Minha amada imortal
Narração
"Pensamentos"
Dedicada a quem ler n.n
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Capítulo 1: uma confusão sem tamanho
A única coisa que eu me lembro daquele dia são acontecimento os quais odiaria passar novamente. Primeiro, seu grito de pânico, segundo, pessoas se debatendo contra alguma coisa que eu fui descobrir mais tarde que era uma porta e, terceiro, suas lágrimas. Do resto, nada. Nem de como eu havia parado naquele quarto - o seu quarto - e nem de como isso poderia ter acontecido. Outra coisa a qual não esqueço é da forte dor que senti no maxilar que me deixou, tenho certeza, desacordado.
Quando acordei – ainda sentindo a dor no maxilar – me deparei deitado numa maca da enfermaria da faculdade. Será que eu tinha passado mal na festa? Essa era a única hipótese que passou por minha mente. Jamais imaginaria que alguém sensata como sempre fui – e nem um pouco modesta, vamos admitir – faria algo daquele tipo. Mas eu fiz. Lembro-me da diretora e dona da faculdade se aproximando da maca com um olhar sério e preocupado ao mesmo tempo. Ela me fitava interrogativa. Minha boca se abriu e se fechou como se alguém tivesse cortado minha língua, impedindo-me de perguntar o que eu fazia ali. Ela se aproximou e sentou-se ao meu lado na maca. Sentei na mesma. Ficamos nos encarando por longos minutos. Eu não abriria a minha boca para dizer qualquer "A" enquanto ela não falasse. E foi exatamente o que ela fez:
- Por que fez isso Sasuke? – perguntava confusa.
Por que eu fiz o quê? Por que eu bebi cerveja na festa? Ora, mas isso todo mundo fazia! Então por que ela me fazia aquele tipo de pergunta? Achei estranho de imediato, afinal. Último ano de faculdade, nós podíamos ultrapassar um pouco a norma da escola que nem mesmo ela se importava. Essa mudança repentina me deixou mais confuso do que ela. Ela abaixou os olhos para um envelope que segurava com tanta força que estava o amassando pela metade. O envelope estava lacrado. Ela suspirou e abriu o mesmo, com um incrível pesar na atitude. Tirou o papel e o leu, fechando os olhos com força, como se tivesse lido a pior coisa de sua vida. E de fato, tinha. Estendeu-me o documento que eu peguei sem nenhum receio ou medo e me pus a ler. Nele estava escrito "Teste de sangue". Só naquela hora eu vi um algodão preso a uma fita, em cima da minha veia do braço esquerdo. Voltei novamente meus olhos para o papel. Não entendia nada que estava escrito ali, apenas uma palavra eu entendi perfeitamente: "esctasy" .
Agora sim estava formado o nó na minha cabeça. Olhei para Tsunade interrogativo, enquanto eu sentia o efeito da droga em mim, se é que eu teria a ingerido. Sentia muitas dores pelo corpo todo, minha boca estava seca, precisava de água, o calor era insuportável. Mas a diretora da faculdade continuou me olhando aborrecida. E eu queria entender o mais rápido possível, como aquilo tinha acontecido. Antes que pudesse perguntar, ela me respondeu:
- O ecstasy, encontrado no seu sangue, foi também encontrado nos pertences de Itachi. Você sabia de alguma coisa? – ela perguntava ainda me fitando profundamente
- Não! Eu não sabia! – e me coloquei a pensar em Itachi. Na noite anterior, ele havia me oferecido um copo de cerveja e eu só aceitei porque não tinha tirado dinheiro do banco para comprar uma. Será mesmo que ele havia me drogado? Olhei assustado para Tsunade e, assim como anteriormente, ela me respondeu
- Um dos seus amigos, encontrou o copo que você recebeu de seu irmão ontem e encontramos resíduos da droga. Você, por algum acaso, notou algo de estranho nele ontem?
- Não... Ele só me ofereceu o copo dizendo que queria "fazer as pazes" e eu... – comecei a repensar melhor na atitude estranha de meu irmão e no sorriso falso que ele me dera. Só então eu entendi – Aquele desgraçado me drogou! – gritei furioso
- Tudo indica que sim...
