa de encarar o medo, Stark. Não posso ficar aqui em Midgard.

- Loki, não quero me casar com você.

Loki poderia ter ficado furioso com aquela brincadeira ridícula, mas sabia que aquilo era parte da personalidade de Tony Stark. Quanto mais o homem se sentia nervoso, mais tentava fugir do nervosismo com ironia e sarcasmo.

- Você sabe do que estou falando. Preciso voltar. Mesmo que a minha imagem que está em Asgard seja perfeita, e mesmo que Thor tenha a inteligência de um primata humano, um dia ele perceberá que não estou lá.

- Boa sorte e boa viagem.

Tony voltou a beber do seu café, ignorando a sensação estranha que se apoderara do seu corpo quando Loki lhe dissera que não estaria mais ali. E se o coração dele não quisesse voltar aos batimentos normais? Não importava. Ele teria que se controlar. Não poderia depender da magia de Loki a vida inteira.

- De qualquer maneira, posso aproveitar o tempo que me resta em Midgard.

Ele se aproximou dessa vez mais intencionalmente. Encaixou-se entre as pernas de Tony e o olhou com atenção. O homem continuou bebendo o seu café, convicto de que se ele ignorasse Loki, aquele louco desistiria de fazer suas loucuras.

- E quanto tempo lhe resta? – Tony perguntou, querendo distrai-lo.

- Não muito.

Tony não sabia o que dizer sobre aquilo. Não podia imaginar como Loki sabia de certas coisas, como ele conseguia ter a certeza em seu tom de voz sempre quando abria a boca. Tony não sabia de nada, a única coisa que tinha convicção no momento era das mãos longas de Loki acariciando levemente as coxas dele, as palmas deslizando pelo tecido da calça de pijama que ele usava. Sabia exatamente onde ele queria chegar, mas não sabia se estava disposto a deixar igual da última vez.

Fazer a mesma loucura duas vezes soava como burrice.

- Loki.

Ele pronunciou o nome do moreno como um aviso, mas Loki não lhe deu atenção, como de costume. Suas mãos continuaram a acariciar as coxas de Tony, sentindo ali os músculos proeminentes. Ele apreciava aquilo. Na verdade, Loki era o tipo de homem que apreciava tudo o que o estimulava de forma física a ponto de ele querer satisfazer sua luxúria e saciar sua curiosidade.

Tony conseguiu ver com facilidade a determinação nos olhos claros, e quando Loki se aproximou novamente dele, não se assustou como da última vez. De alguma forma, parecia estar preparado para aquela loucura, como se o corpo dele tivesse se recuperado do primeiro susto e estivesse disposto a levar outro.

Os lábios de Loki dessa vez pressionaram com uma leveza absurda os lábios dele, como se o deus estivesse realmente esperando um contato mais brusco por parte de Tony, ou apenas querendo uma reação um pouco mais pensada do que a da noite anterior.

Tony ficou imóvel, como sempre, achando aquilo tudo no mínimo estranho. Mas não afastou o rosto. Os lábios finos pareciam ter um imã que praticamente o obrigava a ficar ali, apenas sentindo o gosto singular que Loki possuía. Ele escutava com facilidade a respiração calma do deus, assim como escutava a sua própria um pouco descompassada.

Mas o que o surpreendeu mesmo foi o modo repentino com que os lábios de Loki o deixaram. Rumaram diretamente para seu queixo, mordiscando-o ali até descerem levemente pelo pescoço, onde ele correu toda a extensão com leveza e lentidão, fazendo uma onda estranha de arrepios percorrer o corpo de Tony.

Loki tinha plena consciência de como o corpo do outro estava correspondendo aos toques dele, e gostava ainda mais daquilo ao ver a pele dele se arrepiar, ao ouvir o coração bater mais rápido e ao sentir os músculos se retesarem minimamente, como se ele tivesse um pouco desconfiado de tudo aquilo, mas não o suficiente para ele desistir de tudo e se afastar.

Foi com esse pensamento que as mãos de Loki rumaram livremente para a calça de Tony, onde ele buscou seu objeto de desejo quase calmamente. Tony achou que ia enlouquecer. Aqueles movimentos lentos... pareciam ser estrategicamente planejados para levá-lo à loucura. Loucura porque a cada minuto que se passava, ele achava ainda mais insano aquilo tudo, mas também desejava mais de toda aquela insanidade.

Fechou os olhos ao sentir os dedos longos de Loki envolverem o seu membro, e com um toque leve, ele começou a estimulá-lo. Mas logo a mão dele o deixou, e antes que Tony abrisse os olhos para saber o que ele estava aprontando com aquela pequena ausência, sentiu dessa vez, de uma forma incomum e totalmente nova, a boca do moreno envolvê-lo.

Aquilo beirava à perversão.

