Parte V

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Where you go, I go

What you see, I see

I know I'd never be me

Without the security

Of your loving arms

Keeping me from harm

Put your hand in my hand

And we'll stand

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Tony?

- Não acha que não temos intimidade o suficiente para você chamar o meu primeiro nome?

Tony observou, sentindo-se muito inquieto ao escutar seu nome saindo dos lábios finos de Loki com tanta naturalidade. O moreno deu de ombros.

- Não acha que já nos entregamos a situações bastante peculiares para que eu não te chame de Tony?

- Loki, pare com isso. – ele pediu. Não queria pensar no que havia feito com aquele homem. – Por que estou aqui?

- Porque você quer estar.

Tony fez uma careta.

- Quero uma resposta coerente. De alguma forma, eu achei seu quarto.

- Eu te chamei... você apenas seguiu o seu instinto, e o que você queria. Que era estar aqui.

Tony revirou os olhos.

- E por que estou aqui?

Naquele momento, Loki se levantou. Tony percebeu pela primeira vez que ele estava nu da cintura para cima. Vestia apenas uma calça de algodão preto, e estava descalço. Ele era alto, e sua pele era pálida. Tony tentou não se lembrar de que conhecia bastante aquele corpo, o que era no mínimo errado, ou insano.

- Quero que faça um favor para mim.

Loki pediu, e Tony viu algo passar pelos olhos azuis daquele homem. Algo que ele nunca havia visto. Foi apenas um lapso, uma abertura de alguns segundos. Mas esteve ali. Insegurança, e medo. Tony não queria pensar nos motivos de Loki estar daquela maneira, pois pensar naquilo era o mesmo que pensar que horas mais tarde, aquele homem a sua frente estaria morto.

- Não vou fazer nenhum favor para você... – ele deixou claro. – Nenhum que vá ferir alguém.

Dessa vez Loki sorriu.

- Só quero que você guarde algo para mim. Leve para Midgard. Guarde em algum lugar que ninguém irá achar. Sei que você tem tecnologia para isso.

- Mesmo que eu concorde com isso, não creio que será totalmente seguro. – Tony respondeu. – Mas o que quer tanto guardar?

Loki gesticulou com o rosto para o móvel que Tony havia visto ao entrar no quarto. Ele acompanhou o gesto do moreno, seus olhos castanhos pousando novamente nas adagas que estavam ali. Ele andou até o móvel, ficando em frente a ele e observando aquela coleção peculiar. Com um pouco de relutância, ele esticou o braço e tocou com delicadeza uma. A lâmina era gelada, e pela segunda vez Tony perguntou-se de qual matéria ela era feita. Poderia estudá-las quando estivesse na posse delas, ou quando Loki...

Ele virou-se para procurar o moreno automaticamente, e assustou-se ao perceber como Loki estava próximo dele. Suas orbes azuis estavam em fogo ao olhar os olhos castanhos, e Tony sentiu aquela sensação horrível de que o moreno estava lendo sua alma.

- Fará isso para mim?

- Me dê um motivo para isso. Um bom motivo.

- Serão suas quando eu não estiver mais aqui.

Tony ignorou aquelas palavras, parte por achar que era um motivo ruim, parte por não querer admitir a si mesmo, mas ele não queria que Loki deixasse aquele mundo, ou os mundos em que viveu.

- Um bom motivo, Loki.

O moreno suspirou, sentindo de repente cansaço com aquilo tudo. Ele olhou atentamente para Tony, que esperava a resposta.

- Essas adagas são parte do que amo em Asgard. Não tenho muito que guardar. Gostaria que estivessem longe do alcance de todos aqui.

- Mas...

- Você gostaria que suas armaduras fossem parar em mãos de pessoas que você odeia e abomina?

A pergunta fora feita de forma estrangulada. Tony sentiu a dor de Loki através das palavras. Ele pensou com cuidado na resposta, mas algo lhe dizia que ele não estaria perdendo ou arriscando seu pescoço ao aceitar aquele pedido absurdo.

Depois de alguns segundos em silêncio, ele assentiu.

O rosto de Loki foi percorrido por um sorriso mínimo, mas satisfeito. Mas Tony não pôde distinguir tal sorriso, logo o moreno se aproximou dele, e o beijou.

E o que aconteceu depois foi algo bastante estranho, mas ao mesmo tempo bem vindo, pois o corpo de Tony correspondeu rapidamente ao toque dos lábios daquele homem, como se já soubesse que ao abrir os próprios lábios e receber aquela língua ferina, ele ia sentir uma onda de culpa e prazer logo em seguida. Culpa que ele recebia de bom grado, se Loki o conduzisse da mesma forma que ele sempre conduzia.