- Como? – perguntei não entendo a frase que ela me dissera
- Ele foi levado numa delegacia e confessou que havia colocado mesmo o ecstasy na sua bebida
Nessa hora, fechei os punhos com tamanha força que senti minhas unhas cortando a palma de minha mão. Afinal, com quê propósito ele faria aquilo comigo? Não tinha sentido! Nunca teve! Mas, conhecendo o Itachi como conheci, sei bem que ele não precisa de um motivo para fazer alguma besteira. Aquilo só podia ter sido influência dos amigos estranhos que ele tinha em sua gangue, afinal, meu irmão não é tão esperto assim para pensar em tal ato...
Mas algo ainda martelava em minha cabeça: por que Tsunade ainda me olhava aflita daquela maneira se sabia que eu não tinha feito nada de errado? Acontece que eu tinha sim, feito algo de errado, feito algo muito errado. Se alguém tivesse dito apenas que eu tinha feito algo muito errado, eu imaginaria coisas do tipo, dar uma surra em alguém, bater num guarda de trânsito, dirigir alcoolizado... Mas algo daquele nível, jamais... As palavras de Tsunade não quiseram entrar em minha mente quando ela disse:
- Você fez algo que... – ela não conseguia encontrar as palavras – Vão deixar marcas muito profundas...
Naquela hora eu pensei que tinha matado alguém. O medo – medo sim – era tanto que eu não conseguia raciocinar direito. Mas se quisesse entender o que realmente tinha feito, era necessário arriscar e perguntar:
- O que aconteceu?
Ela me olhou séria, respirou fundo como se quisesse arrancar coragem de algum lugar que ela nem sabia qual era. Firmou as mãos em seu colo para que não tremessem mais. Abriu e fechou a boca diversas vezes como se as palavras fossem sair a qualquer momento, mas não saíram. Ela fechou os olhos com força e, com os mesmos ainda fechados, ela disse:
- Sasuke... Você... Violentou uma garota.
Ok. Seria muito melhor ter matado alguém do que ter de ouvir aquilo. Eu tinha feito o quê?! Não conseguia aceitar, aquilo não fazia parte da minha índole... Como eu pude ter cometido uma atrocidade dessas?! Minha mente gritava altas e sonoras perguntas confusas sobre isso, queria uma resposta, eu queria uma resposta! Mas, finalmente ao fitar a diretora da faculdade, da minha boca apenas saiu à pergunta:
- Quem... Quem foi?
- Hyuuga Hinata – alguém entrou escancarando a porta - Você é um cretino! Um estúpido que não mede as conseqüências! Faz idéia de como ela sofre agora?! – gritou Naruto vindo em minha direção com o punho fechado, pronto para me acertar mais um murro no maxilar. Não consegui reagir, talvez eu quisesse mesmo receber aquele soco, eu merecia... Mas Tsunade interveio por mim, empurrando o furioso loiro para fora dali. Comprei naquele dia, uma briga que não era minha...
Tsunade voltou-se novamente para a minha imagem confusa e perplexa sentada em cima da maca. Ela sabia que eu estava em estado de choque. Mas também, quem não estaria depois disso? A vontade que eu tinha era de cavar um buraco entrar dentro e nunca mais sair. Ou então, a mais fácil das hipóteses: pegar um revólver, levar a ponta do cano na direção da minha têmpora e puxar o gatilho sem pensar duas vezes. Minhas tentativas de suicido foram atrapalhadas por Tsunade:
- O que pensa fazer a respeito?
- Me matar – respondi – Não, seria fácil demais... – olhei finalmente para ela, meus olhos estavam lacrimejando, tenho certeza até hoje que estavam... Naquela época eu já te amava... – E como ela está?
- Muito abalada... – disse se sentando ao meu lado – Não quer falar com ninguém, não come, só chora trancada no quarto... – ela suspirou – Sasuke... – olhei para ela – Hinata não te perdoará tão rápido... Talvez isso nunca ocorra. O que você fez foi... Foi... – mais uma vez ela tinha perdido as palavras
- Monstruoso – eu mesmo terminei sua frase – Estou com nojo de mim mesmo – disse com ódio, de mim, logicamente – Como é que eu fui acreditar no Itachi?! – elevei meu tom de voz, passando a mão pelos cabelos – Ah! Eu me odeio! Odeio!