Porque já não bastasse Loki sugá-lo com tamanha fome e - Tony tinha que admitir - experiência, ele conseguia fazer os movimentos nos momentos certos, utilizando a língua e os lábios para mostrar a ele como o desejava, e como conseguia ser praticamente uma passagem apenas de ida para o inferno.

Porque se Tony tinha uma certeza naquele momento – e ele sabia que não tinha certezas há anos – era que ele não ia conseguir se livrar do moreno depois daquilo. Não iria consegui-lo empurrá-lo para longe, afastar-se de boa vontade e abrir mão daquilo tudo. Porque antes de Tony ser um herói e um homem seguro de si, ele era covarde e egoísta a ponto de querer mais daquilo, e de querer mais de Loki.

Os lábios o deixaram no momento em que Tony sentiu que estava começando a se aproximar do orgasmo. Loki percebeu isso, e logo se afastou, levantando o rosto e capturando os lábios do bilionário com os seus. Tony sentiu o seu gosto ali, mas não se importou muito com aquele detalhe, não teve tempo de pensar com clareza, logo a mão do outro o envolveu novamente e recomeçou os movimentos, no mesmo momento em que ele o beijava de forma lasciva e convidativa demais para que Tony pensasse com coerência.

Não sabia dizer quantos minutos separavam o pensamento de que aquilo era loucura do pensamento de que aquilo era vicioso, mas logo depois de Loki tocá-lo por alguns minutos, Tony sentiu seu gozo se aproximar de forma quase anormal, e sem conseguir se conter, mordeu fortemente o lábio inferior do moreno, no momento em que ele diminuía a velocidade de sua mão e sorria de forma quase maldosa.

Tony permaneceu com os olhos fechados por alguns segundos, até abri-los e perceber o modo diferente como Loki estava o fitando. Seu coração batia fortemente dentro do peito, mas não era alarmante como das vezes em que costumava ficar assim, era prazeroso.

Loki levou o dedo à sua própria boca, tocando com leveza o lábio que Tony havia mordido. Depois de alguns segundos, fitou o outro a sua frente, no mesmo momento em que passava a língua no lábio inferior e gesticulava para o próprio rosto.

- Tem sorte que sou um deus, Stark. Se continuarmos nesse ritmo, terei que ter cuidado com suas reações.


Tony sentia a água quente bater em seu corpo. Por mais que não quisesse admitir a si mesmo, precisava reconhecer que era a primeira vez que estava completamente relaxado depois de tantos anos. Seu corpo pedia por uma cama e uma noite completa com horas de sono, mas ele não se sentia cansado da mesma forma que estava quando trabalhava em protótipos de armaduras ou se estressava com as crises de pânico. Estava querendo descansar, mas estava satisfeito.

Mesmo com olhos fechados, ele percebeu rapidamente a presença de outra pessoa. Principalmente porque a porta de vidro foi deslizada para o lado, fazendo uma corrente de ar um pouco fria percorrer o local do seu banho. Segundos depois, ele endireitou o corpo.

- Como vou olhar para Pepper?

Tony perguntou, consciente da presença do outro atrás de si. Loki permaneceu calado por alguns segundos.

- Não vou lhe dar esse tipo de conselho.

As mãos longas dele foram em direção aos ombros de Tony, e ele começou a corrê-las por aí.

- Você planejou isso desde o primeiro momento.

- Não. Não planejei. O que eu queria de você já havia conseguido desde que você me confirmara a explosão que presenciou anos atrás.

Tony respirou com um pouco mais de dificuldade. Havia se esquecido completamente daquela conversa, de como Loki ficara aliviado ao escutar que a explosão possivelmente ocorrera na nave central. De como Loki saíra daquele quarto de hotel sem lhe dar explicações, e quando voltara...

- Isso não quer dizer nada. – ele pontuou.

- Como? – Loki perguntou, visivelmente confuso.

- A nave central pode ter explodido, mas a pessoa que você teme não morreu, necessariamente. Ela pode ter sobrevivido.

Tony virou-se para encará-lo de frente. Os cabelos de Loki estavam molhados, os lábios pareciam mais vermelhos por causa das cores claras que pintavam os azulejos do banheiro, mas os olhos pareciam ainda mais frios. O deus o olhava com desconfiança, aquele modo felino e traiçoeiro voltando aos poucos em suas linhas de expressão.

- Não seja tolo, Stark. Não temo ninguém.

Tony sorriu.

- Para um homem da sua idade... – ironizou – Você consegue ser realmente infantil.

Loki já havia bolado zilhões de respostas para aquela provocação, mas preferiu ignorar tudo aquilo. Semicerrou os olhos, e quando Tony percebeu o sorriso malicioso que nasceu no rosto fino do outro, sentiu estranhamente o medo, do mesmo modo que sentiu a expetativa.

- Ora, Tony, não vamos perder tempo com isso...

O primeiro nome de Tony sendo falado pela boca dele era sempre estranho, e conseguia soar ainda mais bizarro naquele momento. Loki se aproximou dele, os lábios mordiscando levemente a pele molhada do pescoço do outro, no mesmo momento em que ele sugava o pouco de água quente que tinha ali.