O beijo durou mais do que o esperado, mas logo Tony sentiu as mãos de Loki pousarem em sua cintura, puxando-o para mais perto. Tony sentiu como o moreno estava excitado, bem como sentiu aquela queimação familiar em sua pele, indicando que Loki estava novamente dissolvendo suas roupas com mágica.

Ele gemeu dentro da boca do moreno, o que fez com que Loki se afastasse.

- Sabe... – ele mordeu levemente o lábio inferior de Tony. – De todas as sensações que já tive em meus anos... – ele sugou o lábio que mordera segundos atrás. – Essa é uma das que mais vou sentir falta.

Tony foi empurrado bruscamente para a cama antes que pudesse responder à provocação do moreno. E logo percebeu que estava nu, e Loki se livrara de suas roupas facilmente, descendo até mesmo com elegância a calça de algodão que vestia. Tony não queria olhar, nunca estava preparado para olhar, mas de repente ele se lembrou meio desesperado, que aquela poderia ser, e era, a última vez que teria a chance de ver aquele homem nu.

Então seus olhos pararam na criatura que estava a sua frente, e pela primeira vez Tony o fitou com olhos masculinos, olhos de homem com desejo, olhos de homem que avalia uma espécie que cobiça.

O corpo de Loki era perfeito. Ele não sabia suas preferências quando o assunto era homens, até porque nunca sentira desejo de ver um nu, ou de tocar um homem de uma forma diferente. Mas Loki despertava aquele desejo nele. Apenas Loki. Ele não sabia se era o modo como Loki falava, de forma maliciosa e arrastada, se era porque ele era seguro de si demais para ser saudável ou se era o mistério que o cercava e consequentemente tudo que se relacionava a ele. Mas Loki era excitante em seu modo único, e Tony pegou-se admitindo a si mesmo que sentia desejo pelo deus por ele ser uma mistura perfeita de todas aquelas alternativas anteriores, acrescentada à certeza de que ele era um homem bonito. Muito bonito.

As pernas dele eram torneadas, os braços também. Seu peito largo subia e descia de forma calma, mesmo que o dono daquele corpo não estivesse daquela maneira. Tony conseguia ver o desejo nos olhos azuis. A pele parecia marcada, como se o atrito das correntes finalmente tivesse o machucado depois de um longo tempo as usando.

O moreno subiu na cama e espaçou as pernas de Tony, correndo as mãos longas por todo o tronco dele, descendo vagarosamente até chegar ao membro já endurecido. Tony fechou os olhos quando Loki começou a estimulá-lo.

- Você não devia estar na cela?

Tony perguntou na hora mais imprópria, querendo quebrar o silêncio desconcertante. Mas Loki não se sentiu ofendido, pelo contrário, ele apenas sorriu.

- Um último pedido para uma mãe amorosa. É o que eu ganhei. Uma noite bem dormida em uma cama macia...

Ele interrompeu sua própria fala para beijar Stark novamente, e Tony percebeu que estava extremamente excitado, sentindo a mão do moreno o acariciando enquanto os lábios dele desciam pelo seu pescoço, mordiscando a pele quando podia. Ele desceu os lábios até o corpo de Tony, saboreando os músculos que havia ali, os contornos do abdômen forte, passando delicadamente a língua na linha funda do quadril, que o levava diretamente ao que ele desejava.

E quando Loki o tomou com a boca, Tony achou que ia enlouquecer.

Ele abriu a boca, mas logo a mão de Loki estava sobre ela, o que Tony agradeceu imensamente, pois não seria dono de si naquele momento. Asgard não estava preparada para aquilo. Não naquele momento. Não seria nada legal acordar os guardas com gritos de prazer.

O moreno o estimulou até o último momento. Ou quase até o último momento. Quando Tony estava quase à borda, Loki parou, afastando-se e olhando para ele de forma satisfeita, os lábios estavam esticados em um sorriso maldoso.

- Agora, vamos ao que me interessa...

Loki se aproximou novamente, espaçando as pernas de Tony e encaixando-se ali. Ele esperou a dor, esperou que o moreno o invadisse. Mas se surpreendeu que a dor havia dado espaço para o prazer eminente de ser tomado por alguém tão... dominador como Loki.