- De nada adianta ficar se odiando Sasuke, você não teve culpa
- Claro que tive! Uma coisa que não é recomendável a nenhuma pessoa normal é dar ouvidos ao Itachi! E eu, conhecendo-o como conheço, fiz exatamente isso!
Levantei-me e, tudo o que tinha em cima da mesa da enfermaria, foi parar no chão. A vontade que tinha era de quebrar tudo. Mas não consegui. Depois de extravasar minha raiva nos medicamentos tacados contra a parede branca, eu caí de joelhos no chão e grossas lágrimas correram meu rosto. Foi a primeira vez que eu chorei com algum sentimento em toda a minha vida... O que eu não sabia, era que as minhas preocupações não acabavam por ali...
- Sasuke, quero que venha comigo – disse Tsunade
- Para onde? – perguntei sem encará-la
- Você tem que conhecer uma pessoa
Eu já imaginava que essa pessoa fosse algum policial, juiz de alguma vara criminal, advogado dos Hyuuga... Sem nada perguntar, me levantei do chão e a segui, de cabeça abaixada. Quando a porta foi aberta, alguns curiosos caíram no chão, pois os ouvidos estavam grudados na mesma. Assim que viram a cara furiosa da diretora, saíram correndo. Alguns jovens, ainda com roupa de festa me olhavam, alguns, assustados, outros com repulsa e até mesmo nojo. Me senti o pior dos vermes. Os estudantes começaram a gritar frases de todos os tipos, me tacavam bolinhas de papel, latas de cerveja, frutas e o que achavam pela frente. Tsunade gritou com todos e ordenou que fossem para seus dormitórios, coisa a qual fizeram ainda em meio a xingos voltados para mim.
Subimos as escadas para o segundo piso onde ficava a sala da diretoria e supervisão. Continuamos a andar nos corredores que ecoavam o barulho do salto agulha de Tsunade no piso. No fim do corredor, uma porta de vidro escrito " Diretoria – Tsunade". Ela abriu a porta e eu entrei na frente, me deparando com uma figura um tanto... Assustadora.
A garota tinha os cabelos cortados de forma desordenada, como se tivesse o cortado com uma navalha. Era de um tom tão escuro quanto os olhos que não me encaravam de forma alguma. Usava uma meia que, para mim parecia maus uma rede de vôlei rasgada, mas que muita gente chama de "arrastão". Uma bota medonha de soldado também preta que ia até os joelhos, um shorts de couro que ia até a metade de sua cocha, uma blusa vermelha cheia de detalhes negros e um grande casaco preto que cobria o corpo todo – se estivesse abotoado. Seu rosto extremamente branco estava com uma forte maquiagem preta que deixavam seus olhos ainda mais assustadores. Seus lábios pintados com um batom roxo deixavam-na com cara de morta-viva. Era simplesmente ridícula e horripilante ao mesmo tempo.
Não querendo parecer mal educado, perguntei contendo o riso e o espanto:
- Quem é a estranha?
- Ela é sua irmã – me respondeu simplesmente
- O quê?!
Aquilo realmente não estava acontecendo. Se já não me bastasse o peso na consciência e na alma, agora me aparece uma irmã? E daquele jeito? Só podia ser um mal entendido, alguém como... Ela, jamais seria uma Uchiha. Foi aí que me lembrei da filha que minha mãe teve no segundo casamento e que eu nunca tinha visto – e nem fazia questão de ver – na minha vida. O que ela fazia ali afinal? Fugiu de um reformatório? Com aquelas roupas, só podia... Mas tirei esse pensamento da cabeça assim que outra hipótese, a de ir para o mesmo lugar, surgiu em minha mente:
- Ela é filha de sua mãe...
- ... do segundo casamento. Eu sei. Seu nome é Aira... Aria...
- Amaya¹ – corrigiu ela – Meu nome é Amaya.
- Certo... O que faz aqui Amaya?