- Precisarei voltar para Asgard em breve. Você realmente não quer ter uma conversa dessas comigo. Não é?

As mãos do deus desceram pelo abdômen forte dele, os dedos longos seguindo os contornos dos músculos que ele possuía. Tony fechou os olhos.

- Merda.

Aquilo ia acontecer novamente.


Estava deitado na cama, parte do cobertor grosso tampando seu corpo, parte enrolado onde antes estava o corpo do outro. Seus braços estavam para cima, atrás da cabeça. Tony estava cochilando, ou pelo menos achava que estava. Sentia seu corpo relaxado e o sono mais pesado começar a embargá-lo, mas algo estava lhe incomodando, como se alguém estivesse o observando daquele modo.

E estava.

Ele abriu os olhos e olhou o moreno que estava de pé do outro lado do quarto, apoiado com leveza no batente da porta. Apenas uma toalha negra amarrada à sua cintura tampava o corpo dele, e os olhos azuis o fitavam com uma mescla de diversão e malícia.

- O que foi? Por que está me olhando desse jeito?

Loki demorou alguns segundos para responder, mas logo depois desatou o nó da toalha, fazendo Tony desviar os olhos dele. Ele começou a se vestir calmamente.

- Preciso deixar Midgard.

Mesmo que Tony estivesse esperando por aquilo, ficou surpreso com o modo repentino que foi falado.

- Agora?

Loki sorriu.

- Agora.

- Mas... bom. Adeus, então.

Tony ficou confuso. Realmente não sabia o que dizer. Por mais estranho que parecesse, sentia a necessidade de Loki ali. E se a crise de pânico voltasse de uma forma que ele não conseguisse controlar? E se a pessoa que Loki tanto temia voltasse para procurar o deus e o encontrasse por engano? E se...

Loki já abotoava sua blusa social escura, fitando o outro no processo. Parecia ler os pensamentos do homem deitado. E lia.

- Não me olhe dessa maneira. E você sabe se controlar o suficiente para não ter mais aquela crise. – pontuou.

Tony sabia que Loki sentia vontade de rir. Estava óbvio o desespero nos olhos dele? Pelo modo como Loki o fitava, estava. Odiava aquilo. Era como se aquele imbecil estivesse lhe provando que ele sentiria a sua falta.

– E não sinta minha falta. – Loki leu novamente seus pensamentos. – Afinal, nos veremos em breve.

O deus se aproximou da cama onde ele estava deitado e sem dar tempo para que Tony processasse suas últimas palavras, beijou-o levemente nos lábios, dando as costas para ele e saindo da suíte rapidamente, como se morasse ali por anos.

Tony ficou parado por bons cinco minutos, apenas sentindo o toque levemente frio que os lábios de Loki deixaram nos seus. Depois disso conseguiu raciocinar sobre a última frase. Veria Loki em breve? Quando? Como? Se aquele maldito tivesse planos para voltar a atacar a Terra...

O barulho do seu celular o acordou dos seus pensamentos, assustando-o quase instantaneamente. Era uma mensagem de correio de voz, e apenas uma pessoa possuía aquele número. E essa pessoa prometera que só o procuraria caso fosse extremamente necessário.

Um mau pressentimento se apoderou do corpo dele. Ele pegou o celular com certa relutância e apertou o botão verde para escutar a mensagem eletrônica.

"Querido, devido ao fuso horário, julgo que esteja dormindo. Eu sei que prometi ligar apenas por uma emergência, mas sei que a SHIELD te procuraria caso eu não lhe entregasse esse recado. E achei que você acharia interessante... Thor desceu de seu planeta para convocar os Vingadores para uma cerimônia de agradecimento e uma reunião de reconhecimento. O seu próprio pai pediu para fazer o convite. Julgo que seria uma falta de educação recusá-lo, já que Odin é considerado um deus até mesmo no nosso planeta. E, conhecendo como te conheço, você não perderia a oportunidade de conhecer pessoas importantes. Espero uma resposta. Já estou com saudades... amo você."

O som do apito o avisou de que a mensagem acabara. Tony desejou não tê-la escutado. Aquilo só fez diversas perguntas pairarem em sua mente. Ir para Asgard? Cerimônia de agradecimento? Em outro planeta? Não era possível que ele teria que viajar para outra dimensão igual fizera anos atrás. Não o obrigariam a fazer aquilo. Ele não precisava ir...

Precisava?

Ele não queria sair do seu conforto. Precisava ficar mais uns dias sozinho, julgando que teve poucos por causa da presença do psicopata do irmão de Thor ali. Ele semicerrou os olhos, lembrando-se da última frase que o moreno havia dito antes de sair daquela suíte.

"E não sinta minha falta. Afinal, nos veremos em breve."

Tony apenas o odiou mais por aquilo.