Loki mexeu-se levemente ali, sentindo como o outro estava apreciando o contato. E então começou. O quadril foi tomando velocidade à medida que os corpos buscavam por mais prazer, a respiração de Tony batia no rosto de Loki, bem como o gemido de Loki era captado pela audição sensível de Tony.

E ficaram assim por bons minutos, apenas apreciando o corpo um do outro, apreciando o ato proibido, apreciando o errado. Porque aquilo era errado. Um era o assassino mais procurado em Midgard, o outro era o caçador de assassino mais amado em seu planeta.

Mas aquilo não importava no momento. Tony se importava apenas com Loki o possuindo, bem como Loki se importava apenas com o prazer que estava sentindo ao invadir o corpo daquele homem.

E chegaram ao mesmo tempo no tão procurado gozo, Loki fechando a mão no membro de Tony para sentir a essência do homem escorrendo entre seus dedos, Tony sentindo o moreno travar seu corpo quando o prazer o consumiu. Uma mordida feroz em seu ombro fez com que o Homem de Ferro quase gritasse, mas ele apenas olhou para Loki em fúria, no qual o moreno apenas respondeu ao olhar com um sorriso malicioso.

Eles ficaram bons minutos ali, as respirações ofegantes, o silêncio estranho, mas ao mesmo tempo bem vindo. Depois de algum tempo, Loki se afastou, caindo no colchão ao lado de Tony, observando-o no processo.

- Você não sente medo?

Finalmente Tony perguntou, visivelmente curioso com a falta de reação de Loki ao saber que ia morrer daqui algumas horas. O moreno desviou os olhos para o teto.

- Já vivi tempo demais nisso aqui para sentir algo diferente do que alívio.

Loki respondeu, surpreendendo o homem que estava ao seu lado. Mas logo ele voltou a olhar para Tony.

- Agora durma, amanhã será um dia cheio. Não para mim, afinal, viverei apenas o começo dele.

E então a mão longa de Loki estava sobre o peito de Tony. Uma sensação agradável de calor percorreu todo o corpo dele.

Minutos depois ele estava dormindo.


Acordou de forma calma, sentindo seu corpo levemente dolorido. Seus olhos se abriram e ele se surpreendeu que o quarto estava banhado por uma claridade ínfima. Estava amanhecendo. Tony não tinha relógio ali, e não sabia como funcionava o tempo em outro planeta, mas ele sabia quando o dia estava começando.

Por sorte dormira bem. Tivera apenas um pesadelo estranho...

Seu coração saltou ao lembrar-se da noite anterior. Fora um pesadelo? Na certa sim, pois estava deitado em sua própria cama, no quarto que Thor reservara para ele. E no pesadelo lembrava-se de fechar os olhos na cama de outra pessoa. Na cama de Loki.

Ele se levantou rapidamente, indo em direção ao banheiro e olhando-se no espelho. Procurava no rosto algum indício de sanidade, que parecia não existir mais. Tony estava ficando louco em Asgard. Melhor, Tony estava ficando louco desde que Loki o reencontrara.

Ele ficou se observando por alguns segundos, até que uma mancha arroxeada chamou a sua atenção. Seu ombro estava machucado. Ele se aproximou do espelho, e viu marcas de dentes, gravadas ali de forma perfeita. De repente a noite anterior voltou a assaltar sua mente e ele percebeu que não havia sonhado. Aquilo tinha acontecido. Loki o apagara. Mas como ele o colocara ali?

De qualquer maneira, aquela era a última de suas preocupações.

Uma batida na porta fez com que ele saísse de seus pensamentos e andasse até lá, abrindo-a sem pensar duas vezes. Natasha virou o rosto no mesmo momento, olhando com falso interesse um objeto do corredor.

- Você não podia ter colocado uma roupa?

Tony olhou para baixo e percebeu tarde demais que estava nu.

- Me desculpe. Estava dormindo... sabe como é, gosto de deixar tudo liberado e-

- Loki será executado daqui a vinte minutos.

Natasha o interrompeu, e ele sentiu como se a ruiva tivesse jogado um balde de água fria em seu rosto.

- Co-como?

- Loki será executado daqui a vinte minutos. Você está atrasado. Todos estão no pátio. – Natasha olhou para o corpo de Tony. – Vista-se.

Ele gaguejou algo incoerente e pediu um momento, fechando a porta do quarto e procurando uma roupa decente. Achou uma calça comum e uma blusa de malha, e colocou o tênis de forma rápida, indo até o banheiro e jogando água fria no rosto, para depois escovar os dentes. Ele nem olhou o cabelo, apenas respirou fundo e olhou para o próprio reflexo. Os olhos castanhos estavam cansados.