- Sua mãe mandou-a para ficar aqui com você já que estava bem estabelecido, pelo menos, até onde ela sabe... – respondeu Tsunade
- Não se preocupa não, porco- espinho, não vim porque quis ok? – ela disse me olhando com desprezo – Eu nunca ficaria na casa de alguém como você
Aquele dia foi mesmo memorável. Tsunade teve que me segurar para não avançar sobre ela. Eu nunca tinha a visto, e quando à vejo, vem logo com quatro pedras na mão? Como o pessoal da faculdade era intrometido e fofoqueiro... Fizeram questão de comunicar á Amaya que o irmão dela era um ser repugnante e sem escrúpulos. Tsunade me fez sentar na cadeira ao lado de minha meia irmã. Ela me olhou desapontada. Hoje não a culpo, mas naquele tempo, queria mais que ela se explodisse que nem sentiria falta. Tsunade repetiu o que tinha dito e, como a noite não tinha sido das melhores, mandou ambos para casa.
No caminho para casa, meu carro foi acertado com ovos, papel higiênico, latas de spray que os delinqüentes usavam para pixar os muros da faculdade, dentre outras coisas que prefiro não mencionar. Amaya olhou para mim e disse ironicamente:
- Por que será que eles não gostam de você?
- Porque eles não sabem que o seu outro irmão me drogou durante a festa... – disse sem fitá-la
O resto da viagem até meu apartamento foi um silêncio de enterro. Nenhum ruído era ouvido, nem de sua respiração. Cheguei a achar que ela tinha parado de respirar por um momento. Chegamos a frente ao apartamento. Esqueci dos bons costumes e deixei que ela mesma levasse as malas para o elevador. Apertei o botão de número sessenta e oito, o último andar e mais luxuoso, que era onde eu morava. Chegamos no andar sem trocar nenhuma palavra sequer, Amaya parecia constrangida e deslocada naquele local. Na cobertura havia somente o meu apartamento. O elevador parou em frente à porta de dois metros de largura por dois metros e meio de altura e nós saímos do mesmo. Antes que pudesse tocar na maçaneta da porta, Itachi a abre olhando pra mim com um sorriso vitorioso. Senti novamente minhas unhas cortando a palma da minha mão, os ossos estralando, tamanha a força que usei. Mordi o lábio inferior, sentindo depois o gosto metálico do sangue. Olhei para ele com o brilho vermelho do ódio tomando conta dos meus olhos negros – detalhe: sei disso porque Amaya me disse semanas mais tarde – e, com muita dificuldade, perguntei:
- O que faz aqui?
- Ah... Meus amigos pagaram a fiança e eu saí da delegacia... – tempos depois eu descobri que a "fiança" na verdade foi o gordo suborno oferecido para os policiais e o delegado local – Quem é essa aí? – apontou com a cabeça para Amaya
- Sou Amaya, irmã de vocês – ela respondeu vendo que eu estava à ponto de explodir
- Irmã? Você? Uma bonequinha de vodu?! Não me faça rir!
- Cale sua boca, Itachi... – disse eu fechando ainda mais o punho
- Ah Sasuke, vai dizer que ainda está bravo comigo? Foram só cinco pastilhas de ecstasy... – e antes que ele pudesse continuar, vi meu punho acertar um belo soco no nariz de Itachi, que já estava deitado no chão, gritando de dor e vendo o sangue jorrar sem parar pelo tapete persa.
Entrei no apartamento, agarrei Itachi pelos cabelos e fiz com que olhasse para mim. Acertei mais alguns socos em sua face que já estava irreconhecível e, disse em alto e bom som, para quem quisesse ouvir:
- Isso, não foi nem por mim, foi pela Hinata... – e soltei-o no chão, deixando que ele se contorcesse de dor – Vamos Amaya – e puxei-a pela mão.
Novamente no carro, Eu dirigia em direção à faculdade. Atrás dela, mais ou menos duas quadras, ficavam os dormitórios, cada aluno tinha direito a um quarto e um banheiro privado. Estava pensando em uma pessoa que talvez pudesse me ajudar. Amaya olhou para mim e disse:
- Me desculpe Sasuke... Eu não queria ter te ofendido àquela hora... É que tem tanta coisa acontecendo comigo... – sua voz tinha um tom choroso, mas no dia, estava sem cabeça para pensar em outra coisa
- Tudo bem, mudar de país deve ser difícil... – ela concordou com a cabeça
- Sabe... Eu tive uns amigos que foram enganados por outros amigos e... Aconteceu a mesma coisa. O máximo que uma pessoa agüenta do ecstasy é ingerir duas pastilhas mesmo assim, os resultados são terríveis
- O que aconteceu com seus amigos?
- Eles morreram. – ela fechou os olhos – Você teve muita sorte Sasuke, de não ter morrido. A dose que você ingeriu foi muito grande, poderia ter tido uma parada cardíaca em meia hora – me disse como se tivesse decorado um texto
- Eu preferia ter morrido ao ter feito o que fiz. Deve estar pensando que sou um monstro... E tem razão
- Estava nervosa... É tudo muito novo pra mim e... – ela olha para o lado e percebe que algo que deveria estar ali, não estava mais – A minha mala! Esqueci no seu apartamento!
- Não tem problema
- Mas I-Itachi não pareceu gostar de mim, ele pode... Sei lá! Se livrar das minhas roupas...?
- Não tem problema, nós compramos novas pra você – a olhei com o canto dos olhos – E descentes
Ela se encolheu no banco e, depois de mais cinco minutos, chegamos em frente ao conjunto de prédios da faculdade. Descemos do carro e fiz com que minha irmã me seguisse até o prédio de número cinco. Toquei o interfone e logo uma voz aguda perguntou visivelmente confusa:
- Quem é?
- Sou eu Ino. – respondi
Sasuke?! – a voz aguda confirmou interrogativamente. Ino e suas formas estranhas de se expressar. Fiquei alguns segundos esperando uma resposta, achei que ela também estava assustada como todos na faculdade, mas a ouvi dizer compreendidamente – Entre – e a porta foi destrancada.
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A porta estava aberta e eu vi Ino com a cara amassada e os olhos inchados pela insônia me fitarem carinhosamente. Ino foi namorada de Itachi por um ano e meio e sabia muito bem do que ele era capaz de fazer:
- Oi... – ela disse forçando um sorriso, mas só conseguiu esboçar uma careta – Sinto muito...
- Pode acreditar que quem sente mais sou eu – ela me abraçou brevemente. Ao ver minha irmã, ela virou-se para mim e interrogou
- Quem é ela? – e, antes de responder, fez com que nós dois entrássemos em seu quarto.
Fez com que Amaya se sentasse numa poltrona do lado da janela com uma cortina branca e roxa, enquanto eu me sentava na cadeira do lado da escrivaninha de madeira rústica. Ino sentou-se em sua cama, que até hoje eu não entendo por que é tão alta e o porquê de tantos travesseiros de pluma, e ficou me olhando como se eu fosse dizer alguma coisa:
- Eu sei que o que dizem por aí não é verdade... Você estava sob influência da droga, agiu sem perceber...
- Foram cinco pastilhas... – disse
- Minha nossa... – ela suspirou – Foi pior do que eu imaginei...
- As fofocas chegam rápidas para você não?
- Eu sou a primeira pessoa que fica sabendo das coisas aqui – ela riu – Sasuke, você não pode ouvir o que eles dizem...
- Mas eles dizem a verdade! Eu sou um monstro Ino! Hinata nunca mais vai olhar na minha cara novamente!
- Não grite! – disse alterando a voz ainda mais que a minha – Quer que te dedurem pra Tsunade? Já pensou no que iam falar? – ela olhou para Amaya, que estava discretamente no canto, olhando o movimento dos carros – E quem é ela?
- Minha irmã – Ino abriu a boca num "O" espantado
- Você é irmã do Sasuke? Desde quando?
- Desde que nossa mãe se casou pela segunda vez... – perguntou sendo pega de surpresa
- É sobre isso que quero falar com você, Ino – ela me olhou atentamente – Não posso levá-la ao meu apartamento porque o Itachi está lá e...
- Itachi está lá?! – cochichou espantada
- Ele diz que seus "amigos" pagaram a tal da fiança
- Que desgraçado... Não é à toa que a justiça é cega, surda e muda...