"Por que está se sentindo mal?"

Ele perguntou a si mesmo, mas logo escutou outra batida na porta e adiantou-se, indo em direção a ela e a abrindo. Natasha já estava inquieta.

- Vamos.

Ela ordenou, e Tony a seguiu.


O pátio estava lotado. Muitos asgardianos vestidos com suas roupas peculiares estavam ali, observando com certa expectativa e receio o palco pequeno de pedra que fora construído apenas para aquela ocasião. Odin observava tudo de forma séria, Frigga não estava presente, provavelmente não teria estômago para ver seu filho perder a cabeça.

Sim. A cabeça.

Tony podia estar em outro mundo, mas aquela lâmina claramente estava ali para um único propósito, separar a cabeça do corpo de Loki. Ele sentiu seu estômago começar a protestar ao nervosismo. Sua boca estava seca, e o sol, mesmo que mínimo, estava o deixando com dor de cabeça e levemente tonto.

Thor estava ao lado do pai, como se concordasse com aquilo tudo. Tony não duvidava disso, por mais que Thor claramente amasse o irmão de um jeito único, ele era correto demais para deixar passar o que Loki fizera em Nova Iorque, e, pelo discurso que Odin estava dando naquele momento, o que Loki fizera em outros mundos.

Mesmo que o pátio só tivesse Asgardianos, algo que seria explicado pela morte de Loki ser assunto apenas de Asgard, Odin citava todas as pessoas que Loki matou, bem como todos os reinos que ele infernizou, até mesmo as regras que ele burlou.

No fim, todos estavam até mesmo cansados. Afinal, em qualquer mundo, o discurso sempre era cansativo, e pelo olhar ansioso das pessoas presentes, Tony percebeu que eles estavam ali apenas para a execução.

Bando de imbecis.

Pensou, e depois ficou surpreso com seu pensamento. De qualquer maneira, mesmo em seu tão amado planeta, ele não era muito fã de violência, mesmo que para ignorá-la ele precisasse usar um pouco dela. E ele percebeu que detestava ainda mais a violência brutal e medieval, aquela usada para execuções em tempos antigos. Afinal, o que era uma injeção perto de uma lâmina do tamanho daquela?

- Se alguém discorda da execução do prisioneiro, coloque sua opinião em voz alta.

Chegou o momento. Tony saiu de seus pensamentos altruístas e olhou para todos ali presente. Mas, como era de se esperar, ninguém moveu um dedo para impedir aquilo. O que era aquilo? Loucura?

Odin esperou bons minutos até ter a certeza de que ninguém impediria a execução de Loki. Ele olhou para um homem que estava ali com uma armadura negra. O homem se aproximou e gesticulou para alguém que estava por perto.

E foi aí que Tony o viu.

Loki subiu de forma estranhamente calma no palco montado especialmente para ele. Seus olhos azuis estavam focados no chão de pedra, mesmo que a lâmina estivesse brilhando por perto. Ele estava de mãos atadas por cordas fortes, mas ao contrário do que Tony esperava, essas estavam à frente do corpo.

Loki não olhou para ninguém, tampouco não demonstrou medo. Nem vontade de continuar aquilo. Ele estava apático, como se estivesse anestesiado, ou sua mente não estivesse realmente naquele corpo.

Ele caminhou para o local onde devia caminhar, ajoelhando-se de forma calma. Os olhos azuis não deixavam o chão nem mesmo quando o carrasco colocou o seu pescoço no espaço designado a ele. O homem de armadura negra puxou a corda e olhou para Odin, esperando o aval do rei. Nesse momento, Tony se levantou.

Não sabia se estava nervoso, enjoado por ver aquele tipo de barbárie ou se queria ver melhor aquilo tudo. Ele só se deu conta do que estava realmente acontecendo quando Odin gesticulou suavemente com a cabeça e, finalmente, a corda deixou as mãos enormes do carrasco.

A lâmina desceu.

- NÃO!

Tony gritou com toda a força que seus pulmões podiam conseguir. Seu corpo estava tremendo, sua visão começava a ficar embaçada e ele sentia um leve puxão na sua cabeça, como se uma pedra tivesse encontrado a parte inferior do seu crânio. Sua pele começava a esfriar. Suor. Suor frio.

- Tony?

Uma voz conhecida o chamava. Uma voz feminina. Pepper? Natasha?

- Tony!

Dessa vez era uma voz irritante. Provavelmente Steve com aquela petulância dele. Não poderia nem desmaiar em paz? Não viam que ele preferia ficar desacordado?

- Tony, o que está fazendo?

A voz era de Thor, e algo no tom daquela voz o fez ficar alerta. O Deus do Trovão havia feito a pergunta com calma, mas ele conseguia discernir a preocupação por trás do tom. Thor não iria ficar preocupado com um mero desmaio. A não ser que ele não tivesse desmaiado. Será...

Ele abriu os olhos, e o que viu o deixou surpreso. Suas mãos seguravam com força a mesa que na noite anterior ele estava bebendo vinho e Hidromel. Sua roupa estava grudada em sua pele por causa do suor. Ele sentia uma leve náusea, uma náusea menos horrível do que da vez em que fora para outra dimensão, mas mesmo assim preocupante. Era uma náusea incomum.

Todos estavam o olhando de forma curiosa. Inclusive Frigga. Mas ela não estava na execução de Loki. Estava? O que ela estava fazendo ali?

Seus olhos castanhos correram brevemente por todos. Ele estava no jantar, como se tivesse voltado ao tempo. Todos estavam ali, até mesmo...

Loki olhava para ele com visível diversão. Seu rosto fino era percorrido por um sorriso cínico e nem um pouco disfarçado. Seus olhos azuis fitavam Tony como se procurassem algo que ele esperava. Tony o olhou, confuso.

- O que... o que está fazendo aqui? Você, você está morto.

Ele disse para Loki, que não parou de sorrir. Nesse momento, todos pararam de respirar. Odin levantou-se da cadeira e Thor olhou para o irmão com fúria. Mas, impressionantemente, foi Frigga que tomou a primeira decisão. Ela caminhou para o filho adotivo e o olhou em repreensão. Nesse momento, Loki parecia um garoto de cinco anos levando sermão da mãe. Mas ele não era um garoto de cinco anos, era um assassino, louco, psicótico e infelizmente parecia ter um interesse incomum em Tony Stark.

- Loki, você não fez isso. – Frigga disse, querendo convencer mais a si mesma do que os outros.

- Há quanto tempo os poderes voltaram? – Thor perguntou.

- Provavelmente há muito tempo, ele não conseguiria fazer uma alucinação tão poderosa assim em tão pouco tempo. – Frigga respondeu.

- Ei! – Tony berrou, para que todos olhassem para ele. – Eu estou aqui, e realmente gostaria de saber o que aconteceu. O que aconteceu comigo. Se possível.

Frigga o olhou quase com pena.

- Há quanto tempo sonha com Loki? – ela perguntou.

- O quê? Nunca sonhei com ele!

Frigga revirou os olhos.

- Qual foi a última cena que viu depois desse jantar? – ela voltou a perguntar.

Tony sentiu seu rosto queimar levemente, mas felizmente ninguém percebera seu desconforto. O pensamento de estar no quarto de Loki voltou à sua mente na rapidez de um foguete, mas ele estava acostumado a mentir, e graças ao seu cérebro anormal, de pensar rápido.

- Odin declarando que Loki seria executado. – respondeu.

Frigga fechou os olhos.

- Leve Loki daqui.

Ela mandou, não pedindo opinião de ninguém, muito menos de Odin. O homem que segurava as correntes o puxou, obrigando Loki a sair dali. Antes, ele olhou uma última vez para Tony, e esse último jurou que se visse aquele maldito novamente, o estrangularia com as próprias mãos.

O salão ficou em silêncio por alguns minutos, até Thor mexer-se em sua cadeira.

- Se Loki recuperou seus poderes, devemos colocá-lo em outro tipo de cela... – ele pontuou.

- Aquela cela é imune aos poderes de Loki, a mágica dele só pode ser usada dentro dela. Quando ele está dentro dela.

Frigga deixou claro. Para Thor colocar o irmão dentro de uma caixa e enviá-lo a outro planeta não seria preciso muito. Ela conhecia o filho, ele estava fora de si. Sempre quando Loki burlava suas regras e suas exigências, Thor ficava daquela maneira, como se o irmão o chamasse de incompetente quando aprontava aquelas peripécias.

- Mesmo que a mágica fique dentro da cela, Loki tem acesso aos guardas. Manipulação é algo que ele está acostumado a usar e abusar... – Thor voltou a dizer.

- Os guardas de Asgard são treinados para não serem influenciados.