- Como eu ia dizendo, Itachi está lá e se eu voltar com Amaya sei lá o que ele é capaz de fazer. Sem falar que eu descontei vinte por cento da minha raiva na cara dele. Amanhã ele não aparece na faculdade. – Ino abriu um sorriso divertido – E eu não posso arrastar minha irmã a uma hora dessas para essa cidade... Tem como ela ficar aqui com você pelo menos até eu arranjar algum lugar pra ambos ficarmos?
- Claro... Mas e você? Para onde vai?
- Eu não sei... – disse fechando meus olhos e imaginando como eu poderia resolver a situação – Uma coisa de cada vez. Primeiro a mais importante: Hinata. Depois, um lugar para ficar...
- E sua irmã ô, insensível? – perguntou Ino com leve irritação na voz
- Ela já tem lugar pra ficar, não tem porque eu esquentar a cabeça com um detalhe a mais
Ino ficou irritada e isso foi bastante notável. Ela olhou para Amaya docemente e foi até ela para puxar assunto. Eu ainda de olhos fechados, estava pensando em toda essa volta que minha vida estava fazendo... Realmente, eu não seria mais o queridinho das professoras, nem o melhor amigo dos rapazes, muito menos o príncipe encantado das garotas... Mas que me importa? Você tinha sido a mais atingida... Por que raios eu fui aceitar aquele copo de bebida? Hoje em dia, você sabe muito bem como é que eu fico quando me oferecem uma cerveja. No mínimo, fecho a cara e fico emburrado a noite inteira.
Vi Ino passando por mim e indo até o guarda-roupa pegar algumas peças de roupas. Depois, ela entregou uma toalha verde e mostrou o banheiro para Amaya. Ino ficou procurando dentro daquela bagunça que era sua cômoda rosa, alguma coisa. Depois de cinco gavetas jogadas e uma porção de objetos e roupas serem espatifados no chão, ela finalmente achou uma caixa branca. Dentro tinha uma tesoura e um pente de cabeleireiros. Ela colocou a poltrona, antes do lado da janela, no centro do quarto. Estava até adivinhando o que ela faria. Amaya saiu do banheiro vestindo um moletom preto enorme. Eu já tinha visto aquele moletom no namorado da Ino, aquele estranho do Sai. Sorri imaginando o que poderia estar fazendo a roupa dele no quarto daquela escandalosa. Minha irmã sentou-se na poltrona com uma toalha de rosto em volta do pescoço dela. Ino penteou seus cabelos e começou a cortá-los.
- Você fica com a aparência bem melhor quando não usa aquela maquiagem toda... – tentei ser simpático
- Obrigada. – ela olhou para mim sorrindo – E você também ficaria com a aparência bem melhor se sorrisse de vez em quando
- Eu acho que você não entendeu o motivo de eu estar assim não é?
- Não estou falando de hoje – aquilo me pegou de surpresa – Eu vi algumas fotos sua com a nossa mãe e, ela comentou que sorrir não era seu forte
- Tem razão – disse Ino
- Eu não gosto, não combina comigo
- Como sabe?
- Não te devo explicações – disse ríspido
- Desculpe... – disse ela sorrindo – Só queria que você se abrisse comigo... Sou sua irmã e gostaria que nos tratássemos assim...
- Você acha mesmo que ele se abriria com você? O Sasuke não se abre nem com uma mosca morta, quem dirá com você!
Eu deveria ter dado uma resposta à altura, mas fiquei pensando no que tinha dito Amaya. Seria bom pelo menos uma vez na vida me abrir com uma pessoa a qual pudesse confiar. Não que essa pessoa fosse minha irmã, mas eu sempre senti falta de algum apoio e, ter algo o qual nunca possuí, me pareceu bem conveniente. Mas agora, não poderia pensar em mim e sim em você. Era o que estava fazendo.
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Oie povim n.n
Então, FIC estranha? Sim, muito O.O
Sei que vocês estão acostumados com coisa mais... Hãn... Normal, mas quero nessa FIC abordar o que pode acontecer com qualquer um.
Não necessariamente nessa ordem :P
Mas que catástrofes acontecem, acontecem, não podemos negar...
E catástrofe é o que eu estou temendo que vocês façam com minha pessoa aqui... *medo*
Se for aprovado (o que eu to duvidando muito) eu continuo...
Prometo que a coisa melhora no segundo capítulo \o/
Beijos :*
Amaya¹: noite chuvosa