Odin terminou aquela discussão, e com um rápido olhar para Thor e Frigga, parecia dizer que aquele tipo de assunto não era para ser tratado em uma mesa tão cheia. Os dois entenderam o pedido do rei e pararam de discutir sobre aquilo. Odin olhou rapidamente para todos os presentes e logo depois voltou a olhar para Thor.

- Coloque-o em uma cela de mesmo porte. Isolada. Loki verá apenas paredes.

Ele mandou. Thor fez um gesto afirmativo com a cabeça, mas parecia triste de ter que tomar uma medida tão drástica com o seu próprio irmão. Ele saiu, deixando todos ali. Tony se sentiu idiota no mesmo momento. Fora manipulado por Loki e agora todos sabiam daquilo. Ele repensou e repensou em sua própria imagem gritando um não bem alto como se a execução de Loki realmente estivesse acontecendo. Ele pensou em como aquele maldito deveria estar contente ao ver seu plano infantil e ao mesmo tempo diabólico ter dado certo.

Mas se tudo fora uma ilusão, ele não tinha se deitado com Loki. Aquela ida ao quarto do moreno não havia acontecido. Bem como o pedido de Loki para que Tony guardasse suas adagas em seu planeta. A confiança mínima de Loki nunca existiu.

Sem querer admitir a si mesmo, mas já sabendo que era inevitável, Tony lamentou-se por aquela noite ter sido parte da ilusão. Não por ter se deitado com Loki, apesar de que, com o nível de sua insanidade perigosamente elevado, ele sabia que também não se arrependeria em ir novamente para a cama com o deus. Não... não era exatamente por aquilo. Mas naquela noite, Tony conseguiu ver um lado de Loki que ele não acreditava que existia. Um lado triste, vulnerável. Uma confiança, mesmo que ínfima, que ele demonstrou a Tony, pedindo que ele guardasse o que o moreno tinha de mais valioso.

E era tudo mentira.

- Tony?

A voz de Natasha o retirou de seus pensamentos e ele percebeu que todos estavam se levantando da mesa e saindo do salão. Ele estava ali, parado como um idiota. Porque Loki sempre o deixava parecido com aquilo. Como um idiota. Odin o olhava de forma atenta, mas foi Frigga que se aproximou dele.

- Posso conversar com você?

Não. Não pode.

- Sim. – ele respondeu.

Ela esperou calmamente que todos saíssem do salão e gesticulou com a mão para que Tony começasse a andar no mesmo momento que ela o acompanhava até a grande porta. As pessoas já estavam afastadas, pareciam tomar o rumo para os quartos e finalmente ter uma noite tranquila de sono antes de voltar para Midgard no dia seguinte.

Bastardos sortudos.

- Sei que uma ilusão pode deixar a cabeça da pessoa confusa. – Frigga começou o assunto. – Mas sei também que Loki não te iludiu por mera diversão.

Aquilo pegou Tony desprevenido.

- Como? – ele perguntou, surpreso.

- Loki costuma fazer ilusões para confundir a pessoa ou brincar com ela. Ele não fez isso com você. O seu caso foi diferente. Ele o atingiu de uma forma estranha. Mais direta.

- Acho que Loki seria capaz de fazer isso com qualquer um. Sem ofensas.

Frigga sorriu.

- Não me ofende. Conheço o gênio do meu filho, e o conheço melhor do que qualquer pessoa nesse reino e em todos os planetas. E por isso te digo com convicção que Loki plantou essa alucinação na sua cabeça por uma razão.

- E qual razão seria essa?

A rainha parou, e o modo como ela olhou para Tony o deixou inquieto. Era como se ela soubesse que ele tinha alguma ligação com o filho dela. Mesmo que tal ligação fosse superficial e permeada com intenções vazias.

- Isso só você pode descobrir.

Ela estendeu a mão para ele e Tony percebeu que ela estava com uma chave dourada. Ele a olhou, desconfiado.

- A cela dele fica depois da última escada à direita. Essa chave abrirá o portão que o separa do castelo. Mas você não poderá abrir a cela.

- Eu nunca faria isso.

Frigga sorriu. Um sorriso tão parecido com o do filho. Loki sorria daquela maneira. Normalmente quando sabia de algo, mas não queria deixar isso claro.

- Boa noite.

Ela virou-se, e foi embora, deixando Tony com inúmeras perguntas na cabeça.

Ele olhou para a chave em sua mão. E virou seu rosto para o corredor.

Será...?